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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

RECEBER UM DIAGNÓSTICO DE TDAH PODE PREJUDICAR A PERFORMANCE ACADÊMICA?

RECEBER UM DIAGNÓSTICO DE TDAH PODE PREJUDICAR A PERFORMANCE ACADÊMICA?

O diagnóstico de doenças -tanto físicas como mentais- além de influenciar no tratamento e prognóstico, possui um impacto psicológico no paciente. Comparando-se afecções físicas e mentais, esse impacto pode ser muito maior nos transtornos psiquiátricos, seja pelo estigma social ou por serem doenças com potencial de influenciar diversos aspectos da vida.

Recentemente, foi publicado um estudo sobre os efeitos do diagnóstico de TDAH em crianças no Sociology of Education. Os resultados levantam uma questão interessante: a intensidade dos sintomas antes do diagnóstico pode estar associada ao ajustamento após o mesmo. No estudo, as crianças que tinham sintomas menos graves de TDAH antes do diagnóstico que usaram medicação ou não tinham ajustamento de comportamento social e acadêmico pós diagnóstico pior do que as crianças sem TDAH. Já as crianças com sintomas mais graves de TDAH antes do diagnóstico que usaram medicação tiveram um ajustamento pós-diagnóstico similar ao das crianças sem diagnóstico. Os autores do estudo interpretaram os achados como sinalizando que o diagnóstico e tratamento teve um efeito deletério em crianças com TDAH mais leve, diferentemente dos casos de TDAH com sintomas mais intensos.

Alguns pesquisadores teorizam que crianças com TDAH em idade escolar demonstram consciência das diferenças entre elas e os outros, fazendo com que elas inconscientemente diminuam sua performance em medidas sociais e acadêmicas em comparação com seus colegas, ao mesmo tempo em que a medicação poderia reforçar essa diferença de percepção.

Outros estudos também sugerem o impacto do rótulo na avaliação dos estudantes pelos professores. Mesmo quando apresentados com descrições hipotéticas sobre estudantes, os professores tendiam a avaliar a inteligência, o comportamento e a personalidade dos estudantes com TDAH desfavoravelmente em relação com seus colegas.

O estudo publicado no Sociology of Education analisou dados longitudinais de cerca de 10.000 estudantes de ensino fundamental dos Estados Unidos. Os dados, retirados da Early Childhood Longitudinal Study-Kindergarten Cohort (ECLS-K), foram coletados entre 1998 a 2008 pelo National Center for Education Statistics. Esses dados permitiram que pesquisadores observassem os efeitos a longo prazo do diagnóstico de TDAH e da medicação na performance acadêmica e social das crianças.

Contudo, os dados do ECLS-K possuem várias limitações. Todos os dados sobre TDAH provém de apenas três perguntas feitas aos pais sobre o diagnóstico entre a primeira e terceira séries do ensino fundamental, ou seja, nenhuma avaliação diagnóstica foi feita. A pergunta sobre uso de medicação foi feita apenas sobre uso corrente. Portanto, se naquele período, os pais reportaram que seus filhos não faziam uso de medicação, o ECLS-K computou que eles nunca fizeram uso de medicação, mesmo que tenham feito uso anteriormente ou que viessem a fazer uso depois. Isso pode ter feito com que as conclusões desses estudos sobre o impacto do uso de medicação na aprendizagem tenham sido enviesadas. Além disso, não houve avaliação da dosagem, aderência e o tempo de tratamento do TDAH, fatores que podem contribuir na performance. Sabe-se, por exemplo, que pais de crianças com sintomas mais graves de TDAH tendem a manter de forma mais consistente o tratamento medicamentoso de seus filhos, o que poderia resultar nos melhores resultados para esse grupo vistos no estudo. Pais de crianças com sintomas de TDAH mais leve aderem pior, o que pode determinar pior ajustamento futuro de seus filhos pelo uso inadequado do tratamento.

“Nós precisamos de um estudo de acompanhamento longo, com controles -não apenas estudantes não diagnosticados- que acompanhe os participantes dos 7 aos 18 anos”, disse o Dr Atih Amanda Seif, psiquiatra de crianças e adolescentes de Los Angeles, “uma vez que muitos estudantes não demonstram sintomas de TDAH até a adolescência”. Além disso, ao focar em melhorias em testes padronizados “estamos focados em medidas que podem mascarar outras melhorias que os estudantes experienciam ao tomar medicação para os seus sintomas de TDAH”.

Apesar das falhas potenciais nesses estudos, esses achados nos lembram a importância de se levar em consideração as percepções e o estigma envolvendo o TDAH e os problemas de comportamento ou aprendizado. Eles também apontam para o estresse dos pais e professores e para a estrutura dos sistemas de ensino que se baseia fortemente em testes padronizados.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.neurologyadvisor.com/topics/neurobehavioral-disorders/adhd-diagnosis-effect-on-academic-performance/

 

 

 

 

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MINDFULLNESS BASEADO EM TAI-CHI PODE DIMINUIR OS SINTOMAS DE TDAH EM CRIANÇAS, SEGUNDO ESTUDO

MINDFULLNESS BASEADO EM TAI-CHI PODE DIMINUIR OS SINTOMAS DE TDAH EM CRIANÇAS, SEGUNDO ESTUDO

Um estudo recentemente publicado no Journal of Developmental and Behavioral Pediatrics encontrou uma associação entre o treinamento com mindfulness baseado em Tai-chi e uma melhora da hiperatividade, impulsividade e desatenção em crianças em idade escolar com TDAH.

“Os achados desse estudo fornecem suporte para uma nova via promissora de intervenção comportamental em crianças com TDAH e dificuldades relacionadas, com a pratica de mindfullness em movimento estando associada com melhora na habilidade de controlar a atenção e o comportamento. Os achados também sugerem que a intervenção de mindfullness em movimento contribui para melhorias paralelas no controle motor, de tal forma que o exame da motricidade pode servir como um biomarcador valioso, ajudando a monitorar a resposta a essa intervenção promissora”, disse Mostofsky, um dos pesquisadores do estudo.

Trinta e quatro crianças com idades entre 8-12 anos participaram durante 8 semanas de uma intervenção com Tai-chi com 2 aulas semanais de 60 minutos. Os sintomas de TDAH foram avaliados antes e depois do tratamento utilizando uma escala validada de avaliação parental. O controle motor foi avaliado usando um exame objetivo dos sinais de desenvolvimento motor. Após a intervenção, as crianças mostraram reduções significativas nos sintomas de hiperatividade, impulsividade e desatenção, bem como melhora do comportamento opositor-desafiador e de funções executivas. As crianças também apresentaram melhorias significativas em medidas objetivas de controle motor. Vale ressaltar que houve uma grande correlação entre esses achados, de forma que crianças com mais melhorias no exame motor também apresentavam melhoria mais acentuada nos sintomas de TDAH.

Até hoje, há poucos estudos sobre intervenções de mindfullnes em crianças com TDAH e esses estudos avaliam apenas desfechos subjetivos baseados em relatos individuais ou relatos dos pais. Os achados desse estudo, que mostraram melhora significativa em medidas objetivas de controle motor em paralelo a melhorias da atenção e comportamento, fornecem suporte para o potencial da pratica de mindfullness em movimento para crianças com TDAH e dificuldades relacionadas.

Comentário da equipe FOCUS:
Não se pode excluir a presença de vieses nesse estudo já que foi feito com apenas um braço de intervenção, sem grupo controle. Ou seja, não se pode descartar que os resultados se deveram ao efeito placebo, ou a outros motivos, ao invés de se deverem a uma verdadeira resposta adquirida pelo Tai-chi. Além disso, não foi feito cegamento nesse estudo e os pais sabiam que seus filhos estavam recebendo intervenção de Tai-chi, o que pode ter feito com que alguns pais tivessem a impressão de melhora nos sintomas, o que não necessariamente significa uma melhora verdadeira. Esse mesmo viés pode ser aplicado aos médicos que avaliaram os sintomas motores.  Saber que as crianças estavam recebendo a intervenção pode fazer com que eles sejam induzidos a ver melhorias nos sintomas. De qualquer forma, o Tai-chi é uma abordagem com poucos riscos e um uso promissor, portanto, esse estudo abre portas para que novos estudos sejam conduzidos nessa área.

 

Artigo adaptado e traduzido de: https://medicalxpress.com/news/2020-04-tai-chi-based-mindfulness-core-adhd-symptoms.html

Referências:
– Dav Clark et al. Subtle Motor Signs as a Biomarker for Mindful Movement Intervention in Children with ADHD, Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics (2020). DOI: 10.1097/DBP.0000000000000795
https://journals.lww.com/jrnldbp/Abstract/9000/Subtle_Motor_Signs_as_a_Biomarker_for_Mindful.99083.aspx

– Registro do estudo no Clinical Trials: https://clinicaltrials.gov/ct2/show/study/NCT02234557

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COMO AJUDAR SEU FILHO A ESTUDAR EM CASA

COMO AJUDAR SEU FILHO A ESTUDAR EM CASA

Devido ao COVID-19, muitas famílias tiveram de aderir ao Homeschooling. Assumir o papel de professores pode ser um desafio para os pais, sobretudo para aqueles que são pais de crianças com TDAH. Recentemente em uma entrevista, o médico psiquiatra Dr. Greg Mattingly do Missouri, EUA, selecionou algumas dicas baseadas em sua experiência clínica, que podem ajudar os pais nesse momento:

1- ESTRUTURA

A escola é importante por fornecer estrutura e rotina para os seus filhos. Portanto, nesse momento, é importante que você crie essa estrutura dentro de casa: tenha um horário fixo e pré-definido para acordar, tome café da manhã e inicie o dia sempre em um mesmo horário.

2- COMECE COM O MAIS FÁCIL

Inicie os estudos com a tarefa ou matéria favorita do seu filho, para que ele se sinta mais motivado e sinta orgulho de conseguir terminar uma atividade.

3- FRAGMENTE AS MATÉRIAS

Separe as atividades em etapas para que seu filho se sinta recompensado, com um senso de dever cumprido, por cada etapa que ele finaliza. Por fim, vá aumentando a dificuldade das matérias gradualmente.

4- HORÁRIO

Tente colocar as matérias mais difíceis para as 10:30 da manhã (segundo o médico, esse é o horário em que as crianças tendem a estar mais concentradas)

Por fim, não se esqueça: “crianças copiam os nossos modelos”, complementa Dr. Greg Mattingly. Portanto seja um modelo para os seus filhos. Você pode fazer isso ao se concentrar em suas próprias atividades em um ambiente silencioso, assim a criança vai observar a forma como você se comporta. Tente encorajar seus filhos, parabenizar as suas conquistas e tente ter paciência e manter a calma. Se você brigar com uma criança, ela vai brigar com você, e isso pode dificultar as coisas.

 

Referências:
– Entrevista em inglês:  https://www.youtube.com/watch?v=BZ4Of9oaa4g

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ATENÇÃO: O APLICATIVO FOCUS VAI MUDAR!

ATENÇÃO: O APLICATIVO FOCUS VAI MUDAR!

Vem aí uma boa novidade para 2020. Estamos trabalhando em uma nova versão do aplicativo FOCUS. Uma versão mais eficiente. Uma versão melhor.
Para ter acesso a essas melhorias, contudo, será necessário baixar a nova versão! Mas não se preocupe: vamos enviar uma mensagem aos usuários para que baixem a nova versão quando estiver disponível.
Enquanto isso aproveite o nosso app na versão atual! Aos pouco traremos mais informações.


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OS ÓLEOS DE ÔMEGA-3 AUMENTAM A ATENÇÃO TANTO QUANTO OS MEDICAMENTOS PARA O TDAH EM ALGUMAS CRIANÇAS

OS ÓLEOS DE ÔMEGA-3 AUMENTAM A ATENÇÃO TANTO QUANTO OS MEDICAMENTOS PARA O TDAH EM ALGUMAS CRIANÇAS

Os suplementos de óleo de peixe ômega-3 podem melhorar a atenção em crianças com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) tanto quanto os tratamentos com medicamentos, mas apenas naqueles cujos níveis sanguíneos de ômega-3 são baixos, mostraram resultados de testes de um estudo publicado há duas semanas.

Pesquisadores da Grã-Bretanha e Taiwan que conduziram o estudo disseram que suas descobertas sugerem que uma abordagem de “medicina personalizada” deve ser adotada nesta e em outras condições psiquiátricas.

A literatura mostra que o déficit de ômega-3 e de outros ácidos graxos essenciais parece ter correlação com a patogênese do TDAH e que muitos pacientes com TDAH tem níveis sanguíneos mais baixos desses elementos.

“Os suplementos de ômega-3 só funcionavam em crianças com níveis mais baixos de EPA (ácido eicosapentaenóico) no sangue, como se a intervenção estivesse repondo a falta desse nutriente importante”, disse Carmine Pariante, professor do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência no King’s College London, que co-liderou o estudo.

Ele disse que o trabalho estabelece um precedente para outras intervenções nutricionais e pode ser o começo de “trazer os benefícios da ‘psiquiatria personalizada’ para crianças com TDAH”.

O TDAH é uma condição cerebral comum que afeta entre 3% e 7% das pessoas em todo o mundo. Os sintomas podem incluir problemas de atenção e impulsividade que causam dificuldades nas relações acadêmicas, profissionais e pessoais.

Neste estudo, publicado na revista Translational Psychiatry, pesquisadores da King’s e da China Medical University, em Taiwan, conduziram um ensaio clínico randomizado com 92 crianças de 6 a 18 anos com TDAH. Os principais desfechos analisados foram atenção focada, impulsividade, atenção sustentada e vigilância.

As crianças receberam altas doses do ácido graxo ômega-3 EPA, ou um placebo, por 12 semanas e tiveram seus níveis de ácidos graxos sanguíneos medidos antes e após o tratamento.

Os resultados mostraram que a suplementação de ômega-3 melhora a atenção focada em relação ao placebo. O benefício é ainda mais marcante em crianças com os níveis mais baixos de EPA no sangue, que apresentaram melhorias na atenção focada e vigilância.

A equipe de Pariante disse que, embora a quantidade de melhoria na atenção e vigilância do metilfenidato (ritalina) seja geralmente de 0,22 a 0,42, o efeito observado em crianças com baixos níveis de EPA no estudo foi maior – 0,89 para atenção concentrada e 0,83 para vigilância.

Mas em crianças com níveis normais de EPA, os suplementos de ômega-3 não melhoraram, e naqueles com alto nível de EPA, os suplementos tiveram efeitos negativos nos sintomas de impulsividade.

Os cientistas alertaram que os pais não devem dar aos filhos suplementos de óleo de peixe sem consultar primeiro um médico e enfatizaram que os níveis de ômega-3 podem ser verificados com um exame de sangue.

Traduzido com adaptações de artigo publicado por Kate Kelland em 19 de novembro de 2019, no site reuters.com

 

Comentários do Professor Luis Augusto Rohde coordenador do PRODAH da UFRGS/HCPA:

A questão da associação de baixos níveis de ômega-3 com TDAH é controversa, com algumas meta-análises (estudos que sintetizam o efeito do ômega-3 em todos os estudos sobre o assunto) mostrando resultados positivos e outros negativos. O estudo é interessante porque mostra que essa associação pode se dar apenas num grupo de pacientes com TDAH. Como é um primeiro estudo, precisa ser replicado para termos ideia mais solida da validade clínica da suplementação em pacientes com baixos níveis de ômega-3 e TDAH. O efeito do metilfenidato na atenção tende a ser maior do que o apontado pelos pesquisadores no comentário sobre o artigo.

 

Referências:


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CHEGARAM AS PROVAS FINAIS: COMO AJUDAR SEU FILHO A SE PREPARAR?

CHEGARAM AS PROVAS FINAIS: COMO AJUDAR SEU FILHO A SE PREPARAR?

 

Os mais de 20 anos trabalhando com crianças e adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) nos ensinaram que essa é uma hora crucial para as famílias. Chegou dezembro, e com ele, as provas finais. Os alunos com TDAH procrastinam, empurram com a barriga, esperando, mesmo sem saber, que o estresse desencadeie a liberação de um neurotransmissor excitatório – a noradrenalina – numa área específica do cérebro, o córtex pré-frontal.  Esse neurotransmissor é um dos responsáveis por estimular as funções executivas.

Essa descarga coloca os portadores de TDAH em ação! Algo que para acontecer depende, em muitos casos, dessa descarga, ou de muita motivação. Nessa última situação, pela liberação no córtex pré-frontal de um outro neurotransmissor, a dopamina. O TDAH, assim como a maioria dos transtornos mentais, é uma condição dimensional na população. Ou seja, mesmo sem o diagnóstico pleno, muitas pessoas têm algumas características do transtorno. Logo, o planejamento de como estudar e como enfrentar os testes finais é algo relevante também para crianças e adolescente sem qualquer diagnóstico psiquiátrico!

Uma palavra de cautela para quem nos acompanha nessa coluna. Buscamos sempre discutir e informar com base em evidência científica. Infelizmente, essa é uma área, onde existem muito poucos estudos comparativos entre estratégias para enfrentar a situação. Frente a urgência, vamos ao que a experiência clínica e o bom senso sugerem.

 

Passo 1:  estudando para os testes finais

A máxima inicial não vale aqui! “Estude com antecedência e regularmente” fica para uma próxima vez. Mas não adianta fugir, como o “diabo da cruz”. Estudo continuado e sequencial, ao invés do massivo de última hora, ainda é a estratégia que parece dar o melhor!

– Selecione o material necessário para o estudo. Isso muitas vezes pode significar ter que entrar em contato com aquele (a) colega que tem tudo organizado, ou com a mãe dele (a), para solicitar esse material. Muitas vezes, o bom é inimigo do ótimo! Procure selecionar o essencial para a preparação da prova, e não todos os livros, temas e cadernos da matéria;

– Organize o espaço de estudo mantendo-o livre de distratores. Não tem jeito: você terá que convencer o seu filho(a) que ele terá que ficar sem o celular nesse momento e o computador só poderá ser usado para a procura de conteúdo relacionado ao estudo. Escolha um ambiente calmo, longe de janelas e outros distratores;

– Programe a matéria a estudar. Definido qual o conteúdo da prova, faça um roteiro dos tópicos a estudar. Determine e registre com seu filho o tempo para cada tópico;

– Faça intervalos. Embora não pareça existir evidência clara para a alegação popular de que os jovens não conseguem manter mais do que 10-15 minutos de atenção continuada, dividir o tempo de estudo em unidades de cerca de 30 minutos pode ser uma estratégia interessante, ainda mais se seu filho (a) já tiver alguma dificuldade atencional;

– Determine um tempo de estudo razoável. Mesmo que ele (a) tenha pego inúmeras recuperações, maratonas de estudo tendem a ser pouco eficazes. Turnos de não mais do que 2-3 horas, em casos de máxima necessidade, sempre com intervalos regulares tendem a ser o máximo tolerável;

– Pratique com provas anteriores. A pouca evidência existente na área indica que fazer provas de anos anteriores ou qualquer teste sobre o conteúdo da prova é disparado a melhor estratégia para estudar. Aqui há uma vantagem adicional. Permite ajudar o (a) seu/sua filho (a) a reconhecer quais os tópicos que ele (a) já sabe e quais ele (a) precisa estudar mais, ajudando-o (a) a se concentrar nesses últimos;

– Peça para ele (a) lhe explicar o que entendeu da matéria estudada. Esse exercício de resumir e recontar o conteúdo verbalmente ajuda alguns jovens a memorizar melhor os conteúdos estudados.

 

Passo 2:  antes dos testes

– O sono na noite anterior à prova é fundamental. Vários estudos mostram que o sono adequado é essencial para a consolidação de dados armazenados na memória de trabalho. Essa é a memória similar a memória RAM do computador, ou seja, aquela que vai manter todas as informações online que seu/sua filho (a) vai precisar para responder às questões das provas.

Se ele (a) tem dificuldade de dormir quando tem um evento importante no dia seguinte, prepare-o (a) para situação. Isso pode envolver medidas de higiene do sono, ou até mesmo uso de um indutor do sono. Mas nunca use qualquer substância com a qual ele (a) não tenha tido experiência prévia!

– Uma alimentação saudável antes dos testes é fundamental. As crianças não devem ir para provas sem ter comido nada, para evitar episódios de hipoglicemia, mas deve-se evitar refeições muito pesadas para que não fiquem sonolentos.

 

Passo 3:   fazendo os testes finais

– Evite distrações. Se o espelho de classe não estiver rigidamente definido, converse com seu filho (a), estimulando-o (a) a escolher um lugar calmo, longe de distrações, como janelas, e longe de colegas barulhentos ou que o (a) atrapalhem;

– Uma perspectiva positiva sempre ajuda! Nos momentos antes das provas, ensine ele (a) a respirar fundo algumas vezes e a visualizar-se fazendo as provas, respondendo às questões e recebendo um resultado positivo da prova. Parece bobo, não? A experiência clínica sugere, entretanto, que, muitas vezes, somos tomados antes das provas por ansiedade de desempenho e inúmeros pensamentos disfuncionais negativos, do tipo: “não sei nada, não estudei o suficiente, vou me ralar”. Esse “estado de espírito” afeta claramente a nossas funções executivas;

– Ajude-o (a) a avaliar o teste de uma forma global. São quantas questões? Qual o tempo total que ele (a) tem? Ele (a) deve determinar o tempo médio por questão. É útil ter um cronometro durante os testes, mas ele deve ser usado de forma racional, ou seja, cuidado para ele trabalhar a favor do seu/sua filho (a). Ajuda-lo (a) a organizar o tempo sem aumentar a sua ansiedade. Ao ler cada questão, ele (a) deve avaliar se essa é uma questão que para ele (a) é difícil ou fácil. Para as fáceis, deve determinar um tempo menor que o médio para resolvê-las e para as difíceis um tempo maior do que o médio. O tempo exato vai depender do tempo total e do número de questões;

– Lembre ele (a) de ler cada questão duas vezes e, acima de tudo, sublinhar a solicitação central de cada questão;

– Estimule-o (a) a não seguir a ordem do teste. Ele (a) deve resolver todas as questões que têm certeza antes. Marcar com um ”D” as que considera difíceis e com “SD” de superdifíceis, as que não tem a menor ideia da resposta. Deve resolver as difíceis antes das superdifíceis, usando as estratégias acima. Para todas as superdifíceis, marcar a mesma letra, em caso de provas objetiva. Preferencialmente, a letra menos frequente nas respostas para as perguntas que ele (a) tem certeza. Se a prova penaliza resposta erradas, deixar essas sem resposta;

– Insista que ele (a) seja o (a) último (a) a entregar a prova. Não há qualquer prêmio para quem entrega a prova antes! Revisar com cuidado as respostas. Mas, após uma análise cuidadosa, ficar com a resposta que ele (a) considera certa. Ou seja, retirada a possibilidade de erro de atenção por não ter lido com cuidado a questão, acreditar nele (a) próprio (a)! Alguns estudos sugerem que a troca de resposta nessas condições leva a maior chance de erro do que de acerto, ou seja, a primeira impressão é a que vale!

O mais importante é customizar as dicas acima ao estilo do (a) seu/sua filho (a) ou as características dele (a). Pode ter certeza de que nem todas funcionam para todo mundo, mas muitas delas vão ajudá-lo (a) nesse fim de ano.

Fonte:
Luis Augusto Rohde
Professor titular de psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Professor da pós-graduação em psiquiatria na universidade de São Paulo

Matéria publicada na revista Veja em 5 de dezembro de 2019.
https://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/chegaram-as-provas-finais-como-ajudar-seu-filho-a-se-preparar/

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BULLYING E TDAH: Agressores E Agredidos

BULLYING E TDAH: agressores e agredidos

Preocupado que seu filho pode estar sendo alvo de bullying na escola? Crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade nem sempre sabem como lidar com o confronto tão típico entre os jovens. É possível que ele pense que a culpa é dele.1

O que é bullying?

É um comportamento individual ou coletivo, geralmente repetido, que intencionalmente tenta machucar uma pessoa ou um grupo – seja física ou emocionalmente, seja pessoalmente ou através da internet (cyberbullying).2

O bullying pode ter efeitos sérios e destrutivos. Vítimas de agressão podem se tornar agressores também.

– Agressores tendem a largar a escola, a ter dificuldades sociais e a desenvolver comportamentos ilegais – do uso de drogas a atividades criminosas.
– Vítimas de bullying podem ter baixa autoestima e um constante sentimento desesperançado, ansioso e triste. A vítima pode se sentir insegura, amedrontada e culpada.

Bullying e TDAH

Nada pode destruir mais o coração de uma mãe ou de um pai do que saber que seu filho está sofrendo violência na escola.

Infelizmente, crianças com TDAH têm ainda mais chances de passar por esta situação. Eles dão alguma resposta inapropriada ou impulsiva e a turma toda responde com piadas ou insultos. Pelos corredores, nos intervalos, a agressão pode sair do âmbito verbal e chegar ao físico.

Precisamos lembrar, também, que portadores do transtorno podem se tornar os agressores. Crianças com TDAH têm três vezes mais chances de se tornarem agressores e dez vezes mais chances de serem agredidas. Ainda, meninas são vítimas mais frequentes do bullying e menos propensas a agredir.3

Como saber se meu filho está sendo agredido?2

Crianças com TDAH podem acreditar que seu comportamento diferente é a causa para serem agredidos ou que não há nada que possa ser feito. Então, mesmo que ela confie nos pais e na escola, seu filho pode optar por não dizer nada a ninguém.

Observe os seguintes sintomas para identificar possíveis casos de bullying:

– Seu filho, de repente, passa a ser recusar a ir para a escola
– A concentração começa a regredir
– As notas começam a cair inesperadamente
– Surgem dores de cabeça, de barriga
– Xixi na cama e dificuldade para dormir
– Ansiedade e autolesão ou automutilação

O que posso fazer se meu filho estiver sendo agredido?4

Crianças com TDAH têm ainda mais problemas para responder a confrontos diretos. Os pais devem encorajar o filho a se impor e a responder sem exageros para não gerar uma escalada destrutiva de agressões.

1 – Avise a diretoria da escola imediatamente. Peça que sejam criadas regras e ferramentas pedagógicas para conscientizar os alunos.

2 – Encoraje seu filho a ficar calmo frente à ameaça. Se forem agressões verbais, ensine-o exercícios de respiração antes de responder. Ajude-o a ensaiar as respostas apropriadas. A chave é se manter emocionalmente distanciado da agressão.

3 – Motive-o a gritar no momento da agressão: “pare!” “Me respeite”. Este tom de voz alertará os adultos.

4 – Estimule seu filho a ficar ereto, fazer contato visual e a falar com voz firme e impositiva.

5 – Diariamente, converse com ele para acompanhar o desenrolar da situação. Separe um momento tranquilo e amoroso para fazê-lo.

O que faço se meu filho for o agressor?5

1 – Não acuse seu filho. Evite gritar. Mantenha-se calmo até mesmo se descobrir que o jovem não sente remorso pelo que fez. Neste caso, relembre seu filho das vezes em que ele se sentiu da mesma forma que a criança que ele agrediu.

2 – Construa. Agressores têm potencial para se tornarem grandes líderes. Converse com o professor e peça que lhe dê uma tarefa especial e motivadora, que engaje a turma.

3 – Previna antes que seja tarde. Pergunte ao professor sobre o que está acontecendo. Reorganize os lugares na sala de aula e, se for o caso, peça que haja supervisão nos corredores e momentos de intervalo.

4 – Ajude seu filho a controlar emoções. Utilize técnicas de dramatização para regular as emoções. Ensaiem cenários juntos em que você é o agressor e ele é a vítima. Explique o que está fazendo e peça que ele responda de forma controlada, sem agressão. Elogie-o pelas respostas.

5 – Lembre-se que o erro não é seu. Se o professor lhe abordar para contar que seu filho está agredindo colegas, seja objetivo: recolha informações para descobrir o porquê de isso estar ocorrendo. Saiba em quem ele bate, por que ele faz isso, quais são os momentos e locais escolhidos. Desta forma, você conseguirá ir utilizando as ferramentas acima para construir uma solução eficiente.

FONTES
1 IS YOUR CHILD A TARGET FOR BULLIES? ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/stop-bullying-at-school-adhd-children/ . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

2 ADHD AND BULLYING.ADHD FOUNDATION. Disponível em: https://www.additudemag.com/stop-bullying-at-school-adhd-children/ . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

3 HOLMBERG K et al., 2008. Bullying and attention-deficit–hyperactivity disorder in 10-year-olds in a Swedish community. Developmental Medicine & Child Neurology 2008, 50: 134–138. doi: 10.1111/j.1469-8749.2007.02019.x. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.1111/j.1469-8749.2007.02019.x . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

4 THINGS TO DO WHEN YOUR CHILD IS THE BULLY. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/teach-adhd-child-about-bullying/ . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

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O RITUAL DA LIÇÃO DE CASA: DICAS PARA AJUDAR OS FILHOS COM TDAH

O RITUAL DA LIÇÃO DE CASA: DICAS PARA AJUDAR OS FILHOS COM TDAH

A hora da tarefa de casa pode ser um problema para adultos e estudantes. Muitos jovens têm dificuldades para executar os exercícios em casa e, quando conseguem e entregam para o professor, este sequer tem noção do desafio que foi para completar a lição.

Muitos pais bem-intencionados assumem grande parte da tarefa por medo de que o filho sofra punições ou perca notas. Mas, você precisa lembrar que faz parte do trabalho deles se engajarem com os exercícios e completar as lições. É uma relação importante para o jovem.1

Para alcançar este grau de autonomia, os pais devem buscar um equilíbrio entre regras e flexibilidade, alcançando comportamentos produtivos e responsáveis por parte do filho.

Estudantes são empoderados pelos adultos, que devem ajudar os jovens a descobrirem seus próprios métodos e sucessos em pequenos e contínuos passos.

Se o seu filho está tendo problemas na hora de fazer as tarefas, reveja o básico do que chamamos de ritual do tema de casa.2 Deixe as regras bem claras para todos, inclusive para si mesmo. Se possível, ilustre-as no ambiente de estudo.

A melhor abordagem é testar diferentes modelos até encontrar um sistema que funcione para todos – a partir daí, tornar isso um hábito.

Mas, esta descoberta é complicada. Você precisará experimentar muito, usando criatividade e paciência. A sua conquista e a de seu filho, portanto, exigirá um pouco de tempo.

Como funciona na sua casa

A hora da lição deve começar todos os dias, no mesmo horário.

Você precisa criar um local específico, com o mínimo de distrações e o máximo de organização.

Não caia na ideia de que seu filho será capaz de prestar mais atenção se a televisão estiver ligada. Desligue os aparelhos eletrônicos à exceção de músicas de fundo, que podem ajudar alguns jovens, principalmente com tarefas rotineiras.

Este local de estudo será quase que sagrado, separado exclusivamente para a tarefa de casa. Os materiais da escola devem ficar lá, arrumados e sempre no mesmo lugar.2

Como funciona na escola

Seu papel principal é alinhar, com o professor, tarefas que se ajustem às capacidades do seu filho. Sua função é garantir que o estudante seja capaz de ser bem-sucedido nos exercícios, encontrando um equilíbrio entre o que a escola exige e o que seu filho pode fazer. Você será um mediador.3

A hora da lição de casa pode afetar tanto a motivação do seu filho em aprender quanto sua relação com ele. Muitos pais precisam de treinamento para desenvolver a rotina de estudo diária. Não hesite em buscar os pedagogos e psicólogos da escola para que vocês possam, juntos, criar um sistema de excelência, que funcione para todos.

Como funciona entre você e seu filho

Todas os dias, sente com seu filho e veja as lições e os trabalhos pendentes para o dia e para a semana. Discuta os materiais que precisam ser comprados e os conteúdos abordados. Tracem, juntos, um plano de ataque. Execute-o assim que chegarem a um planejamento ideal.

Lembre-se que “ideal” é apenas uma palavra. Redefina seu conceito de “perfeição”. Ajude seu filho a traçar objetivos razoáveis para que ambos fiquem felizes. Ao final de cada conquista, recompense o progresso e examine novos níveis de exercícios. Seu filho estará evoluindo e você precisa celebrar e aumentar o grau de desafio.

Ria muito e seja positivo. O reforço positivo é uma das formas mais eficientes de motivar estudantes com TDAH. Evite linguagem negativa e sempre faça questões abertas, subjetivas, que engajem o jovem em respostas complexas.4

Seja realista: a maioria esmagadora dos estudantes não gosta de fazer as tarefas de casa. Não os julgue por isso.

Concluindo:

O debate sobre a necessidade de lições de casa prossegue e não há um consenso sobre a importância deste exercício diário, principalmente em fases iniciais. De toda forma, há três argumentos favoráveis à prática que você precisa levar em conta:

Primeiramente, o envolvimento da família na educação tem efeitos muito positivos sobre a performance da criança na escola. O momento da tarefa de casa é a oportunidade das famílias se envolverem neste processo e ajudarem seus filhos a aprenderem não apenas os conteúdos, mas também a perceberem dificuldades e conquistas pessoais.

Em segundo lugar, a qualidade da relação entre família e escola é fundamental para o sucesso do jovem. A lição de casa é uma oportunidade para que pais e professores se conectem uns com os outros.

Por último, quando os alunos passam do ensino médio para a faculdade, eles precisarão ter bons hábitos de estudos estabelecidos, para que possam trabalhar de forma autônoma. A lição de casa é o melhor momento para desenvolver capacidades de estudo independentes.

Fontes

1 HANDLE HOMEWORK HASSLES, PART I. CHADD BLOG. Disponível em: http://creativeadhdparenting.blogspot.com/2015/09/handle-homework-hassles-part-i.html . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

2 ESTABLISH THE HOMEWORK RITUAL: HANDLE HOMEWORK HASSLES, PART II. CHADD BLOG. Disponível em: http://creativeadhdparenting.blogspot.com/2015/09/the-homework-ritual-handle-homework.html . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

3 GET SUPPORT & COMMUNICATE: HANDLE HOMEWORK HASSLES III. CHADD BLOG. Disponível em: http://creativeadhdparenting.blogspot.com/2015/09/get-support-communicate-handle-homework.html . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

4 REDEFINE PERFECT: HANDLE HOMEWORK HASSLES IV. CHADD BLOG. Disponível em: http://creativeadhdparenting.blogspot.com/2015/09/redefine-perfect-handle-homework.html . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

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O Que é TDAH (e O Que Não é) Na Sala De Aula

O que é TDAH (e o que não é) na sala de aula

Muitas crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) desenvolvem sintomas da desordem antes de entrarem na escola. Mas, é na escola, quando eles manifestam dificuldades para atender expectativas relacionadas a crianças da idade, que os diagnósticos começam a ser formados1.

O TDAH é a primeira questão a ser levantada quando o comportamento ou as notas estão problemáticas. As situações são bem conhecidas: a criança não consegue ficar sentada, “cospe” respostas sem aguardar sua vez, não consegue fazer as lições de casa ou fica sonhando acordada enquanto o professor passa as instruções das tarefas. Estes são sintomas bastante comuns no transtorno.

Claro que estes comportamentos podem ser resultado de outros fatores, que vão da ansiedade ao trauma. Muitas vezes, sintomas similares ao TDAH podem surgir apenas pelo fato de a criança ser um pouco mais nova do que os colegas e, portanto, menos madura.

Por isso, é fundamental que professores e pais conheçam e compreendam como o TDAH se manifesta em sala de aula.

Observar as crianças com cuidado é especialmente importante quando elas são pequenas demais para articularem como estão se sentindo. Manter um olho atento sobre as crianças é relevante não apenas porque afeta a capacidade de aprendizado (dos colegas também), mas como também a vida social e emocional do jovem.

Quando os pequenos começam a fracassar ou ter grandes dificuldades na escola por um período de tempo extenso, a frustração pode levar a padrões de comportamento disfuncional que são bem difíceis de quebrar.

Sintomas de TDAH em sala de aula

Existem três tipos de comportamentos associados ao TDAH: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Sim, todas as crianças têm estes comportamentos ocasionalmente. Falamos, aqui, de casos extremos, que impedem um cotidiano saudável.

Os sintomas do TDAH são divididos em dois grupos – desatenção e hiperatividade-impulsividade. Algumas crianças manifestam mais a desatenção, outras a hiperatividade-impulsividade. Porém, a maioria diagnosticada com TDAH terá uma combinação de ambos.

Veja os comportamentos mais comuns na escola.

Sintomas de desatenção:

– Incapacidade de observar detalhes, comete erros por falta de cuidado

– Facilmente distraída ou levada por estímulos externos

– Dificuldade de seguir instruções

– Parece não estar escutando mesmo quando falam diretamente com ela

– Problemas para organizar tarefas e materiais

– Dificuldade em concluir lições na escola ou em casa

– Evita tarefas que exijam concentração e esforço mental

– Perde lições de casa, livros, roupas e acessórios

 

Sintomas de hiperatividade-impulsividade:

– Balança pernas e bate dedos ou mãos constantemente

– Corre e pula quando não é o momento

– Dificuldade de brincar quietinha

– Extrema impaciência, não consegue aguardar sua vez

– Fala excessivamente

– Responde antes das perguntas serem concluídas

– Interrompe e invade conversas e atividades alheias

Mantenha em mente que nem toda criança com estes sintomas tem TDAH. Crianças diagnosticadas com TDAH demonstram estas questões tão frequentemente, que elas geram dificuldades graves em pelo menos dois ambientes, como casa e escola. Ainda, os problemas devem prosseguir por ao menos seis meses.

A idade importa

Também observe que, ao considerar o comportamento do seu filho, você deve compará-lo às crianças da mesma idade. Muitas vezes, dentro de uma sala de aula, você encontra diferentes idades que podem variar em meses ou até mesmo anos. Nesta fase, isso pode representar grandes diferenças comportamentais.

Um estudo2 concluiu que as crianças mais novas na sala de aula tendem a ser equivocadamente diagnosticadas com TDAH. A pesquisa da Universidade de Michigan3 descobriu que, entre crianças em idade pré-escolar, as mais novas tinham 60% a mais de chance de serem diagnosticadas com o transtorno do que seus colegas mais velhos.

Lembre-se: meninas são diferentes

Não poderíamos finalizar sem enfatizar que o transtorno se manifesta de formas diferentes nos meninos e nas meninas. Enquanto o estereótipo do TDAH é a criança que grita e não para quieta, as meninas podem ter sintomas mais leves. Muitas delas, inclusive, têm apenas o tipo desatento de TDAH – e acabam sendo categorizadas como “sonhadoras” ou “distantes”.

Mas, um dos grandes motivos pelos quais as meninas acabam sendo esquecidas nesta questão é porque tendem a se culpar por suas fraquezas, tentando esconder sua vergonha e dificuldade. Enquanto amadurecem, a consciência de que elas terão que lutar muito mais para conquistar as mesmas coisas que suas amigas pode ser muito prejudicial para a autoestima. Pais de meninas devem ficar atentos a este fato.

Fontes:

1 WHAT’S ADHD (AND WHAT’S NOT) IN THE CLASSROOM. CHILD MIND INSTITUTE. Disponível em: https://childmind.org/article/whats-adhd-and-whats-not-in-the-classroom/ . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

2 NEARLY 1 MILLION CHILDREN POTENTIALLY MISDIAGNOSED WITH ADHD. MICHIGAN STATE UNIVERSITY. Disponível em: https://msutoday.msu.edu/news/2010/nearly-1-million-children-potentially-misdiagnosed-with-adhd/ . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

3 ELDER T. 2010. The Importance of Relative Standards in ADHD Diagnoses: Evidence Based on Exact Birth Dates. Journal of Health Economics. Volume 29, Issue 5, September 2010, Pages 641-656. doi: <https://doi.org/10.1016/j.jhealeco.2010.06.003>. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0167629610000755 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

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