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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

CHEGARAM AS PROVAS FINAIS: COMO AJUDAR SEU FILHO A SE PREPARAR?

CHEGARAM AS PROVAS FINAIS: COMO AJUDAR SEU FILHO A SE PREPARAR?

 

Os mais de 20 anos trabalhando com crianças e adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) nos ensinaram que essa é uma hora crucial para as famílias. Chegou dezembro, e com ele, as provas finais. Os alunos com TDAH procrastinam, empurram com a barriga, esperando, mesmo sem saber, que o estresse desencadeie a liberação de um neurotransmissor excitatório – a noradrenalina – numa área específica do cérebro, o córtex pré-frontal.  Esse neurotransmissor é um dos responsáveis por estimular as funções executivas.

Essa descarga coloca os portadores de TDAH em ação! Algo que para acontecer depende, em muitos casos, dessa descarga, ou de muita motivação. Nessa última situação, pela liberação no córtex pré-frontal de um outro neurotransmissor, a dopamina. O TDAH, assim como a maioria dos transtornos mentais, é uma condição dimensional na população. Ou seja, mesmo sem o diagnóstico pleno, muitas pessoas têm algumas características do transtorno. Logo, o planejamento de como estudar e como enfrentar os testes finais é algo relevante também para crianças e adolescente sem qualquer diagnóstico psiquiátrico!

Uma palavra de cautela para quem nos acompanha nessa coluna. Buscamos sempre discutir e informar com base em evidência científica. Infelizmente, essa é uma área, onde existem muito poucos estudos comparativos entre estratégias para enfrentar a situação. Frente a urgência, vamos ao que a experiência clínica e o bom senso sugerem.

 

Passo 1:  estudando para os testes finais

A máxima inicial não vale aqui! “Estude com antecedência e regularmente” fica para uma próxima vez. Mas não adianta fugir, como o “diabo da cruz”. Estudo continuado e sequencial, ao invés do massivo de última hora, ainda é a estratégia que parece dar o melhor!

– Selecione o material necessário para o estudo. Isso muitas vezes pode significar ter que entrar em contato com aquele (a) colega que tem tudo organizado, ou com a mãe dele (a), para solicitar esse material. Muitas vezes, o bom é inimigo do ótimo! Procure selecionar o essencial para a preparação da prova, e não todos os livros, temas e cadernos da matéria;

– Organize o espaço de estudo mantendo-o livre de distratores. Não tem jeito: você terá que convencer o seu filho(a) que ele terá que ficar sem o celular nesse momento e o computador só poderá ser usado para a procura de conteúdo relacionado ao estudo. Escolha um ambiente calmo, longe de janelas e outros distratores;

– Programe a matéria a estudar. Definido qual o conteúdo da prova, faça um roteiro dos tópicos a estudar. Determine e registre com seu filho o tempo para cada tópico;

– Faça intervalos. Embora não pareça existir evidência clara para a alegação popular de que os jovens não conseguem manter mais do que 10-15 minutos de atenção continuada, dividir o tempo de estudo em unidades de cerca de 30 minutos pode ser uma estratégia interessante, ainda mais se seu filho (a) já tiver alguma dificuldade atencional;

– Determine um tempo de estudo razoável. Mesmo que ele (a) tenha pego inúmeras recuperações, maratonas de estudo tendem a ser pouco eficazes. Turnos de não mais do que 2-3 horas, em casos de máxima necessidade, sempre com intervalos regulares tendem a ser o máximo tolerável;

– Pratique com provas anteriores. A pouca evidência existente na área indica que fazer provas de anos anteriores ou qualquer teste sobre o conteúdo da prova é disparado a melhor estratégia para estudar. Aqui há uma vantagem adicional. Permite ajudar o (a) seu/sua filho (a) a reconhecer quais os tópicos que ele (a) já sabe e quais ele (a) precisa estudar mais, ajudando-o (a) a se concentrar nesses últimos;

– Peça para ele (a) lhe explicar o que entendeu da matéria estudada. Esse exercício de resumir e recontar o conteúdo verbalmente ajuda alguns jovens a memorizar melhor os conteúdos estudados.

 

Passo 2:  antes dos testes

– O sono na noite anterior à prova é fundamental. Vários estudos mostram que o sono adequado é essencial para a consolidação de dados armazenados na memória de trabalho. Essa é a memória similar a memória RAM do computador, ou seja, aquela que vai manter todas as informações online que seu/sua filho (a) vai precisar para responder às questões das provas.

Se ele (a) tem dificuldade de dormir quando tem um evento importante no dia seguinte, prepare-o (a) para situação. Isso pode envolver medidas de higiene do sono, ou até mesmo uso de um indutor do sono. Mas nunca use qualquer substância com a qual ele (a) não tenha tido experiência prévia!

– Uma alimentação saudável antes dos testes é fundamental. As crianças não devem ir para provas sem ter comido nada, para evitar episódios de hipoglicemia, mas deve-se evitar refeições muito pesadas para que não fiquem sonolentos.

 

Passo 3:   fazendo os testes finais

– Evite distrações. Se o espelho de classe não estiver rigidamente definido, converse com seu filho (a), estimulando-o (a) a escolher um lugar calmo, longe de distrações, como janelas, e longe de colegas barulhentos ou que o (a) atrapalhem;

– Uma perspectiva positiva sempre ajuda! Nos momentos antes das provas, ensine ele (a) a respirar fundo algumas vezes e a visualizar-se fazendo as provas, respondendo às questões e recebendo um resultado positivo da prova. Parece bobo, não? A experiência clínica sugere, entretanto, que, muitas vezes, somos tomados antes das provas por ansiedade de desempenho e inúmeros pensamentos disfuncionais negativos, do tipo: “não sei nada, não estudei o suficiente, vou me ralar”. Esse “estado de espírito” afeta claramente a nossas funções executivas;

– Ajude-o (a) a avaliar o teste de uma forma global. São quantas questões? Qual o tempo total que ele (a) tem? Ele (a) deve determinar o tempo médio por questão. É útil ter um cronometro durante os testes, mas ele deve ser usado de forma racional, ou seja, cuidado para ele trabalhar a favor do seu/sua filho (a). Ajuda-lo (a) a organizar o tempo sem aumentar a sua ansiedade. Ao ler cada questão, ele (a) deve avaliar se essa é uma questão que para ele (a) é difícil ou fácil. Para as fáceis, deve determinar um tempo menor que o médio para resolvê-las e para as difíceis um tempo maior do que o médio. O tempo exato vai depender do tempo total e do número de questões;

– Lembre ele (a) de ler cada questão duas vezes e, acima de tudo, sublinhar a solicitação central de cada questão;

– Estimule-o (a) a não seguir a ordem do teste. Ele (a) deve resolver todas as questões que têm certeza antes. Marcar com um ”D” as que considera difíceis e com “SD” de superdifíceis, as que não tem a menor ideia da resposta. Deve resolver as difíceis antes das superdifíceis, usando as estratégias acima. Para todas as superdifíceis, marcar a mesma letra, em caso de provas objetiva. Preferencialmente, a letra menos frequente nas respostas para as perguntas que ele (a) tem certeza. Se a prova penaliza resposta erradas, deixar essas sem resposta;

– Insista que ele (a) seja o (a) último (a) a entregar a prova. Não há qualquer prêmio para quem entrega a prova antes! Revisar com cuidado as respostas. Mas, após uma análise cuidadosa, ficar com a resposta que ele (a) considera certa. Ou seja, retirada a possibilidade de erro de atenção por não ter lido com cuidado a questão, acreditar nele (a) próprio (a)! Alguns estudos sugerem que a troca de resposta nessas condições leva a maior chance de erro do que de acerto, ou seja, a primeira impressão é a que vale!

O mais importante é customizar as dicas acima ao estilo do (a) seu/sua filho (a) ou as características dele (a). Pode ter certeza de que nem todas funcionam para todo mundo, mas muitas delas vão ajudá-lo (a) nesse fim de ano.

Fonte:
Luis Augusto Rohde
Professor titular de psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Professor da pós-graduação em psiquiatria na universidade de São Paulo

Matéria publicada na revista Veja em 5 de dezembro de 2019.
https://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/chegaram-as-provas-finais-como-ajudar-seu-filho-a-se-preparar/

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PADRÕES CEREBRAIS PODEM PREVER SINTOMAS DO TDAH?

PADRÕES CEREBRAIS PODEM PREVER SINTOMAS DO TDAH?

Quais sintomas seu filho manifestará no Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)? Quais problemas e até benefícios você encontrará pela frente? É possível prever este quadro? Um novo estudo afirma que sim.

Padrões cerebrais foram identificados por pesquisadores1 a partir de imagens por ressonância magnética (MRI), usadas em conjunto com dados comportamentais e demográficos. Estas informações foram capazes de prever sintomas específicos do TDAH em crianças.

O autor do estudo, o professor Tim Silk, da Faculdade de Psicologia da Deakin University, disse que compreender o funcionamento do transtorno no cérebro é fundamental para melhorar o tratamento da desordem2.

“Ainda não sabemos quais são os mecanismos do TDAH, mas fica claro que o transtorno não está isolado em uma ou duas áreas do cérebro”, afirmou Silk.

O trabalho foi publicado no American Journal of Psychiatry. Os pesquisadores, do The Children’s Attention Project3, examinaram os scanners de MRI de 160 crianças australianas, entre nove e doze anos de idade. Eles identificaram quatro “perfis cerebrais”, que poderiam indicar sintomas específicos do TDAH.

As descobertas sugerem que determinados sintomas do TDAH podem ter origem em áreas específicas do cérebro.

No estudo, 70 das crianças participantes tinham sido diagnosticadas com TDAH. Destas, 23 estavam tomando medicamentos para o transtorno. Para avaliar os sintomas, cada participante passou por uma avaliação de três horas e meia, que incluía um exame de cognição, um questionário para as crianças e outro para os pais.

Utilizando estas ferramentas, juntamente com os scanners, os pesquisadores chegaram a quatro “padrões cerebrais”, definidos a partir de perfis comportamentais e dados demográficos específicos. Eles utilizaram estas informações para prever sintomas em diferentes grupos de crianças:

– Desenvolvimento

Crianças menos maduras, em termos de desenvolvimento, apresentaram mais chances de se tornarem hiperativas e receberem medicamentos por parte dos médicos.

É comum uma diferença na chamada “idade do cérebro” em pacientes com TDAH, que apresentam um atraso no desenvolvimento em comparação a crianças sem o transtorno.

– Hiperatividade masculina

Crianças neste grupo apresentaram um perfil clínico que incluía maior hiperatividade, além de uma pontuação mais alta em sintomas de TDAH. Ainda, mais chances de apresentarem problemas de relacionamento e manifestarem desordens relacionadas.

Este perfil foi mais comum entre meninos na passagem da infância para a adolescência (pré-púberes).

Especificamente, o papel do fascículo longitudinal superior, uma fibra que une os lobos frontal, parietal e occipital (também chamado de fascículo arqueado), aparecia como relevante na previsão de sintomas de hiperatividade.

Este perfil também foi associado a notas mais baixas na escola, mais dificuldade dos pais em disciplinarem a criança e aumento de situações estressantes.

– Performance Cognitiva

Este padrão foi associado a dificuldades cognitivas, aumento na irritabilidade e redução de hiperatividade.

Um componente ambiental também foi associado a este perfil. Fatores como educação deficiente por parte dos pais, nicotina na gravidez, peso no nascimento e até mesmo status socioeconômico podem ter contribuído nesta queda cognitiva.

– Tamanho da cabeça

Um volume intracraniano maior foi associado com o sexo masculino. Este perfil apresentou melhoria na performance em leitura e matemática.

Este padrão apoia a hipótese da relação entre tamanho do cérebro, habilidade cognitiva e resultados escolares.

É importante dizer que este perfil não estava fortemente ligado aos sintomas de TDAH, mesmo que haja estudos apontando que pacientes de TDAH possam ter cérebros menores.

“Diferenças na estrutura cerebral podem originar mudanças no funcionamento das redes responsáveis pela função cognitiva, além de processos motores e sensoriais”, explicou o Silk4.

“Avanços recentes na análise de scanners de ressonância magnética nos permitem examinar estas variações através dos tipos de tecidos e dos diferentes indivíduos”, argumentou o professor.

Ele também disse que o objetivo final de sua pesquisa era avaliar se exames de imagem seriam capazes de prover informações objetivas tanto para ajudar no diagnóstico do TDAH quanto para colaborar nos tratamentos.

É importante acrescentar que nenhum marcador biológico pode detectar o TDAH atualmente. O diagnóstico deve ser feito por um médico ou profissional de saúde especializado. O transtorno é tratado com medicamentos, estratégias comportamentais e aconselhamento.

Fontes:

1 GARETH B. et al., 2018. Multimodal Structural Neuroimaging Markers of Brain Development and ADHD Symptoms. The American Journal of Psychiatry. 2018 Sep 17. doi: https://doi.org/10.1176/appi.ajp.2018.18010034. Disponível em: https://ajp.psychiatryonline.org/doi/10.1176/appi.ajp.2018.18010034 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

2 STUDY: NEUROIMAGING PATTERNS PREDICT PINPOINTED ADHD SYMPTOMS. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/neuroimaging-adhd-brain-development . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

3 THE CHILDREN’S ATTENTION PROJECT. MURDOCH CHILDREN’S RESEARCH INSTITUTE. Disponível em: https://www.mcri.edu.au/research/projects/children’s-attention-project . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

4 BRAIN SCANS REVEAL COMMON PATTERNS CAN PREDICT VARIATIONS IN ADHD. MEDICALXPRESS. Disponível em: https://medicalxpress.com/news/2018-09-brain-scans-reveal-common-patterns.html . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

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EXCESSO DE MEDICAÇÃO PARA TDAH? Novas Estatísticas Apontam O Contrário Na Inglaterra… E No Brasil?

EXCESSO DE MEDICAÇÃO PARA TDAH? Novas estatísticas apontam o contrário na Inglaterra… E No Brasil?

Poucas crianças estão recebendo tratamento adequado para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) na Inglaterra, especialmente meninas.

O jornal The Guardian divulgou1 dados que contrariam o senso comum da população, de que medicações para o TDAH estariam sendo prescritas em demasia pelos médicos.

Os números, pedidos especificamente pelo jornal através do Freedom of Information Act, apontam que, entre 2017 e 2018, 61 mil meninos entre 6 e 17 anos tomaram medicamentos para o transtorno naquele país – algo como 1,5% dos meninos nesta idade. Contudo, o número médio de crianças diagnosticadas com TDAH no mundo é de 5,3%.2

Os números obtidos pelo The Guardian afirmam que a quantidade de meninas que receberam a prescrição é menor: 0,35% das garotas entre 6 e 17 anos tomaram medicações. Ainda, das quase 75 mil crianças que receberam prescrição de remédios para TDAH na Inglaterra, naquele período, apenas 18% eram meninas.

Apesar de estudos em crianças tipicamente mostrarem uma preponderância masculina no TDAH, acredita-se que este predomínio seja resultado de subdiagnóstico nas garotas, devido aos diferentes sintomas sofridos pelas meninas, argumenta o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) em seu guia Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management3.

Tony Lloyd, chefe-executivo da ADHD Foundation afirma que eles reconhecem que o transtorno é subdiagnosticado e submedicado na Inglaterra. Lloyd acrescenta que, no passado, garotos eram mais comumente enviados aos médicos, porque eram eles que geravam problemas em sala de aula.

“Isso ocorria por causa da hiperatividade”, disse Lloyd. Uma década atrás, a relação de casos de TDAH era de quatro meninos para cada menina. Atualmente, com uma compreensão mais precisa de como o transtorno age nas meninas, a relação caiu para 2,8 meninos para cada menina, explica ele ao The Guardian.

Mas, os números de crianças recebendo medicamentos ainda é baixo, concluiu Lloyd. “Eu só consigo explicar isso através da combinação de estigmas e poucos recursos sobre a saúde mental das crianças. As listas de espera para os tratamentos também colaboram e podem levar de um a dois anos para que a criança receba alguma ajuda.”

No Brasil, a situação não é muito diferente.

Luis Augusto Rohde, Coordenador-Geral do Programa de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) do Hospital de Clinicas de Porto Alegre, afirma que, também no Brasil, não erramos pelo excesso, mas sim pela falta de diagnósticos4.

“Em termos de saúde pública, não existe no Brasil problema de superdiagnóstico e supertratamento”, diz o médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência. O Brasil tem 47 milhões de crianças e adolescentes de 6 a 18 anos; uma média de 5% deles teria o transtorno, explica Rohde. Isso seria 2,35 milhões de crianças. “Não temos mais do que 100 mil crianças usando a medicação”, estima o especialista.

O psiquiatra Guilherme Polanczyk, professor de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, diz que as questões de saúde mental são subdiagnosticadas em qualquer país do mundo.

Mas, a situação é ainda mais frequente em crianças. “O reconhecimento de problemas mentais em crianças é recente, vem da década de 50 do século passado. Em todo o mundo, o número de profissionais treinados e especializados em psiquiatria infantil ainda é reduzido. Consequentemente, ainda há poucos serviços públicos e privados capazes de acolhê-las. Aliado aos preconceitos e estigmas, o resultado é que muitas vezes, quem não tem TDAH é diagnosticado com o problema; e quem tem pode ficar anos sem tratamento correto”, esclarece o psiquiatra.

1 TOO FEW CHILDREN RECEIVING TREATMENT FOR ADHD, FIGURES SUGGEST. THE GUARDIAN. Disponível em: https://www.theguardian.com/society/2018/oct/05/too-few-children-receiving-treatment-for-adhd-figures-suggest . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

2 MATTOS P et al., 2012. ADHD is undertreated in Brazil. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.34 no.4 São Paulo Dec. 2012. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbp.2012.04.002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000400023 . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

3 ATTENTION DEFICIT HYPERACTIVITY DISORDER: DIAGNOSIS AND MANAGEMENT. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng87/resources/attention-deficit-hyperactivity-disorder-diagnosis-and-management-pdf-1837699732933 . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

4 A ERA DA DESATENÇÃO. FOLHA DE SÃO PAULO. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il3005201004.htm . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

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CAFEÍNA E TDAH: Devo Evitar Ou Tormar?

CAFEÍNA E TDAH: Devo evitar ou tormar?

Pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm diferenças químicas e físicas no cérebro1, que podem levar a uma variedade de sintomas, como falta de atenção hiperatividade e impulsividade. Para controlar estes sintomas, o tratamento mais comum é a prescrição de medicações estimulantes. Estes medicamentos são comprovadamente capazes de melhorar o foco, a atenção e o comportamento impulsivo.

A partir disso, o raciocínio lógico seria: se estimulantes ajudam em tudo isso, tomarei mais café, o mais consumido estimulante no mundo, certo?

Não necessariamente.

Alguns estudos analisaram o efeito da cafeína nos sintomas de TDAH, mas os resultados foram conflitantes. Mesmo que a cafeína seja um estimulante, não é geralmente recomendada como um tratamento para o TDAH, porque não há provas científicas de sua eficiência.

– Os efeitos da cafeína são muito mais intensos e rápidos do que os efeitos da medicação.
– O poder da cafeína vai diminuindo ao longo do tempo e quantidades mais altas de café seriam necessárias para obter o mesmo resultado.
– É preciso manter em mente que muitos alimentos e bebidas têm variadas quantidades de cafeína. Entre o consumo de café, chá ou chocolate, como você conseguiria estipular a quantidade de estimulantes que consumiu durante o dia? Missão quase impossível, o que é um tanto quanto arriscado quando falamos em termos de tratamento.2

Como funcionam os estimulantes?

Estimulantes, incluindo a cafeína, aumentam a quantidade de químicos utilizados pelo seu cérebro para enviar sinais. Um destes é a dopamina, que está relacionada ao prazer, à atenção e ao movimento – e cujos níveis no cérebro do paciente com TDAH são mais baixos.

Por isso, quando você é diagnosticado com TDAH, os médicos frequentemente prescrevem estimulantes para que você fique mais tranquilo e focado. Alguns pesquisadores acreditam que o café teria o mesmo poder, já que a cafeína do chá é capaz de melhorar o estado de alerta e a concentração.3

Cafeína com medicação

Quando você combina cafeína com medicação estimulante, você tem o chamado efeito sinérgico. A sinergia acontece quando duas drogas têm mecanismos de ação aditivos, tornando seu efeito mais poderoso – o que não é necessariamente bom. A cafeína pode tornar a medicação mais eficiente sim, mas os efeitos colaterais podem ser maiores.

Para algumas pessoas, a cafeína pode colaborar no ajuste dos níveis de dopamina. Para outras, adicionar mais estimulantes à dieta pode elevar demais os níveis de dopamina, gerando agitação, ansiedade, dores de cabeça, irritabilidade, insônia etc.4
O que nos leva à grande cautela que você, pai ou mãe, precisa ter:

Cafeína para crianças?

Especialistas não recomendam a ingestão de cafeína por crianças, especialmente se estão tomando medicação para o TDAH. Crianças são mais vulneráveis aos efeitos colaterais da cafeína, que também pode afetar o desenvolvimento cerebral na fase de crescimento.

Crianças com TDAH, geralmente, têm mais problemas para dormir e para se manterem alertas durante o dia. A cafeína será uma inimiga nesta questão, potencializando ambos os problemas.

Usar a cafeína durante o tratamento do TDAH é algo que apenas o seu médico pode avaliar. De acordo com a The Academy of Nutrition and Dietetics, a maioria das crianças já consome cafeína em excesso, através dos refrigerantes. Uma lata de Coca-Cola, de 350ml, tem aproximadamente 35mg de cafeína.2

O Governo Brasileiro não estipulou um limite diário para o consumo da substância, tampouco o norte-americano. Os dados que utilizamos no Brasil vieram do Governo do Canadá, que determina os seguintes valores: 45mg diárias para crianças entre 4 e 6 anos, 62mg para crianças entre 7 e 9 anos, 85mg para crianças entre 10 e 12 anos.5

Não vamos esquecer, é claro, das altas doses de açúcar nos refrigerantes – uma única lata, com seus 40g de açúcar, já excede o limite diário até dos adultos.

1 NEUROBIOLOGY. SHIRE ADHD INSTITUTE. Disponível em: https://adhd-institute.com/burden-of-adhd/aetiology/neurobiology/ . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

2 WHAT EFFECT DOES CAFFEINE HAVE ON PEOPLE WITH ADHD?. MEDICAL NEWS TODAY. Disponível em: https://www.medicalnewstoday.com/articles/315169.php . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

3 CAFFEINE AND ADHD. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/adhd-caffeine . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

4 HOW DOES CAFFEINE AFFECT ADHD?. HEALTHLINE. Disponível em: https://www.healthline.com/health/adhd/caffeine . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

5 CAFÉ: OS LIMITES E OS RISCOS DE CONSUMIR EM EXCESSO. ÉPOCA. Disponível em: https://epoca.globo.com/saude/check-up/noticia/2017/06/cafe-os-limites-e-os-riscos-de-consumir-em-excesso.html . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

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APLICATIVO AUMENTA A ADESÃO AO TRATAMENTO E PERMITE MELHOR CONTROLE DOS SINTOMAS DO TDAH, Indica Estudo

APLICATIVO AUMENTA A ADESÃO AO TRATAMENTO E PERMITE MELHOR CONTROLE DOS SINTOMAS DO TDAH, indica estudo

A adesão ao tratamento é um dos principais problemas enfrentados por pacientes com doenças crônicas. Cerca de 25% das prescrições recebidas por esses pacientes são simplesmente ignoradas e não são convertidas em busca da medicação ou implementação do tratamento proposto, seja por preconceito, falta de informação ou acesso. A maioria dos pacientes não relata essa informação ao seu médico. (20 –23) Outro aspecto que impacta negativamente a adesão ao tratamento é a inexistência de sintomas claros e perceptíveis para o paciente. (24, 25) Este é o caso do TDAH, apesar de seu significativo impacto negativo e alta eficácia e segurança do tratamento, o abandono do paciente após um ano pode chegar a 87%. (26) Os prejuízos associados a esta baixa adesão são graves, tanto para pacientes com TDAH como para sociedade como um todo.

Especialistas indicam que seis pilares compõem o modelo de adesão ao tratamento: suporte à decisão, design do sistema de entrega, sistemas de informações clínicas, apoio familiar e de autogestão, recursos e políticas comunitárias e organizações de cuidados de saúde. (27, 28) Se o tratamento geral dos sintomas do TDAH tiver sido bem-sucedido, os planos de tratamento podem precisar ser adaptados para atingir os problemas residuais existentes. Ou ainda, se o tratamento tiver sido ineficaz, então os planos de tratamento podem precisar ser adaptados para se concentrar em outras deficiências. (29) Ou seja, os pacientes diagnosticados com TDAH que recebem tratamento de longo prazo devem ser periodicamente reavaliados pelos profissionais de saúde. Os objetivos do tratamento podem mudar ao longo do tempo, ou um tratamento pode não ser bem tolerado, o que implica em uma tomada de ação rápida. Portanto, para garantir que os objetivos do tratamento estão adequados às necessidades do indivíduo e estágio de desenvolvimento, esses pacientes devem receber suporte e avaliação contínuos (30).

Recentemente, pesquisadores israelenses (31) avaliaram, em um estudo randomizado,  a utilização de um aplicativo de celular que permitia uma comunicação mais frequente entre médicos e familiares de pacientes com TDAH e um monitoramento mais contínuo do tratamento. No total, 39 crianças foram randomizadas em dois grupos: no primeiro, as crianças e seus pais foram convidados a utilizar o aplicativo proposto. O segundo foi o grupo controle, sem uso do app. As variáveis observadas foram: adesão, através da contagem de pílulas, e avaliação clínica, no início do estudo, depois de 4 semanas e finalmente após 8 semanas. Ao final do estudo, os pacientes que utilizaram o aplicativo mostraram-se mais aderentes ao tratamento, assim como com melhores resultados clínicos alcançados quando avaliados pela CRS (Clinical Rating Scale).

O estudo apresentou algumas limitações, como o curto período de acompanhamento e baixo número de pacientes. Isso pode explicar o fato de que a redução dos sintomas não teve diferença estatística entre os grupos quando analisados através da CGI (Clinical Global Impression Scale) e da ADHD-RS (ADHD Rating Scale). Segundo os autores, outra limitação do estudo foi o fato de que apenas 61,5% das crianças e pais, inicialmente incluídos no estudo, completaram as três visitas programadas. A taxa de abandono relativamente elevada vai em consonância com a prática clínica de que muitos pais de crianças com TDAH tendem a não aderir a consultas regulares de acompanhamento. Esse fato reforça a necessidade de desenvolver outros meios para o monitoramento remoto e gestão de crianças com TDAH, como um aplicativo móvel de saúde (mHealth) especificamente desenhado a esse perfil de paciente.

A conclusão deste estudo é que o uso de aplicativos mobile para TDAH pode sim ter um impacto significativo de promover melhor adesão ao tratamento, assim como controle dos sintomas.

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Para nós do FOCUS TDAH esta publicação reforça nossa dedicação e crença de que estamos no caminho certo. Podemos, sim, desenvolver colaborativamente uma aplicação efetiva na promoção à saúde mental, através da adesão, educação, engajamento e empoderamento de pacientes e seus familiares, permitindo que médicos e outros profissionais de saúde tenham a sua disposição produtos e serviços que auxiliem a tomada de decisão e aumente a adesão ao tratamento e às consultas. Faça parte do Movimento FOCUS TDAH.

Mais informações sobre o TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico e estrutural do cérebro, caracterizado pela presença dos sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. (1,2,3). Apesar de desconhecida, tem como causa alta correlação genética, bem como algumas questões ambientais, como baixo peso ao nascer, tabagismo na gestação, entre outros. (4,5,6) O transtorno acomete aproximadamente 5% da população mundial (7, 12 8). O diagnóstico é exclusivamente clínico e geralmente ocorre na infância, mantendo-se presente ao longo da vida. (9) Algo que poucos sabem é que o TDAH em Adultos não é necessariamente uma continuação da infância, mas pode surgir depois da idade adulta sem histórico prévio. (10). Ou seja, TDAH não é só coisa de criança. A presença do TDAH está associada a uma série de prejuízos funcionais que causam impactos significativos ao longo da vida: dificuldades de aprendizagem e disfunção executiva (tomada de decisão, planejamento, organização, etc.); desregulação emocional e prejuízos na construção e manutenção de relacionamentos sociais e afetivos; maiores chances de divórcio; menor autoestima; ideação suicida, e mesmo o suicídio; maior risco de delinquência; criminalidade; encarceramento; tabagismo e uso de drogas; pior desempenho escolar/acadêmico e na vida profissional, incluindo maiores chances de desemprego; maior rotatividade profissional e menor status sócio econômico; gravidez indesejada; maior risco de acidentes de trânsito e de morte prematura (11 – 13); menor auto estima; pior qualidade de vida; morbidade persistente (14 –17) e risco elevado de mortalidade. (18, 19)

 

Fontes:

  1. Volkow ND, et al. Depressed Dopamine Activity In Caudate And Preliminary Evidence Of Limbic Involvement In Adults With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. Arch Gen Psychiatry 2007; 64: 932-940.
  2. Volkow N, et al. Evaluating Dopamine Reward Pathway In ADHD. JAMA 2009; 302(10): 1084-1091.
  3. Hart H, et al. Meta-Analysis Of Functional Magnetic Resonance Imaging Studies Of Inhibition And Attention In Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: Exploring Task-Specific, Stimulant Medication, And Age Effects. JAMA Psychiatry. 2013; 70: 185-98.
  4. Burt SA. Rethinking environmental contributions to child and adolescent psychopathology: A meta-analysis of shared environmental influences. Psychol Bull 2009135: 608-637.
  5. Todd RD & Huang H, et al.Collaborative analysis of DRD4 and DAT genotypes in population-defined ADHD subtypes. J Child Psychol Pschiatry 2005 46: 1067-1073.
  6. Biederman, Joseph & V Faraone, Stephen. (2005). Biederman J, Faraone SV. Attention-deficit hyperactivity disorder. Lancet 366: 237-248. Lancet. 366. 237-48. 10.1016/S0140-6736(05)66915-2.
  7. ROHDE, Luis Augusto et al . Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 22, supl. 2, p. 07-11, Dec. 2000 .  Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600003&lng=en&nrm=iso. access on 20 Oct. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462000000600003.
  8. Kooij SJ, Bejerot S, Blackwell A, Caci H, Casas‐Brugue M, Carpentier PJ et al. European consensus statement on diagnosis and treatment of adult ADHD: the European Network Adult ADHD. BMC Psychiatry 2010;10:67.
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MEU FILHO FOI DIAGNOSTCADO COM TDAH: é Culpa Minha?

MEU FILHO FOI DIAGNOSTCADO COM TDAH: é culpa minha?

Se seu filho tem TDAH, você pode pensar, mesmo que ocasionalmente, que suas capacidades como mãe ou pai têm algo a ver com o diagnóstico. Duas boas notícias com relação a isso:

1 – Você não está sozinho nesta interrogação
Uma recente votação realizada pelo Hospital da Universidade de Michigan apontou que quase dois terços das mães, com filhos entre 0 e 5 anos, se sentem culpadas por suas supostas incapacidades maternas. As questões que mais afligiam estas mães eram disciplina, dieta e sono.1 Então, não é difícil imaginar que pais e mães possam se sentir vulneráveis à culpa quando o filho é diagnosticado com TDAH.

2 – Sua culpa não tem evidência científica alguma.
TDAH é uma desordem médica, não causada pelos pais ou pela crescente velocidade do mundo contemporâneo. A influência genética do TDAH tem sido comprovada em graus similares ao de características físicas, como a altura: se duas pessoas altas com TDAH colocam seu filho recém-nascido para adoção, é muito provável que a criança se desenvolva alta e com TDAH. Ou seja, a causa não é a sua capacidade educacional.

Mesmo que não haja uma causa comprovada até o momento, os cientistas já sabem que diversos fatores podem influenciar o diagnóstico, incluindo muitos que estão fora do alcance dos pais, como genes e baixo peso no nascimento.2

O TDAH não afeta apenas a atenção, mas como também a parte do cérebro responsável pela autorregulação e senso de administração como um todo. Indivíduos com TDAH podem passar por desafios na escola, no trabalho e nos relacionamentos sociais. Estudos relacionam TDAH com acidentes de carro, obesidade, problemas para dormir e muitas outras questões cotidianas – não apenas em casa.

Família e TDAH

Mas, um lar caótico pode ou não pode agravar os sintomas?

Claro, assim como um ambiente tranquilo e agradável pode fazer bem aos portadores de TDAH ou para qualquer pessoa. Contudo, no que toca o uso de televisão, videogames, disciplina demais (ou de menos), fique tranquilo: não foi você que “criou” o TDAH em seu filho.

Bem, seu lar não desenvolveu o TDAH na criança, mas pode sim ser um fator decisivo no tratamento do seu filho. Aliás, um dos melhores presentes que você pode dar à criança é um casamento feliz. Isso é especialmente verdade se você tiver mais de um filho com TDAH ou se eles estiverem tendo problemas na hora de fazer amizades.

O desafio do casamento

Casais com filhos portadores do transtorno têm quase o dobro de chances de se divorciarem, em comparação a casais com filhos sem TDAH. Um estudo publicado em 2008 apontou uma razão simples, mas com um elevado grau de dificuldade na solução: ter uma criança com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade na família pode ser altamente estressante e elevar o número e a intensidade dos conflitos, tensões e discussões entre os pais.3

O divórcio não é inevitável de forma alguma (apesar das estatísticas), mas os pais precisam manter em mente que os desafios do casal serão maiores e que, para ajudar seu filho com TDAH, será necessário não apenas acompanhar a criança, mas como também o próprio casamento.

Converse com os médicos e terapeutas de seu filho sobre profissionais, grupos de apoio e associações capazes de lhe ajudar com o treinamento para pais. Estes projetos podem colaborar no aprendizado de fatores importantes, como estabelecer metas objetivas, expectativas consistentes e limites possíveis, encontrar as melhores maneiras para ensinar disciplina e ajudar a criança a aprender com os próprios erros.4

A criação de estrutura é outra questão crucial para qualquer família, mas, no caso do TDAH, a importância é ainda maior.
– Siga rituais simples para o horário das refeições, para ir para a escola, para fazer as tarefas escolares, para chegar em casa.
– Crie um espaço tranquilo e agradável para o relaxamento (fora do quarto de dormir).
– Mantenha sua casa sempre organizada.

Lembre-se sempre que os pais são os modelos das crianças. Faça o máximo que puder para se manter calmo, focado e positivo. Isso ajudará toda a família a responder apropriadamente aos desafios de viver com o TDAH.

1 MOTT POLL: NEARLY TWO-THIRDS OF MOTHERS “SHAMED” BY OTHERS ABOUT THEIR PARENTING SKILLS. C.S. MOTT CHILDREN’S HOSPITAL – MICHIGAN MEDICINE. Disponível em: https://www.mottchildren.org/news/archive/201706/mott-poll-nearly-two-thirds-mothers-“shamed”-others-about . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

2 DOES PARENTING PLAY A ROLE IN ADHD?. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/parenting-role-in-adhd#1 . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

3 WYMBS et al., 2008. Rate and predictors of divorce among parents of youth with ADHD. J Consult Clin Psychol., 76(5), 735–744. doi:10.1037/a0012719 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2631569/ . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

4 FOR PARENTS & CAREGIVERS. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/for-parents-caregivers.aspx . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

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TIQUES, CACOETES, TOURETTE E TDAH: Com Que Frequência Acontecem E Como Fica O Tratamento?

TIQUES, CACOETES, TOURETTE E TDAH: com que frequência acontecem e como fica o tratamento?

Especialistas estimam que 7% das crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade também desenvolvem tiques nervosos. Para muitas crianças e adolescentes, os tiques vocais (limpar a garganta, tossir com frequência ou bocejar) acontecem por um período de tempo limitado, indo embora sozinhos.

Medicamentos estimulantes podem tornar estes sintomas mais visíveis do que seriam sem a medicação. Contudo, os benefícios dos estimulantes podem ser maiores do que os danos dos tiques. Os tiques eventualmente passam, mesmo para quem prossegue o tratamento com estimulantes.1

O que são os tiques?

Tiques são movimentos ou sons rápidos, inesperados e não ritmados que as pessoas geram repetidamente. Os tiques podem incluir comportamentos como piscar os olhos, abrir a boca ou limpar a garganta com frequência. Os tiques são comuns na infância, mas eles não prosseguem na fase adulta em grande parte dos casos. Homens são mais afetados do que mulheres em uma relação de 4,4 para 1. A ocorrência pode ser temporária (menos de um ano) ou crônica.

Tiques podem ser simples ou complexos.

– Tiques simples são rápidos e envolvem apenas um grupo muscular.
– Tiques complexos têm duração mais longa e incluem uma série de tiques simples.
– Tiques motores podem variar entre movimentos simples (piscar os olhos, lamber os lábios ou abrir a boca) e movimentos complexos (mexer a cabeça, encolher os ombros ou fazer caretas).
– Tiques vocais incluem tosse, latido, limpeza de garganta, arroto ou vocalizações mais complexas, como repetir pedaços de palavras ou frases e, em casos raros, dizer palavrões repetidamente.

A relação entre Síndrome de Tourette e TDAH

A Síndrome de Tourette (ST) é uma doença crônica que envolve tiques motores e vocais e está comumente associada ao TDAH. Menos de 10% das crianças com TDAH desenvolvem Tourette. Porém, de 60% a 80% das crianças com ST têm TDAH.

Neste segundo caso, os sintomas do TDAH geralmente aparecem antes dos tiques da Tourette. Ainda, o TDAH é um fator de risco para a ST. Pesquisas sugerem que o desenvolvimento da Síndrome de Tourette em crianças com TDAH não está relacionada ao uso de medicações estimulantes. Porém, uma abordagem cautelosa é recomendada quando existem Tourette ou tiques no histórico familiar.1

Algumas crianças com TDAH podem desenvolver tiques motores quando iniciam o tratamento do transtorno. Mesmo que estas duas condições aparentem estar ligadas, a maioria dos especialistas acredita que a co-ocorrência é puramente coincidência e não causada pelo TDAH ou por seu tratamento.2

Diagnóstico

Como parte do diagnóstico do TDAH, o profissional de saúde deve determinar se há desordens associadas afetando o indivíduo. Geralmente, os sintomas do TDAH podem se sobrepor aos outros transtornos. O desafio do profissional é descobrir se um sintoma pertence ao TDAH ou a diferentes desordens.

No caso dos tiques, a natureza intermitente da condição pode dificultar a identificação em estágios iniciais. Porém, ao longo do tempo, um padrão de tiques nervosos e de outros comportamentos emergirá.

Durante o processo de avaliação, é importante determinar a frequência e a gravidade destes sintomas, o quanto eles de fato prejudicam o paciente. Padrões associados com os tiques (por exemplo, se eles pioram com o estresse ou com o cansaço) também podem ser chave para recomendar mudanças no tratamento ou aliar estratégias específicas capazes de lidar com estes sintomas.2

Tratamento

Quando a criança tem TDAH e tiques simultaneamente, o profissional de saúde pode preferir tratar o TDAH antes, já que os tratamentos de TDAH tendem à redução do estresse, à melhoria na atenção e, às vezes, à melhoria da habilidade individual de controlar os tiques.

Mesmo assim, os tiques podem ser tratados separadamente se estiverem gerando problemas significativos. Em casos menos graves de tiques ou de Síndrome de Tourette, educação e acompanhamento do paciente e da família podem ser suficientes. Intervenção psicológica, incluindo aconselhamento e treinamento de habilidades, devem guiar o tratamento do paciente, o que inclui necessidades escolares e familiares.

O uso de medicamentos, porém, pode ser levado em conta se os sintomas interferirem nas relações sociais, escolares ou profissionais. As terapias devem sempre ser voltadas às necessidades do paciente e os sintomas mais problemáticos devem ser tratados como prioridade.

Se a criança está sendo tratada com estimulantes e desenvolveu tiques significativos, o médico pode optar pela troca de medicação ou pela redução das doses até que os tiques estejam sob controle. Em alguns casos, os benefícios dos estimulantes são mais relevantes do que os sintomas dos tiques.3

1 FREQUENTLY ASKED QUESTIONS ABOUT ADHD. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/about-adhd/frequently-asked-questions-about-adhd.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

2 TICS AND TOURETTE SYNDROME. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/about-adhd/coexisting-conditions/tics-and-tourette-syndrome.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

3 HOUNIE, A.; MIGUEL, E. Tiques, Cacoetes, Síndrome de Tourette: 2. ed. Porto Alegre: Editora Artmed, 2012. P.43-47.

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CRESCIMENTO DO TDAH NOS EUA: Mais Diagnósticos Ou Mais Casos?

CRESCIMENTO DO TDAH NOS EUA: mais diagnósticos ou mais casos?

O número de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) parece ter crescido dramaticamente nos Estados Unidos, apontou um novo estudo.

Entre 1997 e 2016, a proporção de crianças diagnosticadas com o transtorno cresceu de 6,1 para 10,2%, mostraram os pesquisadores no JAMA.1

Contudo, ainda é uma questão aberta se estes diagnósticos representam um aumento real de casos de TDAH entre crianças, disse um dos co-autores do estudo, Dr. Wei Bao. Ele é professor assistente de epidemiologia na Universidade de Iowa.2

“É mais provável que estejamos melhorando nossa capacidade de fazer diagnósticos eficientes, dado o aumento de conhecimento entre os médicos sobre o TDAH, devido a contínuos esforços de educação médica”, disse Bao. “Isso pode contribuir parcialmente para o crescimento.”

Stephen Hinshaw, um professor de psicologia na Universidade da Califórnia, em Berkeley, avisa que também é possível que médicos estejam entregando diagnósticos de TDAH sem justificativa.

“Práticas incorretas de diagnósticos, frente às crescentes pressões por performance, podem estar motivando as taxas de elevação nos diagnósticos, que ultrapassam a verdadeira prevalência da condição”, disse Hinshaw, que não estava envolvido no estudo. “Isso é uma pena, porque o TDAH pode gerar deficiências significativas nas vidas das crianças”, lamentou o professor.3

Para pesquisar as tendências de TDAH, Bao e seus colegas revisaram 20 anos de dados da National Health Interview Survey, que é conduzida anualmente pelo U.S. Centers for Disease Control and Prevention. Os pesquisadores analisaram estatísticas de 1997 a 2016.

A pesquisa, conduzida entre 2015 e 2016, analisou dados de 18,107 crianças e adolescentes entre 04 e 17 anos. No geral, 1,880 receberam diagnóstico de TDAH.

Os pesquisadores encontraram diferenças significativas com relação a etnias e gêneros.

Gêneros: 14% dos meninos foram diagnosticados com o transtorno. Já as meninas, 6,3%.

Etnias: 12% de crianças brancas, não hispânicas foram diagnosticadas com TDAH. Já crianças hispânicas, 6,1%. A taxa de crianças negras não hispânicas diagnosticadas com o transtorno foi de 12,8.

Bao diz suspeitar que a disparidade entre meninas e meninos acontece pela diferença com que o transtorno se manifesta em ambos. Os meninos são mais ativos e, portanto, mais relacionados à hiperatividade, argumenta o pesquisador. “As meninas podem manifestar déficit de atenção, o que é mais difícil de reconhecer do que a hiperatividade”, responde Bao.

Ainda, novas pesquisas sobre TDAH levaram a critérios de diagnósticos mais amplos, o que naturalmente aumentou as taxas de casos, avisa o psicólogo Ronald Brown, reitor da Universidade de Nevada. Hoje, por exemplo, sabemos que o TDAH pode ser identificado em idade pré-escolar e pode prosseguir através da adolescência e da vida adulta, explica Brown.3

Especialistas também sugerem que diagnósticos equivocados estejam aumentando a taxa de casos.

Amie Bettencout, professora assistente do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais do Johns Hopkins University School of Medicine, pede cautela ao analisar este suposto crescimento de TDAH nos EUA.2

“Os autores do estudo reconhecem que utilizaram relatórios dos pais, confirmando que um médico ou um profissional de saúde havia diagnosticado seu filho com TDAH”, argumenta Bettencourt.

“Isso pode abrir uma caixa de Pandora, pois há diversas condições que incluem problemas de atenção e hiperatividade como sintomas. É possível que o TDAH esteja crescendo, mas também é possível que sejam apenas sintomas de outras desordens”, defende a professora.

Bettencourt diz já ter visto muitos diagnósticos equivocados. “Sou especialista em crianças pequenas”, ela diz. “O rigor crescente na educação do jardim de infância está levando a muitos erros na identificação de TDAH. É uma época na vida da criança em que ela ainda está desenvolvendo a capacidade de ficar parada. Anos atrás, não havia muito isso de ficar sentado. A aprendizagem era baseada na brincadeira e na experiência”, explica.

O que esta pesquisa está nos dizendo, conclui Bittencourt, é que muitas crianças estão sofrendo com dificuldades sociais, emocionais e comportamentais.

FONTES:

1 GUIFENG et al., 2018. Twenty-Year Trends in Diagnosed Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder Among US Children and Adolescents, 1997-2016. JAMA Network Open. 2018;1(4):e181471. doi:10.1001/jamanetworkopen.2018.1471. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2698633 . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

2 ADHD DIAGNOSES MAY BE RISING IN U.S. REUTERS. Disponível em: https://www.reuters.com/article/us-health-adhd/adhd-diagnoses-may-be-rising-in-us-idUSKCN1LG21M . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

3 ADHD RATES RISING SHARPLY IN U.S. KIDS. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/news/20180831/adhd-rates-rising-sharply-in-us-kids . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

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BULLYING E TDAH: Agressores E Agredidos

BULLYING E TDAH: agressores e agredidos

Preocupado que seu filho pode estar sendo alvo de bullying na escola? Crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade nem sempre sabem como lidar com o confronto tão típico entre os jovens. É possível que ele pense que a culpa é dele.1

O que é bullying?

É um comportamento individual ou coletivo, geralmente repetido, que intencionalmente tenta machucar uma pessoa ou um grupo – seja física ou emocionalmente, seja pessoalmente ou através da internet (cyberbullying).2

O bullying pode ter efeitos sérios e destrutivos. Vítimas de agressão podem se tornar agressores também.

– Agressores tendem a largar a escola, a ter dificuldades sociais e a desenvolver comportamentos ilegais – do uso de drogas a atividades criminosas.
– Vítimas de bullying podem ter baixa autoestima e um constante sentimento desesperançado, ansioso e triste. A vítima pode se sentir insegura, amedrontada e culpada.

Bullying e TDAH

Nada pode destruir mais o coração de uma mãe ou de um pai do que saber que seu filho está sofrendo violência na escola.

Infelizmente, crianças com TDAH têm ainda mais chances de passar por esta situação. Eles dão alguma resposta inapropriada ou impulsiva e a turma toda responde com piadas ou insultos. Pelos corredores, nos intervalos, a agressão pode sair do âmbito verbal e chegar ao físico.

Precisamos lembrar, também, que portadores do transtorno podem se tornar os agressores. Crianças com TDAH têm três vezes mais chances de se tornarem agressores e dez vezes mais chances de serem agredidas. Ainda, meninas são vítimas mais frequentes do bullying e menos propensas a agredir.3

Como saber se meu filho está sendo agredido?2

Crianças com TDAH podem acreditar que seu comportamento diferente é a causa para serem agredidos ou que não há nada que possa ser feito. Então, mesmo que ela confie nos pais e na escola, seu filho pode optar por não dizer nada a ninguém.

Observe os seguintes sintomas para identificar possíveis casos de bullying:

– Seu filho, de repente, passa a ser recusar a ir para a escola
– A concentração começa a regredir
– As notas começam a cair inesperadamente
– Surgem dores de cabeça, de barriga
– Xixi na cama e dificuldade para dormir
– Ansiedade e autolesão ou automutilação

O que posso fazer se meu filho estiver sendo agredido?4

Crianças com TDAH têm ainda mais problemas para responder a confrontos diretos. Os pais devem encorajar o filho a se impor e a responder sem exageros para não gerar uma escalada destrutiva de agressões.

1 – Avise a diretoria da escola imediatamente. Peça que sejam criadas regras e ferramentas pedagógicas para conscientizar os alunos.

2 – Encoraje seu filho a ficar calmo frente à ameaça. Se forem agressões verbais, ensine-o exercícios de respiração antes de responder. Ajude-o a ensaiar as respostas apropriadas. A chave é se manter emocionalmente distanciado da agressão.

3 – Motive-o a gritar no momento da agressão: “pare!” “Me respeite”. Este tom de voz alertará os adultos.

4 – Estimule seu filho a ficar ereto, fazer contato visual e a falar com voz firme e impositiva.

5 – Diariamente, converse com ele para acompanhar o desenrolar da situação. Separe um momento tranquilo e amoroso para fazê-lo.

O que faço se meu filho for o agressor?5

1 – Não acuse seu filho. Evite gritar. Mantenha-se calmo até mesmo se descobrir que o jovem não sente remorso pelo que fez. Neste caso, relembre seu filho das vezes em que ele se sentiu da mesma forma que a criança que ele agrediu.

2 – Construa. Agressores têm potencial para se tornarem grandes líderes. Converse com o professor e peça que lhe dê uma tarefa especial e motivadora, que engaje a turma.

3 – Previna antes que seja tarde. Pergunte ao professor sobre o que está acontecendo. Reorganize os lugares na sala de aula e, se for o caso, peça que haja supervisão nos corredores e momentos de intervalo.

4 – Ajude seu filho a controlar emoções. Utilize técnicas de dramatização para regular as emoções. Ensaiem cenários juntos em que você é o agressor e ele é a vítima. Explique o que está fazendo e peça que ele responda de forma controlada, sem agressão. Elogie-o pelas respostas.

5 – Lembre-se que o erro não é seu. Se o professor lhe abordar para contar que seu filho está agredindo colegas, seja objetivo: recolha informações para descobrir o porquê de isso estar ocorrendo. Saiba em quem ele bate, por que ele faz isso, quais são os momentos e locais escolhidos. Desta forma, você conseguirá ir utilizando as ferramentas acima para construir uma solução eficiente.

FONTES
1 IS YOUR CHILD A TARGET FOR BULLIES? ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/stop-bullying-at-school-adhd-children/ . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

2 ADHD AND BULLYING.ADHD FOUNDATION. Disponível em: https://www.additudemag.com/stop-bullying-at-school-adhd-children/ . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

3 HOLMBERG K et al., 2008. Bullying and attention-deficit–hyperactivity disorder in 10-year-olds in a Swedish community. Developmental Medicine & Child Neurology 2008, 50: 134–138. doi: 10.1111/j.1469-8749.2007.02019.x. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.1111/j.1469-8749.2007.02019.x . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

4 THINGS TO DO WHEN YOUR CHILD IS THE BULLY. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/teach-adhd-child-about-bullying/ . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

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ESTRESSE, ESGOTAMENTO E FADIGA: CUIDADO O TDAH DO SEU FILHO PODE TER PROFUNDAS CONSEQUÊNCIAS EM VOCÊ

ESTRESSE, ESGOTAMENTO e FADIGA: CUIDADO O TDAH DO SEU FILHO PODE TER PROFUNDAS CONSEQUÊNCIAS EM VOCÊ

Cuidar de uma criança com TDAH é um dos mais desafiadores trabalhos. Famílias com filhos diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade precisam aprender a superar grandes cargas de estresse.

Neste caso, é importante que você domine diversas capacidades de gerenciamento para manter ou restaurar a calma e a resolução de problemas.

Sim, ter filhos pequenos, com TDAH ou não, exige tais capacidades. Mas, mães e pais de crianças com distúrbios de desenvolvimento e saúde mental geralmente têm que lidar com estas questões em outra magnitude.

Cuidar de um filho com TDAH pode se tornar um trabalho em turno integral:
– você monitorará seu filho constantemente;
– você repetirá regras e direções o tempo todo;
– você, fatalmente, passará grande parte do tempo conversando com professores e coordenadores da escola;
– você estará cansado grande parte do tempo.

São reais as consequências do estresse crônico relacionado à tarefa de educar crianças com necessidades especiais. Estudos1 mostraram que pais de crianças com distúrbios de desenvolvimento e de aprendizagem têm muito mais chances de passar pelas seguintes situações:
– Ansiedade
– Depressão
– Insônia
– Fadiga
– Problemas mentais1

De acordo com um estudo britânico2, o estresse crônico coloca estes pais em riscos médicos graves. Esta pesquisa descobriu que pais de crianças com autismo ou TDAH tem muito mais chance de terem altos níveis de cortisol (o hormônio do estresse), e PCR (Proteína c-reativa), um biomarcador ligado a incontáveis questões, que vão do câncer colorretal até diabetes, passando por problemas cardíacos.

É importante que abordemos estes riscos, tanto pelo bem-estar das crianças quanto pela saúde dos pais.

Vamos dar uma olhada em fatores geradores de estresse. Veremos, também, algumas sugestões para colaborar na construção de famílias mais equilibradas e emocionalmente capazes de se comprometer com o bem-estar de todos.

Aceite seus limites

Especialistas concordam que a grande causa do estresse é um pensamento típico: você passa a acreditar que é a única pessoa que pode ajudar seu filho e que sua capacidade é ilimitada.1

Dr. Wendy Blumenthal, uma psicóloga de Atlanta, diz que vê mães chegarem a um ponto de colapso, porque carregam todas responsabilidades de seus filhos com necessidades extras. “Estas supermães não dormem, estão sempre ansiosas e ligam para todos os médicos que conseguem imaginar”, explica Blumenthal.

Elaine Taylor Klaus, cofundadora do Impact ADHD3, oferece treinamento para pais de crianças com TDAH e outras desordens. Ela conta que “estes pais sentem que deveriam ser capazes de fazer tudo, sendo que a primeira coisa que precisam aprender é a cuidarem de si mesmos”. Klaus alerta para os perigos que situações de estresse constante geram em longo prazo.

Precisamos salientar que existem diversos tipos e intensidade de esgotamento. Este amplo espectro inclui exaustão física e mental, monotonia, frustração ou até o conhecido sentimento de derrotismo.

Claro, é muito provável que você sinta um pouco de cada um deles. Porém, é importante que você entenda o que está sentindo para buscar a abordagem mais eficiente, que restaure sua energia e habilidade de seguir enfrentando os desafios.

Independentemente do que você estiver sentindo – ou da intensidade da questão, algumas práticas são fundamentais para a saúde física e mental de pais de crianças com TDAH:
– Durma sempre que possível. Dormir é o maior aliado do combate ao estresse e você, provavelmente, já sabe disso. Entendemos que o sono parece um luxo nestes casos, mas falamos sobre priorizar seu sono acima do celular, da televisão ou de quaisquer distrações que não sejam cruciais para o seu relaxamento.
– Mantenha-se hidratado e bem alimentado.
– Mexa seu corpo. Exercite-se com regularidade.
– Tenha um lazer prazeroso, um momento para ficar longe das crianças.

Agora que já abordamos as inevitáveis questões fundamentais para o seu bem-estar, podemos passar a outras situações e soluções que melhorarão sua qualidade de vida em geral.

Isolamento e exaustão

Quando você tem uma criança com um comportamento difícil ou cujas necessidades são desafiadoras, o sentimento de isolamento se acentua e, com ele, o estresse. Colegas, vizinhos, amigos, família e até mesmo o cônjuge parecem estar em outro planeta.

Mas, a verdade é que as pessoas querem ajudar – elas só não sabem como.

Os pais precisam aprender a dar direções objetivas aos ajudantes e cuidadores:
– você pode ficar com as crianças na quarta-feira para que eu consiga cortar o cabelo?
– você pode comprar esta lista de itens no supermercado para mim?

Estes pedidos concretos serão atendidos pelas pessoas e você mudará sua percepção sobre o abandono e o isolamento.

Caso não seja possível contratar uma babá, você pode propor períodos de troca com outros pais (até mesmo formar uma rede de pais) de crianças com desordens de aprendizado na sua cidade. Vocês podem alternar momentos de cuidados dos pequenos e, assim, criar folgas saudáveis para todos.

Vida social

Muitos pais de crianças com distúrbios de comportamento e desenvolvimento acabam perdendo o contato com amigos ou param de fazer atividades fora de casa.

Cuidar da sua saúde emocional e social é tão importante quanto qualquer outra prática física, como se exercitar ou dormir bem, diz Dr. Matthew Rouse, psicólogo do Child Mind Instute.3

Ele levanta a importância da vida social adulta e questiona os pais que atende em seu consultório:
– O que vocês estão fazendo por si mesmos?
– O que vocês estão fazendo como casal?
– Quando foi a última vez que você se divertiu com amigos?

Para minimizar estes sentimentos de afastamento da vida social, Dr. Rouse recomenda:

Crie uma rede de amigos fora do âmbito familiar. Grupos de apoio são ótimos, diz ele, mas ainda estão ligados ao universo do seu filho.

O que você deve buscar aqui são atividades que coloquem você em foco. São momentos de prazer, como ler em um parque, correr ou pintar.

O psicólogo explica que, se você apenas doar suas energias mentais sem repô-las, cedo ou tarde, elas se esgotarão – e seu filho sofrerá as consequências junto com você.

Cuidar do casamento

Ao longo dos anos, os pais terão que dar atenção extra para a relação mais vulnerável das suas vidas: o casamento.

Uma pesquisa concluiu que pais com crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm duas vezes mais chance de se divorciarem até o filho atingir a idade de oito anos.

Surpreendentemente, após os oito anos da criança, as diferenças nas taxas de divórcio entre pais de crianças diagnosticadas com TDAH ou não se tornam irrelevantes.4

Outros fatores colaboram no desfecho da separação, dizem os pesquisadores. Desordens coexistentes, como Transtorno Desafiador Opositivo ou Transtorno de Conduta podem agravar o quadro dos conflitos em casa.

Comportamentos antissociais do pai também impactam na probabilidade da separação, bem como diferenças no grau de educação entre os cônjuges.

William E. Pelham Jr., Ph.D, professor de Psicologia e Pediatria na Universidade de Buffalo, participou do estudo.

Ele explica que o mais grave fator de conflitos é a dissonância na forma de enxergar as dificuldades do filho. Por exemplo, a mãe considera determinado comportamento na escola um problema, mas o pai releva, considerando a situação algo natural da criança.

Este tipo de desarmonia na percepção da educação do filho é o maior fator de brigas no casal, explica o pesquisador.

Mas, nada disso é uma fatalidade inescapável. São alertas para que você compreenda que você e seu casamento também são uma prioridade no tratamento do seu filho.

Pelham já traz o caminho para as conclusões do próprio estudo: os pais precisam trabalhar em conjunto, argumenta. Eles precisam aprender, juntos, habilidades necessárias para o desafio de ter um filho.5

Utilizem os momentos que a criança está na escola ou na terapia para fazerem algo breve em casal. Em casa, tirem instantes para namorar, cozinhar ou ouvir música juntos.

Sobre a dissonância de percepção na educação e no comportamento do filho, Dr. Rouse propõe uma prática benéfica: tire um momento antes de dormir para conversar com seu parceiro sobre a situação mais difícil e a mais recompensadora do dia. Estes balanços, tão positivos para afinar a vida em casal, também são estratégias eficientes para afinar a percepção sobre o filho.3

Mãe e filhos com TDAH: ainda mais interligados

Todos sabemos do poder das relações entre mães e filhos. A mãe é capaz de adoecer com seu filho, de vibrar junto com a felicidade do filho e de sentir tristeza paralisante frente ao fracasso do filho.

Porém, as mães de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm laços ainda mais sensíveis.

Foi o que descobriu um estudo da Universidade da Califórnia, em Irvine.6 Os pesquisadores avaliaram o humor das crianças com TDAH e de 51 mães a cada 30min. A descoberta não foi nada surpreendente: o humor das mães e dos filhos coincidiram. Os comportamentos que mais geraram estresse nas mães estavam relacionados à hiperatividade, falta de concentração e desobediência.7

Você e seu filho se influenciam mutuamente. Sua saúde mental e física é uma peça-chave na qualidade de vida da criança.

Agora, você já pode compreender a importância de pensar no tratamento do TDAH como uma dinâmica familiar, que inclui você e seu casamento. Abordagens integradas e a participação de toda a família transformam o peso da dificuldade em desafios (e celebrações) de crescimento conjunto.

1 WHY SELF-CARE IS ESSENTIAL TO PARENTING. THE CHILD MIND INSTITUTE. Disponível em: https://childmind.org/article/fighting-caregiver-burnout-special-needs-kids/ . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

2 LOVELL B et al., 2011. The psychosocial, endocrine and immune consequences of caring for a child with autism or ADHD. Psychoneuroendocrinology. 2012 Apr;37(4):534-42. doi: 10.1016/j.psyneuen.2011.08.003. Epub 2011 Sep 1. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21889267 . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

3 IMPACT ADHD. Disponível em: https://impactadhd.com/author/elainetaylorklaus/ . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

4 WYMBS et al., 2008. Rate and predictors of divorce among parents of youth with ADHD. J Consult Clin Psychol., 76(5), 735–744. doi:10.1037/a0012719 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2631569/ . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

5 DIVORCE MORE LIKELY IN ADHD FAMILIES?. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/news/20081024/divorce-more-likely-in-adhd-families#1 . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

6 WHALEN CK et al., 2008. Dissecting daily distress in mothers of children with ADHD: an electronic diary study. J Fam Psychol. 2011 Jun;25(3):402-11. doi: 10.1037/a0023473. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21517172 . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

7 THE ADHD ROLLERCOASTER: STRESSED PARENTS NEED HELP, TOO. LIVE SCIENCE. Disponível em: https://www.livescience.com/15198-adhd-stressed-parents.html . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

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