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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

A RELAÇÃO ENTRE TDAH E PROBLEMAS DE SONO EM ADOLESCENTES

A RELAÇÃO ENTRE TDAH E PROBLEMAS DE SONO EM ADOLESCENTES

Problemas de sono e TDAH são comumente encontrados nos adolescentes. Apesar disso, não se sabe exatamente a relação que esses problemas podem ter entre si.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores liderados por Xiachen Liu, da escola de Saúde Pública da universidade de Shandong, examinou associações prospectivas de problemas de sono e sintomas subsequentes de TDAH em uma amostra grande de adolescentes.

O estudo  “Shandong Adolescent Behavior and Health Cohort (SABHC)”  incluiu 7072 adolescentes em Shandong. Cada participante foi avaliado entre Novembro e Dezembro de 2015 e reavaliado um ano depois.

Os pesquisadores coletaram informações sobre a duração do sono, problemas de sono e sobre aspectos psicossociais usando um questionário estruturado e mediram os sintomas de TDAH com o questionário Achenbach Child Behavior Checklist-Youth Self-Report.

Ao início do estudo, apenas 7,6% dos participantes tinham sintomas relevantes de TDAH. Esses sintomas foram altamente comórbidos com problemas de sono, incluindo sintomas de insônia, baixa qualidade do sono, síndrome das pernas inquietas, roncos frequentes e curta duração do sono.

Dos 6531 pacientes sem sintomas relevantes de TDAH ao início do estudo, 4,5% reportaram sintomas relevantes de TDAH um ano depois na reavaliação. Os indivíduos sem sintomas de TDAH na linha basal, mas com insônia (OR, 2.09; 95% CI, 1.45—3.02), síndrome das pernas inquietas (OR, 1.47; 95% CI, 1.02–2.11) e roncos frequentes (OR, 2.30; 95% CI, 1.36–3.90) tiveram mais TDAH um ano após.

“Os sintomas de TDAH e os problemas de sono são altamente comórbidos. Insônia, síndrome das pernas inquietas e roncos frequentes parecem ser preditores significativos de sintomas de TDAH subsequentes”, escreveram os autores. “Nosso estudo ressalta a importância de avaliar  e manejar os problemas de sono para prevenir e tratar os sintomas do TDAH na adolescência”.

Sendo assim, o quão bem uma criança dorme poderia ajudar a predizer se uma criança vai desenvolver algum transtorno psiquiátrico no futuro.

Um time liderado por Bror M. Ranum, do Departamento de Psicologia da Norwegian University of Science and Technology (NTNU), examinou os efeitos a longo prazo e as associações bidirecionais entre a duração do sono e sintomas de desordens psiquiátricas em crianças com idade escolar de 6,8,10 e 12 anos.

A coorte populacional incluiu 799 crianças que participaram do estudo “Trondheim Early Secure Study”.

No estudo, a curta duração de sono foi associada prospectivamente a sintomas de transtornos psiquiátricos em idades mais jovens, mas não em idades mais avançadas. Não foi encontrada evidência de associação na direção oposta – que sintomas psiquiátricos estariam associados a curta duração do sono.

Uma duração menor de sono aos 6 anos e aos 8 anos foi capaz de prever com acurácia sintomas de desordens emocionais dois anos depois. Contudo, uma menor duração de sono aos 8 anos e 10 anos foi associada a problemas de comportamento dois anos depois entre meninos, mas não em meninas.

Os achados de ambos os estudos apontam para a necessidade de se investigar o padrão de sono das crianças e dos adolescentes,  tanto como uma estratégia preventiva quanto como uma estratégia para melhoria dos sintomas.

Artigo adaptado e traduzido de :https://www.hcplive.com/view/link-adhd-sleep-issues-adolescents

 

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COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

Um dos sintomas que podem estar presente no TDAH e que muitas vezes acaba sendo negligenciado é a impulsividade. Assim como a hiperatividade e a desatenção, a impulsividade também está relacionada a déficits nas funções executivas. Além disso, ela parece se relacionar diretamente com a hiperatividade: os sinais da hiperatividade, como incapacidade de permanecer sentado, também dependem de uma capacidade diminuída de auto regulação e de controle dos impulsos.

Algumas das manifestações da impulsividade são: comportamento agressivo e raiva explosiva, gasto impulsivo de dinheiro, comportamento de risco incluindo comportamento sexual de risco, abuso de substâncias, gasto em jogos de azar e compulsão alimentar.

O descontrole dos impulsos pode ter um impacto negativo na qualidade de vida, podendo se manifestar na infância, adolescência ou idade adulta. Crianças com problemas de controle de impulso tendem a apresentar problemas na escola, tanto no aspecto social quanto acadêmico. Elas podem ter mais risco de se envolver em brigas com os colegas e de não completarem as tarefas escolares.

Ainda que a causa exata da impulsividade não seja bem compreendida, ela se relaciona com alterações químicas no lobo frontal, especialmente no balanço da dopamina.

Além do TDAH, a  impulsividade está presente também em outros transtornos psiquiátricos classificados no DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) como Transtornos Disruptivos, de controle de impulso ou de conduta. Nessa categoria se enquadram o transtorno de conduta e transtorno opositor-desafiador.

Outros transtornos psiquiátricos que podem eventualmente cursar com impulsividade são: bipolaridade, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Doença de Parkinson, abuso de substâncias e Síndrome de Tourette.

Problemas de controle de impulso são mais frequentes no sexo masculino. Porém, existem alguns outros fatores de risco como histórico de abuso, negligência/abuso por parte dos pais na infância ou pais com problemas de abuso de substâncias.

Abaixo seguem algumas dicas de como você pode auxiliar seu filho no controle dos impulsos:

  • Converse com seu médico sobre os problemas do seu filho e busque ajuda. Procurar atendimento com um psiquiatra/psicoterapeuta especialista em crianças pode ser uma boa ideia.
  • Seja um bom exemplo para o seu filho. As crianças tendem a observar e modelar o comportamento dos pais.
  • Estabeleça limites e mantenha sua palavra
  • Estabeleça uma rotina para que o seu filho saiba o que esperar
  • Parabenize seu filho quando ele exibir bom comportamento

E quanto aos adultos?

Adultos com problemas de controle de impulsos podem ter dificuldade de controlar seu comportamento no calor do momento, podendo sofrer com sentimento de culpa e vergonha após o ocorrido. É importante ter alguém em que você confie para conversar sobre suas dificuldades com o manejo dos impulsos. Ter uma válvula de escape, algum meio para se expressar, pode ajudar na hora de trabalhar seu comportamento.

A terapia é uma base central no tratamento. Algumas das opções são:

  • Terapia individual como TCC – terapia cognitivo comportamental
  • Terapia familiar ou de casal
  • Terapia de grupo para adultos
  • Ludoterapia para crianças

Além da psicoterapia, remédios psiquiátricos também podem ser usados, como os estimulantes para o TDAH, antidepressivos e estabilizadores de humor. Nesse caso, é necessária avaliação médica, e o médico poderá ajustar doses e encontrar a medicação mais adequada.

 

Artigo adaptado e traduzido de https://www.healthline.com/health/mental-health/impulse-control

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COMO SE COMUNICAR COM SEU FILHO COM TDAH

COMO SE COMUNICAR COM SEU FILHO COM TDAH

Pais de crianças com TDAH já devem ter notado que as vezes os pequenos parecem ter dificuldade de ouvir ou de fazer o que foi pedido. Eles se atrapalham na hora de seguir as instruções, se distraem no meio do caminho ou simplesmente esquecem o que tem que ser feito. Nessas horas, fazer com que as regras da casa sejam cumpridas parece quase impossível e manter a paciência pode ser um desafio. Então, como você pode melhorar a comunicação com o seu filho?

Aprender a conversar com o seu filho pode ser um processo longo e difícil. Além disso, apesar de haver alguns pontos chave, não existe receita de bolo e é preciso se adaptar e observar os resultados. Reunimos algumas dicas:

  • Olhar nos olhos

Isso ajuda você a ter certeza de que seu filho está prestando atenção em você, o que aumenta a chances de que ele esteja ao menos ouvindo o que você está dizendo. Peça para ele olhar nos seus olhos enquanto você fala.

  • Use uma linguagem apropriada para a idade dele

Seja claro e evite rodeios. Tente usar uma linguagem simples que ele possa entender. Responda as perguntas que ele eventualmente tenha e evite longos discursos que podem fazer com que ele perca a concentração.

  • Simplifique as tarefas

O seu filho pode ter dificuldade em saber como começar. Uma das dificuldades do TDAH é conseguir priorizar os compromissos e estabelecer um plano de ação. Então, se você faz um pedido muito amplo e pouco objetivo como “arrume seu quarto”, ele pode se atrapalhar e acabar não fazendo. A melhor forma é dar ordens mais objetivas como: arrume sua cama ou guarde tais e tais brinquedos. Um passo de cada vez.

  • Recompense pelo comportamento positivo

Pessoas com TDAH precisam de motivação para conseguir fazer as atividades. Uma forma de motivar o seu filho é oferecendo recompensas se ele fizer determinada atividade. Ex: diga que ele pode comer sobremesa se ele guardar os brinquedos, ou dê algum biscoito quando ele completar uma tarefa. Essa é uma das técnicas que o nosso App FOCUS utiliza: você ou seu filho acumula pontos por cada tarefa cumprida e os troca por prêmios.

Além disso, é importante elogiar o seu filho pelo comportamento positivo. Parabenize e agradeça quando ele fizer o que foi pedido. As crianças tendem a querer agradar os pais, apesar de que algumas, como as com TDAH, possam ter mais dificuldade na hora de fazer isso. O elogio, nesse caso, também pode ser uma fonte de motivação.

  • Certifique-se de que seu filho entendeu o que você disse.

Pergunte para ele se ele entendeu o que você disse e peça para ele repetir. Corrija-o se necessário.

Conversar efetivamente com seu filho é um aprendizado. Tenha em mente que as dificuldades do seu filho não são falta de vontade ou culpa de vocês. Por fim, seja paciente com você mesmo e permita-se errar. Você está dando o melhor que pode e é isso que importa.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.yahoo.com/lifestyle/tips-communicating-child-adhd-050502916.html

 

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COMO TRABALHAR DE CASA COM TDAH

COMO TRABALHAR DE CASA COM TDAH

Com a transição para o trabalho remoto, muitos adultos com TDAH tem dificuldade para manter a produtividade tão bem quanto quando estavam no escritório.

Há um desbalanço de neurotransmissores, sobretudo dopamina, no córtex pré-frontal em pacientes com TDAH. Essa área do cérebro é responsável pelas funções executivas, o que faz com que as pessoas com TDAH tenham dificuldade nessas funções e na capacidade de se autorregularem.

Isso tudo resulta em dificuldades na concentração, organização, em saber priorizar e manejar o tempo; pode levar a inquietude ou hiperfoco e ao mau controle de impulsos.

Por conta dessas dificuldades- que tendem a afetar diversas áreas da vida dos indivíduos-, pessoas com TDAH podem necessitar de um ambiente de trabalho que as ajude a manter a rotina e a estrutura, além de colegas compreensivos. A mudança para o trabalho remoto tem sido um desafio para a maioria das pessoas, podendo ser ainda mais desafiadora para aqueles que sofrem com TDAH.

A mudança de ambiente pode ter mudado também a forma como o trabalho é feito e as tarefas também se alteraram para suprir a nova realidade que estamos vivendo. A falta de estrutura fornecida pelo ambiente de trabalho aliada a cronogramas incertos que foram sendo adaptados paulatinamente pode tornar difícil manter o foco, estabelecer uma rotina e conseguir priorizar compromissos para pessoas com TDAH.

Para alguns, a motivação externa é um fator importante para fazer com que as tarefas sejam completadas, e essa motivação fica prejudicada em um ambiente incerto, com expectativas vagas.

“O ambiente de trabalho pode ser estressante, porém ele fornece comunidade. Ter colegas e precisar estar presente e ter performance pode dar as pessoas com TDAH a estrutura que elas precisam para ser produtivas quando elas ficam estagnadas ou precisam de suporte”, disse Robin Nordmeyer, co-fundadora e diretora geral do Center for Living Well with ADHD em Minnesota.

“Há um lugar específico para sentar quando você tem que completar tarefas mundanas”, disse Maggie Sibley, professora de psiquiatria e ciências do comportamento na University of Washington School of Medicine. “E provavelmente também há um supervisor que te responsabiliza e garante que você esteja trabalhando em um ritmo bom. Quando você se muda para casa, de repente você tem que fazer muito dessa auto regulação por conta própria e isso pode ser bastante desafiador para pessoas com TDAH”.

“Então esse é o momento de ficar criativo e criar esse cenário”, disse Nordmeyer.

Replique seu ambiente de trabalho

Considere o que você precisava no trabalho para ser produtivo e funcional e como você pode simular esse ambiente em casa, disse Nordmeyer.

Evite trabalhar em espaços de relaxamento como seu quarto ou em frente à televisão, disse Sibley. Experimente o que é melhor para você: talvez seja trabalhar em um quarto silencioso ou em um em que as cortinas estejam fechadas e assim você não se distrai com o que está do lado de fora.

Converse com sua família sobre dividir as tarefas de casa para manter a casa limpa e organizada de maneira produtiva, como o escritório deve ser. Bagunça pode drenar sua energia e tirar sua atenção daquilo que você precisa focar.

Planeje seu dia na noite anterior

Planeje seu dia na noite anterior para ter sucesso em manejar performance e comportamento no trabalho, sugere Nordmeyer

Quando planejar, note quais são suas prioridades (selecione poucas – as mais importantes). O que você precisa focar e quando? Como essas prioridades mapeiam o fluxo do seu dia?

Como a dopamina decai da manhã para a tarde, divida o seu dia para focar em tarefas menos desejáveis e complexas mais cedo durante o dia e coloque tarefas mais fáceis e divertidas para o final do dia.

Tenha uma rotina da manhã

Assim como você tem que aparecer cedo no trabalho para começar o dia as 9h, mantenha a mesma rotina da manhã em casa.

Acorde no mesmo horário que você normalmente acordaria e se vista antes de iniciar o dia. “Assim você está assumindo a persona de um trabalhador profissional”.

Trabalhe junto com um colega

Manter-se focado nas tarefas e completar compromissos pode ser desafiador. Convide algum colega que você seja próximo para trabalhar junto com você virtualmente, para ajudar com a prestação de contas e o foco. Ou procure online por um laboratório de coworking para TDAH.

Faça uma conferência por vídeo ou check-ups matinais para discutir a carga de trabalho e então crie um grupo onde você possa intermitentemente relatar como o trabalho está fluindo.

Outras estratégias

Peça para seu supervisor orientação na hora de priorizar tarefas de uma forma que não te estigmatize como incapaz por conta do TDAH, disse Nordmeyer. Assim, peça para marcar um checkup no início da semana para que você possa revisar o que é mais importante para os próximos dias, o que ajuda no seu planejamento.

Peça para o seu supervisor estabelecer prazos para reforçar o senso de responsabilidade e te colocar em “modo de urgência” e assim complete os trabalhos conforme a sua importância.

Use o modo de motivação baseado na tentativa de agradar as pessoas para se motivar, ou seja, faça o trabalho com o intuito de não desapontar alguém.

Por fim, tire vantagem do seu amor por desafios para ter hiperfoco e ficar na zona de trabalho, completa Nordmeyer

Artigo adaptado e traduzido de https://edition.cnn.com/2020/05/29/health/working-from-home-coronavirus-adhd-wellness/index.html

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COMO CONVERSAR COM MEMBROS DA FAMÍLIA SOBRE A SAÚDE MENTAL DO SEU FILHO?

COMO CONVERSAR COM MEMBROS DA FAMÍLIA SOBRE A SAÚDE MENTAL DO SEU FILHO?

Muitas vezes, pais podem precisar de uma ajuda extra na hora de cuidar dos filhos. Seja durante as horas de trabalho, finais de semana ou feriados. Nesses momentos, além das creches ou babás, os pais também podem contar com a ajuda dos avós ou de outros membros da família. No caso de crianças com problemas de saúde mental ou de comportamento, é necessário que os cuidadores estejam orientados quanto aos desafios, os esquemas terapêuticos e a forma de lidar em diferentes situações.

Quando o assunto é saúde física ou emocional, a constância no tratamento é fundamental. Assim como ela é necessária em problemas como asma e diabetes, ela também é importante na depressão, ansiedade ou no TDAH. Apesar disso, nem sempre é claro para os pais que eles devem compartilhar as dificuldades psiquiátricas dos seus filhos com outros membros da família da mesma forma como é feito para outras condições médicas. Seja por conta do estigma, vergonha ou ausência de um plano de abordagem consistente.

A falta de consistência é uma das razões para que ocorra falha no tratamento. É necessário que haja consistência na abordagem entre os diferentes ambientes –como dentro de casa ou na escola- e entre os cuidadores. Isso ajuda na identificação de comportamentos negativos e no reforço e promoção dos comportamentos positivos.

Descrevemos abaixo algumas dicas que podem ajudar na orientação e no preparo dos avós ou de outros familiares que irão se responsabilizar pelo cuidado da criança:

  1. Entender os desafios

Conforme descreve o Dr. Stuart Ablon em seu modelo colaborativo de resolução de problemas, as crianças – independente da dificuldade- querem agradar seus pais, atender as expectativas e serem amadas e admiradas. Contudo, quando as crianças se comportam de forma opositora, desafiante, mal-humorada ou distanciada, é comum assumir que elas estejam agindo propositalmente, que estão escolhendo confrontar e agir contra as expectativas. Na maioria das vezes esse não é o caso; e agir conforme essa suposição pode dificultar as coisas. Quando as crianças não se comportam conforme o esperado, isso frequentemente se deve à falta de habilidade e não de vontade. As crianças tendem a se comportar bem se elas conseguem. De forma similar, crianças com problemas de saúde mental podem ter pouca habilidade para se comportar conforme as normas e é importante que nós achemos formas de ajudá-las. Esse é um conceito muito importante que deve ser trazido sempre à tona.

No caso de crianças com TDAH por exemplo, pode parecer que elas não estejam prestando atenção de proposito, ou que também estejam se negando a fazer aquilo que lhes foi solicitado. É preciso que esse comportamento seja explicado para evitar mal-entendidos.

  1. Romper o estigma de doenças mentais

Ainda que mitos sobre transtornos psiquiátricos derivem de crenças culturais, da falta de conscientização pública ou de um histórico de estigmatização, doenças de saúde mental estão entre as condições médicas mais comuns ao redor do mundo. Buscar fontes de informação junto do pediatra ou do psiquiatra, ler artigos sobre os desafios enfrentados por seu filho, podem ajudar na hora de explicar para os avós sobre o transtorno e a forma como ele pode se manifestar.

Além de os instruir quanto informações básicas ou orientá-los quanto a fontes confiáveis de informação, ajude-os a sentir empatia com seu filho. Explique que as dificuldades que seu filho apresenta não são culpa de ninguém- nem do seu filho, sua ou deles-. Oriente-os que existe tratamento e que os desfechos podem ser tão bons quanto tratar outros problemas de saúde física comuns, como enxaqueca, problemas gastrointestinais, etc.

  1. Empoderando cuidadores com o tratamento

Toda criança com um ou mais problemas de saúde mental deve ter um esquema terapêutico. Isso idealmente inclui alguma estruturação do dia (hora de acordar, de ir pra cama, hora de fazer os temas de casa, tempo de televisão), dose e hora de tomada da medicação, bem como abordagens terapêuticas que podem ser aprendidas (ex. terapia cognitivo comportamental, meditação). É importante também ter para quem ligar em situações de emergência, saber como lidar com emoções ou comportamentos desafiantes (como conversar, intervalos, tempo para ficar sozinho no quarto). Idealmente essas coisas devem estar escritas tanto para os pais quanto para quem for cuidar da criança (avós, professores) e até mesmo para a criança.

Uma vez que o esquema terapêutico esteja bem esclarecido, a chance de sucesso é maior e o risco de se desviar do esquema é diminuído.

  1. Esclarecer que todos somos parte do problema e da solução

Todas as doenças no geral, sejam físicas ou emocionais, tem bases biológicas, psicológicas e ambientais. Por conta disso, nós podemos ter controle sobre muitos fatores causadores ou agravantes do problema.

Crianças e adolescentes tendem a viver em ambientes complexos, cheios de desafios, e ambos os pais ou avós podem ajudar a suavizar ou exacerbar o estresse que afeta o transtorno ou dificuldade da criança.

Se nós aceitarmos isso, podemos fazer duas coisas. Primeiro, nos tornamos responsáveis pelo nosso comportamento e nos vermos como agentes de mudança. Segundo, isso nos faz dividir a responsabilidade do problema, nos abstendo da tendência de ver a criança como “o problema”.

Rótulos negativos tem poder imenso e são muito danosos. Muitas crianças que sofrem de problemas de saúde mental lidam com baixa autoestima. Elas sofrem com sentimentos de inadequação, fracasso, medo de rejeição, o que pode fazer com que elas se vejam como debilitadas e culpadas, fazendo-as incorporar essas visões negativas na sua identidade.

Esse é uma das razões importantes que diferencia doenças de saúde mental de doenças físicas. É raro uma doença de origem física como hipertensão, diabetes ou asma gerar rótulos para a  criança de “deficiente”. Nós podemos fazer melhor por elas e redefinir o conceito de saúde mental, começando por conversar abertamente com nossa família e comunidade.

  1. Explicar o que funciona para cada criança ou irmão

Toda criança ou adolescente é diferente e assim também são os problemas de ordem mental. Além disso, algumas crianças podem ter mais de um transtorno. O TDAH por exemplo frequentemente vem associado com depressão, ou ansiedade. Cuidadores precisam entender o que cada transtorno é e como ele se manifesta no seu filho. Pode ocorrer ainda de mais de uma criança na família sofrer com problemas de saúde mental, fazendo com que os cuidadores tenham de entender mais de um esquema terapêutico.

Também precisamos levar em conta como o problema de saúde mental de uma criança pode afetar o outro irmão que também precisa de atenção. É normal que se foque mais na criança com comportamentos mais desafiadores, porém isso pode fazer com que a outra criança se sinta excluída e até ressentida.

Para cada criança, é preciso levar em conta a sua personalidade: algumas crianças são mais passivas e isoladas enquanto outras são mais irritáveis e agressivas. Esses traços devem ser considerados na hora do cuidado. Os pais são especialistas em seus filhos e podem dar aos avós ou cuidadores dicas valiosas. Como por exemplo:

Algumas crianças podem ter dificuldade de seguir cronogramas e podem precisar de avisos ou alarmes para começar a próxima tarefa.

Se a criança se negar a fazer determinada tarefa, como o tema de casa ou desligar a TV, o que pode ajudar?

Quando você der alguma medicação, quanto tempo leva para ela fazer efeito?

  1. Encorajar a participação dos cuidadores na conversa

Certamente há muito o que dizer para membros da família para que eles entendam as dificuldades de saúde mental do seu filho. A melhor forma de fazer isso é se os cuidadores tiverem uma participação ativa na conversa.

Encoraje-os a fazer perguntas. Você pode tranquiliza-los dizendo que isso já foi -ou talvez ainda seja- uma novidade para você também.  Eles podem ter dúvidas sobre como lidar em situações de colapso nervoso, quando usar recompensas ou punições, o quão rígidos devem ser e quando as regras podem sofrer exceções.

Assim como você faria com seu filho, considere conversar mais de uma vez com os avós ou cuidadores. Tente fazer com que o esforço de cuidado seja mutuo, observando o que cada um vê ou faz com a criança. Também é bom receber feedbacks das crianças. Reuniões em família podem ser úteis e não precisam ser formais. Às vezes é bom conversar durante o jantar ou no carro.

Cuidar de crianças e adolescentes é um esforço coletivo. As crianças se saem melhor quando sabem que todos estão trabalhando juntos para o bem-estar e saúde de todos.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.psychologytoday.com/us/blog/inside-out-outside-in/202005/how-talk-family-members-about-kids-mental-health

 

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ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL E TDAH EM CRIANÇAS

ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL E TDAH EM CRIANÇAS

Segundo estudo publicado na edição de Abril da Psychosomatic Medicine,  seguir recomendações de estilo de vida saudável aos 10 e 11 anos de idade está associado a menos diagnóstico de TDAH do nascimento até os 14 anos.

Em uma das primeiras investigações do tipo, um estudo com mais de 3000 mil estudantes do Quinto ano na Nova Escócia, Canada, mostrou que aqueles que seguiam ao menos 7 dentre  9 recomendações de estilo de vida saudável tinham um incidência significativamente menor de TDAH comparado com aqueles que seguiam apenas um ou 3 dos critérios.

“Já existe evidência da associação entre estilo de vida e saúde física. Agora parece que essas mesmas recomendações também protegem crianças de desenvolver TDAH. Quanto maior o número de recomendações que elas seguem, menos chance elas têm de desenvolver TDAH. Até hoje, nenhum outro estudo considerou todos esses fatores de estilo de vida simultaneamente”, disse Paul Veugelers, PhD da Escola de Saúde Pública da Universidade de Alberta.

A incidência de TDAH entre crianças e jovens norte Americanos permanece alta, com mais de 6 milhões de crianças diagnosticadas com o transtorno nos EUA.

Além disso, o aumento das taxas do transtorno ocorre ao mesmo tempo em que há uma piora das escolhas de estilo de vida, como os investigadores descrevem. Fatores como dieta pobre, inatividade física, maus hábitos de sono e sedentarismo foram todos associados ao TDAH.

Enquanto os estimulantes são um tratamento comprovado e eficaz, os investigadores ressaltam que houve pouca pesquisa em estratégias de prevenção.

“Até hoje”, disse Veugelers “não houve nenhum estudo prospectivo examinando a associação independente e combinada entre recomendações de estilo de vida saudável na infância e a incidência de TDAH até o início da adolescência. ”

“O meu interesse de estudo sempre foi como o estilo de vida pode afetar a saúde das crianças”, disse Veugelers. “ Inicialmente eu apenas considerava a saúde física, porém nos últimos anos se tornou aparente que o estilo de vida também afeta a saúde mental.

Então originalmente eu não planejava olhar para o TDAH”, ele completa. “Porém devido as associações que continuavam aparecendo eu decidi que isso merecia uma investigação adicional e esse estudo é um dos produtos dessa investigação adicional. ”

Para o estudo, os investigadores analisaram dados de uma pesquisa de estilo de vida de 3436 crianças entre 10-11 anos de idade que participam do Children’s Lifestyle and School Performance Study (CLASS).

As crianças e seus pais forneceram dados sobre a adesão a 9 recomendações de estilo de vida saudável, que incluíam dieta, atividade física, sono e tempo de telas, todos os quais apresentavam evidência de benefício para a saúde das crianças. Os pais também forneceram informações sobre renda, educação e local de residência.

Os pesquisadores usaram analises de regressão de risco proporcional de Cox e regressão binomial negativa para determinar as associações entre o estilo de vida das crianças e o diagnóstico de TDAH e/ou o número de visitas ao médico por TDAH até os 14 anos.

Historicamente, a prevalência de TDAH tem sido maior em grupos socioeconômicos menos favorecidos então os pesquisadores ajustaram esses fatores, disse Veugelers.

Os pesquisadores encontraram que 10,8% dos participantes haviam recebido diagnóstico de TDAH antes dos 14 anos. Eles também encontraram que crianças que seguiam de 7 a 9 recomendações de estilo de vida saudável apresentavam uma incidência significativamente menor de TDAH (hazard ratio, 0.42; 95% CI, 0.28 – 0.61) e menos visitas ao médico por TDAH (rate ratio, 0.38; 95% CI, 0.22 – 0.65), comparado com crianças que seguiam apenas  1 a 3 recomendações.

Como pode-se esperar, o link entre o estilo de vida e o risco de TDAH tinha uma relação de dose-dependência, de forma que para cada incremento adicional de recomendação que a criança seguia, havia uma queda de 18% na chance de diagnóstico de TDAH.

Os resultados não surpreenderam Veugelers, que tem sido a bastante tempo um defensor dos benefícios dos hábitos saudáveis.

“Crianças que são fisicamente ativas são geralmente as crianças que também dormem melhor e comem mais saudável, e provavelmente passam menos tempo em frente de uma tela porque elas precisam do tempo para ser fisicamente ativas”, disse ele.

Em uma era em que o TDAH é voltado para medicamentos, o estudo fornece aos pais um ímpeto adicional para promover o estilo de vida saudável para os seus filhos, escrevem os investigadores.

“ Se você perguntar para uma pessoa porque ela quer que seu filho tenha um estilo de vida saudável, ela provavelmente vai dizer que é por conta da saúde física dele. Agora nós também sabemos que isso será benéfico para a saúde mental, e especificamente para a prevenção do TDAH”, disse Veugelers.

“Obviamente, isso não é garantido já que múltiplos fatores contribuem para a saúde mental, mas isso é algo com que os pais podem de fato trabalhar”, disse Veugelers.

Julia Rucklidge, PhD e professora de Psicologia Clínica na Universidade de Canterbury, Nova Zelândia, que não esteve envolvida no estudo, comentou que os resultados desse trabalho ajudam a desviar o foco das medicações no TDAH para o estilo de vida.

“Nós temos sido quase exclusivamente dependentes de medicação para tratar problemas psiquiátricos. Por outro lado, esse estudo está mostrando que encorajar as crianças a saírem e praticarem atividade física e a serem mais cuidadosas quanto a alimentação também é relevante para a saúde mental”.

Como ela afirma, os investigadores estão focando sua atenção no potencial impacto dos fatores ambientais no TDAH. “ Tudo o que pudermos fazer para diminuir a chance de uma criança  ter TDAH deve ser algo positivo”, diz ela.

Esse estudo foi subsidiado pelo Instituto Canadense de Pesquisa médica e Inovação de Alberta. Veugelers e Rucklidge não declararam nenhum interesse econômico relevante.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.medscape.com/viewarticle/929207#vp_1

Comentários da equipe FOCUS:
Esse estudo encontrou uma relação entre o estilo de vida saudável e a presença de TDAH. Contudo, como ele não é um estudo prospectivo que avaliou os hábitos saudáveis antes do diagnóstico de TDAH, não se pode afirmar que tipo de relação é essa. Não podemos dizer, por exemplo, se o seguimento das recomendações de estilo de vida previne o TDAH, se o não seguimento pode causar o TDAH, ou, o mais provável, que ter TDAH está associado a hábitos de vida menos saudáveis. Podemos apenas observar que existe uma relação: crianças com TDAH diagnosticado até os 14 anos seguiam menos recomendações de estilo de vida saudável aos 10 e aos 11 anos. Isso pode se dever talvez ao fato de que crianças que irão desenvolver TDAH, ou que na verdade já tinham TDAH ou sintomas do transtorno, tem mais dificuldade de seguir as recomendações ou tendem a não seguir as recomendações. Também pode ser que outro fator que propicie o desenvolvimento de TDAH também influencia na falta de hábitos saudáveis, explicando a ocorrência mútua desses eventos.

Apesar dessas ressalvas, dado que promover o estilo de vida saudável fornece inúmeros impactos positivos conhecidos na saúde física e que existe a possibilidade de ser benéfico para a saúde mental, esses achados nos reforçam ainda mais a necessidade de se promover hábitos saudáveis nas crianças com TDAH. Promover hábitos saudáveis não apresenta riscos, pelo contrário, apenas benefícios potenciais.

Referências:
Adherence to Life-Style Recommendations and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder
A Population-Based Study of Children Aged 10 to 11 Years
Loewen, Olivia K. MSc; Maximova, Katerina PhD; Ekwaru, John P. PhD; Asbridge, Mark PhD; Ohinmaa, Arto PhD; Veugelers, Paul J. PhD
Psychosomatic Medicine: April 2020 – Volume 82 – Issue 3 – p 305-315
doi: 10.1097/PSY.0000000000000787
Link: https://journals.lww.com/psychosomaticmedicine/Abstract/2020/04000/Adherence_to_Life_Style_Recommendations_and.8.aspx

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