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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) está relacionado com o desenvolvimento de depressão na vida adulta. A razão para isso poderia se dever tanto ao estresse psicológico advindo do transtorno quanto a alguma relação de base neurobioquímica.

Um artigo publicado na Psychological Medicine buscou avaliar se o TDAH e a predisposição genética ao TDAH teriam alguma relação causal com o desenvolvimento de depressão ao longo da vida. Uma relação desse tipo poderia indicar que o tratamento do TDAH é capaz de diminuir o risco de depressão.

Alguns estudos anteriores com gêmeos haviam postulado que a ocorrência simultânea de depressão e TDAH poderia se dever a riscos genéticos compartilhados. Nesse sentido, fatores de risco em comum poderiam fazer com que algumas pessoas desenvolvessem TDAH e outras depressão. Em contrapartida, o presente estudo buscou distinguir se o próprio TDAH seria fator de risco.

Os dados foram coletados da coorte prospectiva longitudinal “Avon Longitudinal Study of Parents and Children” (ALSPAC). Foram incluídos para análise 8310 indivíduos que foram avaliados para TDAH aos 7 anos de idade usando a subescala de avaliação parental de TDAH do Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ). Os dados sobre depressão foram coletados usando o Short Moods and Feeling Questionnaire (sMFQ) aos 18, 21, 22, 23 e 25 anos de idade. 57% (n=4771) dos participantes tiveram dados de depressão coletados ao menos uma vez nesses 5 períodos.

Para avaliar o efeito do risco genético de TDAH na depressão, dados de genética foram coletados do estudo de genética ampla de indivíduos com ascendência europeia para TDAH e Depressão maior.

Ao todo, 6,4% (n= 530) dos participantes foram diagnosticados com TDAH aos 7 anos e 26,7% tiveram depressão recorrente na idade adulta. Aproximadamente 32,7% daqueles com TDAH na infância tiveram depressão recorrente na idade adulta comparado com 26,5% daqueles sem TDAH. Alternativamente, entre aqueles que tinham depressão recorrente na vida adulta, aproximadamente 7,8% deles tiveram TDAH na infância comparado com 5,9% sem depressão.

O TDAH na infância foi associado com um aumento de risco de depressão recorrente na idade adulta (: OR 1.35, 95% CI 1.05–1.73, p = 0.02). Esses achados se mantiveram ao se controlar para sexo, adversidades na vida, educação materna e depressão materna (OR 1.38, 95% CI 1.07–1.79, p = 0.01).

Análises de randomização mendelianas sugeriram um efeito causal da susceptibilidade genética do TDAH na depressão maior (OR 1.21, 95% CI 1.12–1.31). Porém, análises feitas com definições mais amplas de depressão diferiram, mostrando uma influência fraca no desenvolvimento de depressão (OR 1.07, 95% CI 1.02–1.13).

Como os pesquisadores concluem, as análises longitudinais mostraram que o TDAH é um fator de risco para a depressão na vida adulta e as análises de randomização mendeliana reforçam um efeito causal do TDAH na depressão maior, apesar de que esses resultados variaram conforme a definição de depressão utilizada. Além disso, é importante notar que o TDAH em si não é um fator de risco forte para a depressão na vida adulta e muitos indivíduos desenvolverão depressão por outras razões.

Referencia:

-Riglin, L., Leppert, B., Dardani, C., Thapar, A. K., Rice, F., O’Donovan, M. C., … Thapar, A. (2020). ADHD and depression: investigating a causal explanation. Psychological Medicine, 1–8. doi:10.1017/s0033291720000665

 

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RECEBER UM DIAGNÓSTICO DE TDAH PODE PREJUDICAR A PERFORMANCE ACADÊMICA?

RECEBER UM DIAGNÓSTICO DE TDAH PODE PREJUDICAR A PERFORMANCE ACADÊMICA?

O diagnóstico de doenças -tanto físicas como mentais- além de influenciar no tratamento e prognóstico, possui um impacto psicológico no paciente. Comparando-se afecções físicas e mentais, esse impacto pode ser muito maior nos transtornos psiquiátricos, seja pelo estigma social ou por serem doenças com potencial de influenciar diversos aspectos da vida.

Recentemente, foi publicado um estudo sobre os efeitos do diagnóstico de TDAH em crianças no Sociology of Education. Os resultados levantam uma questão interessante: a intensidade dos sintomas antes do diagnóstico pode estar associada ao ajustamento após o mesmo. No estudo, as crianças que tinham sintomas menos graves de TDAH antes do diagnóstico que usaram medicação ou não tinham ajustamento de comportamento social e acadêmico pós diagnóstico pior do que as crianças sem TDAH. Já as crianças com sintomas mais graves de TDAH antes do diagnóstico que usaram medicação tiveram um ajustamento pós-diagnóstico similar ao das crianças sem diagnóstico. Os autores do estudo interpretaram os achados como sinalizando que o diagnóstico e tratamento teve um efeito deletério em crianças com TDAH mais leve, diferentemente dos casos de TDAH com sintomas mais intensos.

Alguns pesquisadores teorizam que crianças com TDAH em idade escolar demonstram consciência das diferenças entre elas e os outros, fazendo com que elas inconscientemente diminuam sua performance em medidas sociais e acadêmicas em comparação com seus colegas, ao mesmo tempo em que a medicação poderia reforçar essa diferença de percepção.

Outros estudos também sugerem o impacto do rótulo na avaliação dos estudantes pelos professores. Mesmo quando apresentados com descrições hipotéticas sobre estudantes, os professores tendiam a avaliar a inteligência, o comportamento e a personalidade dos estudantes com TDAH desfavoravelmente em relação com seus colegas.

O estudo publicado no Sociology of Education analisou dados longitudinais de cerca de 10.000 estudantes de ensino fundamental dos Estados Unidos. Os dados, retirados da Early Childhood Longitudinal Study-Kindergarten Cohort (ECLS-K), foram coletados entre 1998 a 2008 pelo National Center for Education Statistics. Esses dados permitiram que pesquisadores observassem os efeitos a longo prazo do diagnóstico de TDAH e da medicação na performance acadêmica e social das crianças.

Contudo, os dados do ECLS-K possuem várias limitações. Todos os dados sobre TDAH provém de apenas três perguntas feitas aos pais sobre o diagnóstico entre a primeira e terceira séries do ensino fundamental, ou seja, nenhuma avaliação diagnóstica foi feita. A pergunta sobre uso de medicação foi feita apenas sobre uso corrente. Portanto, se naquele período, os pais reportaram que seus filhos não faziam uso de medicação, o ECLS-K computou que eles nunca fizeram uso de medicação, mesmo que tenham feito uso anteriormente ou que viessem a fazer uso depois. Isso pode ter feito com que as conclusões desses estudos sobre o impacto do uso de medicação na aprendizagem tenham sido enviesadas. Além disso, não houve avaliação da dosagem, aderência e o tempo de tratamento do TDAH, fatores que podem contribuir na performance. Sabe-se, por exemplo, que pais de crianças com sintomas mais graves de TDAH tendem a manter de forma mais consistente o tratamento medicamentoso de seus filhos, o que poderia resultar nos melhores resultados para esse grupo vistos no estudo. Pais de crianças com sintomas de TDAH mais leve aderem pior, o que pode determinar pior ajustamento futuro de seus filhos pelo uso inadequado do tratamento.

“Nós precisamos de um estudo de acompanhamento longo, com controles -não apenas estudantes não diagnosticados- que acompanhe os participantes dos 7 aos 18 anos”, disse o Dr Atih Amanda Seif, psiquiatra de crianças e adolescentes de Los Angeles, “uma vez que muitos estudantes não demonstram sintomas de TDAH até a adolescência”. Além disso, ao focar em melhorias em testes padronizados “estamos focados em medidas que podem mascarar outras melhorias que os estudantes experienciam ao tomar medicação para os seus sintomas de TDAH”.

Apesar das falhas potenciais nesses estudos, esses achados nos lembram a importância de se levar em consideração as percepções e o estigma envolvendo o TDAH e os problemas de comportamento ou aprendizado. Eles também apontam para o estresse dos pais e professores e para a estrutura dos sistemas de ensino que se baseia fortemente em testes padronizados.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.neurologyadvisor.com/topics/neurobehavioral-disorders/adhd-diagnosis-effect-on-academic-performance/

 

 

 

 

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CORONAVÍRUS: COMO CONVERSAR COM SEU FILHO E QUAL O IMPACTO EMOCIONAL NAS CRIANÇAS?

CORONAVÍRUS: COMO CONVERSAR COM SEU FILHO E QUAL O IMPACTO EMOCIONAL NAS CRIANÇAS?

Nesse momento cheio de incertezas em que estamos vivendo, muitos de nós nos sentimos angustiados. Essa nova carga de estresse emocional também pode pesar sobre as crianças e os adolescentes, o que deixa os pais preocupados e com dúvidas sobre como devem agir.

O professor e médico psiquiatra Luis Augusto Rohde selecionou algumas dicas de como os pais podem ajudar seus filhos durante esse período. Vale lembrar, como o próprio médico ressalta, que não existe uma receita certa de abordagem, mas que existem algumas técnicas que foram aprendidas ao longo do tempo pelos profissionais de saúde mental:

  • A máxima aqui de que “a fantasia é sempre pior do que a realidade” é o ponto de início. As escolas estão fechando, as pessoas andando com máscara nas ruas. Fazer de conta que nada está acontecendo, só aumenta a angústia das crianças. Essa angústia é “o caldo de cultura” para fantasias horríveis em crianças pequenas, como a do fim do mundo!
  • Inicie perguntando o que ela sabe sobre o coronavírus. Procure ter um entendimento claro do que ela tem medo, separando o que são fantasias da realidade. Crianças menores tendem a se preocupar mais intensamente com que algo de ruim possa acontecer com elas, familiares ou amigos. Lembre-se que esses temores podem ser ainda maiores para filhos de profissionais da área de saúde.
  • Na conversa, alguns componentes são fundamentais: usa uma linguagem apropriada para a idade da criança. Lembra da dificuldade que você teve para entender aquele epidemiologista mostrando diversos modelos matemáticos das curvas possíveis de transmissão da doença na TV? Pois é, não faça o seu filho passar pela mesma tortura! Seja honesto. Não prometa o que não pode cumprir. Coisas do tipo: “Nenhum de nós vai pegar essa doença” devem ser substituídas por: Temos várias maneiras de enfrentar essa doença, temos que trabalhar como time em casa”. Torne a situação um desafio a ser vencido, como uma etapa nos jogos de videogame.
  • Se temos que passar uma etapa, dois aspectos são essenciais: um clima de segurança de que temos condições de enfrentar a situação, e o aprendizado de estratégias de enfrentamento, como: lavar as mãos com agua e sabão por 20 segundos (para crianças pequenas, tempo igual a dois “parabéns a você) quando chegam em casa, antes de comer, após assoar o nariz, tossir, espirrar ou usar o banheiro, uso de álcool gel e as medidas de etiqueta respiratória. Um dos segredos aqui é tornar a tarefa algo lúdico com crianças menores. Por exemplo, descobrir maneiras inovadoras de cumprimentar-se sem o toque de mãos.
  • Um cuidado importante é não empurrar “goela abaixo” informações que a criança não perguntou, ou ainda não está no melhor momento para absorver. Em outras palavras, não comece a conversa sobre coronavírus falando sobre o colega de trabalho que parece estar doente e indo para o hospital. Ou seja, lembre-se de que para conversar de forma tranquila, você não pode estar num momento de maior estresse. Mais do que é falado, a criança aprende com o modelo! Dizer para a criança que a situação não requer preocupação maior e levá-la para comprar “o supermercado inteiro”, só por precaução, pouco ajuda.
  • Controle e supervisione a exposição de seus filhos a mídia. A exposição maciça e, muitas vezes, de informações que eles não têm condições de elaborar ou alarmistas, só aumenta o estresse.
  • Procure manter uma rotina previsível e estável. Fácil de falar, mas difícil de implementar nesse momento em que, de uma hora para outra, você foi notificado que seus filhos não vão mais a escola “desde ontem”! Pior ainda, provavelmente não poderá contar com os avôs que devem ficar mais resguardados. Nessa circunstância, os pais se perguntam: a partir de que idade o meu filho pode ficar sozinho em casa por um turno? Embora não pareça haver um divisor de águas nem científico e nem jurídico, a resposta da maioria dos especialistas seria que vai depender da maturidade de cada criança, mas certamente não antes dos 12-14 anos. Embora valha sempre lembrar que a realidade da maioria das famílias brasileiras não permite esse luxo, mesmo em tempos sem COVID-19, evite estratégias para as quais a criança não teve o adequado preparo. É o momento de implementar estratégias solidárias similares àquela de valer-se do grupo de amigos para o rodízio do transporte de crianças à escola.
  • Se há uma área onde os estudos são consistentes é a de que o suporte social é fundamental para lidar com o estresse. Vamos ter que ser inovadores nessa área e nos valermos inclusive das tão discutíveis plataformas digitais para mantermos o contato da criança com primos, outros familiares e amigos, ainda mais se evoluirmos para um estágio de “lockdown” mais restritivo.
  • Conversar uma vez é excelente, mas essa é uma conversa que deve se repetir continuamente. Até porque a situação e as recomendações estão mudando dinamicamente.

Essas estratégias podem ajudar as crianças à enfrentarem o estresse emocional associado ao COVID-19. No entanto, é importante lembrar que essa é uma situação ainda mais delicada em crianças com vulnerabilidade emocionais, como aquelas que experienciaram doenças graves ou perdas no passado e aquelas com suscetibilidade para transtornos psiquiátricos, como os Transtornos de Ansiedade, Transtorno Obsessivo-Compulsivo ou de Estresse Pós-Traumático. Essas crianças podem merecer uma atenção mais cuidadosa de um profissional de saúde mental nesse momento.

Artigo adaptado de https://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/coronavirus-qual-o-impacto-emocional-na-crianca-e-como-conversar-com-ela/

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ESTRESSE, ESGOTAMENTO E FADIGA: CUIDADO O TDAH DO SEU FILHO PODE TER PROFUNDAS CONSEQUÊNCIAS EM VOCÊ

ESTRESSE, ESGOTAMENTO e FADIGA: CUIDADO O TDAH DO SEU FILHO PODE TER PROFUNDAS CONSEQUÊNCIAS EM VOCÊ

Cuidar de uma criança com TDAH é um dos mais desafiadores trabalhos. Famílias com filhos diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade precisam aprender a superar grandes cargas de estresse.

Neste caso, é importante que você domine diversas capacidades de gerenciamento para manter ou restaurar a calma e a resolução de problemas.

Sim, ter filhos pequenos, com TDAH ou não, exige tais capacidades. Mas, mães e pais de crianças com distúrbios de desenvolvimento e saúde mental geralmente têm que lidar com estas questões em outra magnitude.

Cuidar de um filho com TDAH pode se tornar um trabalho em turno integral:
– você monitorará seu filho constantemente;
– você repetirá regras e direções o tempo todo;
– você, fatalmente, passará grande parte do tempo conversando com professores e coordenadores da escola;
– você estará cansado grande parte do tempo.

São reais as consequências do estresse crônico relacionado à tarefa de educar crianças com necessidades especiais. Estudos1 mostraram que pais de crianças com distúrbios de desenvolvimento e de aprendizagem têm muito mais chances de passar pelas seguintes situações:
– Ansiedade
– Depressão
– Insônia
– Fadiga
– Problemas mentais1

De acordo com um estudo britânico2, o estresse crônico coloca estes pais em riscos médicos graves. Esta pesquisa descobriu que pais de crianças com autismo ou TDAH tem muito mais chance de terem altos níveis de cortisol (o hormônio do estresse), e PCR (Proteína c-reativa), um biomarcador ligado a incontáveis questões, que vão do câncer colorretal até diabetes, passando por problemas cardíacos.

É importante que abordemos estes riscos, tanto pelo bem-estar das crianças quanto pela saúde dos pais.

Vamos dar uma olhada em fatores geradores de estresse. Veremos, também, algumas sugestões para colaborar na construção de famílias mais equilibradas e emocionalmente capazes de se comprometer com o bem-estar de todos.

Aceite seus limites

Especialistas concordam que a grande causa do estresse é um pensamento típico: você passa a acreditar que é a única pessoa que pode ajudar seu filho e que sua capacidade é ilimitada.1

Dr. Wendy Blumenthal, uma psicóloga de Atlanta, diz que vê mães chegarem a um ponto de colapso, porque carregam todas responsabilidades de seus filhos com necessidades extras. “Estas supermães não dormem, estão sempre ansiosas e ligam para todos os médicos que conseguem imaginar”, explica Blumenthal.

Elaine Taylor Klaus, cofundadora do Impact ADHD3, oferece treinamento para pais de crianças com TDAH e outras desordens. Ela conta que “estes pais sentem que deveriam ser capazes de fazer tudo, sendo que a primeira coisa que precisam aprender é a cuidarem de si mesmos”. Klaus alerta para os perigos que situações de estresse constante geram em longo prazo.

Precisamos salientar que existem diversos tipos e intensidade de esgotamento. Este amplo espectro inclui exaustão física e mental, monotonia, frustração ou até o conhecido sentimento de derrotismo.

Claro, é muito provável que você sinta um pouco de cada um deles. Porém, é importante que você entenda o que está sentindo para buscar a abordagem mais eficiente, que restaure sua energia e habilidade de seguir enfrentando os desafios.

Independentemente do que você estiver sentindo – ou da intensidade da questão, algumas práticas são fundamentais para a saúde física e mental de pais de crianças com TDAH:
– Durma sempre que possível. Dormir é o maior aliado do combate ao estresse e você, provavelmente, já sabe disso. Entendemos que o sono parece um luxo nestes casos, mas falamos sobre priorizar seu sono acima do celular, da televisão ou de quaisquer distrações que não sejam cruciais para o seu relaxamento.
– Mantenha-se hidratado e bem alimentado.
– Mexa seu corpo. Exercite-se com regularidade.
– Tenha um lazer prazeroso, um momento para ficar longe das crianças.

Agora que já abordamos as inevitáveis questões fundamentais para o seu bem-estar, podemos passar a outras situações e soluções que melhorarão sua qualidade de vida em geral.

Isolamento e exaustão

Quando você tem uma criança com um comportamento difícil ou cujas necessidades são desafiadoras, o sentimento de isolamento se acentua e, com ele, o estresse. Colegas, vizinhos, amigos, família e até mesmo o cônjuge parecem estar em outro planeta.

Mas, a verdade é que as pessoas querem ajudar – elas só não sabem como.

Os pais precisam aprender a dar direções objetivas aos ajudantes e cuidadores:
– você pode ficar com as crianças na quarta-feira para que eu consiga cortar o cabelo?
– você pode comprar esta lista de itens no supermercado para mim?

Estes pedidos concretos serão atendidos pelas pessoas e você mudará sua percepção sobre o abandono e o isolamento.

Caso não seja possível contratar uma babá, você pode propor períodos de troca com outros pais (até mesmo formar uma rede de pais) de crianças com desordens de aprendizado na sua cidade. Vocês podem alternar momentos de cuidados dos pequenos e, assim, criar folgas saudáveis para todos.

Vida social

Muitos pais de crianças com distúrbios de comportamento e desenvolvimento acabam perdendo o contato com amigos ou param de fazer atividades fora de casa.

Cuidar da sua saúde emocional e social é tão importante quanto qualquer outra prática física, como se exercitar ou dormir bem, diz Dr. Matthew Rouse, psicólogo do Child Mind Instute.3

Ele levanta a importância da vida social adulta e questiona os pais que atende em seu consultório:
– O que vocês estão fazendo por si mesmos?
– O que vocês estão fazendo como casal?
– Quando foi a última vez que você se divertiu com amigos?

Para minimizar estes sentimentos de afastamento da vida social, Dr. Rouse recomenda:

Crie uma rede de amigos fora do âmbito familiar. Grupos de apoio são ótimos, diz ele, mas ainda estão ligados ao universo do seu filho.

O que você deve buscar aqui são atividades que coloquem você em foco. São momentos de prazer, como ler em um parque, correr ou pintar.

O psicólogo explica que, se você apenas doar suas energias mentais sem repô-las, cedo ou tarde, elas se esgotarão – e seu filho sofrerá as consequências junto com você.

Cuidar do casamento

Ao longo dos anos, os pais terão que dar atenção extra para a relação mais vulnerável das suas vidas: o casamento.

Uma pesquisa concluiu que pais com crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm duas vezes mais chance de se divorciarem até o filho atingir a idade de oito anos.

Surpreendentemente, após os oito anos da criança, as diferenças nas taxas de divórcio entre pais de crianças diagnosticadas com TDAH ou não se tornam irrelevantes.4

Outros fatores colaboram no desfecho da separação, dizem os pesquisadores. Desordens coexistentes, como Transtorno Desafiador Opositivo ou Transtorno de Conduta podem agravar o quadro dos conflitos em casa.

Comportamentos antissociais do pai também impactam na probabilidade da separação, bem como diferenças no grau de educação entre os cônjuges.

William E. Pelham Jr., Ph.D, professor de Psicologia e Pediatria na Universidade de Buffalo, participou do estudo.

Ele explica que o mais grave fator de conflitos é a dissonância na forma de enxergar as dificuldades do filho. Por exemplo, a mãe considera determinado comportamento na escola um problema, mas o pai releva, considerando a situação algo natural da criança.

Este tipo de desarmonia na percepção da educação do filho é o maior fator de brigas no casal, explica o pesquisador.

Mas, nada disso é uma fatalidade inescapável. São alertas para que você compreenda que você e seu casamento também são uma prioridade no tratamento do seu filho.

Pelham já traz o caminho para as conclusões do próprio estudo: os pais precisam trabalhar em conjunto, argumenta. Eles precisam aprender, juntos, habilidades necessárias para o desafio de ter um filho.5

Utilizem os momentos que a criança está na escola ou na terapia para fazerem algo breve em casal. Em casa, tirem instantes para namorar, cozinhar ou ouvir música juntos.

Sobre a dissonância de percepção na educação e no comportamento do filho, Dr. Rouse propõe uma prática benéfica: tire um momento antes de dormir para conversar com seu parceiro sobre a situação mais difícil e a mais recompensadora do dia. Estes balanços, tão positivos para afinar a vida em casal, também são estratégias eficientes para afinar a percepção sobre o filho.3

Mãe e filhos com TDAH: ainda mais interligados

Todos sabemos do poder das relações entre mães e filhos. A mãe é capaz de adoecer com seu filho, de vibrar junto com a felicidade do filho e de sentir tristeza paralisante frente ao fracasso do filho.

Porém, as mães de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm laços ainda mais sensíveis.

Foi o que descobriu um estudo da Universidade da Califórnia, em Irvine.6 Os pesquisadores avaliaram o humor das crianças com TDAH e de 51 mães a cada 30min. A descoberta não foi nada surpreendente: o humor das mães e dos filhos coincidiram. Os comportamentos que mais geraram estresse nas mães estavam relacionados à hiperatividade, falta de concentração e desobediência.7

Você e seu filho se influenciam mutuamente. Sua saúde mental e física é uma peça-chave na qualidade de vida da criança.

Agora, você já pode compreender a importância de pensar no tratamento do TDAH como uma dinâmica familiar, que inclui você e seu casamento. Abordagens integradas e a participação de toda a família transformam o peso da dificuldade em desafios (e celebrações) de crescimento conjunto.

1 WHY SELF-CARE IS ESSENTIAL TO PARENTING. THE CHILD MIND INSTITUTE. Disponível em: https://childmind.org/article/fighting-caregiver-burnout-special-needs-kids/ . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

2 LOVELL B et al., 2011. The psychosocial, endocrine and immune consequences of caring for a child with autism or ADHD. Psychoneuroendocrinology. 2012 Apr;37(4):534-42. doi: 10.1016/j.psyneuen.2011.08.003. Epub 2011 Sep 1. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21889267 . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

3 IMPACT ADHD. Disponível em: https://impactadhd.com/author/elainetaylorklaus/ . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

4 WYMBS et al., 2008. Rate and predictors of divorce among parents of youth with ADHD. J Consult Clin Psychol., 76(5), 735–744. doi:10.1037/a0012719 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2631569/ . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

5 DIVORCE MORE LIKELY IN ADHD FAMILIES?. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/news/20081024/divorce-more-likely-in-adhd-families#1 . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

6 WHALEN CK et al., 2008. Dissecting daily distress in mothers of children with ADHD: an electronic diary study. J Fam Psychol. 2011 Jun;25(3):402-11. doi: 10.1037/a0023473. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21517172 . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

7 THE ADHD ROLLERCOASTER: STRESSED PARENTS NEED HELP, TOO. LIVE SCIENCE. Disponível em: https://www.livescience.com/15198-adhd-stressed-parents.html . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

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