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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

DIFICULDADES NO TDAH: CÉREBRO E FUNÇÕES EXECUTIVAS

Nós usamos várias funções mentais, ou funções cognitivas, para conseguir fazer as atividades de nossa vida, como atenção, memória, inteligência. Uma das funções mais importantes são as funções executivas, que usamos para atividades como pegar o ônibus até criar, desenvolver e finalizar um projeto complexo no trabalho. Essas funções tem um papel fundamental nas dificuldades observadas no TDAH. Para entender mais sobre as funções executivas, e começar a compreender como elas explicam os déficits no TDAH, assista ao nosso vídeo  através do linkhttps://youtu.be/v1FChkKIs7w

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ESTUDO SUGERE QUE PESSOAS COM TDAH SÃO MAIS PROPENSAS A ADQUIRIR COVID-19

ESTUDO SUGERE QUE PESSOAS COM TDAH SÃO MAIS PROPENSAS A ADQUIRIR COVID-19

Recentemente foi publicado um estudo conduzido por pesquisadores de Israel intitulado “TDAH como fator de risco para infecção com COVID-19”.

Os pesquisadores analisaram 14022 indivíduos registrados no Leumit Health Services entre fevereiro a abril de 2020 e  que fizeram ao menos um teste de COVID nesse período. Cerca de 10% dos indivíduos testaram positivo. Os pesquisadores encontraram que as taxas de TDAH eram significativamente maiores no grupo que testou positivo (16,24%) em comparado com o grupo que testou negativo (11,65%).

O risco de testar positivo para COVID era maior nos indivíduos com TDAH não tratado comparado com aqueles sem diagnostico de TDAH, mesmo controlando os dados para status socioeconômico e variáveis demográficas, gênero e idade. Os indivíduos com TDAH tratado não tinham risco aumentado em relação aqueles sem o diagnostico.

Ao contrário do TDAH, outros transtornos psiquiátricos como ansiedade e depressão tiveram uma associação contrária, sendo no caso associados com um menor risco de testar positivo para COVID.

Uma das explicações sugeridas pelos autores do estudo é a de que pessoas com TDAH podem ser mais propensas a correr riscos como entrar em contato com outras pessoas e a frequentar aglomerações. Pessoas com TDAH tendem a buscar recompensas momentâneas, sacrificando por vezes as consequências a longo prazo.

Outra possibilidade é a de que pessoas com TDAH se sujeitem inadvertidamente a situações de risco ou que possam aderir menos as recomendações de isolamento. Contudo, uma vez que o estudo não mostrou relação de causalidade, é possível que haja outra explicação para os achados.

Artigo adaptado e traduzido de: https://psychcentral.com/blog/adhd-millennial/2020/07/study-suggests-people-with-adhd-more-likely-to-get-covid-19#3

Referência:  Merzon E, Manor I, Rotem A, et al. ADHD as a Risk Factor for Infection With Covid-19. Journal of Attention Disorders. 2021;25(13):1783-1790. doi:10.1177/1087054720943271

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TDAH EM MULHERES

Vamos para mais um vídeo sobre TDAH? Nesse vídeo falaremos sobre um tópico muito importante: o TDAH em mulheres e meninas. Será que existem diferenças nos sintomas? Que gênero recebe mais encaminhamentos e diagnósticos na infância? E será que o tratamento é diferente de acordo com o gênero? Para descobrir mais sobre isso assista ao nosso vídeo através do link: https://youtu.be/TnJUFfcZ7RI

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NOVE SINAIS DE TDAH EM ADULTOS

NOVE SINAIS DE TDAH EM ADULTOS

Conviver com o TDAH não diagnosticado pode trazer algumas desvantagens. Por um lado, você pode acabar se sentindo subestimado quanto a suas habilidades e pode até mesmo se sentir desmotivado por conta das dificuldades do TDAH. Entender como as suas dificuldades funcionam pode ajudar você a estabelecer estratégias que sejam verdadeiramente efetivas ao mesmo tempo em que pode servir de incentivo para que você use suas aptidões ao seu favor.

Judy Katz, terapeuta ocupacional em Chicago que trabalha com crianças com TDAH e que também foi diagnosticada com TDAH, separou alguns sinais que podem estar presentes no TDAH na vida adulta:

1) Você se distrai nos próprios pensamentos

É comum para pessoas com TDAH se distraírem e perderem parte de informações em conversas, programas de TV ou qualquer outra forma mais longa de conteúdo. Uma pequena distração é suficiente para fazer com que você se perca em uma cadeia de pensamentos. Uma dica é: gravar a conversa sempre que for participar de uma reunião importante.

2) Você se distrai com o ambiente

É possível que você se perca durante caminhadas ou dirigindo para o trabalho, especialmente se houver alguma distração no caminho. De repente você percebe e já passou duas quadras do ponto onde deveria dobrar…

3) Você apresenta hiperatividade motora

Isso significa que você tem dificuldade em se manter parado. Pode significar por exemplo que você precise caminhar ou utilizar as mãos de alguma forma, como através de um spinner.

4)  Você procura estímulos sensório-orais

Você pode sentir a necessidade de mascar chiclete, beber café, ou morder a pontinha do lápis para se manter calmo ou focado.

5) Você consegue prender a atenção por um curto período de tempo

Você perde o foco, seus olhos vagam para outro lugar ou você se perde em pensamentos.

6) Você tem dificuldade de se organizar com tarefas diárias

Você esquece ou perde objetos com frequência como chaves, guarda-chuvas ou cartões. Você tem dificuldade em organizar tarefas diárias como lavar a roupa, manter a casa limpa, marcar consultas ao médico…

7) Você tem dificuldade no manejo do tempo

Planejar com antecedência ou calcular o tempo necessário para tomar banho, se vestir e chegar a tempo é um grande desafio para você!

8) Você tem ansiedade

Saber que os outros dependem de você para manejar o seu tempo e o deles pode ser uma grande fonte de ansiedade. Você fica ansioso sabendo de suas dificuldades com medo de que elas se manifestem, como por exemplo, a possibilidade de esquecer um compromisso importante.

9) Você tem dificuldade em iniciar tarefas e completa-las

Você perde muito tempo procrastinando e por vezes acaba se envolvendo em múltiplos projetos ao mesmo tempo, muitas vezes não terminando nenhum deles.

Se você tiver receio de que tem TDAH, tente conversar com o seu médico ou procure algum profissional especializado. TDAH tem tratamento e isso pode trazer inúmeros benefícios em vários aspectos da sua vida social e profissional!

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.purewow.com/wellness/signs-of-adhd-in-adults

 

 

 

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TDAH E MANEJO DA RAIVA

TDAH E MANEJO DA RAIVA

Um dos sintomas não muito conhecido do TDAH e que também pode estar presente é a dificuldade na regulação emocional e manejo da raiva. Nas crianças isso pode se manifestar na forma de birras e irritabilidade enquanto nos adultos, além da irritabilidade, pode se manifestar como explosões de raiva. 

Apesar dos estimulantes ajudarem nos sintomas típicos do TDAH como desatenção e hiperatividade, eles não parecem surtir o mesmo tamanho de efeito na  regulação emocional. Então, o que pode ser feito? 

No caso de crianças com TDAH, a terapia pode ser útil. Na terapia, a criança pode aprender habilidades que a permitam fazer uma releitura das situações além de regular suas próprias emoções de forma adequada. Além disso, os próprios pais podem receber aconselhamento profissional para que eles aprendam como lidar nas situações em que a criança manifesta descontrole da raiva.

É importante descartar, contudo, outros transtornos comórbidos que possam estar contribuindo para a irritabilidade e ataques de raiva. Um psiquiatra experiente pode, ainda, ajustar a medicação do TDAH e receitar outros medicamentos caso necessário. 

No caso de adultos, a Terapia Cognitivo-comportamental (TCC) pode ser uma boa opção. Na TCC, o paciente pode desenvolver habilidades e mecanismos para usar nas diferentes situações e assim conseguir lidar com os momentos de estresse. A meditação e o mindfulness, atualmente em moda, também são alternativas possíveis. 

Por fim, vale lembrar que um estilo de vida saudável, com alimentação e sono adequados, atividade física regular além de momentos de lazer e entretenimento são importantes para o bem estar e podem contribuir de forma positiva no estado emocional. 

Artigo adaptado e traduzido de: ttps://www.psychologytoday.com/intl/blog/helping-kids-through-adhd/202008/adhd-anger-and-emotional-regulation

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DIFERENÇAS CORTICAIS RELACIONADAS À IDADE NO TDAH, TEA E TOC.

DIFERENÇAS CORTICAIS RELACIONADAS À IDADE NO TDAH, TEA E TOC.

Diferenças sutis no volume intracraniano foram achadas entre grupos etários e indivíduos com Transtorno de Déficit De Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Esses achados foram encontrados em um estudo de coorte e foram publicados no American Journal of Psychiatry.

Os pesquisadores utilizaram dados de imagem do consórcio ENIGMA (Enhancing Neuroimaging Genetics Through Meta-Analysis). Foram analisadas imagens de Ressonância magnética estrutural ponderada em T1 de todo o cérebro de indivíduos controle (n= 5827) e de pacientes com TDAH (n=2271), TEA (n=1777) e TOC (n=2323). As análises foram feitas por grupo etário: crianças (<12 anos), adolescentes (12-17 anos) e adultos (>18 anos). Os pesquisadores examinaram as diferenças do volume subcortical, da espessura cortical e da área de superfície cortical.

Crianças com TDAH comparado com aquelas com TOC tinham um volume intracraniano menor e um volume hipocampal menor, possivelmente influenciado pelo QI. Crianças e adolescentes com TDAH também tinham um volume intracraniano menor que os controles e aqueles com TOC ou TEA. Adultos com TEA demonstraram uma espessura maior do córtex frontal comparado com adultos controle e outros grupos. Nenhuma diferença específica do TOC foi encontrada entre os diferentes grupos etários; também não foram encontradas diferenças na superfície cortical entre os transtornos em crianças e adultos. Por fim, não houve diferenças compartilhadas entre os grupos.

Uma das limitações do estudo foi a falta de informações sobre todos parâmetros de aquisição de imagens no banco de dados de todos os locais de coleta. Isso pode ter introduzido algum viés no estudo.

Apesar de serem desordens comuns do neurodesenvolvimento frequentemente comórbidas, o estudo encontrou diferenças robustas mas sutis dentro dos grupos etários entre indivíduos com TDAH, TEA e TOC. Como os autores colocam, o estudo “constitui a maior investigação de neuroimagem de alterações estruturais no TDAH, TEA e TOC”. 

Artigo adaptado e traduzido de:  https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/neurodevelopmental-disorder/enigma-study-finds-age-related-cortical-differences-in-adhd-asd-ocd/

 

Referencia:
Boedhoe P S W, van Rooij D, Hoogman M, et al. Subcortical brain volume, reginal cortical thickness, and cortical surface area across disorders: findings from the ENIGMA ADHD, ASD, and OCD working groupsAm J Psychiatry. 2020;appiajp202019030331. doi:10.1176/appi.ajp.2020.19030331.

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NOVA MEDICAÇÃO PARA TRATAMENTO DO TDAH EM ESTUDO

NOVA MEDICAÇÃO PARA TRATAMENTO DO TDAH EM ESTUDO

A companhia farmacêutica Otsuka Pharmaceutical Co., Ltd e a sua subsidiária Otsuka Pharmaceutical Development & Commercialization, Inc. anunciaram recentemente resultados promissores de dois estudos que avaliaram os efeitos da centanafadina, uma nova medicação produzida pela empresa para o tratamento do TDAH.

A centanafadina é um inibidor da recaptação de seretonina, norepinefrina e dopamina. Para avaliar a sua eficácia, segurança e tolerabilidade foram realizados 2 ensaios clínicos de fase 3 com duração de 6 semanas. Aproximadamente 900 pacientes adultos com idades entre 18-55 anos e com diagnóstico de TDAH participaram do estudo. Os participantes foram randomizados para receber centanafadina na dose de 100 ou 200mg duas vezes ao dia ou para receber placebo duas vezes ao dia. Ambos os estudos foram randomizados,  duplo-cegos, multicêntricos e controlados com placebo com grupos paralelos. 

Os resultados mostraram que tanto a dose diária de 200mg quanto a de 400mg da centanafadina providenciaram melhoras estatisticamente significativas em comparação ao placebo nos sintomas de TDAH, avaliados com base na escala mais utilizada em estudos em adultos – a ADHD investigator symptom rating scale (AISRS) para adultos. 

Os efeitos adversos mais frequentemente observados foram perda de apetite, dor de cabeça, náusea, boca seca, infecção do trato respiratório superior e diarreia. Um outro estudo paralelo, com duração mais longa, também está sendo feito para avaliar a segurança e tolerabilidade da dose diária de 400mg, com resultados esperados para 2021. 

A companhia pretende investigar também os efeitos da nova medicação em pacientes pediátricos bem como aguarda os próximos passos para a liberação e aprovação para uso pelo FDA (U.S. Food and Drug Administration).

Fonte: 

– https://www.otsuka-us.com/discover/otsuka-announces-positive-top-line-results-from-two-phase-3-studies-of-centanafadine

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RELAÇÃO ENTRE INSÔNIA E CONSUMO DE ÁLCOOL COM SINTOMAS DE TDAH

RELAÇÃO ENTRE INSÔNIA E CONSUMO DE ÁLCOOL COM SINTOMAS DE TDAH

Um estudo publicado no Frontiers in Psychology encontrou uma associação significativa entre a severidade dos sintomas de TDAH e abuso de álcool e insônia.

Pesquisadores da Universidade de Bergen na Noruega selecionaram randomicamente pacientes adultos com TDAH diagnosticados entre 1997 e 2005 e pacientes controle saudáveis do Registro Médico de Nascimentos da Noruega. Os participantes com diagnóstico de TDAH(n=235) e os controles(n-184) completaram um questionário que avaliava insônia, consumo de álcool e sintomas presentes de TDAH.

Os pesquisadores usaram a Escala de Insônia de Bergen, o Teste de Identificação de Transtorno de Uso de Álcool (AUDIT) e a Escala Adult  ADHD Self-Report Scale (ASRS) (a mesma usada pelo FOCUS) para avaliar os sintomas. Pacientes com TDAH tinham a opção de fornecer informações sobre o TDAH na infância e sintomas internalizantes ao longo da vida.

Comparado com o grupo controle, uma proporção significativamente menor de pacientes com TDAH havia completado a universidade (34.3% vs 77.8%; P <.001) ou estava empregada (40.2% vs 88.4%; P <.001). A média da soma de pontos do teste AUDIT foi significativamente maior no grupo TDAH vs controle (13.59 vs 12.32; P <.005), sugerindo maior severidade no consumo de álcool em pacientes com TDAH. O que vai de encontro com outros estudos que avaliaram a relação entre TDAH e abuso de substâncias. Além disso, a Insônia também foi mais frequente no grupo com TDAH (67.2% vs 28.8%; P <.001).

Entre os pacientes com insônia, 46,9% no grupo TDAH e 24,6% no grupo controle relataram beber ao menos 5-6 unidades de álcool quando bebiam. A Insônia foi associada a maior gravidade da pontuação na ASRS, tanto nos pacientes com TDAH quanto nos controles. A variação nos sintomas de TDAH em pacientes com esse diagnóstico foi explicada pela insônia e pelos sintomas internalizantes mas não pelo consumo de álcool. No grupo controle, contudo, os sintomas de TDAH foram significativamente associados com o uso de álcool.

Uma das limitações dos estudos é a de que os dados foram fornecidos através de uma auto avaliação, e os pacientes podem ter relatado um menor consumo de álcool.

O uso de álcool pode estar associado com sintomas de TDAH, mesmo em adultos sem diagnóstico clínico de TDAH. Adicionalmente, a insônia foi associada com aumento no consumo de álcool e maior gravidade dos sintomas de TDAH em ambos os grupos.

Artigo adaptado e traduzido de:  https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/sleep-wake-disorders/insomnia-disorder/insomnia-and-alcohol-consumption-linked-to-adhd-symptoms/

Referencia:

-Lundervold AJ, Jensen DA, Haavik J. Insomnia, alcohol consumption and ADHD symptoms in adults [published online May 27, 2020]. Front Psychol. doi: 10.3389/fpsyg.2020.01150

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RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) está relacionado com o desenvolvimento de depressão na vida adulta. A razão para isso poderia se dever tanto ao estresse psicológico advindo do transtorno quanto a alguma relação de base neurobioquímica.

Um artigo publicado na Psychological Medicine buscou avaliar se o TDAH e a predisposição genética ao TDAH teriam alguma relação causal com o desenvolvimento de depressão ao longo da vida. Uma relação desse tipo poderia indicar que o tratamento do TDAH é capaz de diminuir o risco de depressão.

Alguns estudos anteriores com gêmeos haviam postulado que a ocorrência simultânea de depressão e TDAH poderia se dever a riscos genéticos compartilhados. Nesse sentido, fatores de risco em comum poderiam fazer com que algumas pessoas desenvolvessem TDAH e outras depressão. Em contrapartida, o presente estudo buscou distinguir se o próprio TDAH seria fator de risco.

Os dados foram coletados da coorte prospectiva longitudinal “Avon Longitudinal Study of Parents and Children” (ALSPAC). Foram incluídos para análise 8310 indivíduos que foram avaliados para TDAH aos 7 anos de idade usando a subescala de avaliação parental de TDAH do Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ). Os dados sobre depressão foram coletados usando o Short Moods and Feeling Questionnaire (sMFQ) aos 18, 21, 22, 23 e 25 anos de idade. 57% (n=4771) dos participantes tiveram dados de depressão coletados ao menos uma vez nesses 5 períodos.

Para avaliar o efeito do risco genético de TDAH na depressão, dados de genética foram coletados do estudo de genética ampla de indivíduos com ascendência europeia para TDAH e Depressão maior.

Ao todo, 6,4% (n= 530) dos participantes foram diagnosticados com TDAH aos 7 anos e 26,7% tiveram depressão recorrente na idade adulta. Aproximadamente 32,7% daqueles com TDAH na infância tiveram depressão recorrente na idade adulta comparado com 26,5% daqueles sem TDAH. Alternativamente, entre aqueles que tinham depressão recorrente na vida adulta, aproximadamente 7,8% deles tiveram TDAH na infância comparado com 5,9% sem depressão.

O TDAH na infância foi associado com um aumento de risco de depressão recorrente na idade adulta (: OR 1.35, 95% CI 1.05–1.73, p = 0.02). Esses achados se mantiveram ao se controlar para sexo, adversidades na vida, educação materna e depressão materna (OR 1.38, 95% CI 1.07–1.79, p = 0.01).

Análises de randomização mendelianas sugeriram um efeito causal da susceptibilidade genética do TDAH na depressão maior (OR 1.21, 95% CI 1.12–1.31). Porém, análises feitas com definições mais amplas de depressão diferiram, mostrando uma influência fraca no desenvolvimento de depressão (OR 1.07, 95% CI 1.02–1.13).

Como os pesquisadores concluem, as análises longitudinais mostraram que o TDAH é um fator de risco para a depressão na vida adulta e as análises de randomização mendeliana reforçam um efeito causal do TDAH na depressão maior, apesar de que esses resultados variaram conforme a definição de depressão utilizada. Além disso, é importante notar que o TDAH em si não é um fator de risco forte para a depressão na vida adulta e muitos indivíduos desenvolverão depressão por outras razões.

Referencia:

-Riglin, L., Leppert, B., Dardani, C., Thapar, A. K., Rice, F., O’Donovan, M. C., … Thapar, A. (2020). ADHD and depression: investigating a causal explanation. Psychological Medicine, 1–8. doi:10.1017/s0033291720000665

 

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COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

Um dos sintomas que podem estar presente no TDAH e que muitas vezes acaba sendo negligenciado é a impulsividade. Assim como a hiperatividade e a desatenção, a impulsividade também está relacionada a déficits nas funções executivas. Além disso, ela parece se relacionar diretamente com a hiperatividade: os sinais da hiperatividade, como incapacidade de permanecer sentado, também dependem de uma capacidade diminuída de auto regulação e de controle dos impulsos.

Algumas das manifestações da impulsividade são: comportamento agressivo e raiva explosiva, gasto impulsivo de dinheiro, comportamento de risco incluindo comportamento sexual de risco, abuso de substâncias, gasto em jogos de azar e compulsão alimentar.

O descontrole dos impulsos pode ter um impacto negativo na qualidade de vida, podendo se manifestar na infância, adolescência ou idade adulta. Crianças com problemas de controle de impulso tendem a apresentar problemas na escola, tanto no aspecto social quanto acadêmico. Elas podem ter mais risco de se envolver em brigas com os colegas e de não completarem as tarefas escolares.

Ainda que a causa exata da impulsividade não seja bem compreendida, ela se relaciona com alterações químicas no lobo frontal, especialmente no balanço da dopamina.

Além do TDAH, a  impulsividade está presente também em outros transtornos psiquiátricos classificados no DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) como Transtornos Disruptivos, de controle de impulso ou de conduta. Nessa categoria se enquadram o transtorno de conduta e transtorno opositor-desafiador.

Outros transtornos psiquiátricos que podem eventualmente cursar com impulsividade são: bipolaridade, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Doença de Parkinson, abuso de substâncias e Síndrome de Tourette.

Problemas de controle de impulso são mais frequentes no sexo masculino. Porém, existem alguns outros fatores de risco como histórico de abuso, negligência/abuso por parte dos pais na infância ou pais com problemas de abuso de substâncias.

Abaixo seguem algumas dicas de como você pode auxiliar seu filho no controle dos impulsos:

  • Converse com seu médico sobre os problemas do seu filho e busque ajuda. Procurar atendimento com um psiquiatra/psicoterapeuta especialista em crianças pode ser uma boa ideia.
  • Seja um bom exemplo para o seu filho. As crianças tendem a observar e modelar o comportamento dos pais.
  • Estabeleça limites e mantenha sua palavra
  • Estabeleça uma rotina para que o seu filho saiba o que esperar
  • Parabenize seu filho quando ele exibir bom comportamento

E quanto aos adultos?

Adultos com problemas de controle de impulsos podem ter dificuldade de controlar seu comportamento no calor do momento, podendo sofrer com sentimento de culpa e vergonha após o ocorrido. É importante ter alguém em que você confie para conversar sobre suas dificuldades com o manejo dos impulsos. Ter uma válvula de escape, algum meio para se expressar, pode ajudar na hora de trabalhar seu comportamento.

A terapia é uma base central no tratamento. Algumas das opções são:

  • Terapia individual como TCC – terapia cognitivo comportamental
  • Terapia familiar ou de casal
  • Terapia de grupo para adultos
  • Ludoterapia para crianças

Além da psicoterapia, remédios psiquiátricos também podem ser usados, como os estimulantes para o TDAH, antidepressivos e estabilizadores de humor. Nesse caso, é necessária avaliação médica, e o médico poderá ajustar doses e encontrar a medicação mais adequada.

 

Artigo adaptado e traduzido de https://www.healthline.com/health/mental-health/impulse-control

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