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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

DIFERENÇAS CORTICAIS RELACIONADAS À IDADE NO TDAH, TEA E TOC.

DIFERENÇAS CORTICAIS RELACIONADAS À IDADE NO TDAH, TEA E TOC.

Diferenças sutis no volume intracraniano foram achadas entre grupos etários e indivíduos com Transtorno de Déficit De Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Esses achados foram encontrados em um estudo de coorte e foram publicados no American Journal of Psychiatry.

Os pesquisadores utilizaram dados de imagem do consórcio ENIGMA (Enhancing Neuroimaging Genetics Through Meta-Analysis). Foram analisadas imagens de Ressonância magnética estrutural ponderada em T1 de todo o cérebro de indivíduos controle (n= 5827) e de pacientes com TDAH (n=2271), TEA (n=1777) e TOC (n=2323). As análises foram feitas por grupo etário: crianças (<12 anos), adolescentes (12-17 anos) e adultos (>18 anos). Os pesquisadores examinaram as diferenças do volume subcortical, da espessura cortical e da área de superfície cortical.

Crianças com TDAH comparado com aquelas com TOC tinham um volume intracraniano menor e um volume hipocampal menor, possivelmente influenciado pelo QI. Crianças e adolescentes com TDAH também tinham um volume intracraniano menor que os controles e aqueles com TOC ou TEA. Adultos com TEA demonstraram uma espessura maior do córtex frontal comparado com adultos controle e outros grupos. Nenhuma diferença específica do TOC foi encontrada entre os diferentes grupos etários; também não foram encontradas diferenças na superfície cortical entre os transtornos em crianças e adultos. Por fim, não houve diferenças compartilhadas entre os grupos.

Uma das limitações do estudo foi a falta de informações sobre todos parâmetros de aquisição de imagens no banco de dados de todos os locais de coleta. Isso pode ter introduzido algum viés no estudo.

Apesar de serem desordens comuns do neurodesenvolvimento frequentemente comórbidas, o estudo encontrou diferenças robustas mas sutis dentro dos grupos etários entre indivíduos com TDAH, TEA e TOC. Como os autores colocam, o estudo “constitui a maior investigação de neuroimagem de alterações estruturais no TDAH, TEA e TOC”. 

Artigo adaptado e traduzido de:  https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/neurodevelopmental-disorder/enigma-study-finds-age-related-cortical-differences-in-adhd-asd-ocd/

 

Referencia:
Boedhoe P S W, van Rooij D, Hoogman M, et al. Subcortical brain volume, reginal cortical thickness, and cortical surface area across disorders: findings from the ENIGMA ADHD, ASD, and OCD working groupsAm J Psychiatry. 2020;appiajp202019030331. doi:10.1176/appi.ajp.2020.19030331.

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CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

Um estudo publicado em junho deste ano no JAMA Network Open concluiu que crianças com problemas do desenvolvimento ou que não atingem marcos do desenvolvimento podem ter um risco cerca de 2.2 vezes maior de serem diagnosticadas com asma comparado com o risco de crianças sem esses problemas ou atrasos.

Uma das autoras do estudo, Sarah Messiah, PhD, diretora do Centro para Saúde Populacional Pediátrica na UTHealth Science Center School of Public Health em Dallas, disse que “ os guidelines pediátricos atuais de asma não mencionam problemas do desenvolvimento ou atrasos como fatores de risco para asma”. Como ela afirma, devido aos resultados do estudo, pediatras e especialistas que cuidam de crianças com incapacidades poderiam considerar a triagem para asma.

Nesse estudo, os pesquisadores analisaram os dados de 71,811 crianças e adolescentes entre 0-17 anos de idade, cujas famílias haviam participado da National Survey of Children’s Health (NSCH) de 2016 e de 2017. A NSCH é uma pesquisa populacional de representatividade nacional feita nos estados Unidos através de um questionário online.

Os seguintes problemas de desenvolvimento foram avaliados nesse estudo: (1) Transtornos Mentais (Déficit de Atenção e Hiperatividade [TDAH] e Transtorno do Espectro Autista); (2)  doenças neurológicas (paralisia cerebral e transtornos convulsivos); (3) déficits auditivos, de visão e de fala; (4) incapacidades cognitivas (deficiência intelectual e transtornos de aprendizado); ou (5) atraso inespecífico do desenvolvimento.

Além disso, 3,149 crianças foram classificadas como tendo atrasos no desenvolvimento, ou seja, tinham atraso em alguns marcos do desenvolvimento sem alguma condição médica que explicasse o atraso. Esses atrasos são diagnosticados quando as crianças não atingem funções – marcos- no tempo esperado para a faixa etária, como por exemplo caminhar, falar ou segurar objetos.

O risco de asma foi significativamente maior em crianças com ao menos uma incapacidade (razão de chance – RC  = 2.77; 95% CI, 2.39-3.21) ou atraso (RC = 2.22; 95% CI, 1.78-2.77) em comparação com crianças sem desordens ou atraso no desenvolvimento. Mesmo após ajustes para outros fatores como idade, sexo, raça e etnia, nível educacional, renda familiar e peso ao nascimento, todas as associações se mantiveram significativas para todas as categorias de incapacidade. Ao todo, crianças com incapacidades tinham um risco 2x maior de ter asma em comparação a crianças sem incapacidades.

O quanto uma incapacidade ou atraso especifico foi associado com o risco de asma variou na amostra. Comparado com crianças sem incapacidades ou atrasos, por exemplo, a perda de audição foi associada a um risco 3x maior para asma; crianças com TDAH, paralisia cerebral ou transtornos de aprendizado tinham mais que o dobro de risco de asma.

Uma limitação desse estudo é que todos os dados de asma, de incapacidade e de atrasos do desenvolvimento foram auto-relatados. Os dados não foram verificados por nenhum laboratório ou registro médico, então é possível que algumas crianças com essas condições não foram identificadas ou que alguns pais categorizaram seus filhos incorretamente com condições que eles não possuíam.

O diagnóstico falso positivo de asma em crianças com incapacidades tende a ser maior quando baseado apenas no relato dos pais, explicou Matthew McGrwa, MD, Professor assistente de medicina pulmonar pediátrica na University of Rochester Medical Center em Nova York ,que não estava envolvido com o estudo. Crianças com diferentes tipos de incapacidades regularmente se engasgam com bebidas ou comidas, causando chiados e dificuldade para respirar que pode parecer muito com asma para os pais, disse ele. “ Múltiplas outras razões podem causar sintomas similares”.

Outra limitação do estudo foi que os pesquisadores não obtiveram dados de outros fatores importantes que podem influenciar no risco de asma e de desordens do desenvolvimento ou atrasos, incluindo nascimento prematuro. “Crianças que nascem prematuras estão em maior risco tanto para problemas respiratórios como para atrasos no desenvolvimento devido ao subdesenvolvimento de órgãos como o pulmão e o cérebro,” completa Dr. McGraw.

No caso de a asma ser diagnosticada, algumas crianças com incapacidades físicas ou mentais podem ter dificuldade também de reconhecer seus sintomas. “Crianças com incapacidades podem ser menos propensas a comunicarem ou estarem alerta aos fatores que desencadeiam os ataques, ou até mesmo ser menos propensas a alertar seus pais quando elas sentem que sua respiração está comprometida,” disse Luisa Borrell, DDS, PhD, Professora no departamento de epidemiologia e bioestatística na CUNY Graduate School of Public Health & Health Policy em Nova York. Portanto, os pais podem precisar estar mais atentos para monitorar as exacerbações da asma em seus filhos.

Comentário da Equipe FOCUS:
Além das limitações do estudo já apontadas, é importante lembrar que crianças com alguma incapacidade ou atraso no desenvolvimento podem ser mais propensas a realizar consultas médicas, dado que já possuem uma condição em acompanhamento, o que poderia aumentar a chance de diagnóstico de asma.  Além disso, pais com crianças com dificuldades ou limitações podem tender a prestar mais atenção em alterações sutis no comportamento ou na saúde física do seu filho, o que também aumenta a chance de algum diagnóstico, ainda que os sintomas sejam leves.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.everydayhealth.com/asthma/kids-with-disabilities-or-developmental-delays-may-have-increased-asthma-risk/

Referência:
Xie L, Gelfand A, Delclos GL, Atem FD, Kohl HW, Messiah SE. Estimated Prevalence of Asthma in US Children With Developmental Disabilities. JAMA Netw Open. 2020;3(6):e207728. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.7728

Link: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2767213

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