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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

CARGA DE DOENÇA E CUSTOS MÉDICOS DO DIAGNÓSTICO DE TDAH EM ADULTOS.

CARGA DE DOENÇA E CUSTOS MÉDICOS DO DIAGNÓSTICO DE TDAH EM ADULTOS.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, ainda é pouco reconhecido na população adulta, apesar de seu impacto na qualidade de vida.

Um estudo retrospectivo de coorte longitudinal publicado em 2020 buscou analisar os custos médicos e a carga de doença do TDAH diagnosticado em adultos.

Para isso, os pesquisadores coletaram informações em alemão do banco de dados InGef de seguros de vida estatutários. Ao todo, foram identificados 2,380 indivíduos adultos que receberam diagnóstico de TDAH, sendo que 60% deles eram homens e tinham uma média de idade ao diagnóstico de 35 anos. Os pacientes então tiveram seus dados analisados antes e depois de receberem o diagnóstico, no período entre 2012 e 2017.

Os pacientes foram subsequentemente classificados de acordo com a prescrição de medicamentos específicos para TDAH. Os pacientes que receberam ao menos 2 prescrições de medicamento durante o primeiro ano após o diagnóstico foram classificados como “uso inicial de medicação para TDAH”, enquanto aqueles que receberam apenas uma ou nenhuma foram classificados como não tendo medicação inicial. 

Os pesquisadores encontraram que, nos anos anteriores ao diagnóstico, as comorbidades psiquiátricas, medicamentos para transtornos específicos (principalmente antidepressivos), psicoterapia e custos em saúde aumentavam, atingindo um pico no ano do diagnóstico. Após o diagnóstico, essas variáveis tendiam a cair porém eram maiores comparado com os níveis observados antes do diagnóstico. Isso sugere um aumento progressivo da carga sintomática ao longo dos anos antes do diagnóstico. Estudos anteriores já haviam demonstrado que o atraso no reconhecimento do TDAH pode levar ao aparecimento ou piora de várias comorbidades psiquiátricas. 

Além disso, comorbidades, medicamentos correspondentes, psicoterapia, custos em saúde, auxílio doença e dias de licença médica eram mais frequentes em pacientes com uso inicial de medicação, sugerindo uma maior carga de doença. 

Um achado importante do estudo foi que menos de 1/3 dos pacientes receberam qualquer prescrição de medicamento para TDAH no início do diagnóstico. Ao mesmo tempo, cerca de 2/3 dos indivíduos receberam psicoterapia no ano do diagnóstico. Isso mostra que o uso de estimulantes é ainda relutantemente prescrito na população adulta.

O desenho longitudinal desse estudo permitiu um acompanhamento dos pacientes antes e depois do diagnóstico de TDAH. Porém, uma das limitações do estudo é que alguns indivíduos podem ter recebido o diagnóstico de TDAH na infância, o que não pôde ser analisado dentro do período de dados coletados no estudo.

Referência:
Libutzki B, May M, Gleitz M, Karus M, Neukirch B, Hartman CA, Reif A. Disease burden and direct medical costs of incident adult ADHD: A retrospective longitudinal analysis based on German statutory health insurance claims data. Eur Psychiatry. 2020 Oct 1;63(1):e86. doi: 10.1192/j.eurpsy.2020.84. PMID: 32998793; PMCID: PMC7576526.

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TDAH NO ADULTO E ADESÃO AO TRATAMENTO

TDAH NO ADULTO E ADESÃO AO TRATAMENTO

Por muito tempo o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade) foi considerado um transtorno apenas da infância. Hoje em dia reconhecemos que ele pode permanecer ao longo da vida ou aparecer somente na idade adulta. O TDAH afeta milhares de pessoas ao redor do mundo, podendo causar sofrimento tanto para os pacientes quanto para as pessoas que convivem com quem tem TDAH. Por isso, é importante reconhecer, tratar e entender mais sobre ele e esse é o objetivo do canal FOCUS TDAH.  Nesse vídeo o Dr. Luis Augusto Rohde fala sobre TDAH no ADULTO, a importância do tratamento e sua adesão e como o app FOCUS pode ajudar na gestão do TDAH.

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COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DE TDAH?

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DE TDAH?

Você tem TDAH ou conhece alguém que tenha? Sabe como é feito o diagnóstico? O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade) é um transtorno que afeta milhares de pessoas ao redor do mundo, podendo causar sofrimento tanto para os pacientes quanto para as pessoas que convivem com quem tem TDAH. Por isso, é importante que ele seja identificado e tratado. Nesse vídeo a gente te explica como e por quem é feito o diagnóstico, e algumas coisas que você precisa saber sobre o TDAH.

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NOVA MEDICAÇÃO PARA TRATAMENTO DO TDAH EM ESTUDO

NOVA MEDICAÇÃO PARA TRATAMENTO DO TDAH EM ESTUDO

A companhia farmacêutica Otsuka Pharmaceutical Co., Ltd e a sua subsidiária Otsuka Pharmaceutical Development & Commercialization, Inc. anunciaram recentemente resultados promissores de dois estudos que avaliaram os efeitos da centanafadina, uma nova medicação produzida pela empresa para o tratamento do TDAH.

A centanafadina é um inibidor da recaptação de seretonina, norepinefrina e dopamina. Para avaliar a sua eficácia, segurança e tolerabilidade foram realizados 2 ensaios clínicos de fase 3 com duração de 6 semanas. Aproximadamente 900 pacientes adultos com idades entre 18-55 anos e com diagnóstico de TDAH participaram do estudo. Os participantes foram randomizados para receber centanafadina na dose de 100 ou 200mg duas vezes ao dia ou para receber placebo duas vezes ao dia. Ambos os estudos foram randomizados,  duplo-cegos, multicêntricos e controlados com placebo com grupos paralelos. 

Os resultados mostraram que tanto a dose diária de 200mg quanto a de 400mg da centanafadina providenciaram melhoras estatisticamente significativas em comparação ao placebo nos sintomas de TDAH, avaliados com base na escala mais utilizada em estudos em adultos – a ADHD investigator symptom rating scale (AISRS) para adultos. 

Os efeitos adversos mais frequentemente observados foram perda de apetite, dor de cabeça, náusea, boca seca, infecção do trato respiratório superior e diarreia. Um outro estudo paralelo, com duração mais longa, também está sendo feito para avaliar a segurança e tolerabilidade da dose diária de 400mg, com resultados esperados para 2021. 

A companhia pretende investigar também os efeitos da nova medicação em pacientes pediátricos bem como aguarda os próximos passos para a liberação e aprovação para uso pelo FDA (U.S. Food and Drug Administration).

Fonte: 

– https://www.otsuka-us.com/discover/otsuka-announces-positive-top-line-results-from-two-phase-3-studies-of-centanafadine

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TDAH EM ADULTOS: COMO SABER SE VOCÊ TEM TDAH?

TDAH EM ADULTOS: COMO SABER SE VOCÊ TEM TDAH?

 

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ao contrário de que muitos pensam, não é apenas um problema de crianças e adolescentes. Algumas estimativas apontam que cerca de 2.5 a 3,4% da população adulta ao redor do globo possui TDAH. Além disso, o TDAH é um transtorno que na maioria dos casos persiste da infância até a vida adulta.

Adultos com TDAH também sofrem frequentemente de outros transtornos psiquiátricos comórbidos, como: Transtornos de Humor, Transtornos de Ansiedade e Transtorno de uso de substâncias.

Muitas pessoas podem acabar recebendo o diagnóstico de TDAH apenas na vida adulta. Em algumas situações, os sintomas se tornam mais evidentes à medida em que as demandas se tornam mais complexas, como é o caso da entrada no ensino superior ou no mercado de trabalho, ou mesmo a simples saída de casa da família para morar sozinho.

Com a popularização recente do TDAH e do uso de estimulantes na mídia, muitas pessoas passaram a se questionar sobre a possibilidade de possuírem o transtorno. Não somente pessoas que por ventura não receberam ao diagnóstico, mas também indivíduos que não possuem TDAH, dado que alguns dos sintomas associados ao transtorno são relativamente comuns.

Então, como você pode saber se é um candidato a receber uma avaliação para TDAH? 

As manifestações do TDAH tendem a ser um pouco diferentes em adultos e crianças. Adultos tendem a sofrer mais de problemas de desatenção ao passo que os sintomas de hiperatividade são menos proeminentes.

De maneira geral, adultos com TDAH sofrem de problemas como:

– Dificuldade para organizar tarefas e priorizar atividades

– Dificuldade para iniciar e completar tarefas

– Esquecimento

– Procrastinação

– Pouca habilidade para manejar do tempo

– Labilidade emocional, irritabilidade e falta de motivação

– Impulsividade

Esses problemas podem levar a consequências como:

– Dificuldade em realizar os compromissos do dia-a-dia como limpeza da casa, pagamento de contas, etc.

– Grande variabilidade na produtividade. Com momentos de trabalho excessivo e períodos de inércia

– As tarefas são realizadas apenas de última hora ou não chegam a ser feitas.

– Perda de prazos ou compromissos

– Problemas no trabalho ou na performance acadêmica, com perda ou abandono de empregos

– Problemas nos relacionamentos por esquecimento ou por não completar compromissos

– Maiores taxas de acidentes de trânsito ou multas de trânsito por desatenção ou impulsividade  e maiores taxas de abuso de substâncias

– Sentimento de inquietude, incapacidade de aguardar sua vez de falar ou ser atendido.  Comportamentos como falar demais ou interromper os outros.

O que fazer se você suspeitar que tem TDAH?

Se você suspeita de que possa ter TDAH, é importante que você receba uma avaliação por um profissional de saúde mental habilitado. O diagnóstico de TDAH engloba uma avaliação detalhada de vários aspectos da vida de um indivíduo e as vezes pode ser necessário mais de um encontro com o especialista para firmar o diagnóstico. É necessário também que sejam descartadas outras causas que possam explicar os sintomas como outros transtornos psiquiátricos e até mesmos problemas de saúde física como doenças da tireoide. Após a investigação, o profissional de saúde pode determinar qual o tratamento mais adequado, como uso de medicamentos estimulantes e terapia cognitivo-comportamental, caso seja necessário.

Referências:

Fayyad J, De Graaf R, Kessler R, Alonso J, Angermeyer M, Demyttenaere K, De Girolamo G, Haro JM, Karam EG, Lara C, Lépine JP, Ormel J, Posada-Villa J, Zaslavsky AM, Jin R. Cross-national prevalence and correlates of adult attention-deficit hyperactivity disorder. Br J Psychiatry. 2007 May;190:402-9. doi: 10.1192/bjp.bp.106.034389. PMID: 17470954.

https://www.cdc.gov/ncbddd/adhd/diagnosis.html

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RELAÇÃO ENTRE INSÔNIA E CONSUMO DE ÁLCOOL COM SINTOMAS DE TDAH

RELAÇÃO ENTRE INSÔNIA E CONSUMO DE ÁLCOOL COM SINTOMAS DE TDAH

Um estudo publicado no Frontiers in Psychology encontrou uma associação significativa entre a severidade dos sintomas de TDAH e abuso de álcool e insônia.

Pesquisadores da Universidade de Bergen na Noruega selecionaram randomicamente pacientes adultos com TDAH diagnosticados entre 1997 e 2005 e pacientes controle saudáveis do Registro Médico de Nascimentos da Noruega. Os participantes com diagnóstico de TDAH(n=235) e os controles(n-184) completaram um questionário que avaliava insônia, consumo de álcool e sintomas presentes de TDAH.

Os pesquisadores usaram a Escala de Insônia de Bergen, o Teste de Identificação de Transtorno de Uso de Álcool (AUDIT) e a Escala Adult  ADHD Self-Report Scale (ASRS) (a mesma usada pelo FOCUS) para avaliar os sintomas. Pacientes com TDAH tinham a opção de fornecer informações sobre o TDAH na infância e sintomas internalizantes ao longo da vida.

Comparado com o grupo controle, uma proporção significativamente menor de pacientes com TDAH havia completado a universidade (34.3% vs 77.8%; P <.001) ou estava empregada (40.2% vs 88.4%; P <.001). A média da soma de pontos do teste AUDIT foi significativamente maior no grupo TDAH vs controle (13.59 vs 12.32; P <.005), sugerindo maior severidade no consumo de álcool em pacientes com TDAH. O que vai de encontro com outros estudos que avaliaram a relação entre TDAH e abuso de substâncias. Além disso, a Insônia também foi mais frequente no grupo com TDAH (67.2% vs 28.8%; P <.001).

Entre os pacientes com insônia, 46,9% no grupo TDAH e 24,6% no grupo controle relataram beber ao menos 5-6 unidades de álcool quando bebiam. A Insônia foi associada a maior gravidade da pontuação na ASRS, tanto nos pacientes com TDAH quanto nos controles. A variação nos sintomas de TDAH em pacientes com esse diagnóstico foi explicada pela insônia e pelos sintomas internalizantes mas não pelo consumo de álcool. No grupo controle, contudo, os sintomas de TDAH foram significativamente associados com o uso de álcool.

Uma das limitações dos estudos é a de que os dados foram fornecidos através de uma auto avaliação, e os pacientes podem ter relatado um menor consumo de álcool.

O uso de álcool pode estar associado com sintomas de TDAH, mesmo em adultos sem diagnóstico clínico de TDAH. Adicionalmente, a insônia foi associada com aumento no consumo de álcool e maior gravidade dos sintomas de TDAH em ambos os grupos.

Artigo adaptado e traduzido de:  https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/sleep-wake-disorders/insomnia-disorder/insomnia-and-alcohol-consumption-linked-to-adhd-symptoms/

Referencia:

-Lundervold AJ, Jensen DA, Haavik J. Insomnia, alcohol consumption and ADHD symptoms in adults [published online May 27, 2020]. Front Psychol. doi: 10.3389/fpsyg.2020.01150

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RECEBER UM DIAGNÓSTICO DE TDAH PODE PREJUDICAR A PERFORMANCE ACADÊMICA?

RECEBER UM DIAGNÓSTICO DE TDAH PODE PREJUDICAR A PERFORMANCE ACADÊMICA?

O diagnóstico de doenças -tanto físicas como mentais- além de influenciar no tratamento e prognóstico, possui um impacto psicológico no paciente. Comparando-se afecções físicas e mentais, esse impacto pode ser muito maior nos transtornos psiquiátricos, seja pelo estigma social ou por serem doenças com potencial de influenciar diversos aspectos da vida.

Recentemente, foi publicado um estudo sobre os efeitos do diagnóstico de TDAH em crianças no Sociology of Education. Os resultados levantam uma questão interessante: a intensidade dos sintomas antes do diagnóstico pode estar associada ao ajustamento após o mesmo. No estudo, as crianças que tinham sintomas menos graves de TDAH antes do diagnóstico que usaram medicação ou não tinham ajustamento de comportamento social e acadêmico pós diagnóstico pior do que as crianças sem TDAH. Já as crianças com sintomas mais graves de TDAH antes do diagnóstico que usaram medicação tiveram um ajustamento pós-diagnóstico similar ao das crianças sem diagnóstico. Os autores do estudo interpretaram os achados como sinalizando que o diagnóstico e tratamento teve um efeito deletério em crianças com TDAH mais leve, diferentemente dos casos de TDAH com sintomas mais intensos.

Alguns pesquisadores teorizam que crianças com TDAH em idade escolar demonstram consciência das diferenças entre elas e os outros, fazendo com que elas inconscientemente diminuam sua performance em medidas sociais e acadêmicas em comparação com seus colegas, ao mesmo tempo em que a medicação poderia reforçar essa diferença de percepção.

Outros estudos também sugerem o impacto do rótulo na avaliação dos estudantes pelos professores. Mesmo quando apresentados com descrições hipotéticas sobre estudantes, os professores tendiam a avaliar a inteligência, o comportamento e a personalidade dos estudantes com TDAH desfavoravelmente em relação com seus colegas.

O estudo publicado no Sociology of Education analisou dados longitudinais de cerca de 10.000 estudantes de ensino fundamental dos Estados Unidos. Os dados, retirados da Early Childhood Longitudinal Study-Kindergarten Cohort (ECLS-K), foram coletados entre 1998 a 2008 pelo National Center for Education Statistics. Esses dados permitiram que pesquisadores observassem os efeitos a longo prazo do diagnóstico de TDAH e da medicação na performance acadêmica e social das crianças.

Contudo, os dados do ECLS-K possuem várias limitações. Todos os dados sobre TDAH provém de apenas três perguntas feitas aos pais sobre o diagnóstico entre a primeira e terceira séries do ensino fundamental, ou seja, nenhuma avaliação diagnóstica foi feita. A pergunta sobre uso de medicação foi feita apenas sobre uso corrente. Portanto, se naquele período, os pais reportaram que seus filhos não faziam uso de medicação, o ECLS-K computou que eles nunca fizeram uso de medicação, mesmo que tenham feito uso anteriormente ou que viessem a fazer uso depois. Isso pode ter feito com que as conclusões desses estudos sobre o impacto do uso de medicação na aprendizagem tenham sido enviesadas. Além disso, não houve avaliação da dosagem, aderência e o tempo de tratamento do TDAH, fatores que podem contribuir na performance. Sabe-se, por exemplo, que pais de crianças com sintomas mais graves de TDAH tendem a manter de forma mais consistente o tratamento medicamentoso de seus filhos, o que poderia resultar nos melhores resultados para esse grupo vistos no estudo. Pais de crianças com sintomas de TDAH mais leve aderem pior, o que pode determinar pior ajustamento futuro de seus filhos pelo uso inadequado do tratamento.

“Nós precisamos de um estudo de acompanhamento longo, com controles -não apenas estudantes não diagnosticados- que acompanhe os participantes dos 7 aos 18 anos”, disse o Dr Atih Amanda Seif, psiquiatra de crianças e adolescentes de Los Angeles, “uma vez que muitos estudantes não demonstram sintomas de TDAH até a adolescência”. Além disso, ao focar em melhorias em testes padronizados “estamos focados em medidas que podem mascarar outras melhorias que os estudantes experienciam ao tomar medicação para os seus sintomas de TDAH”.

Apesar das falhas potenciais nesses estudos, esses achados nos lembram a importância de se levar em consideração as percepções e o estigma envolvendo o TDAH e os problemas de comportamento ou aprendizado. Eles também apontam para o estresse dos pais e professores e para a estrutura dos sistemas de ensino que se baseia fortemente em testes padronizados.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.neurologyadvisor.com/topics/neurobehavioral-disorders/adhd-diagnosis-effect-on-academic-performance/

 

 

 

 

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APONTANDO A DIFERENÇA ENTRE DEMÊNCIA E TDAH EM ADULTOS MAIS VELHOS.

APONTANDO A DIFERENÇA ENTRE DEMÊNCIA E TDAH EM ADULTOS MAIS VELHOS.

Nós podemos pensar que um aumento do esquecimento na idade avançada é um sinal de alarme de declínio cognitivo ou demência. Contudo, parece que alguns dos sintomas cognitivos podem ser manifestações de outra condição crônica: o déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Como Stephanie Collier – psiquiatra no hospital McLean- escreve, enquanto muitos de nós pensamos no TDAH como uma doença da infância, ele pode afetar adultos mais velhos. De fato, cerca de 3 em cada 100 adultos tem TDAH.

A pratica clínica e a pesquisa sobre TDAH têm aumentado: cada vez mais pessoas têm recebido diagnóstico e tratamento para o TDAH, e pesquisadores acreditam que o TDAH é uma das desordens mais herdáveis da medicina. Entretanto, por conta do TDAH ter sido mais compreendido nas últimas décadas, para muitos, ele passou despercebido, e a pesquisa e pratica clínica com adultos mais velhos com TDAH é ainda escassa.

“Pessoas mais velhas com TDAH que nunca foram diagnosticadas podem temer que estão desenvolvendo demência porque são distraídas e esquecidas”, disse Kathleen Nadeau, fundadora e diretora clínica do The Chesapeake Center ADHD,Learning and Behavioral Health.

Apesar disso, ela diz, é difícil encontrar médicos experientes: “muito poucos neurologistas tiveram algum treinamento sobre como reconhecer e diagnosticar o TDAH em adultos.”

E, devido aos sintomas se assemelharem aos da demência, declínio cognitivo leve ou envelhecimento normal, é preciso ter um olhar crítico e fazer uma análise cuidadosa para se diagnosticar corretamente adultos mais velhos com TDAH.

Procurando sinais de TDAH não diagnosticado em adultos

“Para distinguir o TDAH de alterações cognitivas relacionadas a idade é preciso entender que o TDAH é um transtorno da infância e adolescência que persiste na vida adulta”, disse Paul Goodman, professor assistente de psiquiatria e ciências do comportamento na Johns Hopkins University School of Medicine.

Para averiguar se os pacientes tiveram TDAH no início da vida, Goodman geralmente pergunta para seus pacientes sobre seus sintomas no ensino fundamental e no ensino médio, na faculdade ou no início da carreira de trabalho.

De acordo com J Russell Ramsay, professor associado de psicologia clínica na University of  Pennsylvania Perelman School of Medicine, os membros da família podem ajudar a relembrar a presença desses sintomas durante a vida de uma pessoa. Relatórios escolares também podem fornecer pistas.

As pessoas podem ter tido dificuldade de se concentrar nas aulas. Talvez elas tenham sido conhecidas como os “palhaços da turma”. Alguns podem não ter avançado os estudos tanto quanto queriam. Elas podem ter trocado de emprego frequentemente. No trabalho, as pessoas podem ter tido dificuldade em completar as tarefas com eficiência, falhando em seguir os cronogramas e trabalhando extra para compensar por sua procrastinação.

“O TDAH não aparece repentinamente quando você tem 75 anos”,disse Nadeau. “Para fazer o diagnóstico diferencial, você precisa colher informações de fontes confiáveis, pessoas que conhecem o paciente há muitos anos. ”

Segundo Ramsay, os médicos também podem diferenciar melhor se uma pessoa está apresentando sintomas de TDAH ao invés de outras condições perguntando sobre suas habilidades de auto-regulação – como ela maneja o tempo, organiza suas tarefas e se motiva para completar as atividades.

Algumas pessoas podem ter tido sintomas de TDAH muito leves para um diagnóstico formal, disse Nadeau, especialmente aquelas com um QI alto que podem ter sido capazes de compensar os problemas do TDAH. Entretanto, os sintomas das pessoas podem piorar conforme elas assumem tarefas mais complexas.

O vai e vem dos sintomas do TDAH

“Nós temos estereótipos de que pessoas com TDAH são todas hiperativas, são maus alunos e de que elas não chegam muito longe na vida”, disse Nadeau. “De fato essas pessoas existem, mas o TDAH aparece entre uma gama variada de habilidades”.

Nadeau tinha um paciente que era um estudante de sucesso com um diploma e mestrado em Harvard. Ao ser deparado com a tarefa difícil de completar sua dissertação para seu doutorado em filosofia, os seus sintomas de TDAH pioraram.

“Ele apenas não conseguia se organizar para fazer esse projeto longo”, disse Nadeau.

“O que nós observamos é que se as pessoas são espertas, moram em lares acolhedores e bem organizados e vão para escolas que não são terrivelmente desafiadoras para elas, elas podem ser estudantes notáveis. E mesmo assim elas têm TDAH, e o TDAH começa a se manifestar conforme a escola se torna mais demandante. ”

Os sintomas de TDAH também podem aflorar quando as pessoas perdem a estrutura de suas vidas. Em adultos com TDAH, isso pode ocorrer junto com a aposentadoria.

Muitos podem achar que o abandono da rotina diária de trabalho seja um grande ajuste, e para adultos com TDAH, isso pode fazer com que os sintomas apareçam. Esses sintomas podem causar dificuldades de sono e alimentação, o que por sua vez pode exacerbar ainda mais os sintomas. Adultos mais velhos com TDAH podem se sentir inquietos, inadequados socialmente, interrompendo outros durante conversas e falando impulsivamente. Eles podem apresentar também lapsos de memória.

Como Ramsay coloca: “Por mais que reclamemos da escola e do trabalho, eles dão estrutura para o nosso dia.”

Tratando o TDAH em adultos mais velhos

Estimulantes usados para o tratamento em crianças e adolescentes, como metilfenidato e dextroanfetamina, têm sido efetivos para tratar os sintomas em adultos mais velhos, de acordo com Goodman. “As pessoas mais velhas tendem a responder igualmente bem a essas medicações”, diz ele.

No geral, adultos mais velhos precisam de doses mais baixas de medicação. Para os seus pacientes, Goodman diz que ele iniciaria com uma dose baixa e aumentaria aos poucos conforme os sintomas clínicos. Os médicos também devem considerar os riscos cardíacos dessas medicações, incluindo aumento da frequência cardíaca e pressão sanguínea.

Mudanças de estilo de vida como alimentação saudável, bom sono e exercício regular também podem ser benéficas para pessoas com TDAH.

“Quando fazemos exercícios aeróbicos, nosso cérebro produz essa proteína chamada BDNF, que significa fator neurotrofico derivado do cérebro”, disse Nadeau. “O BDNF promove crescimento de novos neurônios no nosso cérebro o que melhora a memória. Eu sempre falo para os idosos com TDAH sobre como é importante se exercitar o suficiente para produzir uma frequência cardíaca de até 80% o máximo por pelo menos 20/30 min por dia.”

De acordo com Collier, exercício regular ajuda a impulsionar a dopamina, norepinefrina e serotonina no cérebro, potencialmente ajudando na atenção, enquanto a melhora do sono e da rotina de sono, pedir suporte da família ou de outros para criar estrutura e simplificar tarefas e criar lembretes para lembrar das atividades diárias podem ajudar a criar estrutura e diminuir os sintomas de TDAH.

Ramsay diz que a terapia cognitivo-comportamental – que tem sido efetiva em tratar depressão e ansiedade – pode também ser benéfica para pessoas com TDAH, especialmente para adultos mais velhos entrando na aposentadoria.

“ Se você suspeita que seus sintomas podem ser o resultado do TDAH, especialmente se algum membro próximo da família recebeu o diagnóstico,” escreve Collier, “não hesite em pedir para o médico generalista um encaminhamento para um especialista especializado no diagnóstico e manejo do TDAH e adultos mais velhos.”

Artigo adaptado e traduzido de https://www.beingpatient.com/adhd-in-older-adults/

Comentário da equipe do PRODAH:
A mensagem central da matéria de que o TDAH pode estar presente na terceira idade e que devemos avaliar a sua presença é fundamental. Como ilustração, a idade mais avançada para um diagnóstico na terceira idade feito pela equipe do PRODAH foi 82 anos. O paciente, hoje, aos 88 anos, está muito melhor com o tratamento implementado. Entretanto, algumas das considerações contidas na matéria são ainda especulativas. Por exemplo, não sabemos ao certo qual o grau de eficácia da terapia cognitiva comportamental em idosos com TDAH, ou por quais mecanismos neurobiológicos o exercício aeróbico parece melhorar a atenção. Por fim, na presença dos sintomas de disfunção executiva importantes na terceira idade sempre é prudente também termos uma avaliação por médico com experiência com os diversos tipos de demência.

O Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade (ProDAH) é uma área de atividades do Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência e do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) dedicada ao ensino, pesquisa e atendimento a pacientes com o transtorno.
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COMO É TER TDAH COM MAIS DE 50 ANOS DE IDADE?

COMO É TER TDAH COM MAIS DE 50 ANOS DE IDADE?

Muito do nosso conhecimento sobre o TDAH vem de estudos com crianças e adultos jovens. Apesar de que boa parte das crianças com TDAH persistirão com o problema até a idade adulta, há menos estudos avaliando os impactos do TDAH nessa população. Mundialmente, as estimativas de prevalência do transtorno em adultos variam entre 2,8-4,4%. Muitos deles também sofrem com outras comorbidades, como depressão, transtornos de humor e conduta e abuso de substâncias.

Recentemente, um estudo sueco buscou avaliar os impactos do TDAH na vida de pessoas com mais de 50 anos de idade. Os pesquisadores entrevistaram 10 adultos com idades entre 51 e 74 anos sobre diversos aspectos da vida. Os participantes eram “encorajados a compartilhar sobre os sentimentos, pensamentos e desafios da vida diária, como eles lidavam com eles, o que havia mudado ao longo dos anos e se alguma coisa melhorou com a idade”, escrevem os pesquisadores.

Segundo os autores do estudo, estudos qualitativos anteriores nessa população demonstraram que os adultos referiam pouca diferença nos sintomas e impactos do TDAH com a idade. Além disso, alguns aspectos positivos como criatividade, entusiasmo, percepção da multiplicidade das coisas, hiperfoco e multitasking também foram referidos previamente.

Nesse estudo, os pesquisadores escrevem que os participantes ficaram felizes por poder compartilhar suas experiências.  “Eles se sentiam tristes por terem sofrido por tantos anos sem ajuda ou sem um bom entendimento do porquê ou como lidar com o problema”. Além disso, “o abuso de álcool, comida ou drogas também foi revelado bem como outras áreas de problemas físicos ou emocionais. As áreas de maior problema eram esquecimento, pensamentos acelerados incontroláveis, dificuldade com o manejo do tempo e a inabilidade de focar nas tarefas”.

De forma interessante, os entrevistados que possuíam “ trabalho criativo, tarefas desafiadoras, mudança de local de trabalho e horas tarde de trabalho parecia ter menos problemas relacionados ao trabalho”.

Os participantes também apontaram fatores protetivos como “ família compreensiva, amigos fiéis, trabalho flexível e colegas de trabalho compreensivos”.

O estudo separou os achados em temas:

Quanto ao sentimento de ser diferente, desorganizado e esquecido:

Muitos dos participantes se queixavam de sentimento de culpa e vergonha, sobretudo quando havia alguma forma de avaliação de performance. Um entrevistado disse: “Sobre estudar: eu não entendia rápido ou suficientemente. Eu precisava saber exatamente o que fazer, eu não entendo. Eu tenho um bloqueio na mente e me sinto culpado. Eu ficava com tanta ansiedade que me escondia no banheiro. O que eu devo fazer? ”

Eles relataram que os problemas pareciam ter aliviado com a idade e que o diagnostico deu algum senso de alívio.

Eles também descreveram dificuldade no planejamento e com a expectativa criada pelos outros. As tarefas diárias eram um desafio, para as quais eles precisavam desenvolver estratégias: alguns usavam calendários e notas. Muitos se queixaram também da dificuldade com o cuidado do lar, tendo problemas com bagunça e limpeza.

Controle de Impulsos:

A impulsividade causava muitos problemas como: multas de trânsito por excesso de velocidade, perda da carteira de motorista, acidentes de transito, fugas de casa, envolvimento sexual precipitado e gravidez precoce.

Relacionamentos:

Muitos dos entrevistados revelaram preocupação com as relações sociais. Eles sofriam para entender as normas sociais e para agir de maneira adequada com as situações. Muitas vezes falavam demais, falavam coisas que não deviam ou sem pensar nas consequências, ou eram muito sensíveis.

Trabalho e finanças:

Quanto a vida laboral, muitos tinham dificuldade de manter a funcionalidade e tinham medo de serem excluídos dos grupos de trabalho. Dificuldade em pagar contas e manejar as finanças de casa era um problema comum. Eles descreveram uma dificuldade para entender termos, condições e preços nos contratos. Para lidar com isso, a solução era criar rotinas e ter ajuda no planejamento.

Esse estudo é interessante porque mostrou que algumas das dificuldades que são comumente enfrentadas por adultos jovens com TDAH, se mantem na meia-idade e terceira idade. Muitos dos entrevistados se frustravam com o fato de terem sofrido boa parte da vida sem saber que problema tinham ou como podiam lidar com ele. Isso nos mostra como o diagnóstico é importante. Infelizmente muitas pessoas recebem diagnóstico tardio ou nunca são diagnosticadas. O TDAH pode causar muitas dificuldades em diversos aspectos diferentes da vida de uma pessoa. Existem várias estratégias que podem ser empregadas para ajudar a lidar com esses problemas e uma parte crucial para isso é entender que dificuldades são essas e o que está acontecendo.

Uma boa notícia é que cada vez mais a ciência compreende o TDAH e cada vez mais pessoas estão sendo diagnosticadas. Hoje se sabe, por exemplo, que algumas pessoas podem receber o diagnóstico na vida adulta e assim elas podem receber ajuda.

 

Referência:
– Anne Nyström, Kerstin Petersson & Ann-Christin Janlöv (2020): Being Different but Striving to Seem Normal: The Lived Experiences of People Aged 50+ with ADHD, Issues in  Mental Health Nursing, DOI: 10.1080/01612840.2019.1695029

Link: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/01612840.2019.1695029

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EXCESSO DE MEDICAÇÃO PARA TDAH? Novas Estatísticas Apontam O Contrário Na Inglaterra… E No Brasil?

EXCESSO DE MEDICAÇÃO PARA TDAH? Novas estatísticas apontam o contrário na Inglaterra… E No Brasil?

Poucas crianças estão recebendo tratamento adequado para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) na Inglaterra, especialmente meninas.

O jornal The Guardian divulgou1 dados que contrariam o senso comum da população, de que medicações para o TDAH estariam sendo prescritas em demasia pelos médicos.

Os números, pedidos especificamente pelo jornal através do Freedom of Information Act, apontam que, entre 2017 e 2018, 61 mil meninos entre 6 e 17 anos tomaram medicamentos para o transtorno naquele país – algo como 1,5% dos meninos nesta idade. Contudo, o número médio de crianças diagnosticadas com TDAH no mundo é de 5,3%.2

Os números obtidos pelo The Guardian afirmam que a quantidade de meninas que receberam a prescrição é menor: 0,35% das garotas entre 6 e 17 anos tomaram medicações. Ainda, das quase 75 mil crianças que receberam prescrição de remédios para TDAH na Inglaterra, naquele período, apenas 18% eram meninas.

Apesar de estudos em crianças tipicamente mostrarem uma preponderância masculina no TDAH, acredita-se que este predomínio seja resultado de subdiagnóstico nas garotas, devido aos diferentes sintomas sofridos pelas meninas, argumenta o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) em seu guia Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management3.

Tony Lloyd, chefe-executivo da ADHD Foundation afirma que eles reconhecem que o transtorno é subdiagnosticado e submedicado na Inglaterra. Lloyd acrescenta que, no passado, garotos eram mais comumente enviados aos médicos, porque eram eles que geravam problemas em sala de aula.

“Isso ocorria por causa da hiperatividade”, disse Lloyd. Uma década atrás, a relação de casos de TDAH era de quatro meninos para cada menina. Atualmente, com uma compreensão mais precisa de como o transtorno age nas meninas, a relação caiu para 2,8 meninos para cada menina, explica ele ao The Guardian.

Mas, os números de crianças recebendo medicamentos ainda é baixo, concluiu Lloyd. “Eu só consigo explicar isso através da combinação de estigmas e poucos recursos sobre a saúde mental das crianças. As listas de espera para os tratamentos também colaboram e podem levar de um a dois anos para que a criança receba alguma ajuda.”

No Brasil, a situação não é muito diferente.

Luis Augusto Rohde, Coordenador-Geral do Programa de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) do Hospital de Clinicas de Porto Alegre, afirma que, também no Brasil, não erramos pelo excesso, mas sim pela falta de diagnósticos4.

“Em termos de saúde pública, não existe no Brasil problema de superdiagnóstico e supertratamento”, diz o médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência. O Brasil tem 47 milhões de crianças e adolescentes de 6 a 18 anos; uma média de 5% deles teria o transtorno, explica Rohde. Isso seria 2,35 milhões de crianças. “Não temos mais do que 100 mil crianças usando a medicação”, estima o especialista.

O psiquiatra Guilherme Polanczyk, professor de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, diz que as questões de saúde mental são subdiagnosticadas em qualquer país do mundo.

Mas, a situação é ainda mais frequente em crianças. “O reconhecimento de problemas mentais em crianças é recente, vem da década de 50 do século passado. Em todo o mundo, o número de profissionais treinados e especializados em psiquiatria infantil ainda é reduzido. Consequentemente, ainda há poucos serviços públicos e privados capazes de acolhê-las. Aliado aos preconceitos e estigmas, o resultado é que muitas vezes, quem não tem TDAH é diagnosticado com o problema; e quem tem pode ficar anos sem tratamento correto”, esclarece o psiquiatra.

1 TOO FEW CHILDREN RECEIVING TREATMENT FOR ADHD, FIGURES SUGGEST. THE GUARDIAN. Disponível em: https://www.theguardian.com/society/2018/oct/05/too-few-children-receiving-treatment-for-adhd-figures-suggest . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

2 MATTOS P et al., 2012. ADHD is undertreated in Brazil. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.34 no.4 São Paulo Dec. 2012. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbp.2012.04.002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000400023 . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

3 ATTENTION DEFICIT HYPERACTIVITY DISORDER: DIAGNOSIS AND MANAGEMENT. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng87/resources/attention-deficit-hyperactivity-disorder-diagnosis-and-management-pdf-1837699732933 . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

4 A ERA DA DESATENÇÃO. FOLHA DE SÃO PAULO. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il3005201004.htm . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

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