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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) está relacionado com o desenvolvimento de depressão na vida adulta. A razão para isso poderia se dever tanto ao estresse psicológico advindo do transtorno quanto a alguma relação de base neurobioquímica.

Um artigo publicado na Psychological Medicine buscou avaliar se o TDAH e a predisposição genética ao TDAH teriam alguma relação causal com o desenvolvimento de depressão ao longo da vida. Uma relação desse tipo poderia indicar que o tratamento do TDAH é capaz de diminuir o risco de depressão.

Alguns estudos anteriores com gêmeos haviam postulado que a ocorrência simultânea de depressão e TDAH poderia se dever a riscos genéticos compartilhados. Nesse sentido, fatores de risco em comum poderiam fazer com que algumas pessoas desenvolvessem TDAH e outras depressão. Em contrapartida, o presente estudo buscou distinguir se o próprio TDAH seria fator de risco.

Os dados foram coletados da coorte prospectiva longitudinal “Avon Longitudinal Study of Parents and Children” (ALSPAC). Foram incluídos para análise 8310 indivíduos que foram avaliados para TDAH aos 7 anos de idade usando a subescala de avaliação parental de TDAH do Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ). Os dados sobre depressão foram coletados usando o Short Moods and Feeling Questionnaire (sMFQ) aos 18, 21, 22, 23 e 25 anos de idade. 57% (n=4771) dos participantes tiveram dados de depressão coletados ao menos uma vez nesses 5 períodos.

Para avaliar o efeito do risco genético de TDAH na depressão, dados de genética foram coletados do estudo de genética ampla de indivíduos com ascendência europeia para TDAH e Depressão maior.

Ao todo, 6,4% (n= 530) dos participantes foram diagnosticados com TDAH aos 7 anos e 26,7% tiveram depressão recorrente na idade adulta. Aproximadamente 32,7% daqueles com TDAH na infância tiveram depressão recorrente na idade adulta comparado com 26,5% daqueles sem TDAH. Alternativamente, entre aqueles que tinham depressão recorrente na vida adulta, aproximadamente 7,8% deles tiveram TDAH na infância comparado com 5,9% sem depressão.

O TDAH na infância foi associado com um aumento de risco de depressão recorrente na idade adulta (: OR 1.35, 95% CI 1.05–1.73, p = 0.02). Esses achados se mantiveram ao se controlar para sexo, adversidades na vida, educação materna e depressão materna (OR 1.38, 95% CI 1.07–1.79, p = 0.01).

Análises de randomização mendelianas sugeriram um efeito causal da susceptibilidade genética do TDAH na depressão maior (OR 1.21, 95% CI 1.12–1.31). Porém, análises feitas com definições mais amplas de depressão diferiram, mostrando uma influência fraca no desenvolvimento de depressão (OR 1.07, 95% CI 1.02–1.13).

Como os pesquisadores concluem, as análises longitudinais mostraram que o TDAH é um fator de risco para a depressão na vida adulta e as análises de randomização mendeliana reforçam um efeito causal do TDAH na depressão maior, apesar de que esses resultados variaram conforme a definição de depressão utilizada. Além disso, é importante notar que o TDAH em si não é um fator de risco forte para a depressão na vida adulta e muitos indivíduos desenvolverão depressão por outras razões.

Referencia:

-Riglin, L., Leppert, B., Dardani, C., Thapar, A. K., Rice, F., O’Donovan, M. C., … Thapar, A. (2020). ADHD and depression: investigating a causal explanation. Psychological Medicine, 1–8. doi:10.1017/s0033291720000665

 

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COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

Um dos sintomas que podem estar presente no TDAH e que muitas vezes acaba sendo negligenciado é a impulsividade. Assim como a hiperatividade e a desatenção, a impulsividade também está relacionada a déficits nas funções executivas. Além disso, ela parece se relacionar diretamente com a hiperatividade: os sinais da hiperatividade, como incapacidade de permanecer sentado, também dependem de uma capacidade diminuída de auto regulação e de controle dos impulsos.

Algumas das manifestações da impulsividade são: comportamento agressivo e raiva explosiva, gasto impulsivo de dinheiro, comportamento de risco incluindo comportamento sexual de risco, abuso de substâncias, gasto em jogos de azar e compulsão alimentar.

O descontrole dos impulsos pode ter um impacto negativo na qualidade de vida, podendo se manifestar na infância, adolescência ou idade adulta. Crianças com problemas de controle de impulso tendem a apresentar problemas na escola, tanto no aspecto social quanto acadêmico. Elas podem ter mais risco de se envolver em brigas com os colegas e de não completarem as tarefas escolares.

Ainda que a causa exata da impulsividade não seja bem compreendida, ela se relaciona com alterações químicas no lobo frontal, especialmente no balanço da dopamina.

Além do TDAH, a  impulsividade está presente também em outros transtornos psiquiátricos classificados no DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) como Transtornos Disruptivos, de controle de impulso ou de conduta. Nessa categoria se enquadram o transtorno de conduta e transtorno opositor-desafiador.

Outros transtornos psiquiátricos que podem eventualmente cursar com impulsividade são: bipolaridade, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Doença de Parkinson, abuso de substâncias e Síndrome de Tourette.

Problemas de controle de impulso são mais frequentes no sexo masculino. Porém, existem alguns outros fatores de risco como histórico de abuso, negligência/abuso por parte dos pais na infância ou pais com problemas de abuso de substâncias.

Abaixo seguem algumas dicas de como você pode auxiliar seu filho no controle dos impulsos:

  • Converse com seu médico sobre os problemas do seu filho e busque ajuda. Procurar atendimento com um psiquiatra/psicoterapeuta especialista em crianças pode ser uma boa ideia.
  • Seja um bom exemplo para o seu filho. As crianças tendem a observar e modelar o comportamento dos pais.
  • Estabeleça limites e mantenha sua palavra
  • Estabeleça uma rotina para que o seu filho saiba o que esperar
  • Parabenize seu filho quando ele exibir bom comportamento

E quanto aos adultos?

Adultos com problemas de controle de impulsos podem ter dificuldade de controlar seu comportamento no calor do momento, podendo sofrer com sentimento de culpa e vergonha após o ocorrido. É importante ter alguém em que você confie para conversar sobre suas dificuldades com o manejo dos impulsos. Ter uma válvula de escape, algum meio para se expressar, pode ajudar na hora de trabalhar seu comportamento.

A terapia é uma base central no tratamento. Algumas das opções são:

  • Terapia individual como TCC – terapia cognitivo comportamental
  • Terapia familiar ou de casal
  • Terapia de grupo para adultos
  • Ludoterapia para crianças

Além da psicoterapia, remédios psiquiátricos também podem ser usados, como os estimulantes para o TDAH, antidepressivos e estabilizadores de humor. Nesse caso, é necessária avaliação médica, e o médico poderá ajustar doses e encontrar a medicação mais adequada.

 

Artigo adaptado e traduzido de https://www.healthline.com/health/mental-health/impulse-control

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ASSOCIAÇÕES GENÉTICAS ENTRE PSICOPATOLOGIA NA INFÂNCIA E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

ASSOCIAÇÕES GENÉTICAS ENTRE PSICOPATOLOGIA NA INFÂNCIA E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

Recentemente foi publicado no JAMA Psychiatry, um dos mais importantes jornais de publicação científica no mundo, um estudo que avaliou o papel  de fatores genéticos na associação entre a psicopatologia na infância e a presença de transtornos de humor ou traços associados na vida adulta.

Como os pesquisadores escrevem, já se sabe da existência de uma associação entre problemas emocionais ou de comportamento na infância e o desenvolvimento de transtornos de humor na vida adulta. Contudo, a razão dessa associação ainda se mantinha desconhecida.

Esse estudo buscou então averiguar se fatores genéticos explicariam essa associação. Para isso, os pesquisadores realizaram uma meta-análise de 7 estudos de coorte longitudinais, totalizando 42 998 participantes.

Os estudos tiveram início entre 1985 e 2002 e os participantes foram repetidamente avaliados para a presença de psicopatologia entre os 6 e 17 anos de idade.

Os pesquisadores desenvolveram então escores de risco poligênico nas crianças baseados em dados de estudos de genoma de depressão, transtorno bipolar, bem-estar subjetivo, neuroticismo, insônia, escolaridade e índice de massa corporal em adultos.

O risco poligênico é uma análise que calcula o risco de alguém desenvolver uma doença baseado no número de genes para a doença que essa pessoa possui.

Os participantes foram então avaliados para a presença de sintomas de TDAH, problemas internalizantes ou sociais utilizando medidas autodeclaradas ou declaradas pela mãe do participante.

Como os pesquisadores escreveram: “Nós revelamos uma evidência forte de associação de risco poligênico de depressão, bem estar subjetivo, neuroticismo, insônia, escolaridade e IMC na vida adulta com sintomas de TDAH e problemas internalizantes e sociais na infância. Não encontramos associação entre risco poligênico de transtorno bipolar na vida adulta com piscopatologia na infância”.  Além disso, enquanto o risco poligênico de escolaridade na vida adulta foi mais associado com sintomas de TDAH na infância do que com problemas internalizantes ou sociais, o risco poligênico de IMC foi mais associado com sintomas de TDAH e problemas sociais do que com problemas internalizantes.

Os resultados sugerem a presença de fatores genéticos que influenciam na manifestação de diversos traços ao longo da vida, com associações estáveis durante a infância.

Contudo, como os pesquisadores ressaltam, uma limitação do estudo é que as análises foram feitas com populações europeias, podendo não ser generalizáveis para outras populações, que apresentam heranças genéticas diferentes. Ainda, a associação entre o risco poligênico e a psicopatologia da infância pode se dever a correlações passivas de gene e ambiente, uma associação entre o genótipo de uma criança e o ambiente familiar que se deve aos pais proverem ambientes influenciados pelos seus próprios genótipos.

Legenda:
-Genótipo: é o conjunto de todos os genes de um determinado indivíduo, ou seja, sua composição genética. O código genético de um indivíduo.

Referências:
-Akingbuwa WA, Hammerschlag AR, Jami ES, et al. Genetic Associations Between Childhood Psychopathology and Adult Depression and Associated Traits in 42 998 Individuals: A Meta-Analysis. JAMA Psychiatry. Published online April 15, 2020. doi:10.1001/jamapsychiatry.2020.0527
Link: https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/fullarticle/2763801

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PESO AO NASCIMENTO E A SAÚDE MENTAL NO FUTURO

PESO AO NASCIMENTO E A SAÚDE MENTAL NO FUTURO

Um estudo publicado no JAMA Psychiatry encontrou que um menor peso ao nascimento estava associado a maior risco para diversas desordens psiquiátricas.

Em uma amostra de cerca de 500,000 pares de irmãos, indivíduos com menor peso ao nascimento eram significativamente mais propensos a desenvolver depressão, transtorno obsessivo compulsivo, TDAH e autismo, como reportou Erik Pettersson, PhD do Karolinska Institutet de Estocolmo, Suécia, e colegas.

Dentro dos pares de irmãos, um incremento de 1kg no peso ao nascimento era associado a menor risco para desordens do neurodesenvolvimento incluindo TDAH e autismo, após o controle para variáveis como sexo, idade de nascimento e ordem de nascimento.

“Dado que o tamanho do efeito observado foi pequeno, o que está de acordo com pesquisas anteriores, intervenções potenciais possivelmente teriam um efeito pequeno nas condições psiquiátricas futuras”, eles escreveram.

“ Não obstante, dado a prevalência de desordens de saúde mental, combater a desnutrição materna e melhorar o atendimento de pré-natal ainda pode influenciar significativamente no número de casos psiquiátricos”

Joel Nigg, PhD do Oregon Health and Science University em Portland, Oregon, que não participou do estudo, afirmou que o baixo peso ao nascimento pode prejudicar o desenvolvimento cerebral, o que em contrapartida pode levar a desfechos desfavoráveis na saúde mental

“É uma evidência de que existe uma relação causal com baixo peso ao nascimento e certas desordens incluindo TDAH, autismo e depressão”, completa Nigg. “Isso é consistente com estudos anteriores, porém essa evidência é mais clara”

Pettersson e a equipe utilizaram um “fator comum” (uma medida de psicopatologia global) para controlar a covariância que pode ocorrer entre desordens psiquiátricas.

“ Fazendo a analise dessa forma, você é capaz de isolar as associações devido a esse fator comum”, disse Nigg. “O que é bom porque assim você pode dizer que a associação com TDAH ou autismo não se deve ao que é compartilhado com todas as outras desordens”.

Esse estudo combinou dados de diversos registros nacionais que cobriam todos os indivíduos suecos nascidos a partir de primeiro de janeiro de 1973 até 31 de dezembro de 1998. Os pesos de nascimento foram ajustados para a idade gestacional e a idade corrigida. Os diagnósticos de saúde mental foram incluídos apenas na idade de 12 anos ou mais, exceto pelo autismo e o TDAH, que foram incluídos a partir dos 2 anos de idade.

O par mais velho de irmãos nascidos com uma diferença de até 5 anos de idade era selecionado de cada família e acompanhado até 31 de dezembro de 2013. No total, 546,894 pares de irmãos foram incluídos, os quais eram 51,5% homens e tinham em média 27,2 anos de idade.

Os pesquisadores agruparam essas desordens em grupos específicos, cada qual contribuindo para o fator comum. Doenças do neurodesenvolvimento ( TDAH e autismo), transtornos psicóticos ( esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo), transtornos de ansiedade ( transtorno obsessivo compulsivo e ansiedade) e “fatores externalizantes” ( crimes violentos, consumo de drogas e abuso de álcool) foram associados ao crescimento fetal, além do fator comum.

Dentro dos pares de irmãos, cada 1kg de incremento no peso ao nascimento foi significativamente associado a menores níveis de psicopatologia global, bem como de ansiedade e de transtornos do neurodesenvolvimento. Entretanto, o incremento no peso não foi associado a menores níveis de “fatores externalizantes”.

A analise global da população mostrou uma associação do peso ao nascimento com o aumento de risco para 9 dos 12 transtornos psiquiátricas examinadas: depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, bipolaridade, abuso de álcool, uso de drogas, crimes violentos, TDAH e autismo. Porém, analisando entre os pares de irmãos, os resultados mostraram apenas uma associação significativa entre o peso e o desenvolvimento global de psicopatologias e o desenvolvimento de transtornos do neurodesenvolvimento (autismo e TDAH).

 

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.medpagetoday.com/psychiatry/generalpsychiatry/77866

Referências:
Association of Fetal Growth With General and Specific Mental Health Conditions
Erik Pettersson, PhD1; Henrik Larsson, PhD1,2; Brian D’Onofrio, PhD3; et al
JAMA Psychiatry. 2019;76(5):536-543. doi:10.1001/jamapsychiatry.2018.4342
Link: https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/fullarticle/2722846

 


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ESTRESSE E POLUIÇÃO PODEM CAUSAR DIFICULDADES COGNITIVAS EM CRIANÇAS

ESTRESSE E POLUIÇÃO PODEM CAUSAR DIFICULDADES COGNITIVAS EM CRIANÇAS

 

Um estudo realizado na universidade de Columbia mostrou que crianças com exposição ao estresse precoce e com exposição alta a poluição durante o período pré-natal apresentaram mais problemas de pensamento e de atenção. O estresse precoce é comum em jovens de classe econômica menos favorecida e eles muitas vezes também vivem em áreas com maior poluição do ar.

A poluição do ar tem efeitos negativos na saúde física.Trabalhos recentes têm mostrado também efeitos deletérios na saúde mental. O estresse durante a vida, particularmente o estresse precoce, é um dos maiores contribuidores para problemas de saúde mental. Esse novo estudo é um dos primeiros a examinar os efeitos combinados da poluição atmosférica e do estresse no início da vida em crianças em idade escolar. Os resultados foram publicados no Journal of Child Psychology and Psychiatry.

“ A exposição pré-natal a hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, um neurotóxico comum na poluição atmosférica, parece intensificar ou sustentar os efeitos do estresse social e econômico precoce na saúde mental de crianças”, diz o primeiro-autor David Pagliaccio, PhD e professor assistente de neurobiologia clínica em psiquiatria na Columbia .

“Poluentes atmosféricos são comuns no nosso meio, particularmente nas cidades, e, dado as desigualdades socioeconômicas e a injustiça ambiental, crianças que crescem em circunstâncias menos favorecidas estão em maior risco de experienciar estresse durante a vida e exposição a químicos neurotóxicos”, diz a autora-senior Amy Margolis, PhD e professora assistente de psicologia medica em psiquiatria na Columbia .

Os dados foram coletados de um estudo de coorte longitudinal de nascimento do norte de Manhattan e do Bronx, que inclui muitos participantes que se identificam como afro-americanos ou dominicanos. As mães usavam um monitor de ar durante o terceiro trimestre de gravidez para medir a sua exposição diária a poluentes do ar. Quando seus filhos completavam 5 anos de idade, elas informavam sobre o estresse em suas vidas, incluindo variáveis como a qualidade da vizinhança, dificuldades financeiras, violência doméstica, falta de suporte social e percepção subjetiva de estresse. As mães então reportavam os sintomas psiquiátricos dos seus filhos nas idades de 5, 7, 9 e 11 anos.

Os efeitos combinados da poluição atmosférica e o estresse precoce foram vistos em várias medidas de problemas de pensamento e de atenção/TDAH aos 11 anos de idade. (Problemas de pensamento incluíam pensamentos ou comportamentos obsessivos ou pensamentos excêntricos). Os efeitos também foram relacionados aos níveis de produtos de PAH-DNA- um marcador sensitivo da poluição atmosférica.

Os pesquisadores afirmam que o PAH e o estresse precoce podem servir como um golpe duplo nos circuitos biológicos envolvidos com problemas de atenção e pensamento. O estresse provavelmente leva a mudanças variáveis na expressão epigenética, nos níveis de cortisol, na inflamação e na estrutura e função cerebral. Os mecanismos pelos quais age o PAH ainda são duvidosos, porém as alterações na estrutura e função cerebral sugerem um mecanismo de ação parecido.

Estudos anteriores que analisaram os dados dessa coorte encontraram que a exposição pré-natal a poluentes combinada com as dificuldades maternas aumentava significativamente os sintomas de TDAH nas crianças. Um estudo separado também encontrou que a poluição do ar e a pobreza diminuíam o QI em crianças.

Artigo traduzido e adaptado de https://www.mailman.columbia.edu/public-health-now/news/mix-stress-and-air-pollution-may-lead-cognitive-difficulties-children

Referências:

– Prenatal exposure to polycyclic aromatic hydrocarbons modifies the effects of early life stress on attention and Thought Problems in late childhood
David Pagliaccio  Julie B. Herbstman  Frederica Perera  Deliang Tang  Jeff Goldsmith  Bradley S. Peterson  Virginia Rauh  Amy E. Margolis https://doi.org/10.1111/jcpp.13189


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PESQUISADORES USARAM IMAGENS DO CÉREBRO PARA PREVER O DESENVOLVIMENTO DE TDAH E DE DEPRESSÃO EM CRIANÇAS

PESQUISADORES USARAM IMAGENS DO CÉREBRO PARA PREVER O DESENVOLVIMENTO DE TDAH E DE DEPRESSÃO EM CRIANÇAS

Dentre as áreas do cérebro mais importantes para se entender saúde mental está o córtex pré-frontal, responsável pela regulação da cognição e das emoções.
Atualmente, sabe-se que alterações no padrão de regulação e de conexão neuronal no córtex pré-frontal estão presentes em algumas doenças mentais, como depressão, ansiedade e TDAH. Portanto, identificar alterações no padrão de conexão antes do desenvolvimento dos sintomas poderia ser um marcador de risco para o aparecimento desses transtornos.

Pensando nisso, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley publicaram recentemente um estudo mostrando que, de fato, estudos de neuroimagem poderiam ser uteis para predizer crianças com potencial risco para desenvolver TDAH ou depressão.

Ao todo, 94 crianças de 7 anos de idade participaram do estudo e foram acompanhadas durante 4 anos até os 11 anos de idade, entre 2010 e 2013.

As crianças foram submetidas a um exame de ressonância magnética funcional em repouso e ao questionário “Child behavior checklist” ou CBCL, um questionário respondido pelos pais que avalia diversos aspectos do comportamento infantil.

Ao final do estudo, os pesquisadores avaliaram a evolução das imagens e do questionário e puderam encontrar uma associação entre os padrões de conexão neuronal na ressonância aos 7 anos de idade e os sintomas de atenção ou depressão aos 11 anos.

Como os pesquisadores ressaltam, esses achados estendem o uso da neuroimagem na identificação de risco de psicopatologias para uma amostra de crianças mais representativa da população, uma vez que a maioria das crianças (77) não apresentava risco conhecido para desenvolver psicopatologias.

É importante lembrar, contudo, que a conectividade funcional no estado de repouso, apesar de refletir ativações habituais da rede neural, pode ser remodelada por intervenções comportamentais e farmacológicas de longo prazo e até breves. Isso torna os achados mais promissores, visto que a identificação de crianças com risco poderia indicar estratégias de intervenção com verdadeiro potencial preventivo.

 

Referência:
Association of Intrinsic Brain Architecture With Changes in Attentional and Mood Symptoms During Development

Susan Whitfield-Gabrieli, PhD1,2,3; Carter Wendelken, PhD1,4; Alfonso Nieto-Castañón, PhD2; et alStephen Kent Bailey, PhD5; Sheeba Arnold Anteraper, PhD2,3; Yoon Ji Lee, BA2; Xiao-qian Chai, PhD6; Dina R. Hirshfeld-Becker, PhD7; Joseph Biederman, MD7,8; Laurie E. Cutting, PhD5; Silvia A. Bunge, PhD1 JAMA Psychiatry. Published online December 26, 2019. doi:10.1001/jamapsychiatry.2019.4208


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DEPENDÊNCIA DE NICOTINA E TDAH: QUAL A RELAÇÃO?

DEPENDÊNCIA DE NICOTINA E TDAH: QUAL A RELAÇÃO?

Adolescentes diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) têm mais probabilidade de se tornarem dependentes de nicotina do que jovens sem o diagnóstico do transtorno. Por quê?

Um estudo1 conduzido no Massachusetts General Hospital, em Boston, envolveu 166 jovens de 15 a 25 anos para medir a dependência da substância. O nível médio dos participantes com TDAH era o dobro dos participantes sem a desordem – o que sugere que portadores de TDAH têm o dobro de chances de se tornarem viciados ao experimentarem a droga.

Claro, o TDAH não foi o único fator encontrado para a elevação da dependência de nicotina. Jovens com pais fumantes, amigos fumantes ou que conviviam com fumantes tinham mais tendência à adição.

O líder do estudo, Dr. Timothy E. Wilens, alerta2 que estes fatores ambientais tinham ainda mais impacto nos participantes com TDAH. Isso pode significar que há uma mistura de elementos biológicos e ambientais trabalhando juntos no vício, diz o doutor.

Mesmo que não esteja claro o motivo desta correlação entre TDAH e nicotina, existe evidência de que a substância, em certo grau, age no cérebro humano da mesma forma que medicamentos estimulantes, comumente indicados no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.

É possível que os jovens estejam utilizando a nicotina como uma forma de automedicação, explica Dr. Wilens. Por isso, avisa o médico, pais de adolescentes diagnosticados com o transtorno precisam compreender a importância de não fumarem e de minimizarem os sintomas do TDAH nos jovens o máximo que puderem.

Nicotina e automedicação

A nicotina é um conhecido estimulante do sistema nervoso central e parece agir no cérebro da mesma forma que outros psicoestimulantes, como dissemos.

Um número considerável de estudos aponta que a nicotina é capaz de melhorar a atenção, diz o Dr. Scott Collins3, professor de psiquiatria e de psicologia médica da Universidade de Duke. Collins, que é diretor do programa de TDAH da instituição, alerta que “a nicotina tem muitos efeitos em diversos processos que podem estar prejudicados em indivíduos com TDAH, incluindo atenção, autocontrole e memória de trabalho”.

Por isso, explica o médico, “frequentemente, foi proposto que portadores de TDAH têm risco aumentado de se tornarem viciados, por causa dos efeitos da nicotina através de diversos processos cognitivos.”

É possível que a nicotina esteja sendo utilizada como um apoio para portadores de TDAH, como uma forma de compensar deficiências na atenção, estímulo e concentração. Pesquisas são necessárias nesta questão para compreender plenamente o efeito da nicotina nos sintomas de TDAH e como isso pode aumentar o risco da adição em jovens e adultos com a desordem.

Nicotina no cérebro

Uma pesquisa conduzida na Universidade de Duke4 chegou a um resultado surpreendente: o uso de adesivos de nicotina podia melhorar a atenção, a memória e a função cognitiva (esta última até mesmo em pacientes de Alzheimer).

A nicotina foi capaz de minimizar a confusão mental de indivíduos diagnosticados com esquizofrenia e outras desordens tratadas com medicamentos antipsicóticos (uma possível explicação para que uma grande parcela destes pacientes sejam dependentes de cigarros).

O líder deste estudo, o professor de psiquiatria da Duke, Amir Rezvani, administrou pequenas doses de nicotina em ratos com problemas de atenção – a droga foi capaz de levar o funcionamento cerebral de volta ao estado normal.

Então, os pesquisadores repetiram o teste em pacientes com Alzheimer e a capacidade de aprendizagem dos indivíduos melhorou.

A conclusão do estudo, obviamente, não é que devamos aplicar nicotina nas pessoas, não antes dos pesquisadores conseguirem remover o caráter viciante da substância, algo que estão desenvolvendo em laboratório3. A conclusão foi de que a nicotina é a substância mais aditiva que existe, diz Rezvani. Mais do que cocaína ou heroína.

Isso porque ela se combina com receptores para a acetilcolina, um dos mais importantes neurotransmissores do cérebro. Também, porque a nicotina é geralmente inalada e atinge o cérebro imediatamente. “No mesmo instante que você fuma, você sente a recompensa”, explica o pesquisador.

Fontes

1 TIMOTHY W et al. Cigarette Smoking Associated with Attention-Deficit Hyperactivity Disorder. J Pediatr. 2008 Sep; 153(3): 414–419. Doi: [10.1016/j.jpeds.2008.04.030]. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2559464/>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

2 ADHD TIED TO MORE SEVERE NICOTINE DEPENDENCE. REUTERS. Disponível em: <https://www.reuters.com/article/us-nicotine-dependence/adhd-tied-to-more-severe-nicotine-dependence-idUSTRE49T71920081030>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

3 THE CASE FOR NICOTINE. THE WASHINGTON POST. Disponível em: <https://www.washingtonpost.com/news/to-your-health/wp/2014/04/25/the-case-for-nicotine/?noredirect=on&utm_term=.7037d649343d>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

REZVANI AH et al. Cognitive effects of nicotine. Biological Psychiatry 49(3):258-67 · March 2001. DOI: 10.1016/S0006-3223(00)01094-5. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/12100639_Rezvani_AH_Levin_ED_Cognitive_effects_of_nicotine_Biol_Psychiat_49_258-267>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

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DEPRESSÃO E VÍCIO EM CIGARRO NOS PAIS PODEM ESTAR LIGADOS AO TDAH NOS FILHOS

DEPRESSÃO E VÍCIO EM CIGARRO NOS PAIS PODEM ESTAR LIGADOS AO TDAH NOS FILHOS

Depressão e cigarros podem estar associados à probabilidade de uma criança ser diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), segundo um estudo coreano publicado no Asia Pacific Psychiatry1.

Para realizar a pesquisa, os investigadores da Kyungpook National University, localizada na Coreia do Sul, analisaram dados da Korea National Health and Nutrition Examination Survey (KNHANES), instituição que documenta informações sobre a população desde 1998.

A revisão incluiu questões sobre qualidade de vida, dieta, status socioeconômico, hábitos de saúde, perfis clínicos entre outras informações.

Os dados de 23.561 crianças e adolescentes, entre os anos de 2005 e 2014, foram analisados no estudo.

Em vez de fatores genéticos, os pesquisadores focaram em possíveis fatores de risco ambientais, como obesidade, salário dos pais, idade dos pais, depressão nos adultos da casa e exposição à nicotina no lar. A partir disso, a equipe revisou os diagnósticos de TDAH destas crianças.

Os resultados das análises revelaram que a depressão (seja do pai ou da mãe) e a quantidade de adultos que fumam na casa estavam relacionadas ao aumento no risco de TDAH nas crianças.

Os pesquisadores alertam que esta exposição à fumaça do cigarro pode “causar a ativação dos receptores nicotínicos nas crianças que, possivelmente, sejam capazes de modular a plasticidade sináptica e alterar células, fisiologia e processos comportamentais durante um período crítico do desenvolvimento cerebral.” Os investigadores acrescentam que o impacto da fumaça também pode estar ligado à epigenética2.

Há limitações no estudo, que incluem o fato de que os dados foram providos pelos próprios participantes – incluindo o diagnóstico de TDAH.

Os pesquisadores enfatizam que eles não conseguiram extrair conclusões sobre a probabilidade de riscos de TDAH.

Campanhas de saúde pública voltadas aos pais podem ser ferramentas importantes para o TDAH, dizem os investigadores. “O impacto da qualidade de vida, a dificuldade de detectar a desordem na infância e problemas financeiros gerados pela desordem podem ser aliviados através de ajuda pública e programas de treinamento para os pais”, dizem os autores.

Eles recomendam ações como campanhas para parar de fumar e programas de saúde que ensinem as pessoas a perceberem quadros depressivos em si mesmas.

“Nossas descobertas adicionam evidência para a promoção de estratégias de prevenção do TDAH, que poderiam colaborar na criação de políticas públicas efetivas, capazes de gerar ambientes familiares mais saudáveis”, disse o autor do estudo Dr. Jin-won Kwon, da Kyungpook National University3.

Com relação ao vício em nicotina, outro estudo publicado em 20184 encontrou resultados similares. Esta pesquisa foi realizada pelo West China Second University Hospital.

Os investigadores revisaram 20 estudos, de 1998 a 2017, para encontrar os possíveis riscos de TDAH nas crianças em mães que fumaram durante a gestação. Foram quase três milhões de pessoas analisadas, vindas dos mais diversos países, como Austrália, Japão, Estados Unidos e Brasil.

A equipe encontrou risco reduzido nas mães norte-americanas e europeias. Isso porque as mães destes locais tinham mais altas taxas de interrupção do vício ao descobrirem que estavam grávidas5.

Esta análise também não comprova relação direta entre cigarros e TDAH. As limitações deste estudo foram que os critérios para diagnóstico do TDAH não eram os mesmos. Ainda, foram as próprias mães que reportaram sobre seu uso de nicotina na gravidez.

Dados de sete estudos revisados mostraram que, mesmo que os riscos de TDAH fossem mais altos quando as mães eram fumantes, ainda havia 20% de elevação no risco quando o pai fumava.

Fontes:

1 MPHARM Y. et al., 2018. Parental smoking and depression, and attention‐deficit hyperactivity disorder in children and adolescents: Korean national health and nutrition examination survey 2005‐2014. Asia Pacific Psychiatry. 07 de Agosto de 2018. Doi: https://doi.org/10.1111/appy.12327. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/appy.12327 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

2 SMOKING, DEPRESSION IN PARENTS LINKED WITH ADHD IN CHILDREN. MD MAGAZINE. Disponível em: https://www.mdmag.com/medical-news/smoking-depression-in-parents-linked-with-adhd-in-children . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

3 PARENTS’ SMOKING AND DEPRESSION LINKED TO INCREASED ADHD RISK IN CHILDREN. EUREKALERT. Disponível em: https://www.eurekalert.org/pub_releases/2018-08/w-psa080718.php . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

4 HUANG L. et al., 2018. Maternal Smoking and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Offspring: A Meta-analysis. Pediatrics. Janeiro 2018, volume 141 / 1. Doi: 10.1542/peds.2017-2465.. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29288161 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

5 CIGARETTE SMOKING DURING PREGNANCY LINKED TO ADHD RISK IN OFFSPRING. REUTERS. Disponível em: https://www.reuters.com/article/us-health-pregnancy-smoking-adhd/cigarette-smoking-during-pregnancy-linked-to-adhd-risk-in-offspring-idUSKBN1EN1M9 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

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ESTUDO REVELA PRIMEIROS RISCOS GENÉTICOS PARA O TDAH

ESTUDO REVELA PRIMEIROS RISCOS GENÉTICOS PARA O TDAH

Um time global de pesquisadores descobriu o primeiro fator genético de risco associado ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), uma desordem complexa que afeta uma média de 1 a cada 20 crianças (1).

A professora Anita Thapar, da Universidade de Cardiff, lidera um grupo de pesquisa de TDAH no Psychiatric Genomics Consortium. Ela explica que “este estudo marca um passo muito importante no começo da compreensão das causas genéticas e biológicas do TDAH”(2).
“As variáveis genéticas de risco relacionadas ao transtorno têm um papel significativo no cérebro e em outros relevantes processos biológicos. O próximo passo é determinar o papel exato destes genes no TDAH para nos ajudar a desenvolver tratamentos melhores, capazes de ajudar as pessoas afetadas pela condição”, aponta Thapar.
A equipe de pesquisadores analisou a informação genética de aproximadamente 20 mil pessoas com TDAH e de 35 mil pessoas sem o transtorno. Foi o maior estudo genético sobre o TDAH realizado até hoje. Os resultados foram recentemente publicados na Nature Genetics.
Dra. Joanna Martin, uma pesquisadora associada do MRC Centre for Neuropsychiatric Genetics and Genomics, da Universidade de Cardiff, explica que os investigadores identificaram 12 regiões genômicas em que indivíduos com TDAH diferiam dos indivíduos sem o transtorno. “Muitas destas regiões estão próximas ou em genes que possuem uma relação conhecida com processos biológicos que envolvem o desenvolvimento da saúde mental”, afirmou Martin.
Os pesquisadores compararam o risco genético para o diagnóstico do TDAH com marcadores genéticos associados aos sintomas de TDAH de quase 20 mil crianças e descobriram uma forte correlação entre os dois, de aproximadamente 97%.
“A correlação entre estas diferentes definições de TDAH sugere que o diagnóstico clínico pode ser o fim de uma distribuição contínua de sintomas na população geral”, afirmou Dra. Martin.

O professor Luis Augusto Rohde, coordenador geral do PRODAH e um dos autores do estudo, salienta que os dados revelados nos dão as pistas iniciais para quais são alguns dos responsáveis por algo que já se sabia há três décadas – a forte transmissão familiar associada a causas genéticas no TDAH.

OS MESMOS GENES AFETAM A IMPULSIVIDADE EM PESSOAS SAUDÁVEIS
No estudo, os pesquisadores descobriram que as mesmas variáveis genéticas que levaram ao diagnóstico do TDAH afetavam a desatenção e a impulsividade na população geral.
“As variáveis de risco estão espalhadas pela população. Quanto mais variáveis você tiver, maior sua tendência de ter sintomas ligados ao TDAH ou até mesmo desenvolver o próprio transtorno”, esclareceu o professor Anders Børglum, da Universidade de Aarhus. Ele foi um dos líderes do estudo.
“Também observamos a sobreposição com outras desordens e traços. Através disso, encontramos uma correlação genética entre TDAH e educação. Isso quer dizer que as variáveis genéticas que aumentam o risco do transtorno também influenciam a performance acadêmica negativamente na população geral”, explica Ditte Demontis, autora do estudo (3).
A pesquisa encontrou correlação entre TDAH e aumento de massa corporal e Diabetes tipo 2, o que significa que as variáveis que aumentam o risco para o TDAH também elevam o risco de obesidade na população.

A colaboração contou com grupos de pesquisa da Europa, da América do Norte e do Sul e da China. Estes grupos são parte do Psychiatric Genomics Consortium (PGC), bem como da Lundbeck Foundation Initiative for Integrative Psychiatric Research (iPSYCH), na Dinamarca.
A professora Anita Thapar celebra: “Este estudo é divisor de águas, porque envolve pacientes do mundo inteiro. Este grande número de amostras estava em falta nos estudos de TDAH e isso significa que nossa compreensão genética do transtorno estava atrasada com relação a desordens físicas e psiquiátricas, como esquizofrenia e depressão. Graças, em parte, à Dinamarca, isso está começando a mudar.”

Thapar ainda acrescenta que cada indivíduo com TDAH que participou desta pesquisa está fazendo diferença real no avanço da compreensão da condição. “Esperamos que este estudo estimule a participação das pessoas e aumente o interesse de outros países no apoio à pesquisa sobre o transtorno”.
Mesmo que estes 12 sinais genômicos identificados no estudo sejam importantes, eles capturam apenas uma pequena parte do risco para o TDAH. Coletivamente, os fatores genéticos comuns eram responsáveis por aproximadamente 22% dos riscos totais do TDAH. O papel de outras fontes de riscos genéticos, como por exemplo mutações genéticas raras e fatores ambientais também precisam ser analisados em estudos futuros.

1 DEMONTIS D, et al. Discovery of the first genome-wide significant risk loci for attention deficit/hyperactivity disorder. Nat Genet. 2018 Nov 26. doi: 10.1038/s41588-018-0269-7. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30478444>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
2 DISCOVERY OF THE FIRST COMMON GENETIC RISK FACTORS FOR ADHD. SCIENCE DAILY. Disponível em: <https://www.sciencedaily.com/releases/2018/11/181127111020.htm>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
3 FIRST RISK GENES FOR ADHD DISCOVERED. NEUROSCIENCE NEWS. Disponível em: <https://neurosciencenews.com/adhd-risk-genes-10268>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

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