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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é um transtorno altamente prevalente afetando até cerca de 11% das crianças e 5% dos adultos. Ele está associado a altos níveis de prejuízo na capacidade funcional, incluindo a associação com outros transtornos psiquiátricos, dificuldades acadêmicas, acidentes domésticos e automobilísticos e ferimentos.

Evidências científicas têm demonstrado melhora significativa nos sintomas do TDAH com o uso de medicamentos estimulantes. Uma revisão sistemática e meta-análise com 40 estudos, publicada em 2020 no Journal of Psychiatric Research, buscou averiguar os efeitos do tratamento medicamentoso nos desfechos funcionais.

Essa revisão da literatura encontrou altos benefícios do uso de medicação, especialmente estimulantes, na diminuição do risco de comorbidade com transtornos de humor (depressão e bipolaridade), suicídio, criminalidade, acidentes e ferimentos, prejuízo na performance acadêmica, uso de substâncias e acidentes automobilísticos.

Ainda que alguns dos estudos tenham avaliado o uso de medicamentos não-estimulantes, a vasta maioria consistia de tratamento com estimulantes e nenhum estudo encontrou resultados para o uso isolado de não-estimulantes.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que o tratamento na infância com estimulantes poderia diminuir o risco de desenvolvimento de transtornos de humor na vida adulta bem como o desenvolvimento de transtornos de conduta em ambos os sexos.

Como os pesquisadores descrevem, os efeitos benéficos do uso de medicamentos eram mais proeminentes quando os pacientes eram aderentes  ao uso da medicação, ressaltando a importância de se trabalhar a adesão com os pacientes e a necessidade de se investigar ferramentas que melhorem a adesão ao tratamento.

Por fim, como os pesquisadores ressaltam, apesar dos efeitos protetivos observados com o uso de medicação, não é possível afirmar que o tratamento farmacológico seja o único fator influenciando nos desfechos funcionais. Além disso, foram encontrados resultados mistos na performance acadêmica, sugerindo que outros fatores além do TDAH (como habilidades cognitivas, transtornos de aprendizado, classe social e déficits nas funções executivas) possam exercer influência nesse desfecho.

Referência:
Boland H, DiSalvo M, Fried R, Woodworth KY, Wilens T, Faraone SV, Biederman J. A literature review and meta-analysis on the effects of ADHD medications on functional outcomes. J Psychiatr Res. 2020 Apr;123:21-30. doi: 10.1016/j.jpsychires.2020.01.006. Epub 2020 Jan 27. PMID: 32014701.

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CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

Qual será a relação entre TDAH e queimaduras?

De acordo com um estudo realizado em Taiwan, crianças e adolescentes com TDAH que fazem uso de medicação sofrem menos queimaduras que crianças e adolescentes com TDAH não medicados.

Essa relação a princípio parece fazer sentido: a desatenção pode ser um fator para a causa de acidentes.

Para realizar esse estudo, foram coletadas informações de um banco de dados de saúde nacional de Taiwan. Foram selecionados para a amostra indivíduos com menos de 18 anos com diagnóstico de TDAH (n=90.634) entre janeiro de 1996 e dezembro de 2013.

Os pesquisadores encontraram que:

Crianças e adolescentes com TDAH não medicados tinham um risco de 6,7% de sofrer queimaduras. Em contrapartida, aqueles que tinham recebido medicação por 3 meses ou menos tinham 4,5% de risco e aqueles que haviam recebido medicação por mais de 3 meses tinham um risco de 2,9%

Portanto, segundo os resultados, quando as crianças e os adolescentes eram tratados com medicação, havia uma queda no risco de queimaduras, sendo que aqueles que receberam ao menos 3 meses de medicação tiveram metade do risco daqueles que não receberam medicação.

Isso vai de encontro com pesquisas anteriores que sugeriram um link entre TDAH e maior tendência a sofrer acidentes, com esse link sendo especialmente maior para pacientes que não fazem uso de medicação.

Apesar de o desenho do estudo não ser capaz de mostrar relação de causa e efeito, parece plausível que o não uso de medicação aumente a incidência de queimaduras.

Esse estudo serve para ilustrar como o TDAH pode impactar a vida de uma pessoa, não só na sua saúde emocional como também na sua saúde física.

Comentário da curadoria do PRODAH:
Reforçando a ideia de que esse estudo não indica causalidade, lembrar que pais que buscam tratamento para o TDAH de suas crianças podem ser também pais que tem maior atenção aos seus filhos, incluindo aí os cuidados para evitar acidentes.

Artigo adaptado e traduzido de: https://blogs.psychcentral.com/adhd-millennial/2020/07/children-with-adhd-get-fewer-burns-when-they-receive-medication/

Referência:
Chen, V., Yang, Y., Yu Kuo, T., Lu, M., Tseng, W., Hou, T., . . . Gossop, M. (2020). Methylphenidate and the risk of burn injury among children with attention-deficit/hyperactivity disorder. Epidemiology and Psychiatric Sciences, 29, E146. doi:10.1017/S2045796020000608

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O AÇÚCAR TORNA AS CRIANÇAS HIPERATIVAS?

O AÇÚCAR TORNA AS CRIANÇAS HIPERATIVAS?

Você certamente já deve ter visto representado em algum filme crianças ficando enlouquecidas após ingerirem grandes quantidades de doces. Contudo, a ideia de que o açúcar cause hiperatividade em crianças não parece ser verdadeira, com evidências científicas apontando contra essa hipótese.

Em 1995, foi publicada uma meta-analise no JAMA que agrupou os resultados de 23 estudos científicos. Os resultados encontrados apontaram que o açúcar não afetava o comportamento ou a performance cognitiva de crianças. Nesse trabalho, foram incluídos apenas estudos controlados com placebo e cegos, o que significa que as crianças, os pais e os professores envolvidos na análise não sabiam quem tinha recebido açúcar ou placebo.

Entretanto, os autores na época ressaltaram que não era possível eliminar um “pequeno efeito” e que eram necessários mais estudos.

Existe a possibilidade que certas crianças possam responder de forma diferente ao açúcar. Apesar disso, os estudos de maneira geral apontam que certamente não há um efeito tão grande quanto o dramatizado nos filmes ou relatado pelos pais.

Em 2017, outro estudo publicado no International Journal of Food Sciences and Nutrition investigou o impacto do consume de açúcar no sono e no comportamento de 287 crianças com idades entre 8-12 anos.

Os pesquisadores coletaram informações através de questionários de frequência alimentar, de sono, de comportamento e de dados demográficos. Surpreendentemente, 81% das crianças consumiam mais do que a dose diária recomendada de açúcar.

Ainda assim, os pesquisadores concluíram que “O consumo total de açúcar não estava relacionado a problemas de sono e comportamento, nem afetava a relação entre essas variáveis”.

Parece claro, portanto, que se o açúcar impacta na hiperatividade, o efeito não é acentuado nem está presente na maioria das crianças

Apesar disso, alguns pais podem ainda acreditar que seus filhos fiquem hiperativos após consumir açúcar, o que pode se dever, em parte, as expectativas dos próprios pais.

Para verificar esse efeito, um estudo publicado em 1994 no Journal of Abnormal Child Psychology avaliou 35 meninos com idades entre 5-7 cujas mães os descreviam como “sensíveis ao açúcar”.

As crianças foram divididas em dois grupos. Todas receberam placebo. Para metade das mães foi dito que seus filhos tinham recebido placebo e as outras foram ditas que seus filhos tinham recebido uma alta dose de açúcar.

Os pesquisadores filmaram as mães e os filhos enquanto eles interagiam e eram questionados quanto a interação. Os autores encontraram os seguintes achados:

As mães que acreditavam que seus filhos tinham recebido açúcar pontuaram seus filhos como significativamente mais hiperativos. Observações comportamentais revelaram que essas mães exerciam mais controle ao manter mais proximidade física bem como ao mostrar mais tendência a criticar, observar e a conversar com seus filhos do que as mães do grupo controle.

Vale lembrar também que a mídia tem um papel importante na perpetuação do mito, ao retratar em filmes e desenhos um boost de energia após o consumo de açúcar.

Além disso, muitas vezes o cenário em que as crianças consomem muito açúcar é um cenário de festas de aniversário, em que as crianças estão se divertindo e estão propensas a ficarem mais excitáveis a despeito do consumo de açúcar. De forma similar, se um doce é dado como um “presente especial”, o simples fato de receber uma recompensa pode fazer com que as crianças fiquem mais excitadas.

Mas então de onde veio essa ideia?

Em 1947, Dr. Theron G. Randolph, publicou um artigo discutindo o papel de alergias alimentares na fatiga, irritabilidade e problemas comportamentais em crianças. Além de outros fatores, ele descreveu a sensibilidade aos açucares do milho, ou ao xarope de milho, como a causa da “síndrome de fatiga´tensional” em crianças, sintomas que incluem cansaço e irritabilidade.

Nos anos 1970, o açúcar foi culpabilizado por causar hipoglicemia funcional ou reativa- em outras palavras, uma queda na glicemia (nível de açúcar no sangue) após uma refeição- o que pode causar sintomas como ansiedade, confusão e irritabilidade.

Essas foram as duas teorias proeminentes que cunharam a crença de que o açúcar impactava negativamente o comportamento de crianças. Contudo, nenhuma dessas teorias é atualmente respaldada pela literatura.

Entre os anos 1970 e 1980, muitos estudos pareciam apontar que crianças mais hiperativas consumiam mais açúcar. Entretanto, por serem estudos transversais (avaliaram as crianças em apenas um momento no tempo), é impossível dizer se o açúcar causa hiperatividade ou se a hiperatividade levava a um maior consumo de açúcar.

Desde os anos 90, os estudos que analisaram a hiperatividade e o consumo de açúcar apontaram para uma ausência de relação, sendo considerado por muitos um assunto resolvido. Porém existe uma área que ainda continua em estudo:

O grupo específico de crianças com Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Atualmente, alguns estudos buscam avaliar se uma dieta com alta quantidade açúcar pode aumentar o risco de desenvolvimento de TDAH enquanto outros buscam avaliar se o açúcar poderia exacerbar os sintomas de TDAH em crianças diagnosticadas.

Nesse sentido, em 2011  um estudo que acompanhou 107 crianças da quinta série não encontrou associação entre o volume total de consumo de açúcar em lanches com o desenvolvimento de  TDAH.

Já em 2019, uma  meta-analise publicada no Journal of Affective Disorders encontrou uma “evidência de associação entre os padrões alimentares e o TDAH”. Os autores desse estudo concluíram que “uma dieta com alto grau de açúcar refinado e gordura saturada pode aumentar o risco” de TDAH e que uma dieta com alto grau de frutas e vegetais seria protetiva.

Contudo, eles reconhecem que a evidência é fraca. Por exemplo, dos 14 estudos que encontraram uma relação entre dieta e TDAH, 10 usaram um desenho transversal ou de caso e controle, ambos os quais são estudos observacionais com limitada capacidade de postular conclusões.

Os autores da meta-analise também ressaltam um ponto importante: existe evidência que pessoas com TDAH têm mais tendência a engajar em comportamentos de compulsão alimentar. Isso significa que o consumo de alimentos com alto teor de açúcar -que ativam as redes de recompensa do cérebro- podem ser resultado do TDAH.

Para sumarizar, ao que parece, o açúcar não causa hiperatividade na vasta maioria das crianças. Estudos no futuro até podem encontrar um efeito pequeno, porém as evidências atuais sugerem que essa associação é um mito. Mas lembre-se: isso não significa que uma dieta com excessiva quantidade de açúcar seja benéfica, dado que ela pode implicar em outros problemas de saúde, como diabetes e sobrepeso.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.medicalnewstoday.com/articles/medical-myths-does-sugar-make-children-hyperactive#Sugar-and-hyperactivity-in-children

 

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TEMPO DE EXPOSIÇÃO A TELAS ANTES DE DORMIR E O EFEITO NO SONO DE CRIANÇAS

TEMPO DE EXPOSIÇÃO A TELAS ANTES DE DORMIR E O EFEITO NO SONO DE CRIANÇAS

Muito se houve falar, sobretudo quando o tema é higiene do sono, que a exposição às telas como televisão e celular próximo ao horário de dormir tem um efeito negativo na qualidade do sono, o que pode ser um motivo de preocupação para pais de crianças e adolescentes.

Um estudo financiado pelo instituto Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development (NICHD) encontrou que o uso de mídias eletrônicas a noite estava associado a redução do sono em crianças, mais acentuadamente naquelas que pontuavam menos em uma medida de auto-controle – a capacidade de filtrar impulsos inapropriados, focar a atenção e completar tarefas difíceis.

Embora seja possível ajudar crianças a desenvolver auto-controle, os pesquisadores dizem que seria mais produtivo ajudá-las a desenvolver um hábito saudável de uso de telas e de rotina de sono antes da adolescência, quando os pais passam a ter menos influência nos hábitos de sono de seus filhos.

O estudo foi conduzido por Kathryn Lemery-Chalfant, Ph.D., da Arizona State University, e colegas e foi publicado na Psychological Science.

Estudos anteriores haviam associado o uso de mídias eletrônicas próximo do horário de dormir com diferenças na qualidade, quantidade e tempo de sono em crianças e adolescentes. O presente estudo se propôs então a avaliar se essa associação variaria de acordo com as características das crianças. Eles buscaram determinar se diferenças na capacidade de auto-controle seriam capazes de influenciar o sono após o uso de mídias.

Os pesquisadores acompanharam o padrão de sono de 547 crianças, com idades entre 7 e 9 anos, por uma semana. Os pais mantinham diários dos horários que seus filhos iam dormir e acordavam e dos horários em que eles usavam mídias. O uso de mídias consistia em usar um computador desktop ou laptop, ver televisão, jogar videogames ou usar um telefone celular ou tablet para jogos ou internet.  Para avaliar objetivamente o sono, as crianças usavam actígrafos – dispositivos semelhantes a um relógio de pulso que analisava os seus movimentos e a luz ambiente. Ao registrarem  inatividade, os pesquisadores estimavam quanto tempo as crianças dormiram.

Os pais responderam ao questionário “Temperament in Middle Childhood Questionnaire”, desenhado para pontuar os traços de personalidade dos seus filhos, incluindo o auto-controle. As medidas de auto-controle incluíam o grau de capacidade que as crianças tinham para se obrigar a fazer os temas de casa, mesmo quando elas tinham vontade de brincar; se elas se distraiam facilmente ao ouvir uma história e se elas tinham facilidade em esperar para abrir um presente.

Em média, as crianças dormiam 8 horar por noite e usavam mídia antes de dormir em 5 das 7 noites. Aquelas que usavam mídia antes de dormir, dormiam em média 23 minutos a menos por noite e iam dormir 34 minutos mais tarde que aquelas que não usavam. Contudo, ao comparar usos equivalentes de mídia antes de dormir, crianças que tinham um alto grau de auto-controle dormiam 8 horas e aquelas com baixo grau de auto-controle dormiam 40 minutos a menos.

Portanto, de acordo com os resultados, a capacidade de auto-controle seria capaz de atenuar o efeito do uso de mídias a noite sobre o sono. Os pesquisadores teorizaram que crianças com baixo nível de auto-controle podem ter dificuldade de se acalmar após usarem mídias e podem ter dificuldade de adormecer. Apesar de que o auto-controle possa ser melhorado, eles adicionam, isso é um traço de personalidade e é difícil de mudar.

“Ao invés dos pais pensarem em como eles podem ajudar seu filho a melhor regular seu comportamento, eles podem tentar focar em desenvolver um cronograma mais consistente do sono e do uso de mídias”, disse a autora Leah Doane, Ph.D., da Arizona State University.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.nichd.nih.gov/newsroom/news/062620-screen-time

Mensagem da curadoria PRODAH:
Lembrem sempre que estudo de correlação não mede causalidade. Pode ser que exista algum fator biológico cerebral que determina tanto a dificuldade de sono, como de autocontrole e de maior avidez por tempo de tela, ou ainda causalidade inversa, ou seja, quem dorme menos, tem menos autocontrole e por ter menos necessidade de sono fica mais tempo na tela.

Referência:
1.Clifford S, Doane LD, Breitenstein R, Grimm KJ, Lemery-Chalfant K. Effortful Control Moderates the Relation Between Electronic-Media Use and Objective Sleep Indicators in Childhood. Psychological Science. 2020;31(7):822-834. doi:10.1177/0956797620919432

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RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) está relacionado com o desenvolvimento de depressão na vida adulta. A razão para isso poderia se dever tanto ao estresse psicológico advindo do transtorno quanto a alguma relação de base neurobioquímica.

Um artigo publicado na Psychological Medicine buscou avaliar se o TDAH e a predisposição genética ao TDAH teriam alguma relação causal com o desenvolvimento de depressão ao longo da vida. Uma relação desse tipo poderia indicar que o tratamento do TDAH é capaz de diminuir o risco de depressão.

Alguns estudos anteriores com gêmeos haviam postulado que a ocorrência simultânea de depressão e TDAH poderia se dever a riscos genéticos compartilhados. Nesse sentido, fatores de risco em comum poderiam fazer com que algumas pessoas desenvolvessem TDAH e outras depressão. Em contrapartida, o presente estudo buscou distinguir se o próprio TDAH seria fator de risco.

Os dados foram coletados da coorte prospectiva longitudinal “Avon Longitudinal Study of Parents and Children” (ALSPAC). Foram incluídos para análise 8310 indivíduos que foram avaliados para TDAH aos 7 anos de idade usando a subescala de avaliação parental de TDAH do Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ). Os dados sobre depressão foram coletados usando o Short Moods and Feeling Questionnaire (sMFQ) aos 18, 21, 22, 23 e 25 anos de idade. 57% (n=4771) dos participantes tiveram dados de depressão coletados ao menos uma vez nesses 5 períodos.

Para avaliar o efeito do risco genético de TDAH na depressão, dados de genética foram coletados do estudo de genética ampla de indivíduos com ascendência europeia para TDAH e Depressão maior.

Ao todo, 6,4% (n= 530) dos participantes foram diagnosticados com TDAH aos 7 anos e 26,7% tiveram depressão recorrente na idade adulta. Aproximadamente 32,7% daqueles com TDAH na infância tiveram depressão recorrente na idade adulta comparado com 26,5% daqueles sem TDAH. Alternativamente, entre aqueles que tinham depressão recorrente na vida adulta, aproximadamente 7,8% deles tiveram TDAH na infância comparado com 5,9% sem depressão.

O TDAH na infância foi associado com um aumento de risco de depressão recorrente na idade adulta (: OR 1.35, 95% CI 1.05–1.73, p = 0.02). Esses achados se mantiveram ao se controlar para sexo, adversidades na vida, educação materna e depressão materna (OR 1.38, 95% CI 1.07–1.79, p = 0.01).

Análises de randomização mendelianas sugeriram um efeito causal da susceptibilidade genética do TDAH na depressão maior (OR 1.21, 95% CI 1.12–1.31). Porém, análises feitas com definições mais amplas de depressão diferiram, mostrando uma influência fraca no desenvolvimento de depressão (OR 1.07, 95% CI 1.02–1.13).

Como os pesquisadores concluem, as análises longitudinais mostraram que o TDAH é um fator de risco para a depressão na vida adulta e as análises de randomização mendeliana reforçam um efeito causal do TDAH na depressão maior, apesar de que esses resultados variaram conforme a definição de depressão utilizada. Além disso, é importante notar que o TDAH em si não é um fator de risco forte para a depressão na vida adulta e muitos indivíduos desenvolverão depressão por outras razões.

Referencia:

-Riglin, L., Leppert, B., Dardani, C., Thapar, A. K., Rice, F., O’Donovan, M. C., … Thapar, A. (2020). ADHD and depression: investigating a causal explanation. Psychological Medicine, 1–8. doi:10.1017/s0033291720000665

 

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