skip to Main Content
focus_logo_azul

Desenvolvido por

PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

COMO CONVERSAR COM MEMBROS DA FAMÍLIA SOBRE A SAÚDE MENTAL DO SEU FILHO?

COMO CONVERSAR COM MEMBROS DA FAMÍLIA SOBRE A SAÚDE MENTAL DO SEU FILHO?

Muitas vezes, pais podem precisar de uma ajuda extra na hora de cuidar dos filhos. Seja durante as horas de trabalho, finais de semana ou feriados. Nesses momentos, além das creches ou babás, os pais também podem contar com a ajuda dos avós ou de outros membros da família. No caso de crianças com problemas de saúde mental ou de comportamento, é necessário que os cuidadores estejam orientados quanto aos desafios, os esquemas terapêuticos e a forma de lidar em diferentes situações.

Quando o assunto é saúde física ou emocional, a constância no tratamento é fundamental. Assim como ela é necessária em problemas como asma e diabetes, ela também é importante na depressão, ansiedade ou no TDAH. Apesar disso, nem sempre é claro para os pais que eles devem compartilhar as dificuldades psiquiátricas dos seus filhos com outros membros da família da mesma forma como é feito para outras condições médicas. Seja por conta do estigma, vergonha ou ausência de um plano de abordagem consistente.

A falta de consistência é uma das razões para que ocorra falha no tratamento. É necessário que haja consistência na abordagem entre os diferentes ambientes –como dentro de casa ou na escola- e entre os cuidadores. Isso ajuda na identificação de comportamentos negativos e no reforço e promoção dos comportamentos positivos.

Descrevemos abaixo algumas dicas que podem ajudar na orientação e no preparo dos avós ou de outros familiares que irão se responsabilizar pelo cuidado da criança:

  1. Entender os desafios

Conforme descreve o Dr. Stuart Ablon em seu modelo colaborativo de resolução de problemas, as crianças – independente da dificuldade- querem agradar seus pais, atender as expectativas e serem amadas e admiradas. Contudo, quando as crianças se comportam de forma opositora, desafiante, mal-humorada ou distanciada, é comum assumir que elas estejam agindo propositalmente, que estão escolhendo confrontar e agir contra as expectativas. Na maioria das vezes esse não é o caso; e agir conforme essa suposição pode dificultar as coisas. Quando as crianças não se comportam conforme o esperado, isso frequentemente se deve à falta de habilidade e não de vontade. As crianças tendem a se comportar bem se elas conseguem. De forma similar, crianças com problemas de saúde mental podem ter pouca habilidade para se comportar conforme as normas e é importante que nós achemos formas de ajudá-las. Esse é um conceito muito importante que deve ser trazido sempre à tona.

No caso de crianças com TDAH por exemplo, pode parecer que elas não estejam prestando atenção de proposito, ou que também estejam se negando a fazer aquilo que lhes foi solicitado. É preciso que esse comportamento seja explicado para evitar mal-entendidos.

  1. Romper o estigma de doenças mentais

Ainda que mitos sobre transtornos psiquiátricos derivem de crenças culturais, da falta de conscientização pública ou de um histórico de estigmatização, doenças de saúde mental estão entre as condições médicas mais comuns ao redor do mundo. Buscar fontes de informação junto do pediatra ou do psiquiatra, ler artigos sobre os desafios enfrentados por seu filho, podem ajudar na hora de explicar para os avós sobre o transtorno e a forma como ele pode se manifestar.

Além de os instruir quanto informações básicas ou orientá-los quanto a fontes confiáveis de informação, ajude-os a sentir empatia com seu filho. Explique que as dificuldades que seu filho apresenta não são culpa de ninguém- nem do seu filho, sua ou deles-. Oriente-os que existe tratamento e que os desfechos podem ser tão bons quanto tratar outros problemas de saúde física comuns, como enxaqueca, problemas gastrointestinais, etc.

  1. Empoderando cuidadores com o tratamento

Toda criança com um ou mais problemas de saúde mental deve ter um esquema terapêutico. Isso idealmente inclui alguma estruturação do dia (hora de acordar, de ir pra cama, hora de fazer os temas de casa, tempo de televisão), dose e hora de tomada da medicação, bem como abordagens terapêuticas que podem ser aprendidas (ex. terapia cognitivo comportamental, meditação). É importante também ter para quem ligar em situações de emergência, saber como lidar com emoções ou comportamentos desafiantes (como conversar, intervalos, tempo para ficar sozinho no quarto). Idealmente essas coisas devem estar escritas tanto para os pais quanto para quem for cuidar da criança (avós, professores) e até mesmo para a criança.

Uma vez que o esquema terapêutico esteja bem esclarecido, a chance de sucesso é maior e o risco de se desviar do esquema é diminuído.

  1. Esclarecer que todos somos parte do problema e da solução

Todas as doenças no geral, sejam físicas ou emocionais, tem bases biológicas, psicológicas e ambientais. Por conta disso, nós podemos ter controle sobre muitos fatores causadores ou agravantes do problema.

Crianças e adolescentes tendem a viver em ambientes complexos, cheios de desafios, e ambos os pais ou avós podem ajudar a suavizar ou exacerbar o estresse que afeta o transtorno ou dificuldade da criança.

Se nós aceitarmos isso, podemos fazer duas coisas. Primeiro, nos tornamos responsáveis pelo nosso comportamento e nos vermos como agentes de mudança. Segundo, isso nos faz dividir a responsabilidade do problema, nos abstendo da tendência de ver a criança como “o problema”.

Rótulos negativos tem poder imenso e são muito danosos. Muitas crianças que sofrem de problemas de saúde mental lidam com baixa autoestima. Elas sofrem com sentimentos de inadequação, fracasso, medo de rejeição, o que pode fazer com que elas se vejam como debilitadas e culpadas, fazendo-as incorporar essas visões negativas na sua identidade.

Esse é uma das razões importantes que diferencia doenças de saúde mental de doenças físicas. É raro uma doença de origem física como hipertensão, diabetes ou asma gerar rótulos para a  criança de “deficiente”. Nós podemos fazer melhor por elas e redefinir o conceito de saúde mental, começando por conversar abertamente com nossa família e comunidade.

  1. Explicar o que funciona para cada criança ou irmão

Toda criança ou adolescente é diferente e assim também são os problemas de ordem mental. Além disso, algumas crianças podem ter mais de um transtorno. O TDAH por exemplo frequentemente vem associado com depressão, ou ansiedade. Cuidadores precisam entender o que cada transtorno é e como ele se manifesta no seu filho. Pode ocorrer ainda de mais de uma criança na família sofrer com problemas de saúde mental, fazendo com que os cuidadores tenham de entender mais de um esquema terapêutico.

Também precisamos levar em conta como o problema de saúde mental de uma criança pode afetar o outro irmão que também precisa de atenção. É normal que se foque mais na criança com comportamentos mais desafiadores, porém isso pode fazer com que a outra criança se sinta excluída e até ressentida.

Para cada criança, é preciso levar em conta a sua personalidade: algumas crianças são mais passivas e isoladas enquanto outras são mais irritáveis e agressivas. Esses traços devem ser considerados na hora do cuidado. Os pais são especialistas em seus filhos e podem dar aos avós ou cuidadores dicas valiosas. Como por exemplo:

Algumas crianças podem ter dificuldade de seguir cronogramas e podem precisar de avisos ou alarmes para começar a próxima tarefa.

Se a criança se negar a fazer determinada tarefa, como o tema de casa ou desligar a TV, o que pode ajudar?

Quando você der alguma medicação, quanto tempo leva para ela fazer efeito?

  1. Encorajar a participação dos cuidadores na conversa

Certamente há muito o que dizer para membros da família para que eles entendam as dificuldades de saúde mental do seu filho. A melhor forma de fazer isso é se os cuidadores tiverem uma participação ativa na conversa.

Encoraje-os a fazer perguntas. Você pode tranquiliza-los dizendo que isso já foi -ou talvez ainda seja- uma novidade para você também.  Eles podem ter dúvidas sobre como lidar em situações de colapso nervoso, quando usar recompensas ou punições, o quão rígidos devem ser e quando as regras podem sofrer exceções.

Assim como você faria com seu filho, considere conversar mais de uma vez com os avós ou cuidadores. Tente fazer com que o esforço de cuidado seja mutuo, observando o que cada um vê ou faz com a criança. Também é bom receber feedbacks das crianças. Reuniões em família podem ser úteis e não precisam ser formais. Às vezes é bom conversar durante o jantar ou no carro.

Cuidar de crianças e adolescentes é um esforço coletivo. As crianças se saem melhor quando sabem que todos estão trabalhando juntos para o bem-estar e saúde de todos.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.psychologytoday.com/us/blog/inside-out-outside-in/202005/how-talk-family-members-about-kids-mental-health

 

Compartilhe com seus amigos!
MEU FILHO FOI DIAGNOSTCADO COM TDAH: é Culpa Minha?

MEU FILHO FOI DIAGNOSTCADO COM TDAH: é culpa minha?

Se seu filho tem TDAH, você pode pensar, mesmo que ocasionalmente, que suas capacidades como mãe ou pai têm algo a ver com o diagnóstico. Duas boas notícias com relação a isso:

1 – Você não está sozinho nesta interrogação
Uma recente votação realizada pelo Hospital da Universidade de Michigan apontou que quase dois terços das mães, com filhos entre 0 e 5 anos, se sentem culpadas por suas supostas incapacidades maternas. As questões que mais afligiam estas mães eram disciplina, dieta e sono.1 Então, não é difícil imaginar que pais e mães possam se sentir vulneráveis à culpa quando o filho é diagnosticado com TDAH.

2 – Sua culpa não tem evidência científica alguma.
TDAH é uma desordem médica, não causada pelos pais ou pela crescente velocidade do mundo contemporâneo. A influência genética do TDAH tem sido comprovada em graus similares ao de características físicas, como a altura: se duas pessoas altas com TDAH colocam seu filho recém-nascido para adoção, é muito provável que a criança se desenvolva alta e com TDAH. Ou seja, a causa não é a sua capacidade educacional.

Mesmo que não haja uma causa comprovada até o momento, os cientistas já sabem que diversos fatores podem influenciar o diagnóstico, incluindo muitos que estão fora do alcance dos pais, como genes e baixo peso no nascimento.2

O TDAH não afeta apenas a atenção, mas como também a parte do cérebro responsável pela autorregulação e senso de administração como um todo. Indivíduos com TDAH podem passar por desafios na escola, no trabalho e nos relacionamentos sociais. Estudos relacionam TDAH com acidentes de carro, obesidade, problemas para dormir e muitas outras questões cotidianas – não apenas em casa.

Família e TDAH

Mas, um lar caótico pode ou não pode agravar os sintomas?

Claro, assim como um ambiente tranquilo e agradável pode fazer bem aos portadores de TDAH ou para qualquer pessoa. Contudo, no que toca o uso de televisão, videogames, disciplina demais (ou de menos), fique tranquilo: não foi você que “criou” o TDAH em seu filho.

Bem, seu lar não desenvolveu o TDAH na criança, mas pode sim ser um fator decisivo no tratamento do seu filho. Aliás, um dos melhores presentes que você pode dar à criança é um casamento feliz. Isso é especialmente verdade se você tiver mais de um filho com TDAH ou se eles estiverem tendo problemas na hora de fazer amizades.

O desafio do casamento

Casais com filhos portadores do transtorno têm quase o dobro de chances de se divorciarem, em comparação a casais com filhos sem TDAH. Um estudo publicado em 2008 apontou uma razão simples, mas com um elevado grau de dificuldade na solução: ter uma criança com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade na família pode ser altamente estressante e elevar o número e a intensidade dos conflitos, tensões e discussões entre os pais.3

O divórcio não é inevitável de forma alguma (apesar das estatísticas), mas os pais precisam manter em mente que os desafios do casal serão maiores e que, para ajudar seu filho com TDAH, será necessário não apenas acompanhar a criança, mas como também o próprio casamento.

Converse com os médicos e terapeutas de seu filho sobre profissionais, grupos de apoio e associações capazes de lhe ajudar com o treinamento para pais. Estes projetos podem colaborar no aprendizado de fatores importantes, como estabelecer metas objetivas, expectativas consistentes e limites possíveis, encontrar as melhores maneiras para ensinar disciplina e ajudar a criança a aprender com os próprios erros.4

A criação de estrutura é outra questão crucial para qualquer família, mas, no caso do TDAH, a importância é ainda maior.
– Siga rituais simples para o horário das refeições, para ir para a escola, para fazer as tarefas escolares, para chegar em casa.
– Crie um espaço tranquilo e agradável para o relaxamento (fora do quarto de dormir).
– Mantenha sua casa sempre organizada.

Lembre-se sempre que os pais são os modelos das crianças. Faça o máximo que puder para se manter calmo, focado e positivo. Isso ajudará toda a família a responder apropriadamente aos desafios de viver com o TDAH.

1 MOTT POLL: NEARLY TWO-THIRDS OF MOTHERS “SHAMED” BY OTHERS ABOUT THEIR PARENTING SKILLS. C.S. MOTT CHILDREN’S HOSPITAL – MICHIGAN MEDICINE. Disponível em: https://www.mottchildren.org/news/archive/201706/mott-poll-nearly-two-thirds-mothers-“shamed”-others-about . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

2 DOES PARENTING PLAY A ROLE IN ADHD?. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/parenting-role-in-adhd#1 . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

3 WYMBS et al., 2008. Rate and predictors of divorce among parents of youth with ADHD. J Consult Clin Psychol., 76(5), 735–744. doi:10.1037/a0012719 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2631569/ . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

4 FOR PARENTS & CAREGIVERS. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/for-parents-caregivers.aspx . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

Compartilhe com seus amigos!
DEPENDÊNCIA DE NICOTINA E TDAH: QUAL A RELAÇÃO?

DEPENDÊNCIA DE NICOTINA E TDAH: QUAL A RELAÇÃO?

Adolescentes diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) têm mais probabilidade de se tornarem dependentes de nicotina do que jovens sem o diagnóstico do transtorno. Por quê?

Um estudo1 conduzido no Massachusetts General Hospital, em Boston, envolveu 166 jovens de 15 a 25 anos para medir a dependência da substância. O nível médio dos participantes com TDAH era o dobro dos participantes sem a desordem – o que sugere que portadores de TDAH têm o dobro de chances de se tornarem viciados ao experimentarem a droga.

Claro, o TDAH não foi o único fator encontrado para a elevação da dependência de nicotina. Jovens com pais fumantes, amigos fumantes ou que conviviam com fumantes tinham mais tendência à adição.

O líder do estudo, Dr. Timothy E. Wilens, alerta2 que estes fatores ambientais tinham ainda mais impacto nos participantes com TDAH. Isso pode significar que há uma mistura de elementos biológicos e ambientais trabalhando juntos no vício, diz o doutor.

Mesmo que não esteja claro o motivo desta correlação entre TDAH e nicotina, existe evidência de que a substância, em certo grau, age no cérebro humano da mesma forma que medicamentos estimulantes, comumente indicados no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.

É possível que os jovens estejam utilizando a nicotina como uma forma de automedicação, explica Dr. Wilens. Por isso, avisa o médico, pais de adolescentes diagnosticados com o transtorno precisam compreender a importância de não fumarem e de minimizarem os sintomas do TDAH nos jovens o máximo que puderem.

Nicotina e automedicação

A nicotina é um conhecido estimulante do sistema nervoso central e parece agir no cérebro da mesma forma que outros psicoestimulantes, como dissemos.

Um número considerável de estudos aponta que a nicotina é capaz de melhorar a atenção, diz o Dr. Scott Collins3, professor de psiquiatria e de psicologia médica da Universidade de Duke. Collins, que é diretor do programa de TDAH da instituição, alerta que “a nicotina tem muitos efeitos em diversos processos que podem estar prejudicados em indivíduos com TDAH, incluindo atenção, autocontrole e memória de trabalho”.

Por isso, explica o médico, “frequentemente, foi proposto que portadores de TDAH têm risco aumentado de se tornarem viciados, por causa dos efeitos da nicotina através de diversos processos cognitivos.”

É possível que a nicotina esteja sendo utilizada como um apoio para portadores de TDAH, como uma forma de compensar deficiências na atenção, estímulo e concentração. Pesquisas são necessárias nesta questão para compreender plenamente o efeito da nicotina nos sintomas de TDAH e como isso pode aumentar o risco da adição em jovens e adultos com a desordem.

Nicotina no cérebro

Uma pesquisa conduzida na Universidade de Duke4 chegou a um resultado surpreendente: o uso de adesivos de nicotina podia melhorar a atenção, a memória e a função cognitiva (esta última até mesmo em pacientes de Alzheimer).

A nicotina foi capaz de minimizar a confusão mental de indivíduos diagnosticados com esquizofrenia e outras desordens tratadas com medicamentos antipsicóticos (uma possível explicação para que uma grande parcela destes pacientes sejam dependentes de cigarros).

O líder deste estudo, o professor de psiquiatria da Duke, Amir Rezvani, administrou pequenas doses de nicotina em ratos com problemas de atenção – a droga foi capaz de levar o funcionamento cerebral de volta ao estado normal.

Então, os pesquisadores repetiram o teste em pacientes com Alzheimer e a capacidade de aprendizagem dos indivíduos melhorou.

A conclusão do estudo, obviamente, não é que devamos aplicar nicotina nas pessoas, não antes dos pesquisadores conseguirem remover o caráter viciante da substância, algo que estão desenvolvendo em laboratório3. A conclusão foi de que a nicotina é a substância mais aditiva que existe, diz Rezvani. Mais do que cocaína ou heroína.

Isso porque ela se combina com receptores para a acetilcolina, um dos mais importantes neurotransmissores do cérebro. Também, porque a nicotina é geralmente inalada e atinge o cérebro imediatamente. “No mesmo instante que você fuma, você sente a recompensa”, explica o pesquisador.

Fontes

1 TIMOTHY W et al. Cigarette Smoking Associated with Attention-Deficit Hyperactivity Disorder. J Pediatr. 2008 Sep; 153(3): 414–419. Doi: [10.1016/j.jpeds.2008.04.030]. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2559464/>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

2 ADHD TIED TO MORE SEVERE NICOTINE DEPENDENCE. REUTERS. Disponível em: <https://www.reuters.com/article/us-nicotine-dependence/adhd-tied-to-more-severe-nicotine-dependence-idUSTRE49T71920081030>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

3 THE CASE FOR NICOTINE. THE WASHINGTON POST. Disponível em: <https://www.washingtonpost.com/news/to-your-health/wp/2014/04/25/the-case-for-nicotine/?noredirect=on&utm_term=.7037d649343d>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

REZVANI AH et al. Cognitive effects of nicotine. Biological Psychiatry 49(3):258-67 · March 2001. DOI: 10.1016/S0006-3223(00)01094-5. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/12100639_Rezvani_AH_Levin_ED_Cognitive_effects_of_nicotine_Biol_Psychiat_49_258-267>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

Compartilhe com seus amigos!
ESTUDO REVELA PRIMEIROS RISCOS GENÉTICOS PARA O TDAH

ESTUDO REVELA PRIMEIROS RISCOS GENÉTICOS PARA O TDAH

Um time global de pesquisadores descobriu o primeiro fator genético de risco associado ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), uma desordem complexa que afeta uma média de 1 a cada 20 crianças (1).

A professora Anita Thapar, da Universidade de Cardiff, lidera um grupo de pesquisa de TDAH no Psychiatric Genomics Consortium. Ela explica que “este estudo marca um passo muito importante no começo da compreensão das causas genéticas e biológicas do TDAH”(2).
“As variáveis genéticas de risco relacionadas ao transtorno têm um papel significativo no cérebro e em outros relevantes processos biológicos. O próximo passo é determinar o papel exato destes genes no TDAH para nos ajudar a desenvolver tratamentos melhores, capazes de ajudar as pessoas afetadas pela condição”, aponta Thapar.
A equipe de pesquisadores analisou a informação genética de aproximadamente 20 mil pessoas com TDAH e de 35 mil pessoas sem o transtorno. Foi o maior estudo genético sobre o TDAH realizado até hoje. Os resultados foram recentemente publicados na Nature Genetics.
Dra. Joanna Martin, uma pesquisadora associada do MRC Centre for Neuropsychiatric Genetics and Genomics, da Universidade de Cardiff, explica que os investigadores identificaram 12 regiões genômicas em que indivíduos com TDAH diferiam dos indivíduos sem o transtorno. “Muitas destas regiões estão próximas ou em genes que possuem uma relação conhecida com processos biológicos que envolvem o desenvolvimento da saúde mental”, afirmou Martin.
Os pesquisadores compararam o risco genético para o diagnóstico do TDAH com marcadores genéticos associados aos sintomas de TDAH de quase 20 mil crianças e descobriram uma forte correlação entre os dois, de aproximadamente 97%.
“A correlação entre estas diferentes definições de TDAH sugere que o diagnóstico clínico pode ser o fim de uma distribuição contínua de sintomas na população geral”, afirmou Dra. Martin.

O professor Luis Augusto Rohde, coordenador geral do PRODAH e um dos autores do estudo, salienta que os dados revelados nos dão as pistas iniciais para quais são alguns dos responsáveis por algo que já se sabia há três décadas – a forte transmissão familiar associada a causas genéticas no TDAH.

OS MESMOS GENES AFETAM A IMPULSIVIDADE EM PESSOAS SAUDÁVEIS
No estudo, os pesquisadores descobriram que as mesmas variáveis genéticas que levaram ao diagnóstico do TDAH afetavam a desatenção e a impulsividade na população geral.
“As variáveis de risco estão espalhadas pela população. Quanto mais variáveis você tiver, maior sua tendência de ter sintomas ligados ao TDAH ou até mesmo desenvolver o próprio transtorno”, esclareceu o professor Anders Børglum, da Universidade de Aarhus. Ele foi um dos líderes do estudo.
“Também observamos a sobreposição com outras desordens e traços. Através disso, encontramos uma correlação genética entre TDAH e educação. Isso quer dizer que as variáveis genéticas que aumentam o risco do transtorno também influenciam a performance acadêmica negativamente na população geral”, explica Ditte Demontis, autora do estudo (3).
A pesquisa encontrou correlação entre TDAH e aumento de massa corporal e Diabetes tipo 2, o que significa que as variáveis que aumentam o risco para o TDAH também elevam o risco de obesidade na população.

A colaboração contou com grupos de pesquisa da Europa, da América do Norte e do Sul e da China. Estes grupos são parte do Psychiatric Genomics Consortium (PGC), bem como da Lundbeck Foundation Initiative for Integrative Psychiatric Research (iPSYCH), na Dinamarca.
A professora Anita Thapar celebra: “Este estudo é divisor de águas, porque envolve pacientes do mundo inteiro. Este grande número de amostras estava em falta nos estudos de TDAH e isso significa que nossa compreensão genética do transtorno estava atrasada com relação a desordens físicas e psiquiátricas, como esquizofrenia e depressão. Graças, em parte, à Dinamarca, isso está começando a mudar.”

Thapar ainda acrescenta que cada indivíduo com TDAH que participou desta pesquisa está fazendo diferença real no avanço da compreensão da condição. “Esperamos que este estudo estimule a participação das pessoas e aumente o interesse de outros países no apoio à pesquisa sobre o transtorno”.
Mesmo que estes 12 sinais genômicos identificados no estudo sejam importantes, eles capturam apenas uma pequena parte do risco para o TDAH. Coletivamente, os fatores genéticos comuns eram responsáveis por aproximadamente 22% dos riscos totais do TDAH. O papel de outras fontes de riscos genéticos, como por exemplo mutações genéticas raras e fatores ambientais também precisam ser analisados em estudos futuros.

1 DEMONTIS D, et al. Discovery of the first genome-wide significant risk loci for attention deficit/hyperactivity disorder. Nat Genet. 2018 Nov 26. doi: 10.1038/s41588-018-0269-7. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30478444>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
2 DISCOVERY OF THE FIRST COMMON GENETIC RISK FACTORS FOR ADHD. SCIENCE DAILY. Disponível em: <https://www.sciencedaily.com/releases/2018/11/181127111020.htm>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
3 FIRST RISK GENES FOR ADHD DISCOVERED. NEUROSCIENCE NEWS. Disponível em: <https://neurosciencenews.com/adhd-risk-genes-10268>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

Compartilhe com seus amigos!
Back To Top