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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

NÍVEIS BAIXOS DE HORMONIOS TIREOIDIANOS DURANTE O PRIMEIRO TRIMESTRE DA GRAVIDEZ PODEM INTERFERIR NO DESENVOLVIMENTO CEREBRAL FETAL

NÍVEIS BAIXOS DE HORMONIOS TIREOIDIANOS DURANTE O PRIMEIRO TRIMESTRE DA GRAVIDEZ PODEM INTERFERIR NO DESENVOLVIMENTO CEREBRAL FETAL

Hormônios produzidos pela glândula tireoide influenciam sabidamente no crescimento fetal. Por conta disso, pesquisadores suspeitaram que prejuízos na produção desses hormônios, notadamente no hipotireoidismo, poderiam contribuir para o desenvolvimento do TDAH.

Um estudo publicado no American Journal of Perinatology demonstrou que crianças cujas mães foram diagnosticas com hipotireoidismo imediatamente antes ou durante os estágios iniciais da gravidez eram 24% mais propensas a desenvolver TDAH que crianças cujas mães não tiveram esse diagnóstico. Esse risco era ainda maior para meninos nascidos de mães com hipotireoidismo do que para meninas.

“Esses achados elucidam que a saúde da tireoide provavelmente tem um papel muito maior no desenvolvimento cerebral fetal e em desordens do comportamento como o TDAH do que se imaginava anteriormente”, diz o autor principal Morgan Peltier, PhD, professor associado do Departamento de Obstetrícia Clínica, Ginecologia e Medicina Reprodutiva da NYU Winthrop Hospital.

Entre os achados do estudo, após o segundo trimestre, o hipotireoidismo materno tinha pouco efeito na saúde do feto. Uma explicação possível, segundo Peltier, é a de que após esse período, o feto já tenha iniciado a produção de seus próprios hormônios tireoidianos e seja menos vulnerável as deficiências hormonais maternas.

O estudo acompanhou 329,157 crianças do nascimento até a idade de 17 anos, todas nascidas em hospitais da Kaiser Permanente no sul da Califórnia. Ao contrário de estudos prévios, segundo os autores, ao observar as crianças por quase duas décadas, isso permitiu que os pesquisadores pudessem identificar melhor os casos de TDAH conforme as crianças cresciam e eram diagnosticadas.

Os pesquisadores analisaram os dados médicos das crianças e coletaram informações chave sobre suas mães incluindo a idade durante a gravidez, etnia e renda familiar. Todas as crianças foram avaliadas quando ao TDAH utilizando os mesmos critérios, o que evitou o surgimento de inconsistências em como os casos de TDAH foram identificados.

Ao todo 16.696 crianças foram diagnosticas com TDAH. Crianças hispânicas cujas mães tiveram hipotireoidismo na gravidez apresentaram o maior risco de desenvolver TDAH, de 45%.

Peltier afirma que os resultados do estudo são fortes o suficiente para indicar a monitorização dos níveis de hormônios tireoidianos em mulheres gravidas. Além disso, ele aponta que crianças cujas mãe tiveram hipotireoidismo na gravidez poderiam se beneficiar do rastreio precoce de TDAH.

Curadoria de conteúdo do PRODAH: Vale lembrar que evidência de associação não indica, mesmo em estudo longitudinal, causalidade. Um terceiro fator pode estar relacionado tanto com hipotiroidismo materno no primeiro trimestre de gravidez e com TDAH na criança. Por exemplo, TDAH na mãe que não foi avaliado no estudo!

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.sciencedaily.com/releases/2020/10/201021085107.htm

Referência: Morgan R. Peltier, Michael J. Fassett, Vicki Y. Chiu, Darios Getahun. Maternal Hypothyroidism Increases the Risk of Attention-Deficit Hyperactivity Disorder in the OffspringAmerican Journal of Perinatology, 2020 DOI: 10.1055/s-0040-1717073

 

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O TDAH AUMENTA O RISCO DE DIABETES INDEPENDENTEMENTE DO IMC

O TDAH AUMENTA O RISCO DE DIABETES INDEPENDENTEMENTE DO IMC

Um estudo que publicado no Journal of Diabetes encontrou que adultos com TDAH apresentavam um risco 50% maior de desenvolver diabetes.

Os pesquisadores analisaram os dados coletados pelo questionário National Health Interview Survey (NHIS), realizado nos Estados Unidos, nos anos de 2007 e de 2012. As informações sobre TDAH e diabetes foram coletadas durante as entrevistas do questionário, em que os participantes respondiam se algum médico já havia lhe dado o diagnóstico de alguma dessas patologias. Outros dados sociodemográficos como idade, educação, renda familiar e estilo de vida também foram coletados.

Ao todo, somaram-se 52821 participantes (48,6% eram homens, e a média de idade foi de 45,5 anos). Entre eles, 1642 confirmaram que tinham TDAH e 4631 informaram que tinham diagnóstico de diabetes. Após ajustar para idade, sexo e etnia, os pesquisadores encontraram que os participantes com história de TDAH tinham maior risco de ter diabetes comparado com aqueles sem história de TDAH (OR = 1.68; 95% CI, 1.23-2.28). Os participantes com TDAH também eram mais propensos a ter diabetes após ajuste para educação, renda familiar, tabagismo, consumo de álcool, atividade física e IMC – índice de massa corporal-(OR = 1.54; 95 CI, 1.16-2.04).

Uma meta-análise anterior de 42 estudos havia demonstrado que o TDAH era associado a maior risco de desenvolvimento de obesidade em crianças e mulheres. Contudo, o presente estudo encontrou que a relação entre TDAH e diabetes era independente do IMC. Portanto, a possível relação entre TDAH e diabetes precisa ser elucidada do ponto de vista biológico.

“Um crescente número de evidências tem apoiado o papel da inflamação nas desordens neuropsiquiátricas incluindo o TDAH”, dizem os autores. “Um estudo anterior apontou que pacientes com TDAH possuíam um nível plasmático mais elevado do marcador inflamatório interleucina-6, que já foi associado também ao risco aumentado de diabetes”. Além disso, os autores também apontam para a necessidade de se investigar os efeitos das medicações de TDAH no metabolismo da glicose e no risco de diabetes.

Apesar desse estudo apontar para uma possível relação entre TDAH e diabetes, ainda são necessários novos estudos para a confirmação desses achados e para o entendimento de que fatores estariam por trás dessa relação. Além disso, existe algumas limitações no estudo como o fato de os dados sobre TDAH e diabetes terem sido auto-reportados pelos participantes, o que pode estar sujeito a viés. Contudo, como os pesquisadores escrevem, “se esses achados forem replicados e confirmados em estudos futuros, indivíduos com TDAH podem ter necessidade de triagem precoce e prevenção de diabetes”.

Artigo adaptado e traduzido de:

https://www.healio.com/news/endocrinology/20201007/adhd-increases-odds-of-diabetes-independent-of-bmi

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TDAH E USO DE SMARTPHONES

TDAH E USO DE SMARTPHONES

Hoje em dia se tornou praticamente inimaginável a possibilidade de viver sem um celular. Diversas atividades da nossa vida diária, inclusive relacionadas ao trabalho e finanças, foram transferidas para o smartphone.

Contudo, a praticidade no nosso dia a dia trouxe um ônus: a piora da nossa capacidade de concentração.

Um estudo da Universidade do Texas encontrou que nossa capacidade cognitiva, incluindo atenção e foco, é significativamente reduzida quando temos um smartphone por perto – mesmo que ele esteja desligado.

Outro estudo, que avaliou 2600 adolescentes, encontrou que usuários pesados de aparelhos eletrônicos tem 2 vezes mais chance de demonstrar sintomas de TDAH do que aqueles com uso infrequente. Isso pode impor um desafio na hora de diagnosticar quem de fato tem TDAH e quem tem déficit de atenção causado pelas telas.

Pesquisadores vêm tentando desvendar se o uso de smartphones e outras telas afeta a frequência do diagnóstico de TDAH. De acordo com a Dra. Candida Fink, psiquiatra de crianças e adolescentes, essa relação ainda permanece incerta. “Não necessariamente seja tudo má noticia, uma vez que smartphones também podem auxiliar na produtividade e no aprendizado”. Segundo ela, é importante diferenciar um uso que esteja causando prejuízos ao indivíduo daquele que não está.

A DISTRAÇÃO PODE SER CONFUNDIDA COM TDAH?

O TDAH e a distração se relacionam com os mesmos circuitos cerebrais e várias coisas podem afetar nossa atenção. O uso de telas, eventos preocupantes/estressantes e até mesmo a qualidade do sono podem exercer alguma influência. Portanto, o diagnóstico de TDAH exige uma avaliação cuidadosa. Você precisa de uma análise histórica do padrão de comportamento. Além disso, é necessário primeiro remover as distrações para que então uma avaliação da capacidade de atenção do paciente possa ser feita. No TDAH os sintomas não simplesmente aparecem e depois desaparecem.

COMO DIMINUIR O USO DE TELAS E AS DISTRAÇÕES

Primeiro você deve entender a sua rotina e seu ambiente para que possa limitar o uso do celular. Os aplicativos e redes sociais são desenhados para prender nossa atenção, então você tem que assumir a responsabilidade de estabelecer limites. Dra Fink sugere algumas dicas:

  • Não leve seu celular para cama. O uso antes de dormir interfere com seu sono. Compre um relógio de alarme para que você não tenha a desculpa de usar seu celular para colocar alarmes.
  • Suplemente o tempo de tela com atividade física. Saia para a rua e vá se exercitar. Leve o cachorro para passear, faça alongamentos ou dança – qualquer coisa que te faça deixar o telefone de lado e se mexer um pouco.
  • Tire pausas se você está trabalhando com telas ou jogando videogame. “ Isso é uma parte muito importante para reajustar sua atenção” diz Dra. Fink.

Artigo adaptado e traduzido de: https://medshadow.org/phone-addiction-adhd/

CURADORIA DE CONTEÚDO DO PRODAH:

Lembre, associação não indica causalidade! Diversos estudos mostram que quem tem TDAH passa mais tempo em telas. Por exemplo, a Dra. Patricia Bado estudando uma amostra brasileira de 2511 crianças e adolescentes do Brazilian High Risk Cohort for Psychiatric Disorders avaliadas em três pontos ao longo dos anos mostrou que maior psicopatologia basal está associada a maior tempo de tela depois, mas o inverso não. Ou seja, maior tempo de tela na linha basal não está associada a maior psicopatologia depois!

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O TDAH É PARCIALMENTE GENÉTICO, PORÉM FATORES AMBIENTAIS EXERCEM INFLUÊNCIA

O TDAH É PARCIALMENTE GENÉTICO, PORÉM FATORES AMBIENTAIS EXERCEM INFLUÊNCIA

Assim como muitos transtornos psiquiátricos, o TDAH apresenta componentes genéticos e ambientais na sua gênese.

Ainda que não se saiba exatamente o quanto de influência esses fatores genéticos exercem, estudos têm demonstrado que o TDAH tem um alto componente genético e pode ser passado de uma geração para outra. Ter um pai ou irmão com TDAH aumenta significativamente o risco do indivíduo também apresentar TDAH.

Um estudo publicado na revista científica Neuropsychiatric Disease and Treatment encontrou numa amostra de 79 crianças com TDAH que 41,3% tinham mães com TDAH e 51% tinham pais com TDAH.

Outro estudo realizado em 2014 que avaliou 59,514 gêmeos encontrou que a heritabilidade do TDAH era de 88%.  “Uma vez que irmãos também compartilham um ambiente social, físico e de criação, isso por si só não prova causa genética mas potenciais causas ambientais compartilhadas”, diz Robert King, MD, psiquiatra de medicina de comportamento e desenvolvimento infantil.

O TDAH é provavelmente uma condição associada a múltiplos genes, diz King. Além disso o TDAH muitas vezes é comorbido com outros transtornos psiquiátricos que também apresentam influencia genética.

King diz que, além da genética, outros fatores podem predispor alguém a desenvolver TDAH e alguns desses fatores podem ser prevenidos. Alguns exemplos:

  • Fumar durante a gestação*: Uma meta-análise de 2018 com quase 3.000.000 participantes publicada na Pediatrics encontrou que crianças cujas mães fumaram durante a gestação tinham maior predisposição a desenvolver TDAH e o risco aumentava quanto maior a carga do fumo.
  • Prematuridade e baixo peso ao nascer: Pesquisas têm demonstrado que ambos os fatores contribuem para o desenvolvimento de TDAH. Uma meta-análise de 2017 publicada na Pediatrics encontrou uma correlação entre o parto pré-termo e o baixo peso extremo ao nascer com o desenvolvimento de TDAH. Vale ressaltar que esse trabalho mencionado pelo autor foi realizado por pesquisadores do PRODAH– responsável pelo FOCUS!
  • Trauma ou adversidade na infância: King diz que baixo status socioeconômico e violência domestica podem aumentar o risco de TDAH infantil.

O TDAH tem certamente algum componente genético, o que foi demonstrado ao longo de pesquisas, ainda que não haja um único gene específico associado a condição. Ainda assim, diversos fatores ambientais contribuem para o desenvolvimento do TDAH, sendo que alguns deles podem ser evitados.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.insider.com/is-adhd-genetic

*Curadoria científica do PRODAH: Vale lembrar que existe uma grande discussão entre pesquisadores em relação do papel do fumo na gestação no TDAH. Existe um fenômeno que chamamos de correlação gene-ambiente, ou seja, é possível que alguns dos fatores ambientais possam também ser determinados geneticamente. Por exemplo, sabe-se que indivíduos com TDAH fumam mais do que aqueles sem TDAH. Assim seria de se esperar que mães com TDAH fumem mais do que mães sem TDAH na gravidez. Assim, o efeito determinante do TDAH na criança poderia não ser do fumo mas sim dos genes de vulnerabilidade para o TDAH da mãe.

 

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PRODUTOS QUÍMICOS DESREGULADORES ENDÓCRINOS E A RELAÇÃO COM SINTOMAS DE TDAH NA ADOLESCÊNCIA

PRODUTOS QUÍMICOS DESREGULADORES ENDÓCRINOS E A RELAÇÃO COM SINTOMAS DE TDAH NA ADOLESCÊNCIA

Estudos científicos têm demonstrado que a exposição a agentes químicos desreguladores endócrinos pode estar associada ao TDAH. Esses produtos, como ftalatos e fenóis são amplamente utilizados em produtos de consumo, incluindo no processamento de alimentos, em embalagens e em produtos de higiene pessoal. Um estudo publicado no JAMA network examinou a exposição a esses químicos na adolescência e sua relação com sintomas de TDAH.

Foram coletados dados de 205 adolescentes participantes da New Bedford Cohort, uma coorte de nascimento prospectiva, entre junho de 2011 e junho de 2014. A idade média dos participantes era de 15,3 anos e a amostra era composta de 112 meninas e 93 meninos.

Foram coletadas amostras de urina e foram medidas as concentrações de químicos desreguladores endócrinos, como ftalatos, parabenos, fenóis e triclocarban. Os sintomas de TDAH foram avaliados através de instrumentos de avaliação validados na forma de checklist preenchidos por pais, professores e pelos próprios participantes.

Os pesquisadores encontraram que a cada aumento de 2x na concentração de ftalato na urina havia um aumento de 1,34 no risco de sintomas de TDAH, enquanto a cada aumento de 2x na concentração de diclorofenois havia um aumento de 1,15 no risco.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que a exposição a ftalatos e bisfenol A no período prenatal e logo após o nascimento estava relacionada ao aumento nos sintomas do TDAH. Porém esse foi o primeiro estudo que avaliou essa relação com a exposição durante a adolescência, um período crítico também para o neurodesenvolvimento.

Como os pesquisadores apontam, uma das limitações do estudo pode ser o potencial para causalidade reversa, uma vez que os sintomas de TDAH poderiam alterar os hábitos dietéticos e do uso de substancias dos participantes, sendo assim os responsáveis pela maior exposição dos participantes a esses químicos.  Porém, quando os pesquisadores controlaram a análise para esses fatores comportamentais, não houve alteração na associação.

Referência:

  • Shoaff JR, Coull B, Weuve J, et al. Association of Exposure to Endocrine-Disrupting Chemicals During Adolescence With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder–Related Behaviors. JAMA Netw Open.2020;3(8):e2015041. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.15041
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NOVO ESTUDO APONTA PARA DIFERENÇAS GENÉTICAS EM PACIENTES AFRO AMERICANOS COM TDAH

NOVO ESTUDO APONTA PARA DIFERENÇAS GENÉTICAS EM PACIENTES AFRO AMERICANOS COM TDAH

Muitos estudos sugerem que variantes estruturais do genoma possuem um papel importante na gênese do TDAH. Contudo, a maioria desses estudos foca em regiões codificantes do DNA, regiões que codificam proteínas especificas, e foram primariamente conduzidos em pessoas com ascendência europeia.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores do Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP) resolveu estudar uma amostra grande de indivíduos Afro-americanos e compararam regiões codificantes e não codificantes do genoma desses indivíduos Afro-americanos com as de indivíduos de ascendência Europeia. “Nós sentíamos como se estudos anteriores sobre TDAH do ponto de vista genômica não estivessem contando a história completa por conta de quem eles estavam deixando de fora e o que eles estavam escolhendo estudar”, disse Hakon Hakonarson, MD, PhD, Diretor do Centro de Genômica Aplicada no CHOP Research Institute e autor sênior do estudo.

O time de pesquisadores e seus colaboradores geraram dados da sequência genômica completa de 875 participantes, incluindo 205 participantes com TDAH e 670 controles sem TDAH. Afro-americanos representaram 116 dos 205 pacientes com TDAH e 408 dos controles sem TDAH.

Além de confirmar várias variantes estruturais e genes associados ao TDAH já identificados em estudos anteriores, os pesquisadores descobriram 40 novas variantes estruturais em pacientes com TDAH. Eles identificaram um cluster de variantes estruturais nas regiões não codificantes de sequencias envolvidas no funcionamento de cérebro e potencialmente altamente relevantes para o desenvolvimento do TDAH, incluindo expressão genica em fenótipos específicos de TDAH

Houve uma pequena sobreposição (cerca de 6%) nos genes impactados por variantes nucleotídicas isoladas entre indivíduos com ascendência afro-americana e europeia. Essas diferenças foram especialmente pronunciadas nas variantes estruturais não codificantes. Essas variantes podem também impactar como pacientes responde a medicação para o TDAH.

“O sequenciamento genômico completo parece ser uma ferramenta de descoberta valiosa para o estudo de mecanismos moleculares por trás do TDAH”, disse Hakonarson. Adicionalmente, a inclusão de afro-americanos, associada ao estudo de regiões não codificantes do genoma, identificou várias variantes estruturais que indicam caminho para pesquisa futura, uma vez que elas podem impactar tanto na susceptibilidade ao TDAH quanto em como os pacientes respondem a diferentes intervenções terapêuticas”.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.sciencedaily.com/releases/2020/09/200922112301.htm

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CARGA DE DOENÇA E CUSTOS MÉDICOS DO DIAGNÓSTICO DE TDAH EM ADULTOS.

CARGA DE DOENÇA E CUSTOS MÉDICOS DO DIAGNÓSTICO DE TDAH EM ADULTOS.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, ainda é pouco reconhecido na população adulta, apesar de seu impacto na qualidade de vida.

Um estudo retrospectivo de coorte longitudinal publicado em 2020 buscou analisar os custos médicos e a carga de doença do TDAH diagnosticado em adultos.

Para isso, os pesquisadores coletaram informações em alemão do banco de dados InGef de seguros de vida estatutários. Ao todo, foram identificados 2,380 indivíduos adultos que receberam diagnóstico de TDAH, sendo que 60% deles eram homens e tinham uma média de idade ao diagnóstico de 35 anos. Os pacientes então tiveram seus dados analisados antes e depois de receberem o diagnóstico, no período entre 2012 e 2017.

Os pacientes foram subsequentemente classificados de acordo com a prescrição de medicamentos específicos para TDAH. Os pacientes que receberam ao menos 2 prescrições de medicamento durante o primeiro ano após o diagnóstico foram classificados como “uso inicial de medicação para TDAH”, enquanto aqueles que receberam apenas uma ou nenhuma foram classificados como não tendo medicação inicial. 

Os pesquisadores encontraram que, nos anos anteriores ao diagnóstico, as comorbidades psiquiátricas, medicamentos para transtornos específicos (principalmente antidepressivos), psicoterapia e custos em saúde aumentavam, atingindo um pico no ano do diagnóstico. Após o diagnóstico, essas variáveis tendiam a cair porém eram maiores comparado com os níveis observados antes do diagnóstico. Isso sugere um aumento progressivo da carga sintomática ao longo dos anos antes do diagnóstico. Estudos anteriores já haviam demonstrado que o atraso no reconhecimento do TDAH pode levar ao aparecimento ou piora de várias comorbidades psiquiátricas. 

Além disso, comorbidades, medicamentos correspondentes, psicoterapia, custos em saúde, auxílio doença e dias de licença médica eram mais frequentes em pacientes com uso inicial de medicação, sugerindo uma maior carga de doença. 

Um achado importante do estudo foi que menos de 1/3 dos pacientes receberam qualquer prescrição de medicamento para TDAH no início do diagnóstico. Ao mesmo tempo, cerca de 2/3 dos indivíduos receberam psicoterapia no ano do diagnóstico. Isso mostra que o uso de estimulantes é ainda relutantemente prescrito na população adulta.

O desenho longitudinal desse estudo permitiu um acompanhamento dos pacientes antes e depois do diagnóstico de TDAH. Porém, uma das limitações do estudo é que alguns indivíduos podem ter recebido o diagnóstico de TDAH na infância, o que não pôde ser analisado dentro do período de dados coletados no estudo.

Referência:
Libutzki B, May M, Gleitz M, Karus M, Neukirch B, Hartman CA, Reif A. Disease burden and direct medical costs of incident adult ADHD: A retrospective longitudinal analysis based on German statutory health insurance claims data. Eur Psychiatry. 2020 Oct 1;63(1):e86. doi: 10.1192/j.eurpsy.2020.84. PMID: 32998793; PMCID: PMC7576526.

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DIFERENÇAS CORTICAIS RELACIONADAS À IDADE NO TDAH, TEA E TOC.

DIFERENÇAS CORTICAIS RELACIONADAS À IDADE NO TDAH, TEA E TOC.

Diferenças sutis no volume intracraniano foram achadas entre grupos etários e indivíduos com Transtorno de Déficit De Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Esses achados foram encontrados em um estudo de coorte e foram publicados no American Journal of Psychiatry.

Os pesquisadores utilizaram dados de imagem do consórcio ENIGMA (Enhancing Neuroimaging Genetics Through Meta-Analysis). Foram analisadas imagens de Ressonância magnética estrutural ponderada em T1 de todo o cérebro de indivíduos controle (n= 5827) e de pacientes com TDAH (n=2271), TEA (n=1777) e TOC (n=2323). As análises foram feitas por grupo etário: crianças (<12 anos), adolescentes (12-17 anos) e adultos (>18 anos). Os pesquisadores examinaram as diferenças do volume subcortical, da espessura cortical e da área de superfície cortical.

Crianças com TDAH comparado com aquelas com TOC tinham um volume intracraniano menor e um volume hipocampal menor, possivelmente influenciado pelo QI. Crianças e adolescentes com TDAH também tinham um volume intracraniano menor que os controles e aqueles com TOC ou TEA. Adultos com TEA demonstraram uma espessura maior do córtex frontal comparado com adultos controle e outros grupos. Nenhuma diferença específica do TOC foi encontrada entre os diferentes grupos etários; também não foram encontradas diferenças na superfície cortical entre os transtornos em crianças e adultos. Por fim, não houve diferenças compartilhadas entre os grupos.

Uma das limitações do estudo foi a falta de informações sobre todos parâmetros de aquisição de imagens no banco de dados de todos os locais de coleta. Isso pode ter introduzido algum viés no estudo.

Apesar de serem desordens comuns do neurodesenvolvimento frequentemente comórbidas, o estudo encontrou diferenças robustas mas sutis dentro dos grupos etários entre indivíduos com TDAH, TEA e TOC. Como os autores colocam, o estudo “constitui a maior investigação de neuroimagem de alterações estruturais no TDAH, TEA e TOC”. 

Artigo adaptado e traduzido de:  https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/neurodevelopmental-disorder/enigma-study-finds-age-related-cortical-differences-in-adhd-asd-ocd/

 

Referencia:
Boedhoe P S W, van Rooij D, Hoogman M, et al. Subcortical brain volume, reginal cortical thickness, and cortical surface area across disorders: findings from the ENIGMA ADHD, ASD, and OCD working groupsAm J Psychiatry. 2020;appiajp202019030331. doi:10.1176/appi.ajp.2020.19030331.

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QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é um transtorno altamente prevalente afetando até cerca de 11% das crianças e 5% dos adultos. Ele está associado a altos níveis de prejuízo na capacidade funcional, incluindo a associação com outros transtornos psiquiátricos, dificuldades acadêmicas, acidentes domésticos e automobilísticos e ferimentos.

Evidências científicas têm demonstrado melhora significativa nos sintomas do TDAH com o uso de medicamentos estimulantes. Uma revisão sistemática e meta-análise com 40 estudos, publicada em 2020 no Journal of Psychiatric Research, buscou averiguar os efeitos do tratamento medicamentoso nos desfechos funcionais.

Essa revisão da literatura encontrou altos benefícios do uso de medicação, especialmente estimulantes, na diminuição do risco de comorbidade com transtornos de humor (depressão e bipolaridade), suicídio, criminalidade, acidentes e ferimentos, prejuízo na performance acadêmica, uso de substâncias e acidentes automobilísticos.

Ainda que alguns dos estudos tenham avaliado o uso de medicamentos não-estimulantes, a vasta maioria consistia de tratamento com estimulantes e nenhum estudo encontrou resultados para o uso isolado de não-estimulantes.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que o tratamento na infância com estimulantes poderia diminuir o risco de desenvolvimento de transtornos de humor na vida adulta bem como o desenvolvimento de transtornos de conduta em ambos os sexos.

Como os pesquisadores descrevem, os efeitos benéficos do uso de medicamentos eram mais proeminentes quando os pacientes eram aderentes  ao uso da medicação, ressaltando a importância de se trabalhar a adesão com os pacientes e a necessidade de se investigar ferramentas que melhorem a adesão ao tratamento.

Por fim, como os pesquisadores ressaltam, apesar dos efeitos protetivos observados com o uso de medicação, não é possível afirmar que o tratamento farmacológico seja o único fator influenciando nos desfechos funcionais. Além disso, foram encontrados resultados mistos na performance acadêmica, sugerindo que outros fatores além do TDAH (como habilidades cognitivas, transtornos de aprendizado, classe social e déficits nas funções executivas) possam exercer influência nesse desfecho.

Referência:
Boland H, DiSalvo M, Fried R, Woodworth KY, Wilens T, Faraone SV, Biederman J. A literature review and meta-analysis on the effects of ADHD medications on functional outcomes. J Psychiatr Res. 2020 Apr;123:21-30. doi: 10.1016/j.jpsychires.2020.01.006. Epub 2020 Jan 27. PMID: 32014701.

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CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

Qual será a relação entre TDAH e queimaduras?

De acordo com um estudo realizado em Taiwan, crianças e adolescentes com TDAH que fazem uso de medicação sofrem menos queimaduras que crianças e adolescentes com TDAH não medicados.

Essa relação a princípio parece fazer sentido: a desatenção pode ser um fator para a causa de acidentes.

Para realizar esse estudo, foram coletadas informações de um banco de dados de saúde nacional de Taiwan. Foram selecionados para a amostra indivíduos com menos de 18 anos com diagnóstico de TDAH (n=90.634) entre janeiro de 1996 e dezembro de 2013.

Os pesquisadores encontraram que:

Crianças e adolescentes com TDAH não medicados tinham um risco de 6,7% de sofrer queimaduras. Em contrapartida, aqueles que tinham recebido medicação por 3 meses ou menos tinham 4,5% de risco e aqueles que haviam recebido medicação por mais de 3 meses tinham um risco de 2,9%

Portanto, segundo os resultados, quando as crianças e os adolescentes eram tratados com medicação, havia uma queda no risco de queimaduras, sendo que aqueles que receberam ao menos 3 meses de medicação tiveram metade do risco daqueles que não receberam medicação.

Isso vai de encontro com pesquisas anteriores que sugeriram um link entre TDAH e maior tendência a sofrer acidentes, com esse link sendo especialmente maior para pacientes que não fazem uso de medicação.

Apesar de o desenho do estudo não ser capaz de mostrar relação de causa e efeito, parece plausível que o não uso de medicação aumente a incidência de queimaduras.

Esse estudo serve para ilustrar como o TDAH pode impactar a vida de uma pessoa, não só na sua saúde emocional como também na sua saúde física.

Comentário da curadoria do PRODAH:
Reforçando a ideia de que esse estudo não indica causalidade, lembrar que pais que buscam tratamento para o TDAH de suas crianças podem ser também pais que tem maior atenção aos seus filhos, incluindo aí os cuidados para evitar acidentes.

Artigo adaptado e traduzido de: https://blogs.psychcentral.com/adhd-millennial/2020/07/children-with-adhd-get-fewer-burns-when-they-receive-medication/

Referência:
Chen, V., Yang, Y., Yu Kuo, T., Lu, M., Tseng, W., Hou, T., . . . Gossop, M. (2020). Methylphenidate and the risk of burn injury among children with attention-deficit/hyperactivity disorder. Epidemiology and Psychiatric Sciences, 29, E146. doi:10.1017/S2045796020000608

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