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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

Um dos sintomas que podem estar presente no TDAH e que muitas vezes acaba sendo negligenciado é a impulsividade. Assim como a hiperatividade e a desatenção, a impulsividade também está relacionada a déficits nas funções executivas. Além disso, ela parece se relacionar diretamente com a hiperatividade: os sinais da hiperatividade, como incapacidade de permanecer sentado, também dependem de uma capacidade diminuída de auto regulação e de controle dos impulsos.

Algumas das manifestações da impulsividade são: comportamento agressivo e raiva explosiva, gasto impulsivo de dinheiro, comportamento de risco incluindo comportamento sexual de risco, abuso de substâncias, gasto em jogos de azar e compulsão alimentar.

O descontrole dos impulsos pode ter um impacto negativo na qualidade de vida, podendo se manifestar na infância, adolescência ou idade adulta. Crianças com problemas de controle de impulso tendem a apresentar problemas na escola, tanto no aspecto social quanto acadêmico. Elas podem ter mais risco de se envolver em brigas com os colegas e de não completarem as tarefas escolares.

Ainda que a causa exata da impulsividade não seja bem compreendida, ela se relaciona com alterações químicas no lobo frontal, especialmente no balanço da dopamina.

Além do TDAH, a  impulsividade está presente também em outros transtornos psiquiátricos classificados no DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) como Transtornos Disruptivos, de controle de impulso ou de conduta. Nessa categoria se enquadram o transtorno de conduta e transtorno opositor-desafiador.

Outros transtornos psiquiátricos que podem eventualmente cursar com impulsividade são: bipolaridade, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Doença de Parkinson, abuso de substâncias e Síndrome de Tourette.

Problemas de controle de impulso são mais frequentes no sexo masculino. Porém, existem alguns outros fatores de risco como histórico de abuso, negligência/abuso por parte dos pais na infância ou pais com problemas de abuso de substâncias.

Abaixo seguem algumas dicas de como você pode auxiliar seu filho no controle dos impulsos:

  • Converse com seu médico sobre os problemas do seu filho e busque ajuda. Procurar atendimento com um psiquiatra/psicoterapeuta especialista em crianças pode ser uma boa ideia.
  • Seja um bom exemplo para o seu filho. As crianças tendem a observar e modelar o comportamento dos pais.
  • Estabeleça limites e mantenha sua palavra
  • Estabeleça uma rotina para que o seu filho saiba o que esperar
  • Parabenize seu filho quando ele exibir bom comportamento

E quanto aos adultos?

Adultos com problemas de controle de impulsos podem ter dificuldade de controlar seu comportamento no calor do momento, podendo sofrer com sentimento de culpa e vergonha após o ocorrido. É importante ter alguém em que você confie para conversar sobre suas dificuldades com o manejo dos impulsos. Ter uma válvula de escape, algum meio para se expressar, pode ajudar na hora de trabalhar seu comportamento.

A terapia é uma base central no tratamento. Algumas das opções são:

  • Terapia individual como TCC – terapia cognitivo comportamental
  • Terapia familiar ou de casal
  • Terapia de grupo para adultos
  • Ludoterapia para crianças

Além da psicoterapia, remédios psiquiátricos também podem ser usados, como os estimulantes para o TDAH, antidepressivos e estabilizadores de humor. Nesse caso, é necessária avaliação médica, e o médico poderá ajustar doses e encontrar a medicação mais adequada.

 

Artigo adaptado e traduzido de https://www.healthline.com/health/mental-health/impulse-control

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DESCONTINUAR A MEDICAÇÃO DIMINUI LIGEIRAMENTE A QUALIDADE DE VIDA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH.

DESCONTINUAR A MEDICAÇÃO DIMINUI LIGEIRAMENTE A QUALIDADE DE VIDA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH.

Descontinuar a medicação para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes parece estar associada com uma queda pequena, mas estatisticamente significativa, na qualidade de vida, de acordo com os resultados de uma meta-análise e revisão sistemática publicada no Journal of Clinical Psychiatry. O mesmo efeito não foi detectado para pacientes adultos.

Prejuízos funcionais nos relacionamentos interpessoais, na educação e na vida laboral, bem como na qualidade de vida, são comuns em pacientes com TDAH. Contudo, existe pouca evidência da eficácia e da segurança do uso prolongado de medicamentos nessa população.

Para determinar a taxa de risco-benefício do uso prolongado de medicações para o TDAH, Noa Tsujii, MD, PhD do departamento de neurospsiquiatria da Kindai University Faculty of Medicine do Japão, e colaboradores usaram o PubMed, a biblioteca da Cochrane e a base de dados da Embase para identificar estudos que comparavam os desfechos de continuar ou descontinuar a medicação em pacientes com TDAH.

Ao todo, 9 estudos foram incluídos pra análise, com 5 estudos focando em crianças e adolescentes (n=1126 crianças com idade entre  6-17 anos) e 4 em adultos ( n=708 adultos com idades entre 18-65 anos). Enquanto 5 estudos avaliaram qualidade de vida, todos os 9 estudos mediram relapso dos sintomas. Em 5 estudos os pacientes receberam estimulantes, enquanto, nos 4 outros, os pacientes receberam não estimulantes como atomoxetina e guanfacina.

Os pesquisadores encontraram que a qualidade de vida diminui naqueles que descontinuaram a medicação para o TDAH comparado com aqueles que continuam a usar medicação (diferença média padronizada[DMP] 0,19; 95% CI, 0.08-0.30). A análise de subgrupo mostrou que a DMP em crianças e adolescentes com TDAH que descontinuaram a medicação, comparado com aqueles que não descontinuaram, era de 0.21 (05% CI, 0.06-0.36). Na análise de subgrupo dos adultos, os investigadores não encontraram diferença significativa entre aqueles que descontinuaram e aqueles que continuaram com a medicação (DMP, 0.02; 95% CI, -0.46 a 0.50)

Na análise de subgrupo avaliando medicamentos não estimulantes, a queda na qualidade de vida era maior entre aqueles que descontinuaram a medicação comparado com os que continuaram (DMP, 0.21; 95% CI, 0.10-0.32). Contudo, uma análise de subgrupo restrita aos estimulantes não pôde ser conduzida porque apenas um estudo avaliou mudanças na qualidade de vida com estimulantes. Os investigadores encontraram uma taxa de recaida dos sintomas de TDAH estatisticamente significativa (2.86;95% CI, 1.78-4.56) entre aqueles que descontinuaram a medicação para o TDAH, que permaneceu significativa nas análises de subgrupo em ambos os grupos etários.

Entre as limitações do estudo, os investigadores apontaram a impossibilidade de ser feita uma meta-analise sobre qualidade de vida no subgrupo dos estimulantes, a impossibilidade de se realizar análise de viés de publicação dado que são necessários no mínimo 10 estudos para usar o gráfico de funil e a variabilidade nas ferramentas usadas para avaliar qualidade de vida e severidade dos sintomas.

“Depois de descontinuar a medicação, avaliar regularmente a qualidade de vida pode ajudar na tomada de decisão sobre a reintrodução do tratamento em pacientes com TDAH”, apontam os pesquisadores.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/adhd/discontinuation-of-medication-slightly-decreases-quality-of-life/

Referencias:
-Tsujii N, Okada T, Usami M, et al. Effect of continuing and discontinuing medications on quality of life after symptomatic remission in attention-deficit/hyperactivity disorder: A systematic review and meta-analysis. J Clin Psychiatry. 2020;81:3.
Link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32237294/

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