skip to Main Content
focus_logo_azul

Desenvolvido por

PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

RELAÇÃO ENTRE INSÔNIA E CONSUMO DE ÁLCOOL COM SINTOMAS DE TDAH

RELAÇÃO ENTRE INSÔNIA E CONSUMO DE ÁLCOOL COM SINTOMAS DE TDAH

Um estudo publicado no Frontiers in Psychology encontrou uma associação significativa entre a severidade dos sintomas de TDAH e abuso de álcool e insônia.

Pesquisadores da Universidade de Bergen na Noruega selecionaram randomicamente pacientes adultos com TDAH diagnosticados entre 1997 e 2005 e pacientes controle saudáveis do Registro Médico de Nascimentos da Noruega. Os participantes com diagnóstico de TDAH(n=235) e os controles(n-184) completaram um questionário que avaliava insônia, consumo de álcool e sintomas presentes de TDAH.

Os pesquisadores usaram a Escala de Insônia de Bergen, o Teste de Identificação de Transtorno de Uso de Álcool (AUDIT) e a Escala Adult  ADHD Self-Report Scale (ASRS) (a mesma usada pelo FOCUS) para avaliar os sintomas. Pacientes com TDAH tinham a opção de fornecer informações sobre o TDAH na infância e sintomas internalizantes ao longo da vida.

Comparado com o grupo controle, uma proporção significativamente menor de pacientes com TDAH havia completado a universidade (34.3% vs 77.8%; P <.001) ou estava empregada (40.2% vs 88.4%; P <.001). A média da soma de pontos do teste AUDIT foi significativamente maior no grupo TDAH vs controle (13.59 vs 12.32; P <.005), sugerindo maior severidade no consumo de álcool em pacientes com TDAH. O que vai de encontro com outros estudos que avaliaram a relação entre TDAH e abuso de substâncias. Além disso, a Insônia também foi mais frequente no grupo com TDAH (67.2% vs 28.8%; P <.001).

Entre os pacientes com insônia, 46,9% no grupo TDAH e 24,6% no grupo controle relataram beber ao menos 5-6 unidades de álcool quando bebiam. A Insônia foi associada a maior gravidade da pontuação na ASRS, tanto nos pacientes com TDAH quanto nos controles. A variação nos sintomas de TDAH em pacientes com esse diagnóstico foi explicada pela insônia e pelos sintomas internalizantes mas não pelo consumo de álcool. No grupo controle, contudo, os sintomas de TDAH foram significativamente associados com o uso de álcool.

Uma das limitações dos estudos é a de que os dados foram fornecidos através de uma auto avaliação, e os pacientes podem ter relatado um menor consumo de álcool.

O uso de álcool pode estar associado com sintomas de TDAH, mesmo em adultos sem diagnóstico clínico de TDAH. Adicionalmente, a insônia foi associada com aumento no consumo de álcool e maior gravidade dos sintomas de TDAH em ambos os grupos.

Artigo adaptado e traduzido de:  https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/sleep-wake-disorders/insomnia-disorder/insomnia-and-alcohol-consumption-linked-to-adhd-symptoms/

Referencia:

-Lundervold AJ, Jensen DA, Haavik J. Insomnia, alcohol consumption and ADHD symptoms in adults [published online May 27, 2020]. Front Psychol. doi: 10.3389/fpsyg.2020.01150

Compartilhe com seus amigos!
RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) está relacionado com o desenvolvimento de depressão na vida adulta. A razão para isso poderia se dever tanto ao estresse psicológico advindo do transtorno quanto a alguma relação de base neurobioquímica.

Um artigo publicado na Psychological Medicine buscou avaliar se o TDAH e a predisposição genética ao TDAH teriam alguma relação causal com o desenvolvimento de depressão ao longo da vida. Uma relação desse tipo poderia indicar que o tratamento do TDAH é capaz de diminuir o risco de depressão.

Alguns estudos anteriores com gêmeos haviam postulado que a ocorrência simultânea de depressão e TDAH poderia se dever a riscos genéticos compartilhados. Nesse sentido, fatores de risco em comum poderiam fazer com que algumas pessoas desenvolvessem TDAH e outras depressão. Em contrapartida, o presente estudo buscou distinguir se o próprio TDAH seria fator de risco.

Os dados foram coletados da coorte prospectiva longitudinal “Avon Longitudinal Study of Parents and Children” (ALSPAC). Foram incluídos para análise 8310 indivíduos que foram avaliados para TDAH aos 7 anos de idade usando a subescala de avaliação parental de TDAH do Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ). Os dados sobre depressão foram coletados usando o Short Moods and Feeling Questionnaire (sMFQ) aos 18, 21, 22, 23 e 25 anos de idade. 57% (n=4771) dos participantes tiveram dados de depressão coletados ao menos uma vez nesses 5 períodos.

Para avaliar o efeito do risco genético de TDAH na depressão, dados de genética foram coletados do estudo de genética ampla de indivíduos com ascendência europeia para TDAH e Depressão maior.

Ao todo, 6,4% (n= 530) dos participantes foram diagnosticados com TDAH aos 7 anos e 26,7% tiveram depressão recorrente na idade adulta. Aproximadamente 32,7% daqueles com TDAH na infância tiveram depressão recorrente na idade adulta comparado com 26,5% daqueles sem TDAH. Alternativamente, entre aqueles que tinham depressão recorrente na vida adulta, aproximadamente 7,8% deles tiveram TDAH na infância comparado com 5,9% sem depressão.

O TDAH na infância foi associado com um aumento de risco de depressão recorrente na idade adulta (: OR 1.35, 95% CI 1.05–1.73, p = 0.02). Esses achados se mantiveram ao se controlar para sexo, adversidades na vida, educação materna e depressão materna (OR 1.38, 95% CI 1.07–1.79, p = 0.01).

Análises de randomização mendelianas sugeriram um efeito causal da susceptibilidade genética do TDAH na depressão maior (OR 1.21, 95% CI 1.12–1.31). Porém, análises feitas com definições mais amplas de depressão diferiram, mostrando uma influência fraca no desenvolvimento de depressão (OR 1.07, 95% CI 1.02–1.13).

Como os pesquisadores concluem, as análises longitudinais mostraram que o TDAH é um fator de risco para a depressão na vida adulta e as análises de randomização mendeliana reforçam um efeito causal do TDAH na depressão maior, apesar de que esses resultados variaram conforme a definição de depressão utilizada. Além disso, é importante notar que o TDAH em si não é um fator de risco forte para a depressão na vida adulta e muitos indivíduos desenvolverão depressão por outras razões.

Referencia:

-Riglin, L., Leppert, B., Dardani, C., Thapar, A. K., Rice, F., O’Donovan, M. C., … Thapar, A. (2020). ADHD and depression: investigating a causal explanation. Psychological Medicine, 1–8. doi:10.1017/s0033291720000665

 

Compartilhe com seus amigos!
COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

COMO LIDAR COM A IMPULSIVIDADE EM CRIANÇAS E ADULTOS

Um dos sintomas que podem estar presente no TDAH e que muitas vezes acaba sendo negligenciado é a impulsividade. Assim como a hiperatividade e a desatenção, a impulsividade também está relacionada a déficits nas funções executivas. Além disso, ela parece se relacionar diretamente com a hiperatividade: os sinais da hiperatividade, como incapacidade de permanecer sentado, também dependem de uma capacidade diminuída de auto regulação e de controle dos impulsos.

Algumas das manifestações da impulsividade são: comportamento agressivo e raiva explosiva, gasto impulsivo de dinheiro, comportamento de risco incluindo comportamento sexual de risco, abuso de substâncias, gasto em jogos de azar e compulsão alimentar.

O descontrole dos impulsos pode ter um impacto negativo na qualidade de vida, podendo se manifestar na infância, adolescência ou idade adulta. Crianças com problemas de controle de impulso tendem a apresentar problemas na escola, tanto no aspecto social quanto acadêmico. Elas podem ter mais risco de se envolver em brigas com os colegas e de não completarem as tarefas escolares.

Ainda que a causa exata da impulsividade não seja bem compreendida, ela se relaciona com alterações químicas no lobo frontal, especialmente no balanço da dopamina.

Além do TDAH, a  impulsividade está presente também em outros transtornos psiquiátricos classificados no DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) como Transtornos Disruptivos, de controle de impulso ou de conduta. Nessa categoria se enquadram o transtorno de conduta e transtorno opositor-desafiador.

Outros transtornos psiquiátricos que podem eventualmente cursar com impulsividade são: bipolaridade, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Doença de Parkinson, abuso de substâncias e Síndrome de Tourette.

Problemas de controle de impulso são mais frequentes no sexo masculino. Porém, existem alguns outros fatores de risco como histórico de abuso, negligência/abuso por parte dos pais na infância ou pais com problemas de abuso de substâncias.

Abaixo seguem algumas dicas de como você pode auxiliar seu filho no controle dos impulsos:

  • Converse com seu médico sobre os problemas do seu filho e busque ajuda. Procurar atendimento com um psiquiatra/psicoterapeuta especialista em crianças pode ser uma boa ideia.
  • Seja um bom exemplo para o seu filho. As crianças tendem a observar e modelar o comportamento dos pais.
  • Estabeleça limites e mantenha sua palavra
  • Estabeleça uma rotina para que o seu filho saiba o que esperar
  • Parabenize seu filho quando ele exibir bom comportamento

E quanto aos adultos?

Adultos com problemas de controle de impulsos podem ter dificuldade de controlar seu comportamento no calor do momento, podendo sofrer com sentimento de culpa e vergonha após o ocorrido. É importante ter alguém em que você confie para conversar sobre suas dificuldades com o manejo dos impulsos. Ter uma válvula de escape, algum meio para se expressar, pode ajudar na hora de trabalhar seu comportamento.

A terapia é uma base central no tratamento. Algumas das opções são:

  • Terapia individual como TCC – terapia cognitivo comportamental
  • Terapia familiar ou de casal
  • Terapia de grupo para adultos
  • Ludoterapia para crianças

Além da psicoterapia, remédios psiquiátricos também podem ser usados, como os estimulantes para o TDAH, antidepressivos e estabilizadores de humor. Nesse caso, é necessária avaliação médica, e o médico poderá ajustar doses e encontrar a medicação mais adequada.

 

Artigo adaptado e traduzido de https://www.healthline.com/health/mental-health/impulse-control

Compartilhe com seus amigos!
VIDEOGAME PARA O TRATAMENTO DO TDAH É APROVADO PELO FDA

VIDEOGAME PARA O TRATAMENTO DO TDAH É APROVADO PELO FDA

Recentemente o FDA (Food and Drug Administration- organização responsável pela aprovação de tratamentos médicos nos Estados Unidos) aprovou o primeiro videogame capaz de ser usado como tratamento para problemas de saúde.

O EndeavorRX (AKL-T01), jogo produzido pela Akili Interactive, é um jogo mobile que foi autorizado para o tratamento de crianças com TDAH entre 8-12 anos de idade. Essa é uma decisão tomada após 7 anos de estudos para analisar a eficácia do vídeo-game.

Um desses estudos, um ensaio clínico randomizado, publicado no The Lancet Digital Health esse ano, avaliou 857 crianças entre 15 de julho de 2016 e 30 de novembro de 2017. Os pacientes foram randomizados em dois grupos, um de intervenção com o jogo AKL-T01 e outro de grupo controle. A intervenção no grupo controle foi desenhada para parear o AKL-T01 em expectativa, engajamento e tempo de jogo na forma de um jogo digital, que tinha como alvo domínios cognitivos diferentes do AKL-T01 e não associados primariamente ao TDAH.

A intervenção com o AKL-T01 melhorou significativamente a performance numa medida objetiva de atenção, um teste computacional de atenção (TOVA API), em crianças com TDAH em comparação com o grupo controle. Desfechos secundários como medidas de atenção feitas por pais e médicos não encontraram diferenças entre os grupos. Por conta disso, os pais não devem necessariamente esperar grandes mudanças no comportamento dos filhos.

Efeitos adversos foram encontrados em um número muito pequeno de pacientes (7% no grupo intervenção e 2% no grupo controle). Os mais comuns foram: frustração, dor de cabeça, tontura, reação emocional ou agressão.

Contudo, como os especialistas alertam, não é recomendado que o tratamento habitual do TDAH – medicação e terapia comportamental- seja descontinuado. O vídeo-game seria apenas um adicional, não um substituto.

De acordo com um porta-voz da empresa, o jogo foi aprovado apenas para ser usado 5 dias por semana por até 25 min por dia. É necessário ter prescrição médica e atualmente é preciso se cadastrar em uma lista de espera no site do jogo para adquiri-lo.

Como os pesquisadores escrevem, o AKL-T01 pode ser adicionado ao tratamento habitual com poucos riscos e a natureza digital da intervenção pode ajudar a diminuir a barreira encontrada no acesso das diferentes formas de tratamento comportamental e outras terapias não medicamentosas.

Comentário do Professor Luis Augusto Rohde (PRODAH/HCPA/UFRGS):
Vários outros jogos envolvendo treinamento cognitivo foram testados em TDAH. Os resultados considerados centrais nos estudos prévios foram mudanças em sintomas de TDAH relatados por pais e/ou professores. Vários desses jogos mostraram melhora de funções cognitivas associadas ao TDAH, mas com pouca melhora nos sintomas do transtorno. O mesmo ocorreu com esse novo videogame. A diferença é que os autores promoveram os testes cognitivos a desfechos centrais a serem avaliados e passaram os sintomas do TDAH relatados para desfechos secundários. Assim, mesmo chegando a resultados similares aos de estudos anteriores, puderam dizer que a intervenção foi eficaz para o que consideraram central. Fica a pergunta: Como pais, o que buscam no tratamento do TDAH de seus filhos? Melhora de uma função cognitiva num teste computadorizado ou dos sintomas percebidos no dia a dia? Se a resposta é a segunda, o vídeogame não se mostrou a solução.

Referências:
– A novel digital intervention for actively reducing severity of paediatric ADHD (STARS-ADHD): a randomised controlled trial Prof Scott H Kollins, PhD, Denton J DeLoss, PhD, Elena Cañadas, PhD, Jacqueline Lutz, PhD, Prof Robert L Findling, MD, Prof Richard S E Keefe, PhD et al.
DOI:https://doi.org/10.1016/S2589-7500(20)30017-0
Link: https://www.thelancet.com/journals/landig/article/PIIS2589-7500%2820%2930017-0/fulltext#articleInformation
https://abcnews.go.com/GMA/Wellness/video-game-approved-fda-potentially-children-adhd/story?id=71340522
https://www.theverge.com/2020/6/15/21292267/fda-adhd-video-game-prescription-endeavor-rx-akl-t01-project-evo

Compartilhe com seus amigos!
COMO TRABALHAR DE CASA COM TDAH

COMO TRABALHAR DE CASA COM TDAH

Com a transição para o trabalho remoto, muitos adultos com TDAH tem dificuldade para manter a produtividade tão bem quanto quando estavam no escritório.

Há um desbalanço de neurotransmissores, sobretudo dopamina, no córtex pré-frontal em pacientes com TDAH. Essa área do cérebro é responsável pelas funções executivas, o que faz com que as pessoas com TDAH tenham dificuldade nessas funções e na capacidade de se autorregularem.

Isso tudo resulta em dificuldades na concentração, organização, em saber priorizar e manejar o tempo; pode levar a inquietude ou hiperfoco e ao mau controle de impulsos.

Por conta dessas dificuldades- que tendem a afetar diversas áreas da vida dos indivíduos-, pessoas com TDAH podem necessitar de um ambiente de trabalho que as ajude a manter a rotina e a estrutura, além de colegas compreensivos. A mudança para o trabalho remoto tem sido um desafio para a maioria das pessoas, podendo ser ainda mais desafiadora para aqueles que sofrem com TDAH.

A mudança de ambiente pode ter mudado também a forma como o trabalho é feito e as tarefas também se alteraram para suprir a nova realidade que estamos vivendo. A falta de estrutura fornecida pelo ambiente de trabalho aliada a cronogramas incertos que foram sendo adaptados paulatinamente pode tornar difícil manter o foco, estabelecer uma rotina e conseguir priorizar compromissos para pessoas com TDAH.

Para alguns, a motivação externa é um fator importante para fazer com que as tarefas sejam completadas, e essa motivação fica prejudicada em um ambiente incerto, com expectativas vagas.

“O ambiente de trabalho pode ser estressante, porém ele fornece comunidade. Ter colegas e precisar estar presente e ter performance pode dar as pessoas com TDAH a estrutura que elas precisam para ser produtivas quando elas ficam estagnadas ou precisam de suporte”, disse Robin Nordmeyer, co-fundadora e diretora geral do Center for Living Well with ADHD em Minnesota.

“Há um lugar específico para sentar quando você tem que completar tarefas mundanas”, disse Maggie Sibley, professora de psiquiatria e ciências do comportamento na University of Washington School of Medicine. “E provavelmente também há um supervisor que te responsabiliza e garante que você esteja trabalhando em um ritmo bom. Quando você se muda para casa, de repente você tem que fazer muito dessa auto regulação por conta própria e isso pode ser bastante desafiador para pessoas com TDAH”.

“Então esse é o momento de ficar criativo e criar esse cenário”, disse Nordmeyer.

Replique seu ambiente de trabalho

Considere o que você precisava no trabalho para ser produtivo e funcional e como você pode simular esse ambiente em casa, disse Nordmeyer.

Evite trabalhar em espaços de relaxamento como seu quarto ou em frente à televisão, disse Sibley. Experimente o que é melhor para você: talvez seja trabalhar em um quarto silencioso ou em um em que as cortinas estejam fechadas e assim você não se distrai com o que está do lado de fora.

Converse com sua família sobre dividir as tarefas de casa para manter a casa limpa e organizada de maneira produtiva, como o escritório deve ser. Bagunça pode drenar sua energia e tirar sua atenção daquilo que você precisa focar.

Planeje seu dia na noite anterior

Planeje seu dia na noite anterior para ter sucesso em manejar performance e comportamento no trabalho, sugere Nordmeyer

Quando planejar, note quais são suas prioridades (selecione poucas – as mais importantes). O que você precisa focar e quando? Como essas prioridades mapeiam o fluxo do seu dia?

Como a dopamina decai da manhã para a tarde, divida o seu dia para focar em tarefas menos desejáveis e complexas mais cedo durante o dia e coloque tarefas mais fáceis e divertidas para o final do dia.

Tenha uma rotina da manhã

Assim como você tem que aparecer cedo no trabalho para começar o dia as 9h, mantenha a mesma rotina da manhã em casa.

Acorde no mesmo horário que você normalmente acordaria e se vista antes de iniciar o dia. “Assim você está assumindo a persona de um trabalhador profissional”.

Trabalhe junto com um colega

Manter-se focado nas tarefas e completar compromissos pode ser desafiador. Convide algum colega que você seja próximo para trabalhar junto com você virtualmente, para ajudar com a prestação de contas e o foco. Ou procure online por um laboratório de coworking para TDAH.

Faça uma conferência por vídeo ou check-ups matinais para discutir a carga de trabalho e então crie um grupo onde você possa intermitentemente relatar como o trabalho está fluindo.

Outras estratégias

Peça para seu supervisor orientação na hora de priorizar tarefas de uma forma que não te estigmatize como incapaz por conta do TDAH, disse Nordmeyer. Assim, peça para marcar um checkup no início da semana para que você possa revisar o que é mais importante para os próximos dias, o que ajuda no seu planejamento.

Peça para o seu supervisor estabelecer prazos para reforçar o senso de responsabilidade e te colocar em “modo de urgência” e assim complete os trabalhos conforme a sua importância.

Use o modo de motivação baseado na tentativa de agradar as pessoas para se motivar, ou seja, faça o trabalho com o intuito de não desapontar alguém.

Por fim, tire vantagem do seu amor por desafios para ter hiperfoco e ficar na zona de trabalho, completa Nordmeyer

Artigo adaptado e traduzido de https://edition.cnn.com/2020/05/29/health/working-from-home-coronavirus-adhd-wellness/index.html

Compartilhe com seus amigos!
DESCONTINUAR A MEDICAÇÃO DIMINUI LIGEIRAMENTE A QUALIDADE DE VIDA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH.

DESCONTINUAR A MEDICAÇÃO DIMINUI LIGEIRAMENTE A QUALIDADE DE VIDA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH.

Descontinuar a medicação para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes parece estar associada com uma queda pequena, mas estatisticamente significativa, na qualidade de vida, de acordo com os resultados de uma meta-análise e revisão sistemática publicada no Journal of Clinical Psychiatry. O mesmo efeito não foi detectado para pacientes adultos.

Prejuízos funcionais nos relacionamentos interpessoais, na educação e na vida laboral, bem como na qualidade de vida, são comuns em pacientes com TDAH. Contudo, existe pouca evidência da eficácia e da segurança do uso prolongado de medicamentos nessa população.

Para determinar a taxa de risco-benefício do uso prolongado de medicações para o TDAH, Noa Tsujii, MD, PhD do departamento de neurospsiquiatria da Kindai University Faculty of Medicine do Japão, e colaboradores usaram o PubMed, a biblioteca da Cochrane e a base de dados da Embase para identificar estudos que comparavam os desfechos de continuar ou descontinuar a medicação em pacientes com TDAH.

Ao todo, 9 estudos foram incluídos pra análise, com 5 estudos focando em crianças e adolescentes (n=1126 crianças com idade entre  6-17 anos) e 4 em adultos ( n=708 adultos com idades entre 18-65 anos). Enquanto 5 estudos avaliaram qualidade de vida, todos os 9 estudos mediram relapso dos sintomas. Em 5 estudos os pacientes receberam estimulantes, enquanto, nos 4 outros, os pacientes receberam não estimulantes como atomoxetina e guanfacina.

Os pesquisadores encontraram que a qualidade de vida diminui naqueles que descontinuaram a medicação para o TDAH comparado com aqueles que continuam a usar medicação (diferença média padronizada[DMP] 0,19; 95% CI, 0.08-0.30). A análise de subgrupo mostrou que a DMP em crianças e adolescentes com TDAH que descontinuaram a medicação, comparado com aqueles que não descontinuaram, era de 0.21 (05% CI, 0.06-0.36). Na análise de subgrupo dos adultos, os investigadores não encontraram diferença significativa entre aqueles que descontinuaram e aqueles que continuaram com a medicação (DMP, 0.02; 95% CI, -0.46 a 0.50)

Na análise de subgrupo avaliando medicamentos não estimulantes, a queda na qualidade de vida era maior entre aqueles que descontinuaram a medicação comparado com os que continuaram (DMP, 0.21; 95% CI, 0.10-0.32). Contudo, uma análise de subgrupo restrita aos estimulantes não pôde ser conduzida porque apenas um estudo avaliou mudanças na qualidade de vida com estimulantes. Os investigadores encontraram uma taxa de recaida dos sintomas de TDAH estatisticamente significativa (2.86;95% CI, 1.78-4.56) entre aqueles que descontinuaram a medicação para o TDAH, que permaneceu significativa nas análises de subgrupo em ambos os grupos etários.

Entre as limitações do estudo, os investigadores apontaram a impossibilidade de ser feita uma meta-analise sobre qualidade de vida no subgrupo dos estimulantes, a impossibilidade de se realizar análise de viés de publicação dado que são necessários no mínimo 10 estudos para usar o gráfico de funil e a variabilidade nas ferramentas usadas para avaliar qualidade de vida e severidade dos sintomas.

“Depois de descontinuar a medicação, avaliar regularmente a qualidade de vida pode ajudar na tomada de decisão sobre a reintrodução do tratamento em pacientes com TDAH”, apontam os pesquisadores.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/adhd/discontinuation-of-medication-slightly-decreases-quality-of-life/

Referencias:
-Tsujii N, Okada T, Usami M, et al. Effect of continuing and discontinuing medications on quality of life after symptomatic remission in attention-deficit/hyperactivity disorder: A systematic review and meta-analysis. J Clin Psychiatry. 2020;81:3.
Link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32237294/

Compartilhe com seus amigos!
ANÁLISE GENÔMICA DO TDAH EM NEANDERTAIS E HUMANOS MODERNOS

ANÁLISE GENÔMICA DO TDAH EM NEANDERTAIS E HUMANOS MODERNOS

A frequência de variantes genéticas associadas com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem decaído progressivamente na linhagem evolutiva humana da era paleolítica aos dias de hoje, de acordo com um estudo publicado no Scientific Reports.

A nova análise genômica compara diversas variedades genéticas relacionadas ao TDAH descritas em populações europeias atuais para avaliar a sua evolução em amostras de espécies humanas ( Homo Sapiens), modernas e antigas, e em amostras de Neandertais ( Homo neanderthalensis). De acordo com as conclusões, a baixa tendência observada em populações europeias não podia ser explicada pela mistura genética com populações africanas ou pela ingressão de segmentos de genoma de neandertais em nosso genoma.

O novo estudo genômico é encabeçado pelo Professor Bru Cormand, da faculdade de biologia e do Institute of Biomedicine of The University of Barcelona  IBUB), do Research Institut Sant Joan de Déu (IRSJD) e do Rare Diseases Networking Biomedical Research Centre (CIBERER), e pelo pesquisador Oscar Lao, do Centro Nacional de Análisis Genómico (CNAG), parte do Centre for Genomic Regulation (CRG). O estudo, cuja primeira autora é a pesquisadora Paula Esteller do CNAG-CRG – atualmente estudante de doutorado no Institute of Evolutionary Biology (IBE, CSIC-UPF)- conta com a participação de grupos de pesquisadores da Aarhus University (Dinamarca) e da Upstate Medical University of New York (Estados Unidos).

TDAH: um fenótipo adaptativo na linhagem evolutiva dos humanos?

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma alteração do neurodesenvolvimento que pode causar grande impacto na vida das pessoas afetadas. Caracterizado pela hiperatividade, impulsividade e déficit de atenção, ele é muito comum nas populações modernas- com uma prevalência de aproximadamente 5% em crianças e adolescentes- e pode durar até a vida adulta.

De uma perspectiva evolutiva, alguém poderia esperar que qualquer característica prejudicial tenderia a desaparecer na população. Para explicar esse fenômeno, muitas hipóteses foram formuladas, especialmente focando no contexto de transição do paleolítico para o neolítico, como a Teoria da Incompatibilidade.

“De acordo com essa teoria, mudanças culturais e tecnológicas que ocorreram nos últimos mil anos teriam nos permitido modificar nosso ambiente para adaptá-lo as nossas necessidade fisiológicas no curto tempo. Entretanto, a longo prazo, essas mudanças teriam criado um desbalanço considerando o ambiente em que nossos ancestrais caçadores e coletores evoluíram”, escrevem os autores.

Dessa forma, muitos traços como hiperatividade e impulsividade típicos em pessoas com TDAH podem ter sido selecionados positivamente em ambientes ancestrais dominados por um estilo de vida nômade. Contudo, os mesmos atributos teriam se tornado não adaptativos em outros ambientes mais relacionados aos tempos de hoje (estilo de vida mais sedentário).

Por que essa é uma das desordens mais comuns em crianças e adolescentes?

O novo estudo, baseado no estudo de 20.000 pessoas afetadas por TDAH e 35.000 controles, revela que variantes genéticas e alelos associados com TDAH tendem a ser achados em genes que são intolerantes a mutações de perda de função, o que comprova a existência de uma pressão seletiva nesse fenótipo.

De acordo com os autores, a alta prevalência de TDAH nos dias de hoje poderia se o resultado de uma seleção favorável que aconteceu no passado. Apesar de ser um fenótipo desfavorável no novo contexto ambiental, a prevalência ainda seria alta porque não se passou tempo o suficiente para que ele desaparecesse. Contudo, devido à ausência de dados genômicos para o TDAH, nenhuma dessas hipóteses foi empiricamente comprovada ainda.

“Portanto, a análise que conduzimos garante a presença de pressões seletivas que teriam agido por muitos anos nas variantes associadas ao TDAH. Esses resultados são compatíveis com a Teoria da Incompatibilidade, porém eles sugerem que a pressão seletiva negativa começou antes da transição entre o paleolítico e o neolítico, cerca de 10.000 anos atrás”, dizem os autores.

Artigo adaptado e traduzido de: https://phys.org/news/2020-05-adhd-genomic-analysis-samples-neanderthals.html

Referências:
– Paula Esteller-Cucala et al, Genomic analysis of the natural history of attention-deficit/hyperactivity disorder using Neanderthal and ancient Homo sapiens samples, Scientific Reports (2020). DOI: 10.1038/s41598-020-65322-4

Link: https://www.nature.com/articles/s41598-020-65322-4

 

Compartilhe com seus amigos!
ASSOCIAÇÕES GENÉTICAS ENTRE PSICOPATOLOGIA NA INFÂNCIA E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

ASSOCIAÇÕES GENÉTICAS ENTRE PSICOPATOLOGIA NA INFÂNCIA E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

Recentemente foi publicado no JAMA Psychiatry, um dos mais importantes jornais de publicação científica no mundo, um estudo que avaliou o papel  de fatores genéticos na associação entre a psicopatologia na infância e a presença de transtornos de humor ou traços associados na vida adulta.

Como os pesquisadores escrevem, já se sabe da existência de uma associação entre problemas emocionais ou de comportamento na infância e o desenvolvimento de transtornos de humor na vida adulta. Contudo, a razão dessa associação ainda se mantinha desconhecida.

Esse estudo buscou então averiguar se fatores genéticos explicariam essa associação. Para isso, os pesquisadores realizaram uma meta-análise de 7 estudos de coorte longitudinais, totalizando 42 998 participantes.

Os estudos tiveram início entre 1985 e 2002 e os participantes foram repetidamente avaliados para a presença de psicopatologia entre os 6 e 17 anos de idade.

Os pesquisadores desenvolveram então escores de risco poligênico nas crianças baseados em dados de estudos de genoma de depressão, transtorno bipolar, bem-estar subjetivo, neuroticismo, insônia, escolaridade e índice de massa corporal em adultos.

O risco poligênico é uma análise que calcula o risco de alguém desenvolver uma doença baseado no número de genes para a doença que essa pessoa possui.

Os participantes foram então avaliados para a presença de sintomas de TDAH, problemas internalizantes ou sociais utilizando medidas autodeclaradas ou declaradas pela mãe do participante.

Como os pesquisadores escreveram: “Nós revelamos uma evidência forte de associação de risco poligênico de depressão, bem estar subjetivo, neuroticismo, insônia, escolaridade e IMC na vida adulta com sintomas de TDAH e problemas internalizantes e sociais na infância. Não encontramos associação entre risco poligênico de transtorno bipolar na vida adulta com piscopatologia na infância”.  Além disso, enquanto o risco poligênico de escolaridade na vida adulta foi mais associado com sintomas de TDAH na infância do que com problemas internalizantes ou sociais, o risco poligênico de IMC foi mais associado com sintomas de TDAH e problemas sociais do que com problemas internalizantes.

Os resultados sugerem a presença de fatores genéticos que influenciam na manifestação de diversos traços ao longo da vida, com associações estáveis durante a infância.

Contudo, como os pesquisadores ressaltam, uma limitação do estudo é que as análises foram feitas com populações europeias, podendo não ser generalizáveis para outras populações, que apresentam heranças genéticas diferentes. Ainda, a associação entre o risco poligênico e a psicopatologia da infância pode se dever a correlações passivas de gene e ambiente, uma associação entre o genótipo de uma criança e o ambiente familiar que se deve aos pais proverem ambientes influenciados pelos seus próprios genótipos.

Legenda:
-Genótipo: é o conjunto de todos os genes de um determinado indivíduo, ou seja, sua composição genética. O código genético de um indivíduo.

Referências:
-Akingbuwa WA, Hammerschlag AR, Jami ES, et al. Genetic Associations Between Childhood Psychopathology and Adult Depression and Associated Traits in 42 998 Individuals: A Meta-Analysis. JAMA Psychiatry. Published online April 15, 2020. doi:10.1001/jamapsychiatry.2020.0527
Link: https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/fullarticle/2763801

Compartilhe com seus amigos!
APONTANDO A DIFERENÇA ENTRE DEMÊNCIA E TDAH EM ADULTOS MAIS VELHOS.

APONTANDO A DIFERENÇA ENTRE DEMÊNCIA E TDAH EM ADULTOS MAIS VELHOS.

Nós podemos pensar que um aumento do esquecimento na idade avançada é um sinal de alarme de declínio cognitivo ou demência. Contudo, parece que alguns dos sintomas cognitivos podem ser manifestações de outra condição crônica: o déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Como Stephanie Collier – psiquiatra no hospital McLean- escreve, enquanto muitos de nós pensamos no TDAH como uma doença da infância, ele pode afetar adultos mais velhos. De fato, cerca de 3 em cada 100 adultos tem TDAH.

A pratica clínica e a pesquisa sobre TDAH têm aumentado: cada vez mais pessoas têm recebido diagnóstico e tratamento para o TDAH, e pesquisadores acreditam que o TDAH é uma das desordens mais herdáveis da medicina. Entretanto, por conta do TDAH ter sido mais compreendido nas últimas décadas, para muitos, ele passou despercebido, e a pesquisa e pratica clínica com adultos mais velhos com TDAH é ainda escassa.

“Pessoas mais velhas com TDAH que nunca foram diagnosticadas podem temer que estão desenvolvendo demência porque são distraídas e esquecidas”, disse Kathleen Nadeau, fundadora e diretora clínica do The Chesapeake Center ADHD,Learning and Behavioral Health.

Apesar disso, ela diz, é difícil encontrar médicos experientes: “muito poucos neurologistas tiveram algum treinamento sobre como reconhecer e diagnosticar o TDAH em adultos.”

E, devido aos sintomas se assemelharem aos da demência, declínio cognitivo leve ou envelhecimento normal, é preciso ter um olhar crítico e fazer uma análise cuidadosa para se diagnosticar corretamente adultos mais velhos com TDAH.

Procurando sinais de TDAH não diagnosticado em adultos

“Para distinguir o TDAH de alterações cognitivas relacionadas a idade é preciso entender que o TDAH é um transtorno da infância e adolescência que persiste na vida adulta”, disse Paul Goodman, professor assistente de psiquiatria e ciências do comportamento na Johns Hopkins University School of Medicine.

Para averiguar se os pacientes tiveram TDAH no início da vida, Goodman geralmente pergunta para seus pacientes sobre seus sintomas no ensino fundamental e no ensino médio, na faculdade ou no início da carreira de trabalho.

De acordo com J Russell Ramsay, professor associado de psicologia clínica na University of  Pennsylvania Perelman School of Medicine, os membros da família podem ajudar a relembrar a presença desses sintomas durante a vida de uma pessoa. Relatórios escolares também podem fornecer pistas.

As pessoas podem ter tido dificuldade de se concentrar nas aulas. Talvez elas tenham sido conhecidas como os “palhaços da turma”. Alguns podem não ter avançado os estudos tanto quanto queriam. Elas podem ter trocado de emprego frequentemente. No trabalho, as pessoas podem ter tido dificuldade em completar as tarefas com eficiência, falhando em seguir os cronogramas e trabalhando extra para compensar por sua procrastinação.

“O TDAH não aparece repentinamente quando você tem 75 anos”,disse Nadeau. “Para fazer o diagnóstico diferencial, você precisa colher informações de fontes confiáveis, pessoas que conhecem o paciente há muitos anos. ”

Segundo Ramsay, os médicos também podem diferenciar melhor se uma pessoa está apresentando sintomas de TDAH ao invés de outras condições perguntando sobre suas habilidades de auto-regulação – como ela maneja o tempo, organiza suas tarefas e se motiva para completar as atividades.

Algumas pessoas podem ter tido sintomas de TDAH muito leves para um diagnóstico formal, disse Nadeau, especialmente aquelas com um QI alto que podem ter sido capazes de compensar os problemas do TDAH. Entretanto, os sintomas das pessoas podem piorar conforme elas assumem tarefas mais complexas.

O vai e vem dos sintomas do TDAH

“Nós temos estereótipos de que pessoas com TDAH são todas hiperativas, são maus alunos e de que elas não chegam muito longe na vida”, disse Nadeau. “De fato essas pessoas existem, mas o TDAH aparece entre uma gama variada de habilidades”.

Nadeau tinha um paciente que era um estudante de sucesso com um diploma e mestrado em Harvard. Ao ser deparado com a tarefa difícil de completar sua dissertação para seu doutorado em filosofia, os seus sintomas de TDAH pioraram.

“Ele apenas não conseguia se organizar para fazer esse projeto longo”, disse Nadeau.

“O que nós observamos é que se as pessoas são espertas, moram em lares acolhedores e bem organizados e vão para escolas que não são terrivelmente desafiadoras para elas, elas podem ser estudantes notáveis. E mesmo assim elas têm TDAH, e o TDAH começa a se manifestar conforme a escola se torna mais demandante. ”

Os sintomas de TDAH também podem aflorar quando as pessoas perdem a estrutura de suas vidas. Em adultos com TDAH, isso pode ocorrer junto com a aposentadoria.

Muitos podem achar que o abandono da rotina diária de trabalho seja um grande ajuste, e para adultos com TDAH, isso pode fazer com que os sintomas apareçam. Esses sintomas podem causar dificuldades de sono e alimentação, o que por sua vez pode exacerbar ainda mais os sintomas. Adultos mais velhos com TDAH podem se sentir inquietos, inadequados socialmente, interrompendo outros durante conversas e falando impulsivamente. Eles podem apresentar também lapsos de memória.

Como Ramsay coloca: “Por mais que reclamemos da escola e do trabalho, eles dão estrutura para o nosso dia.”

Tratando o TDAH em adultos mais velhos

Estimulantes usados para o tratamento em crianças e adolescentes, como metilfenidato e dextroanfetamina, têm sido efetivos para tratar os sintomas em adultos mais velhos, de acordo com Goodman. “As pessoas mais velhas tendem a responder igualmente bem a essas medicações”, diz ele.

No geral, adultos mais velhos precisam de doses mais baixas de medicação. Para os seus pacientes, Goodman diz que ele iniciaria com uma dose baixa e aumentaria aos poucos conforme os sintomas clínicos. Os médicos também devem considerar os riscos cardíacos dessas medicações, incluindo aumento da frequência cardíaca e pressão sanguínea.

Mudanças de estilo de vida como alimentação saudável, bom sono e exercício regular também podem ser benéficas para pessoas com TDAH.

“Quando fazemos exercícios aeróbicos, nosso cérebro produz essa proteína chamada BDNF, que significa fator neurotrofico derivado do cérebro”, disse Nadeau. “O BDNF promove crescimento de novos neurônios no nosso cérebro o que melhora a memória. Eu sempre falo para os idosos com TDAH sobre como é importante se exercitar o suficiente para produzir uma frequência cardíaca de até 80% o máximo por pelo menos 20/30 min por dia.”

De acordo com Collier, exercício regular ajuda a impulsionar a dopamina, norepinefrina e serotonina no cérebro, potencialmente ajudando na atenção, enquanto a melhora do sono e da rotina de sono, pedir suporte da família ou de outros para criar estrutura e simplificar tarefas e criar lembretes para lembrar das atividades diárias podem ajudar a criar estrutura e diminuir os sintomas de TDAH.

Ramsay diz que a terapia cognitivo-comportamental – que tem sido efetiva em tratar depressão e ansiedade – pode também ser benéfica para pessoas com TDAH, especialmente para adultos mais velhos entrando na aposentadoria.

“ Se você suspeita que seus sintomas podem ser o resultado do TDAH, especialmente se algum membro próximo da família recebeu o diagnóstico,” escreve Collier, “não hesite em pedir para o médico generalista um encaminhamento para um especialista especializado no diagnóstico e manejo do TDAH e adultos mais velhos.”

Artigo adaptado e traduzido de https://www.beingpatient.com/adhd-in-older-adults/

Comentário da equipe do PRODAH:
A mensagem central da matéria de que o TDAH pode estar presente na terceira idade e que devemos avaliar a sua presença é fundamental. Como ilustração, a idade mais avançada para um diagnóstico na terceira idade feito pela equipe do PRODAH foi 82 anos. O paciente, hoje, aos 88 anos, está muito melhor com o tratamento implementado. Entretanto, algumas das considerações contidas na matéria são ainda especulativas. Por exemplo, não sabemos ao certo qual o grau de eficácia da terapia cognitiva comportamental em idosos com TDAH, ou por quais mecanismos neurobiológicos o exercício aeróbico parece melhorar a atenção. Por fim, na presença dos sintomas de disfunção executiva importantes na terceira idade sempre é prudente também termos uma avaliação por médico com experiência com os diversos tipos de demência.

O Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade (ProDAH) é uma área de atividades do Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência e do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) dedicada ao ensino, pesquisa e atendimento a pacientes com o transtorno.
Compartilhe com seus amigos!
COMO É TER TDAH COM MAIS DE 50 ANOS DE IDADE?

COMO É TER TDAH COM MAIS DE 50 ANOS DE IDADE?

Muito do nosso conhecimento sobre o TDAH vem de estudos com crianças e adultos jovens. Apesar de que boa parte das crianças com TDAH persistirão com o problema até a idade adulta, há menos estudos avaliando os impactos do TDAH nessa população. Mundialmente, as estimativas de prevalência do transtorno em adultos variam entre 2,8-4,4%. Muitos deles também sofrem com outras comorbidades, como depressão, transtornos de humor e conduta e abuso de substâncias.

Recentemente, um estudo sueco buscou avaliar os impactos do TDAH na vida de pessoas com mais de 50 anos de idade. Os pesquisadores entrevistaram 10 adultos com idades entre 51 e 74 anos sobre diversos aspectos da vida. Os participantes eram “encorajados a compartilhar sobre os sentimentos, pensamentos e desafios da vida diária, como eles lidavam com eles, o que havia mudado ao longo dos anos e se alguma coisa melhorou com a idade”, escrevem os pesquisadores.

Segundo os autores do estudo, estudos qualitativos anteriores nessa população demonstraram que os adultos referiam pouca diferença nos sintomas e impactos do TDAH com a idade. Além disso, alguns aspectos positivos como criatividade, entusiasmo, percepção da multiplicidade das coisas, hiperfoco e multitasking também foram referidos previamente.

Nesse estudo, os pesquisadores escrevem que os participantes ficaram felizes por poder compartilhar suas experiências.  “Eles se sentiam tristes por terem sofrido por tantos anos sem ajuda ou sem um bom entendimento do porquê ou como lidar com o problema”. Além disso, “o abuso de álcool, comida ou drogas também foi revelado bem como outras áreas de problemas físicos ou emocionais. As áreas de maior problema eram esquecimento, pensamentos acelerados incontroláveis, dificuldade com o manejo do tempo e a inabilidade de focar nas tarefas”.

De forma interessante, os entrevistados que possuíam “ trabalho criativo, tarefas desafiadoras, mudança de local de trabalho e horas tarde de trabalho parecia ter menos problemas relacionados ao trabalho”.

Os participantes também apontaram fatores protetivos como “ família compreensiva, amigos fiéis, trabalho flexível e colegas de trabalho compreensivos”.

O estudo separou os achados em temas:

Quanto ao sentimento de ser diferente, desorganizado e esquecido:

Muitos dos participantes se queixavam de sentimento de culpa e vergonha, sobretudo quando havia alguma forma de avaliação de performance. Um entrevistado disse: “Sobre estudar: eu não entendia rápido ou suficientemente. Eu precisava saber exatamente o que fazer, eu não entendo. Eu tenho um bloqueio na mente e me sinto culpado. Eu ficava com tanta ansiedade que me escondia no banheiro. O que eu devo fazer? ”

Eles relataram que os problemas pareciam ter aliviado com a idade e que o diagnostico deu algum senso de alívio.

Eles também descreveram dificuldade no planejamento e com a expectativa criada pelos outros. As tarefas diárias eram um desafio, para as quais eles precisavam desenvolver estratégias: alguns usavam calendários e notas. Muitos se queixaram também da dificuldade com o cuidado do lar, tendo problemas com bagunça e limpeza.

Controle de Impulsos:

A impulsividade causava muitos problemas como: multas de trânsito por excesso de velocidade, perda da carteira de motorista, acidentes de transito, fugas de casa, envolvimento sexual precipitado e gravidez precoce.

Relacionamentos:

Muitos dos entrevistados revelaram preocupação com as relações sociais. Eles sofriam para entender as normas sociais e para agir de maneira adequada com as situações. Muitas vezes falavam demais, falavam coisas que não deviam ou sem pensar nas consequências, ou eram muito sensíveis.

Trabalho e finanças:

Quanto a vida laboral, muitos tinham dificuldade de manter a funcionalidade e tinham medo de serem excluídos dos grupos de trabalho. Dificuldade em pagar contas e manejar as finanças de casa era um problema comum. Eles descreveram uma dificuldade para entender termos, condições e preços nos contratos. Para lidar com isso, a solução era criar rotinas e ter ajuda no planejamento.

Esse estudo é interessante porque mostrou que algumas das dificuldades que são comumente enfrentadas por adultos jovens com TDAH, se mantem na meia-idade e terceira idade. Muitos dos entrevistados se frustravam com o fato de terem sofrido boa parte da vida sem saber que problema tinham ou como podiam lidar com ele. Isso nos mostra como o diagnóstico é importante. Infelizmente muitas pessoas recebem diagnóstico tardio ou nunca são diagnosticadas. O TDAH pode causar muitas dificuldades em diversos aspectos diferentes da vida de uma pessoa. Existem várias estratégias que podem ser empregadas para ajudar a lidar com esses problemas e uma parte crucial para isso é entender que dificuldades são essas e o que está acontecendo.

Uma boa notícia é que cada vez mais a ciência compreende o TDAH e cada vez mais pessoas estão sendo diagnosticadas. Hoje se sabe, por exemplo, que algumas pessoas podem receber o diagnóstico na vida adulta e assim elas podem receber ajuda.

 

Referência:
– Anne Nyström, Kerstin Petersson & Ann-Christin Janlöv (2020): Being Different but Striving to Seem Normal: The Lived Experiences of People Aged 50+ with ADHD, Issues in  Mental Health Nursing, DOI: 10.1080/01612840.2019.1695029

Link: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/01612840.2019.1695029

Compartilhe com seus amigos!
Back To Top