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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

MENINAS, MULHERES E TDAH: POR QUE O TRANSTORNO É TÃO DIFERENTE NAS GAROTAS?

MENINAS, MULHERES E TDAH: POR QUE O TRANSTORNO É TÃO DIFERENTE NAS GAROTAS?

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade não se manifesta da mesma forma em meninos e em meninas. As mulheres com TDAH tendem a ser menos hiperativas e impulsivas, mas mais desorganizadas, dispersas, esquecidas e introvertidas.1

Ainda, meninas têm mais chance de desenvolverem desordens associadas, incluindo ansiedade, depressão, bipolaridade ou transtorno de conduta – e, mesmo assim, têm menos chance de serem encaminhadas para avaliação e tratamento.2

Mas, por que isso acontece?

Mulheres e meninas têm menos chance de serem diagnosticadas porque, tradicionalmente, as linhas gerais utilizadas para avaliação focavam em meninos e homens. Na obra Understanding Girls with AD/HD, a coautora Ellen Littman, Ph.D, explica como as pesquisas iniciais eram voltadas a meninos hiperativos e brancos, sendo que apenas 1% dos estudos se voltavam às meninas.3 Como garotas manifestam sintomas de formas diferentes dos garotos, o que aconteceu?

Os meninos passaram a ter uma chance 3x maior de serem diagnosticados com TDAH.

A pesquisadora e educadora Jane Adelizzi, Ph.D, diz que meninas com TDAH tendem a ser altamente negligenciadas pelos estudos, porque a hiperatividade geralmente não está presente nelas.

Garotas estão mais propensas a serem portadoras do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade com predomínio de desatenção. Por isso, meninas têm grandes chances de não serem corretamente diagnosticadas, levando os problemas da desordem pelo resto da vida sem tratamento.

“Meninas sem tratamento para TDAH correm risco de baixa autoestima crônica, desempenho insuficiente, ansiedade, depressão, gravidez na adolescência e vícios”, diz a psicóloga Kathleen Nadeau, Ph.D.

“Quando adultas, aumentam os riscos de divórcio, crises financeiras, desistência dos estudos, desemprego, abuso de substâncias, transtornos alimentares e estresse constante devido à dificuldade de administrar as demandas da vida cotidiana”, explica Nadeau.4

O TDAH em meninas jovens é muitas vezes ignorado, as razões para as quais permanecem incertas, e muitas mulheres não são diagnosticadas até que sejam adultas. Frequentemente, uma mulher chega a reconhecer seu próprio TDAH depois que um de seus filhos recebeu um diagnóstico. Ao aprender mais sobre o TDAH, ela começa a ver muitos padrões semelhantes em si mesma.

Algumas mulheres procuram tratamento para o TDAH porque suas vidas estão fora de controle – suas finanças podem estar no caos; sua papelada e manutenção de registros geralmente são mal administradas; eles podem lutar sem sucesso para acompanhar as demandas de seus empregos; e eles podem se sentir ainda menos capazes de acompanhar as tarefas diárias de refeições, lavanderia e gerenciamento de vida. Outras mulheres são mais bem-sucedidas em esconder seu TDAH, lutando bravamente para atender demandas cada vez mais difíceis trabalhando à noite e gastando seu tempo livre tentando “se organizar”. Mas se a vida de uma mulher está claramente no caos ou se ela é capaz, para esconder suas dificuldades, ela muitas vezes se descreve como se sentindo sobrecarregada e exausta.

Enquanto a pesquisa de TDAH em mulheres continua a ficar para trás em adultos do sexo masculino, muitos médicos estão encontrando preocupações significativas e condições coexistentes em mulheres com TDAH. Compulsão alimentar, abuso de álcool e privação de sono crônica podem estar presentes em mulheres com TDAH.

As mulheres com TDAH muitas vezes experimentam disforia (humor desagradável), depressão maior e transtornos de ansiedade, com taxas de transtornos depressivos e de ansiedade semelhantes aos dos homens com TDAH. No entanto, as mulheres com TDAH parecem sentir mais sofrimento psicológico e ter mais baixa estima que os homens com TDAH.

Em comparação com mulheres sem TDAH, mulheres diagnosticadas com TDAH na idade adulta têm maior probabilidade de apresentar sintomas depressivos, maior estresse e ansiedade, tendência a atribuir sucesso e dificuldades a fatores externos ou o acaso, e menor autoestima estão envolvidos mais em estratégias de enfrentamento que são orientadas para a emoção (uso de medidas de autoproteção para reduzir o estresse) do que orientadas a tarefas e pró ativas (tomar medidas para resolver problemas).

Estudos mostram que o TDAH em um membro da família causa estresse para toda a família. No entanto, os níveis de estresse podem ser mais altos para as mulheres do que para os homens, porque elas têm mais responsabilidade em casa e por conta dos filhos. Além disso, pesquisas recentes sugerem que maridos de mulheres com TDAH são menos tolerantes com os padrões de TDAH do cônjuge do que esposas de homens com TDAH. O estresse crônico afeta as mulheres com TDAH, afetando-as física e psicologicamente. As mulheres que sofrem de estresse crônico como aquelas associadas ao TDAH correm mais riscos de doenças crônicas, como a fibromialgia.

Assim, está se tornando cada vez mais claro que a falta de identificação e tratamento adequados do TDAH em mulheres é uma preocupação significativa de saúde pública. 7

O tratamento do TDAH em mulheres

TDAH é uma condição que afeta vários aspectos do humor, habilidades cognitivas, comportamentos e vida diária. O tratamento eficaz para o TDAH em mulheres adultas pode envolver uma abordagem multimodal que inclui medicação, psicoterapia, controle do estresse, bem como treinamento em TDAH e / ou organização profissional.

Mesmo aquelas mulheres com sorte suficiente para receber um diagnóstico preciso de TDAH muitas vezes enfrentam o desafio subsequente de encontrar um profissional que possa fornecer o tratamento adequado. Existem poucos médicos experientes no tratamento do TDAH em adultos e menos ainda que estão familiarizados com os problemas específicos enfrentados por mulheres com TDAH. Como resultado, a maioria dos clínicos usa abordagens psicoterapêuticas padrão. Embora essas abordagens possam ser úteis para fornecer informações sobre questões emocionais e interpessoais, elas não ajudam uma mulher com TDAH a aprender a administrar melhor seu TDAH diariamente ou a aprender estratégias para levar uma vida mais produtiva e satisfatória.

Terapias focadas no TDAH estão sendo desenvolvidas para abordar uma ampla gama de questões, incluindo autoestima, questões interpessoais e familiares, hábitos diários de saúde, nível de estresse diário e habilidades de gerenciamento da vida. Tais intervenções são muitas vezes referidas como “psicoterapia neurocognitiva”, que combina terapia cognitivo-comportamental com técnicas de reabilitação cognitiva. A terapia comportamental cognitiva concentra-se nas questões psicológicas do TDAH (por exemplo, autoestima, auto aceitação, autocensura) enquanto a abordagem de reabilitação cognitiva se concentra nas habilidades de gerenciamento da vida para melhorar as funções cognitivas (lembrança, raciocínio, compreensão, resolução de problemas, avaliar e usar o julgamento), aprender estratégias compensatórias e reestruturar o ambiente.

Problemas de medicação são frequentemente mais complicados para mulheres com TDAH do que para homens. Qualquer abordagem de medicação precisa levar em consideração todos os aspectos da vida da mulher, incluindo o tratamento de condições coexistentes. Mulheres com TDAH são mais propensas a sofrer de ansiedade e / ou depressão coexistentes, bem como uma série de outras condições, incluindo dificuldades de aprendizagem. Os transtornos relacionados ao uso de álcool e drogas são comuns em mulheres com TDAH e podem estar presentes desde cedo, um histórico cuidadoso do uso de substâncias é importante.7

O fator hormonal

Mulheres e garotas que já passaram pela puberdade têm flutuações mensais nos níveis de estrogênio, progesterona e testosterona. Estes hormônios sexuais têm um papel fundamental na reprodução, na sexualidade, nas emoções e na saúde em geral. Mas, de acordo com os pesquisadores Ronit Haimov-Kochman e Itai Berger, a maioria dos estudos considerou tais flutuações como algo a ser controlado – ou até ignorado – ao focar exclusivamente em homens.

Agora, cientistas estão começando a aprender sobre a possível conexão entre TDAH e hormônios – especialmente os hormônios sexuais. Muitos especialistas já suspeitavam da relação. Afinal de contas, há muitas pesquisas sobre como diferentes níveis de estrogênio afetam o humor e o comportamento das mulheres ao longo da vida. Porém, não há evidências suficientes de que hormônios estejam ligados ao TDAH – não porque não haja ligação, mas porque ainda não há estudos suficientes sobre o tema.5

Contudo, um número crescente de estudos mostra que os hormônios sexuais têm um papel de regulação da comunicação entre células cerebrais e podem afetar a função executiva negativamente. Em vez de controlar estas flutuações, os doutores Haimov-Kochman e Berger sugerem que novas pesquisas sejam realizadas, focando nas alterações e nas combinações dos hormônios e das suas influências nas emoções e função executiva, para compreender o papel dos hormônios no TDAH.

O sistema endócrino é compreendido por múltiplas glândulas que produzem diferentes tipos de hormônios. É um sistema interconectado que age de forma lenta com impactos duradouros.

“A investigação do papel do estrogênio, da progesterona e outros esteroides sexuais tem o potencial de gerar diagnósticos inovadores e melhores, além de tratamentos capazes de mudar o curso de desordens cognitivo-comportamentais, como o TDAH”, afirmam Haimov-Kochman e Berger.2

O que posso fazer desde já?

A Dra. Patricia Quinn, autora de AD/HD in Women: Do We Have the Complete Picture?6, sugere que meninas e mulheres com TDAH reconheçam que as mudanças hormonais periódicas podem ter um impacto significativo nos sintomas do TDAH. Para que você identifique as influências hormonais no transtorno, mantenha um diário dos ciclos menstruais e dos sintomas do TDAH. Compartilhe estas informações com seu médico e terapeuta para otimizar seu tratamento.

Muitas meninas e mulheres passam por grandes desafios relacionados ao TDAH, seja pela dificuldade do diagnóstico ou pela administração dos sintomas. Reconheça que o TDAH é uma desordem no cérebro com evidência crescente sobre o impacto dos hormônios. Dedique um tempo para educar sua filha ou a si mesma. Encontre bons profissionais de saúde que estejam aptos a prover os melhores tratamentos para os seus sintomas individuais.2

Além disso há formas de mulheres com TDAH poderem se ajudar. É importante para uma mulher com TDAH trabalhar inicialmente com um profissional para desenvolver melhores estratégias de gerenciamento de vida e estresse. No entanto, as seguintes estratégias podem ser usadas em casa, sem a orientação de um terapeuta, treinador ou organizador para reduzir o impacto do TDAH:

  • Entenda e aceite seus desafios de TDAH em vez de julgar e culpar a si mesma.
  • Identifique as fontes de estresse em sua vida diária e sistematicamente faça mudanças na vida para diminuir seu nível de estresse.
  • Simplifique sua vida.
  • Procure estrutura e apoio da família e amigos.
  • Obtenha aconselhamento especializado para pais.
  • Crie uma família amigável com o TDAH e que coopere e apóie um ao outro.
  • Agende saídas diárias para você mesma.
  • Desenvolver hábitos saudáveis ​​de autocuidado, como dormir e exercitar se adequadamente e ter uma boa alimentação.
  • Concentre-se nas coisas que você ama.

Indivíduos com TDAH têm diferentes necessidades e desafios, dependendo do sexo, idade e ambiente. Não reconhecido e não tratado, o TDAH pode ter implicações substanciais na saúde mental e na educação. É importante que as mulheres com TDAH recebam um diagnóstico preciso que aborda os sintomas e outras questões importantes relacionadas ao funcionamento e ao comprometimento, o que ajudará a determinar o tratamento e as estratégias apropriadas para cada mulher com TDAH.7

1 IT’S DIFFERENT FOR GIRLS WITH ADHD. THE ATLANTIC. Disponível em: <https://www.theatlantic.com/national/archive/2013/04/its-different-girls-adhd/316674>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

2 HORMONAL FLUCTUATIONS AFFECT WOMEN’S ADHD SYMPTOMS. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: <http://www.chadd.org/Understanding-ADHD/About-ADHD/ADHD-Weekly/Article.aspx?issue=d2017-08-03&id=367>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

3 YOUNG WOMEN WITH ADHD. ATTENTION CHADD. Disponível em: <http://drellenlittman.com/secret_life_of_girls_with_adhd.pdf>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

4 ADHD: A WOMEN’S ISSUE. AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Disponível em: <http://www.apa.org/monitor/feb03/adhd.aspx>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

5 THE LINK BETWEEN HORMONES AND ADHD. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/hormones-adhd-connection#1>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

6 AD/HD in Women: Do We Have the Complete Picture?. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: <http://www.chadd.org/LinkClick.aspx?fileticket=-tHjnQjXheY%3D>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

7 Women and Girls. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: <http://chadd.org/for-adults/women-and-girls/>. Acesso em: 8 de março de 2019.

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CAFEÍNA E TDAH: Devo Evitar Ou Tormar?

CAFEÍNA E TDAH: Devo evitar ou tormar?

Pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm diferenças químicas e físicas no cérebro1, que podem levar a uma variedade de sintomas, como falta de atenção hiperatividade e impulsividade. Para controlar estes sintomas, o tratamento mais comum é a prescrição de medicações estimulantes. Estes medicamentos são comprovadamente capazes de melhorar o foco, a atenção e o comportamento impulsivo.

A partir disso, o raciocínio lógico seria: se estimulantes ajudam em tudo isso, tomarei mais café, o mais consumido estimulante no mundo, certo?

Não necessariamente.

Alguns estudos analisaram o efeito da cafeína nos sintomas de TDAH, mas os resultados foram conflitantes. Mesmo que a cafeína seja um estimulante, não é geralmente recomendada como um tratamento para o TDAH, porque não há provas científicas de sua eficiência.

– Os efeitos da cafeína são muito mais intensos e rápidos do que os efeitos da medicação.
– O poder da cafeína vai diminuindo ao longo do tempo e quantidades mais altas de café seriam necessárias para obter o mesmo resultado.
– É preciso manter em mente que muitos alimentos e bebidas têm variadas quantidades de cafeína. Entre o consumo de café, chá ou chocolate, como você conseguiria estipular a quantidade de estimulantes que consumiu durante o dia? Missão quase impossível, o que é um tanto quanto arriscado quando falamos em termos de tratamento.2

Como funcionam os estimulantes?

Estimulantes, incluindo a cafeína, aumentam a quantidade de químicos utilizados pelo seu cérebro para enviar sinais. Um destes é a dopamina, que está relacionada ao prazer, à atenção e ao movimento – e cujos níveis no cérebro do paciente com TDAH são mais baixos.

Por isso, quando você é diagnosticado com TDAH, os médicos frequentemente prescrevem estimulantes para que você fique mais tranquilo e focado. Alguns pesquisadores acreditam que o café teria o mesmo poder, já que a cafeína do chá é capaz de melhorar o estado de alerta e a concentração.3

Cafeína com medicação

Quando você combina cafeína com medicação estimulante, você tem o chamado efeito sinérgico. A sinergia acontece quando duas drogas têm mecanismos de ação aditivos, tornando seu efeito mais poderoso – o que não é necessariamente bom. A cafeína pode tornar a medicação mais eficiente sim, mas os efeitos colaterais podem ser maiores.

Para algumas pessoas, a cafeína pode colaborar no ajuste dos níveis de dopamina. Para outras, adicionar mais estimulantes à dieta pode elevar demais os níveis de dopamina, gerando agitação, ansiedade, dores de cabeça, irritabilidade, insônia etc.4
O que nos leva à grande cautela que você, pai ou mãe, precisa ter:

Cafeína para crianças?

Especialistas não recomendam a ingestão de cafeína por crianças, especialmente se estão tomando medicação para o TDAH. Crianças são mais vulneráveis aos efeitos colaterais da cafeína, que também pode afetar o desenvolvimento cerebral na fase de crescimento.

Crianças com TDAH, geralmente, têm mais problemas para dormir e para se manterem alertas durante o dia. A cafeína será uma inimiga nesta questão, potencializando ambos os problemas.

Usar a cafeína durante o tratamento do TDAH é algo que apenas o seu médico pode avaliar. De acordo com a The Academy of Nutrition and Dietetics, a maioria das crianças já consome cafeína em excesso, através dos refrigerantes. Uma lata de Coca-Cola, de 350ml, tem aproximadamente 35mg de cafeína.2

O Governo Brasileiro não estipulou um limite diário para o consumo da substância, tampouco o norte-americano. Os dados que utilizamos no Brasil vieram do Governo do Canadá, que determina os seguintes valores: 45mg diárias para crianças entre 4 e 6 anos, 62mg para crianças entre 7 e 9 anos, 85mg para crianças entre 10 e 12 anos.5

Não vamos esquecer, é claro, das altas doses de açúcar nos refrigerantes – uma única lata, com seus 40g de açúcar, já excede o limite diário até dos adultos.

1 NEUROBIOLOGY. SHIRE ADHD INSTITUTE. Disponível em: https://adhd-institute.com/burden-of-adhd/aetiology/neurobiology/ . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

2 WHAT EFFECT DOES CAFFEINE HAVE ON PEOPLE WITH ADHD?. MEDICAL NEWS TODAY. Disponível em: https://www.medicalnewstoday.com/articles/315169.php . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

3 CAFFEINE AND ADHD. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/adhd-caffeine . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

4 HOW DOES CAFFEINE AFFECT ADHD?. HEALTHLINE. Disponível em: https://www.healthline.com/health/adhd/caffeine . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

5 CAFÉ: OS LIMITES E OS RISCOS DE CONSUMIR EM EXCESSO. ÉPOCA. Disponível em: https://epoca.globo.com/saude/check-up/noticia/2017/06/cafe-os-limites-e-os-riscos-de-consumir-em-excesso.html . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

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APLICATIVO AUMENTA A ADESÃO AO TRATAMENTO E PERMITE MELHOR CONTROLE DOS SINTOMAS DO TDAH, Indica Estudo

APLICATIVO AUMENTA A ADESÃO AO TRATAMENTO E PERMITE MELHOR CONTROLE DOS SINTOMAS DO TDAH, indica estudo

A adesão ao tratamento é um dos principais problemas enfrentados por pacientes com doenças crônicas. Cerca de 25% das prescrições recebidas por esses pacientes são simplesmente ignoradas e não são convertidas em busca da medicação ou implementação do tratamento proposto, seja por preconceito, falta de informação ou acesso. A maioria dos pacientes não relata essa informação ao seu médico. (20 –23) Outro aspecto que impacta negativamente a adesão ao tratamento é a inexistência de sintomas claros e perceptíveis para o paciente. (24, 25) Este é o caso do TDAH, apesar de seu significativo impacto negativo e alta eficácia e segurança do tratamento, o abandono do paciente após um ano pode chegar a 87%. (26) Os prejuízos associados a esta baixa adesão são graves, tanto para pacientes com TDAH como para sociedade como um todo.

Especialistas indicam que seis pilares compõem o modelo de adesão ao tratamento: suporte à decisão, design do sistema de entrega, sistemas de informações clínicas, apoio familiar e de autogestão, recursos e políticas comunitárias e organizações de cuidados de saúde. (27, 28) Se o tratamento geral dos sintomas do TDAH tiver sido bem-sucedido, os planos de tratamento podem precisar ser adaptados para atingir os problemas residuais existentes. Ou ainda, se o tratamento tiver sido ineficaz, então os planos de tratamento podem precisar ser adaptados para se concentrar em outras deficiências. (29) Ou seja, os pacientes diagnosticados com TDAH que recebem tratamento de longo prazo devem ser periodicamente reavaliados pelos profissionais de saúde. Os objetivos do tratamento podem mudar ao longo do tempo, ou um tratamento pode não ser bem tolerado, o que implica em uma tomada de ação rápida. Portanto, para garantir que os objetivos do tratamento estão adequados às necessidades do indivíduo e estágio de desenvolvimento, esses pacientes devem receber suporte e avaliação contínuos (30).

Recentemente, pesquisadores israelenses (31) avaliaram, em um estudo randomizado,  a utilização de um aplicativo de celular que permitia uma comunicação mais frequente entre médicos e familiares de pacientes com TDAH e um monitoramento mais contínuo do tratamento. No total, 39 crianças foram randomizadas em dois grupos: no primeiro, as crianças e seus pais foram convidados a utilizar o aplicativo proposto. O segundo foi o grupo controle, sem uso do app. As variáveis observadas foram: adesão, através da contagem de pílulas, e avaliação clínica, no início do estudo, depois de 4 semanas e finalmente após 8 semanas. Ao final do estudo, os pacientes que utilizaram o aplicativo mostraram-se mais aderentes ao tratamento, assim como com melhores resultados clínicos alcançados quando avaliados pela CRS (Clinical Rating Scale).

O estudo apresentou algumas limitações, como o curto período de acompanhamento e baixo número de pacientes. Isso pode explicar o fato de que a redução dos sintomas não teve diferença estatística entre os grupos quando analisados através da CGI (Clinical Global Impression Scale) e da ADHD-RS (ADHD Rating Scale). Segundo os autores, outra limitação do estudo foi o fato de que apenas 61,5% das crianças e pais, inicialmente incluídos no estudo, completaram as três visitas programadas. A taxa de abandono relativamente elevada vai em consonância com a prática clínica de que muitos pais de crianças com TDAH tendem a não aderir a consultas regulares de acompanhamento. Esse fato reforça a necessidade de desenvolver outros meios para o monitoramento remoto e gestão de crianças com TDAH, como um aplicativo móvel de saúde (mHealth) especificamente desenhado a esse perfil de paciente.

A conclusão deste estudo é que o uso de aplicativos mobile para TDAH pode sim ter um impacto significativo de promover melhor adesão ao tratamento, assim como controle dos sintomas.

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Para nós do FOCUS TDAH esta publicação reforça nossa dedicação e crença de que estamos no caminho certo. Podemos, sim, desenvolver colaborativamente uma aplicação efetiva na promoção à saúde mental, através da adesão, educação, engajamento e empoderamento de pacientes e seus familiares, permitindo que médicos e outros profissionais de saúde tenham a sua disposição produtos e serviços que auxiliem a tomada de decisão e aumente a adesão ao tratamento e às consultas. Faça parte do Movimento FOCUS TDAH.

Mais informações sobre o TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico e estrutural do cérebro, caracterizado pela presença dos sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. (1,2,3). Apesar de desconhecida, tem como causa alta correlação genética, bem como algumas questões ambientais, como baixo peso ao nascer, tabagismo na gestação, entre outros. (4,5,6) O transtorno acomete aproximadamente 5% da população mundial (7, 12 8). O diagnóstico é exclusivamente clínico e geralmente ocorre na infância, mantendo-se presente ao longo da vida. (9) Algo que poucos sabem é que o TDAH em Adultos não é necessariamente uma continuação da infância, mas pode surgir depois da idade adulta sem histórico prévio. (10). Ou seja, TDAH não é só coisa de criança. A presença do TDAH está associada a uma série de prejuízos funcionais que causam impactos significativos ao longo da vida: dificuldades de aprendizagem e disfunção executiva (tomada de decisão, planejamento, organização, etc.); desregulação emocional e prejuízos na construção e manutenção de relacionamentos sociais e afetivos; maiores chances de divórcio; menor autoestima; ideação suicida, e mesmo o suicídio; maior risco de delinquência; criminalidade; encarceramento; tabagismo e uso de drogas; pior desempenho escolar/acadêmico e na vida profissional, incluindo maiores chances de desemprego; maior rotatividade profissional e menor status sócio econômico; gravidez indesejada; maior risco de acidentes de trânsito e de morte prematura (11 – 13); menor auto estima; pior qualidade de vida; morbidade persistente (14 –17) e risco elevado de mortalidade. (18, 19)

 

Fontes:

  1. Volkow ND, et al. Depressed Dopamine Activity In Caudate And Preliminary Evidence Of Limbic Involvement In Adults With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. Arch Gen Psychiatry 2007; 64: 932-940.
  2. Volkow N, et al. Evaluating Dopamine Reward Pathway In ADHD. JAMA 2009; 302(10): 1084-1091.
  3. Hart H, et al. Meta-Analysis Of Functional Magnetic Resonance Imaging Studies Of Inhibition And Attention In Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: Exploring Task-Specific, Stimulant Medication, And Age Effects. JAMA Psychiatry. 2013; 70: 185-98.
  4. Burt SA. Rethinking environmental contributions to child and adolescent psychopathology: A meta-analysis of shared environmental influences. Psychol Bull 2009135: 608-637.
  5. Todd RD & Huang H, et al.Collaborative analysis of DRD4 and DAT genotypes in population-defined ADHD subtypes. J Child Psychol Pschiatry 2005 46: 1067-1073.
  6. Biederman, Joseph & V Faraone, Stephen. (2005). Biederman J, Faraone SV. Attention-deficit hyperactivity disorder. Lancet 366: 237-248. Lancet. 366. 237-48. 10.1016/S0140-6736(05)66915-2.
  7. ROHDE, Luis Augusto et al . Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 22, supl. 2, p. 07-11, Dec. 2000 .  Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600003&lng=en&nrm=iso. access on 20 Oct. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462000000600003.
  8. Kooij SJ, Bejerot S, Blackwell A, Caci H, Casas‐Brugue M, Carpentier PJ et al. European consensus statement on diagnosis and treatment of adult ADHD: the European Network Adult ADHD. BMC Psychiatry 2010;10:67.
  9. Polanczyk G, de Lima MS, Horta BL, et al: The worldwide prevalence of ADHD: a systematic review and metaregression.
  10. Caye A, et al. JAMA Psych doi:10.1001/jamapsychiatry.2016.0383 Published online May 18 2016
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DEPENDÊNCIA DE NICOTINA E TDAH: QUAL A RELAÇÃO?

Adolescentes diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) têm mais probabilidade de se tornarem dependentes de nicotina do que jovens sem o diagnóstico do transtorno. Por quê?

Um estudo1 conduzido no Massachusetts General Hospital, em Boston, envolveu 166 jovens de 15 a 25 anos para medir a dependência da substância. O nível médio dos participantes com TDAH era o dobro dos participantes sem a desordem – o que sugere que portadores de TDAH têm o dobro de chances de se tornarem viciados ao experimentarem a droga.

Claro, o TDAH não foi o único fator encontrado para a elevação da dependência de nicotina. Jovens com pais fumantes, amigos fumantes ou que conviviam com fumantes tinham mais tendência à adição.

O líder do estudo, Dr. Timothy E. Wilens, alerta2 que estes fatores ambientais tinham ainda mais impacto nos participantes com TDAH. Isso pode significar que há uma mistura de elementos biológicos e ambientais trabalhando juntos no vício, diz o doutor.

Mesmo que não esteja claro o motivo desta correlação entre TDAH e nicotina, existe evidência de que a substância, em certo grau, age no cérebro humano da mesma forma que medicamentos estimulantes, comumente indicados no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.

É possível que os jovens estejam utilizando a nicotina como uma forma de automedicação, explica Dr. Wilens. Por isso, avisa o médico, pais de adolescentes diagnosticados com o transtorno precisam compreender a importância de não fumarem e de minimizarem os sintomas do TDAH nos jovens o máximo que puderem.

Nicotina e automedicação

A nicotina é um conhecido estimulante do sistema nervoso central e parece agir no cérebro da mesma forma que outros psicoestimulantes, como dissemos.

Um número considerável de estudos aponta que a nicotina é capaz de melhorar a atenção, diz o Dr. Scott Collins3, professor de psiquiatria e de psicologia médica da Universidade de Duke. Collins, que é diretor do programa de TDAH da instituição, alerta que “a nicotina tem muitos efeitos em diversos processos que podem estar prejudicados em indivíduos com TDAH, incluindo atenção, autocontrole e memória de trabalho”.

Por isso, explica o médico, “frequentemente, foi proposto que portadores de TDAH têm risco aumentado de se tornarem viciados, por causa dos efeitos da nicotina através de diversos processos cognitivos.”

É possível que a nicotina esteja sendo utilizada como um apoio para portadores de TDAH, como uma forma de compensar deficiências na atenção, estímulo e concentração. Pesquisas são necessárias nesta questão para compreender plenamente o efeito da nicotina nos sintomas de TDAH e como isso pode aumentar o risco da adição em jovens e adultos com a desordem.

Nicotina no cérebro

Uma pesquisa conduzida na Universidade de Duke4 chegou a um resultado surpreendente: o uso de adesivos de nicotina podia melhorar a atenção, a memória e a função cognitiva (esta última até mesmo em pacientes de Alzheimer).

A nicotina foi capaz de minimizar a confusão mental de indivíduos diagnosticados com esquizofrenia e outras desordens tratadas com medicamentos antipsicóticos (uma possível explicação para que uma grande parcela destes pacientes sejam dependentes de cigarros).

O líder deste estudo, o professor de psiquiatria da Duke, Amir Rezvani, administrou pequenas doses de nicotina em ratos com problemas de atenção – a droga foi capaz de levar o funcionamento cerebral de volta ao estado normal.

Então, os pesquisadores repetiram o teste em pacientes com Alzheimer e a capacidade de aprendizagem dos indivíduos melhorou.

A conclusão do estudo, obviamente, não é que devamos aplicar nicotina nas pessoas, não antes dos pesquisadores conseguirem remover o caráter viciante da substância, algo que estão desenvolvendo em laboratório3. A conclusão foi de que a nicotina é a substância mais aditiva que existe, diz Rezvani. Mais do que cocaína ou heroína.

Isso porque ela se combina com receptores para a acetilcolina, um dos mais importantes neurotransmissores do cérebro. Também, porque a nicotina é geralmente inalada e atinge o cérebro imediatamente. “No mesmo instante que você fuma, você sente a recompensa”, explica o pesquisador.

Fontes

1 TIMOTHY W et al. Cigarette Smoking Associated with Attention-Deficit Hyperactivity Disorder. J Pediatr. 2008 Sep; 153(3): 414–419. Doi: [10.1016/j.jpeds.2008.04.030]. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2559464/>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

2 ADHD TIED TO MORE SEVERE NICOTINE DEPENDENCE. REUTERS. Disponível em: <https://www.reuters.com/article/us-nicotine-dependence/adhd-tied-to-more-severe-nicotine-dependence-idUSTRE49T71920081030>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

3 THE CASE FOR NICOTINE. THE WASHINGTON POST. Disponível em: <https://www.washingtonpost.com/news/to-your-health/wp/2014/04/25/the-case-for-nicotine/?noredirect=on&utm_term=.7037d649343d>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

REZVANI AH et al. Cognitive effects of nicotine. Biological Psychiatry 49(3):258-67 · March 2001. DOI: 10.1016/S0006-3223(00)01094-5. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/12100639_Rezvani_AH_Levin_ED_Cognitive_effects_of_nicotine_Biol_Psychiat_49_258-267>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

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VIDA SEXUAL COM TDAH: O Que Pode Acontecer

VIDA SEXUAL COM TDAH: o que pode acontecer

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é caracterizado por uma gama de sintomas que podem incluir hiperatividade, desatenção e questões comportamentais. Contudo, o TDAH também pode afetar os relacionamentos, a autoestima e até mesmo a performance sexual.

“Qualquer casal pode ter uma discrepância de desejo quando um dos parceiros sente mais apetite sexual do que o outro”, explica Ari Tuckman, psicólogo clínico norte-americano, especializado no diagnóstico e no tratamento de crianças, jovens e adultos com o transtorno.

Gina Pera, autora da obra “Is It You, Me, Or Adult A.D.D.?” afirma que a maioria dos casais, em que um dos parceiros foi diagnosticado com TDAH, reporta uma boa vida sexual. Mas, há vezes em que o transtorno pode “criar problemas significativos”, sendo um deles a falta de capacidade de iniciar uma relação sexual.
Pessoas com TDAH que não começam as relações sexuais podem fazê-lo por incontáveis razões, esclarece Pera. Em alguns casos, o comportamento procrastinador frequentemente presente no transtorno pode ser a causa da situação. Em outros, a dificuldade de planejamento e a falta de noção de tempo se tornam um desafio para determinar quando e como se aproximar do parceiro.

Tuckman diz que um bom preditor de satisfação sexual inclui o tratamento adequado tanto para quem tem TDAH quanto para quem não tem o transtorno. O psicólogo explica que casais mais felizes são aqueles que sentem que seu parceiro está se esforçando para ajudar a controlar os sintomas e suas consequências. Um destes esforços é ligado à vida sexual. Tuckman explica que, ao trabalhar junto, o casal pode transformar o que era um problema em um “afrodisíaco”, porque o sentimento de apreciação potencializa a relação.

Já Gina Pera, alerta sobre outro problema sexual que pode ocorrer: o parceiro que quer fazer sexo constantemente. Ela nota que a maior parte das pesquisas conclui que a chamada hipersexualidade está ligada mais ao tipo desatento do transtorno, mesmo que isso pareça surpreendente. Gina sugere que isso pode ocorrer por fatores subjetivos, como crescer sem o estigma do TDAH e não desenvolver os graves problemas que a baixa autoestima pode acarretar.
Vimos como o TDAH pode levar tanto à falta de sexo quanto ao sexo em excesso. Vamos observar alguns fatores que podem acontecer na vida sexual de pessoas diagnosticadas com o transtorno.

Como o TDAH pode afetar sua vida sexual

– Você pode ter problemas para prestar atenção durante o sexo. A mente divaga no momento das preliminares, do carinho ou até mesmo durante a relação em si.
– Seu humor ou desejo muda subitamente. Em um dia, você sente vontade de carinho e sexo. No outro, as mesmas questões simplesmente lhe incomodam.
– Sentimentos de braveza e solidão podem reduzir o desejo. Eles também podem gerar desafios comunicacionais entre você e seu parceiro.
– Você pode ser levado a comportamentos de risco, como sexo sem proteção. O TDAH pode reduzir o nível de alguns neurotransmissores no cérebro – isso pode impulsionar comportamentos de risco ou de impulsividade.
– Você pode desejar ter diferentes e variados parceiros. Isso dificulta a ideia de um relacionamento em longo prazo e aumenta as chances de risco.

O que você pode fazer?

– Seja aberto com seu parceiro sobre seus sintomas de TDAH, como falta de foco e irritabilidade. Saiba, lembre, reforce que isso não é culpa sua e não tem relação com seu parceiro.
– Explique o que lhe dá prazer. Se você não gosta de ser tocado o tempo todo, diga isso ao outro. Mostre como lhe tocar, quando lhe tocar. Isso previne conflitos e incompreensão.
– Livre-se de distrações. Se você perde o foco durante o sexo, apague a luz, tire a televisão, desligue telefones.
– Tome suas medicações como foram prescritas. Alguns remédios para o transtorno podem potencializar a capacidade de foco e de prazer sexual, enquanto outros podem reduzir o desejo e até mesmo a performance. Se este for o caso, converse com seu médico e com seu parceiro sobre isso.
– Foque na intimidade. Problemas com foco podem dificultar o prazer, a excitação e o orgasmo. Dedique algum tempo ao carinho e ao relaxamento ao lado do outro. Isso reduz a pressão e ajuda o casal a se divertir junto.
– Mantenha-se ativo. Exercícios regulares podem lhe ajudar a focar e a aumentar neurotransmissores como a dopamina, que colabora com a melhoria da intimidade e reduz o risco de comportamentos inseguros.
– Considere terapias. Um terapeuta pode ser de grande valor no aprendizado da comunicação com o seu parceiro, seja na cama ou fora dela.

Fontes:

1 HOW HAVING ADHD CAN IMPACT YOUR SEX LIFE. HEALTH U.S NEWS. Disponível em: <https://health.usnews.com/health-care/patient-advice/articles/2017-12-13/how-having-adhd-can-impact-your-sex-life>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
2 ADHD AND YOUR SEX LIFE. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/adhd-adhdsex>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

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POSSÍVEIS VANTAGENS DO TDAH

POSSÍVEIS VANTAGENS DO TDAH

Quando você recebe o diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), nada mais comum do que ficar preocupado. Muito falamos sobre estratégias para minimizar sintomas, manter o tratamento em dia e sobre como tudo isso é capaz de controlar o transtorno a um ponto em que sua vida será sim produtiva e estável. Mas, hoje, nós vamos além: veremos questões positivas, que não raramente são vistas em alguns pacientes diagnosticados com o transtorno.

As características mais apontadas pelos profissionais de saúde, nos pacientes com TDAH, são criatividade, empatia, espontaneidade e tenacidade1.

Claro, isso não significa que você terá as vantagens apenas por ter o transtorno. Isso significa que, com o devido tratamento, treinamento e estratégias específicas, você poderá construir algo positivo a partir da sua condição.
Por isso, conheceremos estas qualidades2 e veremos alguns métodos para conquistá-las.

Energia: alguns indivíduos com TDAH parecem ter grandes cargas de energia, que eles podem canalizar em direção ao sucesso independentemente de área. Com treinamento, tratamento e estratégias corretas, eles têm potencial para serem excelentes jogadores, estudantes e funcionários.

Espontaneidade: pacientes que recebem tratamento e treinamento específicos, podem conseguir converter a típica impulsividade em espontaneidade. Nestes casos, os indivíduos podem se trazer ainda mais alegria e novas ideias para a vida dos amigos e familiares.

Criatividade e inventividade: viver com o TDAH pode dar aos pacientes uma perspectiva de mundo completamente diferente. Isso encoraja os indivíduos a observarem situações com um olhar mais reflexivo. Como resultado, é possível que eles se transformem em inventores excepcionais, utilizando suas capacidades artísticas, originais e criativas.

A importância do treinamento

É importante que portadores do transtorno recebam assistência especial para criarem estas condições – transformar aquilo que percebemos como negativo nestes benefícios. Estes especialistas ajudarão o paciente a explorar a criatividade e a canalizar a energia de forma produtiva.

Mudar a perspectiva para começar a agir

“Falhas do TDAH também podem ser vistas como virtude”, diz Mayra Mendez, Ph.D, do Providence Saint John’s Child and Family Development Center3. Mayra reforça que é importante investigar o que pode ser feito para trabalhar cada sintoma até que ele se torne uma qualidade. Mas, também, que uma mudança na perspectiva pode ser um fator vital para começar a agir em direção à construção.

Ela menciona como a hiperatividade não precisa significar apenas que é difícil parar quieto. Também significa que, quando o paciente encontra algo que o interesse, ele irá atrás com perseverança e motivação. O mesmo para falta de atenção, que pode se tornar uma capacidade de flexibilidade no pensamento. Até mesmo a impulsividade, um sintoma tão comum no TDAH. “Respostas rápidas sempre levam a ações”, relembra Mendez. “Pessoas que são impulsivas não ficam sentadas se sentindo vitimizadas”, conclui a pesquisadora.

A importância do tratamento

Reconhecer possibilidades positivas não quer dizer que você deva pensar em sair do tratamento. Pelo contrário. A medicação, a terapia e o coaching são ferramentas cruciais neste processo não apenas de controle dos sintomas, mas como também da transformação do negativo em positivo.

Aqui, é importante que você reconheça que o tratamento para o TDAH não é só frear o sintoma negativo, mas também construir a atitude positiva – nutrir talentos e habilidades que apenas indivíduos com TDAH têm. Mas, como fazer isso?

Atenção a algumas estratégias simples e efetivas.4

1. Estabeleça metas. Use calendários, planejadores e apps, como o Focus TDAH, que facilitarão o acompanhamento detalhado do que você precisa fazer todos os dias. Deixe claro o que é prioritário e o que é secundário.

2. Crie estruturas. Mantenha a mesma rotina sempre que possível. Isso ajudará a lembrar onde você precisa estar e a saber o que acontecerá depois.

3. Construa uma equipe de apoio. Tenha amigos para conversar sobre o TDAH. Quanto mais aberto você for sobre o transtorno, mais força terá para cruzá-lo. Grupos de apoio, psicólogos e terapeutas são peças fundamentais neste time.

4. Encontre um coach. Assim como atletas precisam de um técnico para atingirem o seu potencial, pacientes com TDAH precisam de suporte para alcançarem seu melhor. Coaches também podem ajudar a enfrentar possíveis obstáculos pelo caminho.

5. Dê um passo por vez. Você pode sim ter um grande projeto como meta, mas deve manter em mente que cada passo em direção a este objetivo também é uma pequena meta. Foque nas conquistas diárias que estão lhe levando para o grande plano.

6. Conecte suas capacidades ao seu trabalho. Nunca é tarde demais para pensar em uma carreira ou em um trabalho que esteja alinhado às características positivas que você vem desenvolvendo. Observe-se e encontre funções adequadas aos seus limites e vantagens.

7. Sempre tenha um hobby. Hobbies são prazeres capazes de lhe religar às suas fontes mais vitais de energia. Eles mexem com grandes cargas de paixão, que mantém o foco naquilo que você está fazendo. Desta forma, um lazer tem o poder de despertar as forças que podem estar faltando – em todos os sentidos.

Fontes:
1 17 THINGS TO LOVE ABOUT ADHD!. ADDITUDE. Disponível em: <https://www.additudemag.com/slideshows/benefits-of-adhd-to-love/>. Acesso em: 27 de setembro de 2018.
2 THE BENEFITS OF ADHD. HEALTHLINE. Disponível em: <https://www.healthline.com/health/adhd/benefits-of-adhd>. Acesso em: 27 de setembro de 2018.
3 REACH YOUR POTENTIAL WITH ADULT ADHD. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/positives#1>. Acesso em: 27 de setembro de 2018.

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Vídeo Case FOCUS: Dr Rohde

Doutor Luis Augusto Rohde é professor titular de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) onde coordena o Programa de Défcit de Atenção e Hiperatividade (PRODAH). É também professor de pós-graduação em Psiquiatria na Universidade de São Paulo (USP). É um dos idealizadores do Projeto FOCUS, e neste vídeo apresenta como o aplicativo pode auxiliar pacientes, médicos, terapeutas, familiares e outros colaboradores no monitoramento do TDAH.

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ESTUDO REVELA PRIMEIROS RISCOS GENÉTICOS PARA O TDAH

ESTUDO REVELA PRIMEIROS RISCOS GENÉTICOS PARA O TDAH

Um time global de pesquisadores descobriu o primeiro fator genético de risco associado ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), uma desordem complexa que afeta uma média de 1 a cada 20 crianças (1).

A professora Anita Thapar, da Universidade de Cardiff, lidera um grupo de pesquisa de TDAH no Psychiatric Genomics Consortium. Ela explica que “este estudo marca um passo muito importante no começo da compreensão das causas genéticas e biológicas do TDAH”(2).
“As variáveis genéticas de risco relacionadas ao transtorno têm um papel significativo no cérebro e em outros relevantes processos biológicos. O próximo passo é determinar o papel exato destes genes no TDAH para nos ajudar a desenvolver tratamentos melhores, capazes de ajudar as pessoas afetadas pela condição”, aponta Thapar.
A equipe de pesquisadores analisou a informação genética de aproximadamente 20 mil pessoas com TDAH e de 35 mil pessoas sem o transtorno. Foi o maior estudo genético sobre o TDAH realizado até hoje. Os resultados foram recentemente publicados na Nature Genetics.
Dra. Joanna Martin, uma pesquisadora associada do MRC Centre for Neuropsychiatric Genetics and Genomics, da Universidade de Cardiff, explica que os investigadores identificaram 12 regiões genômicas em que indivíduos com TDAH diferiam dos indivíduos sem o transtorno. “Muitas destas regiões estão próximas ou em genes que possuem uma relação conhecida com processos biológicos que envolvem o desenvolvimento da saúde mental”, afirmou Martin.
Os pesquisadores compararam o risco genético para o diagnóstico do TDAH com marcadores genéticos associados aos sintomas de TDAH de quase 20 mil crianças e descobriram uma forte correlação entre os dois, de aproximadamente 97%.
“A correlação entre estas diferentes definições de TDAH sugere que o diagnóstico clínico pode ser o fim de uma distribuição contínua de sintomas na população geral”, afirmou Dra. Martin.

O professor Luis Augusto Rohde, coordenador geral do PRODAH e um dos autores do estudo, salienta que os dados revelados nos dão as pistas iniciais para quais são alguns dos responsáveis por algo que já se sabia há três décadas – a forte transmissão familiar associada a causas genéticas no TDAH.

OS MESMOS GENES AFETAM A IMPULSIVIDADE EM PESSOAS SAUDÁVEIS
No estudo, os pesquisadores descobriram que as mesmas variáveis genéticas que levaram ao diagnóstico do TDAH afetavam a desatenção e a impulsividade na população geral.
“As variáveis de risco estão espalhadas pela população. Quanto mais variáveis você tiver, maior sua tendência de ter sintomas ligados ao TDAH ou até mesmo desenvolver o próprio transtorno”, esclareceu o professor Anders Børglum, da Universidade de Aarhus. Ele foi um dos líderes do estudo.
“Também observamos a sobreposição com outras desordens e traços. Através disso, encontramos uma correlação genética entre TDAH e educação. Isso quer dizer que as variáveis genéticas que aumentam o risco do transtorno também influenciam a performance acadêmica negativamente na população geral”, explica Ditte Demontis, autora do estudo (3).
A pesquisa encontrou correlação entre TDAH e aumento de massa corporal e Diabetes tipo 2, o que significa que as variáveis que aumentam o risco para o TDAH também elevam o risco de obesidade na população.

A colaboração contou com grupos de pesquisa da Europa, da América do Norte e do Sul e da China. Estes grupos são parte do Psychiatric Genomics Consortium (PGC), bem como da Lundbeck Foundation Initiative for Integrative Psychiatric Research (iPSYCH), na Dinamarca.
A professora Anita Thapar celebra: “Este estudo é divisor de águas, porque envolve pacientes do mundo inteiro. Este grande número de amostras estava em falta nos estudos de TDAH e isso significa que nossa compreensão genética do transtorno estava atrasada com relação a desordens físicas e psiquiátricas, como esquizofrenia e depressão. Graças, em parte, à Dinamarca, isso está começando a mudar.”

Thapar ainda acrescenta que cada indivíduo com TDAH que participou desta pesquisa está fazendo diferença real no avanço da compreensão da condição. “Esperamos que este estudo estimule a participação das pessoas e aumente o interesse de outros países no apoio à pesquisa sobre o transtorno”.
Mesmo que estes 12 sinais genômicos identificados no estudo sejam importantes, eles capturam apenas uma pequena parte do risco para o TDAH. Coletivamente, os fatores genéticos comuns eram responsáveis por aproximadamente 22% dos riscos totais do TDAH. O papel de outras fontes de riscos genéticos, como por exemplo mutações genéticas raras e fatores ambientais também precisam ser analisados em estudos futuros.

1 DEMONTIS D, et al. Discovery of the first genome-wide significant risk loci for attention deficit/hyperactivity disorder. Nat Genet. 2018 Nov 26. doi: 10.1038/s41588-018-0269-7. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30478444>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
2 DISCOVERY OF THE FIRST COMMON GENETIC RISK FACTORS FOR ADHD. SCIENCE DAILY. Disponível em: <https://www.sciencedaily.com/releases/2018/11/181127111020.htm>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
3 FIRST RISK GENES FOR ADHD DISCOVERED. NEUROSCIENCE NEWS. Disponível em: <https://neurosciencenews.com/adhd-risk-genes-10268>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

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Vídeo comentado: Dra. Carmita Abdo

Dra. Carmita Abdo é médica psiquiatra, Doutora e Livre-Docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Coordenadora do Curso de Especialização em Sexualidade Humana da FMUSP. Neste vídeo a Dra. fala mais sobre a vida sexual para pacientes de TDAH e o início de sua atividade na adolescência.

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