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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

Um dos sintomas que podem estar presente no TDAH e que muitas vezes acaba sendo negligenciado é a impulsividade. Assim como a hiperatividade e a desatenção, a impulsividade também está relacionada a déficits nas funções executivas. Além disso, ela parece se relacionar diretamente com a hiperatividade: os sinais da hiperatividade, como incapacidade de permanecer sentado, também dependem de uma capacidade diminuída de auto regulação e de controle dos impulsos.

Algumas das manifestações da impulsividade são: comportamento agressivo e raiva explosiva, gasto impulsivo de dinheiro, comportamento de risco incluindo comportamento sexual de risco, abuso de substâncias, gasto em jogos de azar e compulsão alimentar.

O descontrole dos impulsos pode ter um impacto negativo na qualidade de vida, podendo se manifestar na infância, adolescência ou idade adulta. Crianças com problemas de controle de impulso tendem a apresentar problemas na escola, tanto no aspecto social quanto acadêmico. Elas podem ter mais risco de se envolver em brigas com os colegas e de não completarem as tarefas escolares.

Ainda que a causa exata da impulsividade não seja bem compreendida, ela se relaciona com alterações químicas no lobo frontal, especialmente no balanço da dopamina.

Além do TDAH, a  impulsividade está presente também em outros transtornos psiquiátricos classificados no DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) como Transtornos Disruptivos, de controle de impulso ou de conduta. Nessa categoria se enquadram o transtorno de conduta e transtorno opositor-desafiador.

Outros transtornos psiquiátricos que podem eventualmente cursar com impulsividade são: bipolaridade, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Doença de Parkinson, abuso de substâncias e Síndrome de Tourette.

Problemas de controle de impulso são mais frequentes no sexo masculino. Porém, existem alguns outros fatores de risco como histórico de abuso, negligência/abuso por parte dos pais na infância ou pais com problemas de abuso de substâncias.

Abaixo seguem algumas dicas de como você pode auxiliar seu filho no controle dos impulsos:

  • Converse com seu médico sobre os problemas do seu filho e busque ajuda. Procurar atendimento com um psiquiatra/psicoterapeuta especialista em crianças pode ser uma boa ideia.
  • Seja um bom exemplo para o seu filho. As crianças tendem a observar e modelar o comportamento dos pais.
  • Estabeleça limites e mantenha sua palavra
  • Estabeleça uma rotina para que o seu filho saiba o que esperar
  • Parabenize seu filho quando ele exibir bom comportamento

E quanto aos adultos?

Adultos com problemas de controle de impulsos podem ter dificuldade de controlar seu comportamento no calor do momento, podendo sofrer com sentimento de culpa e vergonha após o ocorrido. É importante ter alguém em que você confie para conversar sobre suas dificuldades com o manejo dos impulsos. Ter uma válvula de escape, algum meio para se expressar, pode ajudar na hora de trabalhar seu comportamento.

A terapia é uma base central no tratamento. Algumas das opções são:

  • Terapia individual como TCC – terapia cognitivo comportamental
  • Terapia familiar ou de casal
  • Terapia de grupo para adultos
  • Ludoterapia para crianças

Além da psicoterapia, remédios psiquiátricos também podem ser usados, como os estimulantes para o TDAH, antidepressivos e estabilizadores de humor. Nesse caso, é necessária avaliação médica, e o médico poderá ajustar doses e encontrar a medicação mais adequada.

 

Artigo adaptado e traduzido de https://www.healthline.com/health/mental-health/impulse-control

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COMO SE COMUNICAR COM SEU FILHO COM TDAH

COMO SE COMUNICAR COM SEU FILHO COM TDAH

Pais de crianças com TDAH já devem ter notado que as vezes os pequenos parecem ter dificuldade de ouvir ou de fazer o que foi pedido. Eles se atrapalham na hora de seguir as instruções, se distraem no meio do caminho ou simplesmente esquecem o que tem que ser feito. Nessas horas, fazer com que as regras da casa sejam cumpridas parece quase impossível e manter a paciência pode ser um desafio. Então, como você pode melhorar a comunicação com o seu filho?

Aprender a conversar com o seu filho pode ser um processo longo e difícil. Além disso, apesar de haver alguns pontos chave, não existe receita de bolo e é preciso se adaptar e observar os resultados. Reunimos algumas dicas:

  • Olhar nos olhos

Isso ajuda você a ter certeza de que seu filho está prestando atenção em você, o que aumenta a chances de que ele esteja ao menos ouvindo o que você está dizendo. Peça para ele olhar nos seus olhos enquanto você fala.

  • Use uma linguagem apropriada para a idade dele

Seja claro e evite rodeios. Tente usar uma linguagem simples que ele possa entender. Responda as perguntas que ele eventualmente tenha e evite longos discursos que podem fazer com que ele perca a concentração.

  • Simplifique as tarefas

O seu filho pode ter dificuldade em saber como começar. Uma das dificuldades do TDAH é conseguir priorizar os compromissos e estabelecer um plano de ação. Então, se você faz um pedido muito amplo e pouco objetivo como “arrume seu quarto”, ele pode se atrapalhar e acabar não fazendo. A melhor forma é dar ordens mais objetivas como: arrume sua cama ou guarde tais e tais brinquedos. Um passo de cada vez.

  • Recompense pelo comportamento positivo

Pessoas com TDAH precisam de motivação para conseguir fazer as atividades. Uma forma de motivar o seu filho é oferecendo recompensas se ele fizer determinada atividade. Ex: diga que ele pode comer sobremesa se ele guardar os brinquedos, ou dê algum biscoito quando ele completar uma tarefa. Essa é uma das técnicas que o nosso App FOCUS utiliza: você ou seu filho acumula pontos por cada tarefa cumprida e os troca por prêmios.

Além disso, é importante elogiar o seu filho pelo comportamento positivo. Parabenize e agradeça quando ele fizer o que foi pedido. As crianças tendem a querer agradar os pais, apesar de que algumas, como as com TDAH, possam ter mais dificuldade na hora de fazer isso. O elogio, nesse caso, também pode ser uma fonte de motivação.

  • Certifique-se de que seu filho entendeu o que você disse.

Pergunte para ele se ele entendeu o que você disse e peça para ele repetir. Corrija-o se necessário.

Conversar efetivamente com seu filho é um aprendizado. Tenha em mente que as dificuldades do seu filho não são falta de vontade ou culpa de vocês. Por fim, seja paciente com você mesmo e permita-se errar. Você está dando o melhor que pode e é isso que importa.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.yahoo.com/lifestyle/tips-communicating-child-adhd-050502916.html

 

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VIDEOGAME PARA O TRATAMENTO DO TDAH É APROVADO PELO FDA

VIDEOGAME PARA O TRATAMENTO DO TDAH É APROVADO PELO FDA

Recentemente o FDA (Food and Drug Administration- organização responsável pela aprovação de tratamentos médicos nos Estados Unidos) aprovou o primeiro videogame capaz de ser usado como tratamento para problemas de saúde.

O EndeavorRX (AKL-T01), jogo produzido pela Akili Interactive, é um jogo mobile que foi autorizado para o tratamento de crianças com TDAH entre 8-12 anos de idade. Essa é uma decisão tomada após 7 anos de estudos para analisar a eficácia do vídeo-game.

Um desses estudos, um ensaio clínico randomizado, publicado no The Lancet Digital Health esse ano, avaliou 857 crianças entre 15 de julho de 2016 e 30 de novembro de 2017. Os pacientes foram randomizados em dois grupos, um de intervenção com o jogo AKL-T01 e outro de grupo controle. A intervenção no grupo controle foi desenhada para parear o AKL-T01 em expectativa, engajamento e tempo de jogo na forma de um jogo digital, que tinha como alvo domínios cognitivos diferentes do AKL-T01 e não associados primariamente ao TDAH.

A intervenção com o AKL-T01 melhorou significativamente a performance numa medida objetiva de atenção, um teste computacional de atenção (TOVA API), em crianças com TDAH em comparação com o grupo controle. Desfechos secundários como medidas de atenção feitas por pais e médicos não encontraram diferenças entre os grupos. Por conta disso, os pais não devem necessariamente esperar grandes mudanças no comportamento dos filhos.

Efeitos adversos foram encontrados em um número muito pequeno de pacientes (7% no grupo intervenção e 2% no grupo controle). Os mais comuns foram: frustração, dor de cabeça, tontura, reação emocional ou agressão.

Contudo, como os especialistas alertam, não é recomendado que o tratamento habitual do TDAH – medicação e terapia comportamental- seja descontinuado. O vídeo-game seria apenas um adicional, não um substituto.

De acordo com um porta-voz da empresa, o jogo foi aprovado apenas para ser usado 5 dias por semana por até 25 min por dia. É necessário ter prescrição médica e atualmente é preciso se cadastrar em uma lista de espera no site do jogo para adquiri-lo.

Como os pesquisadores escrevem, o AKL-T01 pode ser adicionado ao tratamento habitual com poucos riscos e a natureza digital da intervenção pode ajudar a diminuir a barreira encontrada no acesso das diferentes formas de tratamento comportamental e outras terapias não medicamentosas.

Comentário do Professor Luis Augusto Rohde (PRODAH/HCPA/UFRGS):
Vários outros jogos envolvendo treinamento cognitivo foram testados em TDAH. Os resultados considerados centrais nos estudos prévios foram mudanças em sintomas de TDAH relatados por pais e/ou professores. Vários desses jogos mostraram melhora de funções cognitivas associadas ao TDAH, mas com pouca melhora nos sintomas do transtorno. O mesmo ocorreu com esse novo videogame. A diferença é que os autores promoveram os testes cognitivos a desfechos centrais a serem avaliados e passaram os sintomas do TDAH relatados para desfechos secundários. Assim, mesmo chegando a resultados similares aos de estudos anteriores, puderam dizer que a intervenção foi eficaz para o que consideraram central. Fica a pergunta: Como pais, o que buscam no tratamento do TDAH de seus filhos? Melhora de uma função cognitiva num teste computadorizado ou dos sintomas percebidos no dia a dia? Se a resposta é a segunda, o vídeogame não se mostrou a solução.

Referências:
– A novel digital intervention for actively reducing severity of paediatric ADHD (STARS-ADHD): a randomised controlled trial Prof Scott H Kollins, PhD, Denton J DeLoss, PhD, Elena Cañadas, PhD, Jacqueline Lutz, PhD, Prof Robert L Findling, MD, Prof Richard S E Keefe, PhD et al.
DOI:https://doi.org/10.1016/S2589-7500(20)30017-0
Link: https://www.thelancet.com/journals/landig/article/PIIS2589-7500%2820%2930017-0/fulltext#articleInformation
https://abcnews.go.com/GMA/Wellness/video-game-approved-fda-potentially-children-adhd/story?id=71340522
https://www.theverge.com/2020/6/15/21292267/fda-adhd-video-game-prescription-endeavor-rx-akl-t01-project-evo

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COMO CONVERSAR COM MEMBROS DA FAMÍLIA SOBRE A SAÚDE MENTAL DO SEU FILHO?

COMO CONVERSAR COM MEMBROS DA FAMÍLIA SOBRE A SAÚDE MENTAL DO SEU FILHO?

Muitas vezes, pais podem precisar de uma ajuda extra na hora de cuidar dos filhos. Seja durante as horas de trabalho, finais de semana ou feriados. Nesses momentos, além das creches ou babás, os pais também podem contar com a ajuda dos avós ou de outros membros da família. No caso de crianças com problemas de saúde mental ou de comportamento, é necessário que os cuidadores estejam orientados quanto aos desafios, os esquemas terapêuticos e a forma de lidar em diferentes situações.

Quando o assunto é saúde física ou emocional, a constância no tratamento é fundamental. Assim como ela é necessária em problemas como asma e diabetes, ela também é importante na depressão, ansiedade ou no TDAH. Apesar disso, nem sempre é claro para os pais que eles devem compartilhar as dificuldades psiquiátricas dos seus filhos com outros membros da família da mesma forma como é feito para outras condições médicas. Seja por conta do estigma, vergonha ou ausência de um plano de abordagem consistente.

A falta de consistência é uma das razões para que ocorra falha no tratamento. É necessário que haja consistência na abordagem entre os diferentes ambientes –como dentro de casa ou na escola- e entre os cuidadores. Isso ajuda na identificação de comportamentos negativos e no reforço e promoção dos comportamentos positivos.

Descrevemos abaixo algumas dicas que podem ajudar na orientação e no preparo dos avós ou de outros familiares que irão se responsabilizar pelo cuidado da criança:

  1. Entender os desafios

Conforme descreve o Dr. Stuart Ablon em seu modelo colaborativo de resolução de problemas, as crianças – independente da dificuldade- querem agradar seus pais, atender as expectativas e serem amadas e admiradas. Contudo, quando as crianças se comportam de forma opositora, desafiante, mal-humorada ou distanciada, é comum assumir que elas estejam agindo propositalmente, que estão escolhendo confrontar e agir contra as expectativas. Na maioria das vezes esse não é o caso; e agir conforme essa suposição pode dificultar as coisas. Quando as crianças não se comportam conforme o esperado, isso frequentemente se deve à falta de habilidade e não de vontade. As crianças tendem a se comportar bem se elas conseguem. De forma similar, crianças com problemas de saúde mental podem ter pouca habilidade para se comportar conforme as normas e é importante que nós achemos formas de ajudá-las. Esse é um conceito muito importante que deve ser trazido sempre à tona.

No caso de crianças com TDAH por exemplo, pode parecer que elas não estejam prestando atenção de proposito, ou que também estejam se negando a fazer aquilo que lhes foi solicitado. É preciso que esse comportamento seja explicado para evitar mal-entendidos.

  1. Romper o estigma de doenças mentais

Ainda que mitos sobre transtornos psiquiátricos derivem de crenças culturais, da falta de conscientização pública ou de um histórico de estigmatização, doenças de saúde mental estão entre as condições médicas mais comuns ao redor do mundo. Buscar fontes de informação junto do pediatra ou do psiquiatra, ler artigos sobre os desafios enfrentados por seu filho, podem ajudar na hora de explicar para os avós sobre o transtorno e a forma como ele pode se manifestar.

Além de os instruir quanto informações básicas ou orientá-los quanto a fontes confiáveis de informação, ajude-os a sentir empatia com seu filho. Explique que as dificuldades que seu filho apresenta não são culpa de ninguém- nem do seu filho, sua ou deles-. Oriente-os que existe tratamento e que os desfechos podem ser tão bons quanto tratar outros problemas de saúde física comuns, como enxaqueca, problemas gastrointestinais, etc.

  1. Empoderando cuidadores com o tratamento

Toda criança com um ou mais problemas de saúde mental deve ter um esquema terapêutico. Isso idealmente inclui alguma estruturação do dia (hora de acordar, de ir pra cama, hora de fazer os temas de casa, tempo de televisão), dose e hora de tomada da medicação, bem como abordagens terapêuticas que podem ser aprendidas (ex. terapia cognitivo comportamental, meditação). É importante também ter para quem ligar em situações de emergência, saber como lidar com emoções ou comportamentos desafiantes (como conversar, intervalos, tempo para ficar sozinho no quarto). Idealmente essas coisas devem estar escritas tanto para os pais quanto para quem for cuidar da criança (avós, professores) e até mesmo para a criança.

Uma vez que o esquema terapêutico esteja bem esclarecido, a chance de sucesso é maior e o risco de se desviar do esquema é diminuído.

  1. Esclarecer que todos somos parte do problema e da solução

Todas as doenças no geral, sejam físicas ou emocionais, tem bases biológicas, psicológicas e ambientais. Por conta disso, nós podemos ter controle sobre muitos fatores causadores ou agravantes do problema.

Crianças e adolescentes tendem a viver em ambientes complexos, cheios de desafios, e ambos os pais ou avós podem ajudar a suavizar ou exacerbar o estresse que afeta o transtorno ou dificuldade da criança.

Se nós aceitarmos isso, podemos fazer duas coisas. Primeiro, nos tornamos responsáveis pelo nosso comportamento e nos vermos como agentes de mudança. Segundo, isso nos faz dividir a responsabilidade do problema, nos abstendo da tendência de ver a criança como “o problema”.

Rótulos negativos tem poder imenso e são muito danosos. Muitas crianças que sofrem de problemas de saúde mental lidam com baixa autoestima. Elas sofrem com sentimentos de inadequação, fracasso, medo de rejeição, o que pode fazer com que elas se vejam como debilitadas e culpadas, fazendo-as incorporar essas visões negativas na sua identidade.

Esse é uma das razões importantes que diferencia doenças de saúde mental de doenças físicas. É raro uma doença de origem física como hipertensão, diabetes ou asma gerar rótulos para a  criança de “deficiente”. Nós podemos fazer melhor por elas e redefinir o conceito de saúde mental, começando por conversar abertamente com nossa família e comunidade.

  1. Explicar o que funciona para cada criança ou irmão

Toda criança ou adolescente é diferente e assim também são os problemas de ordem mental. Além disso, algumas crianças podem ter mais de um transtorno. O TDAH por exemplo frequentemente vem associado com depressão, ou ansiedade. Cuidadores precisam entender o que cada transtorno é e como ele se manifesta no seu filho. Pode ocorrer ainda de mais de uma criança na família sofrer com problemas de saúde mental, fazendo com que os cuidadores tenham de entender mais de um esquema terapêutico.

Também precisamos levar em conta como o problema de saúde mental de uma criança pode afetar o outro irmão que também precisa de atenção. É normal que se foque mais na criança com comportamentos mais desafiadores, porém isso pode fazer com que a outra criança se sinta excluída e até ressentida.

Para cada criança, é preciso levar em conta a sua personalidade: algumas crianças são mais passivas e isoladas enquanto outras são mais irritáveis e agressivas. Esses traços devem ser considerados na hora do cuidado. Os pais são especialistas em seus filhos e podem dar aos avós ou cuidadores dicas valiosas. Como por exemplo:

Algumas crianças podem ter dificuldade de seguir cronogramas e podem precisar de avisos ou alarmes para começar a próxima tarefa.

Se a criança se negar a fazer determinada tarefa, como o tema de casa ou desligar a TV, o que pode ajudar?

Quando você der alguma medicação, quanto tempo leva para ela fazer efeito?

  1. Encorajar a participação dos cuidadores na conversa

Certamente há muito o que dizer para membros da família para que eles entendam as dificuldades de saúde mental do seu filho. A melhor forma de fazer isso é se os cuidadores tiverem uma participação ativa na conversa.

Encoraje-os a fazer perguntas. Você pode tranquiliza-los dizendo que isso já foi -ou talvez ainda seja- uma novidade para você também.  Eles podem ter dúvidas sobre como lidar em situações de colapso nervoso, quando usar recompensas ou punições, o quão rígidos devem ser e quando as regras podem sofrer exceções.

Assim como você faria com seu filho, considere conversar mais de uma vez com os avós ou cuidadores. Tente fazer com que o esforço de cuidado seja mutuo, observando o que cada um vê ou faz com a criança. Também é bom receber feedbacks das crianças. Reuniões em família podem ser úteis e não precisam ser formais. Às vezes é bom conversar durante o jantar ou no carro.

Cuidar de crianças e adolescentes é um esforço coletivo. As crianças se saem melhor quando sabem que todos estão trabalhando juntos para o bem-estar e saúde de todos.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.psychologytoday.com/us/blog/inside-out-outside-in/202005/how-talk-family-members-about-kids-mental-health

 

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DESCONTINUAR A MEDICAÇÃO DIMINUI LIGEIRAMENTE A QUALIDADE DE VIDA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH.

DESCONTINUAR A MEDICAÇÃO DIMINUI LIGEIRAMENTE A QUALIDADE DE VIDA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH.

Descontinuar a medicação para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes parece estar associada com uma queda pequena, mas estatisticamente significativa, na qualidade de vida, de acordo com os resultados de uma meta-análise e revisão sistemática publicada no Journal of Clinical Psychiatry. O mesmo efeito não foi detectado para pacientes adultos.

Prejuízos funcionais nos relacionamentos interpessoais, na educação e na vida laboral, bem como na qualidade de vida, são comuns em pacientes com TDAH. Contudo, existe pouca evidência da eficácia e da segurança do uso prolongado de medicamentos nessa população.

Para determinar a taxa de risco-benefício do uso prolongado de medicações para o TDAH, Noa Tsujii, MD, PhD do departamento de neurospsiquiatria da Kindai University Faculty of Medicine do Japão, e colaboradores usaram o PubMed, a biblioteca da Cochrane e a base de dados da Embase para identificar estudos que comparavam os desfechos de continuar ou descontinuar a medicação em pacientes com TDAH.

Ao todo, 9 estudos foram incluídos pra análise, com 5 estudos focando em crianças e adolescentes (n=1126 crianças com idade entre  6-17 anos) e 4 em adultos ( n=708 adultos com idades entre 18-65 anos). Enquanto 5 estudos avaliaram qualidade de vida, todos os 9 estudos mediram relapso dos sintomas. Em 5 estudos os pacientes receberam estimulantes, enquanto, nos 4 outros, os pacientes receberam não estimulantes como atomoxetina e guanfacina.

Os pesquisadores encontraram que a qualidade de vida diminui naqueles que descontinuaram a medicação para o TDAH comparado com aqueles que continuam a usar medicação (diferença média padronizada[DMP] 0,19; 95% CI, 0.08-0.30). A análise de subgrupo mostrou que a DMP em crianças e adolescentes com TDAH que descontinuaram a medicação, comparado com aqueles que não descontinuaram, era de 0.21 (05% CI, 0.06-0.36). Na análise de subgrupo dos adultos, os investigadores não encontraram diferença significativa entre aqueles que descontinuaram e aqueles que continuaram com a medicação (DMP, 0.02; 95% CI, -0.46 a 0.50)

Na análise de subgrupo avaliando medicamentos não estimulantes, a queda na qualidade de vida era maior entre aqueles que descontinuaram a medicação comparado com os que continuaram (DMP, 0.21; 95% CI, 0.10-0.32). Contudo, uma análise de subgrupo restrita aos estimulantes não pôde ser conduzida porque apenas um estudo avaliou mudanças na qualidade de vida com estimulantes. Os investigadores encontraram uma taxa de recaida dos sintomas de TDAH estatisticamente significativa (2.86;95% CI, 1.78-4.56) entre aqueles que descontinuaram a medicação para o TDAH, que permaneceu significativa nas análises de subgrupo em ambos os grupos etários.

Entre as limitações do estudo, os investigadores apontaram a impossibilidade de ser feita uma meta-analise sobre qualidade de vida no subgrupo dos estimulantes, a impossibilidade de se realizar análise de viés de publicação dado que são necessários no mínimo 10 estudos para usar o gráfico de funil e a variabilidade nas ferramentas usadas para avaliar qualidade de vida e severidade dos sintomas.

“Depois de descontinuar a medicação, avaliar regularmente a qualidade de vida pode ajudar na tomada de decisão sobre a reintrodução do tratamento em pacientes com TDAH”, apontam os pesquisadores.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/adhd/discontinuation-of-medication-slightly-decreases-quality-of-life/

Referencias:
-Tsujii N, Okada T, Usami M, et al. Effect of continuing and discontinuing medications on quality of life after symptomatic remission in attention-deficit/hyperactivity disorder: A systematic review and meta-analysis. J Clin Psychiatry. 2020;81:3.
Link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32237294/

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ASSOCIAÇÕES GENÉTICAS ENTRE PSICOPATOLOGIA NA INFÂNCIA E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

ASSOCIAÇÕES GENÉTICAS ENTRE PSICOPATOLOGIA NA INFÂNCIA E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

Recentemente foi publicado no JAMA Psychiatry, um dos mais importantes jornais de publicação científica no mundo, um estudo que avaliou o papel  de fatores genéticos na associação entre a psicopatologia na infância e a presença de transtornos de humor ou traços associados na vida adulta.

Como os pesquisadores escrevem, já se sabe da existência de uma associação entre problemas emocionais ou de comportamento na infância e o desenvolvimento de transtornos de humor na vida adulta. Contudo, a razão dessa associação ainda se mantinha desconhecida.

Esse estudo buscou então averiguar se fatores genéticos explicariam essa associação. Para isso, os pesquisadores realizaram uma meta-análise de 7 estudos de coorte longitudinais, totalizando 42 998 participantes.

Os estudos tiveram início entre 1985 e 2002 e os participantes foram repetidamente avaliados para a presença de psicopatologia entre os 6 e 17 anos de idade.

Os pesquisadores desenvolveram então escores de risco poligênico nas crianças baseados em dados de estudos de genoma de depressão, transtorno bipolar, bem-estar subjetivo, neuroticismo, insônia, escolaridade e índice de massa corporal em adultos.

O risco poligênico é uma análise que calcula o risco de alguém desenvolver uma doença baseado no número de genes para a doença que essa pessoa possui.

Os participantes foram então avaliados para a presença de sintomas de TDAH, problemas internalizantes ou sociais utilizando medidas autodeclaradas ou declaradas pela mãe do participante.

Como os pesquisadores escreveram: “Nós revelamos uma evidência forte de associação de risco poligênico de depressão, bem estar subjetivo, neuroticismo, insônia, escolaridade e IMC na vida adulta com sintomas de TDAH e problemas internalizantes e sociais na infância. Não encontramos associação entre risco poligênico de transtorno bipolar na vida adulta com piscopatologia na infância”.  Além disso, enquanto o risco poligênico de escolaridade na vida adulta foi mais associado com sintomas de TDAH na infância do que com problemas internalizantes ou sociais, o risco poligênico de IMC foi mais associado com sintomas de TDAH e problemas sociais do que com problemas internalizantes.

Os resultados sugerem a presença de fatores genéticos que influenciam na manifestação de diversos traços ao longo da vida, com associações estáveis durante a infância.

Contudo, como os pesquisadores ressaltam, uma limitação do estudo é que as análises foram feitas com populações europeias, podendo não ser generalizáveis para outras populações, que apresentam heranças genéticas diferentes. Ainda, a associação entre o risco poligênico e a psicopatologia da infância pode se dever a correlações passivas de gene e ambiente, uma associação entre o genótipo de uma criança e o ambiente familiar que se deve aos pais proverem ambientes influenciados pelos seus próprios genótipos.

Legenda:
-Genótipo: é o conjunto de todos os genes de um determinado indivíduo, ou seja, sua composição genética. O código genético de um indivíduo.

Referências:
-Akingbuwa WA, Hammerschlag AR, Jami ES, et al. Genetic Associations Between Childhood Psychopathology and Adult Depression and Associated Traits in 42 998 Individuals: A Meta-Analysis. JAMA Psychiatry. Published online April 15, 2020. doi:10.1001/jamapsychiatry.2020.0527
Link: https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/fullarticle/2763801

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ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL E TDAH EM CRIANÇAS

ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL E TDAH EM CRIANÇAS

Segundo estudo publicado na edição de Abril da Psychosomatic Medicine,  seguir recomendações de estilo de vida saudável aos 10 e 11 anos de idade está associado a menos diagnóstico de TDAH do nascimento até os 14 anos.

Em uma das primeiras investigações do tipo, um estudo com mais de 3000 mil estudantes do Quinto ano na Nova Escócia, Canada, mostrou que aqueles que seguiam ao menos 7 dentre  9 recomendações de estilo de vida saudável tinham um incidência significativamente menor de TDAH comparado com aqueles que seguiam apenas um ou 3 dos critérios.

“Já existe evidência da associação entre estilo de vida e saúde física. Agora parece que essas mesmas recomendações também protegem crianças de desenvolver TDAH. Quanto maior o número de recomendações que elas seguem, menos chance elas têm de desenvolver TDAH. Até hoje, nenhum outro estudo considerou todos esses fatores de estilo de vida simultaneamente”, disse Paul Veugelers, PhD da Escola de Saúde Pública da Universidade de Alberta.

A incidência de TDAH entre crianças e jovens norte Americanos permanece alta, com mais de 6 milhões de crianças diagnosticadas com o transtorno nos EUA.

Além disso, o aumento das taxas do transtorno ocorre ao mesmo tempo em que há uma piora das escolhas de estilo de vida, como os investigadores descrevem. Fatores como dieta pobre, inatividade física, maus hábitos de sono e sedentarismo foram todos associados ao TDAH.

Enquanto os estimulantes são um tratamento comprovado e eficaz, os investigadores ressaltam que houve pouca pesquisa em estratégias de prevenção.

“Até hoje”, disse Veugelers “não houve nenhum estudo prospectivo examinando a associação independente e combinada entre recomendações de estilo de vida saudável na infância e a incidência de TDAH até o início da adolescência. ”

“O meu interesse de estudo sempre foi como o estilo de vida pode afetar a saúde das crianças”, disse Veugelers. “ Inicialmente eu apenas considerava a saúde física, porém nos últimos anos se tornou aparente que o estilo de vida também afeta a saúde mental.

Então originalmente eu não planejava olhar para o TDAH”, ele completa. “Porém devido as associações que continuavam aparecendo eu decidi que isso merecia uma investigação adicional e esse estudo é um dos produtos dessa investigação adicional. ”

Para o estudo, os investigadores analisaram dados de uma pesquisa de estilo de vida de 3436 crianças entre 10-11 anos de idade que participam do Children’s Lifestyle and School Performance Study (CLASS).

As crianças e seus pais forneceram dados sobre a adesão a 9 recomendações de estilo de vida saudável, que incluíam dieta, atividade física, sono e tempo de telas, todos os quais apresentavam evidência de benefício para a saúde das crianças. Os pais também forneceram informações sobre renda, educação e local de residência.

Os pesquisadores usaram analises de regressão de risco proporcional de Cox e regressão binomial negativa para determinar as associações entre o estilo de vida das crianças e o diagnóstico de TDAH e/ou o número de visitas ao médico por TDAH até os 14 anos.

Historicamente, a prevalência de TDAH tem sido maior em grupos socioeconômicos menos favorecidos então os pesquisadores ajustaram esses fatores, disse Veugelers.

Os pesquisadores encontraram que 10,8% dos participantes haviam recebido diagnóstico de TDAH antes dos 14 anos. Eles também encontraram que crianças que seguiam de 7 a 9 recomendações de estilo de vida saudável apresentavam uma incidência significativamente menor de TDAH (hazard ratio, 0.42; 95% CI, 0.28 – 0.61) e menos visitas ao médico por TDAH (rate ratio, 0.38; 95% CI, 0.22 – 0.65), comparado com crianças que seguiam apenas  1 a 3 recomendações.

Como pode-se esperar, o link entre o estilo de vida e o risco de TDAH tinha uma relação de dose-dependência, de forma que para cada incremento adicional de recomendação que a criança seguia, havia uma queda de 18% na chance de diagnóstico de TDAH.

Os resultados não surpreenderam Veugelers, que tem sido a bastante tempo um defensor dos benefícios dos hábitos saudáveis.

“Crianças que são fisicamente ativas são geralmente as crianças que também dormem melhor e comem mais saudável, e provavelmente passam menos tempo em frente de uma tela porque elas precisam do tempo para ser fisicamente ativas”, disse ele.

Em uma era em que o TDAH é voltado para medicamentos, o estudo fornece aos pais um ímpeto adicional para promover o estilo de vida saudável para os seus filhos, escrevem os investigadores.

“ Se você perguntar para uma pessoa porque ela quer que seu filho tenha um estilo de vida saudável, ela provavelmente vai dizer que é por conta da saúde física dele. Agora nós também sabemos que isso será benéfico para a saúde mental, e especificamente para a prevenção do TDAH”, disse Veugelers.

“Obviamente, isso não é garantido já que múltiplos fatores contribuem para a saúde mental, mas isso é algo com que os pais podem de fato trabalhar”, disse Veugelers.

Julia Rucklidge, PhD e professora de Psicologia Clínica na Universidade de Canterbury, Nova Zelândia, que não esteve envolvida no estudo, comentou que os resultados desse trabalho ajudam a desviar o foco das medicações no TDAH para o estilo de vida.

“Nós temos sido quase exclusivamente dependentes de medicação para tratar problemas psiquiátricos. Por outro lado, esse estudo está mostrando que encorajar as crianças a saírem e praticarem atividade física e a serem mais cuidadosas quanto a alimentação também é relevante para a saúde mental”.

Como ela afirma, os investigadores estão focando sua atenção no potencial impacto dos fatores ambientais no TDAH. “ Tudo o que pudermos fazer para diminuir a chance de uma criança  ter TDAH deve ser algo positivo”, diz ela.

Esse estudo foi subsidiado pelo Instituto Canadense de Pesquisa médica e Inovação de Alberta. Veugelers e Rucklidge não declararam nenhum interesse econômico relevante.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.medscape.com/viewarticle/929207#vp_1

Comentários da equipe FOCUS:
Esse estudo encontrou uma relação entre o estilo de vida saudável e a presença de TDAH. Contudo, como ele não é um estudo prospectivo que avaliou os hábitos saudáveis antes do diagnóstico de TDAH, não se pode afirmar que tipo de relação é essa. Não podemos dizer, por exemplo, se o seguimento das recomendações de estilo de vida previne o TDAH, se o não seguimento pode causar o TDAH, ou, o mais provável, que ter TDAH está associado a hábitos de vida menos saudáveis. Podemos apenas observar que existe uma relação: crianças com TDAH diagnosticado até os 14 anos seguiam menos recomendações de estilo de vida saudável aos 10 e aos 11 anos. Isso pode se dever talvez ao fato de que crianças que irão desenvolver TDAH, ou que na verdade já tinham TDAH ou sintomas do transtorno, tem mais dificuldade de seguir as recomendações ou tendem a não seguir as recomendações. Também pode ser que outro fator que propicie o desenvolvimento de TDAH também influencia na falta de hábitos saudáveis, explicando a ocorrência mútua desses eventos.

Apesar dessas ressalvas, dado que promover o estilo de vida saudável fornece inúmeros impactos positivos conhecidos na saúde física e que existe a possibilidade de ser benéfico para a saúde mental, esses achados nos reforçam ainda mais a necessidade de se promover hábitos saudáveis nas crianças com TDAH. Promover hábitos saudáveis não apresenta riscos, pelo contrário, apenas benefícios potenciais.

Referências:
Adherence to Life-Style Recommendations and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder
A Population-Based Study of Children Aged 10 to 11 Years
Loewen, Olivia K. MSc; Maximova, Katerina PhD; Ekwaru, John P. PhD; Asbridge, Mark PhD; Ohinmaa, Arto PhD; Veugelers, Paul J. PhD
Psychosomatic Medicine: April 2020 – Volume 82 – Issue 3 – p 305-315
doi: 10.1097/PSY.0000000000000787
Link: https://journals.lww.com/psychosomaticmedicine/Abstract/2020/04000/Adherence_to_Life_Style_Recommendations_and.8.aspx

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