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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

COMO O PACIENTE ADULTO PODE ENFRENTAR O TDAH DURANTE A PANDEMIA

COMO O PACIENTE ADULTO PODE ENFRENTAR O TDAH DURANTE A PANDEMIA

Esse período em que estamos vivendo, com insegurança acerca do futuro, mudanças drásticas na nossa rotina e no funcionamento do mundo a nossa volta trouxe grande impacto e estresse na vida das pessoas. No caso de pacientes com TDAH, que já apresentavam dificuldade em organizar as atividades da vida diária, pode ser muito mais desafiador.

Muitas das estratégias de enfrentamento do TDAH ainda são relevantes, mas podem necessitar de adaptações para a nova realidade. Abaixo seguem algumas estratégias que podem exigir mais esforço nesse momento para serem implementadas, mas que valem a pena:

Cronograma diário

Estratégia fundamental para pacientes com TDAH e que pode ser ainda mais importante (e também mais desafiadora) com a ausência de rotina. É necessário planejar não apenas as tarefas individuais como também as tarefas de casa. O ideal é organizar pequenos blocos de tempo de 15-30 minutos.

A organização dessas informações em um formato visível e compartilhável (como um quadro de tarefas) ajuda todos os membros da casa a se localizarem e a saberem o que deve ser feito. Para crianças pequenas, podem ser usadas figuras para a rotina da manhã, para as atividades e para as tarefas da escola.

O cronograma também ajuda as pessoas a se planejarem e a saberem o que está por vir. Isso permite que os membros da família organizem o ritmo de trabalho para conseguirem alcançar momentos de lazer e diversão.

Implementação

Além de estabelecer as tarefas do dia, é interessante criar um guia de como essas tarefas podem ser feitas, como por exemplo o que fazer primeiro (priorização) e o que fazer em determinada situação. Dessa forma as tarefas podem ser agrupadas permitindo encadeamento, como por exemplo responder e-mails e mensagens no mesmo momento.

Outra dica é dividir as tarefas e fazer pequenas pausas entre elas. Isso pode tornar o plano de ação mais claro do que simplesmente entrar de cabeça.

Organização

Uma boa ideia é gastar um tempinho após uma atividade ou bloco de tempo arrumando o espaço físico. Esse pequeno tempo para organização serve para arrumar o espaço que acaba de ser usado, de forma que ele esteja pronto para ser usado novamente.

Atitude

Essas estratégias de enfrentamento não são novidade, exceto o fato de estarem acontecendo todas ao mesmo tempo. O TDAH não é um problema de conhecimento ou de capacidade, mas sim um problema de performance, portanto a chave é a implementação dessas estratégias.

Por fim, é importante não se pressionar muito e ter compaixão consigo mesmo. Não há problema se a princípio você tiver dificuldade ou se algumas vezes falhar. Peça ajuda se for preciso e reconheça que este é um momento estressante para todos nós. Paciência e perseverança são o segredo.

Artigo adaptado e traduzido de:

https://www.psychologytoday.com/intl/blog/rethinking-adult-adhd/202007/coping-adult-adhd-during-covid-19

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CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

Um estudo publicado em junho deste ano no JAMA Network Open concluiu que crianças com problemas do desenvolvimento ou que não atingem marcos do desenvolvimento podem ter um risco cerca de 2.2 vezes maior de serem diagnosticadas com asma comparado com o risco de crianças sem esses problemas ou atrasos.

Uma das autoras do estudo, Sarah Messiah, PhD, diretora do Centro para Saúde Populacional Pediátrica na UTHealth Science Center School of Public Health em Dallas, disse que “ os guidelines pediátricos atuais de asma não mencionam problemas do desenvolvimento ou atrasos como fatores de risco para asma”. Como ela afirma, devido aos resultados do estudo, pediatras e especialistas que cuidam de crianças com incapacidades poderiam considerar a triagem para asma.

Nesse estudo, os pesquisadores analisaram os dados de 71,811 crianças e adolescentes entre 0-17 anos de idade, cujas famílias haviam participado da National Survey of Children’s Health (NSCH) de 2016 e de 2017. A NSCH é uma pesquisa populacional de representatividade nacional feita nos estados Unidos através de um questionário online.

Os seguintes problemas de desenvolvimento foram avaliados nesse estudo: (1) Transtornos Mentais (Déficit de Atenção e Hiperatividade [TDAH] e Transtorno do Espectro Autista); (2)  doenças neurológicas (paralisia cerebral e transtornos convulsivos); (3) déficits auditivos, de visão e de fala; (4) incapacidades cognitivas (deficiência intelectual e transtornos de aprendizado); ou (5) atraso inespecífico do desenvolvimento.

Além disso, 3,149 crianças foram classificadas como tendo atrasos no desenvolvimento, ou seja, tinham atraso em alguns marcos do desenvolvimento sem alguma condição médica que explicasse o atraso. Esses atrasos são diagnosticados quando as crianças não atingem funções – marcos- no tempo esperado para a faixa etária, como por exemplo caminhar, falar ou segurar objetos.

O risco de asma foi significativamente maior em crianças com ao menos uma incapacidade (razão de chance – RC  = 2.77; 95% CI, 2.39-3.21) ou atraso (RC = 2.22; 95% CI, 1.78-2.77) em comparação com crianças sem desordens ou atraso no desenvolvimento. Mesmo após ajustes para outros fatores como idade, sexo, raça e etnia, nível educacional, renda familiar e peso ao nascimento, todas as associações se mantiveram significativas para todas as categorias de incapacidade. Ao todo, crianças com incapacidades tinham um risco 2x maior de ter asma em comparação a crianças sem incapacidades.

O quanto uma incapacidade ou atraso especifico foi associado com o risco de asma variou na amostra. Comparado com crianças sem incapacidades ou atrasos, por exemplo, a perda de audição foi associada a um risco 3x maior para asma; crianças com TDAH, paralisia cerebral ou transtornos de aprendizado tinham mais que o dobro de risco de asma.

Uma limitação desse estudo é que todos os dados de asma, de incapacidade e de atrasos do desenvolvimento foram auto-relatados. Os dados não foram verificados por nenhum laboratório ou registro médico, então é possível que algumas crianças com essas condições não foram identificadas ou que alguns pais categorizaram seus filhos incorretamente com condições que eles não possuíam.

O diagnóstico falso positivo de asma em crianças com incapacidades tende a ser maior quando baseado apenas no relato dos pais, explicou Matthew McGrwa, MD, Professor assistente de medicina pulmonar pediátrica na University of Rochester Medical Center em Nova York ,que não estava envolvido com o estudo. Crianças com diferentes tipos de incapacidades regularmente se engasgam com bebidas ou comidas, causando chiados e dificuldade para respirar que pode parecer muito com asma para os pais, disse ele. “ Múltiplas outras razões podem causar sintomas similares”.

Outra limitação do estudo foi que os pesquisadores não obtiveram dados de outros fatores importantes que podem influenciar no risco de asma e de desordens do desenvolvimento ou atrasos, incluindo nascimento prematuro. “Crianças que nascem prematuras estão em maior risco tanto para problemas respiratórios como para atrasos no desenvolvimento devido ao subdesenvolvimento de órgãos como o pulmão e o cérebro,” completa Dr. McGraw.

No caso de a asma ser diagnosticada, algumas crianças com incapacidades físicas ou mentais podem ter dificuldade também de reconhecer seus sintomas. “Crianças com incapacidades podem ser menos propensas a comunicarem ou estarem alerta aos fatores que desencadeiam os ataques, ou até mesmo ser menos propensas a alertar seus pais quando elas sentem que sua respiração está comprometida,” disse Luisa Borrell, DDS, PhD, Professora no departamento de epidemiologia e bioestatística na CUNY Graduate School of Public Health & Health Policy em Nova York. Portanto, os pais podem precisar estar mais atentos para monitorar as exacerbações da asma em seus filhos.

Comentário da Equipe FOCUS:
Além das limitações do estudo já apontadas, é importante lembrar que crianças com alguma incapacidade ou atraso no desenvolvimento podem ser mais propensas a realizar consultas médicas, dado que já possuem uma condição em acompanhamento, o que poderia aumentar a chance de diagnóstico de asma.  Além disso, pais com crianças com dificuldades ou limitações podem tender a prestar mais atenção em alterações sutis no comportamento ou na saúde física do seu filho, o que também aumenta a chance de algum diagnóstico, ainda que os sintomas sejam leves.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.everydayhealth.com/asthma/kids-with-disabilities-or-developmental-delays-may-have-increased-asthma-risk/

Referência:
Xie L, Gelfand A, Delclos GL, Atem FD, Kohl HW, Messiah SE. Estimated Prevalence of Asthma in US Children With Developmental Disabilities. JAMA Netw Open. 2020;3(6):e207728. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.7728

Link: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2767213

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