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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

PRODUTOS QUÍMICOS DESREGULADORES ENDÓCRINOS E A RELAÇÃO COM SINTOMAS DE TDAH NA ADOLESCÊNCIA

PRODUTOS QUÍMICOS DESREGULADORES ENDÓCRINOS E A RELAÇÃO COM SINTOMAS DE TDAH NA ADOLESCÊNCIA

Estudos científicos têm demonstrado que a exposição a agentes químicos desreguladores endócrinos pode estar associada ao TDAH. Esses produtos, como ftalatos e fenóis são amplamente utilizados em produtos de consumo, incluindo no processamento de alimentos, em embalagens e em produtos de higiene pessoal. Um estudo publicado no JAMA network examinou a exposição a esses químicos na adolescência e sua relação com sintomas de TDAH.

Foram coletados dados de 205 adolescentes participantes da New Bedford Cohort, uma coorte de nascimento prospectiva, entre junho de 2011 e junho de 2014. A idade média dos participantes era de 15,3 anos e a amostra era composta de 112 meninas e 93 meninos.

Foram coletadas amostras de urina e foram medidas as concentrações de químicos desreguladores endócrinos, como ftalatos, parabenos, fenóis e triclocarban. Os sintomas de TDAH foram avaliados através de instrumentos de avaliação validados na forma de checklist preenchidos por pais, professores e pelos próprios participantes.

Os pesquisadores encontraram que a cada aumento de 2x na concentração de ftalato na urina havia um aumento de 1,34 no risco de sintomas de TDAH, enquanto a cada aumento de 2x na concentração de diclorofenois havia um aumento de 1,15 no risco.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que a exposição a ftalatos e bisfenol A no período prenatal e logo após o nascimento estava relacionada ao aumento nos sintomas do TDAH. Porém esse foi o primeiro estudo que avaliou essa relação com a exposição durante a adolescência, um período crítico também para o neurodesenvolvimento.

Como os pesquisadores apontam, uma das limitações do estudo pode ser o potencial para causalidade reversa, uma vez que os sintomas de TDAH poderiam alterar os hábitos dietéticos e do uso de substancias dos participantes, sendo assim os responsáveis pela maior exposição dos participantes a esses químicos.  Porém, quando os pesquisadores controlaram a análise para esses fatores comportamentais, não houve alteração na associação.

Referência:

  • Shoaff JR, Coull B, Weuve J, et al. Association of Exposure to Endocrine-Disrupting Chemicals During Adolescence With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder–Related Behaviors. JAMA Netw Open.2020;3(8):e2015041. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.15041
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TEMPO DE EXPOSIÇÃO A TELAS ANTES DE DORMIR E O EFEITO NO SONO DE CRIANÇAS

TEMPO DE EXPOSIÇÃO A TELAS ANTES DE DORMIR E O EFEITO NO SONO DE CRIANÇAS

Muito se houve falar, sobretudo quando o tema é higiene do sono, que a exposição às telas como televisão e celular próximo ao horário de dormir tem um efeito negativo na qualidade do sono, o que pode ser um motivo de preocupação para pais de crianças e adolescentes.

Um estudo financiado pelo instituto Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development (NICHD) encontrou que o uso de mídias eletrônicas a noite estava associado a redução do sono em crianças, mais acentuadamente naquelas que pontuavam menos em uma medida de auto-controle – a capacidade de filtrar impulsos inapropriados, focar a atenção e completar tarefas difíceis.

Embora seja possível ajudar crianças a desenvolver auto-controle, os pesquisadores dizem que seria mais produtivo ajudá-las a desenvolver um hábito saudável de uso de telas e de rotina de sono antes da adolescência, quando os pais passam a ter menos influência nos hábitos de sono de seus filhos.

O estudo foi conduzido por Kathryn Lemery-Chalfant, Ph.D., da Arizona State University, e colegas e foi publicado na Psychological Science.

Estudos anteriores haviam associado o uso de mídias eletrônicas próximo do horário de dormir com diferenças na qualidade, quantidade e tempo de sono em crianças e adolescentes. O presente estudo se propôs então a avaliar se essa associação variaria de acordo com as características das crianças. Eles buscaram determinar se diferenças na capacidade de auto-controle seriam capazes de influenciar o sono após o uso de mídias.

Os pesquisadores acompanharam o padrão de sono de 547 crianças, com idades entre 7 e 9 anos, por uma semana. Os pais mantinham diários dos horários que seus filhos iam dormir e acordavam e dos horários em que eles usavam mídias. O uso de mídias consistia em usar um computador desktop ou laptop, ver televisão, jogar videogames ou usar um telefone celular ou tablet para jogos ou internet.  Para avaliar objetivamente o sono, as crianças usavam actígrafos – dispositivos semelhantes a um relógio de pulso que analisava os seus movimentos e a luz ambiente. Ao registrarem  inatividade, os pesquisadores estimavam quanto tempo as crianças dormiram.

Os pais responderam ao questionário “Temperament in Middle Childhood Questionnaire”, desenhado para pontuar os traços de personalidade dos seus filhos, incluindo o auto-controle. As medidas de auto-controle incluíam o grau de capacidade que as crianças tinham para se obrigar a fazer os temas de casa, mesmo quando elas tinham vontade de brincar; se elas se distraiam facilmente ao ouvir uma história e se elas tinham facilidade em esperar para abrir um presente.

Em média, as crianças dormiam 8 horar por noite e usavam mídia antes de dormir em 5 das 7 noites. Aquelas que usavam mídia antes de dormir, dormiam em média 23 minutos a menos por noite e iam dormir 34 minutos mais tarde que aquelas que não usavam. Contudo, ao comparar usos equivalentes de mídia antes de dormir, crianças que tinham um alto grau de auto-controle dormiam 8 horas e aquelas com baixo grau de auto-controle dormiam 40 minutos a menos.

Portanto, de acordo com os resultados, a capacidade de auto-controle seria capaz de atenuar o efeito do uso de mídias a noite sobre o sono. Os pesquisadores teorizaram que crianças com baixo nível de auto-controle podem ter dificuldade de se acalmar após usarem mídias e podem ter dificuldade de adormecer. Apesar de que o auto-controle possa ser melhorado, eles adicionam, isso é um traço de personalidade e é difícil de mudar.

“Ao invés dos pais pensarem em como eles podem ajudar seu filho a melhor regular seu comportamento, eles podem tentar focar em desenvolver um cronograma mais consistente do sono e do uso de mídias”, disse a autora Leah Doane, Ph.D., da Arizona State University.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.nichd.nih.gov/newsroom/news/062620-screen-time

Mensagem da curadoria PRODAH:
Lembrem sempre que estudo de correlação não mede causalidade. Pode ser que exista algum fator biológico cerebral que determina tanto a dificuldade de sono, como de autocontrole e de maior avidez por tempo de tela, ou ainda causalidade inversa, ou seja, quem dorme menos, tem menos autocontrole e por ter menos necessidade de sono fica mais tempo na tela.

Referência:
1.Clifford S, Doane LD, Breitenstein R, Grimm KJ, Lemery-Chalfant K. Effortful Control Moderates the Relation Between Electronic-Media Use and Objective Sleep Indicators in Childhood. Psychological Science. 2020;31(7):822-834. doi:10.1177/0956797620919432

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