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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

ESTRESSE E POLUIÇÃO PODEM CAUSAR DIFICULDADES COGNITIVAS EM CRIANÇAS

ESTRESSE E POLUIÇÃO PODEM CAUSAR DIFICULDADES COGNITIVAS EM CRIANÇAS

 

Um estudo realizado na universidade de Columbia mostrou que crianças com exposição ao estresse precoce e com exposição alta a poluição durante o período pré-natal apresentaram mais problemas de pensamento e de atenção. O estresse precoce é comum em jovens de classe econômica menos favorecida e eles muitas vezes também vivem em áreas com maior poluição do ar.

A poluição do ar tem efeitos negativos na saúde física.Trabalhos recentes têm mostrado também efeitos deletérios na saúde mental. O estresse durante a vida, particularmente o estresse precoce, é um dos maiores contribuidores para problemas de saúde mental. Esse novo estudo é um dos primeiros a examinar os efeitos combinados da poluição atmosférica e do estresse no início da vida em crianças em idade escolar. Os resultados foram publicados no Journal of Child Psychology and Psychiatry.

“ A exposição pré-natal a hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, um neurotóxico comum na poluição atmosférica, parece intensificar ou sustentar os efeitos do estresse social e econômico precoce na saúde mental de crianças”, diz o primeiro-autor David Pagliaccio, PhD e professor assistente de neurobiologia clínica em psiquiatria na Columbia .

“Poluentes atmosféricos são comuns no nosso meio, particularmente nas cidades, e, dado as desigualdades socioeconômicas e a injustiça ambiental, crianças que crescem em circunstâncias menos favorecidas estão em maior risco de experienciar estresse durante a vida e exposição a químicos neurotóxicos”, diz a autora-senior Amy Margolis, PhD e professora assistente de psicologia medica em psiquiatria na Columbia .

Os dados foram coletados de um estudo de coorte longitudinal de nascimento do norte de Manhattan e do Bronx, que inclui muitos participantes que se identificam como afro-americanos ou dominicanos. As mães usavam um monitor de ar durante o terceiro trimestre de gravidez para medir a sua exposição diária a poluentes do ar. Quando seus filhos completavam 5 anos de idade, elas informavam sobre o estresse em suas vidas, incluindo variáveis como a qualidade da vizinhança, dificuldades financeiras, violência doméstica, falta de suporte social e percepção subjetiva de estresse. As mães então reportavam os sintomas psiquiátricos dos seus filhos nas idades de 5, 7, 9 e 11 anos.

Os efeitos combinados da poluição atmosférica e o estresse precoce foram vistos em várias medidas de problemas de pensamento e de atenção/TDAH aos 11 anos de idade. (Problemas de pensamento incluíam pensamentos ou comportamentos obsessivos ou pensamentos excêntricos). Os efeitos também foram relacionados aos níveis de produtos de PAH-DNA- um marcador sensitivo da poluição atmosférica.

Os pesquisadores afirmam que o PAH e o estresse precoce podem servir como um golpe duplo nos circuitos biológicos envolvidos com problemas de atenção e pensamento. O estresse provavelmente leva a mudanças variáveis na expressão epigenética, nos níveis de cortisol, na inflamação e na estrutura e função cerebral. Os mecanismos pelos quais age o PAH ainda são duvidosos, porém as alterações na estrutura e função cerebral sugerem um mecanismo de ação parecido.

Estudos anteriores que analisaram os dados dessa coorte encontraram que a exposição pré-natal a poluentes combinada com as dificuldades maternas aumentava significativamente os sintomas de TDAH nas crianças. Um estudo separado também encontrou que a poluição do ar e a pobreza diminuíam o QI em crianças.

Artigo traduzido e adaptado de https://www.mailman.columbia.edu/public-health-now/news/mix-stress-and-air-pollution-may-lead-cognitive-difficulties-children

Referências:

– Prenatal exposure to polycyclic aromatic hydrocarbons modifies the effects of early life stress on attention and Thought Problems in late childhood
David Pagliaccio  Julie B. Herbstman  Frederica Perera  Deliang Tang  Jeff Goldsmith  Bradley S. Peterson  Virginia Rauh  Amy E. Margolis https://doi.org/10.1111/jcpp.13189


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PESQUISADORES USARAM IMAGENS DO CÉREBRO PARA PREVER O DESENVOLVIMENTO DE TDAH E DE DEPRESSÃO EM CRIANÇAS

PESQUISADORES USARAM IMAGENS DO CÉREBRO PARA PREVER O DESENVOLVIMENTO DE TDAH E DE DEPRESSÃO EM CRIANÇAS

Dentre as áreas do cérebro mais importantes para se entender saúde mental está o córtex pré-frontal, responsável pela regulação da cognição e das emoções.
Atualmente, sabe-se que alterações no padrão de regulação e de conexão neuronal no córtex pré-frontal estão presentes em algumas doenças mentais, como depressão, ansiedade e TDAH. Portanto, identificar alterações no padrão de conexão antes do desenvolvimento dos sintomas poderia ser um marcador de risco para o aparecimento desses transtornos.

Pensando nisso, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley publicaram recentemente um estudo mostrando que, de fato, estudos de neuroimagem poderiam ser uteis para predizer crianças com potencial risco para desenvolver TDAH ou depressão.

Ao todo, 94 crianças de 7 anos de idade participaram do estudo e foram acompanhadas durante 4 anos até os 11 anos de idade, entre 2010 e 2013.

As crianças foram submetidas a um exame de ressonância magnética funcional em repouso e ao questionário “Child behavior checklist” ou CBCL, um questionário respondido pelos pais que avalia diversos aspectos do comportamento infantil.

Ao final do estudo, os pesquisadores avaliaram a evolução das imagens e do questionário e puderam encontrar uma associação entre os padrões de conexão neuronal na ressonância aos 7 anos de idade e os sintomas de atenção ou depressão aos 11 anos.

Como os pesquisadores ressaltam, esses achados estendem o uso da neuroimagem na identificação de risco de psicopatologias para uma amostra de crianças mais representativa da população, uma vez que a maioria das crianças (77) não apresentava risco conhecido para desenvolver psicopatologias.

É importante lembrar, contudo, que a conectividade funcional no estado de repouso, apesar de refletir ativações habituais da rede neural, pode ser remodelada por intervenções comportamentais e farmacológicas de longo prazo e até breves. Isso torna os achados mais promissores, visto que a identificação de crianças com risco poderia indicar estratégias de intervenção com verdadeiro potencial preventivo.

 

Referência:
Association of Intrinsic Brain Architecture With Changes in Attentional and Mood Symptoms During Development

Susan Whitfield-Gabrieli, PhD1,2,3; Carter Wendelken, PhD1,4; Alfonso Nieto-Castañón, PhD2; et alStephen Kent Bailey, PhD5; Sheeba Arnold Anteraper, PhD2,3; Yoon Ji Lee, BA2; Xiao-qian Chai, PhD6; Dina R. Hirshfeld-Becker, PhD7; Joseph Biederman, MD7,8; Laurie E. Cutting, PhD5; Silvia A. Bunge, PhD1 JAMA Psychiatry. Published online December 26, 2019. doi:10.1001/jamapsychiatry.2019.4208


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ATENÇÃO: O APLICATIVO FOCUS VAI MUDAR!

ATENÇÃO: O APLICATIVO FOCUS VAI MUDAR!

Vem aí uma boa novidade para 2020. Estamos trabalhando em uma nova versão do aplicativo FOCUS. Uma versão mais eficiente. Uma versão melhor.
Para ter acesso a essas melhorias, contudo, será necessário baixar a nova versão! Mas não se preocupe: vamos enviar uma mensagem aos usuários para que baixem a nova versão quando estiver disponível.
Enquanto isso aproveite o nosso app na versão atual! Aos pouco traremos mais informações.


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OS ÓLEOS DE ÔMEGA-3 AUMENTAM A ATENÇÃO TANTO QUANTO OS MEDICAMENTOS PARA O TDAH EM ALGUMAS CRIANÇAS

OS ÓLEOS DE ÔMEGA-3 AUMENTAM A ATENÇÃO TANTO QUANTO OS MEDICAMENTOS PARA O TDAH EM ALGUMAS CRIANÇAS

Os suplementos de óleo de peixe ômega-3 podem melhorar a atenção em crianças com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) tanto quanto os tratamentos com medicamentos, mas apenas naqueles cujos níveis sanguíneos de ômega-3 são baixos, mostraram resultados de testes de um estudo publicado há duas semanas.

Pesquisadores da Grã-Bretanha e Taiwan que conduziram o estudo disseram que suas descobertas sugerem que uma abordagem de “medicina personalizada” deve ser adotada nesta e em outras condições psiquiátricas.

A literatura mostra que o déficit de ômega-3 e de outros ácidos graxos essenciais parece ter correlação com a patogênese do TDAH e que muitos pacientes com TDAH tem níveis sanguíneos mais baixos desses elementos.

“Os suplementos de ômega-3 só funcionavam em crianças com níveis mais baixos de EPA (ácido eicosapentaenóico) no sangue, como se a intervenção estivesse repondo a falta desse nutriente importante”, disse Carmine Pariante, professor do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência no King’s College London, que co-liderou o estudo.

Ele disse que o trabalho estabelece um precedente para outras intervenções nutricionais e pode ser o começo de “trazer os benefícios da ‘psiquiatria personalizada’ para crianças com TDAH”.

O TDAH é uma condição cerebral comum que afeta entre 3% e 7% das pessoas em todo o mundo. Os sintomas podem incluir problemas de atenção e impulsividade que causam dificuldades nas relações acadêmicas, profissionais e pessoais.

Neste estudo, publicado na revista Translational Psychiatry, pesquisadores da King’s e da China Medical University, em Taiwan, conduziram um ensaio clínico randomizado com 92 crianças de 6 a 18 anos com TDAH. Os principais desfechos analisados foram atenção focada, impulsividade, atenção sustentada e vigilância.

As crianças receberam altas doses do ácido graxo ômega-3 EPA, ou um placebo, por 12 semanas e tiveram seus níveis de ácidos graxos sanguíneos medidos antes e após o tratamento.

Os resultados mostraram que a suplementação de ômega-3 melhora a atenção focada em relação ao placebo. O benefício é ainda mais marcante em crianças com os níveis mais baixos de EPA no sangue, que apresentaram melhorias na atenção focada e vigilância.

A equipe de Pariante disse que, embora a quantidade de melhoria na atenção e vigilância do metilfenidato (ritalina) seja geralmente de 0,22 a 0,42, o efeito observado em crianças com baixos níveis de EPA no estudo foi maior – 0,89 para atenção concentrada e 0,83 para vigilância.

Mas em crianças com níveis normais de EPA, os suplementos de ômega-3 não melhoraram, e naqueles com alto nível de EPA, os suplementos tiveram efeitos negativos nos sintomas de impulsividade.

Os cientistas alertaram que os pais não devem dar aos filhos suplementos de óleo de peixe sem consultar primeiro um médico e enfatizaram que os níveis de ômega-3 podem ser verificados com um exame de sangue.

Traduzido com adaptações de artigo publicado por Kate Kelland em 19 de novembro de 2019, no site reuters.com

 

Comentários do Professor Luis Augusto Rohde coordenador do PRODAH da UFRGS/HCPA:

A questão da associação de baixos níveis de ômega-3 com TDAH é controversa, com algumas meta-análises (estudos que sintetizam o efeito do ômega-3 em todos os estudos sobre o assunto) mostrando resultados positivos e outros negativos. O estudo é interessante porque mostra que essa associação pode se dar apenas num grupo de pacientes com TDAH. Como é um primeiro estudo, precisa ser replicado para termos ideia mais solida da validade clínica da suplementação em pacientes com baixos níveis de ômega-3 e TDAH. O efeito do metilfenidato na atenção tende a ser maior do que o apontado pelos pesquisadores no comentário sobre o artigo.

 

Referências:


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CHEGARAM AS PROVAS FINAIS: COMO AJUDAR SEU FILHO A SE PREPARAR?

CHEGARAM AS PROVAS FINAIS: COMO AJUDAR SEU FILHO A SE PREPARAR?

 

Os mais de 20 anos trabalhando com crianças e adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) nos ensinaram que essa é uma hora crucial para as famílias. Chegou dezembro, e com ele, as provas finais. Os alunos com TDAH procrastinam, empurram com a barriga, esperando, mesmo sem saber, que o estresse desencadeie a liberação de um neurotransmissor excitatório – a noradrenalina – numa área específica do cérebro, o córtex pré-frontal.  Esse neurotransmissor é um dos responsáveis por estimular as funções executivas.

Essa descarga coloca os portadores de TDAH em ação! Algo que para acontecer depende, em muitos casos, dessa descarga, ou de muita motivação. Nessa última situação, pela liberação no córtex pré-frontal de um outro neurotransmissor, a dopamina. O TDAH, assim como a maioria dos transtornos mentais, é uma condição dimensional na população. Ou seja, mesmo sem o diagnóstico pleno, muitas pessoas têm algumas características do transtorno. Logo, o planejamento de como estudar e como enfrentar os testes finais é algo relevante também para crianças e adolescente sem qualquer diagnóstico psiquiátrico!

Uma palavra de cautela para quem nos acompanha nessa coluna. Buscamos sempre discutir e informar com base em evidência científica. Infelizmente, essa é uma área, onde existem muito poucos estudos comparativos entre estratégias para enfrentar a situação. Frente a urgência, vamos ao que a experiência clínica e o bom senso sugerem.

 

Passo 1:  estudando para os testes finais

A máxima inicial não vale aqui! “Estude com antecedência e regularmente” fica para uma próxima vez. Mas não adianta fugir, como o “diabo da cruz”. Estudo continuado e sequencial, ao invés do massivo de última hora, ainda é a estratégia que parece dar o melhor!

– Selecione o material necessário para o estudo. Isso muitas vezes pode significar ter que entrar em contato com aquele (a) colega que tem tudo organizado, ou com a mãe dele (a), para solicitar esse material. Muitas vezes, o bom é inimigo do ótimo! Procure selecionar o essencial para a preparação da prova, e não todos os livros, temas e cadernos da matéria;

– Organize o espaço de estudo mantendo-o livre de distratores. Não tem jeito: você terá que convencer o seu filho(a) que ele terá que ficar sem o celular nesse momento e o computador só poderá ser usado para a procura de conteúdo relacionado ao estudo. Escolha um ambiente calmo, longe de janelas e outros distratores;

– Programe a matéria a estudar. Definido qual o conteúdo da prova, faça um roteiro dos tópicos a estudar. Determine e registre com seu filho o tempo para cada tópico;

– Faça intervalos. Embora não pareça existir evidência clara para a alegação popular de que os jovens não conseguem manter mais do que 10-15 minutos de atenção continuada, dividir o tempo de estudo em unidades de cerca de 30 minutos pode ser uma estratégia interessante, ainda mais se seu filho (a) já tiver alguma dificuldade atencional;

– Determine um tempo de estudo razoável. Mesmo que ele (a) tenha pego inúmeras recuperações, maratonas de estudo tendem a ser pouco eficazes. Turnos de não mais do que 2-3 horas, em casos de máxima necessidade, sempre com intervalos regulares tendem a ser o máximo tolerável;

– Pratique com provas anteriores. A pouca evidência existente na área indica que fazer provas de anos anteriores ou qualquer teste sobre o conteúdo da prova é disparado a melhor estratégia para estudar. Aqui há uma vantagem adicional. Permite ajudar o (a) seu/sua filho (a) a reconhecer quais os tópicos que ele (a) já sabe e quais ele (a) precisa estudar mais, ajudando-o (a) a se concentrar nesses últimos;

– Peça para ele (a) lhe explicar o que entendeu da matéria estudada. Esse exercício de resumir e recontar o conteúdo verbalmente ajuda alguns jovens a memorizar melhor os conteúdos estudados.

 

Passo 2:  antes dos testes

– O sono na noite anterior à prova é fundamental. Vários estudos mostram que o sono adequado é essencial para a consolidação de dados armazenados na memória de trabalho. Essa é a memória similar a memória RAM do computador, ou seja, aquela que vai manter todas as informações online que seu/sua filho (a) vai precisar para responder às questões das provas.

Se ele (a) tem dificuldade de dormir quando tem um evento importante no dia seguinte, prepare-o (a) para situação. Isso pode envolver medidas de higiene do sono, ou até mesmo uso de um indutor do sono. Mas nunca use qualquer substância com a qual ele (a) não tenha tido experiência prévia!

– Uma alimentação saudável antes dos testes é fundamental. As crianças não devem ir para provas sem ter comido nada, para evitar episódios de hipoglicemia, mas deve-se evitar refeições muito pesadas para que não fiquem sonolentos.

 

Passo 3:   fazendo os testes finais

– Evite distrações. Se o espelho de classe não estiver rigidamente definido, converse com seu filho (a), estimulando-o (a) a escolher um lugar calmo, longe de distrações, como janelas, e longe de colegas barulhentos ou que o (a) atrapalhem;

– Uma perspectiva positiva sempre ajuda! Nos momentos antes das provas, ensine ele (a) a respirar fundo algumas vezes e a visualizar-se fazendo as provas, respondendo às questões e recebendo um resultado positivo da prova. Parece bobo, não? A experiência clínica sugere, entretanto, que, muitas vezes, somos tomados antes das provas por ansiedade de desempenho e inúmeros pensamentos disfuncionais negativos, do tipo: “não sei nada, não estudei o suficiente, vou me ralar”. Esse “estado de espírito” afeta claramente a nossas funções executivas;

– Ajude-o (a) a avaliar o teste de uma forma global. São quantas questões? Qual o tempo total que ele (a) tem? Ele (a) deve determinar o tempo médio por questão. É útil ter um cronometro durante os testes, mas ele deve ser usado de forma racional, ou seja, cuidado para ele trabalhar a favor do seu/sua filho (a). Ajuda-lo (a) a organizar o tempo sem aumentar a sua ansiedade. Ao ler cada questão, ele (a) deve avaliar se essa é uma questão que para ele (a) é difícil ou fácil. Para as fáceis, deve determinar um tempo menor que o médio para resolvê-las e para as difíceis um tempo maior do que o médio. O tempo exato vai depender do tempo total e do número de questões;

– Lembre ele (a) de ler cada questão duas vezes e, acima de tudo, sublinhar a solicitação central de cada questão;

– Estimule-o (a) a não seguir a ordem do teste. Ele (a) deve resolver todas as questões que têm certeza antes. Marcar com um ”D” as que considera difíceis e com “SD” de superdifíceis, as que não tem a menor ideia da resposta. Deve resolver as difíceis antes das superdifíceis, usando as estratégias acima. Para todas as superdifíceis, marcar a mesma letra, em caso de provas objetiva. Preferencialmente, a letra menos frequente nas respostas para as perguntas que ele (a) tem certeza. Se a prova penaliza resposta erradas, deixar essas sem resposta;

– Insista que ele (a) seja o (a) último (a) a entregar a prova. Não há qualquer prêmio para quem entrega a prova antes! Revisar com cuidado as respostas. Mas, após uma análise cuidadosa, ficar com a resposta que ele (a) considera certa. Ou seja, retirada a possibilidade de erro de atenção por não ter lido com cuidado a questão, acreditar nele (a) próprio (a)! Alguns estudos sugerem que a troca de resposta nessas condições leva a maior chance de erro do que de acerto, ou seja, a primeira impressão é a que vale!

O mais importante é customizar as dicas acima ao estilo do (a) seu/sua filho (a) ou as características dele (a). Pode ter certeza de que nem todas funcionam para todo mundo, mas muitas delas vão ajudá-lo (a) nesse fim de ano.

Fonte:
Luis Augusto Rohde
Professor titular de psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Professor da pós-graduação em psiquiatria na universidade de São Paulo

Matéria publicada na revista Veja em 5 de dezembro de 2019.
https://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/chegaram-as-provas-finais-como-ajudar-seu-filho-a-se-preparar/

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PADRÕES CEREBRAIS PODEM PREVER SINTOMAS DO TDAH?

PADRÕES CEREBRAIS PODEM PREVER SINTOMAS DO TDAH?

Quais sintomas seu filho manifestará no Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)? Quais problemas e até benefícios você encontrará pela frente? É possível prever este quadro? Um novo estudo afirma que sim.

Padrões cerebrais foram identificados por pesquisadores1 a partir de imagens por ressonância magnética (MRI), usadas em conjunto com dados comportamentais e demográficos. Estas informações foram capazes de prever sintomas específicos do TDAH em crianças.

O autor do estudo, o professor Tim Silk, da Faculdade de Psicologia da Deakin University, disse que compreender o funcionamento do transtorno no cérebro é fundamental para melhorar o tratamento da desordem2.

“Ainda não sabemos quais são os mecanismos do TDAH, mas fica claro que o transtorno não está isolado em uma ou duas áreas do cérebro”, afirmou Silk.

O trabalho foi publicado no American Journal of Psychiatry. Os pesquisadores, do The Children’s Attention Project3, examinaram os scanners de MRI de 160 crianças australianas, entre nove e doze anos de idade. Eles identificaram quatro “perfis cerebrais”, que poderiam indicar sintomas específicos do TDAH.

As descobertas sugerem que determinados sintomas do TDAH podem ter origem em áreas específicas do cérebro.

No estudo, 70 das crianças participantes tinham sido diagnosticadas com TDAH. Destas, 23 estavam tomando medicamentos para o transtorno. Para avaliar os sintomas, cada participante passou por uma avaliação de três horas e meia, que incluía um exame de cognição, um questionário para as crianças e outro para os pais.

Utilizando estas ferramentas, juntamente com os scanners, os pesquisadores chegaram a quatro “padrões cerebrais”, definidos a partir de perfis comportamentais e dados demográficos específicos. Eles utilizaram estas informações para prever sintomas em diferentes grupos de crianças:

– Desenvolvimento

Crianças menos maduras, em termos de desenvolvimento, apresentaram mais chances de se tornarem hiperativas e receberem medicamentos por parte dos médicos.

É comum uma diferença na chamada “idade do cérebro” em pacientes com TDAH, que apresentam um atraso no desenvolvimento em comparação a crianças sem o transtorno.

– Hiperatividade masculina

Crianças neste grupo apresentaram um perfil clínico que incluía maior hiperatividade, além de uma pontuação mais alta em sintomas de TDAH. Ainda, mais chances de apresentarem problemas de relacionamento e manifestarem desordens relacionadas.

Este perfil foi mais comum entre meninos na passagem da infância para a adolescência (pré-púberes).

Especificamente, o papel do fascículo longitudinal superior, uma fibra que une os lobos frontal, parietal e occipital (também chamado de fascículo arqueado), aparecia como relevante na previsão de sintomas de hiperatividade.

Este perfil também foi associado a notas mais baixas na escola, mais dificuldade dos pais em disciplinarem a criança e aumento de situações estressantes.

– Performance Cognitiva

Este padrão foi associado a dificuldades cognitivas, aumento na irritabilidade e redução de hiperatividade.

Um componente ambiental também foi associado a este perfil. Fatores como educação deficiente por parte dos pais, nicotina na gravidez, peso no nascimento e até mesmo status socioeconômico podem ter contribuído nesta queda cognitiva.

– Tamanho da cabeça

Um volume intracraniano maior foi associado com o sexo masculino. Este perfil apresentou melhoria na performance em leitura e matemática.

Este padrão apoia a hipótese da relação entre tamanho do cérebro, habilidade cognitiva e resultados escolares.

É importante dizer que este perfil não estava fortemente ligado aos sintomas de TDAH, mesmo que haja estudos apontando que pacientes de TDAH possam ter cérebros menores.

“Diferenças na estrutura cerebral podem originar mudanças no funcionamento das redes responsáveis pela função cognitiva, além de processos motores e sensoriais”, explicou o Silk4.

“Avanços recentes na análise de scanners de ressonância magnética nos permitem examinar estas variações através dos tipos de tecidos e dos diferentes indivíduos”, argumentou o professor.

Ele também disse que o objetivo final de sua pesquisa era avaliar se exames de imagem seriam capazes de prover informações objetivas tanto para ajudar no diagnóstico do TDAH quanto para colaborar nos tratamentos.

É importante acrescentar que nenhum marcador biológico pode detectar o TDAH atualmente. O diagnóstico deve ser feito por um médico ou profissional de saúde especializado. O transtorno é tratado com medicamentos, estratégias comportamentais e aconselhamento.

Fontes:

1 GARETH B. et al., 2018. Multimodal Structural Neuroimaging Markers of Brain Development and ADHD Symptoms. The American Journal of Psychiatry. 2018 Sep 17. doi: https://doi.org/10.1176/appi.ajp.2018.18010034. Disponível em: https://ajp.psychiatryonline.org/doi/10.1176/appi.ajp.2018.18010034 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

2 STUDY: NEUROIMAGING PATTERNS PREDICT PINPOINTED ADHD SYMPTOMS. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/neuroimaging-adhd-brain-development . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

3 THE CHILDREN’S ATTENTION PROJECT. MURDOCH CHILDREN’S RESEARCH INSTITUTE. Disponível em: https://www.mcri.edu.au/research/projects/children’s-attention-project . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

4 BRAIN SCANS REVEAL COMMON PATTERNS CAN PREDICT VARIATIONS IN ADHD. MEDICALXPRESS. Disponível em: https://medicalxpress.com/news/2018-09-brain-scans-reveal-common-patterns.html . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

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EXCESSO DE MEDICAÇÃO PARA TDAH? Novas Estatísticas Apontam O Contrário Na Inglaterra… E No Brasil?

EXCESSO DE MEDICAÇÃO PARA TDAH? Novas estatísticas apontam o contrário na Inglaterra… E No Brasil?

Poucas crianças estão recebendo tratamento adequado para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) na Inglaterra, especialmente meninas.

O jornal The Guardian divulgou1 dados que contrariam o senso comum da população, de que medicações para o TDAH estariam sendo prescritas em demasia pelos médicos.

Os números, pedidos especificamente pelo jornal através do Freedom of Information Act, apontam que, entre 2017 e 2018, 61 mil meninos entre 6 e 17 anos tomaram medicamentos para o transtorno naquele país – algo como 1,5% dos meninos nesta idade. Contudo, o número médio de crianças diagnosticadas com TDAH no mundo é de 5,3%.2

Os números obtidos pelo The Guardian afirmam que a quantidade de meninas que receberam a prescrição é menor: 0,35% das garotas entre 6 e 17 anos tomaram medicações. Ainda, das quase 75 mil crianças que receberam prescrição de remédios para TDAH na Inglaterra, naquele período, apenas 18% eram meninas.

Apesar de estudos em crianças tipicamente mostrarem uma preponderância masculina no TDAH, acredita-se que este predomínio seja resultado de subdiagnóstico nas garotas, devido aos diferentes sintomas sofridos pelas meninas, argumenta o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) em seu guia Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management3.

Tony Lloyd, chefe-executivo da ADHD Foundation afirma que eles reconhecem que o transtorno é subdiagnosticado e submedicado na Inglaterra. Lloyd acrescenta que, no passado, garotos eram mais comumente enviados aos médicos, porque eram eles que geravam problemas em sala de aula.

“Isso ocorria por causa da hiperatividade”, disse Lloyd. Uma década atrás, a relação de casos de TDAH era de quatro meninos para cada menina. Atualmente, com uma compreensão mais precisa de como o transtorno age nas meninas, a relação caiu para 2,8 meninos para cada menina, explica ele ao The Guardian.

Mas, os números de crianças recebendo medicamentos ainda é baixo, concluiu Lloyd. “Eu só consigo explicar isso através da combinação de estigmas e poucos recursos sobre a saúde mental das crianças. As listas de espera para os tratamentos também colaboram e podem levar de um a dois anos para que a criança receba alguma ajuda.”

No Brasil, a situação não é muito diferente.

Luis Augusto Rohde, Coordenador-Geral do Programa de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) do Hospital de Clinicas de Porto Alegre, afirma que, também no Brasil, não erramos pelo excesso, mas sim pela falta de diagnósticos4.

“Em termos de saúde pública, não existe no Brasil problema de superdiagnóstico e supertratamento”, diz o médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência. O Brasil tem 47 milhões de crianças e adolescentes de 6 a 18 anos; uma média de 5% deles teria o transtorno, explica Rohde. Isso seria 2,35 milhões de crianças. “Não temos mais do que 100 mil crianças usando a medicação”, estima o especialista.

O psiquiatra Guilherme Polanczyk, professor de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, diz que as questões de saúde mental são subdiagnosticadas em qualquer país do mundo.

Mas, a situação é ainda mais frequente em crianças. “O reconhecimento de problemas mentais em crianças é recente, vem da década de 50 do século passado. Em todo o mundo, o número de profissionais treinados e especializados em psiquiatria infantil ainda é reduzido. Consequentemente, ainda há poucos serviços públicos e privados capazes de acolhê-las. Aliado aos preconceitos e estigmas, o resultado é que muitas vezes, quem não tem TDAH é diagnosticado com o problema; e quem tem pode ficar anos sem tratamento correto”, esclarece o psiquiatra.

1 TOO FEW CHILDREN RECEIVING TREATMENT FOR ADHD, FIGURES SUGGEST. THE GUARDIAN. Disponível em: https://www.theguardian.com/society/2018/oct/05/too-few-children-receiving-treatment-for-adhd-figures-suggest . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

2 MATTOS P et al., 2012. ADHD is undertreated in Brazil. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.34 no.4 São Paulo Dec. 2012. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbp.2012.04.002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000400023 . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

3 ATTENTION DEFICIT HYPERACTIVITY DISORDER: DIAGNOSIS AND MANAGEMENT. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng87/resources/attention-deficit-hyperactivity-disorder-diagnosis-and-management-pdf-1837699732933 . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

4 A ERA DA DESATENÇÃO. FOLHA DE SÃO PAULO. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il3005201004.htm . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

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CAFEÍNA E TDAH: Devo Evitar Ou Tormar?

CAFEÍNA E TDAH: Devo evitar ou tormar?

Pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm diferenças químicas e físicas no cérebro1, que podem levar a uma variedade de sintomas, como falta de atenção hiperatividade e impulsividade. Para controlar estes sintomas, o tratamento mais comum é a prescrição de medicações estimulantes. Estes medicamentos são comprovadamente capazes de melhorar o foco, a atenção e o comportamento impulsivo.

A partir disso, o raciocínio lógico seria: se estimulantes ajudam em tudo isso, tomarei mais café, o mais consumido estimulante no mundo, certo?

Não necessariamente.

Alguns estudos analisaram o efeito da cafeína nos sintomas de TDAH, mas os resultados foram conflitantes. Mesmo que a cafeína seja um estimulante, não é geralmente recomendada como um tratamento para o TDAH, porque não há provas científicas de sua eficiência.

– Os efeitos da cafeína são muito mais intensos e rápidos do que os efeitos da medicação.
– O poder da cafeína vai diminuindo ao longo do tempo e quantidades mais altas de café seriam necessárias para obter o mesmo resultado.
– É preciso manter em mente que muitos alimentos e bebidas têm variadas quantidades de cafeína. Entre o consumo de café, chá ou chocolate, como você conseguiria estipular a quantidade de estimulantes que consumiu durante o dia? Missão quase impossível, o que é um tanto quanto arriscado quando falamos em termos de tratamento.2

Como funcionam os estimulantes?

Estimulantes, incluindo a cafeína, aumentam a quantidade de químicos utilizados pelo seu cérebro para enviar sinais. Um destes é a dopamina, que está relacionada ao prazer, à atenção e ao movimento – e cujos níveis no cérebro do paciente com TDAH são mais baixos.

Por isso, quando você é diagnosticado com TDAH, os médicos frequentemente prescrevem estimulantes para que você fique mais tranquilo e focado. Alguns pesquisadores acreditam que o café teria o mesmo poder, já que a cafeína do chá é capaz de melhorar o estado de alerta e a concentração.3

Cafeína com medicação

Quando você combina cafeína com medicação estimulante, você tem o chamado efeito sinérgico. A sinergia acontece quando duas drogas têm mecanismos de ação aditivos, tornando seu efeito mais poderoso – o que não é necessariamente bom. A cafeína pode tornar a medicação mais eficiente sim, mas os efeitos colaterais podem ser maiores.

Para algumas pessoas, a cafeína pode colaborar no ajuste dos níveis de dopamina. Para outras, adicionar mais estimulantes à dieta pode elevar demais os níveis de dopamina, gerando agitação, ansiedade, dores de cabeça, irritabilidade, insônia etc.4
O que nos leva à grande cautela que você, pai ou mãe, precisa ter:

Cafeína para crianças?

Especialistas não recomendam a ingestão de cafeína por crianças, especialmente se estão tomando medicação para o TDAH. Crianças são mais vulneráveis aos efeitos colaterais da cafeína, que também pode afetar o desenvolvimento cerebral na fase de crescimento.

Crianças com TDAH, geralmente, têm mais problemas para dormir e para se manterem alertas durante o dia. A cafeína será uma inimiga nesta questão, potencializando ambos os problemas.

Usar a cafeína durante o tratamento do TDAH é algo que apenas o seu médico pode avaliar. De acordo com a The Academy of Nutrition and Dietetics, a maioria das crianças já consome cafeína em excesso, através dos refrigerantes. Uma lata de Coca-Cola, de 350ml, tem aproximadamente 35mg de cafeína.2

O Governo Brasileiro não estipulou um limite diário para o consumo da substância, tampouco o norte-americano. Os dados que utilizamos no Brasil vieram do Governo do Canadá, que determina os seguintes valores: 45mg diárias para crianças entre 4 e 6 anos, 62mg para crianças entre 7 e 9 anos, 85mg para crianças entre 10 e 12 anos.5

Não vamos esquecer, é claro, das altas doses de açúcar nos refrigerantes – uma única lata, com seus 40g de açúcar, já excede o limite diário até dos adultos.

1 NEUROBIOLOGY. SHIRE ADHD INSTITUTE. Disponível em: https://adhd-institute.com/burden-of-adhd/aetiology/neurobiology/ . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

2 WHAT EFFECT DOES CAFFEINE HAVE ON PEOPLE WITH ADHD?. MEDICAL NEWS TODAY. Disponível em: https://www.medicalnewstoday.com/articles/315169.php . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

3 CAFFEINE AND ADHD. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/adhd-caffeine . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

4 HOW DOES CAFFEINE AFFECT ADHD?. HEALTHLINE. Disponível em: https://www.healthline.com/health/adhd/caffeine . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

5 CAFÉ: OS LIMITES E OS RISCOS DE CONSUMIR EM EXCESSO. ÉPOCA. Disponível em: https://epoca.globo.com/saude/check-up/noticia/2017/06/cafe-os-limites-e-os-riscos-de-consumir-em-excesso.html . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

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APLICATIVO AUMENTA A ADESÃO AO TRATAMENTO E PERMITE MELHOR CONTROLE DOS SINTOMAS DO TDAH, Indica Estudo

APLICATIVO AUMENTA A ADESÃO AO TRATAMENTO E PERMITE MELHOR CONTROLE DOS SINTOMAS DO TDAH, indica estudo

A adesão ao tratamento é um dos principais problemas enfrentados por pacientes com doenças crônicas. Cerca de 25% das prescrições recebidas por esses pacientes são simplesmente ignoradas e não são convertidas em busca da medicação ou implementação do tratamento proposto, seja por preconceito, falta de informação ou acesso. A maioria dos pacientes não relata essa informação ao seu médico. (20 –23) Outro aspecto que impacta negativamente a adesão ao tratamento é a inexistência de sintomas claros e perceptíveis para o paciente. (24, 25) Este é o caso do TDAH, apesar de seu significativo impacto negativo e alta eficácia e segurança do tratamento, o abandono do paciente após um ano pode chegar a 87%. (26) Os prejuízos associados a esta baixa adesão são graves, tanto para pacientes com TDAH como para sociedade como um todo.

Especialistas indicam que seis pilares compõem o modelo de adesão ao tratamento: suporte à decisão, design do sistema de entrega, sistemas de informações clínicas, apoio familiar e de autogestão, recursos e políticas comunitárias e organizações de cuidados de saúde. (27, 28) Se o tratamento geral dos sintomas do TDAH tiver sido bem-sucedido, os planos de tratamento podem precisar ser adaptados para atingir os problemas residuais existentes. Ou ainda, se o tratamento tiver sido ineficaz, então os planos de tratamento podem precisar ser adaptados para se concentrar em outras deficiências. (29) Ou seja, os pacientes diagnosticados com TDAH que recebem tratamento de longo prazo devem ser periodicamente reavaliados pelos profissionais de saúde. Os objetivos do tratamento podem mudar ao longo do tempo, ou um tratamento pode não ser bem tolerado, o que implica em uma tomada de ação rápida. Portanto, para garantir que os objetivos do tratamento estão adequados às necessidades do indivíduo e estágio de desenvolvimento, esses pacientes devem receber suporte e avaliação contínuos (30).

Recentemente, pesquisadores israelenses (31) avaliaram, em um estudo randomizado,  a utilização de um aplicativo de celular que permitia uma comunicação mais frequente entre médicos e familiares de pacientes com TDAH e um monitoramento mais contínuo do tratamento. No total, 39 crianças foram randomizadas em dois grupos: no primeiro, as crianças e seus pais foram convidados a utilizar o aplicativo proposto. O segundo foi o grupo controle, sem uso do app. As variáveis observadas foram: adesão, através da contagem de pílulas, e avaliação clínica, no início do estudo, depois de 4 semanas e finalmente após 8 semanas. Ao final do estudo, os pacientes que utilizaram o aplicativo mostraram-se mais aderentes ao tratamento, assim como com melhores resultados clínicos alcançados quando avaliados pela CRS (Clinical Rating Scale).

O estudo apresentou algumas limitações, como o curto período de acompanhamento e baixo número de pacientes. Isso pode explicar o fato de que a redução dos sintomas não teve diferença estatística entre os grupos quando analisados através da CGI (Clinical Global Impression Scale) e da ADHD-RS (ADHD Rating Scale). Segundo os autores, outra limitação do estudo foi o fato de que apenas 61,5% das crianças e pais, inicialmente incluídos no estudo, completaram as três visitas programadas. A taxa de abandono relativamente elevada vai em consonância com a prática clínica de que muitos pais de crianças com TDAH tendem a não aderir a consultas regulares de acompanhamento. Esse fato reforça a necessidade de desenvolver outros meios para o monitoramento remoto e gestão de crianças com TDAH, como um aplicativo móvel de saúde (mHealth) especificamente desenhado a esse perfil de paciente.

A conclusão deste estudo é que o uso de aplicativos mobile para TDAH pode sim ter um impacto significativo de promover melhor adesão ao tratamento, assim como controle dos sintomas.

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Para nós do FOCUS TDAH esta publicação reforça nossa dedicação e crença de que estamos no caminho certo. Podemos, sim, desenvolver colaborativamente uma aplicação efetiva na promoção à saúde mental, através da adesão, educação, engajamento e empoderamento de pacientes e seus familiares, permitindo que médicos e outros profissionais de saúde tenham a sua disposição produtos e serviços que auxiliem a tomada de decisão e aumente a adesão ao tratamento e às consultas. Faça parte do Movimento FOCUS TDAH.

Mais informações sobre o TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico e estrutural do cérebro, caracterizado pela presença dos sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. (1,2,3). Apesar de desconhecida, tem como causa alta correlação genética, bem como algumas questões ambientais, como baixo peso ao nascer, tabagismo na gestação, entre outros. (4,5,6) O transtorno acomete aproximadamente 5% da população mundial (7, 12 8). O diagnóstico é exclusivamente clínico e geralmente ocorre na infância, mantendo-se presente ao longo da vida. (9) Algo que poucos sabem é que o TDAH em Adultos não é necessariamente uma continuação da infância, mas pode surgir depois da idade adulta sem histórico prévio. (10). Ou seja, TDAH não é só coisa de criança. A presença do TDAH está associada a uma série de prejuízos funcionais que causam impactos significativos ao longo da vida: dificuldades de aprendizagem e disfunção executiva (tomada de decisão, planejamento, organização, etc.); desregulação emocional e prejuízos na construção e manutenção de relacionamentos sociais e afetivos; maiores chances de divórcio; menor autoestima; ideação suicida, e mesmo o suicídio; maior risco de delinquência; criminalidade; encarceramento; tabagismo e uso de drogas; pior desempenho escolar/acadêmico e na vida profissional, incluindo maiores chances de desemprego; maior rotatividade profissional e menor status sócio econômico; gravidez indesejada; maior risco de acidentes de trânsito e de morte prematura (11 – 13); menor auto estima; pior qualidade de vida; morbidade persistente (14 –17) e risco elevado de mortalidade. (18, 19)

 

Fontes:

  1. Volkow ND, et al. Depressed Dopamine Activity In Caudate And Preliminary Evidence Of Limbic Involvement In Adults With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. Arch Gen Psychiatry 2007; 64: 932-940.
  2. Volkow N, et al. Evaluating Dopamine Reward Pathway In ADHD. JAMA 2009; 302(10): 1084-1091.
  3. Hart H, et al. Meta-Analysis Of Functional Magnetic Resonance Imaging Studies Of Inhibition And Attention In Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: Exploring Task-Specific, Stimulant Medication, And Age Effects. JAMA Psychiatry. 2013; 70: 185-98.
  4. Burt SA. Rethinking environmental contributions to child and adolescent psychopathology: A meta-analysis of shared environmental influences. Psychol Bull 2009135: 608-637.
  5. Todd RD & Huang H, et al.Collaborative analysis of DRD4 and DAT genotypes in population-defined ADHD subtypes. J Child Psychol Pschiatry 2005 46: 1067-1073.
  6. Biederman, Joseph & V Faraone, Stephen. (2005). Biederman J, Faraone SV. Attention-deficit hyperactivity disorder. Lancet 366: 237-248. Lancet. 366. 237-48. 10.1016/S0140-6736(05)66915-2.
  7. ROHDE, Luis Augusto et al . Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 22, supl. 2, p. 07-11, Dec. 2000 .  Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600003&lng=en&nrm=iso. access on 20 Oct. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462000000600003.
  8. Kooij SJ, Bejerot S, Blackwell A, Caci H, Casas‐Brugue M, Carpentier PJ et al. European consensus statement on diagnosis and treatment of adult ADHD: the European Network Adult ADHD. BMC Psychiatry 2010;10:67.
  9. Polanczyk G, de Lima MS, Horta BL, et al: The worldwide prevalence of ADHD: a systematic review and metaregression.
  10. Caye A, et al. JAMA Psych doi:10.1001/jamapsychiatry.2016.0383 Published online May 18 2016
  11. Sergeant JA. Modeling attention-deficit/hyperactivity disorder: a critical appraisal of the cognitive-energetic model. Biol Psychiatry. 2005 Jun 1;57(11):1248-55. Epub 2004 Nov 23. Review. PubMed PMID: 15949995.
  12. Pennington BF, Ozonoff S. Executive functions and developmental psychopathology. J Child Psychol Psychiatry. 1996 Jan;37(1):51-87. Review. PubMed PMID: 8655658.
  13. Faraone, S. V. et al. (2015) Attention-deficit/hyperactivity disorder Nat. Rev. Dis. Primers doi:10.1038/nrdp.2015.20
  14. Fredriksen M, Dahl AA, Martinsen EW, et al. Childhood and persistent ADHD symptoms associated with educational failure and long-term occupational disability in adult ADHD. Atten Defic Hyperact Disord 2014; 6: 87–99.
  15. Capusan AJ, Bendtsen P, Marteinsdottir I, et al. Comorbidity of adult ADHD and its subtypes with substance use disorder in a large population-based epidemiological study. J Atten Disord. Epub ahead of print 2 February 2016. DOI: 10.1177/1087054715626511.
  16. Uchida M, Spencer TJ, Faraone SV, et al. Adult outcome of ADHD: an overview of results from the MGH longitudinal family studies of pediatrically and psychiatrically referred youth with and without ADHD of both sexes. J Atten Disord. Epub ahead of print 22 September 2015: DOI: 10.1177/1087054715604360.
  17. Rucklidge JJ, Downs-Woolley M, Taylor M, et al. Psychiatric comorbidities in a New Zealand sample of adults with ADHD. J Atten Disord 2014; 20: 1030–1038.
  18. Dalsgaard S, Østergaard SD, Leckman JF, et al. Mortality in children, adolescents, and adults with attention deficit hyperactivity disorder: a nationwide cohort study. Lancet 2015; 385: 2190–2196.
  19. Furczyk K, Thome J. Adult ADHD and suicide. Atten Defic Hyperact Disord 2014; 6: 153–158.
  20. Sabaté E, ed. Adherence to Long-Term Therapies: Evidence for Action . Geneva, Switzerland: World Health Organization; 2003.
  21. Lee JK, Grace KA, Taylor AJ. Effect of a pharmacy care program on medication adherence and persistence, blood pressure, and lowdensity lipoprotein cholesterol: a randomized controlled trial. JAMA . 2006;296(21):2563-2571.
  22. Fischer MA, Choudhry NK, Brill G, et al. Trouble getting started: predictors of primary medication nonadherence. Am J Med . 2011;124(11):1081.e9-e22.
  23. Fischer MA, Stedman MR, Lii J, et al. Primary medication nonadherence: analysis of 195,930 electronic prescriptions. J Gen Intern Med . 2010;25(4):284-290.
  24. Cantrell CR, Eaddy MT, Shah MB, Regan TS, Sokol MC. Methods for evaluating patient adherence to antidepressant therapy: A realworld comparison of adherence and economic outcomes. Med Care. 2006;44(4):300–303.
  25. Eaddy MT, Druss BG, Sarnes MW, Regan TS, Frankum LE. Relationship of total health care charges to selective serotonin reuptake inhibitor utilization patterns including the length of antidepressant therapy – results from a managed care administrative claims database. J Manag Care Pharm. 2005;11(2):145–150.
  26. Safren S, Duran P, Yovel I, Perlman C, Sprich S (2007) Medication adherence in psychopharmacologically treated adults with ADHD. J Atten Disord 10:257–260
  27. Canadian ADHD Resource Alliance (CADDRA). Canadian ADHD Practice Guidelines. Toronto: CADDRA, 2011
  28. Surman CB, et al. Association Between Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder And Sleep Impairment In Adulthood: Evidence From A Large Controlled Study. J Clin Psychiatry 2009; 70: 1523-1529.
  29. National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE). Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management of ADHD in children, young people and adults, 2008 [updated 27 March 2013]. Clinical guidelines CG72. http://www.nice.org.uk/nicemedia/live/12061/42059/42059.pdf.(last accessed on 15 May 2013).
  30. Canadian ADHD Resource Alliance (CADDRA). Canadian ADHD Practice Guidelines. Toronto: CADDRA, 2011
  31. Weisman O, et al. Testing the Efficacy of a Smartphone Application in Improving Medication Adherence, Among Children with ADHD. Isr J Psychiatry – Vol. 55 – No 2 (2018) Acessado em 20 de fevereiro de 2019, disponível em: https://cdn.doctorsonly.co.il/2018/10/12_Testing-the-Efficacy-of.pdf
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MEU FILHO FOI DIAGNOSTCADO COM TDAH: é Culpa Minha?

MEU FILHO FOI DIAGNOSTCADO COM TDAH: é culpa minha?

Se seu filho tem TDAH, você pode pensar, mesmo que ocasionalmente, que suas capacidades como mãe ou pai têm algo a ver com o diagnóstico. Duas boas notícias com relação a isso:

1 – Você não está sozinho nesta interrogação
Uma recente votação realizada pelo Hospital da Universidade de Michigan apontou que quase dois terços das mães, com filhos entre 0 e 5 anos, se sentem culpadas por suas supostas incapacidades maternas. As questões que mais afligiam estas mães eram disciplina, dieta e sono.1 Então, não é difícil imaginar que pais e mães possam se sentir vulneráveis à culpa quando o filho é diagnosticado com TDAH.

2 – Sua culpa não tem evidência científica alguma.
TDAH é uma desordem médica, não causada pelos pais ou pela crescente velocidade do mundo contemporâneo. A influência genética do TDAH tem sido comprovada em graus similares ao de características físicas, como a altura: se duas pessoas altas com TDAH colocam seu filho recém-nascido para adoção, é muito provável que a criança se desenvolva alta e com TDAH. Ou seja, a causa não é a sua capacidade educacional.

Mesmo que não haja uma causa comprovada até o momento, os cientistas já sabem que diversos fatores podem influenciar o diagnóstico, incluindo muitos que estão fora do alcance dos pais, como genes e baixo peso no nascimento.2

O TDAH não afeta apenas a atenção, mas como também a parte do cérebro responsável pela autorregulação e senso de administração como um todo. Indivíduos com TDAH podem passar por desafios na escola, no trabalho e nos relacionamentos sociais. Estudos relacionam TDAH com acidentes de carro, obesidade, problemas para dormir e muitas outras questões cotidianas – não apenas em casa.

Família e TDAH

Mas, um lar caótico pode ou não pode agravar os sintomas?

Claro, assim como um ambiente tranquilo e agradável pode fazer bem aos portadores de TDAH ou para qualquer pessoa. Contudo, no que toca o uso de televisão, videogames, disciplina demais (ou de menos), fique tranquilo: não foi você que “criou” o TDAH em seu filho.

Bem, seu lar não desenvolveu o TDAH na criança, mas pode sim ser um fator decisivo no tratamento do seu filho. Aliás, um dos melhores presentes que você pode dar à criança é um casamento feliz. Isso é especialmente verdade se você tiver mais de um filho com TDAH ou se eles estiverem tendo problemas na hora de fazer amizades.

O desafio do casamento

Casais com filhos portadores do transtorno têm quase o dobro de chances de se divorciarem, em comparação a casais com filhos sem TDAH. Um estudo publicado em 2008 apontou uma razão simples, mas com um elevado grau de dificuldade na solução: ter uma criança com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade na família pode ser altamente estressante e elevar o número e a intensidade dos conflitos, tensões e discussões entre os pais.3

O divórcio não é inevitável de forma alguma (apesar das estatísticas), mas os pais precisam manter em mente que os desafios do casal serão maiores e que, para ajudar seu filho com TDAH, será necessário não apenas acompanhar a criança, mas como também o próprio casamento.

Converse com os médicos e terapeutas de seu filho sobre profissionais, grupos de apoio e associações capazes de lhe ajudar com o treinamento para pais. Estes projetos podem colaborar no aprendizado de fatores importantes, como estabelecer metas objetivas, expectativas consistentes e limites possíveis, encontrar as melhores maneiras para ensinar disciplina e ajudar a criança a aprender com os próprios erros.4

A criação de estrutura é outra questão crucial para qualquer família, mas, no caso do TDAH, a importância é ainda maior.
– Siga rituais simples para o horário das refeições, para ir para a escola, para fazer as tarefas escolares, para chegar em casa.
– Crie um espaço tranquilo e agradável para o relaxamento (fora do quarto de dormir).
– Mantenha sua casa sempre organizada.

Lembre-se sempre que os pais são os modelos das crianças. Faça o máximo que puder para se manter calmo, focado e positivo. Isso ajudará toda a família a responder apropriadamente aos desafios de viver com o TDAH.

1 MOTT POLL: NEARLY TWO-THIRDS OF MOTHERS “SHAMED” BY OTHERS ABOUT THEIR PARENTING SKILLS. C.S. MOTT CHILDREN’S HOSPITAL – MICHIGAN MEDICINE. Disponível em: https://www.mottchildren.org/news/archive/201706/mott-poll-nearly-two-thirds-mothers-“shamed”-others-about . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

2 DOES PARENTING PLAY A ROLE IN ADHD?. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/parenting-role-in-adhd#1 . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

3 WYMBS et al., 2008. Rate and predictors of divorce among parents of youth with ADHD. J Consult Clin Psychol., 76(5), 735–744. doi:10.1037/a0012719 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2631569/ . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

4 FOR PARENTS & CAREGIVERS. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/for-parents-caregivers.aspx . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

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