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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

TDAH HACKATHON – APROFUNDANDO O OLHAR PARA O APLICATIVO FOCUS

TDAH HACKATHON – APROFUNDANDO O OLHAR PARA O APLICATIVO FOCUS

Participe de uma experiência de cocriação e design de solução digital para aprimoramento do app Focus.

Público-alvo: profissionais e estudantes da área da saúde, comunicação, informática e áreas afins, pacientes com TDAH e seus familiares.

Programa:

Etapa 1: 13 e 14 de Setembro 2019

Sexta

18h00 – Abertura

18h30 – TDAH Talk

19h30 – Intervalo

19h45 – Formação dos grupos

20h00 – Dinâmica Entender I

21h00 – Encerramento

 

Sábado

09h00 – Abertura

09h15 – Dinâmica Entender II

10h15 – Intervalo

10h30 – Dinâmica Entender II

11h30 – Dinâmica Experimentar

12h00 – Intervalo de almoço

13h30 – Dinâmica Cocriar

15h00 – Oficina de pitch

16h00 – Demo day

16h45 – Intervalo – banca

17h15 – Anúncio dos finalistas e encerramento

 

Etapa 2: 7 de Dezembro 2019

Sábado

09h00 – Abertura

09h15 – Dinâmica Prototipar I

10h15 – Intervalo

10h30 – Dinâmica Prototipar II

12h30 – Intervalo de almoço

14h00 – Dinâmica Validar

15h30 – Apresentações

16h30 – Intervalo – banca

17h00 – Anúncio dos ganhadores e encerramento

 

*Inscrição gratuita*

Vagas limitadas

R$ 10.000,00 para a equipe vencedora

Inscreva-se: www.fundacaomedicars.org.br

 

Informações:

eventosfundmed@hcpa.edu.br

Fone: (51)3332.6840

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RAZÕES PELAS QUAIS É DIFÍCIL MANTER AMIGOS QUANDO VOCÊ TEM TDAH

RAZÕES PELAS QUAIS É DIFÍCIL MANTER AMIGOS QUANDO VOCÊ TEM TDAH

Fazer amigos e manter amizades pode ser uma luta para adultos com TDAH. Cynthia Hammer, coach de TDAH, fornece algumas informações sobre relações sociais e TDAH, além de dicas para ajudá-lo a melhorá-las.

Por que as amizades são difíceis quando você tem TDAH

Uma das melhores maneiras de encontrar a felicidade em sua vida é através de amizades próximas. Mas se você tem TDAH, já sabe que encontrar e manter essas amizades pode ser muito mais difícil do que parece.

Hammer diz que muitas vezes ficamos tão envolvidos em nossas próprias vidas, na tentativa de gerenciar tudo o que está acontecendo, que, muitas vezes, deixamos de pensar nos outros e o que poderíamos fazer por eles.

Seguem algumas razões pelas quais Hammer diz que o TDAH pode causar problemas para manter amigos:

Você se sente sobrecarregado. Quando estamos sobrecarregados, até pensar em fazer mais uma coisa é demais. Se essa “mais uma coisa” for para outra pessoa, ela pode facilmente nunca chegar aos nossos radares pessoais.

Você acha que não é importante. Nós nos convencemos de que as amizades não são importantes, ou acreditamos que a oportunidade de mostrar a um amigo que nos importamos com ele e que ele é importante para nós vem e vai frequentemente. Assim, parece não importar se você sente falta de alguns deles. Mas amigos que não se sentem reconhecidos e apreciados podem cair no esquecimento e, possivelmente, se questionem: “O que há nessa relação para mim?”

Você fica entediado. Algumas pessoas com TDAH gostam de ter amigos, mas muitas vezes se sentem entediadas com eles, precisando de uma pausa. Elas acham difícil ser consistente em desfrutar regularmente de sua companhia, lhes dando atenção e mostrando boa vontade.

Você dá preferência a interesses em detrimento das pessoas. Às vezes, permitimos que algo tenha maior prevalência em relação a como usamos nosso tempo. Por exemplo, você pode optar em aprender a usar um novo videogame a ir ao cinema com um amigo, se isso lhe interessar mais.

Você é inconsistente. Comportamento instável e irregular, como agir como se você quisesse estar com alguém um dia, mas depois não querer vê-lo novamente por vários meses, não é a maneira de lidar com amizades. A pessoa que tem esse tipo de amizade pode se sentir usada e achar que você só entra em contato com ela quando não tem nada melhor a fazer.

Você tem uma memória fraca. Um desafio adicional para muitas pessoas com TDAH é uma memória fraca. Quais são os nomes dos três filhos do seu melhor amigo? Quem está para ganhar bebê? Ser informado desses tipos de detalhes pessoais e depois não se referir a eles em conversas futuras representa um enorme obstáculo para a criação de relacionamentos de longo prazo.

As pessoas querem sentir que são importantes – que suas atividades, sucessos e fracassos são compartilhados e valorizados por seus amigos. Amigos que consistentemente dizem “não me lembro disso” ou “esqueci que você me disse isso” dão a impressão de que eles não se importam o suficiente para lembrar.

Você evita assuntos que são importantes para seus amigos. Se você evitar certos assuntos porque não se lembra de informações importantes, dificilmente criará um relacionamento de longo prazo. Quando você é incapaz de compartilhar memórias e detalhes do seu tempo juntos, você dá a impressão de que não está realmente interessado em seus amigos e não valoriza a amizade deles.

7 maneiras de melhorar suas relações sociais

De acordo com Hammer, estes são os passos que você pode seguir para melhorar suas amizades:

Estar ciente. O primeiro passo para melhorar as interações sociais é tornar-se consciente de que o que você está fazendo é prejudicial. Monitore-se. Você está ouvindo ativamente? Caso contrário, comprometa-se com o fato de que, no próximo mês, você se concentrará completamente em ser um bom ouvinte. Se você disser alguma coisa, será apenas para fazer uma pergunta simples e curta, para esclarecer ou expandir o que o orador está dizendo.

Repita. Se você está ouvindo uma outra pessoa, ocasionalmente pergunte se você pode repetir o que ouviu e, em seguida, faça isso de forma simples e concisa. Não adicione nada. Dê a ela uma chance de dizer se você entendeu corretamente o que ela disse e, em seguida, deixe-a prosseguir enquanto você retorna ao seu papel como o bom ouvinte. Pratique, pratique, pratique estas habilidades.

Não interrompa. Você está interrompendo os outros? Mais uma vez, a conscientização é a chave. Torne-se consciente de si mesmo em suas interações. Se você está interrompendo as pessoas, tome medidas para parar. Quando você sentir este desejo, tome um gole de água, faça uma anotação, respire fundo e segure por um segundo, ou pense em “relaxar”. Não interrompa, mas, se o fizer, reconheça imediatamente, peça desculpas por interromper e incentive o orador a prosseguir.

Atenha-se ao tópico em questão. Se você tiver a tendência de mudar de assunto e sair por uma tangente não relacionada, conscientize-se e pare. As pessoas não apreciam e não veem isto com bons olhos.

Decida o quanto você valoriza suas amizades. O ato de prestar atenção suficiente aos seus amigos reflete no quanto você quer melhorar seus relacionamentos. Quanto você valoriza ter boas amizades e o que você está disposto a fazer para obter e mantê-las? Boas amizades não acontecem simplesmente. Eles demandam carinho e cuidado. Você está disposto a fazer o que é necessário? Você fará das boas amizades e relacionamentos uma prioridade? Quando você tem a escolha entre aprender sobre o seu novo computador e ir a um cinema com um amigo, você vai colocar um valor maior em conviver com o amigo por causa da recompensa a longo prazo? A escolha é sua.

Organize-se para nutrir seus relacionamentos. Quando estiver conversando com um amigo, faça planos para a próxima vez em que vocês se reunirem, se comprometa com ele e adicione o compromisso em seu calendário.

Aprenda a usar um App ou software que irá lembrá-lo de datas importantes, como aniversários, etc. Obtenha todas as informações de contato para cada um dos seus amigos salvos no seu celular. Compre cartões e selos variados para fazê-lo lembrar facilmente dos aniversários. Ao fazer compras, pegue alguns itens que você pode usar como presentes inesperados para seus amigos. Ou compre ingressos para alguma atividade e peça para eles irem com você.

Deixe seus amigos saberem o quanto eles significam para você. Propositadamente, diga-lhes o quanto você aprecia a amizade deles, o quanto você aproveita o tempo que passam juntos e o quanto está ansioso para marcar algo numa próxima oportunidade. Não deixe passar muito tempo sem entrar em contato com aqueles cuja amizade você mais valoriza.

Dicas para lidar com a falta de memória

É um dos desafios mais difíceis listados aqui e, infelizmente, a falta de memória não vai desaparecer, diz Hammer. Seguem estratégias para minimizar o impacto:

Anote sobre seus amigos, incluindo seus gostos, interesses, relacionamentos importantes e atividades, e revise-os antes do próximo encontro.

Inscreva-se em um serviço que enviará cartões de aniversário e outros eventos importantes para você. Você pode configurá-lo para o ano inteiro de uma só vez.

Anote os nomes de quem você conheceu recentemente e revise-os ocasionalmente.

Prepare-se antes de se encontrar com alguém que você não vê há algum tempo. Pergunte sobre o que você sabe que é importante para ele e o que está acontecendo em sua vida. Demonstre que você se lembra de detalhes importantes das coisas que ele lhe contou.

As pessoas com TDAH têm muito a contribuir para relacionamentos – entusiasmo, criatividade, energia, humor e muito mais. Não esconda dos outros essas qualidades incríveis, não lhes dando a chance de conhecê-lo melhor.

Ao aprender e praticar técnicas simples para interações sociais saudáveis, você estará a caminho de uma recompensa de bons relacionamentos e de amizades consistentes.

Artigo traduzido e adaptado do Very Well Mind, escrito por Keath Low, em 31 de julho de 2019.

https://www.verywellmind.com/how-to-make-friends-when-you-have-adhd-20402?utm_source=NRC-CHADD+Master+List&utm_campaign=a5e9c73255-EMAIL_CAMPAIGN_2018_12_18_04_09_COPY_01&utm_medium=email&utm_term=0_2985b6fcb4-a5e9c73255-48366109

 

 

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O SEGREDO PARA SUPERAR A PROCRASTINAÇÃO

O SEGREDO PARA SUPERAR A PROCRASTINAÇÃO

Todos nós sucumbimos à procrastinação de tempos em tempos. Mas para as pessoas com TDAH, a tendência a adiar coisas pode se tornar especialmente problemática. Você provavelmente já descobriu que dizer a si mesmo que vai “fazer isso depois” é uma receita para o desastre. É provável que você não se lembre de que devia ter pago a conta ou feito o follow-up de um importante projeto no trabalho, até receber um aviso prévio pelo correio ou ter seu chefe “grudado” no seu pescoço.

O problema é que tendemos a pensar no ato de procrastinação como o problema quando, na verdade, é um efeito colateral.

Se estivermos dizendo a nós mesmos que o que estamos prestes a fazer é chato, sem sentido, problemático, ou que provavelmente falharemos, começaremos a experimentar sentimentos negativos como resultado. Em uma tentativa de aliviar esses sentimentos, evitamos ou adiamos o que precisamos fazer.

Para ilustrar esse ponto para meus clientes, peço que imaginem que recebem um telefonema meu numa manhã e que eu os convido para sair. Eu então digo a eles que essa será a coisa mais chata que já fizeram e que irão odiar cada minuto deste encontro.

É nesse momento que eu pergunto a eles quanto estão motivados para se encontrarem comigo. Eles riem e dizem: “Não muito”. Certamente!

Mesmo o meu cenário imaginário parecendo exagerado e ridículo, o fato é que fazemos isso o tempo todo!

Este ciclo de pensamento negativo compõe o que eu chamo de “Iceberg da Procrastinação”.

Para quem possui TDAH, reunir motivação para realizar uma tarefa é, muitas vezes, uma batalha difícil, mesmo nas melhores circunstâncias.

Quando você considera o efeito que essas crenças negativas têm sobre a motivação, não é de se admirar que muitas pessoas com TDAH também sofram de procrastinação.

A seguir, uma lista de gatilhos de procrastinação comuns e o que você pode fazer para superá-los:

“Eu não me sinto capaz”

Este é provavelmente o maior culpado quando se trata de procrastinação.

Como os portadores de TDAH tem muita dificuldade em manter o foco e acompanhamento, muitas vezes eles deixam as tarefas de lado e aguardam o “momento perfeito” para começar. Ou esperam para sentir o estresse e ansiedade até o último momento possível para impulsioná-los em uma ação, o que só cria um ciclo interminável de caos.

Você provavelmente nunca vai se sentir assim. Mas a boa notícia é que você não precisa sentir isto para executar uma tarefa.

Em vez de esperar pelo momento perfeito, prepare-se para o sucesso.

Faça um lanche; saia para uma caminhada rápida; comece com o que parece ser a parte mais fácil da tarefa primeiro; defina um cronômetro e trabalhe por 15 minutos; ouça uma música; mude o cenário; aproveite as horas do dia em que você tem mais energia.

“Há muitas etapas e tudo parece demais”

Se a tarefa/atividade parecer muito assustadora e você não souber por onde começar, pegue um pedaço de papel e escreva as etapas necessárias para concluí-la.

Escrever é importante, porque apenas o ato de colocar as ideias no papel e fora da sua cabeça, pode colocar as coisas em perspectiva. Os clientes sempre me dizem que, depois de mapearem as etapas em um papel, descobrem que a tarefa/atividade não é tão complicada quanto eles pensavam.

* O primeiro passo ainda parece muito grande? Divida-o ainda mais.

* Tem um e-mail que você adiou o envio? O primeiro passo poderia ser criar um rascunho e preencher o assunto.

* Quer organizar sua cozinha? Comece organizando uma gaveta, prateleira ou gabinete.

“Eu nunca fui bom nisso”

Eu ouço muito isso dos meus clientes. Infelizmente, muitas pessoas com TDAH têm histórias longas de se sentirem inadequadas e incapazes.

O primeiro passo para superar esses sentimentos é perguntar-se se é realmente verdade que você não é bom naquilo que você está fazendo.

Reserve um momento para pensar em situações em que você pode ter feito algo semelhante e obtido sucesso. Talvez você seja ótimo em organizar caixas na dispensa, mas colocar sua mesa em ordem foi um desafio.

Pergunte a si mesmo o que aconteceu com essa situação particular que lhe permitiu ter sucesso e pense em como você poderia abordar o novo projeto de maneira semelhante.

Se você não consegue lembrar de um sucesso passado, lembre-se: só porque você não teve sucesso no passado, não significa que você nunca terá.

Acolha o poder do “ainda”: “AINDA não obtive sucesso, mas estou trabalhando para melhorar”. Pense no que você poderia fazer diferente desta vez ou para quem você poderia pedir ajuda.

“Vai ser muito chato”

O tédio, ou mesmo a simples ameaça, é como criptonita para os cérebros dos portadores de TDAH.

Eu tenho clientes que me dizem que evitam chegar a compromissos com antecedência, pois temem ficar sentados na sala de espera sem nada para fazer.

Se você está adiando uma tarefa ou atividade porque está com medo de ficar entediado, pense em maneiras de torná-la mais divertida.

Talvez você possa criar uma playlist ou um audio book para quando estiver lavando a louça. Vá a um café ou restaurante favorito para trabalhar em seu relatório. Coloque uma música, dance, envolva um amigo … Seja o que for para mantê-lo ativo.

Da próxima vez que você quiser postergar uma tarefa, reserve um momento para se perguntar o que realmente está acontecendo.

O que você está dizendo a si mesmo? O que você está sentindo como resultado? Ansioso? Sobrecarregado? Confuso?

Depois de identificar a causa subjacente, você estará em uma posição melhor para tomar as medidas necessárias para superar a procrastinação e (FINALMENTE) fazer o que tem que ser feito.

Fonte:

Artigo adaptado e traduzido da matéria publicada em 16 de julho, 2019, no Psych Central.

Natalia van Rikxoort, MSW, ACC é assistente social, consultora de TDAH e coach. Sua prática, Lotus Life Coaching Services, fornece serviços de coaching para adultos, jovens e famílias impactados pelos desafios do TDAH e funções executivas.

https://blogs.psychcentral.com/navigating-adhd/2019/07/the-secret-to-overcoming-procrastination-is-exactly-what-you-think/

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HIPERFOCO EM TDAH

HIPERFOCO EM TDAH

O TDAH geralmente se manifesta como hiperatividade, impulsividade ou desatenção, o que gera a impressão de que a pessoa não consegue se concentrar. No entanto, isto é enganoso, porque o TDAH é um problema para regular a atenção, ao invés de uma falta de atenção. Algumas pessoas com essa condição podem apresentar hiperfoco.

O hiperfoco no TDAH é definido como a concentração intensa e sustentada em um único interesse ou projeto por um período prolongado de tempo. Pessoas que experimentam hiperfoco muitas vezes ficam tão absortas que bloqueiam o mundo ao seu redor.

Crianças e adultos com TDAH frequentemente exibem hiperfoco quando trabalham intensamente em coisas que lhes interessam. Em essência, o hiperfoco é o oposto de outro sintoma de TDAH: a distração. A pessoa que passa por um episódio de hiperfoco pode, às vezes, perder o interesse sem qualquer explicação.

O que faz com que o cérebro de TDAH seja hiperconcentrado?

Como a distração, acredita-se que o hiperfoco resulte de níveis anormalmente baixos de dopamina, um neurotransmissor particularmente ativo nos lobos frontais do cérebro. Essa deficiência de dopamina torna difícil “mudar o rumo” para assumir tarefas chatas, mas necessárias.

“Crianças e adultos com TDAH têm dificuldade em mudar a atenção de uma coisa para outra”, diz o especialista em TDAH Russell Barkley, Ph.D. “Se eles estão fazendo algo de que gostam ou se sentem psicologicamente recompensados, tendem a persistir nesse comportamento, diferente de outros sem TDAH que normalmente passam para outras assuntos. Os cérebros das pessoas com TDAH são atraídos por atividades que dão feedback instantâneo ”.

Na opinião de Larry Silver, MD, psiquiatra da Escola de Medicina da Georgetown University em Washington D.C., essa concentração intensa é, na verdade, um mecanismo de enfrentamento.

“É uma maneira de lidar com a distração”, diz Silver. “Os jovens com TDAH da Universidade me dizem que, intencionalmente, entram em um estado de foco intenso para fazer um trabalho. As crianças mais novas fazem a mesma coisa inconscientemente, quando estão fazendo algo prazeroso, como assistir a um filme ou jogar um jogo de computador. Muitas vezes nem sabem que estão se concentrando tão intensamente”.

O hiperfoco no TDAH é ruim?

Não há nada inerentemente prejudicial sobre o hiperfoco. Na verdade, isso pode ser um ativo. Algumas pessoas com TDAH, por exemplo, são capazes de canalizar seu foco em algo produtivo, como uma atividade relacionada à escola ou ao trabalho. Outros se permitem focalizar em algo como recompensa por completar uma tarefa chata, mas importante.

“Muitos cientistas, escritores e artistas com TDAH tiveram carreiras muito bem-sucedidas, em grande parte, por causa de sua capacidade de se concentrar no que estão fazendo por horas a fio”, diz Kathleen Nadeau, PH.D., psicóloga em Silver Spring, Maryland e autora de “ADD-Friendly Ways to Organize Your Life”.

“As crianças com TDAH costumam gostar do que é divertido e emocionante, e são contrárias a fazer coisas que não querem”, diz Joseph Biederman, chefe do programa de psicofarmacologia pediátrica do Massachusetts General Hospital, em Boston. “Combine isso com um gerenciamento de tempo ruim e problemas de socialização, ambos típicos de crianças com TDAH, e a criança pode acabar jogando Nintendo sozinha durante todo o final de semana”.

Adultos com TDAH contam histórias de reuniões ou prazos perdidos porque ficaram tão absortos em algo que perdem a noção do tempo. Em um caso extraordinário, citado por Nadeau, uma mulher com TDAH estava tão concentrada em um projeto que não percebeu que sua casa havia pegado fogo. “Foi só quando os bombeiros entraram na casa, procurando por alguém dentro, que ela olhou para cima e percebeu o que estava acontecendo”, diz Nadeau.

Dicas para gerenciar o hiperfoco

Uma vez que você aprende a transformar o hiperfoco a seu favor, este torna-se uma grande vantagem. Há várias histórias sobre indivíduos com TDAH que podem se concentrar intensamente por longos períodos de tempo em projetos complexos.

As dicas a seguir podem ajudar a tornar o hiperfoco mais gerenciável para crianças:

  • Realize um cronograma para controle de atividades que tendem a resultar em hiperfoco. Isso pode envolver limitar o tempo que elas passam assistindo televisão ou jogando videogames.
  • Tente conscientizar a criança de que o hiperfoco é um sintoma de sua condição. Isso pode ajudá-la a entender que precisa lidar com isso.
  • Use marcações de tempo finais, como o final de um filme, como um sinal de que a criança precisa reorientar sua atenção. Isso pode impedir que ela fique absorta por muito tempo.
  • Promova atividades que as afastem do isolamento e que a estimulem a conviver socialmente.

Estas dicas poderão ajudar os adultos:

– Defina tempo através de cronômetros e lembretes para ajudar a concluir todas as tarefas, atividades ou trabalhos essenciais.

– Estabeleça prioridades e as alcance passo a passo. Isso evita focar em apenas uma atividade por muito tempo.

– Não tenha medo de pedir às pessoas nas proximidades para desligarem televisões ou outras distrações, se ficar evidente que o hiperfoco está começando a se instalar.

– Solicite às pessoas que telefonem ou enviem e-mails em horários específicos. Isso pode ajudar a quebrar períodos intensos de foco.

Tomar medicamentos para tratar a condição geral também pode ajudar a aliviar o hiperfoco, bem como outros sintomas.

Obs: É importante ressaltar que o Manual Diagnóstico e Estatístico da 5ª Edição (DSM-5) da Associação Americana de Psiquiatria não relaciona o hiperfoco entre seus critérios diagnósticos para TDAH.

Fonte:

Texto traduzido e adaptado das seguintes publicações:

Medical News Today, em 8 julho 2019, por Amanda Barrell. Avaliado por Timothy J. Legg, PhD, CRNP https://www.medicalnewstoday.com/articles/325681.php

De Royce Flippin para Additude Magasin, 9 de Julho 2019.

https://www.additudemag.com/understanding-adhd-hyperfocus/

Keath Low para Very Well Mind. Em 12 de Julho, 2019.

https://www.verywellmind.com/hyperfocus-and-add-20464

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OS PAIS AMERICANOS SUPERESTIMAM OS SINTOMAS DE TDAH?

OS PAIS AMERICANOS SUPERESTIMAM OS SINTOMAS DE TDAH?

Um novo estudo descobriu diferenças entre países no relato dos pais sobre sintomas de TDAH.

Um estudo publicado no início de Julho no Journal of Cross-Cultural Psychology descobriu que os pais na Austrália e nos Estados Unidos eram mais propensos a relatar sintomas de TDAH em seus filhos pequenos do que os pais na Noruega e Suécia. O estudo também descobriu que os pais escandinavos tendem a “diagnosticar” o TDAH com mais precisão do que seus pares na Austrália e nos EUA.

Pesquisadores de saúde mental já sabem há algum tempo que o TDAH é diagnosticado com mais frequência em alguns países do que em outros. A taxa global estimada de TDAH é de 5,3% da população (MacDonald et al., 2019), mas a taxa americana é de 9,4% (Danielson et al., 2018). A taxa na Suécia é de apenas 3,7%.

Embora a existência de diferenças entre países esteja bem estabelecida, os pesquisadores não sabem como explicar estas diferenças. Talvez o TDAH realmente seja mais comum nos EUA do que na Suécia. Talvez os pais, professores e médicos suecos subestimam a prevalência real do distúrbio. Talvez os pais, professores e médicos americanos exagerem quanto ao diagnóstico. Ou talvez algo mais esteja acontecendo.

A psicóloga clínica Beatriz MacDonald, da Universidade do Novo México, reuniu uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos, Austrália, Noruega e Suécia. Eles sabiam de estudos anteriores que mostravam taxas de TDAH acima da média na Austrália e nos Estados Unidos, e taxas abaixo da média na Noruega e na Suécia. MacDonald e sua equipe pretendia replicar as descobertas anteriores e, mais importante, descobrir as razões para as diferentes taxas.

Antes de coletar qualquer dado, a equipe identificou cinco explicações possíveis para as diferenças do países.

Hipótese 1: O TDAH pode ser mais prevalente em alguns países e menos em outros.

Hipótese 2: o TDAH pode parecer mais ou menos prevalente porque os serviços de saúde nos países usam diferentes definições e parâmetros de TDAH.

Hipótese 3: O TDAH pode ser mais perceptível em crianças mais novas nos países que ensinam certas habilidades acadêmicas (como a leitura) aos pré-escolares. (Os Estados Unidos são um desses países; a Noruega e a Suécia não são.) Por quê? Porque os sintomas do TDAH – não prestar atenção e incomodar, por exemplo – são menos perceptíveis quando não se espera que as crianças fiquem paradas e se concentrem em seus estudos.

Hipótese 4: Pais, professores e médicos em alguns países podem subestimar a prevalência de TDAH. Por quê? Porque algumas culturas e sociedades estigmatizam os transtornos mentais da infância. Consequentemente, pais e cuidadores relutam em relatar casos potenciais de TDAH.

Hipótese 5: Pais, professores e médicos em alguns países podem superestimar a prevalência de TDAH. Por quê? Porque algumas culturas e sociedades veem comportamentos que fazem parte do repertório comportamental normal de crianças pequenas como patológicos. As pessoas que adotam essa “lente cultural” , às vezes, veem o TDAH quando ele não está lá.

Para testar essas hipóteses, MacDonald e sua equipe estudaram 974 crianças em quatro países: Austrália, Noruega, Suécia e Estados Unidos. Algumas das crianças tinham 5 anos e estavam na pré-escola. Outros tinham 7 anos e estavam na segunda série. Para estimar a prevalência de sintomas de TDAH nas crianças, os pesquisadores pediram a seus pais para completar uma parte da Escala de Avaliação de Comportamentos Disruptivos (Disruptive Behaviors Rating Scale – DBRR), uma medida confiável e válida usada em muitos países.

Cada pai avaliou seu filho em termos de 18 sintomas diferentes de TDAH, incluindo problemas para manter a atenção, não ouvir, distrair-se facilmente, ir embora, levantar-se da cadeira e deixar escapar respostas. Cada pai avaliou cada sintoma em uma escala de 4 pontos:

0 = nunca ou raramente

1 = às vezes

2 = frequentemente

3 = muito frequentemente

Para validar a avaliação dos pais, os pesquisadores administraram uma bateria de testes cognitivos nas crianças. Os testes mediram a memória verbal, velocidade de nomeação e habilidades de visão espacial. Segundo os pesquisadores, esses testes cognitivos são conhecidos por serem sensíveis ao TDAH; As crianças que realmente sofrem de TDAH apresentam um desempenho relativamente ruim nos testes.

A equipe de MacDonald realizou cinco descobertas interessantes:

  1. As amostras norueguesa e sueca não diferiram em nenhuma das medidas, então seus dados foram combinados em um único grupo escandinavo;
  2. Os escores das crianças pequenas com TDAH (com base nos resultados do DBRS dos pais) foram semelhantes aos resultados relatados em estudos anteriores: 4% na Escandinávia, 10% nos Estados Unidos e 11% na Austrália;
  3. Nos quatro países, os meninos apresentaram mais sintomas – e sintomas mais severos – do que as meninas. A diferença foi observada em ambos os grupos etários, 5 e 7 anos de idade;
  4. Em comparação com pais escandinavos, pais americanos e pais australianos relataram mais sintomas de TDAH em seus filhos. As diferenças entre os países foram observadas em ambos os grupos etários;
  5. Os julgamentos de TDAH de pais escandinavos correspondiam mais aos resultados objetivos de habilidades cognitivas do que os julgamentos de TDAH de pais na Austrália e nos Estados Unidos. Em outras palavras, os pais escandinavos tendem a ser mais precisos em seus “diagnósticos” dos casos reais de TDAH.

Dadas as descobertas de seu estudo de quatro países, o Dr. MacDonald e seus colegas conseguiram tirar conclusões preliminares sobre as hipóteses mencionadas anteriormente.

  • Não há suporte para a Hipótese 2. Os países estudados tinham diferentes taxas de prevalência de TDAH, mas as diferenças não podem ser explicadas pelo uso de diferentes instrumentos de medição, porque os pais dos quatro países usaram o mesmo instrumento para medir a frequência dos sintomas de TDAH;
  • Não há suporte para a hipótese 3. A prevalência de sintomas de TDAH em cada país não foi afetada, já que as crianças foram solicitadas a ficarem quietas nas aulas. Nos quatro países, as taxas de TDAH foram as mesmas para crianças em idade pré-escolar e segunda série;
  • Não há suporte para a hipótese 4. Os pais na Noruega e na Suécia não subestimaram os sintomas de TDAH porque suas classificações combinavam com os resultados dos testes cognitivos melhor do que as classificações dos outros pais;
  • Bom suporte para a Hipótese 5, de que alguns países superestimam a prevalência de TDAH. Em comparação com os pais escandinavos, os pais americanos e australianos tendem a “ver” o TDAH em crianças que, de acordo com testes cognitivos, provavelmente não tem TDAH.

MacDonald e sua equipe concluíram seu estudo com um alerta: “É possível que o TDAH esteja sendo superdiagnosticado em alguns países, como os Estados Unidos e a Austrália”. Dada a relação entre um diagnóstico de TDAH, tratamento químico e aumento dos custos médicos, pais de crianças pequenas podem querer pensar duas vezes antes de embarcar neste trem.

Fonte:

Postado 01 de jul de 2019, por Lawrence T. White Ph.D., Psychology Today

https://www.psychologytoday.com/us/blog/culture-conscious/201907/do-american-parents-overreport-symptoms-adhd

Referências:

Danielson, M., and 5 others. (2018). Prevalence of parent-reported ADHD diagnosis and associated treatment among U.S. children and adolescents, 2016. Journal of Clinical Child & Adolescent Psychology47 (2), 199-212. DOI: 10.1080/15374416.2017.1417860

MacDonald, B., and 6 others. (2019). Cross-country differences in parental reporting of symptoms of ADHD. Journal of Cross-Cultural Psychology. DOI: 10.1177/0022022119852422

Comentário do Professor Luis Augusto Rohde – coordenador do PRODAH: estudo interessante, mas cuidado que testes neuropsicológicos não dão diagnóstico de TDAH e nem podem ser usados para identificar o diagnóstico como valido. Teria sido mais interessante e metodologicamente adequado se os pesquisadores tivessem avaliado o relato dos pais contra medidas cegas coletadas pelos pesquisadores de prejuízo funcional na vida da criança.

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COMO A ADVERSIDADE PRECOCE SE RELACIONA COM A ATIVIDADE CEREBRAL ANOS DEPOIS

COMO A ADVERSIDADE PRECOCE SE RELACIONA COM A ATIVIDADE CEREBRAL ANOS DEPOIS

Em janeiro de 2019, o governo dos EUA informou que cerca de 3.000 crianças foram separadas à força de seus pais que migravam pela fronteira americana com o México e foram colocadas em abrigos de detenção ou assistência social. Muito do que os cientistas sabem sobre como o desenvolvimento do cérebro em crianças é prejudicado por experiência adversas de vida vem de estudos sobre órfãos romenos que sofreram grave negligência sob o governo do ditador romeno comunista Nicolae Ceausescu.

A pesquisa mais recente de cientistas que rastreiam o desenvolvimento neurológico dessas crianças, publicado na revista Developmental Science mostra que interrupções do cuidador produzem efeitos prejudiciais na função cerebral de uma criança, evidenciada pela análise de eletroencefalograma após as crianças chegarem à adolescência (16-17 anos). Os novos dados mostram que as melhorias na atividade elétrica cerebral vistas após órfãos terem sido retirados de orfanatos e colocados em lares adotivos foram revertidas quando o lar adotivo foi descontinuado.

Este mais recente relatório é uma continuação de um longo estudo longitudinal dos órfãos romenos por Charles Nelson, do Hospital Infantil de Boston, Nathan Fox, da Universidade de Maryland, College Park, Charles Zeanah, da Universidade de Tulane, e os co-autores Ranjan Debnath e Alva Tang, da Universidade de Maryland. Esta pesquisa estudou os efeitos do cuidado parental no desenvolvimento do cérebro usando um delineamento experimental randomizado, como nos estudos sobre medicações . Os órfãos foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: os que permaneceram institucionalizados ou os que foram colocados em lares adotivos. Cento e trinta e seis crianças pequenas, entre 6 e 31 meses de idade, de orfanatos em Bucareste, Romênia, participaram do estudo. Sessenta e oito das crianças foram designadas aleatoriamente para lares adotivos e 68 crianças foram designadas para continuar nos cuidados institucionais. O desenho de estudo longitudinal e randomizado (significando que as mesmas crianças foram seguidas ao longo do tempo) fornece a abordagem experimental mais rigorosa possível, mas levantou questões éticas difíceis.

O estudo relatou anteriormente que a análise EEG das ondas cerebrais dos órfãos indica que a atividade elétrica do cérebro se desvia significativamente das crianças neurotípicas. Outras pesquisas documentaram atrasos no desenvolvimento e prejuízos psicológicos e neuroanatômicos nessas crianças. Os órfãos têm baixo poder de ondas cerebrais alfa e beta e maior poder de ondas cerebrais teta do que controles (normalmente crianças da mesma idade criadas dentro das suas famílias). Estas são diferentes bandas de frequência das oscilações das ondas cerebrais, aumentando a frequência de oscilação de teta (4-7 Hz) para alfa (8-13 Hz) para ondas beta (14-25 Hz).

Essa assinatura alterada do EEG tem sido associada ao TDAH, distúrbios de aprendizagem, transtornos de comportamento disruptivo e fatores de risco psicossociais. No entanto, órfãos que foram colocados em lares adotivos mostraram EEGs (eletroencefalogramas) normais quando avaliados 12 anos depois, enquanto aqueles que permaneceram em instituições ainda tinham essas características anormais em seu EEG.

Este estudo de acompanhamento confirmou que a colocação dos órfãos em um lar adotivo restaurou o eletroencefalograma ao normal, acrescentando que esta melhoria persiste no cérebro adolescente. Mas também descobriu que as interrupções no lar adotivo, incluindo a mudança de lares adotivos ou a reunificação com suas famílias biológicas, reverteram os benefícios.

Um número maior de interrupções no cuidado adotivo foi associado ao aumento do poder teta e à diminuição do poder alfa, um padrão de atividade cerebral frequentemente observado em crianças que vivem em ambientes empobrecidos. Os autores concluem que interrupções em um ambiente familiar estável influenciam negativamente a atividade elétrica cerebral em crianças, com efeitos que podem persistir no cérebro adolescente.

Os autores caracterizam essas diferenças no poder do EEG como uma indicação de um estágio imaturo do desenvolvimento do cérebro,. Deve-se notar, no entanto, que as diferenças no traçado do EEG e na função cerebral são variáveis que se correlacionam, não há necessariamente uma relação de causa e efeito. Existem muitas variantes normais da atividade EEG, incluindo baixo poder de onda alfa, que são, em parte, geneticamente determinados.

Em segundo lugar, o poder do EEG medido com eletrodos no couro cabeludo é afetado por diferenças na densidade do crânio, que pode ser influenciada por condições adversas. Ondas cerebrais penetram o crânio em diferentes extensões, dependendo da sua frequência de oscilação.

Finalmente, caracterizar essas diferenças nas funcionalidades das ondas cerebrais como sendo prejudiciais também depende da correlação. Precisamente como o poder da onda alfa, por exemplo, se correlaciona com as consequências prejudiciais da experiência adversa na infância, não é certo. Uma interpretação alternativa poderia ser que as mudanças na função cerebral subjacentes a essas diferenças no EEG são adaptações aos diferentes ambientes que as crianças experimentam. Por exemplo, uma maior vigilância pode ser uma adaptação benéfica para um ambiente novo, estressante ou instável, e tais alterações no cérebro da criança podem ter efeitos em seu EEG.

No entanto, essas mudanças na atividade elétrica no cérebro adolescente correlacionam-se com o rompimento de um ambiente familiar normal que pode ser revertido devolvendo-se a criança a um ambiente familiar sadio, desde que seja estável.

Não há dúvida, no entanto, que a instabilidade no ambiente doméstico de uma criança, produzida pela separação de crianças de seus pais, afeta o desenvolvimento do cérebro e a atividade elétrica de maneiras que podem persistir até a adolescência. Neurocientistas aprenderam muito estudando a situação trágica dos órfãos romenos – lições que podem se conectar com as experiências de outras crianças separadas de seus pais.

Artigo adaptado e traduzido de R. Douglas Fields, Ph.D., que leciona na Universidade de Maryland, College Park e é o autor do livro Why We Snap. Postado em 2 de junho, 2019. https://www.psychologytoday.com/za/blog/the-new-brain/201906/how-early-adversity-relates-brain-activity-years-later?amp

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TRATAMENTO DE TDAH E SUBSEQUENTE ABUSO DE SUBSTÂNCIAS

TRATAMENTO DE TDAH E SUBSEQUENTE ABUSO DE SUBSTÂNCIAS

O tratamento do TDAH com medicamentos leva a problemas com drogas?

O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) afeta cerca de um em cada 30 jovens. Os tratamentos farmacológicos incluem vários tipos de estimulantes, que têm o potencial de serem usados abusivamente, e os transtornos por uso de substâncias são mais comuns em jovens com TDAH do que aqueles sem TDAH. O fato dos indivíduos tratados com estimulantes estar em maior risco de desenvolver problemas com drogas tem sido um assunto para pesquisa, mas os resultados até agora são inconclusivos.

Dados de registros de saúde em grande escala fornecem um recurso valioso para estudar essa questão. Um grupo de pesquisadores que usou dados de registros de saúde suecos descobriu que pessoas tratadas com estimulantes para o TDAH não apresentavam risco aumentado de abuso de substâncias. Na verdade, eles tiveram taxas mais baixas de abuso de substâncias do que os indivíduos com TDAH que não foram tratados.

Patrick Quinn e seus colegas também abordaram essa questão usando dados de saúde de um grande banco de dados dos EUA. Os resultados de seu estudo foram publicados no American Journal of Psychiatry.

Quinn e seus colegas identificaram quase 3 milhões de pessoas que foram diagnosticadas com TDAH ou receberam tratamento com medicamentos para TDAH entre 2005 e 2014. Eles examinaram dados para pacientes com 13 anos ou mais, porque o uso de substâncias é raro em indivíduos mais jovens. A amostra foi dividida entre homens (53%) e mulheres (47%). A idade média para os homens foi 21 e, para as mulheres, 28 anos. Os pesquisadores revisaram o uso de medicação para TDAH e reivindicações para atendimentos de emergência com qualquer diagnóstico de transtorno por uso de substâncias não relacionadas ao tabaco durante o período do estudo. Eles definiram essas visitas aos pronto-socorros como eventos relacionados a substâncias.

O grupo de Quinn descobriu que indivíduos com TDAH tinham mais eventos relacionados à substância do que aqueles sem TDAH (cerca de 3% versus 1%). No entanto, os indivíduos que tomaram medicamentos para o TDAH tiveram menor probabilidade de ter eventos relacionados a substâncias do que aqueles que não tomaram medicamentos.

Uma vantagem da natureza longitudinal deste estudo foi que os pesquisadores puderam acompanhar o registro de cada paciente individualmente e fazer comparações “individuais”. Assim, eles foram capazes de discernir se um indivíduo estava tomando ou não medicação para TDAH no momento de uma determinada visita à sala de emergência. Quando analisaram os dados dessa forma, eles descobriram que os homens tinham uma probabilidade 35 por cento menor de atendimentos de emergência relacionados ao uso de substâncias, e mulheres com chances 31 por cento mais baixas de tais atendimentos de emergência durante os períodos em que estavam sendo medicados para o TDAH.

A maioria dos indivíduos tratados para TDAH com medicamentos toma estimulantes. Embora possa parecer contra-intuitivo, o uso de estimulantes, que podem ser abusados, parece estar associado a uma diminuição real no uso problemático de drogas em pessoas com TDAH. A razão por que isso acontece não foi abordado neste estudo. É possível que a melhora nos sintomas de TDAH resultante do uso de estimulantes ajude os adultos jovens a evitar o uso problemático de drogas. Além disso, o tratamento com estimulantes pode influenciar os cérebros de adultos jovens com TDAH de forma diferente do cérebro de pessoas sem TDAH.

Seja qual for a razão, esses dados que demonstram uma diminuição nos problemas de uso de substâncias como resultado do tratamento com estimulantes em pessoas com TDAH são tranquilizadores, embora o uso de visitas de emergência como substituto para problemas de uso de substâncias seja uma limitação significativa na interpretação e generalização do problema. resultados.

Traduzido e adaptado de artigo de Eugene Rubin MD, PhD e Charles Zorumski MD, de 04 de Junho de 2019 – Psychology Today.
https://www.psychologytoday.com/ca/blog/demystifying-psychiatry/201906/adhd-treatment-and-subsequent-substance-abuse

Quinn, P.D., Chang, Z., Hur, K., Gibbons, R. D., Lahey, B. B., Rickert, M.E., Sjolander, A., et al. TDAH medicação e problemas relacionados com a substância. (1 de setembro de 2017). Sou J Psiquiatria. 174 (9): 877-885.

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REPENSE SEU ESTRESSE RELACIONADO AO TDAH

REPENSE SEU ESTRESSE RELACIONADO AO TDAH

Ter TDAH pode ser estressante.

Embora encontrar profissionais e seguir um plano de tratamento possa ser uma fonte importante de estresse e irritação, não é a principal causa do estresse por TDAH.

São as pequenas coisas que causam mais estresse. Isso inclui as mensagens que as pessoas que tem TDAH recebem ao longo do dia – até mensagens de si mesmas sobre suas próprias expectativas. Chaves do carro perdidas, compromissos esquecidos, a sensação de não ter tempo suficiente – essas experiências comuns e outras semelhantes contribuem para o estresse. Assim como o sentimento geral de que você deveria fazer melhor, mesmo quando sabe que já está fazendo o melhor que pode.
“Sintomas de TDAH como frustração e impaciência tendem a agravar o estresse e a ansiedade”, diz Jeffrey Gersten, psicólogo da Loyola University Health System e do Gottlieb Memorial Hospital em Melrose Park, Illinois.

O TDAH e o estresse

O estresse é a reação emocional e física a situações que percebemos como difíceis. Se você tem TDAH, você pode experimentar um nível elevado de estresse por causa das dificuldades para regular as emoções e reações negativas que você já experimentou em situações semelhantes. Juntas, essas sensações podem piorar ainda mais os sintomas, fazendo a situação parecer mais estressante do que anteriormente experimentada.

Pesquisadores que estudam o estresse notaram níveis mais altos de cortisol em pessoas com TDAH, um hormônio liberado quando uma pessoa se sente estressada, do que em pessoas que não têm TDAH. Na verdade, apenas pensar sobre as coisas que os estressavam aumentava a quantidade de cortisol presente em seus corpos.

Adultos com TDAH realmente têm mais coisas para se sentir estressados, diz Ari Tuckman, psicólogo, autor de “More Attention, Less Deficit”. Os sintomas do TDAH afetam o desempenho no trabalho, a vida em casa e a vida social. Isto tudo afeta quanto dinheiro uma pessoa ganha e a sua permanência no emprego, da mesma forma que afeta a felicidade em seus relacionamentos.

Repensando o estresse na sua origem

Repensar a origem do seu estresse e como você vê a situação pode fazer a diferença. Um grupo de pesquisadores na Espanha estudou estratégias de como lidar com a situação que funcionaram bem para reduzir o estresse para pessoas com TDAH.

As três estratégias que eles consideraram mais úteis foram:

• Reavaliar positivamente ou repensar a situação: reavaliar os eventos estressantes para vê-los por um enfoque mais positivo;

• Buscar apoio: buscar apoio de outras pessoas em momentos de estresse;

• Planejar: fazer um planejamento para resolver problemas e encontrar formas de lidar com situações estressantes.

“Reavaliar positivamente é considerar uma situação negativa em sua vida e encontrar uma forma de percebê-la de maneira mais positiva”, diz Neil Petersen. “Provavelmente não é uma grande surpresa que ser capaz de reformular experiências desafiadoras de uma forma positiva seja psicologicamente benéfico. A parte complicada, é claro, é descobrir exatamente como fazer isso em sua própria vida ”.
Ele diz que o processo de encontrar as áreas que você pode reformular inclui:

• Ver sintomas em termos científicos, não moralistas. O que algumas pessoas dizem é que a preguiça ou a falta de força de vontade são sintomas relacionados ao processo de recompensas e à função executiva. Lutar contra eles não significa que você esteja fazendo más escolhas morais, mas que está lidando com uma função cerebral. “Nós passamos de ver o TDAH como uma falha de caráter para vê-lo de forma mais neutra, como resultado do funcionamento da mente com TDAH”, diz ele;

• Entender nossos próprios comportamentos no que diz respeitos aos nossos sintomas. O comportamento está relacionado a como você pode estar lidando com os sintomas, diz ele. Reconhecer que os sintomas não são falhas pessoais pode reformular a forma como você vê suas válvulas de estresse;

• Reconhecer que o TDAH pode influenciar seus objetivos. O TDAH influencia seu ambiente e as coisas que você acha agradáveis. Peterson diz que, em vez de tentar viver como se você não tivesse TDAH, concentre-se em criar uma vida que te faça feliz.

Lidar com as habilidades pode reduzir o estresse do TDAH

Então, o que você pode fazer para reduzir um pouco o seu estresse? As recomendações gerais para comer bem, dormir o suficiente e se exercitar diariamente são úteis para todos. Outras sugestões úteis para reduzir o estresse são praticar mindfulness, reduzir compromissos quando possível, usar um calendário para distribuir as tarefas e delegar.

A prática de respirar profundamente pode ajudar imediatamente a reduzir o estresse, segundo a pesquisa. O ato de fazer 10 respirações profundas muda a forma como o corpo está reagindo, forçando-o a respirar mais devagar e a reduzir a quantidade de cortisol que o corpo libera. Isso dá ao cérebro a chance de processar as informações recebidas e reagir melhor. Combinado com uma abordagem de mindfulness, uma técnica simples de respiração pode trazer rapidamente a uma sensação de maior tranquilidade.
“Controlar a respiração é uma maneira comprovada de reduzir o estresse”, diz o Dr. Gersten. “As pessoas com TDAH precisam desacelerar suas mentes para impedir o pensamento negativo. Caso contrário, eles podem perder rapidamente o controle. ”

Se você tentou praticar essas abordagens e ainda sente seus níveis de estresse altos, converse com seu médico. Às vezes, uma conversa com um terapeuta pode ajudar a reformular os problemas e permitir que você tenha um espaço para que suas preocupações sejam reveladas. Para algumas pessoas, se as mudanças de comportamento e reavaliação não funcionarem, uma segunda avaliação e tratamento para uma condição simultânea, como ansiedade, também pode ajudar.

Fonte:
Traduzido e adaptado do ADHD Weekly, 11 de April, 2019.https://chadd.org/adhd-weekly/reframe-your-adhd-related-stress/
Por Neil Petersen Atualizado em 15 Jan 2019.https://blogs.psychcentral.com/adhd-millennial/2019/01/changing-your-perspective-as-an-adhd-coping-skill/

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CRIAR UMA CRIANÇA COM TDAH CUSTA CINCO VEZES MAIS DO QUE CRIAR UM FILHO SEM TDAH, SEGUNDO ESTUDO

CRIAR UMA CRIANÇA COM TDAH CUSTA CINCO VEZES MAIS DO QUE CRIAR UM FILHO SEM TDAH, SEGUNDO ESTUDO

Criar uma criança com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) custa às famílias americanas cerca de US $ 5,8 bilhões a cada ano – cinco vezes mais do que criar uma criança sem TDAH – segundo um novo estudo realizado por pesquisadores do Centro para Crianças e Famílias da FIU (Florida International University).

Este é o primeiro estudo que calculou as dificuldades sociais, comportamentais e acadêmicas das crianças no custo de uma família criando um filho com TDAH.

“Apesar da extensa pesquisa que tem sido feita sobre os prejuízos relacionados ao TDAH, não há muita pesquisa sobre a carga financeira que tem sobre as famílias”, disse Xin Alisa Zhao, principal autora do estudo e estudante de doutorado no Departamento de Psicologia do FIU. “Um entendimento específico do encargo financeiro de criar uma criança com TDAH é um aspecto vital para defender, justificar e planejar intervenções para famílias com crianças com TDAH.”

Crianças com TDAH muitas vezes têm dificuldades acadêmicas e comportamentais na sala de aula que levam a custos adicionais para as famílias, incluindo aulas particulares, reforço extra classe, softwares de computador ou outros serviços de aprendizagem, além daqueles fornecidos pelo sistema educacional. Essas crianças também perdem frequentemente pertences e materiais escolares que precisam ser substituídos, passam por atividades extracurriculares e perdem aulas ou atividades extracurriculares depois que os pais já pagaram mensalidade ou adquiriram materiais.

“Em média, as famílias de crianças com TDAH gastaram US $ 15.036 por criança – sem incluir tratamento – e as famílias de crianças sem TDAH gastaram US $ 2.848, durante o desenvolvimento da criança”, disse o economista Timothy F. Page, do Departamento de Política e Gestão de Saúde do Robert Stempel College of Public Health & Social Work. “Existem outras fontes de custo elevado para as famílias além de medicação e serviços diretamente relacionados ao tratamento para o TDAH que não estavam sendo considerados em estudos anteriores.”

Além disso, os adolescentes diagnosticados com TDAH na infância têm uma maior possibilidade de ter acidentes de carro, da mesma forma que incorrer em despesas extras, devido a veículos danificados, multas e aumento de custos com seguro de automóvel. Algumas famílias também podem enfrentar alto ônus econômico associado à delinquência, incluindo custos com processos legais.

O estudo também analisou outras despesas relacionadas com stress do cuidador e descobriu que os pais relataram diminuição de renda, devido a demissões e mudança de responsabilidades no trabalho, redução de renda por faltas no trabalho, despesas adicionais com cuidados infantis e tratamento de saúde mental dos pais. Além do impacto financeiro e ocupacional, os cuidadores também sentiram uma sobrecarga emocional, através de relações tensas entre os parceiros, dificuldade em se envolver em atividades sociais prazerosas, alto estresse parental e problemas com álcool ou substâncias.

“O TDAH é o problema de saúde mental infantil mais comum, que, se não tratado, acaba transformando as crianças em adultos com problemas recorrentes, complexos e caros, que afetam toda a família”, disse William E. Pelham, Jr. , diretor do Centro de Crianças e Famílias da FIU. “A coisa mais importante que pais de crianças com TDAH podem fazer é obter ajuda o mais cedo possível, para aprender estratégias comportamentais eficazes que ajudarão a compensar alguns desses custos e evitar problemas mais sérios na idade adulta.”

Este estudo foi publicado no Journal of Abnormal Child Psychology e foi financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH).
Matéria traduzida e adaptada do texto de Rosanna Castro, 04/05/2019.
https://news.fiu.edu/2019/04/raising-a-child-with-adhd-costs-five-times-more-than-raising-a-child-without-adhd-study-finds/132270

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ÓLEO DE CBD PARA TDAH? O QUE DIZ A PESQUISA

ÓLEO DE CBD PARA TDAH? O QUE DIZ A PESQUISA

O óleo de canabidiol, mais conhecido como óleo de CBD, é um produto da planta de maconha. A família de plantas é chamada de cannabis, e os produtos de cannabis podem incluir o óleo de CBD junto com produtos para fumar, inalar ou alimentícios. O óleo de CBD é apenas um dos mais de 85 compostos da cannabis e é considerado por alguns entusiastas como tendo benefícios medicinais.O óleo de canabidiol, mais conhecido como óleo de CBD, é um produto da planta de maconha. A família de plantas é chamada de cannabis, e os produtos de cannabis podem incluir o óleo de CBD junto com produtos para fumar, inalar ou alimentícios. O óleo de CBD é apenas um dos mais de 85 compostos da cannabis e é considerado por alguns entusiastas como tendo benefícios medicinais.

Não é o THC (tetrahidrocanabinol), o composto da cannabis que cria euforia e proporciona o “alto” consumo de maconha. O óleo CBD não deve conter nenhum THC, o que significa que o óleo precisa ser altamente refinado para torná-lo adequado para uso e, portanto, não é um produto natural. Uma preocupação recorrente, no entanto, é que alguns produtos no mercado podem ter vestígios de THC presentes, tornando-os inadequados para uso por crianças e adolescentes e por qualquer adulto preocupado com o possível vício.

Então, o que dizer do óleo CBD como uma abordagem alternativa para o gerenciamento dos sintomas do TDAH?

O que as pesquisas dizem

Algumas pesquisas foram conduzidas sobre maconha fumada e ingerida para o TDAH, e os achados em geral não indicam um benefício ou são inconclusivos. Tanto para a epilepsia como para a ansiedade, há mais pesquisas que se mostram promissoras. Uma nova medicação feita a partir de cannabis para convulsões causada pela síndrome de Lennox-Gastaut e síndrome de Dravet foi aprovada por um comitê consultivo da FDA, mas não tem aprovação da FDA.

• Canabinoides no transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: Um estudo randomizado controlado: Este foi um estudo com amostra muito pequena de trinta pessoas com TDAH que receberam um medicamento canabinoide/CBD. Os participantes foram avaliados quanto aos níveis de sintomas e desempenho do QI nos testes padronizados. Houve uma melhora insignificante na função cognitiva e redução dos sintomas, e melhora nominal na impulsividade e hiperatividade. Os pesquisadores expressaram preocupação de que os participantes não seguiram instruções para evitar todos os outros medicamentos ou uso de álcool que poderiam ter afetado os resultados do estudo. Os autores da pesquisa afirmaram que seus resultados foram inconclusivos.• Impacto do TDAH e Uso de Cannabis no Funcionamento Executivo em Jovens Adultos: Este estudo mostrou resultados de função cognitiva pobre para adultos jovens que começaram a usar cannabis antes dos dezesseis anos, incluindo jovens com diagnóstico de TDAH. Quando avaliados para memória de trabalho, memória verbal, tomada de decisão e recordação, esses jovens usuários tiveram desempenho ruim em todos os pontos. Eles cometeram mais erros quando solicitados a responder perguntas ou tarefas. Os autores dizem que os indivíduos que iniciam o uso de cannabis antes dos 16 anos podem estar em maior risco de desenvolverem déficits neuropsicológicos persistentes porque seu cérebro ainda está em desenvolvimento, especialmente o córtex pré-frontal associado a várias funções executivas, incluindo planejamento, fluência verbal, solução de problemas complexos e controle de impulsos, cada um com sua própria trajetória de desenvolvimento ”.• Efeitos adversos à saúde do uso da maconha: Um artigo de revisão do New England Journal of Medicine, da diretora do Instituto Nacional de Abuso de Drogas, Nora Volkow, e seus colegas, detalha os conhecidos efeitos sobre a saúde do uso da maconha. O THC é uma preocupação para a saúde, assim como outros componentes da planta. Os efeitos adversos incluem diminuição das habilidades cognitivas e exacerbação de transtornos mentais concomitantes e abuso de substâncias. Dr. Volkow lista várias condições de saúde que podem ser tratadas por produtos de cannabis, incluindo dor crônica e inflamação, esclerose múltipla e epilepsia. Ela não inclui o TDAH como um problema de saúde que pode ser tratado por produtos de cannabis. Na verdade, ela escreve: “O uso continuo da maconha resulta em prejuízos na memória e atenção que persistem e pioram com o aumento dos anos, com uso regular”.

Não é um produto natural

Alguns defensores do óleo de CBD afirmam que seus efeitos sobre o corpo são mais suaves e mais eficazes do que medicamentos para o TDAH, porque é um produto natural, feito de uma planta.

Ao contrário de algumas alegações de marketing, o óleo CBD não é feito a partir de plantas de maconha industrial.

O óleo de CBD pode ser produzido a partir da maconha de PCR (Phyto-Cannabinoid Rich) ou da planta de maconha, devido à semelhança entre as duas variantes. No processo de fabricação, a planta é quebrada em pedaços e um solvente químico, um álcool de madeira ou cereais, petróleo ou nafta, é usado para extrair os compostos da planta. Todo o material é decantado e o líquido é separado mecanicamente, retirando os óleos e resinas. O solvente é então reutilizado. Há também um processo usando dióxido de carbono que rompe as células da planta e captura os óleos e resinas de uma série de câmaras de filtragem. Outros métodos de extração usam óleos aquecidos que “cozinham” tanto o óleo quanto a planta.

Os óleos e resinas são então refinados para separar o CBD de outros compostos; isso poderia ser um processo mecânico e químico combinado. Ele também deve ser testado para garantir que todo o THC tenha sido removido, especialmente quando a planta de maconha é usada em vez da maconha de PCR.

Todo o processo depende do refinamento do produto para torná-lo adequado para o consumo humano. E quanto mais “puro” o produto, maior a quantidade de refino que ele deve passar. Então, apesar de sintetizado a partir de uma planta, ele deve passar por vários processos mecânicos e químicos para se tornar utilizável e tem muito pouca semelhança com a planta que o originou. Quanto mais “puro” é o produto CBD, menos natural ele é – o produto final não existe em uma forma natural. Você não pode mastigar uma folha de uma planta de cannabis e receber quaisquer benefícios do óleo de CBD.

Opinião de um especialista

John Mitchell, PhD, ouviu tudo sobre TDAH e uso de produtos de cannabis. Ele é pesquisador e professor assistente no Programa de TDAH da Universidade de  Duke. Não o surpreende o interesse atual no óleo CBD para sintomas de TDAH e não o impressiona os argumentos a seu favor.

“Há alguma eficácia na epilepsia infantil”, ele aponta, “mas quando você olha para a literatura para qualquer outra coisa, especialmente transtornos psiquiátricos, não há forte evidencia de que deva ser um tratamento a seguir, especialmente para TDAH .

Ele diz que o interesse deriva do desejo das pessoas de terem mais opções no tratamento de condições médicas e na mudança de percepções sobre o uso de maconha. Ele aponta vários estados que tornaram legal a maconha medicinal e alguns estados que estão considerando a legalização do uso recreativo de maconha.

“Esse interesse pela CDB está surgindo de maneira mais ampla baseado nessas percepções de falta de maleficência e na mudança de percepção do uso da maconha em geral”, diz o Dr. Mitchell. Há pessoas interessadas, porque o CBD pode ter efeitos terapêuticos. Mas esses estudos são preliminares. Quando você olha para a literatura publicada sobre o CBD, não há nada – é limitado a um estudo ”.

Ele lembra a qualquer pessoa interessada em óleo de CBD ou produtos de cannabis que não há estudos mostrando eficácia ou segurança para esses produtos, quando se trata de gerenciamento de TDAH.

“Estes são produtos não regulamentados. Se esses produtos não são bem regulamentados, como saberemos que realmente estamos recebendo o que está sendo anunciado? ”E quanto à questão de o óleo CBD ser uma opção mais natural do que um medicamento? Vem de uma planta, afinal.”Natural não necessariamente significa que é menos prejudicial”, diz o Dr. Mitchell.

Ele acrescenta que existem opções de tratamento não medicamentosas bem pesquisadas e eficazes, como o treinamento dos pais e os ajustes no estilo de vida, que se mostram eficazes no controle dos sintomas do TDAH.

Há também a questão do óleo CBD se tornar uma “porta de entrada” para o uso de maconha por um jovem. Dr. Mitchell diz que um jovem adulto que tomou o óleo de CBD quando criança pode não ver a diferença entre ele e o uso de maconha para o manejo dos sintomas. O uso de maconha tem efeitos bem pesquisados sobre a saúde física e mental e pode piorar os sintomas de TDAH, diz ele.

“A literatura mostra que há efeitos prejudiciais”, diz o Dr. Mitchell. “Há impactos na capacidade cognitiva, motivação. Especialmente para aqueles que são mais jovens e fumam mais, há um impacto no QI ”.

Ultrapassando os dados

A pesquisa sobre o óleo de CBD e outros produtos de cannabis como uma possível intervenção para o TDAH não mostra eficácia no manejo dos sintomas e, na verdade, indica que possa aumentar os riscos à saúde mental e física. Não existem estudos sobre o uso de óleo de CBD em crianças; nem estudos sobre efeitos a longo prazo. Então, enquanto algumas pessoas estão usando e compartilhando seus resultados publicamente, pesquisadores e profissionais médicos não encontraram evidências de que é um tratamento eficaz para o TDAH.

“Não queremos deturpar as coisas e, com o óleo da CBD, estamos sendo deturpados”, diz o Dr. Mitchell.

“Quando as pessoas dizem que isso funciona para o TDAH, isso vai muito além dos dados. É um salto grande demais.

Fonte:
Traduzido e adaptado de matéria do CHADD – Attention Magazine December 2018 –https://chadd.org/attention-article/cbd-oil-for-adhd/?utm_source=NRC+Master+List&utm_campaign=67fcc85076-EMAIL_CAMPAIGN_2018_12_18_04_09_COPY_01&utm_medium=email&utm_term=0_fe5a538eb8-67fcc85076-48060769

 

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