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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

UMA PEQUENA DOSE DE EXERCÍCIO É CAPAZ DE MELHORAR A PERFORMANCE ACADÊMICA DE CRIANÇAS COM TDAH

UMA PEQUENA DOSE DE EXERCÍCIO É CAPAZ DE MELHORAR A PERFORMANCE ACADÊMICA DE CRIANÇAS COM TDAH

Com a pandemia, todos os pais conhecem o eterno desafio de fazer as crianças se concentrarem nos estudos, principalmente aquelas com TDAH.  No texto de hoje vamos falar de uma estratégia promissora e que a princípio não é muito difícil de ser empregada.

Em 2009, pesquisadores descobriram que apenas 20 minutos de exercício aeróbico moderado com elevação da frequência cardíaca para 60% da frequência máxima do individuo podia melhorar a performance acadêmica de crianças imediatamente.

“Pense nisso como aproximadamente o ritmo da caminhada para a escola pela manhã” disse Charles Hillman, autor do estudo e Diretor Associado do Center for Cognitive and Brain Health da Northeastern University. Crianças pré-adolescentes caminharam em uma esteira por 20 minutos e após foram administrados testes cognitivos (a velocidade era fácil o suficiente para que nenhuma criança não fosse capaz de acompanhar). A conclusão foi que “Doses agudas e únicas de exercício aeróbico moderadamente intenso podem melhorar o controle cognitivo da atenção” por pelo menos 60 minutos após.

O exercício aeróbico, como diz Hillman, ajuda crianças a focarem a sua atenção durante as tarefas demandantes- como as aulas online- e as ajuda a afastar distrações. Esse foco permite que elas processem informação mais rapidamente, diz ele, o que se traduziu no estudo  numa melhor acurácia nas medidas cognitivas e maiores notas alcançadas em leitura e matemática.

E quanto a crianças com TDAH, que já sofrem com dificuldade na concentração, poderia o exercício físico ser útil?

Um estudo de 2012 descobriu que imediatamente após o exercício, crianças com TDAH tinham uma performance melhor em testes de leitura e matemática e tinham níveis melhores de atenção e auto-regulação. Ainda, num estudo de 2020, crianças com idades entre 11 e 16 anos com TDAH que faziam exercício com bicicleta por 20 minutos em intensidade moderada tiveram melhoras similares na capacidade de focar em tarefas por pelo menos 60 minutos após o exercício.

Segundo Matthew Pntifex, professor associado do Departamento de Cinesiologia da Michigan State University e autor do estudo de 2012, “elas foram mais capazes de regular seu comportamento e tiveram mais capacidade de estabelecer ações corretivas”

Isso acontece porque o exercício parece ajudar na habilidade da criança de inibir impulsos inapropriados e de selecionar uma resposta mais apropriada para esses impulsos.

O exercício também pode ajudar a suprimir respostas motoras para comportamentos aprendidos, como falar alto durante a aula. Na sala de aula, esse controle ajuda as crianças a focarem nas instruções. Em casa, isso pode ajudar elas a focarem na aula online e resistirem à tentação de jogar videogame.

A boa notícia é que 20 minutos podem não ser necessários. Até mesmo pequenas doses de exercício durante as pausas podem ser efetivas, o que pode ser mais prático para os pais. Qualquer atividade física serve.

Em 2004, Matt Mahar, diretor da School of Exercise and Nutritional Sciences da San Diego State University, desenvolveu o programa “Energizers”, uma série de exercícios físicos de pequena duração que crianças podem praticar. Mahar recomenda 2 ou 3 pausas por dia para ajudar as crianças a focarem na tarefa, onde quer que estejam. Exercício no meio do período de estudo, como escreve Mahar, é parte de um achado consistente das pesquisas de que “ atividade física baseada na sala de aula resulta em melhores comportamentos durante a tarefa do que aulas sedentárias com os alunos sentados” para todas as crianças, não apenas aquelas com TDAH.

As crianças são mais propensas a aderir a atividade se seus pais não dizem simplesmente a elas para “fazerem exercício físico”. Pais e crianças podem usar a criatividade, mas preferencialmente deve-se focar em atividades que a criança já gosta. Experts concordam que agregar atividade ao ar livre é uma combinação ideal, e pode-se optar por soluções simples. Apenas uma caminhada serve. Por exemplo, Hillmann recomenda começar o dia com uma caminhada de 20 minutos e adicionar pequenas pausas de mobilidade durante o dia.

Que tal dar uma volta?

Artigo adaptado e traduzido de:

https://www.washingtonpost.com/health/exercise-breaks-help-kids-with-adhd-learn/2020/08/14/57f41e94-cc2f-11ea-bc6a-6841b28d9093_story.html#comments-wrapper

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DIFERENÇAS CORTICAIS RELACIONADAS À IDADE NO TDAH, TEA E TOC.

DIFERENÇAS CORTICAIS RELACIONADAS À IDADE NO TDAH, TEA E TOC.

Diferenças sutis no volume intracraniano foram achadas entre grupos etários e indivíduos com Transtorno de Déficit De Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Esses achados foram encontrados em um estudo de coorte e foram publicados no American Journal of Psychiatry.

Os pesquisadores utilizaram dados de imagem do consórcio ENIGMA (Enhancing Neuroimaging Genetics Through Meta-Analysis). Foram analisadas imagens de Ressonância magnética estrutural ponderada em T1 de todo o cérebro de indivíduos controle (n= 5827) e de pacientes com TDAH (n=2271), TEA (n=1777) e TOC (n=2323). As análises foram feitas por grupo etário: crianças (<12 anos), adolescentes (12-17 anos) e adultos (>18 anos). Os pesquisadores examinaram as diferenças do volume subcortical, da espessura cortical e da área de superfície cortical.

Crianças com TDAH comparado com aquelas com TOC tinham um volume intracraniano menor e um volume hipocampal menor, possivelmente influenciado pelo QI. Crianças e adolescentes com TDAH também tinham um volume intracraniano menor que os controles e aqueles com TOC ou TEA. Adultos com TEA demonstraram uma espessura maior do córtex frontal comparado com adultos controle e outros grupos. Nenhuma diferença específica do TOC foi encontrada entre os diferentes grupos etários; também não foram encontradas diferenças na superfície cortical entre os transtornos em crianças e adultos. Por fim, não houve diferenças compartilhadas entre os grupos.

Uma das limitações do estudo foi a falta de informações sobre todos parâmetros de aquisição de imagens no banco de dados de todos os locais de coleta. Isso pode ter introduzido algum viés no estudo.

Apesar de serem desordens comuns do neurodesenvolvimento frequentemente comórbidas, o estudo encontrou diferenças robustas mas sutis dentro dos grupos etários entre indivíduos com TDAH, TEA e TOC. Como os autores colocam, o estudo “constitui a maior investigação de neuroimagem de alterações estruturais no TDAH, TEA e TOC”. 

Artigo adaptado e traduzido de:  https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/neurodevelopmental-disorder/enigma-study-finds-age-related-cortical-differences-in-adhd-asd-ocd/

 

Referencia:
Boedhoe P S W, van Rooij D, Hoogman M, et al. Subcortical brain volume, reginal cortical thickness, and cortical surface area across disorders: findings from the ENIGMA ADHD, ASD, and OCD working groupsAm J Psychiatry. 2020;appiajp202019030331. doi:10.1176/appi.ajp.2020.19030331.

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QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é um transtorno altamente prevalente afetando até cerca de 11% das crianças e 5% dos adultos. Ele está associado a altos níveis de prejuízo na capacidade funcional, incluindo a associação com outros transtornos psiquiátricos, dificuldades acadêmicas, acidentes domésticos e automobilísticos e ferimentos.

Evidências científicas têm demonstrado melhora significativa nos sintomas do TDAH com o uso de medicamentos estimulantes. Uma revisão sistemática e meta-análise com 40 estudos, publicada em 2020 no Journal of Psychiatric Research, buscou averiguar os efeitos do tratamento medicamentoso nos desfechos funcionais.

Essa revisão da literatura encontrou altos benefícios do uso de medicação, especialmente estimulantes, na diminuição do risco de comorbidade com transtornos de humor (depressão e bipolaridade), suicídio, criminalidade, acidentes e ferimentos, prejuízo na performance acadêmica, uso de substâncias e acidentes automobilísticos.

Ainda que alguns dos estudos tenham avaliado o uso de medicamentos não-estimulantes, a vasta maioria consistia de tratamento com estimulantes e nenhum estudo encontrou resultados para o uso isolado de não-estimulantes.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que o tratamento na infância com estimulantes poderia diminuir o risco de desenvolvimento de transtornos de humor na vida adulta bem como o desenvolvimento de transtornos de conduta em ambos os sexos.

Como os pesquisadores descrevem, os efeitos benéficos do uso de medicamentos eram mais proeminentes quando os pacientes eram aderentes  ao uso da medicação, ressaltando a importância de se trabalhar a adesão com os pacientes e a necessidade de se investigar ferramentas que melhorem a adesão ao tratamento.

Por fim, como os pesquisadores ressaltam, apesar dos efeitos protetivos observados com o uso de medicação, não é possível afirmar que o tratamento farmacológico seja o único fator influenciando nos desfechos funcionais. Além disso, foram encontrados resultados mistos na performance acadêmica, sugerindo que outros fatores além do TDAH (como habilidades cognitivas, transtornos de aprendizado, classe social e déficits nas funções executivas) possam exercer influência nesse desfecho.

Referência:
Boland H, DiSalvo M, Fried R, Woodworth KY, Wilens T, Faraone SV, Biederman J. A literature review and meta-analysis on the effects of ADHD medications on functional outcomes. J Psychiatr Res. 2020 Apr;123:21-30. doi: 10.1016/j.jpsychires.2020.01.006. Epub 2020 Jan 27. PMID: 32014701.

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CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

Qual será a relação entre TDAH e queimaduras?

De acordo com um estudo realizado em Taiwan, crianças e adolescentes com TDAH que fazem uso de medicação sofrem menos queimaduras que crianças e adolescentes com TDAH não medicados.

Essa relação a princípio parece fazer sentido: a desatenção pode ser um fator para a causa de acidentes.

Para realizar esse estudo, foram coletadas informações de um banco de dados de saúde nacional de Taiwan. Foram selecionados para a amostra indivíduos com menos de 18 anos com diagnóstico de TDAH (n=90.634) entre janeiro de 1996 e dezembro de 2013.

Os pesquisadores encontraram que:

Crianças e adolescentes com TDAH não medicados tinham um risco de 6,7% de sofrer queimaduras. Em contrapartida, aqueles que tinham recebido medicação por 3 meses ou menos tinham 4,5% de risco e aqueles que haviam recebido medicação por mais de 3 meses tinham um risco de 2,9%

Portanto, segundo os resultados, quando as crianças e os adolescentes eram tratados com medicação, havia uma queda no risco de queimaduras, sendo que aqueles que receberam ao menos 3 meses de medicação tiveram metade do risco daqueles que não receberam medicação.

Isso vai de encontro com pesquisas anteriores que sugeriram um link entre TDAH e maior tendência a sofrer acidentes, com esse link sendo especialmente maior para pacientes que não fazem uso de medicação.

Apesar de o desenho do estudo não ser capaz de mostrar relação de causa e efeito, parece plausível que o não uso de medicação aumente a incidência de queimaduras.

Esse estudo serve para ilustrar como o TDAH pode impactar a vida de uma pessoa, não só na sua saúde emocional como também na sua saúde física.

Comentário da curadoria do PRODAH:
Reforçando a ideia de que esse estudo não indica causalidade, lembrar que pais que buscam tratamento para o TDAH de suas crianças podem ser também pais que tem maior atenção aos seus filhos, incluindo aí os cuidados para evitar acidentes.

Artigo adaptado e traduzido de: https://blogs.psychcentral.com/adhd-millennial/2020/07/children-with-adhd-get-fewer-burns-when-they-receive-medication/

Referência:
Chen, V., Yang, Y., Yu Kuo, T., Lu, M., Tseng, W., Hou, T., . . . Gossop, M. (2020). Methylphenidate and the risk of burn injury among children with attention-deficit/hyperactivity disorder. Epidemiology and Psychiatric Sciences, 29, E146. doi:10.1017/S2045796020000608

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O AÇÚCAR TORNA AS CRIANÇAS HIPERATIVAS?

O AÇÚCAR TORNA AS CRIANÇAS HIPERATIVAS?

Você certamente já deve ter visto representado em algum filme crianças ficando enlouquecidas após ingerirem grandes quantidades de doces. Contudo, a ideia de que o açúcar cause hiperatividade em crianças não parece ser verdadeira, com evidências científicas apontando contra essa hipótese.

Em 1995, foi publicada uma meta-analise no JAMA que agrupou os resultados de 23 estudos científicos. Os resultados encontrados apontaram que o açúcar não afetava o comportamento ou a performance cognitiva de crianças. Nesse trabalho, foram incluídos apenas estudos controlados com placebo e cegos, o que significa que as crianças, os pais e os professores envolvidos na análise não sabiam quem tinha recebido açúcar ou placebo.

Entretanto, os autores na época ressaltaram que não era possível eliminar um “pequeno efeito” e que eram necessários mais estudos.

Existe a possibilidade que certas crianças possam responder de forma diferente ao açúcar. Apesar disso, os estudos de maneira geral apontam que certamente não há um efeito tão grande quanto o dramatizado nos filmes ou relatado pelos pais.

Em 2017, outro estudo publicado no International Journal of Food Sciences and Nutrition investigou o impacto do consume de açúcar no sono e no comportamento de 287 crianças com idades entre 8-12 anos.

Os pesquisadores coletaram informações através de questionários de frequência alimentar, de sono, de comportamento e de dados demográficos. Surpreendentemente, 81% das crianças consumiam mais do que a dose diária recomendada de açúcar.

Ainda assim, os pesquisadores concluíram que “O consumo total de açúcar não estava relacionado a problemas de sono e comportamento, nem afetava a relação entre essas variáveis”.

Parece claro, portanto, que se o açúcar impacta na hiperatividade, o efeito não é acentuado nem está presente na maioria das crianças

Apesar disso, alguns pais podem ainda acreditar que seus filhos fiquem hiperativos após consumir açúcar, o que pode se dever, em parte, as expectativas dos próprios pais.

Para verificar esse efeito, um estudo publicado em 1994 no Journal of Abnormal Child Psychology avaliou 35 meninos com idades entre 5-7 cujas mães os descreviam como “sensíveis ao açúcar”.

As crianças foram divididas em dois grupos. Todas receberam placebo. Para metade das mães foi dito que seus filhos tinham recebido placebo e as outras foram ditas que seus filhos tinham recebido uma alta dose de açúcar.

Os pesquisadores filmaram as mães e os filhos enquanto eles interagiam e eram questionados quanto a interação. Os autores encontraram os seguintes achados:

As mães que acreditavam que seus filhos tinham recebido açúcar pontuaram seus filhos como significativamente mais hiperativos. Observações comportamentais revelaram que essas mães exerciam mais controle ao manter mais proximidade física bem como ao mostrar mais tendência a criticar, observar e a conversar com seus filhos do que as mães do grupo controle.

Vale lembrar também que a mídia tem um papel importante na perpetuação do mito, ao retratar em filmes e desenhos um boost de energia após o consumo de açúcar.

Além disso, muitas vezes o cenário em que as crianças consomem muito açúcar é um cenário de festas de aniversário, em que as crianças estão se divertindo e estão propensas a ficarem mais excitáveis a despeito do consumo de açúcar. De forma similar, se um doce é dado como um “presente especial”, o simples fato de receber uma recompensa pode fazer com que as crianças fiquem mais excitadas.

Mas então de onde veio essa ideia?

Em 1947, Dr. Theron G. Randolph, publicou um artigo discutindo o papel de alergias alimentares na fatiga, irritabilidade e problemas comportamentais em crianças. Além de outros fatores, ele descreveu a sensibilidade aos açucares do milho, ou ao xarope de milho, como a causa da “síndrome de fatiga´tensional” em crianças, sintomas que incluem cansaço e irritabilidade.

Nos anos 1970, o açúcar foi culpabilizado por causar hipoglicemia funcional ou reativa- em outras palavras, uma queda na glicemia (nível de açúcar no sangue) após uma refeição- o que pode causar sintomas como ansiedade, confusão e irritabilidade.

Essas foram as duas teorias proeminentes que cunharam a crença de que o açúcar impactava negativamente o comportamento de crianças. Contudo, nenhuma dessas teorias é atualmente respaldada pela literatura.

Entre os anos 1970 e 1980, muitos estudos pareciam apontar que crianças mais hiperativas consumiam mais açúcar. Entretanto, por serem estudos transversais (avaliaram as crianças em apenas um momento no tempo), é impossível dizer se o açúcar causa hiperatividade ou se a hiperatividade levava a um maior consumo de açúcar.

Desde os anos 90, os estudos que analisaram a hiperatividade e o consumo de açúcar apontaram para uma ausência de relação, sendo considerado por muitos um assunto resolvido. Porém existe uma área que ainda continua em estudo:

O grupo específico de crianças com Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Atualmente, alguns estudos buscam avaliar se uma dieta com alta quantidade açúcar pode aumentar o risco de desenvolvimento de TDAH enquanto outros buscam avaliar se o açúcar poderia exacerbar os sintomas de TDAH em crianças diagnosticadas.

Nesse sentido, em 2011  um estudo que acompanhou 107 crianças da quinta série não encontrou associação entre o volume total de consumo de açúcar em lanches com o desenvolvimento de  TDAH.

Já em 2019, uma  meta-analise publicada no Journal of Affective Disorders encontrou uma “evidência de associação entre os padrões alimentares e o TDAH”. Os autores desse estudo concluíram que “uma dieta com alto grau de açúcar refinado e gordura saturada pode aumentar o risco” de TDAH e que uma dieta com alto grau de frutas e vegetais seria protetiva.

Contudo, eles reconhecem que a evidência é fraca. Por exemplo, dos 14 estudos que encontraram uma relação entre dieta e TDAH, 10 usaram um desenho transversal ou de caso e controle, ambos os quais são estudos observacionais com limitada capacidade de postular conclusões.

Os autores da meta-analise também ressaltam um ponto importante: existe evidência que pessoas com TDAH têm mais tendência a engajar em comportamentos de compulsão alimentar. Isso significa que o consumo de alimentos com alto teor de açúcar -que ativam as redes de recompensa do cérebro- podem ser resultado do TDAH.

Para sumarizar, ao que parece, o açúcar não causa hiperatividade na vasta maioria das crianças. Estudos no futuro até podem encontrar um efeito pequeno, porém as evidências atuais sugerem que essa associação é um mito. Mas lembre-se: isso não significa que uma dieta com excessiva quantidade de açúcar seja benéfica, dado que ela pode implicar em outros problemas de saúde, como diabetes e sobrepeso.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.medicalnewstoday.com/articles/medical-myths-does-sugar-make-children-hyperactive#Sugar-and-hyperactivity-in-children

 

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TEMPO DE EXPOSIÇÃO A TELAS ANTES DE DORMIR E O EFEITO NO SONO DE CRIANÇAS

TEMPO DE EXPOSIÇÃO A TELAS ANTES DE DORMIR E O EFEITO NO SONO DE CRIANÇAS

Muito se houve falar, sobretudo quando o tema é higiene do sono, que a exposição às telas como televisão e celular próximo ao horário de dormir tem um efeito negativo na qualidade do sono, o que pode ser um motivo de preocupação para pais de crianças e adolescentes.

Um estudo financiado pelo instituto Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development (NICHD) encontrou que o uso de mídias eletrônicas a noite estava associado a redução do sono em crianças, mais acentuadamente naquelas que pontuavam menos em uma medida de auto-controle – a capacidade de filtrar impulsos inapropriados, focar a atenção e completar tarefas difíceis.

Embora seja possível ajudar crianças a desenvolver auto-controle, os pesquisadores dizem que seria mais produtivo ajudá-las a desenvolver um hábito saudável de uso de telas e de rotina de sono antes da adolescência, quando os pais passam a ter menos influência nos hábitos de sono de seus filhos.

O estudo foi conduzido por Kathryn Lemery-Chalfant, Ph.D., da Arizona State University, e colegas e foi publicado na Psychological Science.

Estudos anteriores haviam associado o uso de mídias eletrônicas próximo do horário de dormir com diferenças na qualidade, quantidade e tempo de sono em crianças e adolescentes. O presente estudo se propôs então a avaliar se essa associação variaria de acordo com as características das crianças. Eles buscaram determinar se diferenças na capacidade de auto-controle seriam capazes de influenciar o sono após o uso de mídias.

Os pesquisadores acompanharam o padrão de sono de 547 crianças, com idades entre 7 e 9 anos, por uma semana. Os pais mantinham diários dos horários que seus filhos iam dormir e acordavam e dos horários em que eles usavam mídias. O uso de mídias consistia em usar um computador desktop ou laptop, ver televisão, jogar videogames ou usar um telefone celular ou tablet para jogos ou internet.  Para avaliar objetivamente o sono, as crianças usavam actígrafos – dispositivos semelhantes a um relógio de pulso que analisava os seus movimentos e a luz ambiente. Ao registrarem  inatividade, os pesquisadores estimavam quanto tempo as crianças dormiram.

Os pais responderam ao questionário “Temperament in Middle Childhood Questionnaire”, desenhado para pontuar os traços de personalidade dos seus filhos, incluindo o auto-controle. As medidas de auto-controle incluíam o grau de capacidade que as crianças tinham para se obrigar a fazer os temas de casa, mesmo quando elas tinham vontade de brincar; se elas se distraiam facilmente ao ouvir uma história e se elas tinham facilidade em esperar para abrir um presente.

Em média, as crianças dormiam 8 horar por noite e usavam mídia antes de dormir em 5 das 7 noites. Aquelas que usavam mídia antes de dormir, dormiam em média 23 minutos a menos por noite e iam dormir 34 minutos mais tarde que aquelas que não usavam. Contudo, ao comparar usos equivalentes de mídia antes de dormir, crianças que tinham um alto grau de auto-controle dormiam 8 horas e aquelas com baixo grau de auto-controle dormiam 40 minutos a menos.

Portanto, de acordo com os resultados, a capacidade de auto-controle seria capaz de atenuar o efeito do uso de mídias a noite sobre o sono. Os pesquisadores teorizaram que crianças com baixo nível de auto-controle podem ter dificuldade de se acalmar após usarem mídias e podem ter dificuldade de adormecer. Apesar de que o auto-controle possa ser melhorado, eles adicionam, isso é um traço de personalidade e é difícil de mudar.

“Ao invés dos pais pensarem em como eles podem ajudar seu filho a melhor regular seu comportamento, eles podem tentar focar em desenvolver um cronograma mais consistente do sono e do uso de mídias”, disse a autora Leah Doane, Ph.D., da Arizona State University.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.nichd.nih.gov/newsroom/news/062620-screen-time

Mensagem da curadoria PRODAH:
Lembrem sempre que estudo de correlação não mede causalidade. Pode ser que exista algum fator biológico cerebral que determina tanto a dificuldade de sono, como de autocontrole e de maior avidez por tempo de tela, ou ainda causalidade inversa, ou seja, quem dorme menos, tem menos autocontrole e por ter menos necessidade de sono fica mais tempo na tela.

Referência:
1.Clifford S, Doane LD, Breitenstein R, Grimm KJ, Lemery-Chalfant K. Effortful Control Moderates the Relation Between Electronic-Media Use and Objective Sleep Indicators in Childhood. Psychological Science. 2020;31(7):822-834. doi:10.1177/0956797620919432

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CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

Um estudo publicado em junho deste ano no JAMA Network Open concluiu que crianças com problemas do desenvolvimento ou que não atingem marcos do desenvolvimento podem ter um risco cerca de 2.2 vezes maior de serem diagnosticadas com asma comparado com o risco de crianças sem esses problemas ou atrasos.

Uma das autoras do estudo, Sarah Messiah, PhD, diretora do Centro para Saúde Populacional Pediátrica na UTHealth Science Center School of Public Health em Dallas, disse que “ os guidelines pediátricos atuais de asma não mencionam problemas do desenvolvimento ou atrasos como fatores de risco para asma”. Como ela afirma, devido aos resultados do estudo, pediatras e especialistas que cuidam de crianças com incapacidades poderiam considerar a triagem para asma.

Nesse estudo, os pesquisadores analisaram os dados de 71,811 crianças e adolescentes entre 0-17 anos de idade, cujas famílias haviam participado da National Survey of Children’s Health (NSCH) de 2016 e de 2017. A NSCH é uma pesquisa populacional de representatividade nacional feita nos estados Unidos através de um questionário online.

Os seguintes problemas de desenvolvimento foram avaliados nesse estudo: (1) Transtornos Mentais (Déficit de Atenção e Hiperatividade [TDAH] e Transtorno do Espectro Autista); (2)  doenças neurológicas (paralisia cerebral e transtornos convulsivos); (3) déficits auditivos, de visão e de fala; (4) incapacidades cognitivas (deficiência intelectual e transtornos de aprendizado); ou (5) atraso inespecífico do desenvolvimento.

Além disso, 3,149 crianças foram classificadas como tendo atrasos no desenvolvimento, ou seja, tinham atraso em alguns marcos do desenvolvimento sem alguma condição médica que explicasse o atraso. Esses atrasos são diagnosticados quando as crianças não atingem funções – marcos- no tempo esperado para a faixa etária, como por exemplo caminhar, falar ou segurar objetos.

O risco de asma foi significativamente maior em crianças com ao menos uma incapacidade (razão de chance – RC  = 2.77; 95% CI, 2.39-3.21) ou atraso (RC = 2.22; 95% CI, 1.78-2.77) em comparação com crianças sem desordens ou atraso no desenvolvimento. Mesmo após ajustes para outros fatores como idade, sexo, raça e etnia, nível educacional, renda familiar e peso ao nascimento, todas as associações se mantiveram significativas para todas as categorias de incapacidade. Ao todo, crianças com incapacidades tinham um risco 2x maior de ter asma em comparação a crianças sem incapacidades.

O quanto uma incapacidade ou atraso especifico foi associado com o risco de asma variou na amostra. Comparado com crianças sem incapacidades ou atrasos, por exemplo, a perda de audição foi associada a um risco 3x maior para asma; crianças com TDAH, paralisia cerebral ou transtornos de aprendizado tinham mais que o dobro de risco de asma.

Uma limitação desse estudo é que todos os dados de asma, de incapacidade e de atrasos do desenvolvimento foram auto-relatados. Os dados não foram verificados por nenhum laboratório ou registro médico, então é possível que algumas crianças com essas condições não foram identificadas ou que alguns pais categorizaram seus filhos incorretamente com condições que eles não possuíam.

O diagnóstico falso positivo de asma em crianças com incapacidades tende a ser maior quando baseado apenas no relato dos pais, explicou Matthew McGrwa, MD, Professor assistente de medicina pulmonar pediátrica na University of Rochester Medical Center em Nova York ,que não estava envolvido com o estudo. Crianças com diferentes tipos de incapacidades regularmente se engasgam com bebidas ou comidas, causando chiados e dificuldade para respirar que pode parecer muito com asma para os pais, disse ele. “ Múltiplas outras razões podem causar sintomas similares”.

Outra limitação do estudo foi que os pesquisadores não obtiveram dados de outros fatores importantes que podem influenciar no risco de asma e de desordens do desenvolvimento ou atrasos, incluindo nascimento prematuro. “Crianças que nascem prematuras estão em maior risco tanto para problemas respiratórios como para atrasos no desenvolvimento devido ao subdesenvolvimento de órgãos como o pulmão e o cérebro,” completa Dr. McGraw.

No caso de a asma ser diagnosticada, algumas crianças com incapacidades físicas ou mentais podem ter dificuldade também de reconhecer seus sintomas. “Crianças com incapacidades podem ser menos propensas a comunicarem ou estarem alerta aos fatores que desencadeiam os ataques, ou até mesmo ser menos propensas a alertar seus pais quando elas sentem que sua respiração está comprometida,” disse Luisa Borrell, DDS, PhD, Professora no departamento de epidemiologia e bioestatística na CUNY Graduate School of Public Health & Health Policy em Nova York. Portanto, os pais podem precisar estar mais atentos para monitorar as exacerbações da asma em seus filhos.

Comentário da Equipe FOCUS:
Além das limitações do estudo já apontadas, é importante lembrar que crianças com alguma incapacidade ou atraso no desenvolvimento podem ser mais propensas a realizar consultas médicas, dado que já possuem uma condição em acompanhamento, o que poderia aumentar a chance de diagnóstico de asma.  Além disso, pais com crianças com dificuldades ou limitações podem tender a prestar mais atenção em alterações sutis no comportamento ou na saúde física do seu filho, o que também aumenta a chance de algum diagnóstico, ainda que os sintomas sejam leves.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.everydayhealth.com/asthma/kids-with-disabilities-or-developmental-delays-may-have-increased-asthma-risk/

Referência:
Xie L, Gelfand A, Delclos GL, Atem FD, Kohl HW, Messiah SE. Estimated Prevalence of Asthma in US Children With Developmental Disabilities. JAMA Netw Open. 2020;3(6):e207728. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.7728

Link: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2767213

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USO DE FORMAS MAIS CURTAS PARA ESTIMATIVA DE QI NA AVALIAÇÃO NEUROPSIQUIÁTRICA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

USO DE FORMAS MAIS CURTAS PARA ESTIMATIVA DE QI NA AVALIAÇÃO NEUROPSIQUIÁTRICA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

A avaliação da habilidade cognitiva (inteligência) pode ser muito útil na avaliação neuropsiquiátrica de crianças e adolescentes. Ela fornece informações adicionais que se relacionam com diversos aspectos psicossociais, desde desempenho acadêmico e social até outros domínios neurocognitivos.

Atualmente, a ferramenta mais utilizada para avaliação de crianças e adolescentes é a Escala de Inteligência de Wechsler para crianças, quinta edição (EIWC-V). Esse teste leva aproximadamente 65-80 minutos para ser completado, o que pode ser um fator limitante em alguns cenários, como no caso de crianças com TDAH.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores buscou identificar a eficácia clínica do uso formas mais curtas de avaliação de QI. Como os pesquisadores apontam, encontrar formas mais curtas de avaliação é interessante por diversas razões, como: diminuir o tempo gasto medindo apenas um domínio cognitivo, diminuir o tempo de exame para o examinador e o paciente, proporcionar que mais tempo seja usado avaliando outros domínios cognitivos não tão profundamente avaliados pela EIWC-V ( Ex. função executiva, aprendizado e memória) e diminuir o estresse de testes longos que podem ser particularmente desafiadores para pacientes com TDAH, fatiga física ou algum dano cerebral.

Os pesquisadores buscaram então avaliar, em uma amostra de pacientes pediátricos, o uso clínico de 10 formas curtas compostas por 5 e 4 subtestes que oferecem cobertura apropriada dos domínios avaliados pela EIWC-V.

Ao todo, foram coletados os dados de 268 crianças entre 6-16 anos que fizeram uma avaliação neuropsiquiátrica no Thompson Center for Autism and Neurodevelopmental Disorders e que completaram o EIWC-V entre 2015 e 2019.

A EIWC-V engloba 7 subtestes, podendo ser expandida para até 10 subtestes que avaliam 5 domínios: índice de compreensão verbal, índice visual espacial, índice de raciocínio fluido, índice de memória de trabalho e índice de velocidade de processamento. Os pesquisadores criaram então 10 formas curtas do teste combinando diferentes subtestes e somando os escores apresentados nesses subtestes.

Após, os resultados de cada forma curta foram comparados com o resultado do teste completo EIWC-V. Através de analises estatísticas, as formas curtas com 5 subtestes foram capazes de predizer com 81-92% de acurácia o escore verdadeiro de QI (resultado da EIWC-V) dos participantes, enquanto as formas curtas com 4 subtestes obtiveram 65-76% de acurácia.

Como os pesquisadores concluem, “cada forma curta apresenta seus próprios benefícios, detrimentos e considerações. Os profissionais da saúde podem procurar integrar esses achados na sua prática clínica e pesquisadores podem usar essas combinações de forma curta para estimar adequadamente e rapidamente a habilidade cognitiva das amostras de pesquisa. Estudos futuros devem avaliar e criticar essas e outras combinações de forma curta da EIWC-V em amostras demográficas e diagnósticas diversas.”

Referência:
-John W. Lace, Zachary C. Merz, Erin E. Kennedy, Dylan J. Seitz, Tara A. Austin, Bradley J. Ferguson, Michael D. Mohrland. Examination of five- and four-subtest short form IQ estimations for the Wechsler Intelligence Scale for Children-Fifth edition (WISC-V) in a mixed clinical sample. Applied Neuropsychology: Child, 2020; 1 DOI: 10.1080/21622965.2020.1747021

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RECEBER UM DIAGNÓSTICO DE TDAH PODE PREJUDICAR A PERFORMANCE ACADÊMICA?

RECEBER UM DIAGNÓSTICO DE TDAH PODE PREJUDICAR A PERFORMANCE ACADÊMICA?

O diagnóstico de doenças -tanto físicas como mentais- além de influenciar no tratamento e prognóstico, possui um impacto psicológico no paciente. Comparando-se afecções físicas e mentais, esse impacto pode ser muito maior nos transtornos psiquiátricos, seja pelo estigma social ou por serem doenças com potencial de influenciar diversos aspectos da vida.

Recentemente, foi publicado um estudo sobre os efeitos do diagnóstico de TDAH em crianças no Sociology of Education. Os resultados levantam uma questão interessante: a intensidade dos sintomas antes do diagnóstico pode estar associada ao ajustamento após o mesmo. No estudo, as crianças que tinham sintomas menos graves de TDAH antes do diagnóstico que usaram medicação ou não tinham ajustamento de comportamento social e acadêmico pós diagnóstico pior do que as crianças sem TDAH. Já as crianças com sintomas mais graves de TDAH antes do diagnóstico que usaram medicação tiveram um ajustamento pós-diagnóstico similar ao das crianças sem diagnóstico. Os autores do estudo interpretaram os achados como sinalizando que o diagnóstico e tratamento teve um efeito deletério em crianças com TDAH mais leve, diferentemente dos casos de TDAH com sintomas mais intensos.

Alguns pesquisadores teorizam que crianças com TDAH em idade escolar demonstram consciência das diferenças entre elas e os outros, fazendo com que elas inconscientemente diminuam sua performance em medidas sociais e acadêmicas em comparação com seus colegas, ao mesmo tempo em que a medicação poderia reforçar essa diferença de percepção.

Outros estudos também sugerem o impacto do rótulo na avaliação dos estudantes pelos professores. Mesmo quando apresentados com descrições hipotéticas sobre estudantes, os professores tendiam a avaliar a inteligência, o comportamento e a personalidade dos estudantes com TDAH desfavoravelmente em relação com seus colegas.

O estudo publicado no Sociology of Education analisou dados longitudinais de cerca de 10.000 estudantes de ensino fundamental dos Estados Unidos. Os dados, retirados da Early Childhood Longitudinal Study-Kindergarten Cohort (ECLS-K), foram coletados entre 1998 a 2008 pelo National Center for Education Statistics. Esses dados permitiram que pesquisadores observassem os efeitos a longo prazo do diagnóstico de TDAH e da medicação na performance acadêmica e social das crianças.

Contudo, os dados do ECLS-K possuem várias limitações. Todos os dados sobre TDAH provém de apenas três perguntas feitas aos pais sobre o diagnóstico entre a primeira e terceira séries do ensino fundamental, ou seja, nenhuma avaliação diagnóstica foi feita. A pergunta sobre uso de medicação foi feita apenas sobre uso corrente. Portanto, se naquele período, os pais reportaram que seus filhos não faziam uso de medicação, o ECLS-K computou que eles nunca fizeram uso de medicação, mesmo que tenham feito uso anteriormente ou que viessem a fazer uso depois. Isso pode ter feito com que as conclusões desses estudos sobre o impacto do uso de medicação na aprendizagem tenham sido enviesadas. Além disso, não houve avaliação da dosagem, aderência e o tempo de tratamento do TDAH, fatores que podem contribuir na performance. Sabe-se, por exemplo, que pais de crianças com sintomas mais graves de TDAH tendem a manter de forma mais consistente o tratamento medicamentoso de seus filhos, o que poderia resultar nos melhores resultados para esse grupo vistos no estudo. Pais de crianças com sintomas de TDAH mais leve aderem pior, o que pode determinar pior ajustamento futuro de seus filhos pelo uso inadequado do tratamento.

“Nós precisamos de um estudo de acompanhamento longo, com controles -não apenas estudantes não diagnosticados- que acompanhe os participantes dos 7 aos 18 anos”, disse o Dr Atih Amanda Seif, psiquiatra de crianças e adolescentes de Los Angeles, “uma vez que muitos estudantes não demonstram sintomas de TDAH até a adolescência”. Além disso, ao focar em melhorias em testes padronizados “estamos focados em medidas que podem mascarar outras melhorias que os estudantes experienciam ao tomar medicação para os seus sintomas de TDAH”.

Apesar das falhas potenciais nesses estudos, esses achados nos lembram a importância de se levar em consideração as percepções e o estigma envolvendo o TDAH e os problemas de comportamento ou aprendizado. Eles também apontam para o estresse dos pais e professores e para a estrutura dos sistemas de ensino que se baseia fortemente em testes padronizados.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.neurologyadvisor.com/topics/neurobehavioral-disorders/adhd-diagnosis-effect-on-academic-performance/

 

 

 

 

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A RELAÇÃO ENTRE TDAH E PROBLEMAS DE SONO EM ADOLESCENTES

A RELAÇÃO ENTRE TDAH E PROBLEMAS DE SONO EM ADOLESCENTES

Problemas de sono e TDAH são comumente encontrados nos adolescentes. Apesar disso, não se sabe exatamente a relação que esses problemas podem ter entre si.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores liderados por Xiachen Liu, da escola de Saúde Pública da universidade de Shandong, examinou associações prospectivas de problemas de sono e sintomas subsequentes de TDAH em uma amostra grande de adolescentes.

O estudo  “Shandong Adolescent Behavior and Health Cohort (SABHC)”  incluiu 7072 adolescentes em Shandong. Cada participante foi avaliado entre Novembro e Dezembro de 2015 e reavaliado um ano depois.

Os pesquisadores coletaram informações sobre a duração do sono, problemas de sono e sobre aspectos psicossociais usando um questionário estruturado e mediram os sintomas de TDAH com o questionário Achenbach Child Behavior Checklist-Youth Self-Report.

Ao início do estudo, apenas 7,6% dos participantes tinham sintomas relevantes de TDAH. Esses sintomas foram altamente comórbidos com problemas de sono, incluindo sintomas de insônia, baixa qualidade do sono, síndrome das pernas inquietas, roncos frequentes e curta duração do sono.

Dos 6531 pacientes sem sintomas relevantes de TDAH ao início do estudo, 4,5% reportaram sintomas relevantes de TDAH um ano depois na reavaliação. Os indivíduos sem sintomas de TDAH na linha basal, mas com insônia (OR, 2.09; 95% CI, 1.45—3.02), síndrome das pernas inquietas (OR, 1.47; 95% CI, 1.02–2.11) e roncos frequentes (OR, 2.30; 95% CI, 1.36–3.90) tiveram mais TDAH um ano após.

“Os sintomas de TDAH e os problemas de sono são altamente comórbidos. Insônia, síndrome das pernas inquietas e roncos frequentes parecem ser preditores significativos de sintomas de TDAH subsequentes”, escreveram os autores. “Nosso estudo ressalta a importância de avaliar  e manejar os problemas de sono para prevenir e tratar os sintomas do TDAH na adolescência”.

Sendo assim, o quão bem uma criança dorme poderia ajudar a predizer se uma criança vai desenvolver algum transtorno psiquiátrico no futuro.

Um time liderado por Bror M. Ranum, do Departamento de Psicologia da Norwegian University of Science and Technology (NTNU), examinou os efeitos a longo prazo e as associações bidirecionais entre a duração do sono e sintomas de desordens psiquiátricas em crianças com idade escolar de 6,8,10 e 12 anos.

A coorte populacional incluiu 799 crianças que participaram do estudo “Trondheim Early Secure Study”.

No estudo, a curta duração de sono foi associada prospectivamente a sintomas de transtornos psiquiátricos em idades mais jovens, mas não em idades mais avançadas. Não foi encontrada evidência de associação na direção oposta – que sintomas psiquiátricos estariam associados a curta duração do sono.

Uma duração menor de sono aos 6 anos e aos 8 anos foi capaz de prever com acurácia sintomas de desordens emocionais dois anos depois. Contudo, uma menor duração de sono aos 8 anos e 10 anos foi associada a problemas de comportamento dois anos depois entre meninos, mas não em meninas.

Os achados de ambos os estudos apontam para a necessidade de se investigar o padrão de sono das crianças e dos adolescentes,  tanto como uma estratégia preventiva quanto como uma estratégia para melhoria dos sintomas.

Artigo adaptado e traduzido de :https://www.hcplive.com/view/link-adhd-sleep-issues-adolescents

 

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