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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

EXCESSO DE MEDICAÇÃO PARA TDAH? Novas Estatísticas Apontam O Contrário Na Inglaterra… E No Brasil?

EXCESSO DE MEDICAÇÃO PARA TDAH? Novas estatísticas apontam o contrário na Inglaterra… E No Brasil?

Poucas crianças estão recebendo tratamento adequado para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) na Inglaterra, especialmente meninas.

O jornal The Guardian divulgou1 dados que contrariam o senso comum da população, de que medicações para o TDAH estariam sendo prescritas em demasia pelos médicos.

Os números, pedidos especificamente pelo jornal através do Freedom of Information Act, apontam que, entre 2017 e 2018, 61 mil meninos entre 6 e 17 anos tomaram medicamentos para o transtorno naquele país – algo como 1,5% dos meninos nesta idade. Contudo, o número médio de crianças diagnosticadas com TDAH no mundo é de 5,3%.2

Os números obtidos pelo The Guardian afirmam que a quantidade de meninas que receberam a prescrição é menor: 0,35% das garotas entre 6 e 17 anos tomaram medicações. Ainda, das quase 75 mil crianças que receberam prescrição de remédios para TDAH na Inglaterra, naquele período, apenas 18% eram meninas.

Apesar de estudos em crianças tipicamente mostrarem uma preponderância masculina no TDAH, acredita-se que este predomínio seja resultado de subdiagnóstico nas garotas, devido aos diferentes sintomas sofridos pelas meninas, argumenta o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) em seu guia Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management3.

Tony Lloyd, chefe-executivo da ADHD Foundation afirma que eles reconhecem que o transtorno é subdiagnosticado e submedicado na Inglaterra. Lloyd acrescenta que, no passado, garotos eram mais comumente enviados aos médicos, porque eram eles que geravam problemas em sala de aula.

“Isso ocorria por causa da hiperatividade”, disse Lloyd. Uma década atrás, a relação de casos de TDAH era de quatro meninos para cada menina. Atualmente, com uma compreensão mais precisa de como o transtorno age nas meninas, a relação caiu para 2,8 meninos para cada menina, explica ele ao The Guardian.

Mas, os números de crianças recebendo medicamentos ainda é baixo, concluiu Lloyd. “Eu só consigo explicar isso através da combinação de estigmas e poucos recursos sobre a saúde mental das crianças. As listas de espera para os tratamentos também colaboram e podem levar de um a dois anos para que a criança receba alguma ajuda.”

No Brasil, a situação não é muito diferente.

Luis Augusto Rohde, Coordenador-Geral do Programa de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) do Hospital de Clinicas de Porto Alegre, afirma que, também no Brasil, não erramos pelo excesso, mas sim pela falta de diagnósticos4.

“Em termos de saúde pública, não existe no Brasil problema de superdiagnóstico e supertratamento”, diz o médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência. O Brasil tem 47 milhões de crianças e adolescentes de 6 a 18 anos; uma média de 5% deles teria o transtorno, explica Rohde. Isso seria 2,35 milhões de crianças. “Não temos mais do que 100 mil crianças usando a medicação”, estima o especialista.

O psiquiatra Guilherme Polanczyk, professor de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, diz que as questões de saúde mental são subdiagnosticadas em qualquer país do mundo.

Mas, a situação é ainda mais frequente em crianças. “O reconhecimento de problemas mentais em crianças é recente, vem da década de 50 do século passado. Em todo o mundo, o número de profissionais treinados e especializados em psiquiatria infantil ainda é reduzido. Consequentemente, ainda há poucos serviços públicos e privados capazes de acolhê-las. Aliado aos preconceitos e estigmas, o resultado é que muitas vezes, quem não tem TDAH é diagnosticado com o problema; e quem tem pode ficar anos sem tratamento correto”, esclarece o psiquiatra.

1 TOO FEW CHILDREN RECEIVING TREATMENT FOR ADHD, FIGURES SUGGEST. THE GUARDIAN. Disponível em: https://www.theguardian.com/society/2018/oct/05/too-few-children-receiving-treatment-for-adhd-figures-suggest . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

2 MATTOS P et al., 2012. ADHD is undertreated in Brazil. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.34 no.4 São Paulo Dec. 2012. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbp.2012.04.002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000400023 . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

3 ATTENTION DEFICIT HYPERACTIVITY DISORDER: DIAGNOSIS AND MANAGEMENT. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng87/resources/attention-deficit-hyperactivity-disorder-diagnosis-and-management-pdf-1837699732933 . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

4 A ERA DA DESATENÇÃO. FOLHA DE SÃO PAULO. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il3005201004.htm . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

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MEU FILHO FOI DIAGNOSTCADO COM TDAH: é Culpa Minha?

MEU FILHO FOI DIAGNOSTCADO COM TDAH: é culpa minha?

Se seu filho tem TDAH, você pode pensar, mesmo que ocasionalmente, que suas capacidades como mãe ou pai têm algo a ver com o diagnóstico. Duas boas notícias com relação a isso:

1 – Você não está sozinho nesta interrogação
Uma recente votação realizada pelo Hospital da Universidade de Michigan apontou que quase dois terços das mães, com filhos entre 0 e 5 anos, se sentem culpadas por suas supostas incapacidades maternas. As questões que mais afligiam estas mães eram disciplina, dieta e sono.1 Então, não é difícil imaginar que pais e mães possam se sentir vulneráveis à culpa quando o filho é diagnosticado com TDAH.

2 – Sua culpa não tem evidência científica alguma.
TDAH é uma desordem médica, não causada pelos pais ou pela crescente velocidade do mundo contemporâneo. A influência genética do TDAH tem sido comprovada em graus similares ao de características físicas, como a altura: se duas pessoas altas com TDAH colocam seu filho recém-nascido para adoção, é muito provável que a criança se desenvolva alta e com TDAH. Ou seja, a causa não é a sua capacidade educacional.

Mesmo que não haja uma causa comprovada até o momento, os cientistas já sabem que diversos fatores podem influenciar o diagnóstico, incluindo muitos que estão fora do alcance dos pais, como genes e baixo peso no nascimento.2

O TDAH não afeta apenas a atenção, mas como também a parte do cérebro responsável pela autorregulação e senso de administração como um todo. Indivíduos com TDAH podem passar por desafios na escola, no trabalho e nos relacionamentos sociais. Estudos relacionam TDAH com acidentes de carro, obesidade, problemas para dormir e muitas outras questões cotidianas – não apenas em casa.

Família e TDAH

Mas, um lar caótico pode ou não pode agravar os sintomas?

Claro, assim como um ambiente tranquilo e agradável pode fazer bem aos portadores de TDAH ou para qualquer pessoa. Contudo, no que toca o uso de televisão, videogames, disciplina demais (ou de menos), fique tranquilo: não foi você que “criou” o TDAH em seu filho.

Bem, seu lar não desenvolveu o TDAH na criança, mas pode sim ser um fator decisivo no tratamento do seu filho. Aliás, um dos melhores presentes que você pode dar à criança é um casamento feliz. Isso é especialmente verdade se você tiver mais de um filho com TDAH ou se eles estiverem tendo problemas na hora de fazer amizades.

O desafio do casamento

Casais com filhos portadores do transtorno têm quase o dobro de chances de se divorciarem, em comparação a casais com filhos sem TDAH. Um estudo publicado em 2008 apontou uma razão simples, mas com um elevado grau de dificuldade na solução: ter uma criança com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade na família pode ser altamente estressante e elevar o número e a intensidade dos conflitos, tensões e discussões entre os pais.3

O divórcio não é inevitável de forma alguma (apesar das estatísticas), mas os pais precisam manter em mente que os desafios do casal serão maiores e que, para ajudar seu filho com TDAH, será necessário não apenas acompanhar a criança, mas como também o próprio casamento.

Converse com os médicos e terapeutas de seu filho sobre profissionais, grupos de apoio e associações capazes de lhe ajudar com o treinamento para pais. Estes projetos podem colaborar no aprendizado de fatores importantes, como estabelecer metas objetivas, expectativas consistentes e limites possíveis, encontrar as melhores maneiras para ensinar disciplina e ajudar a criança a aprender com os próprios erros.4

A criação de estrutura é outra questão crucial para qualquer família, mas, no caso do TDAH, a importância é ainda maior.
– Siga rituais simples para o horário das refeições, para ir para a escola, para fazer as tarefas escolares, para chegar em casa.
– Crie um espaço tranquilo e agradável para o relaxamento (fora do quarto de dormir).
– Mantenha sua casa sempre organizada.

Lembre-se sempre que os pais são os modelos das crianças. Faça o máximo que puder para se manter calmo, focado e positivo. Isso ajudará toda a família a responder apropriadamente aos desafios de viver com o TDAH.

1 MOTT POLL: NEARLY TWO-THIRDS OF MOTHERS “SHAMED” BY OTHERS ABOUT THEIR PARENTING SKILLS. C.S. MOTT CHILDREN’S HOSPITAL – MICHIGAN MEDICINE. Disponível em: https://www.mottchildren.org/news/archive/201706/mott-poll-nearly-two-thirds-mothers-“shamed”-others-about . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

2 DOES PARENTING PLAY A ROLE IN ADHD?. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/parenting-role-in-adhd#1 . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

3 WYMBS et al., 2008. Rate and predictors of divorce among parents of youth with ADHD. J Consult Clin Psychol., 76(5), 735–744. doi:10.1037/a0012719 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2631569/ . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

4 FOR PARENTS & CAREGIVERS. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/for-parents-caregivers.aspx . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

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TIQUES, CACOETES, TOURETTE E TDAH: Com Que Frequência Acontecem E Como Fica O Tratamento?

TIQUES, CACOETES, TOURETTE E TDAH: com que frequência acontecem e como fica o tratamento?

Especialistas estimam que 7% das crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade também desenvolvem tiques nervosos. Para muitas crianças e adolescentes, os tiques vocais (limpar a garganta, tossir com frequência ou bocejar) acontecem por um período de tempo limitado, indo embora sozinhos.

Medicamentos estimulantes podem tornar estes sintomas mais visíveis do que seriam sem a medicação. Contudo, os benefícios dos estimulantes podem ser maiores do que os danos dos tiques. Os tiques eventualmente passam, mesmo para quem prossegue o tratamento com estimulantes.1

O que são os tiques?

Tiques são movimentos ou sons rápidos, inesperados e não ritmados que as pessoas geram repetidamente. Os tiques podem incluir comportamentos como piscar os olhos, abrir a boca ou limpar a garganta com frequência. Os tiques são comuns na infância, mas eles não prosseguem na fase adulta em grande parte dos casos. Homens são mais afetados do que mulheres em uma relação de 4,4 para 1. A ocorrência pode ser temporária (menos de um ano) ou crônica.

Tiques podem ser simples ou complexos.

– Tiques simples são rápidos e envolvem apenas um grupo muscular.
– Tiques complexos têm duração mais longa e incluem uma série de tiques simples.
– Tiques motores podem variar entre movimentos simples (piscar os olhos, lamber os lábios ou abrir a boca) e movimentos complexos (mexer a cabeça, encolher os ombros ou fazer caretas).
– Tiques vocais incluem tosse, latido, limpeza de garganta, arroto ou vocalizações mais complexas, como repetir pedaços de palavras ou frases e, em casos raros, dizer palavrões repetidamente.

A relação entre Síndrome de Tourette e TDAH

A Síndrome de Tourette (ST) é uma doença crônica que envolve tiques motores e vocais e está comumente associada ao TDAH. Menos de 10% das crianças com TDAH desenvolvem Tourette. Porém, de 60% a 80% das crianças com ST têm TDAH.

Neste segundo caso, os sintomas do TDAH geralmente aparecem antes dos tiques da Tourette. Ainda, o TDAH é um fator de risco para a ST. Pesquisas sugerem que o desenvolvimento da Síndrome de Tourette em crianças com TDAH não está relacionada ao uso de medicações estimulantes. Porém, uma abordagem cautelosa é recomendada quando existem Tourette ou tiques no histórico familiar.1

Algumas crianças com TDAH podem desenvolver tiques motores quando iniciam o tratamento do transtorno. Mesmo que estas duas condições aparentem estar ligadas, a maioria dos especialistas acredita que a co-ocorrência é puramente coincidência e não causada pelo TDAH ou por seu tratamento.2

Diagnóstico

Como parte do diagnóstico do TDAH, o profissional de saúde deve determinar se há desordens associadas afetando o indivíduo. Geralmente, os sintomas do TDAH podem se sobrepor aos outros transtornos. O desafio do profissional é descobrir se um sintoma pertence ao TDAH ou a diferentes desordens.

No caso dos tiques, a natureza intermitente da condição pode dificultar a identificação em estágios iniciais. Porém, ao longo do tempo, um padrão de tiques nervosos e de outros comportamentos emergirá.

Durante o processo de avaliação, é importante determinar a frequência e a gravidade destes sintomas, o quanto eles de fato prejudicam o paciente. Padrões associados com os tiques (por exemplo, se eles pioram com o estresse ou com o cansaço) também podem ser chave para recomendar mudanças no tratamento ou aliar estratégias específicas capazes de lidar com estes sintomas.2

Tratamento

Quando a criança tem TDAH e tiques simultaneamente, o profissional de saúde pode preferir tratar o TDAH antes, já que os tratamentos de TDAH tendem à redução do estresse, à melhoria na atenção e, às vezes, à melhoria da habilidade individual de controlar os tiques.

Mesmo assim, os tiques podem ser tratados separadamente se estiverem gerando problemas significativos. Em casos menos graves de tiques ou de Síndrome de Tourette, educação e acompanhamento do paciente e da família podem ser suficientes. Intervenção psicológica, incluindo aconselhamento e treinamento de habilidades, devem guiar o tratamento do paciente, o que inclui necessidades escolares e familiares.

O uso de medicamentos, porém, pode ser levado em conta se os sintomas interferirem nas relações sociais, escolares ou profissionais. As terapias devem sempre ser voltadas às necessidades do paciente e os sintomas mais problemáticos devem ser tratados como prioridade.

Se a criança está sendo tratada com estimulantes e desenvolveu tiques significativos, o médico pode optar pela troca de medicação ou pela redução das doses até que os tiques estejam sob controle. Em alguns casos, os benefícios dos estimulantes são mais relevantes do que os sintomas dos tiques.3

1 FREQUENTLY ASKED QUESTIONS ABOUT ADHD. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/about-adhd/frequently-asked-questions-about-adhd.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

2 TICS AND TOURETTE SYNDROME. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/about-adhd/coexisting-conditions/tics-and-tourette-syndrome.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

3 HOUNIE, A.; MIGUEL, E. Tiques, Cacoetes, Síndrome de Tourette: 2. ed. Porto Alegre: Editora Artmed, 2012. P.43-47.

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CRESCIMENTO DO TDAH NOS EUA: Mais Diagnósticos Ou Mais Casos?

CRESCIMENTO DO TDAH NOS EUA: mais diagnósticos ou mais casos?

O número de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) parece ter crescido dramaticamente nos Estados Unidos, apontou um novo estudo.

Entre 1997 e 2016, a proporção de crianças diagnosticadas com o transtorno cresceu de 6,1 para 10,2%, mostraram os pesquisadores no JAMA.1

Contudo, ainda é uma questão aberta se estes diagnósticos representam um aumento real de casos de TDAH entre crianças, disse um dos co-autores do estudo, Dr. Wei Bao. Ele é professor assistente de epidemiologia na Universidade de Iowa.2

“É mais provável que estejamos melhorando nossa capacidade de fazer diagnósticos eficientes, dado o aumento de conhecimento entre os médicos sobre o TDAH, devido a contínuos esforços de educação médica”, disse Bao. “Isso pode contribuir parcialmente para o crescimento.”

Stephen Hinshaw, um professor de psicologia na Universidade da Califórnia, em Berkeley, avisa que também é possível que médicos estejam entregando diagnósticos de TDAH sem justificativa.

“Práticas incorretas de diagnósticos, frente às crescentes pressões por performance, podem estar motivando as taxas de elevação nos diagnósticos, que ultrapassam a verdadeira prevalência da condição”, disse Hinshaw, que não estava envolvido no estudo. “Isso é uma pena, porque o TDAH pode gerar deficiências significativas nas vidas das crianças”, lamentou o professor.3

Para pesquisar as tendências de TDAH, Bao e seus colegas revisaram 20 anos de dados da National Health Interview Survey, que é conduzida anualmente pelo U.S. Centers for Disease Control and Prevention. Os pesquisadores analisaram estatísticas de 1997 a 2016.

A pesquisa, conduzida entre 2015 e 2016, analisou dados de 18,107 crianças e adolescentes entre 04 e 17 anos. No geral, 1,880 receberam diagnóstico de TDAH.

Os pesquisadores encontraram diferenças significativas com relação a etnias e gêneros.

Gêneros: 14% dos meninos foram diagnosticados com o transtorno. Já as meninas, 6,3%.

Etnias: 12% de crianças brancas, não hispânicas foram diagnosticadas com TDAH. Já crianças hispânicas, 6,1%. A taxa de crianças negras não hispânicas diagnosticadas com o transtorno foi de 12,8.

Bao diz suspeitar que a disparidade entre meninas e meninos acontece pela diferença com que o transtorno se manifesta em ambos. Os meninos são mais ativos e, portanto, mais relacionados à hiperatividade, argumenta o pesquisador. “As meninas podem manifestar déficit de atenção, o que é mais difícil de reconhecer do que a hiperatividade”, responde Bao.

Ainda, novas pesquisas sobre TDAH levaram a critérios de diagnósticos mais amplos, o que naturalmente aumentou as taxas de casos, avisa o psicólogo Ronald Brown, reitor da Universidade de Nevada. Hoje, por exemplo, sabemos que o TDAH pode ser identificado em idade pré-escolar e pode prosseguir através da adolescência e da vida adulta, explica Brown.3

Especialistas também sugerem que diagnósticos equivocados estejam aumentando a taxa de casos.

Amie Bettencout, professora assistente do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais do Johns Hopkins University School of Medicine, pede cautela ao analisar este suposto crescimento de TDAH nos EUA.2

“Os autores do estudo reconhecem que utilizaram relatórios dos pais, confirmando que um médico ou um profissional de saúde havia diagnosticado seu filho com TDAH”, argumenta Bettencourt.

“Isso pode abrir uma caixa de Pandora, pois há diversas condições que incluem problemas de atenção e hiperatividade como sintomas. É possível que o TDAH esteja crescendo, mas também é possível que sejam apenas sintomas de outras desordens”, defende a professora.

Bettencourt diz já ter visto muitos diagnósticos equivocados. “Sou especialista em crianças pequenas”, ela diz. “O rigor crescente na educação do jardim de infância está levando a muitos erros na identificação de TDAH. É uma época na vida da criança em que ela ainda está desenvolvendo a capacidade de ficar parada. Anos atrás, não havia muito isso de ficar sentado. A aprendizagem era baseada na brincadeira e na experiência”, explica.

O que esta pesquisa está nos dizendo, conclui Bittencourt, é que muitas crianças estão sofrendo com dificuldades sociais, emocionais e comportamentais.

FONTES:

1 GUIFENG et al., 2018. Twenty-Year Trends in Diagnosed Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder Among US Children and Adolescents, 1997-2016. JAMA Network Open. 2018;1(4):e181471. doi:10.1001/jamanetworkopen.2018.1471. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2698633 . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

2 ADHD DIAGNOSES MAY BE RISING IN U.S. REUTERS. Disponível em: https://www.reuters.com/article/us-health-adhd/adhd-diagnoses-may-be-rising-in-us-idUSKCN1LG21M . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

3 ADHD RATES RISING SHARPLY IN U.S. KIDS. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/news/20180831/adhd-rates-rising-sharply-in-us-kids . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

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