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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

DEPENDÊNCIA DE NICOTINA E TDAH: QUAL A RELAÇÃO?

DEPENDÊNCIA DE NICOTINA E TDAH: QUAL A RELAÇÃO?

Adolescentes diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) têm mais probabilidade de se tornarem dependentes de nicotina do que jovens sem o diagnóstico do transtorno. Por quê?

Um estudo1 conduzido no Massachusetts General Hospital, em Boston, envolveu 166 jovens de 15 a 25 anos para medir a dependência da substância. O nível médio dos participantes com TDAH era o dobro dos participantes sem a desordem – o que sugere que portadores de TDAH têm o dobro de chances de se tornarem viciados ao experimentarem a droga.

Claro, o TDAH não foi o único fator encontrado para a elevação da dependência de nicotina. Jovens com pais fumantes, amigos fumantes ou que conviviam com fumantes tinham mais tendência à adição.

O líder do estudo, Dr. Timothy E. Wilens, alerta2 que estes fatores ambientais tinham ainda mais impacto nos participantes com TDAH. Isso pode significar que há uma mistura de elementos biológicos e ambientais trabalhando juntos no vício, diz o doutor.

Mesmo que não esteja claro o motivo desta correlação entre TDAH e nicotina, existe evidência de que a substância, em certo grau, age no cérebro humano da mesma forma que medicamentos estimulantes, comumente indicados no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.

É possível que os jovens estejam utilizando a nicotina como uma forma de automedicação, explica Dr. Wilens. Por isso, avisa o médico, pais de adolescentes diagnosticados com o transtorno precisam compreender a importância de não fumarem e de minimizarem os sintomas do TDAH nos jovens o máximo que puderem.

Nicotina e automedicação

A nicotina é um conhecido estimulante do sistema nervoso central e parece agir no cérebro da mesma forma que outros psicoestimulantes, como dissemos.

Um número considerável de estudos aponta que a nicotina é capaz de melhorar a atenção, diz o Dr. Scott Collins3, professor de psiquiatria e de psicologia médica da Universidade de Duke. Collins, que é diretor do programa de TDAH da instituição, alerta que “a nicotina tem muitos efeitos em diversos processos que podem estar prejudicados em indivíduos com TDAH, incluindo atenção, autocontrole e memória de trabalho”.

Por isso, explica o médico, “frequentemente, foi proposto que portadores de TDAH têm risco aumentado de se tornarem viciados, por causa dos efeitos da nicotina através de diversos processos cognitivos.”

É possível que a nicotina esteja sendo utilizada como um apoio para portadores de TDAH, como uma forma de compensar deficiências na atenção, estímulo e concentração. Pesquisas são necessárias nesta questão para compreender plenamente o efeito da nicotina nos sintomas de TDAH e como isso pode aumentar o risco da adição em jovens e adultos com a desordem.

Nicotina no cérebro

Uma pesquisa conduzida na Universidade de Duke4 chegou a um resultado surpreendente: o uso de adesivos de nicotina podia melhorar a atenção, a memória e a função cognitiva (esta última até mesmo em pacientes de Alzheimer).

A nicotina foi capaz de minimizar a confusão mental de indivíduos diagnosticados com esquizofrenia e outras desordens tratadas com medicamentos antipsicóticos (uma possível explicação para que uma grande parcela destes pacientes sejam dependentes de cigarros).

O líder deste estudo, o professor de psiquiatria da Duke, Amir Rezvani, administrou pequenas doses de nicotina em ratos com problemas de atenção – a droga foi capaz de levar o funcionamento cerebral de volta ao estado normal.

Então, os pesquisadores repetiram o teste em pacientes com Alzheimer e a capacidade de aprendizagem dos indivíduos melhorou.

A conclusão do estudo, obviamente, não é que devamos aplicar nicotina nas pessoas, não antes dos pesquisadores conseguirem remover o caráter viciante da substância, algo que estão desenvolvendo em laboratório3. A conclusão foi de que a nicotina é a substância mais aditiva que existe, diz Rezvani. Mais do que cocaína ou heroína.

Isso porque ela se combina com receptores para a acetilcolina, um dos mais importantes neurotransmissores do cérebro. Também, porque a nicotina é geralmente inalada e atinge o cérebro imediatamente. “No mesmo instante que você fuma, você sente a recompensa”, explica o pesquisador.

Fontes

1 TIMOTHY W et al. Cigarette Smoking Associated with Attention-Deficit Hyperactivity Disorder. J Pediatr. 2008 Sep; 153(3): 414–419. Doi: [10.1016/j.jpeds.2008.04.030]. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2559464/>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

2 ADHD TIED TO MORE SEVERE NICOTINE DEPENDENCE. REUTERS. Disponível em: <https://www.reuters.com/article/us-nicotine-dependence/adhd-tied-to-more-severe-nicotine-dependence-idUSTRE49T71920081030>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

3 THE CASE FOR NICOTINE. THE WASHINGTON POST. Disponível em: <https://www.washingtonpost.com/news/to-your-health/wp/2014/04/25/the-case-for-nicotine/?noredirect=on&utm_term=.7037d649343d>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

REZVANI AH et al. Cognitive effects of nicotine. Biological Psychiatry 49(3):258-67 · March 2001. DOI: 10.1016/S0006-3223(00)01094-5. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/12100639_Rezvani_AH_Levin_ED_Cognitive_effects_of_nicotine_Biol_Psychiat_49_258-267>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

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DEPRESSÃO E VÍCIO EM CIGARRO NOS PAIS PODEM ESTAR LIGADOS AO TDAH NOS FILHOS

DEPRESSÃO E VÍCIO EM CIGARRO NOS PAIS PODEM ESTAR LIGADOS AO TDAH NOS FILHOS

Depressão e cigarros podem estar associados à probabilidade de uma criança ser diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), segundo um estudo coreano publicado no Asia Pacific Psychiatry1.

Para realizar a pesquisa, os investigadores da Kyungpook National University, localizada na Coreia do Sul, analisaram dados da Korea National Health and Nutrition Examination Survey (KNHANES), instituição que documenta informações sobre a população desde 1998.

A revisão incluiu questões sobre qualidade de vida, dieta, status socioeconômico, hábitos de saúde, perfis clínicos entre outras informações.

Os dados de 23.561 crianças e adolescentes, entre os anos de 2005 e 2014, foram analisados no estudo.

Em vez de fatores genéticos, os pesquisadores focaram em possíveis fatores de risco ambientais, como obesidade, salário dos pais, idade dos pais, depressão nos adultos da casa e exposição à nicotina no lar. A partir disso, a equipe revisou os diagnósticos de TDAH destas crianças.

Os resultados das análises revelaram que a depressão (seja do pai ou da mãe) e a quantidade de adultos que fumam na casa estavam relacionadas ao aumento no risco de TDAH nas crianças.

Os pesquisadores alertam que esta exposição à fumaça do cigarro pode “causar a ativação dos receptores nicotínicos nas crianças que, possivelmente, sejam capazes de modular a plasticidade sináptica e alterar células, fisiologia e processos comportamentais durante um período crítico do desenvolvimento cerebral.” Os investigadores acrescentam que o impacto da fumaça também pode estar ligado à epigenética2.

Há limitações no estudo, que incluem o fato de que os dados foram providos pelos próprios participantes – incluindo o diagnóstico de TDAH.

Os pesquisadores enfatizam que eles não conseguiram extrair conclusões sobre a probabilidade de riscos de TDAH.

Campanhas de saúde pública voltadas aos pais podem ser ferramentas importantes para o TDAH, dizem os investigadores. “O impacto da qualidade de vida, a dificuldade de detectar a desordem na infância e problemas financeiros gerados pela desordem podem ser aliviados através de ajuda pública e programas de treinamento para os pais”, dizem os autores.

Eles recomendam ações como campanhas para parar de fumar e programas de saúde que ensinem as pessoas a perceberem quadros depressivos em si mesmas.

“Nossas descobertas adicionam evidência para a promoção de estratégias de prevenção do TDAH, que poderiam colaborar na criação de políticas públicas efetivas, capazes de gerar ambientes familiares mais saudáveis”, disse o autor do estudo Dr. Jin-won Kwon, da Kyungpook National University3.

Com relação ao vício em nicotina, outro estudo publicado em 20184 encontrou resultados similares. Esta pesquisa foi realizada pelo West China Second University Hospital.

Os investigadores revisaram 20 estudos, de 1998 a 2017, para encontrar os possíveis riscos de TDAH nas crianças em mães que fumaram durante a gestação. Foram quase três milhões de pessoas analisadas, vindas dos mais diversos países, como Austrália, Japão, Estados Unidos e Brasil.

A equipe encontrou risco reduzido nas mães norte-americanas e europeias. Isso porque as mães destes locais tinham mais altas taxas de interrupção do vício ao descobrirem que estavam grávidas5.

Esta análise também não comprova relação direta entre cigarros e TDAH. As limitações deste estudo foram que os critérios para diagnóstico do TDAH não eram os mesmos. Ainda, foram as próprias mães que reportaram sobre seu uso de nicotina na gravidez.

Dados de sete estudos revisados mostraram que, mesmo que os riscos de TDAH fossem mais altos quando as mães eram fumantes, ainda havia 20% de elevação no risco quando o pai fumava.

Fontes:

1 MPHARM Y. et al., 2018. Parental smoking and depression, and attention‐deficit hyperactivity disorder in children and adolescents: Korean national health and nutrition examination survey 2005‐2014. Asia Pacific Psychiatry. 07 de Agosto de 2018. Doi: https://doi.org/10.1111/appy.12327. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/appy.12327 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

2 SMOKING, DEPRESSION IN PARENTS LINKED WITH ADHD IN CHILDREN. MD MAGAZINE. Disponível em: https://www.mdmag.com/medical-news/smoking-depression-in-parents-linked-with-adhd-in-children . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

3 PARENTS’ SMOKING AND DEPRESSION LINKED TO INCREASED ADHD RISK IN CHILDREN. EUREKALERT. Disponível em: https://www.eurekalert.org/pub_releases/2018-08/w-psa080718.php . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

4 HUANG L. et al., 2018. Maternal Smoking and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Offspring: A Meta-analysis. Pediatrics. Janeiro 2018, volume 141 / 1. Doi: 10.1542/peds.2017-2465.. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29288161 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

5 CIGARETTE SMOKING DURING PREGNANCY LINKED TO ADHD RISK IN OFFSPRING. REUTERS. Disponível em: https://www.reuters.com/article/us-health-pregnancy-smoking-adhd/cigarette-smoking-during-pregnancy-linked-to-adhd-risk-in-offspring-idUSKBN1EN1M9 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

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ESTUDO REVELA PRIMEIROS RISCOS GENÉTICOS PARA O TDAH

ESTUDO REVELA PRIMEIROS RISCOS GENÉTICOS PARA O TDAH

Um time global de pesquisadores descobriu o primeiro fator genético de risco associado ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), uma desordem complexa que afeta uma média de 1 a cada 20 crianças (1).

A professora Anita Thapar, da Universidade de Cardiff, lidera um grupo de pesquisa de TDAH no Psychiatric Genomics Consortium. Ela explica que “este estudo marca um passo muito importante no começo da compreensão das causas genéticas e biológicas do TDAH”(2).
“As variáveis genéticas de risco relacionadas ao transtorno têm um papel significativo no cérebro e em outros relevantes processos biológicos. O próximo passo é determinar o papel exato destes genes no TDAH para nos ajudar a desenvolver tratamentos melhores, capazes de ajudar as pessoas afetadas pela condição”, aponta Thapar.
A equipe de pesquisadores analisou a informação genética de aproximadamente 20 mil pessoas com TDAH e de 35 mil pessoas sem o transtorno. Foi o maior estudo genético sobre o TDAH realizado até hoje. Os resultados foram recentemente publicados na Nature Genetics.
Dra. Joanna Martin, uma pesquisadora associada do MRC Centre for Neuropsychiatric Genetics and Genomics, da Universidade de Cardiff, explica que os investigadores identificaram 12 regiões genômicas em que indivíduos com TDAH diferiam dos indivíduos sem o transtorno. “Muitas destas regiões estão próximas ou em genes que possuem uma relação conhecida com processos biológicos que envolvem o desenvolvimento da saúde mental”, afirmou Martin.
Os pesquisadores compararam o risco genético para o diagnóstico do TDAH com marcadores genéticos associados aos sintomas de TDAH de quase 20 mil crianças e descobriram uma forte correlação entre os dois, de aproximadamente 97%.
“A correlação entre estas diferentes definições de TDAH sugere que o diagnóstico clínico pode ser o fim de uma distribuição contínua de sintomas na população geral”, afirmou Dra. Martin.

O professor Luis Augusto Rohde, coordenador geral do PRODAH e um dos autores do estudo, salienta que os dados revelados nos dão as pistas iniciais para quais são alguns dos responsáveis por algo que já se sabia há três décadas – a forte transmissão familiar associada a causas genéticas no TDAH.

OS MESMOS GENES AFETAM A IMPULSIVIDADE EM PESSOAS SAUDÁVEIS
No estudo, os pesquisadores descobriram que as mesmas variáveis genéticas que levaram ao diagnóstico do TDAH afetavam a desatenção e a impulsividade na população geral.
“As variáveis de risco estão espalhadas pela população. Quanto mais variáveis você tiver, maior sua tendência de ter sintomas ligados ao TDAH ou até mesmo desenvolver o próprio transtorno”, esclareceu o professor Anders Børglum, da Universidade de Aarhus. Ele foi um dos líderes do estudo.
“Também observamos a sobreposição com outras desordens e traços. Através disso, encontramos uma correlação genética entre TDAH e educação. Isso quer dizer que as variáveis genéticas que aumentam o risco do transtorno também influenciam a performance acadêmica negativamente na população geral”, explica Ditte Demontis, autora do estudo (3).
A pesquisa encontrou correlação entre TDAH e aumento de massa corporal e Diabetes tipo 2, o que significa que as variáveis que aumentam o risco para o TDAH também elevam o risco de obesidade na população.

A colaboração contou com grupos de pesquisa da Europa, da América do Norte e do Sul e da China. Estes grupos são parte do Psychiatric Genomics Consortium (PGC), bem como da Lundbeck Foundation Initiative for Integrative Psychiatric Research (iPSYCH), na Dinamarca.
A professora Anita Thapar celebra: “Este estudo é divisor de águas, porque envolve pacientes do mundo inteiro. Este grande número de amostras estava em falta nos estudos de TDAH e isso significa que nossa compreensão genética do transtorno estava atrasada com relação a desordens físicas e psiquiátricas, como esquizofrenia e depressão. Graças, em parte, à Dinamarca, isso está começando a mudar.”

Thapar ainda acrescenta que cada indivíduo com TDAH que participou desta pesquisa está fazendo diferença real no avanço da compreensão da condição. “Esperamos que este estudo estimule a participação das pessoas e aumente o interesse de outros países no apoio à pesquisa sobre o transtorno”.
Mesmo que estes 12 sinais genômicos identificados no estudo sejam importantes, eles capturam apenas uma pequena parte do risco para o TDAH. Coletivamente, os fatores genéticos comuns eram responsáveis por aproximadamente 22% dos riscos totais do TDAH. O papel de outras fontes de riscos genéticos, como por exemplo mutações genéticas raras e fatores ambientais também precisam ser analisados em estudos futuros.

1 DEMONTIS D, et al. Discovery of the first genome-wide significant risk loci for attention deficit/hyperactivity disorder. Nat Genet. 2018 Nov 26. doi: 10.1038/s41588-018-0269-7. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30478444>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
2 DISCOVERY OF THE FIRST COMMON GENETIC RISK FACTORS FOR ADHD. SCIENCE DAILY. Disponível em: <https://www.sciencedaily.com/releases/2018/11/181127111020.htm>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
3 FIRST RISK GENES FOR ADHD DISCOVERED. NEUROSCIENCE NEWS. Disponível em: <https://neurosciencenews.com/adhd-risk-genes-10268>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

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