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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

TDAH E TRANSTORNO DE HUMOR BIPOLAR

TDAH E TRANSTORNO DE HUMOR BIPOLAR

O diagnóstico diferencial de TDAH com o Transtorno de Humor Bipolar (THB) se apresenta como um desafio em algumas situações. Ambos os transtornos apresentam algumas características em comum, como a impulsividade, e a hipomania do THB pode ser confundida com a hiperatividade do TDAH. Além disso, os dois transtornos podem estar presentes em um mesmo paciente e o TDAH poderia, inclusive, ser fator de risco para o desenvolvimento da bipolaridade.

Um estudo recente demonstrou que crianças com diagnostico de TDAH tinham um risco 10 vezes maior de serem diagnosticadas com THB no futuro comparado com crianças sem diagnóstico de TDAH. Ainda, a comorbidade dos dois transtornos pode envolver uma via genética comum. Um outro estudo sueco que avaliou 13532 pares de gêmeos aos 9 e 12 anos e, após, aos 15 e 18 anos encontrou que fatores genéticos associados a hipomania explicavam 25% a 42% da chance da presença de sintomas de hiperatividade e impulsividade no TDAH.

Uma outra pesquisa demonstrou também que a apresentação comorbida do THB e do TDAH estava associada a um curso mais grave e a um maior risco de tentativas de suicídio do que qualquer apresentação dos transtornos isolada.

Existe controvérsia quanto ao uso de estimulantes para o tratamento do TDAH em pacientes com THB. Um estudo de 2016 demonstrou que o uso de metilfenidato para tratamento do TDAH em pacientes com THB que não estavam fazendo uso de estabilizadores do humor aumentou em 7 vezes o risco de virada maníaca dentro de 3 a 6 meses. Entretanto, o uso de metilfenidato em pacientes em uso de estabilizadores de humor foi associado a diminuição de episódios maníacos. Ou seja, o uso de estimulantes parece ser seguro em pacientes com THB que estejam devidamente medicados para o tratamento do THB.

Sendo assim, é importante avaliar a presença de THB em pacientes com diagnóstico de TDAH, uma vez que pode ser um diagnóstico diferencial e o tratamento do TDAH pode afetar o curso do THB. Apesar das semelhanças, a hiperatividade no TDAH tende a ser uma caraterística mais constante do funcionamento do indivíduo, ao passo que, no THB, a hiperatividade tende a se apresentar apenas nos episódios de mania.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.psychiatrictimes.com/view/adhd-bipolar-genetics-diagnosis-treatment

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NÍVEIS BAIXOS DE HORMONIOS TIREOIDIANOS DURANTE O PRIMEIRO TRIMESTRE DA GRAVIDEZ PODEM INTERFERIR NO DESENVOLVIMENTO CEREBRAL FETAL

NÍVEIS BAIXOS DE HORMONIOS TIREOIDIANOS DURANTE O PRIMEIRO TRIMESTRE DA GRAVIDEZ PODEM INTERFERIR NO DESENVOLVIMENTO CEREBRAL FETAL

Hormônios produzidos pela glândula tireoide influenciam sabidamente no crescimento fetal. Por conta disso, pesquisadores suspeitaram que prejuízos na produção desses hormônios, notadamente no hipotireoidismo, poderiam contribuir para o desenvolvimento do TDAH.

Um estudo publicado no American Journal of Perinatology demonstrou que crianças cujas mães foram diagnosticas com hipotireoidismo imediatamente antes ou durante os estágios iniciais da gravidez eram 24% mais propensas a desenvolver TDAH que crianças cujas mães não tiveram esse diagnóstico. Esse risco era ainda maior para meninos nascidos de mães com hipotireoidismo do que para meninas.

“Esses achados elucidam que a saúde da tireoide provavelmente tem um papel muito maior no desenvolvimento cerebral fetal e em desordens do comportamento como o TDAH do que se imaginava anteriormente”, diz o autor principal Morgan Peltier, PhD, professor associado do Departamento de Obstetrícia Clínica, Ginecologia e Medicina Reprodutiva da NYU Winthrop Hospital.

Entre os achados do estudo, após o segundo trimestre, o hipotireoidismo materno tinha pouco efeito na saúde do feto. Uma explicação possível, segundo Peltier, é a de que após esse período, o feto já tenha iniciado a produção de seus próprios hormônios tireoidianos e seja menos vulnerável as deficiências hormonais maternas.

O estudo acompanhou 329,157 crianças do nascimento até a idade de 17 anos, todas nascidas em hospitais da Kaiser Permanente no sul da Califórnia. Ao contrário de estudos prévios, segundo os autores, ao observar as crianças por quase duas décadas, isso permitiu que os pesquisadores pudessem identificar melhor os casos de TDAH conforme as crianças cresciam e eram diagnosticadas.

Os pesquisadores analisaram os dados médicos das crianças e coletaram informações chave sobre suas mães incluindo a idade durante a gravidez, etnia e renda familiar. Todas as crianças foram avaliadas quando ao TDAH utilizando os mesmos critérios, o que evitou o surgimento de inconsistências em como os casos de TDAH foram identificados.

Ao todo 16.696 crianças foram diagnosticas com TDAH. Crianças hispânicas cujas mães tiveram hipotireoidismo na gravidez apresentaram o maior risco de desenvolver TDAH, de 45%.

Peltier afirma que os resultados do estudo são fortes o suficiente para indicar a monitorização dos níveis de hormônios tireoidianos em mulheres gravidas. Além disso, ele aponta que crianças cujas mãe tiveram hipotireoidismo na gravidez poderiam se beneficiar do rastreio precoce de TDAH.

Curadoria de conteúdo do PRODAH: Vale lembrar que evidência de associação não indica, mesmo em estudo longitudinal, causalidade. Um terceiro fator pode estar relacionado tanto com hipotiroidismo materno no primeiro trimestre de gravidez e com TDAH na criança. Por exemplo, TDAH na mãe que não foi avaliado no estudo!

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.sciencedaily.com/releases/2020/10/201021085107.htm

Referência: Morgan R. Peltier, Michael J. Fassett, Vicki Y. Chiu, Darios Getahun. Maternal Hypothyroidism Increases the Risk of Attention-Deficit Hyperactivity Disorder in the OffspringAmerican Journal of Perinatology, 2020 DOI: 10.1055/s-0040-1717073

 

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TERAPIA OCUPACIONAL NO TDAH

TERAPIA OCUPACIONAL NO TDAH

O TDAH é um transtorno que pode afetar aspectos da vida do indivíduo em múltiplas áreas. Por ser tão diverso em sua manifestação, o tratamento envolve abordagens individualizadas.

Uma abordagem que pode ser adicionada ao tratamento convencional é a terapia ocupacional.

“Terapeutas ocupacionais são bons membros no time” diz Cara Koscinski, terapeuta ocupacional infantil e autora de 6 livros sobre terapia ocupacional para crianças e adultos jovens.

A terapia ocupacional pode tratar de déficits físicos, sociais, educacionais e organizacionais com um plano focado nas habilidades, necessidades e atividades do indivíduo. Ela foca nas habilidades que cada pessoa necessita para funcionar independentemente na vida diária. A primeira tarefa de um terapeuta ocupacional será descobrir como o TDAH impacta você ( ou seu filho) no trabalho, em casa, na escola, nas relações e em outras áreas.

Aqui vão algumas áreas em que o terapeuta ocupacional pode ser útil no tratamento do TDAH:

Gerenciamento de tempo

O tdah pode dificultar na habilidade de criar e executar o planejamento de uma atividade, terminar tarefas em ordem, completar tarefas dentro do prazo ou saber calcular o tempo certo a ser dedicado a uma atividade.

A terapia ocupacional pode melhorar o processamento de tempo e as habilidades de gerenciamento de tempo na vida diária.

Em um estudo de 2018, um grupo de estudantes entre 9-15 anos de idade trabalharam com um terapeuta ocupacional por 12 semanas para melhorar a sua consciência do manejo de tempo e de atividades e um grupo controle não realizou esse trabalho. No final da intervenção, estudantes que trabalharam com um terapeuta ocupacional mostraram uma melhora significativa na sua consciência do tempo, na habilidade de se orientarem no tempo e na habilidade de manejar o tempo efetivamente durante tarefas diárias.

Habilidades de Organização

Outra área em que o TDAH pode impactar negativamente é na habilidade de organização.

“Terapeutas ocupacionais são especialistas na análise de atividades”, diz Koscinski. “Isso significa observar cada atividade e quebra-la em pequenos passos e fatores de performance ou habilidades que a criança precisa para ter sucesso”.

Após quebrar um projeto em passos, um terapeuta ocupacional pode ajudar na organização de materiais, no desenvolvimento de sistemas e na criação de pistas visuais para que o indivíduo consiga lembrar e seguir os passos necessários.

“Informações visuais são muito importante para crianças com TDAH”, diz Koscinski.

Um terapeuta ocupacional também pode ser útil para ajudar o paciente nas habilidades executivas e sociais. Por exemplo, um terapeuta ocupacional pode ajudar a descobrir o porquê de uma criança estar se comportando mal na sala de aula: ela está se sentando longe do professor? O ambiente da sala de aula é muito estimulante? O estudante está seguindo as orientações do plano de estudos ou será que este plano está adequado?

Por último, terapeutas ocupacionais são especialmente bons em treinar pessoas com TDAH a usar utensílios que possam as ajudar a se adaptar melhor ao dia a dia. Koscinski cita vários objetos que podem tornar a vida mais fácil para crianças que precisam gastar energia ou relaxar de alguma forma: bolas de yoga, mini trampolins, balanços, hoverboard, etc.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.healthline.com/health/adhd/can-occupational-therapy-help-people-who-have-adhd

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O TDAH AUMENTA O RISCO DE DIABETES INDEPENDENTEMENTE DO IMC

O TDAH AUMENTA O RISCO DE DIABETES INDEPENDENTEMENTE DO IMC

Um estudo que publicado no Journal of Diabetes encontrou que adultos com TDAH apresentavam um risco 50% maior de desenvolver diabetes.

Os pesquisadores analisaram os dados coletados pelo questionário National Health Interview Survey (NHIS), realizado nos Estados Unidos, nos anos de 2007 e de 2012. As informações sobre TDAH e diabetes foram coletadas durante as entrevistas do questionário, em que os participantes respondiam se algum médico já havia lhe dado o diagnóstico de alguma dessas patologias. Outros dados sociodemográficos como idade, educação, renda familiar e estilo de vida também foram coletados.

Ao todo, somaram-se 52821 participantes (48,6% eram homens, e a média de idade foi de 45,5 anos). Entre eles, 1642 confirmaram que tinham TDAH e 4631 informaram que tinham diagnóstico de diabetes. Após ajustar para idade, sexo e etnia, os pesquisadores encontraram que os participantes com história de TDAH tinham maior risco de ter diabetes comparado com aqueles sem história de TDAH (OR = 1.68; 95% CI, 1.23-2.28). Os participantes com TDAH também eram mais propensos a ter diabetes após ajuste para educação, renda familiar, tabagismo, consumo de álcool, atividade física e IMC – índice de massa corporal-(OR = 1.54; 95 CI, 1.16-2.04).

Uma meta-análise anterior de 42 estudos havia demonstrado que o TDAH era associado a maior risco de desenvolvimento de obesidade em crianças e mulheres. Contudo, o presente estudo encontrou que a relação entre TDAH e diabetes era independente do IMC. Portanto, a possível relação entre TDAH e diabetes precisa ser elucidada do ponto de vista biológico.

“Um crescente número de evidências tem apoiado o papel da inflamação nas desordens neuropsiquiátricas incluindo o TDAH”, dizem os autores. “Um estudo anterior apontou que pacientes com TDAH possuíam um nível plasmático mais elevado do marcador inflamatório interleucina-6, que já foi associado também ao risco aumentado de diabetes”. Além disso, os autores também apontam para a necessidade de se investigar os efeitos das medicações de TDAH no metabolismo da glicose e no risco de diabetes.

Apesar desse estudo apontar para uma possível relação entre TDAH e diabetes, ainda são necessários novos estudos para a confirmação desses achados e para o entendimento de que fatores estariam por trás dessa relação. Além disso, existe algumas limitações no estudo como o fato de os dados sobre TDAH e diabetes terem sido auto-reportados pelos participantes, o que pode estar sujeito a viés. Contudo, como os pesquisadores escrevem, “se esses achados forem replicados e confirmados em estudos futuros, indivíduos com TDAH podem ter necessidade de triagem precoce e prevenção de diabetes”.

Artigo adaptado e traduzido de:

https://www.healio.com/news/endocrinology/20201007/adhd-increases-odds-of-diabetes-independent-of-bmi

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TDAH E USO DE SMARTPHONES

TDAH E USO DE SMARTPHONES

Hoje em dia se tornou praticamente inimaginável a possibilidade de viver sem um celular. Diversas atividades da nossa vida diária, inclusive relacionadas ao trabalho e finanças, foram transferidas para o smartphone.

Contudo, a praticidade no nosso dia a dia trouxe um ônus: a piora da nossa capacidade de concentração.

Um estudo da Universidade do Texas encontrou que nossa capacidade cognitiva, incluindo atenção e foco, é significativamente reduzida quando temos um smartphone por perto – mesmo que ele esteja desligado.

Outro estudo, que avaliou 2600 adolescentes, encontrou que usuários pesados de aparelhos eletrônicos tem 2 vezes mais chance de demonstrar sintomas de TDAH do que aqueles com uso infrequente. Isso pode impor um desafio na hora de diagnosticar quem de fato tem TDAH e quem tem déficit de atenção causado pelas telas.

Pesquisadores vêm tentando desvendar se o uso de smartphones e outras telas afeta a frequência do diagnóstico de TDAH. De acordo com a Dra. Candida Fink, psiquiatra de crianças e adolescentes, essa relação ainda permanece incerta. “Não necessariamente seja tudo má noticia, uma vez que smartphones também podem auxiliar na produtividade e no aprendizado”. Segundo ela, é importante diferenciar um uso que esteja causando prejuízos ao indivíduo daquele que não está.

A DISTRAÇÃO PODE SER CONFUNDIDA COM TDAH?

O TDAH e a distração se relacionam com os mesmos circuitos cerebrais e várias coisas podem afetar nossa atenção. O uso de telas, eventos preocupantes/estressantes e até mesmo a qualidade do sono podem exercer alguma influência. Portanto, o diagnóstico de TDAH exige uma avaliação cuidadosa. Você precisa de uma análise histórica do padrão de comportamento. Além disso, é necessário primeiro remover as distrações para que então uma avaliação da capacidade de atenção do paciente possa ser feita. No TDAH os sintomas não simplesmente aparecem e depois desaparecem.

COMO DIMINUIR O USO DE TELAS E AS DISTRAÇÕES

Primeiro você deve entender a sua rotina e seu ambiente para que possa limitar o uso do celular. Os aplicativos e redes sociais são desenhados para prender nossa atenção, então você tem que assumir a responsabilidade de estabelecer limites. Dra Fink sugere algumas dicas:

  • Não leve seu celular para cama. O uso antes de dormir interfere com seu sono. Compre um relógio de alarme para que você não tenha a desculpa de usar seu celular para colocar alarmes.
  • Suplemente o tempo de tela com atividade física. Saia para a rua e vá se exercitar. Leve o cachorro para passear, faça alongamentos ou dança – qualquer coisa que te faça deixar o telefone de lado e se mexer um pouco.
  • Tire pausas se você está trabalhando com telas ou jogando videogame. “ Isso é uma parte muito importante para reajustar sua atenção” diz Dra. Fink.

Artigo adaptado e traduzido de: https://medshadow.org/phone-addiction-adhd/

CURADORIA DE CONTEÚDO DO PRODAH:

Lembre, associação não indica causalidade! Diversos estudos mostram que quem tem TDAH passa mais tempo em telas. Por exemplo, a Dra. Patricia Bado estudando uma amostra brasileira de 2511 crianças e adolescentes do Brazilian High Risk Cohort for Psychiatric Disorders avaliadas em três pontos ao longo dos anos mostrou que maior psicopatologia basal está associada a maior tempo de tela depois, mas o inverso não. Ou seja, maior tempo de tela na linha basal não está associada a maior psicopatologia depois!

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NOVO ESTUDO APONTA PARA DIFERENÇAS GENÉTICAS EM PACIENTES AFRO AMERICANOS COM TDAH

NOVO ESTUDO APONTA PARA DIFERENÇAS GENÉTICAS EM PACIENTES AFRO AMERICANOS COM TDAH

Muitos estudos sugerem que variantes estruturais do genoma possuem um papel importante na gênese do TDAH. Contudo, a maioria desses estudos foca em regiões codificantes do DNA, regiões que codificam proteínas especificas, e foram primariamente conduzidos em pessoas com ascendência europeia.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores do Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP) resolveu estudar uma amostra grande de indivíduos Afro-americanos e compararam regiões codificantes e não codificantes do genoma desses indivíduos Afro-americanos com as de indivíduos de ascendência Europeia. “Nós sentíamos como se estudos anteriores sobre TDAH do ponto de vista genômica não estivessem contando a história completa por conta de quem eles estavam deixando de fora e o que eles estavam escolhendo estudar”, disse Hakon Hakonarson, MD, PhD, Diretor do Centro de Genômica Aplicada no CHOP Research Institute e autor sênior do estudo.

O time de pesquisadores e seus colaboradores geraram dados da sequência genômica completa de 875 participantes, incluindo 205 participantes com TDAH e 670 controles sem TDAH. Afro-americanos representaram 116 dos 205 pacientes com TDAH e 408 dos controles sem TDAH.

Além de confirmar várias variantes estruturais e genes associados ao TDAH já identificados em estudos anteriores, os pesquisadores descobriram 40 novas variantes estruturais em pacientes com TDAH. Eles identificaram um cluster de variantes estruturais nas regiões não codificantes de sequencias envolvidas no funcionamento de cérebro e potencialmente altamente relevantes para o desenvolvimento do TDAH, incluindo expressão genica em fenótipos específicos de TDAH

Houve uma pequena sobreposição (cerca de 6%) nos genes impactados por variantes nucleotídicas isoladas entre indivíduos com ascendência afro-americana e europeia. Essas diferenças foram especialmente pronunciadas nas variantes estruturais não codificantes. Essas variantes podem também impactar como pacientes responde a medicação para o TDAH.

“O sequenciamento genômico completo parece ser uma ferramenta de descoberta valiosa para o estudo de mecanismos moleculares por trás do TDAH”, disse Hakonarson. Adicionalmente, a inclusão de afro-americanos, associada ao estudo de regiões não codificantes do genoma, identificou várias variantes estruturais que indicam caminho para pesquisa futura, uma vez que elas podem impactar tanto na susceptibilidade ao TDAH quanto em como os pacientes respondem a diferentes intervenções terapêuticas”.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.sciencedaily.com/releases/2020/09/200922112301.htm

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UMA PEQUENA DOSE DE EXERCÍCIO É CAPAZ DE MELHORAR A PERFORMANCE ACADÊMICA DE CRIANÇAS COM TDAH

UMA PEQUENA DOSE DE EXERCÍCIO É CAPAZ DE MELHORAR A PERFORMANCE ACADÊMICA DE CRIANÇAS COM TDAH

Com a pandemia, todos os pais conhecem o eterno desafio de fazer as crianças se concentrarem nos estudos, principalmente aquelas com TDAH.  No texto de hoje vamos falar de uma estratégia promissora e que a princípio não é muito difícil de ser empregada.

Em 2009, pesquisadores descobriram que apenas 20 minutos de exercício aeróbico moderado com elevação da frequência cardíaca para 60% da frequência máxima do individuo podia melhorar a performance acadêmica de crianças imediatamente.

“Pense nisso como aproximadamente o ritmo da caminhada para a escola pela manhã” disse Charles Hillman, autor do estudo e Diretor Associado do Center for Cognitive and Brain Health da Northeastern University. Crianças pré-adolescentes caminharam em uma esteira por 20 minutos e após foram administrados testes cognitivos (a velocidade era fácil o suficiente para que nenhuma criança não fosse capaz de acompanhar). A conclusão foi que “Doses agudas e únicas de exercício aeróbico moderadamente intenso podem melhorar o controle cognitivo da atenção” por pelo menos 60 minutos após.

O exercício aeróbico, como diz Hillman, ajuda crianças a focarem a sua atenção durante as tarefas demandantes- como as aulas online- e as ajuda a afastar distrações. Esse foco permite que elas processem informação mais rapidamente, diz ele, o que se traduziu no estudo  numa melhor acurácia nas medidas cognitivas e maiores notas alcançadas em leitura e matemática.

E quanto a crianças com TDAH, que já sofrem com dificuldade na concentração, poderia o exercício físico ser útil?

Um estudo de 2012 descobriu que imediatamente após o exercício, crianças com TDAH tinham uma performance melhor em testes de leitura e matemática e tinham níveis melhores de atenção e auto-regulação. Ainda, num estudo de 2020, crianças com idades entre 11 e 16 anos com TDAH que faziam exercício com bicicleta por 20 minutos em intensidade moderada tiveram melhoras similares na capacidade de focar em tarefas por pelo menos 60 minutos após o exercício.

Segundo Matthew Pntifex, professor associado do Departamento de Cinesiologia da Michigan State University e autor do estudo de 2012, “elas foram mais capazes de regular seu comportamento e tiveram mais capacidade de estabelecer ações corretivas”

Isso acontece porque o exercício parece ajudar na habilidade da criança de inibir impulsos inapropriados e de selecionar uma resposta mais apropriada para esses impulsos.

O exercício também pode ajudar a suprimir respostas motoras para comportamentos aprendidos, como falar alto durante a aula. Na sala de aula, esse controle ajuda as crianças a focarem nas instruções. Em casa, isso pode ajudar elas a focarem na aula online e resistirem à tentação de jogar videogame.

A boa notícia é que 20 minutos podem não ser necessários. Até mesmo pequenas doses de exercício durante as pausas podem ser efetivas, o que pode ser mais prático para os pais. Qualquer atividade física serve.

Em 2004, Matt Mahar, diretor da School of Exercise and Nutritional Sciences da San Diego State University, desenvolveu o programa “Energizers”, uma série de exercícios físicos de pequena duração que crianças podem praticar. Mahar recomenda 2 ou 3 pausas por dia para ajudar as crianças a focarem na tarefa, onde quer que estejam. Exercício no meio do período de estudo, como escreve Mahar, é parte de um achado consistente das pesquisas de que “ atividade física baseada na sala de aula resulta em melhores comportamentos durante a tarefa do que aulas sedentárias com os alunos sentados” para todas as crianças, não apenas aquelas com TDAH.

As crianças são mais propensas a aderir a atividade se seus pais não dizem simplesmente a elas para “fazerem exercício físico”. Pais e crianças podem usar a criatividade, mas preferencialmente deve-se focar em atividades que a criança já gosta. Experts concordam que agregar atividade ao ar livre é uma combinação ideal, e pode-se optar por soluções simples. Apenas uma caminhada serve. Por exemplo, Hillmann recomenda começar o dia com uma caminhada de 20 minutos e adicionar pequenas pausas de mobilidade durante o dia.

Que tal dar uma volta?

Artigo adaptado e traduzido de:

https://www.washingtonpost.com/health/exercise-breaks-help-kids-with-adhd-learn/2020/08/14/57f41e94-cc2f-11ea-bc6a-6841b28d9093_story.html#comments-wrapper

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GENÉTICA E AMBIENTE NO TDAH

Nesse vídeo os professores Dr. Claiton Bau (UFRGS) e Dr. Diego Rovaris (USP) falaram sobre a genética do TDAH e também sobre o papel do ambiente no desenvolvimento do TDAH. Para entender mais sobre tudo isso, assista o vídeo!

Confira mais vídeos no nosso canal do Youtube!

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CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

Qual será a relação entre TDAH e queimaduras?

De acordo com um estudo realizado em Taiwan, crianças e adolescentes com TDAH que fazem uso de medicação sofrem menos queimaduras que crianças e adolescentes com TDAH não medicados.

Essa relação a princípio parece fazer sentido: a desatenção pode ser um fator para a causa de acidentes.

Para realizar esse estudo, foram coletadas informações de um banco de dados de saúde nacional de Taiwan. Foram selecionados para a amostra indivíduos com menos de 18 anos com diagnóstico de TDAH (n=90.634) entre janeiro de 1996 e dezembro de 2013.

Os pesquisadores encontraram que:

Crianças e adolescentes com TDAH não medicados tinham um risco de 6,7% de sofrer queimaduras. Em contrapartida, aqueles que tinham recebido medicação por 3 meses ou menos tinham 4,5% de risco e aqueles que haviam recebido medicação por mais de 3 meses tinham um risco de 2,9%

Portanto, segundo os resultados, quando as crianças e os adolescentes eram tratados com medicação, havia uma queda no risco de queimaduras, sendo que aqueles que receberam ao menos 3 meses de medicação tiveram metade do risco daqueles que não receberam medicação.

Isso vai de encontro com pesquisas anteriores que sugeriram um link entre TDAH e maior tendência a sofrer acidentes, com esse link sendo especialmente maior para pacientes que não fazem uso de medicação.

Apesar de o desenho do estudo não ser capaz de mostrar relação de causa e efeito, parece plausível que o não uso de medicação aumente a incidência de queimaduras.

Esse estudo serve para ilustrar como o TDAH pode impactar a vida de uma pessoa, não só na sua saúde emocional como também na sua saúde física.

Comentário da curadoria do PRODAH:
Reforçando a ideia de que esse estudo não indica causalidade, lembrar que pais que buscam tratamento para o TDAH de suas crianças podem ser também pais que tem maior atenção aos seus filhos, incluindo aí os cuidados para evitar acidentes.

Artigo adaptado e traduzido de: https://blogs.psychcentral.com/adhd-millennial/2020/07/children-with-adhd-get-fewer-burns-when-they-receive-medication/

Referência:
Chen, V., Yang, Y., Yu Kuo, T., Lu, M., Tseng, W., Hou, T., . . . Gossop, M. (2020). Methylphenidate and the risk of burn injury among children with attention-deficit/hyperactivity disorder. Epidemiology and Psychiatric Sciences, 29, E146. doi:10.1017/S2045796020000608

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CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

Um estudo publicado em junho deste ano no JAMA Network Open concluiu que crianças com problemas do desenvolvimento ou que não atingem marcos do desenvolvimento podem ter um risco cerca de 2.2 vezes maior de serem diagnosticadas com asma comparado com o risco de crianças sem esses problemas ou atrasos.

Uma das autoras do estudo, Sarah Messiah, PhD, diretora do Centro para Saúde Populacional Pediátrica na UTHealth Science Center School of Public Health em Dallas, disse que “ os guidelines pediátricos atuais de asma não mencionam problemas do desenvolvimento ou atrasos como fatores de risco para asma”. Como ela afirma, devido aos resultados do estudo, pediatras e especialistas que cuidam de crianças com incapacidades poderiam considerar a triagem para asma.

Nesse estudo, os pesquisadores analisaram os dados de 71,811 crianças e adolescentes entre 0-17 anos de idade, cujas famílias haviam participado da National Survey of Children’s Health (NSCH) de 2016 e de 2017. A NSCH é uma pesquisa populacional de representatividade nacional feita nos estados Unidos através de um questionário online.

Os seguintes problemas de desenvolvimento foram avaliados nesse estudo: (1) Transtornos Mentais (Déficit de Atenção e Hiperatividade [TDAH] e Transtorno do Espectro Autista); (2)  doenças neurológicas (paralisia cerebral e transtornos convulsivos); (3) déficits auditivos, de visão e de fala; (4) incapacidades cognitivas (deficiência intelectual e transtornos de aprendizado); ou (5) atraso inespecífico do desenvolvimento.

Além disso, 3,149 crianças foram classificadas como tendo atrasos no desenvolvimento, ou seja, tinham atraso em alguns marcos do desenvolvimento sem alguma condição médica que explicasse o atraso. Esses atrasos são diagnosticados quando as crianças não atingem funções – marcos- no tempo esperado para a faixa etária, como por exemplo caminhar, falar ou segurar objetos.

O risco de asma foi significativamente maior em crianças com ao menos uma incapacidade (razão de chance – RC  = 2.77; 95% CI, 2.39-3.21) ou atraso (RC = 2.22; 95% CI, 1.78-2.77) em comparação com crianças sem desordens ou atraso no desenvolvimento. Mesmo após ajustes para outros fatores como idade, sexo, raça e etnia, nível educacional, renda familiar e peso ao nascimento, todas as associações se mantiveram significativas para todas as categorias de incapacidade. Ao todo, crianças com incapacidades tinham um risco 2x maior de ter asma em comparação a crianças sem incapacidades.

O quanto uma incapacidade ou atraso especifico foi associado com o risco de asma variou na amostra. Comparado com crianças sem incapacidades ou atrasos, por exemplo, a perda de audição foi associada a um risco 3x maior para asma; crianças com TDAH, paralisia cerebral ou transtornos de aprendizado tinham mais que o dobro de risco de asma.

Uma limitação desse estudo é que todos os dados de asma, de incapacidade e de atrasos do desenvolvimento foram auto-relatados. Os dados não foram verificados por nenhum laboratório ou registro médico, então é possível que algumas crianças com essas condições não foram identificadas ou que alguns pais categorizaram seus filhos incorretamente com condições que eles não possuíam.

O diagnóstico falso positivo de asma em crianças com incapacidades tende a ser maior quando baseado apenas no relato dos pais, explicou Matthew McGrwa, MD, Professor assistente de medicina pulmonar pediátrica na University of Rochester Medical Center em Nova York ,que não estava envolvido com o estudo. Crianças com diferentes tipos de incapacidades regularmente se engasgam com bebidas ou comidas, causando chiados e dificuldade para respirar que pode parecer muito com asma para os pais, disse ele. “ Múltiplas outras razões podem causar sintomas similares”.

Outra limitação do estudo foi que os pesquisadores não obtiveram dados de outros fatores importantes que podem influenciar no risco de asma e de desordens do desenvolvimento ou atrasos, incluindo nascimento prematuro. “Crianças que nascem prematuras estão em maior risco tanto para problemas respiratórios como para atrasos no desenvolvimento devido ao subdesenvolvimento de órgãos como o pulmão e o cérebro,” completa Dr. McGraw.

No caso de a asma ser diagnosticada, algumas crianças com incapacidades físicas ou mentais podem ter dificuldade também de reconhecer seus sintomas. “Crianças com incapacidades podem ser menos propensas a comunicarem ou estarem alerta aos fatores que desencadeiam os ataques, ou até mesmo ser menos propensas a alertar seus pais quando elas sentem que sua respiração está comprometida,” disse Luisa Borrell, DDS, PhD, Professora no departamento de epidemiologia e bioestatística na CUNY Graduate School of Public Health & Health Policy em Nova York. Portanto, os pais podem precisar estar mais atentos para monitorar as exacerbações da asma em seus filhos.

Comentário da Equipe FOCUS:
Além das limitações do estudo já apontadas, é importante lembrar que crianças com alguma incapacidade ou atraso no desenvolvimento podem ser mais propensas a realizar consultas médicas, dado que já possuem uma condição em acompanhamento, o que poderia aumentar a chance de diagnóstico de asma.  Além disso, pais com crianças com dificuldades ou limitações podem tender a prestar mais atenção em alterações sutis no comportamento ou na saúde física do seu filho, o que também aumenta a chance de algum diagnóstico, ainda que os sintomas sejam leves.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.everydayhealth.com/asthma/kids-with-disabilities-or-developmental-delays-may-have-increased-asthma-risk/

Referência:
Xie L, Gelfand A, Delclos GL, Atem FD, Kohl HW, Messiah SE. Estimated Prevalence of Asthma in US Children With Developmental Disabilities. JAMA Netw Open. 2020;3(6):e207728. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.7728

Link: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2767213

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