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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

POR QUE VOCÊ PROCRASTINA SEUS COMPROMISSOS?

POR QUE VOCÊ PROCRASTINA SEUS COMPROMISSOS?

Se tem uma coisa que é o calcanhar de Aquiles da produtividade e que os adultos com TDAH conhecem bem é a procrastinação. Nada como deixar as coisas para o último momento quando o desespero supera qualquer falta de motivação.

Um tipo peculiar de procrastinação -e essa é uma que te deixa com menos peso na consciência, sem entender como que as horas passaram tão rápido- é aquela em que ao invés de você estudar, você resolve fazer a faxina da casa.

Em outras palavras, você deixa de fazer a tarefa mais importante e demandante e faz uma outra tarefa menos importante no momento. Assim, você se sente produtivo, mas acaba adiando o seu compromisso que uma hora ou outra você vai ter que enfrentar- algumas vezes até perdendo prazos importantes.

Todas as pessoas procrastinam. Os adultos com TDAH, no entanto, estão em maior risco de sofrer consequências negativas.

Mas afinal, o que faz com que as tarefas como faxinar a casa, lavar a louça ou cortar a grama se tornem tão atraentes na hora de procrastinar? O Dr. Russell Ramsay levanta interessantes hipóteses:

  1. Ao contrário das tarefas prioritárias, as tarefas usadas para procrastinar tendem a ser mais manuais. As tarefas prioritárias, ao contrário, são mais desafiantes mentalmente, exigindo mais carga cognitiva, como: escrever, fazer o dever de casa, controlar as finanças, etc. Até mesmo dentre as tarefas intelectuais, existe uma graduação pessoal de dificuldade, como “escrever é mais difícil que ler”, “ler é mais fácil que resolver um problema”.
  2. Essas tarefas tendem a ter um script familiar e um conjunto de passos definidos para começar: para lavar a louça ou a roupa, existe um conjunto claro e definido de passos que devem ser feitos, o que é visto como mais factível do que a tarefa prioritária. Isso faz com que seja mais fácil iniciar essas tarefas e provavelmente serve de justificativa para procrastinar como “Eu vou fazer isso primeiro e então eu vou estar mais disposto para fazer a tarefa prioritária”. (Você alguma vez já esteve “disposto” para lavar a louça ou calcular o imposto de renda?)
  3. Essas tarefas tem uma noção clara de progresso. Você consegue ver as roupas sendo lavadas com uma diminuição gradual do tempo e esforço remanescentes, uma certa contagem regressiva até que a tarefa esteja completa. Com muitas das tarefas prioritárias, mais de uma sessão de trabalho é necessária, como escrever uma tese, e possivelmente pode haver surpresas e dificuldades não antecipadas. Sendo assim, essa incerteza cria um sentimento de desconforto que faz com a pessoa resolva fazer uma tarefa menos prioritária- as vezes mesmo sabendo que está procrastinando.
  4. Existe um final claro. É fácil saber quando o trabalho está completo e pode ser riscado da lista de afazeres. Esse fato vem com um sentimento de satisfação ao ver a tarefa completada, mesmo com compromissos e outros problemas por fazer. Esse sentimento positivo é subestimado apesar do fato de que essas tarefas manuais não tendem a ser as mais existencialmente gratificantes. É bom sentir que as coisas estão sendo feitas. Devido às incertezas e variabilidades de muitas tarefas prioritárias, é difícil determinar um fim que você sinta que alcançou, ao menos comparado com as tarefas usadas para procrastinar.

Mesmo em casos em que há um prazo específico, como tema de casa e calcular impostos, existe uma incerteza de quanto de progresso será feito durante o tempo dedicado para a tarefa, o que da abertura para a fuga para uma tarefa com mais certeza. A certeza de um desfecho é mais desejável para o senso de eficiência de alguém. Sendo assim, as vezes 2h cortando a grama é preferível a passar 45 minutos trabalhando com impostos.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.psychologytoday.com/us/blog/rethinking-adult-adhd/202007/procrastivity-aka-sneaky-avoidance-and-adult-adhd-coping

 

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COMO O PACIENTE ADULTO PODE ENFRENTAR O TDAH DURANTE A PANDEMIA

COMO O PACIENTE ADULTO PODE ENFRENTAR O TDAH DURANTE A PANDEMIA

Esse período em que estamos vivendo, com insegurança acerca do futuro, mudanças drásticas na nossa rotina e no funcionamento do mundo a nossa volta trouxe grande impacto e estresse na vida das pessoas. No caso de pacientes com TDAH, que já apresentavam dificuldade em organizar as atividades da vida diária, pode ser muito mais desafiador.

Muitas das estratégias de enfrentamento do TDAH ainda são relevantes, mas podem necessitar de adaptações para a nova realidade. Abaixo seguem algumas estratégias que podem exigir mais esforço nesse momento para serem implementadas, mas que valem a pena:

Cronograma diário

Estratégia fundamental para pacientes com TDAH e que pode ser ainda mais importante (e também mais desafiadora) com a ausência de rotina. É necessário planejar não apenas as tarefas individuais como também as tarefas de casa. O ideal é organizar pequenos blocos de tempo de 15-30 minutos.

A organização dessas informações em um formato visível e compartilhável (como um quadro de tarefas) ajuda todos os membros da casa a se localizarem e a saberem o que deve ser feito. Para crianças pequenas, podem ser usadas figuras para a rotina da manhã, para as atividades e para as tarefas da escola.

O cronograma também ajuda as pessoas a se planejarem e a saberem o que está por vir. Isso permite que os membros da família organizem o ritmo de trabalho para conseguirem alcançar momentos de lazer e diversão.

Implementação

Além de estabelecer as tarefas do dia, é interessante criar um guia de como essas tarefas podem ser feitas, como por exemplo o que fazer primeiro (priorização) e o que fazer em determinada situação. Dessa forma as tarefas podem ser agrupadas permitindo encadeamento, como por exemplo responder e-mails e mensagens no mesmo momento.

Outra dica é dividir as tarefas e fazer pequenas pausas entre elas. Isso pode tornar o plano de ação mais claro do que simplesmente entrar de cabeça.

Organização

Uma boa ideia é gastar um tempinho após uma atividade ou bloco de tempo arrumando o espaço físico. Esse pequeno tempo para organização serve para arrumar o espaço que acaba de ser usado, de forma que ele esteja pronto para ser usado novamente.

Atitude

Essas estratégias de enfrentamento não são novidade, exceto o fato de estarem acontecendo todas ao mesmo tempo. O TDAH não é um problema de conhecimento ou de capacidade, mas sim um problema de performance, portanto a chave é a implementação dessas estratégias.

Por fim, é importante não se pressionar muito e ter compaixão consigo mesmo. Não há problema se a princípio você tiver dificuldade ou se algumas vezes falhar. Peça ajuda se for preciso e reconheça que este é um momento estressante para todos nós. Paciência e perseverança são o segredo.

Artigo adaptado e traduzido de:

https://www.psychologytoday.com/intl/blog/rethinking-adult-adhd/202007/coping-adult-adhd-during-covid-19

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TDAH EM ADULTOS: COMO SABER SE VOCÊ TEM TDAH?

TDAH EM ADULTOS: COMO SABER SE VOCÊ TEM TDAH?

 

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ao contrário de que muitos pensam, não é apenas um problema de crianças e adolescentes. Algumas estimativas apontam que cerca de 2.5 a 3,4% da população adulta ao redor do globo possui TDAH. Além disso, o TDAH é um transtorno que na maioria dos casos persiste da infância até a vida adulta.

Adultos com TDAH também sofrem frequentemente de outros transtornos psiquiátricos comórbidos, como: Transtornos de Humor, Transtornos de Ansiedade e Transtorno de uso de substâncias.

Muitas pessoas podem acabar recebendo o diagnóstico de TDAH apenas na vida adulta. Em algumas situações, os sintomas se tornam mais evidentes à medida em que as demandas se tornam mais complexas, como é o caso da entrada no ensino superior ou no mercado de trabalho, ou mesmo a simples saída de casa da família para morar sozinho.

Com a popularização recente do TDAH e do uso de estimulantes na mídia, muitas pessoas passaram a se questionar sobre a possibilidade de possuírem o transtorno. Não somente pessoas que por ventura não receberam ao diagnóstico, mas também indivíduos que não possuem TDAH, dado que alguns dos sintomas associados ao transtorno são relativamente comuns.

Então, como você pode saber se é um candidato a receber uma avaliação para TDAH? 

As manifestações do TDAH tendem a ser um pouco diferentes em adultos e crianças. Adultos tendem a sofrer mais de problemas de desatenção ao passo que os sintomas de hiperatividade são menos proeminentes.

De maneira geral, adultos com TDAH sofrem de problemas como:

– Dificuldade para organizar tarefas e priorizar atividades

– Dificuldade para iniciar e completar tarefas

– Esquecimento

– Procrastinação

– Pouca habilidade para manejar do tempo

– Labilidade emocional, irritabilidade e falta de motivação

– Impulsividade

Esses problemas podem levar a consequências como:

– Dificuldade em realizar os compromissos do dia-a-dia como limpeza da casa, pagamento de contas, etc.

– Grande variabilidade na produtividade. Com momentos de trabalho excessivo e períodos de inércia

– As tarefas são realizadas apenas de última hora ou não chegam a ser feitas.

– Perda de prazos ou compromissos

– Problemas no trabalho ou na performance acadêmica, com perda ou abandono de empregos

– Problemas nos relacionamentos por esquecimento ou por não completar compromissos

– Maiores taxas de acidentes de trânsito ou multas de trânsito por desatenção ou impulsividade  e maiores taxas de abuso de substâncias

– Sentimento de inquietude, incapacidade de aguardar sua vez de falar ou ser atendido.  Comportamentos como falar demais ou interromper os outros.

O que fazer se você suspeitar que tem TDAH?

Se você suspeita de que possa ter TDAH, é importante que você receba uma avaliação por um profissional de saúde mental habilitado. O diagnóstico de TDAH engloba uma avaliação detalhada de vários aspectos da vida de um indivíduo e as vezes pode ser necessário mais de um encontro com o especialista para firmar o diagnóstico. É necessário também que sejam descartadas outras causas que possam explicar os sintomas como outros transtornos psiquiátricos e até mesmos problemas de saúde física como doenças da tireoide. Após a investigação, o profissional de saúde pode determinar qual o tratamento mais adequado, como uso de medicamentos estimulantes e terapia cognitivo-comportamental, caso seja necessário.

Referências:

Fayyad J, De Graaf R, Kessler R, Alonso J, Angermeyer M, Demyttenaere K, De Girolamo G, Haro JM, Karam EG, Lara C, Lépine JP, Ormel J, Posada-Villa J, Zaslavsky AM, Jin R. Cross-national prevalence and correlates of adult attention-deficit hyperactivity disorder. Br J Psychiatry. 2007 May;190:402-9. doi: 10.1192/bjp.bp.106.034389. PMID: 17470954.

https://www.cdc.gov/ncbddd/adhd/diagnosis.html

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