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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

TDAH EM ADULTOS: COMO SABER SE VOCÊ TEM TDAH?

TDAH EM ADULTOS: COMO SABER SE VOCÊ TEM TDAH?

 

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ao contrário de que muitos pensam, não é apenas um problema de crianças e adolescentes. Algumas estimativas apontam que cerca de 2.5 a 3,4% da população adulta ao redor do globo possui TDAH. Além disso, o TDAH é um transtorno que na maioria dos casos persiste da infância até a vida adulta.

Adultos com TDAH também sofrem frequentemente de outros transtornos psiquiátricos comórbidos, como: Transtornos de Humor, Transtornos de Ansiedade e Transtorno de uso de substâncias.

Muitas pessoas podem acabar recebendo o diagnóstico de TDAH apenas na vida adulta. Em algumas situações, os sintomas se tornam mais evidentes à medida em que as demandas se tornam mais complexas, como é o caso da entrada no ensino superior ou no mercado de trabalho, ou mesmo a simples saída de casa da família para morar sozinho.

Com a popularização recente do TDAH e do uso de estimulantes na mídia, muitas pessoas passaram a se questionar sobre a possibilidade de possuírem o transtorno. Não somente pessoas que por ventura não receberam ao diagnóstico, mas também indivíduos que não possuem TDAH, dado que alguns dos sintomas associados ao transtorno são relativamente comuns.

Então, como você pode saber se é um candidato a receber uma avaliação para TDAH? 

As manifestações do TDAH tendem a ser um pouco diferentes em adultos e crianças. Adultos tendem a sofrer mais de problemas de desatenção ao passo que os sintomas de hiperatividade são menos proeminentes.

De maneira geral, adultos com TDAH sofrem de problemas como:

– Dificuldade para organizar tarefas e priorizar atividades

– Dificuldade para iniciar e completar tarefas

– Esquecimento

– Procrastinação

– Pouca habilidade para manejar do tempo

– Labilidade emocional, irritabilidade e falta de motivação

– Impulsividade

Esses problemas podem levar a consequências como:

– Dificuldade em realizar os compromissos do dia-a-dia como limpeza da casa, pagamento de contas, etc.

– Grande variabilidade na produtividade. Com momentos de trabalho excessivo e períodos de inércia

– As tarefas são realizadas apenas de última hora ou não chegam a ser feitas.

– Perda de prazos ou compromissos

– Problemas no trabalho ou na performance acadêmica, com perda ou abandono de empregos

– Problemas nos relacionamentos por esquecimento ou por não completar compromissos

– Maiores taxas de acidentes de trânsito ou multas de trânsito por desatenção ou impulsividade  e maiores taxas de abuso de substâncias

– Sentimento de inquietude, incapacidade de aguardar sua vez de falar ou ser atendido.  Comportamentos como falar demais ou interromper os outros.

O que fazer se você suspeitar que tem TDAH?

Se você suspeita de que possa ter TDAH, é importante que você receba uma avaliação por um profissional de saúde mental habilitado. O diagnóstico de TDAH engloba uma avaliação detalhada de vários aspectos da vida de um indivíduo e as vezes pode ser necessário mais de um encontro com o especialista para firmar o diagnóstico. É necessário também que sejam descartadas outras causas que possam explicar os sintomas como outros transtornos psiquiátricos e até mesmos problemas de saúde física como doenças da tireoide. Após a investigação, o profissional de saúde pode determinar qual o tratamento mais adequado, como uso de medicamentos estimulantes e terapia cognitivo-comportamental, caso seja necessário.

Referências:

Fayyad J, De Graaf R, Kessler R, Alonso J, Angermeyer M, Demyttenaere K, De Girolamo G, Haro JM, Karam EG, Lara C, Lépine JP, Ormel J, Posada-Villa J, Zaslavsky AM, Jin R. Cross-national prevalence and correlates of adult attention-deficit hyperactivity disorder. Br J Psychiatry. 2007 May;190:402-9. doi: 10.1192/bjp.bp.106.034389. PMID: 17470954.

https://www.cdc.gov/ncbddd/adhd/diagnosis.html

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USO DE FORMAS MAIS CURTAS PARA ESTIMATIVA DE QI NA AVALIAÇÃO NEUROPSIQUIÁTRICA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

USO DE FORMAS MAIS CURTAS PARA ESTIMATIVA DE QI NA AVALIAÇÃO NEUROPSIQUIÁTRICA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

A avaliação da habilidade cognitiva (inteligência) pode ser muito útil na avaliação neuropsiquiátrica de crianças e adolescentes. Ela fornece informações adicionais que se relacionam com diversos aspectos psicossociais, desde desempenho acadêmico e social até outros domínios neurocognitivos.

Atualmente, a ferramenta mais utilizada para avaliação de crianças e adolescentes é a Escala de Inteligência de Wechsler para crianças, quinta edição (EIWC-V). Esse teste leva aproximadamente 65-80 minutos para ser completado, o que pode ser um fator limitante em alguns cenários, como no caso de crianças com TDAH.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores buscou identificar a eficácia clínica do uso formas mais curtas de avaliação de QI. Como os pesquisadores apontam, encontrar formas mais curtas de avaliação é interessante por diversas razões, como: diminuir o tempo gasto medindo apenas um domínio cognitivo, diminuir o tempo de exame para o examinador e o paciente, proporcionar que mais tempo seja usado avaliando outros domínios cognitivos não tão profundamente avaliados pela EIWC-V ( Ex. função executiva, aprendizado e memória) e diminuir o estresse de testes longos que podem ser particularmente desafiadores para pacientes com TDAH, fatiga física ou algum dano cerebral.

Os pesquisadores buscaram então avaliar, em uma amostra de pacientes pediátricos, o uso clínico de 10 formas curtas compostas por 5 e 4 subtestes que oferecem cobertura apropriada dos domínios avaliados pela EIWC-V.

Ao todo, foram coletados os dados de 268 crianças entre 6-16 anos que fizeram uma avaliação neuropsiquiátrica no Thompson Center for Autism and Neurodevelopmental Disorders e que completaram o EIWC-V entre 2015 e 2019.

A EIWC-V engloba 7 subtestes, podendo ser expandida para até 10 subtestes que avaliam 5 domínios: índice de compreensão verbal, índice visual espacial, índice de raciocínio fluido, índice de memória de trabalho e índice de velocidade de processamento. Os pesquisadores criaram então 10 formas curtas do teste combinando diferentes subtestes e somando os escores apresentados nesses subtestes.

Após, os resultados de cada forma curta foram comparados com o resultado do teste completo EIWC-V. Através de analises estatísticas, as formas curtas com 5 subtestes foram capazes de predizer com 81-92% de acurácia o escore verdadeiro de QI (resultado da EIWC-V) dos participantes, enquanto as formas curtas com 4 subtestes obtiveram 65-76% de acurácia.

Como os pesquisadores concluem, “cada forma curta apresenta seus próprios benefícios, detrimentos e considerações. Os profissionais da saúde podem procurar integrar esses achados na sua prática clínica e pesquisadores podem usar essas combinações de forma curta para estimar adequadamente e rapidamente a habilidade cognitiva das amostras de pesquisa. Estudos futuros devem avaliar e criticar essas e outras combinações de forma curta da EIWC-V em amostras demográficas e diagnósticas diversas.”

Referência:
-John W. Lace, Zachary C. Merz, Erin E. Kennedy, Dylan J. Seitz, Tara A. Austin, Bradley J. Ferguson, Michael D. Mohrland. Examination of five- and four-subtest short form IQ estimations for the Wechsler Intelligence Scale for Children-Fifth edition (WISC-V) in a mixed clinical sample. Applied Neuropsychology: Child, 2020; 1 DOI: 10.1080/21622965.2020.1747021

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