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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

O TDAH AUMENTA O RISCO DE DIABETES INDEPENDENTEMENTE DO IMC

O TDAH AUMENTA O RISCO DE DIABETES INDEPENDENTEMENTE DO IMC

Um estudo que publicado no Journal of Diabetes encontrou que adultos com TDAH apresentavam um risco 50% maior de desenvolver diabetes.

Os pesquisadores analisaram os dados coletados pelo questionário National Health Interview Survey (NHIS), realizado nos Estados Unidos, nos anos de 2007 e de 2012. As informações sobre TDAH e diabetes foram coletadas durante as entrevistas do questionário, em que os participantes respondiam se algum médico já havia lhe dado o diagnóstico de alguma dessas patologias. Outros dados sociodemográficos como idade, educação, renda familiar e estilo de vida também foram coletados.

Ao todo, somaram-se 52821 participantes (48,6% eram homens, e a média de idade foi de 45,5 anos). Entre eles, 1642 confirmaram que tinham TDAH e 4631 informaram que tinham diagnóstico de diabetes. Após ajustar para idade, sexo e etnia, os pesquisadores encontraram que os participantes com história de TDAH tinham maior risco de ter diabetes comparado com aqueles sem história de TDAH (OR = 1.68; 95% CI, 1.23-2.28). Os participantes com TDAH também eram mais propensos a ter diabetes após ajuste para educação, renda familiar, tabagismo, consumo de álcool, atividade física e IMC – índice de massa corporal-(OR = 1.54; 95 CI, 1.16-2.04).

Uma meta-análise anterior de 42 estudos havia demonstrado que o TDAH era associado a maior risco de desenvolvimento de obesidade em crianças e mulheres. Contudo, o presente estudo encontrou que a relação entre TDAH e diabetes era independente do IMC. Portanto, a possível relação entre TDAH e diabetes precisa ser elucidada do ponto de vista biológico.

“Um crescente número de evidências tem apoiado o papel da inflamação nas desordens neuropsiquiátricas incluindo o TDAH”, dizem os autores. “Um estudo anterior apontou que pacientes com TDAH possuíam um nível plasmático mais elevado do marcador inflamatório interleucina-6, que já foi associado também ao risco aumentado de diabetes”. Além disso, os autores também apontam para a necessidade de se investigar os efeitos das medicações de TDAH no metabolismo da glicose e no risco de diabetes.

Apesar desse estudo apontar para uma possível relação entre TDAH e diabetes, ainda são necessários novos estudos para a confirmação desses achados e para o entendimento de que fatores estariam por trás dessa relação. Além disso, existe algumas limitações no estudo como o fato de os dados sobre TDAH e diabetes terem sido auto-reportados pelos participantes, o que pode estar sujeito a viés. Contudo, como os pesquisadores escrevem, “se esses achados forem replicados e confirmados em estudos futuros, indivíduos com TDAH podem ter necessidade de triagem precoce e prevenção de diabetes”.

Artigo adaptado e traduzido de:

https://www.healio.com/news/endocrinology/20201007/adhd-increases-odds-of-diabetes-independent-of-bmi

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TDAH E USO DE SMARTPHONES

TDAH E USO DE SMARTPHONES

Hoje em dia se tornou praticamente inimaginável a possibilidade de viver sem um celular. Diversas atividades da nossa vida diária, inclusive relacionadas ao trabalho e finanças, foram transferidas para o smartphone.

Contudo, a praticidade no nosso dia a dia trouxe um ônus: a piora da nossa capacidade de concentração.

Um estudo da Universidade do Texas encontrou que nossa capacidade cognitiva, incluindo atenção e foco, é significativamente reduzida quando temos um smartphone por perto – mesmo que ele esteja desligado.

Outro estudo, que avaliou 2600 adolescentes, encontrou que usuários pesados de aparelhos eletrônicos tem 2 vezes mais chance de demonstrar sintomas de TDAH do que aqueles com uso infrequente. Isso pode impor um desafio na hora de diagnosticar quem de fato tem TDAH e quem tem déficit de atenção causado pelas telas.

Pesquisadores vêm tentando desvendar se o uso de smartphones e outras telas afeta a frequência do diagnóstico de TDAH. De acordo com a Dra. Candida Fink, psiquiatra de crianças e adolescentes, essa relação ainda permanece incerta. “Não necessariamente seja tudo má noticia, uma vez que smartphones também podem auxiliar na produtividade e no aprendizado”. Segundo ela, é importante diferenciar um uso que esteja causando prejuízos ao indivíduo daquele que não está.

A DISTRAÇÃO PODE SER CONFUNDIDA COM TDAH?

O TDAH e a distração se relacionam com os mesmos circuitos cerebrais e várias coisas podem afetar nossa atenção. O uso de telas, eventos preocupantes/estressantes e até mesmo a qualidade do sono podem exercer alguma influência. Portanto, o diagnóstico de TDAH exige uma avaliação cuidadosa. Você precisa de uma análise histórica do padrão de comportamento. Além disso, é necessário primeiro remover as distrações para que então uma avaliação da capacidade de atenção do paciente possa ser feita. No TDAH os sintomas não simplesmente aparecem e depois desaparecem.

COMO DIMINUIR O USO DE TELAS E AS DISTRAÇÕES

Primeiro você deve entender a sua rotina e seu ambiente para que possa limitar o uso do celular. Os aplicativos e redes sociais são desenhados para prender nossa atenção, então você tem que assumir a responsabilidade de estabelecer limites. Dra Fink sugere algumas dicas:

  • Não leve seu celular para cama. O uso antes de dormir interfere com seu sono. Compre um relógio de alarme para que você não tenha a desculpa de usar seu celular para colocar alarmes.
  • Suplemente o tempo de tela com atividade física. Saia para a rua e vá se exercitar. Leve o cachorro para passear, faça alongamentos ou dança – qualquer coisa que te faça deixar o telefone de lado e se mexer um pouco.
  • Tire pausas se você está trabalhando com telas ou jogando videogame. “ Isso é uma parte muito importante para reajustar sua atenção” diz Dra. Fink.

Artigo adaptado e traduzido de: https://medshadow.org/phone-addiction-adhd/

CURADORIA DE CONTEÚDO DO PRODAH:

Lembre, associação não indica causalidade! Diversos estudos mostram que quem tem TDAH passa mais tempo em telas. Por exemplo, a Dra. Patricia Bado estudando uma amostra brasileira de 2511 crianças e adolescentes do Brazilian High Risk Cohort for Psychiatric Disorders avaliadas em três pontos ao longo dos anos mostrou que maior psicopatologia basal está associada a maior tempo de tela depois, mas o inverso não. Ou seja, maior tempo de tela na linha basal não está associada a maior psicopatologia depois!

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O TDAH É PARCIALMENTE GENÉTICO, PORÉM FATORES AMBIENTAIS EXERCEM INFLUÊNCIA

O TDAH É PARCIALMENTE GENÉTICO, PORÉM FATORES AMBIENTAIS EXERCEM INFLUÊNCIA

Assim como muitos transtornos psiquiátricos, o TDAH apresenta componentes genéticos e ambientais na sua gênese.

Ainda que não se saiba exatamente o quanto de influência esses fatores genéticos exercem, estudos têm demonstrado que o TDAH tem um alto componente genético e pode ser passado de uma geração para outra. Ter um pai ou irmão com TDAH aumenta significativamente o risco do indivíduo também apresentar TDAH.

Um estudo publicado na revista científica Neuropsychiatric Disease and Treatment encontrou numa amostra de 79 crianças com TDAH que 41,3% tinham mães com TDAH e 51% tinham pais com TDAH.

Outro estudo realizado em 2014 que avaliou 59,514 gêmeos encontrou que a heritabilidade do TDAH era de 88%.  “Uma vez que irmãos também compartilham um ambiente social, físico e de criação, isso por si só não prova causa genética mas potenciais causas ambientais compartilhadas”, diz Robert King, MD, psiquiatra de medicina de comportamento e desenvolvimento infantil.

O TDAH é provavelmente uma condição associada a múltiplos genes, diz King. Além disso o TDAH muitas vezes é comorbido com outros transtornos psiquiátricos que também apresentam influencia genética.

King diz que, além da genética, outros fatores podem predispor alguém a desenvolver TDAH e alguns desses fatores podem ser prevenidos. Alguns exemplos:

  • Fumar durante a gestação*: Uma meta-análise de 2018 com quase 3.000.000 participantes publicada na Pediatrics encontrou que crianças cujas mães fumaram durante a gestação tinham maior predisposição a desenvolver TDAH e o risco aumentava quanto maior a carga do fumo.
  • Prematuridade e baixo peso ao nascer: Pesquisas têm demonstrado que ambos os fatores contribuem para o desenvolvimento de TDAH. Uma meta-análise de 2017 publicada na Pediatrics encontrou uma correlação entre o parto pré-termo e o baixo peso extremo ao nascer com o desenvolvimento de TDAH. Vale ressaltar que esse trabalho mencionado pelo autor foi realizado por pesquisadores do PRODAH– responsável pelo FOCUS!
  • Trauma ou adversidade na infância: King diz que baixo status socioeconômico e violência domestica podem aumentar o risco de TDAH infantil.

O TDAH tem certamente algum componente genético, o que foi demonstrado ao longo de pesquisas, ainda que não haja um único gene específico associado a condição. Ainda assim, diversos fatores ambientais contribuem para o desenvolvimento do TDAH, sendo que alguns deles podem ser evitados.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.insider.com/is-adhd-genetic

*Curadoria científica do PRODAH: Vale lembrar que existe uma grande discussão entre pesquisadores em relação do papel do fumo na gestação no TDAH. Existe um fenômeno que chamamos de correlação gene-ambiente, ou seja, é possível que alguns dos fatores ambientais possam também ser determinados geneticamente. Por exemplo, sabe-se que indivíduos com TDAH fumam mais do que aqueles sem TDAH. Assim seria de se esperar que mães com TDAH fumem mais do que mães sem TDAH na gravidez. Assim, o efeito determinante do TDAH na criança poderia não ser do fumo mas sim dos genes de vulnerabilidade para o TDAH da mãe.

 

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PRODUTOS QUÍMICOS DESREGULADORES ENDÓCRINOS E A RELAÇÃO COM SINTOMAS DE TDAH NA ADOLESCÊNCIA

PRODUTOS QUÍMICOS DESREGULADORES ENDÓCRINOS E A RELAÇÃO COM SINTOMAS DE TDAH NA ADOLESCÊNCIA

Estudos científicos têm demonstrado que a exposição a agentes químicos desreguladores endócrinos pode estar associada ao TDAH. Esses produtos, como ftalatos e fenóis são amplamente utilizados em produtos de consumo, incluindo no processamento de alimentos, em embalagens e em produtos de higiene pessoal. Um estudo publicado no JAMA network examinou a exposição a esses químicos na adolescência e sua relação com sintomas de TDAH.

Foram coletados dados de 205 adolescentes participantes da New Bedford Cohort, uma coorte de nascimento prospectiva, entre junho de 2011 e junho de 2014. A idade média dos participantes era de 15,3 anos e a amostra era composta de 112 meninas e 93 meninos.

Foram coletadas amostras de urina e foram medidas as concentrações de químicos desreguladores endócrinos, como ftalatos, parabenos, fenóis e triclocarban. Os sintomas de TDAH foram avaliados através de instrumentos de avaliação validados na forma de checklist preenchidos por pais, professores e pelos próprios participantes.

Os pesquisadores encontraram que a cada aumento de 2x na concentração de ftalato na urina havia um aumento de 1,34 no risco de sintomas de TDAH, enquanto a cada aumento de 2x na concentração de diclorofenois havia um aumento de 1,15 no risco.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que a exposição a ftalatos e bisfenol A no período prenatal e logo após o nascimento estava relacionada ao aumento nos sintomas do TDAH. Porém esse foi o primeiro estudo que avaliou essa relação com a exposição durante a adolescência, um período crítico também para o neurodesenvolvimento.

Como os pesquisadores apontam, uma das limitações do estudo pode ser o potencial para causalidade reversa, uma vez que os sintomas de TDAH poderiam alterar os hábitos dietéticos e do uso de substancias dos participantes, sendo assim os responsáveis pela maior exposição dos participantes a esses químicos.  Porém, quando os pesquisadores controlaram a análise para esses fatores comportamentais, não houve alteração na associação.

Referência:

  • Shoaff JR, Coull B, Weuve J, et al. Association of Exposure to Endocrine-Disrupting Chemicals During Adolescence With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder–Related Behaviors. JAMA Netw Open.2020;3(8):e2015041. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.15041
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NOVO ESTUDO APONTA PARA DIFERENÇAS GENÉTICAS EM PACIENTES AFRO AMERICANOS COM TDAH

NOVO ESTUDO APONTA PARA DIFERENÇAS GENÉTICAS EM PACIENTES AFRO AMERICANOS COM TDAH

Muitos estudos sugerem que variantes estruturais do genoma possuem um papel importante na gênese do TDAH. Contudo, a maioria desses estudos foca em regiões codificantes do DNA, regiões que codificam proteínas especificas, e foram primariamente conduzidos em pessoas com ascendência europeia.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores do Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP) resolveu estudar uma amostra grande de indivíduos Afro-americanos e compararam regiões codificantes e não codificantes do genoma desses indivíduos Afro-americanos com as de indivíduos de ascendência Europeia. “Nós sentíamos como se estudos anteriores sobre TDAH do ponto de vista genômica não estivessem contando a história completa por conta de quem eles estavam deixando de fora e o que eles estavam escolhendo estudar”, disse Hakon Hakonarson, MD, PhD, Diretor do Centro de Genômica Aplicada no CHOP Research Institute e autor sênior do estudo.

O time de pesquisadores e seus colaboradores geraram dados da sequência genômica completa de 875 participantes, incluindo 205 participantes com TDAH e 670 controles sem TDAH. Afro-americanos representaram 116 dos 205 pacientes com TDAH e 408 dos controles sem TDAH.

Além de confirmar várias variantes estruturais e genes associados ao TDAH já identificados em estudos anteriores, os pesquisadores descobriram 40 novas variantes estruturais em pacientes com TDAH. Eles identificaram um cluster de variantes estruturais nas regiões não codificantes de sequencias envolvidas no funcionamento de cérebro e potencialmente altamente relevantes para o desenvolvimento do TDAH, incluindo expressão genica em fenótipos específicos de TDAH

Houve uma pequena sobreposição (cerca de 6%) nos genes impactados por variantes nucleotídicas isoladas entre indivíduos com ascendência afro-americana e europeia. Essas diferenças foram especialmente pronunciadas nas variantes estruturais não codificantes. Essas variantes podem também impactar como pacientes responde a medicação para o TDAH.

“O sequenciamento genômico completo parece ser uma ferramenta de descoberta valiosa para o estudo de mecanismos moleculares por trás do TDAH”, disse Hakonarson. Adicionalmente, a inclusão de afro-americanos, associada ao estudo de regiões não codificantes do genoma, identificou várias variantes estruturais que indicam caminho para pesquisa futura, uma vez que elas podem impactar tanto na susceptibilidade ao TDAH quanto em como os pacientes respondem a diferentes intervenções terapêuticas”.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.sciencedaily.com/releases/2020/09/200922112301.htm

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TDAH E TRANSTORNO DE ACUMULAÇÃO

TDAH E TRANSTORNO DE ACUMULAÇÃO

O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade) frequentemente ocorre em conjunto com outros transtornos psiquiátricas. Um deles que pode estar presente é o Transtorno de Acumulação.

De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição), o Transtorno de Acumulação é classificado como um dos transtornos relacionados ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Segundo o manual, indivíduos com esse problema possuem uma dificuldade persistente de se desfazer ou dividir bens, independentemente de seu valor.

Essa dificuldade se deve a uma necessidade percebida de guardar os itens e ao desconforto associado ao se desfazer deles, o que resulta em um acumulo de objetos que ocupam áreas de convívio comprometendo o seu uso. Isso, por sua vez, acaba levando a prejuízos significativos na vida social, ocupacional ou em outras áreas da vida do indivíduo.

Assim como muitos transtornos psiquiátricas, inúmeros fatores incluindo genéticos e ambientais estão envolvidos na gênese do transtorno. Ainda, alguns transtornos psiquiátricos aumentam a propensão para o desenvolvimento desse comportamento, como é o caso do TDAH.

Pessoas com TDAH já possuem uma dificuldade de organização e de auto-regulação, além de poderem agir mais impulsivamente, o que contribui para o comportamento de acumulação.

Se você conhece alguém ou acredita que você possa ter problemas de acumulação, abaixo seguem algumas dicas:

– Não tenha receio de pedir por ajuda. Procure apoio das pessoas próximas de você.

– Não coloque as coisas em um canto, guarde-as no local correto. Tente deixar os itens em casa próximo do seu local de uso.

– Resista a tentação de deixar as coisas para depois. Guarde os objetos assim que terminar de usá-los, por exemplo. Deixar para depois só facilita para que se criem pilhas e colocar os objetos no lugar na hora levará apenas alguns minutos.

– Desapegue da ideia de que algo inutilizado pode eventualmente se tornar útil. Se fizer anos que você não usa algum objeto, talvez esteja na hora de passa-lo adiante…

Referências:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK519704/table/ch3.t29/

https://www.psychiatry.org/patients-families/hoarding-disorder/what-is-hoarding-disorder

https://www.psychologytoday.com/ca/blog/conquer-the-clutter/202008/addadhd-and-hoarding-disorder

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QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é um transtorno altamente prevalente afetando até cerca de 11% das crianças e 5% dos adultos. Ele está associado a altos níveis de prejuízo na capacidade funcional, incluindo a associação com outros transtornos psiquiátricos, dificuldades acadêmicas, acidentes domésticos e automobilísticos e ferimentos.

Evidências científicas têm demonstrado melhora significativa nos sintomas do TDAH com o uso de medicamentos estimulantes. Uma revisão sistemática e meta-análise com 40 estudos, publicada em 2020 no Journal of Psychiatric Research, buscou averiguar os efeitos do tratamento medicamentoso nos desfechos funcionais.

Essa revisão da literatura encontrou altos benefícios do uso de medicação, especialmente estimulantes, na diminuição do risco de comorbidade com transtornos de humor (depressão e bipolaridade), suicídio, criminalidade, acidentes e ferimentos, prejuízo na performance acadêmica, uso de substâncias e acidentes automobilísticos.

Ainda que alguns dos estudos tenham avaliado o uso de medicamentos não-estimulantes, a vasta maioria consistia de tratamento com estimulantes e nenhum estudo encontrou resultados para o uso isolado de não-estimulantes.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que o tratamento na infância com estimulantes poderia diminuir o risco de desenvolvimento de transtornos de humor na vida adulta bem como o desenvolvimento de transtornos de conduta em ambos os sexos.

Como os pesquisadores descrevem, os efeitos benéficos do uso de medicamentos eram mais proeminentes quando os pacientes eram aderentes  ao uso da medicação, ressaltando a importância de se trabalhar a adesão com os pacientes e a necessidade de se investigar ferramentas que melhorem a adesão ao tratamento.

Por fim, como os pesquisadores ressaltam, apesar dos efeitos protetivos observados com o uso de medicação, não é possível afirmar que o tratamento farmacológico seja o único fator influenciando nos desfechos funcionais. Além disso, foram encontrados resultados mistos na performance acadêmica, sugerindo que outros fatores além do TDAH (como habilidades cognitivas, transtornos de aprendizado, classe social e déficits nas funções executivas) possam exercer influência nesse desfecho.

Referência:
Boland H, DiSalvo M, Fried R, Woodworth KY, Wilens T, Faraone SV, Biederman J. A literature review and meta-analysis on the effects of ADHD medications on functional outcomes. J Psychiatr Res. 2020 Apr;123:21-30. doi: 10.1016/j.jpsychires.2020.01.006. Epub 2020 Jan 27. PMID: 32014701.

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PESO AO NASCIMENTO E A SAÚDE MENTAL NO FUTURO

PESO AO NASCIMENTO E A SAÚDE MENTAL NO FUTURO

Um estudo publicado no JAMA Psychiatry encontrou que um menor peso ao nascimento estava associado a maior risco para diversas desordens psiquiátricas.

Em uma amostra de cerca de 500,000 pares de irmãos, indivíduos com menor peso ao nascimento eram significativamente mais propensos a desenvolver depressão, transtorno obsessivo compulsivo, TDAH e autismo, como reportou Erik Pettersson, PhD do Karolinska Institutet de Estocolmo, Suécia, e colegas.

Dentro dos pares de irmãos, um incremento de 1kg no peso ao nascimento era associado a menor risco para desordens do neurodesenvolvimento incluindo TDAH e autismo, após o controle para variáveis como sexo, idade de nascimento e ordem de nascimento.

“Dado que o tamanho do efeito observado foi pequeno, o que está de acordo com pesquisas anteriores, intervenções potenciais possivelmente teriam um efeito pequeno nas condições psiquiátricas futuras”, eles escreveram.

“ Não obstante, dado a prevalência de desordens de saúde mental, combater a desnutrição materna e melhorar o atendimento de pré-natal ainda pode influenciar significativamente no número de casos psiquiátricos”

Joel Nigg, PhD do Oregon Health and Science University em Portland, Oregon, que não participou do estudo, afirmou que o baixo peso ao nascimento pode prejudicar o desenvolvimento cerebral, o que em contrapartida pode levar a desfechos desfavoráveis na saúde mental

“É uma evidência de que existe uma relação causal com baixo peso ao nascimento e certas desordens incluindo TDAH, autismo e depressão”, completa Nigg. “Isso é consistente com estudos anteriores, porém essa evidência é mais clara”

Pettersson e a equipe utilizaram um “fator comum” (uma medida de psicopatologia global) para controlar a covariância que pode ocorrer entre desordens psiquiátricas.

“ Fazendo a analise dessa forma, você é capaz de isolar as associações devido a esse fator comum”, disse Nigg. “O que é bom porque assim você pode dizer que a associação com TDAH ou autismo não se deve ao que é compartilhado com todas as outras desordens”.

Esse estudo combinou dados de diversos registros nacionais que cobriam todos os indivíduos suecos nascidos a partir de primeiro de janeiro de 1973 até 31 de dezembro de 1998. Os pesos de nascimento foram ajustados para a idade gestacional e a idade corrigida. Os diagnósticos de saúde mental foram incluídos apenas na idade de 12 anos ou mais, exceto pelo autismo e o TDAH, que foram incluídos a partir dos 2 anos de idade.

O par mais velho de irmãos nascidos com uma diferença de até 5 anos de idade era selecionado de cada família e acompanhado até 31 de dezembro de 2013. No total, 546,894 pares de irmãos foram incluídos, os quais eram 51,5% homens e tinham em média 27,2 anos de idade.

Os pesquisadores agruparam essas desordens em grupos específicos, cada qual contribuindo para o fator comum. Doenças do neurodesenvolvimento ( TDAH e autismo), transtornos psicóticos ( esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo), transtornos de ansiedade ( transtorno obsessivo compulsivo e ansiedade) e “fatores externalizantes” ( crimes violentos, consumo de drogas e abuso de álcool) foram associados ao crescimento fetal, além do fator comum.

Dentro dos pares de irmãos, cada 1kg de incremento no peso ao nascimento foi significativamente associado a menores níveis de psicopatologia global, bem como de ansiedade e de transtornos do neurodesenvolvimento. Entretanto, o incremento no peso não foi associado a menores níveis de “fatores externalizantes”.

A analise global da população mostrou uma associação do peso ao nascimento com o aumento de risco para 9 dos 12 transtornos psiquiátricas examinadas: depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, bipolaridade, abuso de álcool, uso de drogas, crimes violentos, TDAH e autismo. Porém, analisando entre os pares de irmãos, os resultados mostraram apenas uma associação significativa entre o peso e o desenvolvimento global de psicopatologias e o desenvolvimento de transtornos do neurodesenvolvimento (autismo e TDAH).

 

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.medpagetoday.com/psychiatry/generalpsychiatry/77866

Referências:
Association of Fetal Growth With General and Specific Mental Health Conditions
Erik Pettersson, PhD1; Henrik Larsson, PhD1,2; Brian D’Onofrio, PhD3; et al
JAMA Psychiatry. 2019;76(5):536-543. doi:10.1001/jamapsychiatry.2018.4342
Link: https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/fullarticle/2722846

 


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