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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

RELAÇÃO ENTRE INSÔNIA E CONSUMO DE ÁLCOOL COM SINTOMAS DE TDAH

RELAÇÃO ENTRE INSÔNIA E CONSUMO DE ÁLCOOL COM SINTOMAS DE TDAH

Um estudo publicado no Frontiers in Psychology encontrou uma associação significativa entre a severidade dos sintomas de TDAH e abuso de álcool e insônia.

Pesquisadores da Universidade de Bergen na Noruega selecionaram randomicamente pacientes adultos com TDAH diagnosticados entre 1997 e 2005 e pacientes controle saudáveis do Registro Médico de Nascimentos da Noruega. Os participantes com diagnóstico de TDAH(n=235) e os controles(n-184) completaram um questionário que avaliava insônia, consumo de álcool e sintomas presentes de TDAH.

Os pesquisadores usaram a Escala de Insônia de Bergen, o Teste de Identificação de Transtorno de Uso de Álcool (AUDIT) e a Escala Adult  ADHD Self-Report Scale (ASRS) (a mesma usada pelo FOCUS) para avaliar os sintomas. Pacientes com TDAH tinham a opção de fornecer informações sobre o TDAH na infância e sintomas internalizantes ao longo da vida.

Comparado com o grupo controle, uma proporção significativamente menor de pacientes com TDAH havia completado a universidade (34.3% vs 77.8%; P <.001) ou estava empregada (40.2% vs 88.4%; P <.001). A média da soma de pontos do teste AUDIT foi significativamente maior no grupo TDAH vs controle (13.59 vs 12.32; P <.005), sugerindo maior severidade no consumo de álcool em pacientes com TDAH. O que vai de encontro com outros estudos que avaliaram a relação entre TDAH e abuso de substâncias. Além disso, a Insônia também foi mais frequente no grupo com TDAH (67.2% vs 28.8%; P <.001).

Entre os pacientes com insônia, 46,9% no grupo TDAH e 24,6% no grupo controle relataram beber ao menos 5-6 unidades de álcool quando bebiam. A Insônia foi associada a maior gravidade da pontuação na ASRS, tanto nos pacientes com TDAH quanto nos controles. A variação nos sintomas de TDAH em pacientes com esse diagnóstico foi explicada pela insônia e pelos sintomas internalizantes mas não pelo consumo de álcool. No grupo controle, contudo, os sintomas de TDAH foram significativamente associados com o uso de álcool.

Uma das limitações dos estudos é a de que os dados foram fornecidos através de uma auto avaliação, e os pacientes podem ter relatado um menor consumo de álcool.

O uso de álcool pode estar associado com sintomas de TDAH, mesmo em adultos sem diagnóstico clínico de TDAH. Adicionalmente, a insônia foi associada com aumento no consumo de álcool e maior gravidade dos sintomas de TDAH em ambos os grupos.

Artigo adaptado e traduzido de:  https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/sleep-wake-disorders/insomnia-disorder/insomnia-and-alcohol-consumption-linked-to-adhd-symptoms/

Referencia:

-Lundervold AJ, Jensen DA, Haavik J. Insomnia, alcohol consumption and ADHD symptoms in adults [published online May 27, 2020]. Front Psychol. doi: 10.3389/fpsyg.2020.01150

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RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) está relacionado com o desenvolvimento de depressão na vida adulta. A razão para isso poderia se dever tanto ao estresse psicológico advindo do transtorno quanto a alguma relação de base neurobioquímica.

Um artigo publicado na Psychological Medicine buscou avaliar se o TDAH e a predisposição genética ao TDAH teriam alguma relação causal com o desenvolvimento de depressão ao longo da vida. Uma relação desse tipo poderia indicar que o tratamento do TDAH é capaz de diminuir o risco de depressão.

Alguns estudos anteriores com gêmeos haviam postulado que a ocorrência simultânea de depressão e TDAH poderia se dever a riscos genéticos compartilhados. Nesse sentido, fatores de risco em comum poderiam fazer com que algumas pessoas desenvolvessem TDAH e outras depressão. Em contrapartida, o presente estudo buscou distinguir se o próprio TDAH seria fator de risco.

Os dados foram coletados da coorte prospectiva longitudinal “Avon Longitudinal Study of Parents and Children” (ALSPAC). Foram incluídos para análise 8310 indivíduos que foram avaliados para TDAH aos 7 anos de idade usando a subescala de avaliação parental de TDAH do Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ). Os dados sobre depressão foram coletados usando o Short Moods and Feeling Questionnaire (sMFQ) aos 18, 21, 22, 23 e 25 anos de idade. 57% (n=4771) dos participantes tiveram dados de depressão coletados ao menos uma vez nesses 5 períodos.

Para avaliar o efeito do risco genético de TDAH na depressão, dados de genética foram coletados do estudo de genética ampla de indivíduos com ascendência europeia para TDAH e Depressão maior.

Ao todo, 6,4% (n= 530) dos participantes foram diagnosticados com TDAH aos 7 anos e 26,7% tiveram depressão recorrente na idade adulta. Aproximadamente 32,7% daqueles com TDAH na infância tiveram depressão recorrente na idade adulta comparado com 26,5% daqueles sem TDAH. Alternativamente, entre aqueles que tinham depressão recorrente na vida adulta, aproximadamente 7,8% deles tiveram TDAH na infância comparado com 5,9% sem depressão.

O TDAH na infância foi associado com um aumento de risco de depressão recorrente na idade adulta (: OR 1.35, 95% CI 1.05–1.73, p = 0.02). Esses achados se mantiveram ao se controlar para sexo, adversidades na vida, educação materna e depressão materna (OR 1.38, 95% CI 1.07–1.79, p = 0.01).

Análises de randomização mendelianas sugeriram um efeito causal da susceptibilidade genética do TDAH na depressão maior (OR 1.21, 95% CI 1.12–1.31). Porém, análises feitas com definições mais amplas de depressão diferiram, mostrando uma influência fraca no desenvolvimento de depressão (OR 1.07, 95% CI 1.02–1.13).

Como os pesquisadores concluem, as análises longitudinais mostraram que o TDAH é um fator de risco para a depressão na vida adulta e as análises de randomização mendeliana reforçam um efeito causal do TDAH na depressão maior, apesar de que esses resultados variaram conforme a definição de depressão utilizada. Além disso, é importante notar que o TDAH em si não é um fator de risco forte para a depressão na vida adulta e muitos indivíduos desenvolverão depressão por outras razões.

Referencia:

-Riglin, L., Leppert, B., Dardani, C., Thapar, A. K., Rice, F., O’Donovan, M. C., … Thapar, A. (2020). ADHD and depression: investigating a causal explanation. Psychological Medicine, 1–8. doi:10.1017/s0033291720000665

 

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COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

Um dos sintomas que podem estar presente no TDAH e que muitas vezes acaba sendo negligenciado é a impulsividade. Assim como a hiperatividade e a desatenção, a impulsividade também está relacionada a déficits nas funções executivas. Além disso, ela parece se relacionar diretamente com a hiperatividade: os sinais da hiperatividade, como incapacidade de permanecer sentado, também dependem de uma capacidade diminuída de auto regulação e de controle dos impulsos.

Algumas das manifestações da impulsividade são: comportamento agressivo e raiva explosiva, gasto impulsivo de dinheiro, comportamento de risco incluindo comportamento sexual de risco, abuso de substâncias, gasto em jogos de azar e compulsão alimentar.

O descontrole dos impulsos pode ter um impacto negativo na qualidade de vida, podendo se manifestar na infância, adolescência ou idade adulta. Crianças com problemas de controle de impulso tendem a apresentar problemas na escola, tanto no aspecto social quanto acadêmico. Elas podem ter mais risco de se envolver em brigas com os colegas e de não completarem as tarefas escolares.

Ainda que a causa exata da impulsividade não seja bem compreendida, ela se relaciona com alterações químicas no lobo frontal, especialmente no balanço da dopamina.

Além do TDAH, a  impulsividade está presente também em outros transtornos psiquiátricos classificados no DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) como Transtornos Disruptivos, de controle de impulso ou de conduta. Nessa categoria se enquadram o transtorno de conduta e transtorno opositor-desafiador.

Outros transtornos psiquiátricos que podem eventualmente cursar com impulsividade são: bipolaridade, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Doença de Parkinson, abuso de substâncias e Síndrome de Tourette.

Problemas de controle de impulso são mais frequentes no sexo masculino. Porém, existem alguns outros fatores de risco como histórico de abuso, negligência/abuso por parte dos pais na infância ou pais com problemas de abuso de substâncias.

Abaixo seguem algumas dicas de como você pode auxiliar seu filho no controle dos impulsos:

  • Converse com seu médico sobre os problemas do seu filho e busque ajuda. Procurar atendimento com um psiquiatra/psicoterapeuta especialista em crianças pode ser uma boa ideia.
  • Seja um bom exemplo para o seu filho. As crianças tendem a observar e modelar o comportamento dos pais.
  • Estabeleça limites e mantenha sua palavra
  • Estabeleça uma rotina para que o seu filho saiba o que esperar
  • Parabenize seu filho quando ele exibir bom comportamento

E quanto aos adultos?

Adultos com problemas de controle de impulsos podem ter dificuldade de controlar seu comportamento no calor do momento, podendo sofrer com sentimento de culpa e vergonha após o ocorrido. É importante ter alguém em que você confie para conversar sobre suas dificuldades com o manejo dos impulsos. Ter uma válvula de escape, algum meio para se expressar, pode ajudar na hora de trabalhar seu comportamento.

A terapia é uma base central no tratamento. Algumas das opções são:

  • Terapia individual como TCC – terapia cognitivo comportamental
  • Terapia familiar ou de casal
  • Terapia de grupo para adultos
  • Ludoterapia para crianças

Além da psicoterapia, remédios psiquiátricos também podem ser usados, como os estimulantes para o TDAH, antidepressivos e estabilizadores de humor. Nesse caso, é necessária avaliação médica, e o médico poderá ajustar doses e encontrar a medicação mais adequada.

 

Artigo adaptado e traduzido de https://www.healthline.com/health/mental-health/impulse-control

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VIDEOGAME PARA O TRATAMENTO DO TDAH É APROVADO PELO FDA

VIDEOGAME PARA O TRATAMENTO DO TDAH É APROVADO PELO FDA

Recentemente o FDA (Food and Drug Administration- organização responsável pela aprovação de tratamentos médicos nos Estados Unidos) aprovou o primeiro videogame capaz de ser usado como tratamento para problemas de saúde.

O EndeavorRX (AKL-T01), jogo produzido pela Akili Interactive, é um jogo mobile que foi autorizado para o tratamento de crianças com TDAH entre 8-12 anos de idade. Essa é uma decisão tomada após 7 anos de estudos para analisar a eficácia do vídeo-game.

Um desses estudos, um ensaio clínico randomizado, publicado no The Lancet Digital Health esse ano, avaliou 857 crianças entre 15 de julho de 2016 e 30 de novembro de 2017. Os pacientes foram randomizados em dois grupos, um de intervenção com o jogo AKL-T01 e outro de grupo controle. A intervenção no grupo controle foi desenhada para parear o AKL-T01 em expectativa, engajamento e tempo de jogo na forma de um jogo digital, que tinha como alvo domínios cognitivos diferentes do AKL-T01 e não associados primariamente ao TDAH.

A intervenção com o AKL-T01 melhorou significativamente a performance numa medida objetiva de atenção, um teste computacional de atenção (TOVA API), em crianças com TDAH em comparação com o grupo controle. Desfechos secundários como medidas de atenção feitas por pais e médicos não encontraram diferenças entre os grupos. Por conta disso, os pais não devem necessariamente esperar grandes mudanças no comportamento dos filhos.

Efeitos adversos foram encontrados em um número muito pequeno de pacientes (7% no grupo intervenção e 2% no grupo controle). Os mais comuns foram: frustração, dor de cabeça, tontura, reação emocional ou agressão.

Contudo, como os especialistas alertam, não é recomendado que o tratamento habitual do TDAH – medicação e terapia comportamental- seja descontinuado. O vídeo-game seria apenas um adicional, não um substituto.

De acordo com um porta-voz da empresa, o jogo foi aprovado apenas para ser usado 5 dias por semana por até 25 min por dia. É necessário ter prescrição médica e atualmente é preciso se cadastrar em uma lista de espera no site do jogo para adquiri-lo.

Como os pesquisadores escrevem, o AKL-T01 pode ser adicionado ao tratamento habitual com poucos riscos e a natureza digital da intervenção pode ajudar a diminuir a barreira encontrada no acesso das diferentes formas de tratamento comportamental e outras terapias não medicamentosas.

Comentário do Professor Luis Augusto Rohde (PRODAH/HCPA/UFRGS):
Vários outros jogos envolvendo treinamento cognitivo foram testados em TDAH. Os resultados considerados centrais nos estudos prévios foram mudanças em sintomas de TDAH relatados por pais e/ou professores. Vários desses jogos mostraram melhora de funções cognitivas associadas ao TDAH, mas com pouca melhora nos sintomas do transtorno. O mesmo ocorreu com esse novo videogame. A diferença é que os autores promoveram os testes cognitivos a desfechos centrais a serem avaliados e passaram os sintomas do TDAH relatados para desfechos secundários. Assim, mesmo chegando a resultados similares aos de estudos anteriores, puderam dizer que a intervenção foi eficaz para o que consideraram central. Fica a pergunta: Como pais, o que buscam no tratamento do TDAH de seus filhos? Melhora de uma função cognitiva num teste computadorizado ou dos sintomas percebidos no dia a dia? Se a resposta é a segunda, o vídeogame não se mostrou a solução.

Referências:
– A novel digital intervention for actively reducing severity of paediatric ADHD (STARS-ADHD): a randomised controlled trial Prof Scott H Kollins, PhD, Denton J DeLoss, PhD, Elena Cañadas, PhD, Jacqueline Lutz, PhD, Prof Robert L Findling, MD, Prof Richard S E Keefe, PhD et al.
DOI:https://doi.org/10.1016/S2589-7500(20)30017-0
Link: https://www.thelancet.com/journals/landig/article/PIIS2589-7500%2820%2930017-0/fulltext#articleInformation
https://abcnews.go.com/GMA/Wellness/video-game-approved-fda-potentially-children-adhd/story?id=71340522
https://www.theverge.com/2020/6/15/21292267/fda-adhd-video-game-prescription-endeavor-rx-akl-t01-project-evo

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COMO CONVERSAR COM MEMBROS DA FAMÍLIA SOBRE A SAÚDE MENTAL DO SEU FILHO?

COMO CONVERSAR COM MEMBROS DA FAMÍLIA SOBRE A SAÚDE MENTAL DO SEU FILHO?

Muitas vezes, pais podem precisar de uma ajuda extra na hora de cuidar dos filhos. Seja durante as horas de trabalho, finais de semana ou feriados. Nesses momentos, além das creches ou babás, os pais também podem contar com a ajuda dos avós ou de outros membros da família. No caso de crianças com problemas de saúde mental ou de comportamento, é necessário que os cuidadores estejam orientados quanto aos desafios, os esquemas terapêuticos e a forma de lidar em diferentes situações.

Quando o assunto é saúde física ou emocional, a constância no tratamento é fundamental. Assim como ela é necessária em problemas como asma e diabetes, ela também é importante na depressão, ansiedade ou no TDAH. Apesar disso, nem sempre é claro para os pais que eles devem compartilhar as dificuldades psiquiátricas dos seus filhos com outros membros da família da mesma forma como é feito para outras condições médicas. Seja por conta do estigma, vergonha ou ausência de um plano de abordagem consistente.

A falta de consistência é uma das razões para que ocorra falha no tratamento. É necessário que haja consistência na abordagem entre os diferentes ambientes –como dentro de casa ou na escola- e entre os cuidadores. Isso ajuda na identificação de comportamentos negativos e no reforço e promoção dos comportamentos positivos.

Descrevemos abaixo algumas dicas que podem ajudar na orientação e no preparo dos avós ou de outros familiares que irão se responsabilizar pelo cuidado da criança:

  1. Entender os desafios

Conforme descreve o Dr. Stuart Ablon em seu modelo colaborativo de resolução de problemas, as crianças – independente da dificuldade- querem agradar seus pais, atender as expectativas e serem amadas e admiradas. Contudo, quando as crianças se comportam de forma opositora, desafiante, mal-humorada ou distanciada, é comum assumir que elas estejam agindo propositalmente, que estão escolhendo confrontar e agir contra as expectativas. Na maioria das vezes esse não é o caso; e agir conforme essa suposição pode dificultar as coisas. Quando as crianças não se comportam conforme o esperado, isso frequentemente se deve à falta de habilidade e não de vontade. As crianças tendem a se comportar bem se elas conseguem. De forma similar, crianças com problemas de saúde mental podem ter pouca habilidade para se comportar conforme as normas e é importante que nós achemos formas de ajudá-las. Esse é um conceito muito importante que deve ser trazido sempre à tona.

No caso de crianças com TDAH por exemplo, pode parecer que elas não estejam prestando atenção de proposito, ou que também estejam se negando a fazer aquilo que lhes foi solicitado. É preciso que esse comportamento seja explicado para evitar mal-entendidos.

  1. Romper o estigma de doenças mentais

Ainda que mitos sobre transtornos psiquiátricos derivem de crenças culturais, da falta de conscientização pública ou de um histórico de estigmatização, doenças de saúde mental estão entre as condições médicas mais comuns ao redor do mundo. Buscar fontes de informação junto do pediatra ou do psiquiatra, ler artigos sobre os desafios enfrentados por seu filho, podem ajudar na hora de explicar para os avós sobre o transtorno e a forma como ele pode se manifestar.

Além de os instruir quanto informações básicas ou orientá-los quanto a fontes confiáveis de informação, ajude-os a sentir empatia com seu filho. Explique que as dificuldades que seu filho apresenta não são culpa de ninguém- nem do seu filho, sua ou deles-. Oriente-os que existe tratamento e que os desfechos podem ser tão bons quanto tratar outros problemas de saúde física comuns, como enxaqueca, problemas gastrointestinais, etc.

  1. Empoderando cuidadores com o tratamento

Toda criança com um ou mais problemas de saúde mental deve ter um esquema terapêutico. Isso idealmente inclui alguma estruturação do dia (hora de acordar, de ir pra cama, hora de fazer os temas de casa, tempo de televisão), dose e hora de tomada da medicação, bem como abordagens terapêuticas que podem ser aprendidas (ex. terapia cognitivo comportamental, meditação). É importante também ter para quem ligar em situações de emergência, saber como lidar com emoções ou comportamentos desafiantes (como conversar, intervalos, tempo para ficar sozinho no quarto). Idealmente essas coisas devem estar escritas tanto para os pais quanto para quem for cuidar da criança (avós, professores) e até mesmo para a criança.

Uma vez que o esquema terapêutico esteja bem esclarecido, a chance de sucesso é maior e o risco de se desviar do esquema é diminuído.

  1. Esclarecer que todos somos parte do problema e da solução

Todas as doenças no geral, sejam físicas ou emocionais, tem bases biológicas, psicológicas e ambientais. Por conta disso, nós podemos ter controle sobre muitos fatores causadores ou agravantes do problema.

Crianças e adolescentes tendem a viver em ambientes complexos, cheios de desafios, e ambos os pais ou avós podem ajudar a suavizar ou exacerbar o estresse que afeta o transtorno ou dificuldade da criança.

Se nós aceitarmos isso, podemos fazer duas coisas. Primeiro, nos tornamos responsáveis pelo nosso comportamento e nos vermos como agentes de mudança. Segundo, isso nos faz dividir a responsabilidade do problema, nos abstendo da tendência de ver a criança como “o problema”.

Rótulos negativos tem poder imenso e são muito danosos. Muitas crianças que sofrem de problemas de saúde mental lidam com baixa autoestima. Elas sofrem com sentimentos de inadequação, fracasso, medo de rejeição, o que pode fazer com que elas se vejam como debilitadas e culpadas, fazendo-as incorporar essas visões negativas na sua identidade.

Esse é uma das razões importantes que diferencia doenças de saúde mental de doenças físicas. É raro uma doença de origem física como hipertensão, diabetes ou asma gerar rótulos para a  criança de “deficiente”. Nós podemos fazer melhor por elas e redefinir o conceito de saúde mental, começando por conversar abertamente com nossa família e comunidade.

  1. Explicar o que funciona para cada criança ou irmão

Toda criança ou adolescente é diferente e assim também são os problemas de ordem mental. Além disso, algumas crianças podem ter mais de um transtorno. O TDAH por exemplo frequentemente vem associado com depressão, ou ansiedade. Cuidadores precisam entender o que cada transtorno é e como ele se manifesta no seu filho. Pode ocorrer ainda de mais de uma criança na família sofrer com problemas de saúde mental, fazendo com que os cuidadores tenham de entender mais de um esquema terapêutico.

Também precisamos levar em conta como o problema de saúde mental de uma criança pode afetar o outro irmão que também precisa de atenção. É normal que se foque mais na criança com comportamentos mais desafiadores, porém isso pode fazer com que a outra criança se sinta excluída e até ressentida.

Para cada criança, é preciso levar em conta a sua personalidade: algumas crianças são mais passivas e isoladas enquanto outras são mais irritáveis e agressivas. Esses traços devem ser considerados na hora do cuidado. Os pais são especialistas em seus filhos e podem dar aos avós ou cuidadores dicas valiosas. Como por exemplo:

Algumas crianças podem ter dificuldade de seguir cronogramas e podem precisar de avisos ou alarmes para começar a próxima tarefa.

Se a criança se negar a fazer determinada tarefa, como o tema de casa ou desligar a TV, o que pode ajudar?

Quando você der alguma medicação, quanto tempo leva para ela fazer efeito?

  1. Encorajar a participação dos cuidadores na conversa

Certamente há muito o que dizer para membros da família para que eles entendam as dificuldades de saúde mental do seu filho. A melhor forma de fazer isso é se os cuidadores tiverem uma participação ativa na conversa.

Encoraje-os a fazer perguntas. Você pode tranquiliza-los dizendo que isso já foi -ou talvez ainda seja- uma novidade para você também.  Eles podem ter dúvidas sobre como lidar em situações de colapso nervoso, quando usar recompensas ou punições, o quão rígidos devem ser e quando as regras podem sofrer exceções.

Assim como você faria com seu filho, considere conversar mais de uma vez com os avós ou cuidadores. Tente fazer com que o esforço de cuidado seja mutuo, observando o que cada um vê ou faz com a criança. Também é bom receber feedbacks das crianças. Reuniões em família podem ser úteis e não precisam ser formais. Às vezes é bom conversar durante o jantar ou no carro.

Cuidar de crianças e adolescentes é um esforço coletivo. As crianças se saem melhor quando sabem que todos estão trabalhando juntos para o bem-estar e saúde de todos.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.psychologytoday.com/us/blog/inside-out-outside-in/202005/how-talk-family-members-about-kids-mental-health

 

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