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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

TDAH E SONO: QUAL A RELAÇÃO?

No vídeo de hoje falamos sobre a relação entre TDAH E SONO. Sabia que problemas de sono são uma das comorbidades mais comuns em crianças, adolescentes e adultos com TDAH? Para saber um pouco mais sobre o assunto e a relação entre dificuldades de sono e TDAH, assista o vídeo através do link: https://youtu.be/icCFIoDxlVM

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TRATAMENTO DO TDAH: HIGIENE DO SONO

No vídeo de hoje falamos sobre os prejuízos que dormir mal podem trazer para sua atenção e aprendizado. Para você dormir melhor, trouxemos várias dicas de higiene do sono, que precisam ser colocadas em prática diariamente para melhorar a qualidade do seu sono. Vem com a gente! Link do vídeo: https://youtu.be/TV0S63psYvM

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O AÇÚCAR TORNA AS CRIANÇAS HIPERATIVAS?

O AÇÚCAR TORNA AS CRIANÇAS HIPERATIVAS?

Você certamente já deve ter visto representado em algum filme crianças ficando enlouquecidas após ingerirem grandes quantidades de doces. Contudo, a ideia de que o açúcar cause hiperatividade em crianças não parece ser verdadeira, com evidências científicas apontando contra essa hipótese.

Em 1995, foi publicada uma meta-analise no JAMA que agrupou os resultados de 23 estudos científicos. Os resultados encontrados apontaram que o açúcar não afetava o comportamento ou a performance cognitiva de crianças. Nesse trabalho, foram incluídos apenas estudos controlados com placebo e cegos, o que significa que as crianças, os pais e os professores envolvidos na análise não sabiam quem tinha recebido açúcar ou placebo.

Entretanto, os autores na época ressaltaram que não era possível eliminar um “pequeno efeito” e que eram necessários mais estudos.

Existe a possibilidade que certas crianças possam responder de forma diferente ao açúcar. Apesar disso, os estudos de maneira geral apontam que certamente não há um efeito tão grande quanto o dramatizado nos filmes ou relatado pelos pais.

Em 2017, outro estudo publicado no International Journal of Food Sciences and Nutrition investigou o impacto do consume de açúcar no sono e no comportamento de 287 crianças com idades entre 8-12 anos.

Os pesquisadores coletaram informações através de questionários de frequência alimentar, de sono, de comportamento e de dados demográficos. Surpreendentemente, 81% das crianças consumiam mais do que a dose diária recomendada de açúcar.

Ainda assim, os pesquisadores concluíram que “O consumo total de açúcar não estava relacionado a problemas de sono e comportamento, nem afetava a relação entre essas variáveis”.

Parece claro, portanto, que se o açúcar impacta na hiperatividade, o efeito não é acentuado nem está presente na maioria das crianças

Apesar disso, alguns pais podem ainda acreditar que seus filhos fiquem hiperativos após consumir açúcar, o que pode se dever, em parte, as expectativas dos próprios pais.

Para verificar esse efeito, um estudo publicado em 1994 no Journal of Abnormal Child Psychology avaliou 35 meninos com idades entre 5-7 cujas mães os descreviam como “sensíveis ao açúcar”.

As crianças foram divididas em dois grupos. Todas receberam placebo. Para metade das mães foi dito que seus filhos tinham recebido placebo e as outras foram ditas que seus filhos tinham recebido uma alta dose de açúcar.

Os pesquisadores filmaram as mães e os filhos enquanto eles interagiam e eram questionados quanto a interação. Os autores encontraram os seguintes achados:

As mães que acreditavam que seus filhos tinham recebido açúcar pontuaram seus filhos como significativamente mais hiperativos. Observações comportamentais revelaram que essas mães exerciam mais controle ao manter mais proximidade física bem como ao mostrar mais tendência a criticar, observar e a conversar com seus filhos do que as mães do grupo controle.

Vale lembrar também que a mídia tem um papel importante na perpetuação do mito, ao retratar em filmes e desenhos um boost de energia após o consumo de açúcar.

Além disso, muitas vezes o cenário em que as crianças consomem muito açúcar é um cenário de festas de aniversário, em que as crianças estão se divertindo e estão propensas a ficarem mais excitáveis a despeito do consumo de açúcar. De forma similar, se um doce é dado como um “presente especial”, o simples fato de receber uma recompensa pode fazer com que as crianças fiquem mais excitadas.

Mas então de onde veio essa ideia?

Em 1947, Dr. Theron G. Randolph, publicou um artigo discutindo o papel de alergias alimentares na fatiga, irritabilidade e problemas comportamentais em crianças. Além de outros fatores, ele descreveu a sensibilidade aos açucares do milho, ou ao xarope de milho, como a causa da “síndrome de fatiga´tensional” em crianças, sintomas que incluem cansaço e irritabilidade.

Nos anos 1970, o açúcar foi culpabilizado por causar hipoglicemia funcional ou reativa- em outras palavras, uma queda na glicemia (nível de açúcar no sangue) após uma refeição- o que pode causar sintomas como ansiedade, confusão e irritabilidade.

Essas foram as duas teorias proeminentes que cunharam a crença de que o açúcar impactava negativamente o comportamento de crianças. Contudo, nenhuma dessas teorias é atualmente respaldada pela literatura.

Entre os anos 1970 e 1980, muitos estudos pareciam apontar que crianças mais hiperativas consumiam mais açúcar. Entretanto, por serem estudos transversais (avaliaram as crianças em apenas um momento no tempo), é impossível dizer se o açúcar causa hiperatividade ou se a hiperatividade levava a um maior consumo de açúcar.

Desde os anos 90, os estudos que analisaram a hiperatividade e o consumo de açúcar apontaram para uma ausência de relação, sendo considerado por muitos um assunto resolvido. Porém existe uma área que ainda continua em estudo:

O grupo específico de crianças com Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Atualmente, alguns estudos buscam avaliar se uma dieta com alta quantidade açúcar pode aumentar o risco de desenvolvimento de TDAH enquanto outros buscam avaliar se o açúcar poderia exacerbar os sintomas de TDAH em crianças diagnosticadas.

Nesse sentido, em 2011  um estudo que acompanhou 107 crianças da quinta série não encontrou associação entre o volume total de consumo de açúcar em lanches com o desenvolvimento de  TDAH.

Já em 2019, uma  meta-analise publicada no Journal of Affective Disorders encontrou uma “evidência de associação entre os padrões alimentares e o TDAH”. Os autores desse estudo concluíram que “uma dieta com alto grau de açúcar refinado e gordura saturada pode aumentar o risco” de TDAH e que uma dieta com alto grau de frutas e vegetais seria protetiva.

Contudo, eles reconhecem que a evidência é fraca. Por exemplo, dos 14 estudos que encontraram uma relação entre dieta e TDAH, 10 usaram um desenho transversal ou de caso e controle, ambos os quais são estudos observacionais com limitada capacidade de postular conclusões.

Os autores da meta-analise também ressaltam um ponto importante: existe evidência que pessoas com TDAH têm mais tendência a engajar em comportamentos de compulsão alimentar. Isso significa que o consumo de alimentos com alto teor de açúcar -que ativam as redes de recompensa do cérebro- podem ser resultado do TDAH.

Para sumarizar, ao que parece, o açúcar não causa hiperatividade na vasta maioria das crianças. Estudos no futuro até podem encontrar um efeito pequeno, porém as evidências atuais sugerem que essa associação é um mito. Mas lembre-se: isso não significa que uma dieta com excessiva quantidade de açúcar seja benéfica, dado que ela pode implicar em outros problemas de saúde, como diabetes e sobrepeso.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.medicalnewstoday.com/articles/medical-myths-does-sugar-make-children-hyperactive#Sugar-and-hyperactivity-in-children

 

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TEMPO DE EXPOSIÇÃO A TELAS ANTES DE DORMIR E O EFEITO NO SONO DE CRIANÇAS

TEMPO DE EXPOSIÇÃO A TELAS ANTES DE DORMIR E O EFEITO NO SONO DE CRIANÇAS

Muito se houve falar, sobretudo quando o tema é higiene do sono, que a exposição às telas como televisão e celular próximo ao horário de dormir tem um efeito negativo na qualidade do sono, o que pode ser um motivo de preocupação para pais de crianças e adolescentes.

Um estudo financiado pelo instituto Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development (NICHD) encontrou que o uso de mídias eletrônicas a noite estava associado a redução do sono em crianças, mais acentuadamente naquelas que pontuavam menos em uma medida de auto-controle – a capacidade de filtrar impulsos inapropriados, focar a atenção e completar tarefas difíceis.

Embora seja possível ajudar crianças a desenvolver auto-controle, os pesquisadores dizem que seria mais produtivo ajudá-las a desenvolver um hábito saudável de uso de telas e de rotina de sono antes da adolescência, quando os pais passam a ter menos influência nos hábitos de sono de seus filhos.

O estudo foi conduzido por Kathryn Lemery-Chalfant, Ph.D., da Arizona State University, e colegas e foi publicado na Psychological Science.

Estudos anteriores haviam associado o uso de mídias eletrônicas próximo do horário de dormir com diferenças na qualidade, quantidade e tempo de sono em crianças e adolescentes. O presente estudo se propôs então a avaliar se essa associação variaria de acordo com as características das crianças. Eles buscaram determinar se diferenças na capacidade de auto-controle seriam capazes de influenciar o sono após o uso de mídias.

Os pesquisadores acompanharam o padrão de sono de 547 crianças, com idades entre 7 e 9 anos, por uma semana. Os pais mantinham diários dos horários que seus filhos iam dormir e acordavam e dos horários em que eles usavam mídias. O uso de mídias consistia em usar um computador desktop ou laptop, ver televisão, jogar videogames ou usar um telefone celular ou tablet para jogos ou internet.  Para avaliar objetivamente o sono, as crianças usavam actígrafos – dispositivos semelhantes a um relógio de pulso que analisava os seus movimentos e a luz ambiente. Ao registrarem  inatividade, os pesquisadores estimavam quanto tempo as crianças dormiram.

Os pais responderam ao questionário “Temperament in Middle Childhood Questionnaire”, desenhado para pontuar os traços de personalidade dos seus filhos, incluindo o auto-controle. As medidas de auto-controle incluíam o grau de capacidade que as crianças tinham para se obrigar a fazer os temas de casa, mesmo quando elas tinham vontade de brincar; se elas se distraiam facilmente ao ouvir uma história e se elas tinham facilidade em esperar para abrir um presente.

Em média, as crianças dormiam 8 horar por noite e usavam mídia antes de dormir em 5 das 7 noites. Aquelas que usavam mídia antes de dormir, dormiam em média 23 minutos a menos por noite e iam dormir 34 minutos mais tarde que aquelas que não usavam. Contudo, ao comparar usos equivalentes de mídia antes de dormir, crianças que tinham um alto grau de auto-controle dormiam 8 horas e aquelas com baixo grau de auto-controle dormiam 40 minutos a menos.

Portanto, de acordo com os resultados, a capacidade de auto-controle seria capaz de atenuar o efeito do uso de mídias a noite sobre o sono. Os pesquisadores teorizaram que crianças com baixo nível de auto-controle podem ter dificuldade de se acalmar após usarem mídias e podem ter dificuldade de adormecer. Apesar de que o auto-controle possa ser melhorado, eles adicionam, isso é um traço de personalidade e é difícil de mudar.

“Ao invés dos pais pensarem em como eles podem ajudar seu filho a melhor regular seu comportamento, eles podem tentar focar em desenvolver um cronograma mais consistente do sono e do uso de mídias”, disse a autora Leah Doane, Ph.D., da Arizona State University.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.nichd.nih.gov/newsroom/news/062620-screen-time

Mensagem da curadoria PRODAH:
Lembrem sempre que estudo de correlação não mede causalidade. Pode ser que exista algum fator biológico cerebral que determina tanto a dificuldade de sono, como de autocontrole e de maior avidez por tempo de tela, ou ainda causalidade inversa, ou seja, quem dorme menos, tem menos autocontrole e por ter menos necessidade de sono fica mais tempo na tela.

Referência:
1.Clifford S, Doane LD, Breitenstein R, Grimm KJ, Lemery-Chalfant K. Effortful Control Moderates the Relation Between Electronic-Media Use and Objective Sleep Indicators in Childhood. Psychological Science. 2020;31(7):822-834. doi:10.1177/0956797620919432

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A RELAÇÃO ENTRE TDAH E PROBLEMAS DE SONO EM ADOLESCENTES

A RELAÇÃO ENTRE TDAH E PROBLEMAS DE SONO EM ADOLESCENTES

Problemas de sono e TDAH são comumente encontrados nos adolescentes. Apesar disso, não se sabe exatamente a relação que esses problemas podem ter entre si.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores liderados por Xiachen Liu, da escola de Saúde Pública da universidade de Shandong, examinou associações prospectivas de problemas de sono e sintomas subsequentes de TDAH em uma amostra grande de adolescentes.

O estudo  “Shandong Adolescent Behavior and Health Cohort (SABHC)”  incluiu 7072 adolescentes em Shandong. Cada participante foi avaliado entre Novembro e Dezembro de 2015 e reavaliado um ano depois.

Os pesquisadores coletaram informações sobre a duração do sono, problemas de sono e sobre aspectos psicossociais usando um questionário estruturado e mediram os sintomas de TDAH com o questionário Achenbach Child Behavior Checklist-Youth Self-Report.

Ao início do estudo, apenas 7,6% dos participantes tinham sintomas relevantes de TDAH. Esses sintomas foram altamente comórbidos com problemas de sono, incluindo sintomas de insônia, baixa qualidade do sono, síndrome das pernas inquietas, roncos frequentes e curta duração do sono.

Dos 6531 pacientes sem sintomas relevantes de TDAH ao início do estudo, 4,5% reportaram sintomas relevantes de TDAH um ano depois na reavaliação. Os indivíduos sem sintomas de TDAH na linha basal, mas com insônia (OR, 2.09; 95% CI, 1.45—3.02), síndrome das pernas inquietas (OR, 1.47; 95% CI, 1.02–2.11) e roncos frequentes (OR, 2.30; 95% CI, 1.36–3.90) tiveram mais TDAH um ano após.

“Os sintomas de TDAH e os problemas de sono são altamente comórbidos. Insônia, síndrome das pernas inquietas e roncos frequentes parecem ser preditores significativos de sintomas de TDAH subsequentes”, escreveram os autores. “Nosso estudo ressalta a importância de avaliar  e manejar os problemas de sono para prevenir e tratar os sintomas do TDAH na adolescência”.

Sendo assim, o quão bem uma criança dorme poderia ajudar a predizer se uma criança vai desenvolver algum transtorno psiquiátrico no futuro.

Um time liderado por Bror M. Ranum, do Departamento de Psicologia da Norwegian University of Science and Technology (NTNU), examinou os efeitos a longo prazo e as associações bidirecionais entre a duração do sono e sintomas de desordens psiquiátricas em crianças com idade escolar de 6,8,10 e 12 anos.

A coorte populacional incluiu 799 crianças que participaram do estudo “Trondheim Early Secure Study”.

No estudo, a curta duração de sono foi associada prospectivamente a sintomas de transtornos psiquiátricos em idades mais jovens, mas não em idades mais avançadas. Não foi encontrada evidência de associação na direção oposta – que sintomas psiquiátricos estariam associados a curta duração do sono.

Uma duração menor de sono aos 6 anos e aos 8 anos foi capaz de prever com acurácia sintomas de desordens emocionais dois anos depois. Contudo, uma menor duração de sono aos 8 anos e 10 anos foi associada a problemas de comportamento dois anos depois entre meninos, mas não em meninas.

Os achados de ambos os estudos apontam para a necessidade de se investigar o padrão de sono das crianças e dos adolescentes,  tanto como uma estratégia preventiva quanto como uma estratégia para melhoria dos sintomas.

Artigo adaptado e traduzido de :https://www.hcplive.com/view/link-adhd-sleep-issues-adolescents

 

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ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL E TDAH EM CRIANÇAS

ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL E TDAH EM CRIANÇAS

Segundo estudo publicado na edição de Abril da Psychosomatic Medicine,  seguir recomendações de estilo de vida saudável aos 10 e 11 anos de idade está associado a menos diagnóstico de TDAH do nascimento até os 14 anos.

Em uma das primeiras investigações do tipo, um estudo com mais de 3000 mil estudantes do Quinto ano na Nova Escócia, Canada, mostrou que aqueles que seguiam ao menos 7 dentre  9 recomendações de estilo de vida saudável tinham um incidência significativamente menor de TDAH comparado com aqueles que seguiam apenas um ou 3 dos critérios.

“Já existe evidência da associação entre estilo de vida e saúde física. Agora parece que essas mesmas recomendações também protegem crianças de desenvolver TDAH. Quanto maior o número de recomendações que elas seguem, menos chance elas têm de desenvolver TDAH. Até hoje, nenhum outro estudo considerou todos esses fatores de estilo de vida simultaneamente”, disse Paul Veugelers, PhD da Escola de Saúde Pública da Universidade de Alberta.

A incidência de TDAH entre crianças e jovens norte Americanos permanece alta, com mais de 6 milhões de crianças diagnosticadas com o transtorno nos EUA.

Além disso, o aumento das taxas do transtorno ocorre ao mesmo tempo em que há uma piora das escolhas de estilo de vida, como os investigadores descrevem. Fatores como dieta pobre, inatividade física, maus hábitos de sono e sedentarismo foram todos associados ao TDAH.

Enquanto os estimulantes são um tratamento comprovado e eficaz, os investigadores ressaltam que houve pouca pesquisa em estratégias de prevenção.

“Até hoje”, disse Veugelers “não houve nenhum estudo prospectivo examinando a associação independente e combinada entre recomendações de estilo de vida saudável na infância e a incidência de TDAH até o início da adolescência. ”

“O meu interesse de estudo sempre foi como o estilo de vida pode afetar a saúde das crianças”, disse Veugelers. “ Inicialmente eu apenas considerava a saúde física, porém nos últimos anos se tornou aparente que o estilo de vida também afeta a saúde mental.

Então originalmente eu não planejava olhar para o TDAH”, ele completa. “Porém devido as associações que continuavam aparecendo eu decidi que isso merecia uma investigação adicional e esse estudo é um dos produtos dessa investigação adicional. ”

Para o estudo, os investigadores analisaram dados de uma pesquisa de estilo de vida de 3436 crianças entre 10-11 anos de idade que participam do Children’s Lifestyle and School Performance Study (CLASS).

As crianças e seus pais forneceram dados sobre a adesão a 9 recomendações de estilo de vida saudável, que incluíam dieta, atividade física, sono e tempo de telas, todos os quais apresentavam evidência de benefício para a saúde das crianças. Os pais também forneceram informações sobre renda, educação e local de residência.

Os pesquisadores usaram analises de regressão de risco proporcional de Cox e regressão binomial negativa para determinar as associações entre o estilo de vida das crianças e o diagnóstico de TDAH e/ou o número de visitas ao médico por TDAH até os 14 anos.

Historicamente, a prevalência de TDAH tem sido maior em grupos socioeconômicos menos favorecidos então os pesquisadores ajustaram esses fatores, disse Veugelers.

Os pesquisadores encontraram que 10,8% dos participantes haviam recebido diagnóstico de TDAH antes dos 14 anos. Eles também encontraram que crianças que seguiam de 7 a 9 recomendações de estilo de vida saudável apresentavam uma incidência significativamente menor de TDAH (hazard ratio, 0.42; 95% CI, 0.28 – 0.61) e menos visitas ao médico por TDAH (rate ratio, 0.38; 95% CI, 0.22 – 0.65), comparado com crianças que seguiam apenas  1 a 3 recomendações.

Como pode-se esperar, o link entre o estilo de vida e o risco de TDAH tinha uma relação de dose-dependência, de forma que para cada incremento adicional de recomendação que a criança seguia, havia uma queda de 18% na chance de diagnóstico de TDAH.

Os resultados não surpreenderam Veugelers, que tem sido a bastante tempo um defensor dos benefícios dos hábitos saudáveis.

“Crianças que são fisicamente ativas são geralmente as crianças que também dormem melhor e comem mais saudável, e provavelmente passam menos tempo em frente de uma tela porque elas precisam do tempo para ser fisicamente ativas”, disse ele.

Em uma era em que o TDAH é voltado para medicamentos, o estudo fornece aos pais um ímpeto adicional para promover o estilo de vida saudável para os seus filhos, escrevem os investigadores.

“ Se você perguntar para uma pessoa porque ela quer que seu filho tenha um estilo de vida saudável, ela provavelmente vai dizer que é por conta da saúde física dele. Agora nós também sabemos que isso será benéfico para a saúde mental, e especificamente para a prevenção do TDAH”, disse Veugelers.

“Obviamente, isso não é garantido já que múltiplos fatores contribuem para a saúde mental, mas isso é algo com que os pais podem de fato trabalhar”, disse Veugelers.

Julia Rucklidge, PhD e professora de Psicologia Clínica na Universidade de Canterbury, Nova Zelândia, que não esteve envolvida no estudo, comentou que os resultados desse trabalho ajudam a desviar o foco das medicações no TDAH para o estilo de vida.

“Nós temos sido quase exclusivamente dependentes de medicação para tratar problemas psiquiátricos. Por outro lado, esse estudo está mostrando que encorajar as crianças a saírem e praticarem atividade física e a serem mais cuidadosas quanto a alimentação também é relevante para a saúde mental”.

Como ela afirma, os investigadores estão focando sua atenção no potencial impacto dos fatores ambientais no TDAH. “ Tudo o que pudermos fazer para diminuir a chance de uma criança  ter TDAH deve ser algo positivo”, diz ela.

Esse estudo foi subsidiado pelo Instituto Canadense de Pesquisa médica e Inovação de Alberta. Veugelers e Rucklidge não declararam nenhum interesse econômico relevante.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.medscape.com/viewarticle/929207#vp_1

Comentários da equipe FOCUS:
Esse estudo encontrou uma relação entre o estilo de vida saudável e a presença de TDAH. Contudo, como ele não é um estudo prospectivo que avaliou os hábitos saudáveis antes do diagnóstico de TDAH, não se pode afirmar que tipo de relação é essa. Não podemos dizer, por exemplo, se o seguimento das recomendações de estilo de vida previne o TDAH, se o não seguimento pode causar o TDAH, ou, o mais provável, que ter TDAH está associado a hábitos de vida menos saudáveis. Podemos apenas observar que existe uma relação: crianças com TDAH diagnosticado até os 14 anos seguiam menos recomendações de estilo de vida saudável aos 10 e aos 11 anos. Isso pode se dever talvez ao fato de que crianças que irão desenvolver TDAH, ou que na verdade já tinham TDAH ou sintomas do transtorno, tem mais dificuldade de seguir as recomendações ou tendem a não seguir as recomendações. Também pode ser que outro fator que propicie o desenvolvimento de TDAH também influencia na falta de hábitos saudáveis, explicando a ocorrência mútua desses eventos.

Apesar dessas ressalvas, dado que promover o estilo de vida saudável fornece inúmeros impactos positivos conhecidos na saúde física e que existe a possibilidade de ser benéfico para a saúde mental, esses achados nos reforçam ainda mais a necessidade de se promover hábitos saudáveis nas crianças com TDAH. Promover hábitos saudáveis não apresenta riscos, pelo contrário, apenas benefícios potenciais.

Referências:
Adherence to Life-Style Recommendations and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder
A Population-Based Study of Children Aged 10 to 11 Years
Loewen, Olivia K. MSc; Maximova, Katerina PhD; Ekwaru, John P. PhD; Asbridge, Mark PhD; Ohinmaa, Arto PhD; Veugelers, Paul J. PhD
Psychosomatic Medicine: April 2020 – Volume 82 – Issue 3 – p 305-315
doi: 10.1097/PSY.0000000000000787
Link: https://journals.lww.com/psychosomaticmedicine/Abstract/2020/04000/Adherence_to_Life_Style_Recommendations_and.8.aspx

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