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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

Um estudo publicado em junho deste ano no JAMA Network Open concluiu que crianças com problemas do desenvolvimento ou que não atingem marcos do desenvolvimento podem ter um risco cerca de 2.2 vezes maior de serem diagnosticadas com asma comparado com o risco de crianças sem esses problemas ou atrasos.

Uma das autoras do estudo, Sarah Messiah, PhD, diretora do Centro para Saúde Populacional Pediátrica na UTHealth Science Center School of Public Health em Dallas, disse que “ os guidelines pediátricos atuais de asma não mencionam problemas do desenvolvimento ou atrasos como fatores de risco para asma”. Como ela afirma, devido aos resultados do estudo, pediatras e especialistas que cuidam de crianças com incapacidades poderiam considerar a triagem para asma.

Nesse estudo, os pesquisadores analisaram os dados de 71,811 crianças e adolescentes entre 0-17 anos de idade, cujas famílias haviam participado da National Survey of Children’s Health (NSCH) de 2016 e de 2017. A NSCH é uma pesquisa populacional de representatividade nacional feita nos estados Unidos através de um questionário online.

Os seguintes problemas de desenvolvimento foram avaliados nesse estudo: (1) Transtornos Mentais (Déficit de Atenção e Hiperatividade [TDAH] e Transtorno do Espectro Autista); (2)  doenças neurológicas (paralisia cerebral e transtornos convulsivos); (3) déficits auditivos, de visão e de fala; (4) incapacidades cognitivas (deficiência intelectual e transtornos de aprendizado); ou (5) atraso inespecífico do desenvolvimento.

Além disso, 3,149 crianças foram classificadas como tendo atrasos no desenvolvimento, ou seja, tinham atraso em alguns marcos do desenvolvimento sem alguma condição médica que explicasse o atraso. Esses atrasos são diagnosticados quando as crianças não atingem funções – marcos- no tempo esperado para a faixa etária, como por exemplo caminhar, falar ou segurar objetos.

O risco de asma foi significativamente maior em crianças com ao menos uma incapacidade (razão de chance – RC  = 2.77; 95% CI, 2.39-3.21) ou atraso (RC = 2.22; 95% CI, 1.78-2.77) em comparação com crianças sem desordens ou atraso no desenvolvimento. Mesmo após ajustes para outros fatores como idade, sexo, raça e etnia, nível educacional, renda familiar e peso ao nascimento, todas as associações se mantiveram significativas para todas as categorias de incapacidade. Ao todo, crianças com incapacidades tinham um risco 2x maior de ter asma em comparação a crianças sem incapacidades.

O quanto uma incapacidade ou atraso especifico foi associado com o risco de asma variou na amostra. Comparado com crianças sem incapacidades ou atrasos, por exemplo, a perda de audição foi associada a um risco 3x maior para asma; crianças com TDAH, paralisia cerebral ou transtornos de aprendizado tinham mais que o dobro de risco de asma.

Uma limitação desse estudo é que todos os dados de asma, de incapacidade e de atrasos do desenvolvimento foram auto-relatados. Os dados não foram verificados por nenhum laboratório ou registro médico, então é possível que algumas crianças com essas condições não foram identificadas ou que alguns pais categorizaram seus filhos incorretamente com condições que eles não possuíam.

O diagnóstico falso positivo de asma em crianças com incapacidades tende a ser maior quando baseado apenas no relato dos pais, explicou Matthew McGrwa, MD, Professor assistente de medicina pulmonar pediátrica na University of Rochester Medical Center em Nova York ,que não estava envolvido com o estudo. Crianças com diferentes tipos de incapacidades regularmente se engasgam com bebidas ou comidas, causando chiados e dificuldade para respirar que pode parecer muito com asma para os pais, disse ele. “ Múltiplas outras razões podem causar sintomas similares”.

Outra limitação do estudo foi que os pesquisadores não obtiveram dados de outros fatores importantes que podem influenciar no risco de asma e de desordens do desenvolvimento ou atrasos, incluindo nascimento prematuro. “Crianças que nascem prematuras estão em maior risco tanto para problemas respiratórios como para atrasos no desenvolvimento devido ao subdesenvolvimento de órgãos como o pulmão e o cérebro,” completa Dr. McGraw.

No caso de a asma ser diagnosticada, algumas crianças com incapacidades físicas ou mentais podem ter dificuldade também de reconhecer seus sintomas. “Crianças com incapacidades podem ser menos propensas a comunicarem ou estarem alerta aos fatores que desencadeiam os ataques, ou até mesmo ser menos propensas a alertar seus pais quando elas sentem que sua respiração está comprometida,” disse Luisa Borrell, DDS, PhD, Professora no departamento de epidemiologia e bioestatística na CUNY Graduate School of Public Health & Health Policy em Nova York. Portanto, os pais podem precisar estar mais atentos para monitorar as exacerbações da asma em seus filhos.

Comentário da Equipe FOCUS:
Além das limitações do estudo já apontadas, é importante lembrar que crianças com alguma incapacidade ou atraso no desenvolvimento podem ser mais propensas a realizar consultas médicas, dado que já possuem uma condição em acompanhamento, o que poderia aumentar a chance de diagnóstico de asma.  Além disso, pais com crianças com dificuldades ou limitações podem tender a prestar mais atenção em alterações sutis no comportamento ou na saúde física do seu filho, o que também aumenta a chance de algum diagnóstico, ainda que os sintomas sejam leves.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.everydayhealth.com/asthma/kids-with-disabilities-or-developmental-delays-may-have-increased-asthma-risk/

Referência:
Xie L, Gelfand A, Delclos GL, Atem FD, Kohl HW, Messiah SE. Estimated Prevalence of Asthma in US Children With Developmental Disabilities. JAMA Netw Open. 2020;3(6):e207728. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.7728

Link: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2767213

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USO DE FORMAS MAIS CURTAS PARA ESTIMATIVA DE QI NA AVALIAÇÃO NEUROPSIQUIÁTRICA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

USO DE FORMAS MAIS CURTAS PARA ESTIMATIVA DE QI NA AVALIAÇÃO NEUROPSIQUIÁTRICA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

A avaliação da habilidade cognitiva (inteligência) pode ser muito útil na avaliação neuropsiquiátrica de crianças e adolescentes. Ela fornece informações adicionais que se relacionam com diversos aspectos psicossociais, desde desempenho acadêmico e social até outros domínios neurocognitivos.

Atualmente, a ferramenta mais utilizada para avaliação de crianças e adolescentes é a Escala de Inteligência de Wechsler para crianças, quinta edição (EIWC-V). Esse teste leva aproximadamente 65-80 minutos para ser completado, o que pode ser um fator limitante em alguns cenários, como no caso de crianças com TDAH.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores buscou identificar a eficácia clínica do uso formas mais curtas de avaliação de QI. Como os pesquisadores apontam, encontrar formas mais curtas de avaliação é interessante por diversas razões, como: diminuir o tempo gasto medindo apenas um domínio cognitivo, diminuir o tempo de exame para o examinador e o paciente, proporcionar que mais tempo seja usado avaliando outros domínios cognitivos não tão profundamente avaliados pela EIWC-V ( Ex. função executiva, aprendizado e memória) e diminuir o estresse de testes longos que podem ser particularmente desafiadores para pacientes com TDAH, fatiga física ou algum dano cerebral.

Os pesquisadores buscaram então avaliar, em uma amostra de pacientes pediátricos, o uso clínico de 10 formas curtas compostas por 5 e 4 subtestes que oferecem cobertura apropriada dos domínios avaliados pela EIWC-V.

Ao todo, foram coletados os dados de 268 crianças entre 6-16 anos que fizeram uma avaliação neuropsiquiátrica no Thompson Center for Autism and Neurodevelopmental Disorders e que completaram o EIWC-V entre 2015 e 2019.

A EIWC-V engloba 7 subtestes, podendo ser expandida para até 10 subtestes que avaliam 5 domínios: índice de compreensão verbal, índice visual espacial, índice de raciocínio fluido, índice de memória de trabalho e índice de velocidade de processamento. Os pesquisadores criaram então 10 formas curtas do teste combinando diferentes subtestes e somando os escores apresentados nesses subtestes.

Após, os resultados de cada forma curta foram comparados com o resultado do teste completo EIWC-V. Através de analises estatísticas, as formas curtas com 5 subtestes foram capazes de predizer com 81-92% de acurácia o escore verdadeiro de QI (resultado da EIWC-V) dos participantes, enquanto as formas curtas com 4 subtestes obtiveram 65-76% de acurácia.

Como os pesquisadores concluem, “cada forma curta apresenta seus próprios benefícios, detrimentos e considerações. Os profissionais da saúde podem procurar integrar esses achados na sua prática clínica e pesquisadores podem usar essas combinações de forma curta para estimar adequadamente e rapidamente a habilidade cognitiva das amostras de pesquisa. Estudos futuros devem avaliar e criticar essas e outras combinações de forma curta da EIWC-V em amostras demográficas e diagnósticas diversas.”

Referência:
-John W. Lace, Zachary C. Merz, Erin E. Kennedy, Dylan J. Seitz, Tara A. Austin, Bradley J. Ferguson, Michael D. Mohrland. Examination of five- and four-subtest short form IQ estimations for the Wechsler Intelligence Scale for Children-Fifth edition (WISC-V) in a mixed clinical sample. Applied Neuropsychology: Child, 2020; 1 DOI: 10.1080/21622965.2020.1747021

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PESO AO NASCIMENTO E A SAÚDE MENTAL NO FUTURO

PESO AO NASCIMENTO E A SAÚDE MENTAL NO FUTURO

Um estudo publicado no JAMA Psychiatry encontrou que um menor peso ao nascimento estava associado a maior risco para diversas desordens psiquiátricas.

Em uma amostra de cerca de 500,000 pares de irmãos, indivíduos com menor peso ao nascimento eram significativamente mais propensos a desenvolver depressão, transtorno obsessivo compulsivo, TDAH e autismo, como reportou Erik Pettersson, PhD do Karolinska Institutet de Estocolmo, Suécia, e colegas.

Dentro dos pares de irmãos, um incremento de 1kg no peso ao nascimento era associado a menor risco para desordens do neurodesenvolvimento incluindo TDAH e autismo, após o controle para variáveis como sexo, idade de nascimento e ordem de nascimento.

“Dado que o tamanho do efeito observado foi pequeno, o que está de acordo com pesquisas anteriores, intervenções potenciais possivelmente teriam um efeito pequeno nas condições psiquiátricas futuras”, eles escreveram.

“ Não obstante, dado a prevalência de desordens de saúde mental, combater a desnutrição materna e melhorar o atendimento de pré-natal ainda pode influenciar significativamente no número de casos psiquiátricos”

Joel Nigg, PhD do Oregon Health and Science University em Portland, Oregon, que não participou do estudo, afirmou que o baixo peso ao nascimento pode prejudicar o desenvolvimento cerebral, o que em contrapartida pode levar a desfechos desfavoráveis na saúde mental

“É uma evidência de que existe uma relação causal com baixo peso ao nascimento e certas desordens incluindo TDAH, autismo e depressão”, completa Nigg. “Isso é consistente com estudos anteriores, porém essa evidência é mais clara”

Pettersson e a equipe utilizaram um “fator comum” (uma medida de psicopatologia global) para controlar a covariância que pode ocorrer entre desordens psiquiátricas.

“ Fazendo a analise dessa forma, você é capaz de isolar as associações devido a esse fator comum”, disse Nigg. “O que é bom porque assim você pode dizer que a associação com TDAH ou autismo não se deve ao que é compartilhado com todas as outras desordens”.

Esse estudo combinou dados de diversos registros nacionais que cobriam todos os indivíduos suecos nascidos a partir de primeiro de janeiro de 1973 até 31 de dezembro de 1998. Os pesos de nascimento foram ajustados para a idade gestacional e a idade corrigida. Os diagnósticos de saúde mental foram incluídos apenas na idade de 12 anos ou mais, exceto pelo autismo e o TDAH, que foram incluídos a partir dos 2 anos de idade.

O par mais velho de irmãos nascidos com uma diferença de até 5 anos de idade era selecionado de cada família e acompanhado até 31 de dezembro de 2013. No total, 546,894 pares de irmãos foram incluídos, os quais eram 51,5% homens e tinham em média 27,2 anos de idade.

Os pesquisadores agruparam essas desordens em grupos específicos, cada qual contribuindo para o fator comum. Doenças do neurodesenvolvimento ( TDAH e autismo), transtornos psicóticos ( esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo), transtornos de ansiedade ( transtorno obsessivo compulsivo e ansiedade) e “fatores externalizantes” ( crimes violentos, consumo de drogas e abuso de álcool) foram associados ao crescimento fetal, além do fator comum.

Dentro dos pares de irmãos, cada 1kg de incremento no peso ao nascimento foi significativamente associado a menores níveis de psicopatologia global, bem como de ansiedade e de transtornos do neurodesenvolvimento. Entretanto, o incremento no peso não foi associado a menores níveis de “fatores externalizantes”.

A analise global da população mostrou uma associação do peso ao nascimento com o aumento de risco para 9 dos 12 transtornos psiquiátricas examinadas: depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, bipolaridade, abuso de álcool, uso de drogas, crimes violentos, TDAH e autismo. Porém, analisando entre os pares de irmãos, os resultados mostraram apenas uma associação significativa entre o peso e o desenvolvimento global de psicopatologias e o desenvolvimento de transtornos do neurodesenvolvimento (autismo e TDAH).

 

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.medpagetoday.com/psychiatry/generalpsychiatry/77866

Referências:
Association of Fetal Growth With General and Specific Mental Health Conditions
Erik Pettersson, PhD1; Henrik Larsson, PhD1,2; Brian D’Onofrio, PhD3; et al
JAMA Psychiatry. 2019;76(5):536-543. doi:10.1001/jamapsychiatry.2018.4342
Link: https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/fullarticle/2722846

 


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