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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

ANEMIA MATERNA NO INÍCIO DA GRAVIDEZ LIGADA À DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, TDAH E AUTISMO

ANEMIA MATERNA NO INÍCIO DA GRAVIDEZ LIGADA À DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, TDAH E AUTISMO

O momento que a mãe desenvolve anemia – uma condição comum no final da gravidez – pode fazer uma grande diferença para o feto em desenvolvimento, de acordo com uma pesquisa do Karolinska Institutet publicada no JAMA Psychiatry. Os pesquisadores descobriram uma ligação entre anemia no início da gravidez e aumento do risco de autismo, TDAH e deficiência intelectual em crianças. A anemia descoberta no final da gravidez não teve a mesma correlação. As descobertas ressaltam a importância da triagem precoce do nível de ferro e o aconselhamento nutricional.

Estima-se que 15 a 20% das mulheres grávidas em todo o mundo sofram de anemia por deficiência de ferro, uma menor capacidade do sangue de transportar oxigênio, o que geralmente é causado pela falta de ferro. A grande maioria dos diagnósticos de anemia é feita no final da gravidez, quando o feto, em rápido crescimento, retira muito ferro da mãe.

No presente estudo, os pesquisadores examinaram o impacto que o momento de um diagnóstico de anemia teve no neurodesenvolvimento do feto, em particular se havia uma associação entre um diagnóstico anterior na mãe e o risco de deficiência intelectual (DI), transtorno do espectro do autismo, e transtorno de déficit de atenção / hiperatividade (TDAH) na criança.

No geral, pouquíssimas mulheres são diagnosticadas com anemia no início da gravidez. Neste estudo de quase 300.000 mães e mais de meio milhão de crianças nascidas na Suécia entre 1987-2010, menos de 1% de todas as mães foram diagnosticadas com anemia antes da 31ª semana de gravidez. Entre os 5,8% das mães diagnosticadas com anemia, apenas 5% receberam o diagnóstico desde o início.

Os pesquisadores descobriram que crianças nascidas de mães com anemia diagnosticada antes da 31ª semana de gravidez tinham um risco um pouco maior de desenvolver autismo e TDAH e um risco significativamente maior de deficiência intelectual, em comparação com mães saudáveis ​​e mães diagnosticadas com anemia no final da gravidez. Entre as mães anêmicas do início da gravidez, 4,9% das crianças foram diagnosticadas com autismo, em comparação com 3,5% das crianças nascidas de mães saudáveis, 9,3% foram diagnosticadas com TDAH em comparação com 7,1%; e 3,1% foram diagnosticados com deficiência intelectual em comparação com 1,3% das crianças de mães não anêmicas.

Depois de considerar outros fatores, como nível de renda e idade materna, os pesquisadores concluíram que o risco de autismo em crianças nascidas de mães com anemia no início da gravidez era 44% maior em comparação com crianças com mães não anêmicas, o risco de TDAH era 37% maior e o risco de deficiência intelectual era 120% maior. Mesmo quando comparadas aos irmãos, as crianças expostas à anemia materna precoce apresentavam maior risco de autismo e deficiência intelectual. É importante ressaltar que a anemia diagnosticada após a trigésima semana de gravidez não foi associada a um risco maior para qualquer uma dessas condições.

“Um diagnóstico de anemia no início da gravidez pode representar uma deficiência nutricional mais grave e duradoura para o feto”, diz Renee Gardner, coordenadora de projetos do Departamento de Ciências da Saúde Pública do Karolinska Institutet e principal pesquisadora do estudo. “Diferentes partes do cérebro e do sistema nervoso se desenvolvem em momentos diferentes durante a gravidez; portanto, uma exposição mais cedo à anemia pode afetar o cérebro de maneira diferente do que uma exposição posterior”.

Os pesquisadores também observaram que os diagnósticos precoces de anemia foram associados a bebês nascidos pequenos para a idade gestacional, enquanto os diagnósticos posteriores de anemia foram associados a bebês nascidos maiores para a idade gestacional. Os bebês nascidos de mães com anemia tardia geralmente nascem com um bom suprimento de ferro, ao contrário dos bebês nascidos de mães com anemia precoce.

Embora os pesquisadores não consigam separar a anemia causada pela deficiência de ferro da anemia causada por outros fatores, a deficiência de ferro é de longe a causa mais comum de anemia. Os pesquisadores dizem que as descobertas podem ser o resultado da deficiência de ferro no cérebro em desenvolvimento e, portanto, podem imaginar um papel protetor da suplementação de ferro no cuidado à maternidade. Os pesquisadores enfatizam a importância da triagem precoce do status do ferro e do aconselhamento nutricional, mas observam que são necessárias mais pesquisas para descobrir se a suplementação precoce de ferro pela mãe pode ajudar a reduzir o risco de transtornos do neurodesenvolvimento em crianças.

As mulheres adultas geralmente precisam de 15 mg de ferro por dia, embora as necessidades possam aumentar mais tarde na gravidez. Como a ingestão excessiva de ferro pode ser tóxica, as mulheres grávidas devem discutir a ingestão de ferro com seu médico.

https://medicalxpress.com/news/2019-09-early-maternal-anemia-tied-intellectual.html

Fonte: Medical XPress, por Karolinska Institutet , publicado em 18 de Setembro, 2019

Maiores informações: “Association of Prenatal Maternal Anemia With Neurodevelopmental Disorders” JAMA Psychiatry (2019). DOI: 10.1001/jamapsychiatry.2019.2309Journal information: JAMA Psychiatry

 

 

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MICRONUTRIENTES AFETAM BACTÉRIAS INTESTINAIS ASSOCIADAS AO TDAH – UM ESTUDO PEQUENO, MAS PROMISSOR

MICRONUTRIENTES AFETAM BACTÉRIAS INTESTINAIS ASSOCIADAS AO TDAH – UM ESTUDO PEQUENO, MAS PROMISSOR

Crianças com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) que usaram micronutrientes tinham níveis mais baixos de uma bactéria potencialmente ligada ao transtorno e uma gama mais saudável de microrganismos no intestino, de acordo com uma nova pesquisa.

O estudo foi publicado recentemente na revista Nature’s Scientific Reports. Foi uma colaboração entre os geneticistas de Christchurch, da Universidade de Otago, e do laboratório de Saúde Mental e Nutrição da Universidade de Canterbury, liderado pela psicóloga clínica Professora Julia Rucklidge.

O estudo piloto indica que a suplementação de micronutrientes – que inclui vitaminas e minerais – pode ser uma intervenção segura para pessoas com TDAH. Também mostra a necessidade de um estudo maior sobre o papel de uma bactéria específica chamada bifidobacterium em distúrbios do neurodesenvolvimento, como o TDAH.

O Dr. Aaron Stevens, geneticista da Universidade de Otago, de Christchurch, foi o principal pesquisador do estudo. Ele diz que há evidências crescentes, internacionalmente, indicando que o microbioma intestinal humano, ou bactérias intestinais, pode ter um papel relevante no desenvolvimento de distúrbios como depressão, TDAH e autismo. Um grande estudo internacional recente descobriu que crianças com TDAH apresentavam níveis significativamente mais altos da bactéria bifidobacterium no intestino do que aquelas sem a doença.

Usando a mais recente tecnologia de DNA, o Dr. Stevens e seus colegas analisaram as bactérias intestinais das crianças que receberam uma porção específica de micronutrientes durante um período de 10 semanas. O estudo foi pequeno, com a participação de apenas 17 crianças com idades entre sete e 12 anos. Dez crianças receberam micronutrientes, enquanto as outras receberam um tratamento com placebo.

Os pesquisadores descobriram que:

  1. Usar micronutrientes não afetou negativamente a estrutura ou composição geral do microbioma;
  2. As crianças que usaram micronutrientes tiveram significativamente mais unidades taxonômicas observadas (OTUs), o que é uma medida positiva de “riqueza” na comunidade de microbiomas;
  3. As crianças que usaram os micronutrientes apresentaram significativamente menos bifidobacteriumdo que as outras crianças.

A Professora Julia Rucklidge lidera o laboratório de Saúde Mental e Nutrição da Universidade de Canterbury. Ela diz que as pesquisas mais recentes são importantes para mostrar que os micronutrientes podem criar algumas mudanças positivas no microbioma das crianças com TDAH.

“O que os cientistas estão se perguntando agora é se as pessoas que sofrem de sintomas psiquiátricos específicos, como os associados ao TDAH, têm uma composição bacteriana diferente daquelas que não os apresentam, e se essas diferenças podem nos ajudar a entender a gravidade dos sintomas, ” diz a Professora Rucklidge.

“São necessárias mais pesquisas com grupos maiores de pessoas com TDAH para entender o efeito potencial de uma dieta, medicamentos, idade, etnia e gênero, nos resultados que foram relatados.”

A professora Rucklidge diz que o estudo piloto do efeito dos micronutrientes no microbioma foi seguido por um estudo de quase 100 crianças investigando o impacto do tratamento vitamínico-mineral na agressão e regulação emocional em crianças com TDAH. Esse estudo sugeriu que os micronutrientes poderiam melhorar a função geral, reduzir o prejuízo associado ao transtorno e melhorar a desatenção, a regulação emocional e a agressão nas crianças participantes.

Texto traduzido e adaptado do artigo publicado no website da Canterbury Univeristy, em 22 de agosto de 2019.

https://www.canterbury.ac.nz/news/2019/micronutrients-affect-gut-bacteria-associated-with-adhd-in-small-but-promising-study.html

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A CONEXÃO ENTRE O TDAH E A ENXAQUECA

A CONEXÃO ENTRE O TDAH E A ENXAQUECA

Quando os sintomas familiares – dor de cabeça, náusea e visão distorcida – se instalam, os pacientes de enxaqueca só querem que isto pare. Mas você sabia que ter TDAH aumenta sua probabilidade de ter enxaquecas?

Essas dores de cabeça frequentemente coocorrem em muitas crianças, adolescentes e adultos afetados pelo TDAH. Um estudo descobriu que homens com TDAH tinham duas vezes mais chances de ter enxaquecas do que outros homens. Outro estudo descobriu que a gravidade dos sintomas de TDAH em crianças é diretamente proporcional à frequência de enxaquecas.

Por que as enxaquecas e o TDAH coocorrem?

Os pesquisadores apresentaram várias teorias sobre porque as pessoas diagnosticadas com TDAH parecem mais propensas a ter enxaquecas. As mulheres tendem a experimentar enxaquecas mais frequentemente do que os homens, o que leva alguns pesquisadores a apontar para as flutuações hormonais. As enxaquecas também podem estar associadas a transtornos de humor e ansiedade. Outros pesquisadores sugerem que as dores de cabeça podem causar mais distração e irritação, especialmente em crianças com pouca atenção, ou que um distúrbio separado está subjacente a ambas as condições.

Marco Antônio Arruda, MD, PhD, um neurologista pediátrico da Universidade de São Paulo, no Brasil, sugere que fatores genéticos podem estar em jogo, como estresse e outros estímulos que afetam os neurotransmissores, incluindo a dopamina.

“Ao atender crianças com dores de cabeça”, diz o Dr. Arruda, “os médicos devem explorar o desempenho escolar, absenteísmo e saúde mental – especialmente sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade – para fazer um diagnóstico correto”.

As crianças que sofrem de TDAH e sofrem de enxaqueca tendem a ter maior dificuldade de aprendizado e desafios sociais do que seus pares. O diagnóstico e tratamento precoces podem melhorar o desempenho escolar e o bem-estar da criança.

Dores de cabeça versus enxaqueca

Algumas pessoas podem sentir dores de cabeça ao tentar uma nova medicação para TDAH. Para a maioria, estas são leves e logo cessam quando o corpo se ajusta à medicação. Se as dores de cabeça persistirem, é importante relatar ao seu médico. Dores de cabeça relacionadas à medicação normalmente não são enxaquecas e geralmente são administráveis ​​por meio de ações como fazer um lanche antes ou ao tomar sua medicação.

As enxaquecas, diferentemente, são um distúrbio neurológico com sintomas que interferem na vida diária. A maioria das pessoas afetada pela enxaqueca tem ataques uma ou duas vezes por mês, embora algumas tenham muito mais. As enxaquecas tendem a ocorrer em um lado da cabeça e, frequentemente, apresentam um ou mais sintomas:

  • Distúrbios visuais
  • Náusea
  • Vômito
  • Tontura
  • Sensibilidade extrema ao som, luz, toque e cheiro
  • Formigamento ou dormência nas extremidades ou face

O que você pode fazer

Muitas pessoas que têm enxaquecas aprendem sobre seus gatilhos, que são eventos ou condições que causam essas dores de cabeça. Os gatilhos podem variar para cada pessoa, e algo que desencadeia uma enxaqueca para uma pessoa nem sempre atua como um gatilho para outra pessoa. Você pode evitar, quando possível, alguns desses gatilhos comuns:

  • Uma mudança nos padrões de sono, pular refeições ou jejum, desidratação, álcool, exercícios em excesso, estresse.
  • Cheiros fortes, luzes fluorescentes ou brilhantes, fumaça, poluição, altitude, mudanças de pressão de ar como aquelas que ocorrem em um avião, enjoo.
  • Mudanças no clima, incluindo temperatura ou pressão barométrica, umidade (alta e baixa), luz solar intensa.
  • Uso excessivo de analgésicos (por conta própria ou prescrição), ou efeitos colaterais de um medicamento.
  • Alimentos específicos podem se tornar gatilhos quando combinados com outros gatilhos. Alguns gatilhos de alimentos comuns incluem adoçantes artificiais, MSG, nitratos, alimentos fermentados, queijos envelhecidos, pão de fermento recém-assado, álcool e cafeína.

 

Obtendo ajuda para enxaquecas

TDAH e enxaqueca coocorrem e podem afetar os sintomas de ambas as condições. É importante trabalhar com profissionais de saúde qualificados e licenciados que possam realizar uma avaliação para ambas as condições. Tenha em mente que mais de um profissional pode ser necessário para essas avaliações.

Para uma avaliação de enxaquecas, um especialista certificado em dor de cabeça ou centro abrangente de dor de cabeça que usa uma abordagem colaborativa para o tratamento pode trabalhar com seu médico que está focado no TDAH. Isso permitirá que os profissionais coordenem um plano de tratamento adaptado as suas necessidades.

Artigo adaptando e traduzido do Chadd, ADHD weekly, publicado em 8 de agosto de 2019.

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COMO UM DIAGNÓSTICO DE TDAH AFETA A AUTOESTIMA?

COMO UM DIAGNÓSTICO DE TDAH AFETA A AUTOESTIMA?

Para a maioria dos adultos e muitos adolescentes saber que o TDAH é a raiz de suas lutas é um alívio. É o que diz a psicóloga e autora Sharon Saline, PsyD, após os 30 anos de trabalho com crianças e adultos com TDAH. Para as crianças, a reação é outra: elas não querem ser diferentes dos amigos. O conceito de um distúrbio de função executiva muitas vezes é complexo demais para elas entenderem.

“Eu acho que muitos adultos se sentem aliviados quando recebem um diagnóstico de TDAH”, diz Saline. “Isto coloca um nome nessas diversas experiências que eles vivem. Mostra uma razão para o que está acontecendo. Eles não são verdadeiramente loucos, preguiçosos, tolos ou ineficientes. Eles têm algo diferente na sua neurobiologia que contribui para as dificuldades que tiveram em viver vidas eficazes e recompensadoras ”.

As crianças, no entanto, ainda estão desenvolvendo as experiências que irão utilizar quando adultas, diz ela, e isso faz com que seu conceito sobre o que significa ter TDAH seja diferente do ponto de vista de um adulto.

“Crianças ainda não têm capacidade de olhar para si mesmas”, diz ela. “Elas estão no meio dessas lutas e comparando-se ativamente com seus pares. As crianças querem ser como as outras crianças. E quando há um diagnóstico ou um rótulo, elas sentem que há algo errado com elas, principalmente, quando veem outras crianças vivendo mais facilmente do que elas”.

TDAH e a autoestima

As lutas que surgem no crescimento com TDAH podem prejudicar a autoestima de uma pessoa, tornando mais difícil para ela assumir riscos em amizades e relacionamentos, educação, carreira e no trabalho. Sem correr esses riscos, pode haver um movimento limitado ou nenhum movimento para frente.

“Quando você tem uma autoestima saudável, você se sente bem consigo mesmo e se vê como merecedor do respeito dos outros”, segundo os especialistas da Mayo Clinic. “Quando você tem baixa autoestima, você coloca pouco valor em suas opiniões e ideias. Você se preocupa e pensa constantemente que não é bom o suficiente.

A Dra. Saline ajuda seus pacientes jovens a construir sua autoestima, concentrando-se no desenvolvimento de habilidades para ter sucesso com seus sintomas, ao invés de olhar para o TDAH como uma falha pessoal. Ela geralmente evita usar o termo “TDAH” com seus pacientes mais jovens, deixando a decisão para seus pais. Em vez disso, ela pede a eles para inventar um nome para o tipo de cérebro que eles têm.

“Eles criam um nome para o cérebro relacionado ao modo como experimentam o TDAH”, diz ela. “No meu consultório, eu me refiro a ele como chamador de atenção ou cérebro veloz. Nós dizemos: “Você tem um cérebro super criativo. Você tem muitos pensamentos ao mesmo tempo. Vamos chamá-lo de um cérebro de muitas ideias.”

A Dra. Saline diz que muitas vezes os adolescentes sentem algum alívio, mas ainda preocupam-se que o TDAH os separe de seus amigos ou os impeça de alcançar seus objetivos. Ela os ajuda a identificar modelos, como Simone Biles ou Michael Phelps, e outras pessoas que têm TDAH.

“O objetivo é como você pode aceitar o cérebro que você tem e trabalhar com ele”, diz ela.

Construindo a autoestima

As crianças precisam ouvir três comentários positivos ou de apoio para cada comentário negativo ou prejudicial. A Dra. Saline fez sua própria pesquisa informal sobre quantos comentários negativos uma criança ou adolescente recebe, em comparação com os positivos. Sua estimativa: para cada 15 comentários negativos que uma criança com TDAH recebe, há apenas um comentário positivo.

“Se você é uma criança e recebe a mensagem de que está perdendo pontos várias vezes, você internaliza essa voz”, diz ela. “Você pode imaginar o que isso significa para a confiança de alguém.”

Os pais podem fazer muito para neutralizar essa perda de autoestima, diz a Dra. Saline. Ela chama de abordagem dos “5Cs” da parentalidade:

– Auto Controle: Aprenda a administrar primeiro seus próprios sentimentos para poder agir de maneira eficaz e ensinar seu filho a fazer o mesmo.

– Compaixão: Veja seu filho onde ele está, não onde você espera que ele esteja.

– Colaboração: trabalhe junto com seu filho e seu par para encontrar soluções para os desafios diários, em vez de impor suas regras a eles.

– Coerência: Faça o que você diz que vai fazer – frequentemente.

– Celebração: Reconheça o que está funcionando e faça mais isso, dia após dia.

“A celebração é reconhecer e validar os passos positivos que você vê. Quando você reconhece e valida seus sucessos e esforços, você está melhorando sua autoestima. Você está alimentando sua resiliência e autoconfiança. ”

Quando um diagnóstico de TDAH é finalmente feito, a Dra. Saline diz que devemos oferecer a oportunidade de entender melhor o passado e, em seguida, colocar em prática o apoio acadêmico e comportamental que fará a diferença daqui para frente. Criar oportunidades para o sucesso pode ajudar a reconstruir e fortalecer o senso de autoestima de uma criança ou adolescente.

“Uma das coisas mais importantes depois de ter um diagnóstico de TDAH é aprender a como lidar com as habilidades e as emoções”, diz ela.

A autoestima é um processo

Um diagnóstico é apenas o começo do processo para ajudar a fortalecer a autoestima. Ele nos esclarece por que existem as dificuldades e nos dirige para o que pode ser feito para enfrentar esses desafios.

“Os adultos têm que processar anos de vergonha e pesar, e até auto-aversão, que eles internalizaram”, diz a Dra. Saline. “Com crianças, podemos ajudá-las a evitar um pouco disso. Eu gostaria que as pessoas realmente percebessem o que elas gostam em si mesmas. Sinta isso e viva o máximo que puder.”

A Dra. Saline diz que espera que as pessoas com TDAH experimentem seus talentos e pontos fortes junto com seus sintomas de TDAH como parte de um cenário maior – e com um pouco de humor.

“Eu gostaria que eles pudessem dizer:” Sim, assim é como eu sou. Eu sou muito bom nisso, mas eu não sou tão bom naquilo. E é por isso que tenho sistemas personalizados e pessoas que me ajudam “, diz ela.

Fonte:

Artigo adaptado e traduzido do texto publicado no CHADD, ADHD Weekly, em 08 de Agosto, 2019

https://chadd.org/adhd-weekly/how-does-an-adhd-diagnosis-affect-self-esteem/

 

 

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TDAH HACKATHON – APROFUNDANDO O OLHAR PARA O APLICATIVO FOCUS

TDAH HACKATHON – APROFUNDANDO O OLHAR PARA O APLICATIVO FOCUS

Participe de uma experiência de cocriação e design de solução digital para aprimoramento do app Focus.

Público-alvo: profissionais e estudantes da área da saúde, comunicação, informática e áreas afins, pacientes com TDAH e seus familiares.

Programa:

Etapa 1: 13 e 14 de Setembro 2019

Sexta

18h00 – Abertura

18h30 – TDAH Talk

19h30 – Intervalo

19h45 – Formação dos grupos

20h00 – Dinâmica Entender I

21h00 – Encerramento

 

Sábado

09h00 – Abertura

09h15 – Dinâmica Entender II

10h15 – Intervalo

10h30 – Dinâmica Entender II

11h30 – Dinâmica Experimentar

12h00 – Intervalo de almoço

13h30 – Dinâmica Cocriar

15h00 – Oficina de pitch

16h00 – Demo day

16h45 – Intervalo – banca

17h15 – Anúncio dos finalistas e encerramento

 

Etapa 2: 7 de Dezembro 2019

Sábado

09h00 – Abertura

09h15 – Dinâmica Prototipar I

10h15 – Intervalo

10h30 – Dinâmica Prototipar II

12h30 – Intervalo de almoço

14h00 – Dinâmica Validar

15h30 – Apresentações

16h30 – Intervalo – banca

17h00 – Anúncio dos ganhadores e encerramento

 

*Inscrição gratuita*

Vagas limitadas

R$ 10.000,00 para a equipe vencedora

Inscreva-se: www.fundacaomedicars.org.br

 

Informações:

eventosfundmed@hcpa.edu.br

Fone: (51)3332.6840

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RAZÕES PELAS QUAIS É DIFÍCIL MANTER AMIGOS QUANDO VOCÊ TEM TDAH

RAZÕES PELAS QUAIS É DIFÍCIL MANTER AMIGOS QUANDO VOCÊ TEM TDAH

Fazer amigos e manter amizades pode ser uma luta para adultos com TDAH. Cynthia Hammer, coach de TDAH, fornece algumas informações sobre relações sociais e TDAH, além de dicas para ajudá-lo a melhorá-las.

Por que as amizades são difíceis quando você tem TDAH

Uma das melhores maneiras de encontrar a felicidade em sua vida é através de amizades próximas. Mas se você tem TDAH, já sabe que encontrar e manter essas amizades pode ser muito mais difícil do que parece.

Hammer diz que muitas vezes ficamos tão envolvidos em nossas próprias vidas, na tentativa de gerenciar tudo o que está acontecendo, que, muitas vezes, deixamos de pensar nos outros e o que poderíamos fazer por eles.

Seguem algumas razões pelas quais Hammer diz que o TDAH pode causar problemas para manter amigos:

Você se sente sobrecarregado. Quando estamos sobrecarregados, até pensar em fazer mais uma coisa é demais. Se essa “mais uma coisa” for para outra pessoa, ela pode facilmente nunca chegar aos nossos radares pessoais.

Você acha que não é importante. Nós nos convencemos de que as amizades não são importantes, ou acreditamos que a oportunidade de mostrar a um amigo que nos importamos com ele e que ele é importante para nós vem e vai frequentemente. Assim, parece não importar se você sente falta de alguns deles. Mas amigos que não se sentem reconhecidos e apreciados podem cair no esquecimento e, possivelmente, se questionem: “O que há nessa relação para mim?”

Você fica entediado. Algumas pessoas com TDAH gostam de ter amigos, mas muitas vezes se sentem entediadas com eles, precisando de uma pausa. Elas acham difícil ser consistente em desfrutar regularmente de sua companhia, lhes dando atenção e mostrando boa vontade.

Você dá preferência a interesses em detrimento das pessoas. Às vezes, permitimos que algo tenha maior prevalência em relação a como usamos nosso tempo. Por exemplo, você pode optar em aprender a usar um novo videogame a ir ao cinema com um amigo, se isso lhe interessar mais.

Você é inconsistente. Comportamento instável e irregular, como agir como se você quisesse estar com alguém um dia, mas depois não querer vê-lo novamente por vários meses, não é a maneira de lidar com amizades. A pessoa que tem esse tipo de amizade pode se sentir usada e achar que você só entra em contato com ela quando não tem nada melhor a fazer.

Você tem uma memória fraca. Um desafio adicional para muitas pessoas com TDAH é uma memória fraca. Quais são os nomes dos três filhos do seu melhor amigo? Quem está para ganhar bebê? Ser informado desses tipos de detalhes pessoais e depois não se referir a eles em conversas futuras representa um enorme obstáculo para a criação de relacionamentos de longo prazo.

As pessoas querem sentir que são importantes – que suas atividades, sucessos e fracassos são compartilhados e valorizados por seus amigos. Amigos que consistentemente dizem “não me lembro disso” ou “esqueci que você me disse isso” dão a impressão de que eles não se importam o suficiente para lembrar.

Você evita assuntos que são importantes para seus amigos. Se você evitar certos assuntos porque não se lembra de informações importantes, dificilmente criará um relacionamento de longo prazo. Quando você é incapaz de compartilhar memórias e detalhes do seu tempo juntos, você dá a impressão de que não está realmente interessado em seus amigos e não valoriza a amizade deles.

7 maneiras de melhorar suas relações sociais

De acordo com Hammer, estes são os passos que você pode seguir para melhorar suas amizades:

Estar ciente. O primeiro passo para melhorar as interações sociais é tornar-se consciente de que o que você está fazendo é prejudicial. Monitore-se. Você está ouvindo ativamente? Caso contrário, comprometa-se com o fato de que, no próximo mês, você se concentrará completamente em ser um bom ouvinte. Se você disser alguma coisa, será apenas para fazer uma pergunta simples e curta, para esclarecer ou expandir o que o orador está dizendo.

Repita. Se você está ouvindo uma outra pessoa, ocasionalmente pergunte se você pode repetir o que ouviu e, em seguida, faça isso de forma simples e concisa. Não adicione nada. Dê a ela uma chance de dizer se você entendeu corretamente o que ela disse e, em seguida, deixe-a prosseguir enquanto você retorna ao seu papel como o bom ouvinte. Pratique, pratique, pratique estas habilidades.

Não interrompa. Você está interrompendo os outros? Mais uma vez, a conscientização é a chave. Torne-se consciente de si mesmo em suas interações. Se você está interrompendo as pessoas, tome medidas para parar. Quando você sentir este desejo, tome um gole de água, faça uma anotação, respire fundo e segure por um segundo, ou pense em “relaxar”. Não interrompa, mas, se o fizer, reconheça imediatamente, peça desculpas por interromper e incentive o orador a prosseguir.

Atenha-se ao tópico em questão. Se você tiver a tendência de mudar de assunto e sair por uma tangente não relacionada, conscientize-se e pare. As pessoas não apreciam e não veem isto com bons olhos.

Decida o quanto você valoriza suas amizades. O ato de prestar atenção suficiente aos seus amigos reflete no quanto você quer melhorar seus relacionamentos. Quanto você valoriza ter boas amizades e o que você está disposto a fazer para obter e mantê-las? Boas amizades não acontecem simplesmente. Eles demandam carinho e cuidado. Você está disposto a fazer o que é necessário? Você fará das boas amizades e relacionamentos uma prioridade? Quando você tem a escolha entre aprender sobre o seu novo computador e ir a um cinema com um amigo, você vai colocar um valor maior em conviver com o amigo por causa da recompensa a longo prazo? A escolha é sua.

Organize-se para nutrir seus relacionamentos. Quando estiver conversando com um amigo, faça planos para a próxima vez em que vocês se reunirem, se comprometa com ele e adicione o compromisso em seu calendário.

Aprenda a usar um App ou software que irá lembrá-lo de datas importantes, como aniversários, etc. Obtenha todas as informações de contato para cada um dos seus amigos salvos no seu celular. Compre cartões e selos variados para fazê-lo lembrar facilmente dos aniversários. Ao fazer compras, pegue alguns itens que você pode usar como presentes inesperados para seus amigos. Ou compre ingressos para alguma atividade e peça para eles irem com você.

Deixe seus amigos saberem o quanto eles significam para você. Propositadamente, diga-lhes o quanto você aprecia a amizade deles, o quanto você aproveita o tempo que passam juntos e o quanto está ansioso para marcar algo numa próxima oportunidade. Não deixe passar muito tempo sem entrar em contato com aqueles cuja amizade você mais valoriza.

Dicas para lidar com a falta de memória

É um dos desafios mais difíceis listados aqui e, infelizmente, a falta de memória não vai desaparecer, diz Hammer. Seguem estratégias para minimizar o impacto:

Anote sobre seus amigos, incluindo seus gostos, interesses, relacionamentos importantes e atividades, e revise-os antes do próximo encontro.

Inscreva-se em um serviço que enviará cartões de aniversário e outros eventos importantes para você. Você pode configurá-lo para o ano inteiro de uma só vez.

Anote os nomes de quem você conheceu recentemente e revise-os ocasionalmente.

Prepare-se antes de se encontrar com alguém que você não vê há algum tempo. Pergunte sobre o que você sabe que é importante para ele e o que está acontecendo em sua vida. Demonstre que você se lembra de detalhes importantes das coisas que ele lhe contou.

As pessoas com TDAH têm muito a contribuir para relacionamentos – entusiasmo, criatividade, energia, humor e muito mais. Não esconda dos outros essas qualidades incríveis, não lhes dando a chance de conhecê-lo melhor.

Ao aprender e praticar técnicas simples para interações sociais saudáveis, você estará a caminho de uma recompensa de bons relacionamentos e de amizades consistentes.

Artigo traduzido e adaptado do Very Well Mind, escrito por Keath Low, em 31 de julho de 2019.

https://www.verywellmind.com/how-to-make-friends-when-you-have-adhd-20402?utm_source=NRC-CHADD+Master+List&utm_campaign=a5e9c73255-EMAIL_CAMPAIGN_2018_12_18_04_09_COPY_01&utm_medium=email&utm_term=0_2985b6fcb4-a5e9c73255-48366109

 

 

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O SEGREDO PARA SUPERAR A PROCRASTINAÇÃO

O SEGREDO PARA SUPERAR A PROCRASTINAÇÃO

Todos nós sucumbimos à procrastinação de tempos em tempos. Mas para as pessoas com TDAH, a tendência a adiar coisas pode se tornar especialmente problemática. Você provavelmente já descobriu que dizer a si mesmo que vai “fazer isso depois” é uma receita para o desastre. É provável que você não se lembre de que devia ter pago a conta ou feito o follow-up de um importante projeto no trabalho, até receber um aviso prévio pelo correio ou ter seu chefe “grudado” no seu pescoço.

O problema é que tendemos a pensar no ato de procrastinação como o problema quando, na verdade, é um efeito colateral.

Se estivermos dizendo a nós mesmos que o que estamos prestes a fazer é chato, sem sentido, problemático, ou que provavelmente falharemos, começaremos a experimentar sentimentos negativos como resultado. Em uma tentativa de aliviar esses sentimentos, evitamos ou adiamos o que precisamos fazer.

Para ilustrar esse ponto para meus clientes, peço que imaginem que recebem um telefonema meu numa manhã e que eu os convido para sair. Eu então digo a eles que essa será a coisa mais chata que já fizeram e que irão odiar cada minuto deste encontro.

É nesse momento que eu pergunto a eles quanto estão motivados para se encontrarem comigo. Eles riem e dizem: “Não muito”. Certamente!

Mesmo o meu cenário imaginário parecendo exagerado e ridículo, o fato é que fazemos isso o tempo todo!

Este ciclo de pensamento negativo compõe o que eu chamo de “Iceberg da Procrastinação”.

Para quem possui TDAH, reunir motivação para realizar uma tarefa é, muitas vezes, uma batalha difícil, mesmo nas melhores circunstâncias.

Quando você considera o efeito que essas crenças negativas têm sobre a motivação, não é de se admirar que muitas pessoas com TDAH também sofram de procrastinação.

A seguir, uma lista de gatilhos de procrastinação comuns e o que você pode fazer para superá-los:

“Eu não me sinto capaz”

Este é provavelmente o maior culpado quando se trata de procrastinação.

Como os portadores de TDAH tem muita dificuldade em manter o foco e acompanhamento, muitas vezes eles deixam as tarefas de lado e aguardam o “momento perfeito” para começar. Ou esperam para sentir o estresse e ansiedade até o último momento possível para impulsioná-los em uma ação, o que só cria um ciclo interminável de caos.

Você provavelmente nunca vai se sentir assim. Mas a boa notícia é que você não precisa sentir isto para executar uma tarefa.

Em vez de esperar pelo momento perfeito, prepare-se para o sucesso.

Faça um lanche; saia para uma caminhada rápida; comece com o que parece ser a parte mais fácil da tarefa primeiro; defina um cronômetro e trabalhe por 15 minutos; ouça uma música; mude o cenário; aproveite as horas do dia em que você tem mais energia.

“Há muitas etapas e tudo parece demais”

Se a tarefa/atividade parecer muito assustadora e você não souber por onde começar, pegue um pedaço de papel e escreva as etapas necessárias para concluí-la.

Escrever é importante, porque apenas o ato de colocar as ideias no papel e fora da sua cabeça, pode colocar as coisas em perspectiva. Os clientes sempre me dizem que, depois de mapearem as etapas em um papel, descobrem que a tarefa/atividade não é tão complicada quanto eles pensavam.

* O primeiro passo ainda parece muito grande? Divida-o ainda mais.

* Tem um e-mail que você adiou o envio? O primeiro passo poderia ser criar um rascunho e preencher o assunto.

* Quer organizar sua cozinha? Comece organizando uma gaveta, prateleira ou gabinete.

“Eu nunca fui bom nisso”

Eu ouço muito isso dos meus clientes. Infelizmente, muitas pessoas com TDAH têm histórias longas de se sentirem inadequadas e incapazes.

O primeiro passo para superar esses sentimentos é perguntar-se se é realmente verdade que você não é bom naquilo que você está fazendo.

Reserve um momento para pensar em situações em que você pode ter feito algo semelhante e obtido sucesso. Talvez você seja ótimo em organizar caixas na dispensa, mas colocar sua mesa em ordem foi um desafio.

Pergunte a si mesmo o que aconteceu com essa situação particular que lhe permitiu ter sucesso e pense em como você poderia abordar o novo projeto de maneira semelhante.

Se você não consegue lembrar de um sucesso passado, lembre-se: só porque você não teve sucesso no passado, não significa que você nunca terá.

Acolha o poder do “ainda”: “AINDA não obtive sucesso, mas estou trabalhando para melhorar”. Pense no que você poderia fazer diferente desta vez ou para quem você poderia pedir ajuda.

“Vai ser muito chato”

O tédio, ou mesmo a simples ameaça, é como criptonita para os cérebros dos portadores de TDAH.

Eu tenho clientes que me dizem que evitam chegar a compromissos com antecedência, pois temem ficar sentados na sala de espera sem nada para fazer.

Se você está adiando uma tarefa ou atividade porque está com medo de ficar entediado, pense em maneiras de torná-la mais divertida.

Talvez você possa criar uma playlist ou um audio book para quando estiver lavando a louça. Vá a um café ou restaurante favorito para trabalhar em seu relatório. Coloque uma música, dance, envolva um amigo … Seja o que for para mantê-lo ativo.

Da próxima vez que você quiser postergar uma tarefa, reserve um momento para se perguntar o que realmente está acontecendo.

O que você está dizendo a si mesmo? O que você está sentindo como resultado? Ansioso? Sobrecarregado? Confuso?

Depois de identificar a causa subjacente, você estará em uma posição melhor para tomar as medidas necessárias para superar a procrastinação e (FINALMENTE) fazer o que tem que ser feito.

Fonte:

Artigo adaptado e traduzido da matéria publicada em 16 de julho, 2019, no Psych Central.

Natalia van Rikxoort, MSW, ACC é assistente social, consultora de TDAH e coach. Sua prática, Lotus Life Coaching Services, fornece serviços de coaching para adultos, jovens e famílias impactados pelos desafios do TDAH e funções executivas.

https://blogs.psychcentral.com/navigating-adhd/2019/07/the-secret-to-overcoming-procrastination-is-exactly-what-you-think/

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HIPERFOCO EM TDAH

HIPERFOCO EM TDAH

O TDAH geralmente se manifesta como hiperatividade, impulsividade ou desatenção, o que gera a impressão de que a pessoa não consegue se concentrar. No entanto, isto é enganoso, porque o TDAH é um problema para regular a atenção, ao invés de uma falta de atenção. Algumas pessoas com essa condição podem apresentar hiperfoco.

O hiperfoco no TDAH é definido como a concentração intensa e sustentada em um único interesse ou projeto por um período prolongado de tempo. Pessoas que experimentam hiperfoco muitas vezes ficam tão absortas que bloqueiam o mundo ao seu redor.

Crianças e adultos com TDAH frequentemente exibem hiperfoco quando trabalham intensamente em coisas que lhes interessam. Em essência, o hiperfoco é o oposto de outro sintoma de TDAH: a distração. A pessoa que passa por um episódio de hiperfoco pode, às vezes, perder o interesse sem qualquer explicação.

O que faz com que o cérebro de TDAH seja hiperconcentrado?

Como a distração, acredita-se que o hiperfoco resulte de níveis anormalmente baixos de dopamina, um neurotransmissor particularmente ativo nos lobos frontais do cérebro. Essa deficiência de dopamina torna difícil “mudar o rumo” para assumir tarefas chatas, mas necessárias.

“Crianças e adultos com TDAH têm dificuldade em mudar a atenção de uma coisa para outra”, diz o especialista em TDAH Russell Barkley, Ph.D. “Se eles estão fazendo algo de que gostam ou se sentem psicologicamente recompensados, tendem a persistir nesse comportamento, diferente de outros sem TDAH que normalmente passam para outras assuntos. Os cérebros das pessoas com TDAH são atraídos por atividades que dão feedback instantâneo ”.

Na opinião de Larry Silver, MD, psiquiatra da Escola de Medicina da Georgetown University em Washington D.C., essa concentração intensa é, na verdade, um mecanismo de enfrentamento.

“É uma maneira de lidar com a distração”, diz Silver. “Os jovens com TDAH da Universidade me dizem que, intencionalmente, entram em um estado de foco intenso para fazer um trabalho. As crianças mais novas fazem a mesma coisa inconscientemente, quando estão fazendo algo prazeroso, como assistir a um filme ou jogar um jogo de computador. Muitas vezes nem sabem que estão se concentrando tão intensamente”.

O hiperfoco no TDAH é ruim?

Não há nada inerentemente prejudicial sobre o hiperfoco. Na verdade, isso pode ser um ativo. Algumas pessoas com TDAH, por exemplo, são capazes de canalizar seu foco em algo produtivo, como uma atividade relacionada à escola ou ao trabalho. Outros se permitem focalizar em algo como recompensa por completar uma tarefa chata, mas importante.

“Muitos cientistas, escritores e artistas com TDAH tiveram carreiras muito bem-sucedidas, em grande parte, por causa de sua capacidade de se concentrar no que estão fazendo por horas a fio”, diz Kathleen Nadeau, PH.D., psicóloga em Silver Spring, Maryland e autora de “ADD-Friendly Ways to Organize Your Life”.

“As crianças com TDAH costumam gostar do que é divertido e emocionante, e são contrárias a fazer coisas que não querem”, diz Joseph Biederman, chefe do programa de psicofarmacologia pediátrica do Massachusetts General Hospital, em Boston. “Combine isso com um gerenciamento de tempo ruim e problemas de socialização, ambos típicos de crianças com TDAH, e a criança pode acabar jogando Nintendo sozinha durante todo o final de semana”.

Adultos com TDAH contam histórias de reuniões ou prazos perdidos porque ficaram tão absortos em algo que perdem a noção do tempo. Em um caso extraordinário, citado por Nadeau, uma mulher com TDAH estava tão concentrada em um projeto que não percebeu que sua casa havia pegado fogo. “Foi só quando os bombeiros entraram na casa, procurando por alguém dentro, que ela olhou para cima e percebeu o que estava acontecendo”, diz Nadeau.

Dicas para gerenciar o hiperfoco

Uma vez que você aprende a transformar o hiperfoco a seu favor, este torna-se uma grande vantagem. Há várias histórias sobre indivíduos com TDAH que podem se concentrar intensamente por longos períodos de tempo em projetos complexos.

As dicas a seguir podem ajudar a tornar o hiperfoco mais gerenciável para crianças:

  • Realize um cronograma para controle de atividades que tendem a resultar em hiperfoco. Isso pode envolver limitar o tempo que elas passam assistindo televisão ou jogando videogames.
  • Tente conscientizar a criança de que o hiperfoco é um sintoma de sua condição. Isso pode ajudá-la a entender que precisa lidar com isso.
  • Use marcações de tempo finais, como o final de um filme, como um sinal de que a criança precisa reorientar sua atenção. Isso pode impedir que ela fique absorta por muito tempo.
  • Promova atividades que as afastem do isolamento e que a estimulem a conviver socialmente.

Estas dicas poderão ajudar os adultos:

– Defina tempo através de cronômetros e lembretes para ajudar a concluir todas as tarefas, atividades ou trabalhos essenciais.

– Estabeleça prioridades e as alcance passo a passo. Isso evita focar em apenas uma atividade por muito tempo.

– Não tenha medo de pedir às pessoas nas proximidades para desligarem televisões ou outras distrações, se ficar evidente que o hiperfoco está começando a se instalar.

– Solicite às pessoas que telefonem ou enviem e-mails em horários específicos. Isso pode ajudar a quebrar períodos intensos de foco.

Tomar medicamentos para tratar a condição geral também pode ajudar a aliviar o hiperfoco, bem como outros sintomas.

Obs: É importante ressaltar que o Manual Diagnóstico e Estatístico da 5ª Edição (DSM-5) da Associação Americana de Psiquiatria não relaciona o hiperfoco entre seus critérios diagnósticos para TDAH.

Fonte:

Texto traduzido e adaptado das seguintes publicações:

Medical News Today, em 8 julho 2019, por Amanda Barrell. Avaliado por Timothy J. Legg, PhD, CRNP https://www.medicalnewstoday.com/articles/325681.php

De Royce Flippin para Additude Magasin, 9 de Julho 2019.

https://www.additudemag.com/understanding-adhd-hyperfocus/

Keath Low para Very Well Mind. Em 12 de Julho, 2019.

https://www.verywellmind.com/hyperfocus-and-add-20464

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OS PAIS AMERICANOS SUPERESTIMAM OS SINTOMAS DE TDAH?

OS PAIS AMERICANOS SUPERESTIMAM OS SINTOMAS DE TDAH?

Um novo estudo descobriu diferenças entre países no relato dos pais sobre sintomas de TDAH.

Um estudo publicado no início de Julho no Journal of Cross-Cultural Psychology descobriu que os pais na Austrália e nos Estados Unidos eram mais propensos a relatar sintomas de TDAH em seus filhos pequenos do que os pais na Noruega e Suécia. O estudo também descobriu que os pais escandinavos tendem a “diagnosticar” o TDAH com mais precisão do que seus pares na Austrália e nos EUA.

Pesquisadores de saúde mental já sabem há algum tempo que o TDAH é diagnosticado com mais frequência em alguns países do que em outros. A taxa global estimada de TDAH é de 5,3% da população (MacDonald et al., 2019), mas a taxa americana é de 9,4% (Danielson et al., 2018). A taxa na Suécia é de apenas 3,7%.

Embora a existência de diferenças entre países esteja bem estabelecida, os pesquisadores não sabem como explicar estas diferenças. Talvez o TDAH realmente seja mais comum nos EUA do que na Suécia. Talvez os pais, professores e médicos suecos subestimam a prevalência real do distúrbio. Talvez os pais, professores e médicos americanos exagerem quanto ao diagnóstico. Ou talvez algo mais esteja acontecendo.

A psicóloga clínica Beatriz MacDonald, da Universidade do Novo México, reuniu uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos, Austrália, Noruega e Suécia. Eles sabiam de estudos anteriores que mostravam taxas de TDAH acima da média na Austrália e nos Estados Unidos, e taxas abaixo da média na Noruega e na Suécia. MacDonald e sua equipe pretendia replicar as descobertas anteriores e, mais importante, descobrir as razões para as diferentes taxas.

Antes de coletar qualquer dado, a equipe identificou cinco explicações possíveis para as diferenças do países.

Hipótese 1: O TDAH pode ser mais prevalente em alguns países e menos em outros.

Hipótese 2: o TDAH pode parecer mais ou menos prevalente porque os serviços de saúde nos países usam diferentes definições e parâmetros de TDAH.

Hipótese 3: O TDAH pode ser mais perceptível em crianças mais novas nos países que ensinam certas habilidades acadêmicas (como a leitura) aos pré-escolares. (Os Estados Unidos são um desses países; a Noruega e a Suécia não são.) Por quê? Porque os sintomas do TDAH – não prestar atenção e incomodar, por exemplo – são menos perceptíveis quando não se espera que as crianças fiquem paradas e se concentrem em seus estudos.

Hipótese 4: Pais, professores e médicos em alguns países podem subestimar a prevalência de TDAH. Por quê? Porque algumas culturas e sociedades estigmatizam os transtornos mentais da infância. Consequentemente, pais e cuidadores relutam em relatar casos potenciais de TDAH.

Hipótese 5: Pais, professores e médicos em alguns países podem superestimar a prevalência de TDAH. Por quê? Porque algumas culturas e sociedades veem comportamentos que fazem parte do repertório comportamental normal de crianças pequenas como patológicos. As pessoas que adotam essa “lente cultural” , às vezes, veem o TDAH quando ele não está lá.

Para testar essas hipóteses, MacDonald e sua equipe estudaram 974 crianças em quatro países: Austrália, Noruega, Suécia e Estados Unidos. Algumas das crianças tinham 5 anos e estavam na pré-escola. Outros tinham 7 anos e estavam na segunda série. Para estimar a prevalência de sintomas de TDAH nas crianças, os pesquisadores pediram a seus pais para completar uma parte da Escala de Avaliação de Comportamentos Disruptivos (Disruptive Behaviors Rating Scale – DBRR), uma medida confiável e válida usada em muitos países.

Cada pai avaliou seu filho em termos de 18 sintomas diferentes de TDAH, incluindo problemas para manter a atenção, não ouvir, distrair-se facilmente, ir embora, levantar-se da cadeira e deixar escapar respostas. Cada pai avaliou cada sintoma em uma escala de 4 pontos:

0 = nunca ou raramente

1 = às vezes

2 = frequentemente

3 = muito frequentemente

Para validar a avaliação dos pais, os pesquisadores administraram uma bateria de testes cognitivos nas crianças. Os testes mediram a memória verbal, velocidade de nomeação e habilidades de visão espacial. Segundo os pesquisadores, esses testes cognitivos são conhecidos por serem sensíveis ao TDAH; As crianças que realmente sofrem de TDAH apresentam um desempenho relativamente ruim nos testes.

A equipe de MacDonald realizou cinco descobertas interessantes:

  1. As amostras norueguesa e sueca não diferiram em nenhuma das medidas, então seus dados foram combinados em um único grupo escandinavo;
  2. Os escores das crianças pequenas com TDAH (com base nos resultados do DBRS dos pais) foram semelhantes aos resultados relatados em estudos anteriores: 4% na Escandinávia, 10% nos Estados Unidos e 11% na Austrália;
  3. Nos quatro países, os meninos apresentaram mais sintomas – e sintomas mais severos – do que as meninas. A diferença foi observada em ambos os grupos etários, 5 e 7 anos de idade;
  4. Em comparação com pais escandinavos, pais americanos e pais australianos relataram mais sintomas de TDAH em seus filhos. As diferenças entre os países foram observadas em ambos os grupos etários;
  5. Os julgamentos de TDAH de pais escandinavos correspondiam mais aos resultados objetivos de habilidades cognitivas do que os julgamentos de TDAH de pais na Austrália e nos Estados Unidos. Em outras palavras, os pais escandinavos tendem a ser mais precisos em seus “diagnósticos” dos casos reais de TDAH.

Dadas as descobertas de seu estudo de quatro países, o Dr. MacDonald e seus colegas conseguiram tirar conclusões preliminares sobre as hipóteses mencionadas anteriormente.

  • Não há suporte para a Hipótese 2. Os países estudados tinham diferentes taxas de prevalência de TDAH, mas as diferenças não podem ser explicadas pelo uso de diferentes instrumentos de medição, porque os pais dos quatro países usaram o mesmo instrumento para medir a frequência dos sintomas de TDAH;
  • Não há suporte para a hipótese 3. A prevalência de sintomas de TDAH em cada país não foi afetada, já que as crianças foram solicitadas a ficarem quietas nas aulas. Nos quatro países, as taxas de TDAH foram as mesmas para crianças em idade pré-escolar e segunda série;
  • Não há suporte para a hipótese 4. Os pais na Noruega e na Suécia não subestimaram os sintomas de TDAH porque suas classificações combinavam com os resultados dos testes cognitivos melhor do que as classificações dos outros pais;
  • Bom suporte para a Hipótese 5, de que alguns países superestimam a prevalência de TDAH. Em comparação com os pais escandinavos, os pais americanos e australianos tendem a “ver” o TDAH em crianças que, de acordo com testes cognitivos, provavelmente não tem TDAH.

MacDonald e sua equipe concluíram seu estudo com um alerta: “É possível que o TDAH esteja sendo superdiagnosticado em alguns países, como os Estados Unidos e a Austrália”. Dada a relação entre um diagnóstico de TDAH, tratamento químico e aumento dos custos médicos, pais de crianças pequenas podem querer pensar duas vezes antes de embarcar neste trem.

Fonte:

Postado 01 de jul de 2019, por Lawrence T. White Ph.D., Psychology Today

https://www.psychologytoday.com/us/blog/culture-conscious/201907/do-american-parents-overreport-symptoms-adhd

Referências:

Danielson, M., and 5 others. (2018). Prevalence of parent-reported ADHD diagnosis and associated treatment among U.S. children and adolescents, 2016. Journal of Clinical Child & Adolescent Psychology47 (2), 199-212. DOI: 10.1080/15374416.2017.1417860

MacDonald, B., and 6 others. (2019). Cross-country differences in parental reporting of symptoms of ADHD. Journal of Cross-Cultural Psychology. DOI: 10.1177/0022022119852422

Comentário do Professor Luis Augusto Rohde – coordenador do PRODAH: estudo interessante, mas cuidado que testes neuropsicológicos não dão diagnóstico de TDAH e nem podem ser usados para identificar o diagnóstico como valido. Teria sido mais interessante e metodologicamente adequado se os pesquisadores tivessem avaliado o relato dos pais contra medidas cegas coletadas pelos pesquisadores de prejuízo funcional na vida da criança.

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COMO A ADVERSIDADE PRECOCE SE RELACIONA COM A ATIVIDADE CEREBRAL ANOS DEPOIS

COMO A ADVERSIDADE PRECOCE SE RELACIONA COM A ATIVIDADE CEREBRAL ANOS DEPOIS

Em janeiro de 2019, o governo dos EUA informou que cerca de 3.000 crianças foram separadas à força de seus pais que migravam pela fronteira americana com o México e foram colocadas em abrigos de detenção ou assistência social. Muito do que os cientistas sabem sobre como o desenvolvimento do cérebro em crianças é prejudicado por experiência adversas de vida vem de estudos sobre órfãos romenos que sofreram grave negligência sob o governo do ditador romeno comunista Nicolae Ceausescu.

A pesquisa mais recente de cientistas que rastreiam o desenvolvimento neurológico dessas crianças, publicado na revista Developmental Science mostra que interrupções do cuidador produzem efeitos prejudiciais na função cerebral de uma criança, evidenciada pela análise de eletroencefalograma após as crianças chegarem à adolescência (16-17 anos). Os novos dados mostram que as melhorias na atividade elétrica cerebral vistas após órfãos terem sido retirados de orfanatos e colocados em lares adotivos foram revertidas quando o lar adotivo foi descontinuado.

Este mais recente relatório é uma continuação de um longo estudo longitudinal dos órfãos romenos por Charles Nelson, do Hospital Infantil de Boston, Nathan Fox, da Universidade de Maryland, College Park, Charles Zeanah, da Universidade de Tulane, e os co-autores Ranjan Debnath e Alva Tang, da Universidade de Maryland. Esta pesquisa estudou os efeitos do cuidado parental no desenvolvimento do cérebro usando um delineamento experimental randomizado, como nos estudos sobre medicações . Os órfãos foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: os que permaneceram institucionalizados ou os que foram colocados em lares adotivos. Cento e trinta e seis crianças pequenas, entre 6 e 31 meses de idade, de orfanatos em Bucareste, Romênia, participaram do estudo. Sessenta e oito das crianças foram designadas aleatoriamente para lares adotivos e 68 crianças foram designadas para continuar nos cuidados institucionais. O desenho de estudo longitudinal e randomizado (significando que as mesmas crianças foram seguidas ao longo do tempo) fornece a abordagem experimental mais rigorosa possível, mas levantou questões éticas difíceis.

O estudo relatou anteriormente que a análise EEG das ondas cerebrais dos órfãos indica que a atividade elétrica do cérebro se desvia significativamente das crianças neurotípicas. Outras pesquisas documentaram atrasos no desenvolvimento e prejuízos psicológicos e neuroanatômicos nessas crianças. Os órfãos têm baixo poder de ondas cerebrais alfa e beta e maior poder de ondas cerebrais teta do que controles (normalmente crianças da mesma idade criadas dentro das suas famílias). Estas são diferentes bandas de frequência das oscilações das ondas cerebrais, aumentando a frequência de oscilação de teta (4-7 Hz) para alfa (8-13 Hz) para ondas beta (14-25 Hz).

Essa assinatura alterada do EEG tem sido associada ao TDAH, distúrbios de aprendizagem, transtornos de comportamento disruptivo e fatores de risco psicossociais. No entanto, órfãos que foram colocados em lares adotivos mostraram EEGs (eletroencefalogramas) normais quando avaliados 12 anos depois, enquanto aqueles que permaneceram em instituições ainda tinham essas características anormais em seu EEG.

Este estudo de acompanhamento confirmou que a colocação dos órfãos em um lar adotivo restaurou o eletroencefalograma ao normal, acrescentando que esta melhoria persiste no cérebro adolescente. Mas também descobriu que as interrupções no lar adotivo, incluindo a mudança de lares adotivos ou a reunificação com suas famílias biológicas, reverteram os benefícios.

Um número maior de interrupções no cuidado adotivo foi associado ao aumento do poder teta e à diminuição do poder alfa, um padrão de atividade cerebral frequentemente observado em crianças que vivem em ambientes empobrecidos. Os autores concluem que interrupções em um ambiente familiar estável influenciam negativamente a atividade elétrica cerebral em crianças, com efeitos que podem persistir no cérebro adolescente.

Os autores caracterizam essas diferenças no poder do EEG como uma indicação de um estágio imaturo do desenvolvimento do cérebro,. Deve-se notar, no entanto, que as diferenças no traçado do EEG e na função cerebral são variáveis que se correlacionam, não há necessariamente uma relação de causa e efeito. Existem muitas variantes normais da atividade EEG, incluindo baixo poder de onda alfa, que são, em parte, geneticamente determinados.

Em segundo lugar, o poder do EEG medido com eletrodos no couro cabeludo é afetado por diferenças na densidade do crânio, que pode ser influenciada por condições adversas. Ondas cerebrais penetram o crânio em diferentes extensões, dependendo da sua frequência de oscilação.

Finalmente, caracterizar essas diferenças nas funcionalidades das ondas cerebrais como sendo prejudiciais também depende da correlação. Precisamente como o poder da onda alfa, por exemplo, se correlaciona com as consequências prejudiciais da experiência adversa na infância, não é certo. Uma interpretação alternativa poderia ser que as mudanças na função cerebral subjacentes a essas diferenças no EEG são adaptações aos diferentes ambientes que as crianças experimentam. Por exemplo, uma maior vigilância pode ser uma adaptação benéfica para um ambiente novo, estressante ou instável, e tais alterações no cérebro da criança podem ter efeitos em seu EEG.

No entanto, essas mudanças na atividade elétrica no cérebro adolescente correlacionam-se com o rompimento de um ambiente familiar normal que pode ser revertido devolvendo-se a criança a um ambiente familiar sadio, desde que seja estável.

Não há dúvida, no entanto, que a instabilidade no ambiente doméstico de uma criança, produzida pela separação de crianças de seus pais, afeta o desenvolvimento do cérebro e a atividade elétrica de maneiras que podem persistir até a adolescência. Neurocientistas aprenderam muito estudando a situação trágica dos órfãos romenos – lições que podem se conectar com as experiências de outras crianças separadas de seus pais.

Artigo adaptado e traduzido de R. Douglas Fields, Ph.D., que leciona na Universidade de Maryland, College Park e é o autor do livro Why We Snap. Postado em 2 de junho, 2019. https://www.psychologytoday.com/za/blog/the-new-brain/201906/how-early-adversity-relates-brain-activity-years-later?amp

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