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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

ESTUDO SUGERE QUE PESSOAS COM TDAH SÃO MAIS PROPENSAS A ADQUIRIR COVID-19

ESTUDO SUGERE QUE PESSOAS COM TDAH SÃO MAIS PROPENSAS A ADQUIRIR COVID-19

Recentemente foi publicado um estudo conduzido por pesquisadores de Israel intitulado “TDAH como fator de risco para infecção com COVID-19”.

Os pesquisadores analisaram 14022 indivíduos registrados no Leumit Health Services entre fevereiro a abril de 2020 e  que fizeram ao menos um teste de COVID nesse período. Cerca de 10% dos indivíduos testaram positivo. Os pesquisadores encontraram que as taxas de TDAH eram significativamente maiores no grupo que testou positivo (16,24%) em comparado com o grupo que testou negativo (11,65%).

O risco de testar positivo para COVID era maior nos indivíduos com TDAH não tratado comparado com aqueles sem diagnostico de TDAH, mesmo controlando os dados para status socioeconômico e variáveis demográficas, gênero e idade. Os indivíduos com TDAH tratado não tinham risco aumentado em relação aqueles sem o diagnostico.

Ao contrário do TDAH, outros transtornos psiquiátricos como ansiedade e depressão tiveram uma associação contrária, sendo no caso associados com um menor risco de testar positivo para COVID.

Uma das explicações sugeridas pelos autores do estudo é a de que pessoas com TDAH podem ser mais propensas a correr riscos como entrar em contato com outras pessoas e a frequentar aglomerações. Pessoas com TDAH tendem a buscar recompensas momentâneas, sacrificando por vezes as consequências a longo prazo.

Outra possibilidade é a de que pessoas com TDAH se sujeitem inadvertidamente a situações de risco ou que possam aderir menos as recomendações de isolamento. Contudo, uma vez que o estudo não mostrou relação de causalidade, é possível que haja outra explicação para os achados.

Artigo adaptado e traduzido de: https://psychcentral.com/blog/adhd-millennial/2020/07/study-suggests-people-with-adhd-more-likely-to-get-covid-19#3

Referência:  Merzon E, Manor I, Rotem A, et al. ADHD as a Risk Factor for Infection With Covid-19. Journal of Attention Disorders. 2021;25(13):1783-1790. doi:10.1177/1087054720943271

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CORONAVÍRUS: COMO CONVERSAR COM SEU FILHO E QUAL O IMPACTO EMOCIONAL NAS CRIANÇAS?

CORONAVÍRUS: COMO CONVERSAR COM SEU FILHO E QUAL O IMPACTO EMOCIONAL NAS CRIANÇAS?

Nesse momento cheio de incertezas em que estamos vivendo, muitos de nós nos sentimos angustiados. Essa nova carga de estresse emocional também pode pesar sobre as crianças e os adolescentes, o que deixa os pais preocupados e com dúvidas sobre como devem agir.

O professor e médico psiquiatra Luis Augusto Rohde selecionou algumas dicas de como os pais podem ajudar seus filhos durante esse período. Vale lembrar, como o próprio médico ressalta, que não existe uma receita certa de abordagem, mas que existem algumas técnicas que foram aprendidas ao longo do tempo pelos profissionais de saúde mental:

  • A máxima aqui de que “a fantasia é sempre pior do que a realidade” é o ponto de início. As escolas estão fechando, as pessoas andando com máscara nas ruas. Fazer de conta que nada está acontecendo, só aumenta a angústia das crianças. Essa angústia é “o caldo de cultura” para fantasias horríveis em crianças pequenas, como a do fim do mundo!
  • Inicie perguntando o que ela sabe sobre o coronavírus. Procure ter um entendimento claro do que ela tem medo, separando o que são fantasias da realidade. Crianças menores tendem a se preocupar mais intensamente com que algo de ruim possa acontecer com elas, familiares ou amigos. Lembre-se que esses temores podem ser ainda maiores para filhos de profissionais da área de saúde.
  • Na conversa, alguns componentes são fundamentais: usa uma linguagem apropriada para a idade da criança. Lembra da dificuldade que você teve para entender aquele epidemiologista mostrando diversos modelos matemáticos das curvas possíveis de transmissão da doença na TV? Pois é, não faça o seu filho passar pela mesma tortura! Seja honesto. Não prometa o que não pode cumprir. Coisas do tipo: “Nenhum de nós vai pegar essa doença” devem ser substituídas por: Temos várias maneiras de enfrentar essa doença, temos que trabalhar como time em casa”. Torne a situação um desafio a ser vencido, como uma etapa nos jogos de videogame.
  • Se temos que passar uma etapa, dois aspectos são essenciais: um clima de segurança de que temos condições de enfrentar a situação, e o aprendizado de estratégias de enfrentamento, como: lavar as mãos com agua e sabão por 20 segundos (para crianças pequenas, tempo igual a dois “parabéns a você) quando chegam em casa, antes de comer, após assoar o nariz, tossir, espirrar ou usar o banheiro, uso de álcool gel e as medidas de etiqueta respiratória. Um dos segredos aqui é tornar a tarefa algo lúdico com crianças menores. Por exemplo, descobrir maneiras inovadoras de cumprimentar-se sem o toque de mãos.
  • Um cuidado importante é não empurrar “goela abaixo” informações que a criança não perguntou, ou ainda não está no melhor momento para absorver. Em outras palavras, não comece a conversa sobre coronavírus falando sobre o colega de trabalho que parece estar doente e indo para o hospital. Ou seja, lembre-se de que para conversar de forma tranquila, você não pode estar num momento de maior estresse. Mais do que é falado, a criança aprende com o modelo! Dizer para a criança que a situação não requer preocupação maior e levá-la para comprar “o supermercado inteiro”, só por precaução, pouco ajuda.
  • Controle e supervisione a exposição de seus filhos a mídia. A exposição maciça e, muitas vezes, de informações que eles não têm condições de elaborar ou alarmistas, só aumenta o estresse.
  • Procure manter uma rotina previsível e estável. Fácil de falar, mas difícil de implementar nesse momento em que, de uma hora para outra, você foi notificado que seus filhos não vão mais a escola “desde ontem”! Pior ainda, provavelmente não poderá contar com os avôs que devem ficar mais resguardados. Nessa circunstância, os pais se perguntam: a partir de que idade o meu filho pode ficar sozinho em casa por um turno? Embora não pareça haver um divisor de águas nem científico e nem jurídico, a resposta da maioria dos especialistas seria que vai depender da maturidade de cada criança, mas certamente não antes dos 12-14 anos. Embora valha sempre lembrar que a realidade da maioria das famílias brasileiras não permite esse luxo, mesmo em tempos sem COVID-19, evite estratégias para as quais a criança não teve o adequado preparo. É o momento de implementar estratégias solidárias similares àquela de valer-se do grupo de amigos para o rodízio do transporte de crianças à escola.
  • Se há uma área onde os estudos são consistentes é a de que o suporte social é fundamental para lidar com o estresse. Vamos ter que ser inovadores nessa área e nos valermos inclusive das tão discutíveis plataformas digitais para mantermos o contato da criança com primos, outros familiares e amigos, ainda mais se evoluirmos para um estágio de “lockdown” mais restritivo.
  • Conversar uma vez é excelente, mas essa é uma conversa que deve se repetir continuamente. Até porque a situação e as recomendações estão mudando dinamicamente.

Essas estratégias podem ajudar as crianças à enfrentarem o estresse emocional associado ao COVID-19. No entanto, é importante lembrar que essa é uma situação ainda mais delicada em crianças com vulnerabilidade emocionais, como aquelas que experienciaram doenças graves ou perdas no passado e aquelas com suscetibilidade para transtornos psiquiátricos, como os Transtornos de Ansiedade, Transtorno Obsessivo-Compulsivo ou de Estresse Pós-Traumático. Essas crianças podem merecer uma atenção mais cuidadosa de um profissional de saúde mental nesse momento.

Artigo adaptado de https://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/coronavirus-qual-o-impacto-emocional-na-crianca-e-como-conversar-com-ela/

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