skip to Main Content
focus_logo_azul

Desenvolvido por

PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é um transtorno altamente prevalente afetando até cerca de 11% das crianças e 5% dos adultos. Ele está associado a altos níveis de prejuízo na capacidade funcional, incluindo a associação com outros transtornos psiquiátricos, dificuldades acadêmicas, acidentes domésticos e automobilísticos e ferimentos.

Evidências científicas têm demonstrado melhora significativa nos sintomas do TDAH com o uso de medicamentos estimulantes. Uma revisão sistemática e meta-análise com 40 estudos, publicada em 2020 no Journal of Psychiatric Research, buscou averiguar os efeitos do tratamento medicamentoso nos desfechos funcionais.

Essa revisão da literatura encontrou altos benefícios do uso de medicação, especialmente estimulantes, na diminuição do risco de comorbidade com transtornos de humor (depressão e bipolaridade), suicídio, criminalidade, acidentes e ferimentos, prejuízo na performance acadêmica, uso de substâncias e acidentes automobilísticos.

Ainda que alguns dos estudos tenham avaliado o uso de medicamentos não-estimulantes, a vasta maioria consistia de tratamento com estimulantes e nenhum estudo encontrou resultados para o uso isolado de não-estimulantes.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que o tratamento na infância com estimulantes poderia diminuir o risco de desenvolvimento de transtornos de humor na vida adulta bem como o desenvolvimento de transtornos de conduta em ambos os sexos.

Como os pesquisadores descrevem, os efeitos benéficos do uso de medicamentos eram mais proeminentes quando os pacientes eram aderentes  ao uso da medicação, ressaltando a importância de se trabalhar a adesão com os pacientes e a necessidade de se investigar ferramentas que melhorem a adesão ao tratamento.

Por fim, como os pesquisadores ressaltam, apesar dos efeitos protetivos observados com o uso de medicação, não é possível afirmar que o tratamento farmacológico seja o único fator influenciando nos desfechos funcionais. Além disso, foram encontrados resultados mistos na performance acadêmica, sugerindo que outros fatores além do TDAH (como habilidades cognitivas, transtornos de aprendizado, classe social e déficits nas funções executivas) possam exercer influência nesse desfecho.

Referência:
Boland H, DiSalvo M, Fried R, Woodworth KY, Wilens T, Faraone SV, Biederman J. A literature review and meta-analysis on the effects of ADHD medications on functional outcomes. J Psychiatr Res. 2020 Apr;123:21-30. doi: 10.1016/j.jpsychires.2020.01.006. Epub 2020 Jan 27. PMID: 32014701.

Compartilhe com seus amigos!
CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

Qual será a relação entre TDAH e queimaduras?

De acordo com um estudo realizado em Taiwan, crianças e adolescentes com TDAH que fazem uso de medicação sofrem menos queimaduras que crianças e adolescentes com TDAH não medicados.

Essa relação a princípio parece fazer sentido: a desatenção pode ser um fator para a causa de acidentes.

Para realizar esse estudo, foram coletadas informações de um banco de dados de saúde nacional de Taiwan. Foram selecionados para a amostra indivíduos com menos de 18 anos com diagnóstico de TDAH (n=90.634) entre janeiro de 1996 e dezembro de 2013.

Os pesquisadores encontraram que:

Crianças e adolescentes com TDAH não medicados tinham um risco de 6,7% de sofrer queimaduras. Em contrapartida, aqueles que tinham recebido medicação por 3 meses ou menos tinham 4,5% de risco e aqueles que haviam recebido medicação por mais de 3 meses tinham um risco de 2,9%

Portanto, segundo os resultados, quando as crianças e os adolescentes eram tratados com medicação, havia uma queda no risco de queimaduras, sendo que aqueles que receberam ao menos 3 meses de medicação tiveram metade do risco daqueles que não receberam medicação.

Isso vai de encontro com pesquisas anteriores que sugeriram um link entre TDAH e maior tendência a sofrer acidentes, com esse link sendo especialmente maior para pacientes que não fazem uso de medicação.

Apesar de o desenho do estudo não ser capaz de mostrar relação de causa e efeito, parece plausível que o não uso de medicação aumente a incidência de queimaduras.

Esse estudo serve para ilustrar como o TDAH pode impactar a vida de uma pessoa, não só na sua saúde emocional como também na sua saúde física.

Comentário da curadoria do PRODAH:
Reforçando a ideia de que esse estudo não indica causalidade, lembrar que pais que buscam tratamento para o TDAH de suas crianças podem ser também pais que tem maior atenção aos seus filhos, incluindo aí os cuidados para evitar acidentes.

Artigo adaptado e traduzido de: https://blogs.psychcentral.com/adhd-millennial/2020/07/children-with-adhd-get-fewer-burns-when-they-receive-medication/

Referência:
Chen, V., Yang, Y., Yu Kuo, T., Lu, M., Tseng, W., Hou, T., . . . Gossop, M. (2020). Methylphenidate and the risk of burn injury among children with attention-deficit/hyperactivity disorder. Epidemiology and Psychiatric Sciences, 29, E146. doi:10.1017/S2045796020000608

Compartilhe com seus amigos!
O AÇÚCAR TORNA AS CRIANÇAS HIPERATIVAS?

O AÇÚCAR TORNA AS CRIANÇAS HIPERATIVAS?

Você certamente já deve ter visto representado em algum filme crianças ficando enlouquecidas após ingerirem grandes quantidades de doces. Contudo, a ideia de que o açúcar cause hiperatividade em crianças não parece ser verdadeira, com evidências científicas apontando contra essa hipótese.

Em 1995, foi publicada uma meta-analise no JAMA que agrupou os resultados de 23 estudos científicos. Os resultados encontrados apontaram que o açúcar não afetava o comportamento ou a performance cognitiva de crianças. Nesse trabalho, foram incluídos apenas estudos controlados com placebo e cegos, o que significa que as crianças, os pais e os professores envolvidos na análise não sabiam quem tinha recebido açúcar ou placebo.

Entretanto, os autores na época ressaltaram que não era possível eliminar um “pequeno efeito” e que eram necessários mais estudos.

Existe a possibilidade que certas crianças possam responder de forma diferente ao açúcar. Apesar disso, os estudos de maneira geral apontam que certamente não há um efeito tão grande quanto o dramatizado nos filmes ou relatado pelos pais.

Em 2017, outro estudo publicado no International Journal of Food Sciences and Nutrition investigou o impacto do consume de açúcar no sono e no comportamento de 287 crianças com idades entre 8-12 anos.

Os pesquisadores coletaram informações através de questionários de frequência alimentar, de sono, de comportamento e de dados demográficos. Surpreendentemente, 81% das crianças consumiam mais do que a dose diária recomendada de açúcar.

Ainda assim, os pesquisadores concluíram que “O consumo total de açúcar não estava relacionado a problemas de sono e comportamento, nem afetava a relação entre essas variáveis”.

Parece claro, portanto, que se o açúcar impacta na hiperatividade, o efeito não é acentuado nem está presente na maioria das crianças

Apesar disso, alguns pais podem ainda acreditar que seus filhos fiquem hiperativos após consumir açúcar, o que pode se dever, em parte, as expectativas dos próprios pais.

Para verificar esse efeito, um estudo publicado em 1994 no Journal of Abnormal Child Psychology avaliou 35 meninos com idades entre 5-7 cujas mães os descreviam como “sensíveis ao açúcar”.

As crianças foram divididas em dois grupos. Todas receberam placebo. Para metade das mães foi dito que seus filhos tinham recebido placebo e as outras foram ditas que seus filhos tinham recebido uma alta dose de açúcar.

Os pesquisadores filmaram as mães e os filhos enquanto eles interagiam e eram questionados quanto a interação. Os autores encontraram os seguintes achados:

As mães que acreditavam que seus filhos tinham recebido açúcar pontuaram seus filhos como significativamente mais hiperativos. Observações comportamentais revelaram que essas mães exerciam mais controle ao manter mais proximidade física bem como ao mostrar mais tendência a criticar, observar e a conversar com seus filhos do que as mães do grupo controle.

Vale lembrar também que a mídia tem um papel importante na perpetuação do mito, ao retratar em filmes e desenhos um boost de energia após o consumo de açúcar.

Além disso, muitas vezes o cenário em que as crianças consomem muito açúcar é um cenário de festas de aniversário, em que as crianças estão se divertindo e estão propensas a ficarem mais excitáveis a despeito do consumo de açúcar. De forma similar, se um doce é dado como um “presente especial”, o simples fato de receber uma recompensa pode fazer com que as crianças fiquem mais excitadas.

Mas então de onde veio essa ideia?

Em 1947, Dr. Theron G. Randolph, publicou um artigo discutindo o papel de alergias alimentares na fatiga, irritabilidade e problemas comportamentais em crianças. Além de outros fatores, ele descreveu a sensibilidade aos açucares do milho, ou ao xarope de milho, como a causa da “síndrome de fatiga´tensional” em crianças, sintomas que incluem cansaço e irritabilidade.

Nos anos 1970, o açúcar foi culpabilizado por causar hipoglicemia funcional ou reativa- em outras palavras, uma queda na glicemia (nível de açúcar no sangue) após uma refeição- o que pode causar sintomas como ansiedade, confusão e irritabilidade.

Essas foram as duas teorias proeminentes que cunharam a crença de que o açúcar impactava negativamente o comportamento de crianças. Contudo, nenhuma dessas teorias é atualmente respaldada pela literatura.

Entre os anos 1970 e 1980, muitos estudos pareciam apontar que crianças mais hiperativas consumiam mais açúcar. Entretanto, por serem estudos transversais (avaliaram as crianças em apenas um momento no tempo), é impossível dizer se o açúcar causa hiperatividade ou se a hiperatividade levava a um maior consumo de açúcar.

Desde os anos 90, os estudos que analisaram a hiperatividade e o consumo de açúcar apontaram para uma ausência de relação, sendo considerado por muitos um assunto resolvido. Porém existe uma área que ainda continua em estudo:

O grupo específico de crianças com Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Atualmente, alguns estudos buscam avaliar se uma dieta com alta quantidade açúcar pode aumentar o risco de desenvolvimento de TDAH enquanto outros buscam avaliar se o açúcar poderia exacerbar os sintomas de TDAH em crianças diagnosticadas.

Nesse sentido, em 2011  um estudo que acompanhou 107 crianças da quinta série não encontrou associação entre o volume total de consumo de açúcar em lanches com o desenvolvimento de  TDAH.

Já em 2019, uma  meta-analise publicada no Journal of Affective Disorders encontrou uma “evidência de associação entre os padrões alimentares e o TDAH”. Os autores desse estudo concluíram que “uma dieta com alto grau de açúcar refinado e gordura saturada pode aumentar o risco” de TDAH e que uma dieta com alto grau de frutas e vegetais seria protetiva.

Contudo, eles reconhecem que a evidência é fraca. Por exemplo, dos 14 estudos que encontraram uma relação entre dieta e TDAH, 10 usaram um desenho transversal ou de caso e controle, ambos os quais são estudos observacionais com limitada capacidade de postular conclusões.

Os autores da meta-analise também ressaltam um ponto importante: existe evidência que pessoas com TDAH têm mais tendência a engajar em comportamentos de compulsão alimentar. Isso significa que o consumo de alimentos com alto teor de açúcar -que ativam as redes de recompensa do cérebro- podem ser resultado do TDAH.

Para sumarizar, ao que parece, o açúcar não causa hiperatividade na vasta maioria das crianças. Estudos no futuro até podem encontrar um efeito pequeno, porém as evidências atuais sugerem que essa associação é um mito. Mas lembre-se: isso não significa que uma dieta com excessiva quantidade de açúcar seja benéfica, dado que ela pode implicar em outros problemas de saúde, como diabetes e sobrepeso.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.medicalnewstoday.com/articles/medical-myths-does-sugar-make-children-hyperactive#Sugar-and-hyperactivity-in-children

 

Compartilhe com seus amigos!
TEMPO DE EXPOSIÇÃO A TELAS ANTES DE DORMIR E O EFEITO NO SONO DE CRIANÇAS

TEMPO DE EXPOSIÇÃO A TELAS ANTES DE DORMIR E O EFEITO NO SONO DE CRIANÇAS

Muito se houve falar, sobretudo quando o tema é higiene do sono, que a exposição às telas como televisão e celular próximo ao horário de dormir tem um efeito negativo na qualidade do sono, o que pode ser um motivo de preocupação para pais de crianças e adolescentes.

Um estudo financiado pelo instituto Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development (NICHD) encontrou que o uso de mídias eletrônicas a noite estava associado a redução do sono em crianças, mais acentuadamente naquelas que pontuavam menos em uma medida de auto-controle – a capacidade de filtrar impulsos inapropriados, focar a atenção e completar tarefas difíceis.

Embora seja possível ajudar crianças a desenvolver auto-controle, os pesquisadores dizem que seria mais produtivo ajudá-las a desenvolver um hábito saudável de uso de telas e de rotina de sono antes da adolescência, quando os pais passam a ter menos influência nos hábitos de sono de seus filhos.

O estudo foi conduzido por Kathryn Lemery-Chalfant, Ph.D., da Arizona State University, e colegas e foi publicado na Psychological Science.

Estudos anteriores haviam associado o uso de mídias eletrônicas próximo do horário de dormir com diferenças na qualidade, quantidade e tempo de sono em crianças e adolescentes. O presente estudo se propôs então a avaliar se essa associação variaria de acordo com as características das crianças. Eles buscaram determinar se diferenças na capacidade de auto-controle seriam capazes de influenciar o sono após o uso de mídias.

Os pesquisadores acompanharam o padrão de sono de 547 crianças, com idades entre 7 e 9 anos, por uma semana. Os pais mantinham diários dos horários que seus filhos iam dormir e acordavam e dos horários em que eles usavam mídias. O uso de mídias consistia em usar um computador desktop ou laptop, ver televisão, jogar videogames ou usar um telefone celular ou tablet para jogos ou internet.  Para avaliar objetivamente o sono, as crianças usavam actígrafos – dispositivos semelhantes a um relógio de pulso que analisava os seus movimentos e a luz ambiente. Ao registrarem  inatividade, os pesquisadores estimavam quanto tempo as crianças dormiram.

Os pais responderam ao questionário “Temperament in Middle Childhood Questionnaire”, desenhado para pontuar os traços de personalidade dos seus filhos, incluindo o auto-controle. As medidas de auto-controle incluíam o grau de capacidade que as crianças tinham para se obrigar a fazer os temas de casa, mesmo quando elas tinham vontade de brincar; se elas se distraiam facilmente ao ouvir uma história e se elas tinham facilidade em esperar para abrir um presente.

Em média, as crianças dormiam 8 horar por noite e usavam mídia antes de dormir em 5 das 7 noites. Aquelas que usavam mídia antes de dormir, dormiam em média 23 minutos a menos por noite e iam dormir 34 minutos mais tarde que aquelas que não usavam. Contudo, ao comparar usos equivalentes de mídia antes de dormir, crianças que tinham um alto grau de auto-controle dormiam 8 horas e aquelas com baixo grau de auto-controle dormiam 40 minutos a menos.

Portanto, de acordo com os resultados, a capacidade de auto-controle seria capaz de atenuar o efeito do uso de mídias a noite sobre o sono. Os pesquisadores teorizaram que crianças com baixo nível de auto-controle podem ter dificuldade de se acalmar após usarem mídias e podem ter dificuldade de adormecer. Apesar de que o auto-controle possa ser melhorado, eles adicionam, isso é um traço de personalidade e é difícil de mudar.

“Ao invés dos pais pensarem em como eles podem ajudar seu filho a melhor regular seu comportamento, eles podem tentar focar em desenvolver um cronograma mais consistente do sono e do uso de mídias”, disse a autora Leah Doane, Ph.D., da Arizona State University.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.nichd.nih.gov/newsroom/news/062620-screen-time

Mensagem da curadoria PRODAH:
Lembrem sempre que estudo de correlação não mede causalidade. Pode ser que exista algum fator biológico cerebral que determina tanto a dificuldade de sono, como de autocontrole e de maior avidez por tempo de tela, ou ainda causalidade inversa, ou seja, quem dorme menos, tem menos autocontrole e por ter menos necessidade de sono fica mais tempo na tela.

Referência:
1.Clifford S, Doane LD, Breitenstein R, Grimm KJ, Lemery-Chalfant K. Effortful Control Moderates the Relation Between Electronic-Media Use and Objective Sleep Indicators in Childhood. Psychological Science. 2020;31(7):822-834. doi:10.1177/0956797620919432

Compartilhe com seus amigos!
COMO O PACIENTE ADULTO PODE ENFRENTAR O TDAH DURANTE A PANDEMIA

COMO O PACIENTE ADULTO PODE ENFRENTAR O TDAH DURANTE A PANDEMIA

Esse período em que estamos vivendo, com insegurança acerca do futuro, mudanças drásticas na nossa rotina e no funcionamento do mundo a nossa volta trouxe grande impacto e estresse na vida das pessoas. No caso de pacientes com TDAH, que já apresentavam dificuldade em organizar as atividades da vida diária, pode ser muito mais desafiador.

Muitas das estratégias de enfrentamento do TDAH ainda são relevantes, mas podem necessitar de adaptações para a nova realidade. Abaixo seguem algumas estratégias que podem exigir mais esforço nesse momento para serem implementadas, mas que valem a pena:

Cronograma diário

Estratégia fundamental para pacientes com TDAH e que pode ser ainda mais importante (e também mais desafiadora) com a ausência de rotina. É necessário planejar não apenas as tarefas individuais como também as tarefas de casa. O ideal é organizar pequenos blocos de tempo de 15-30 minutos.

A organização dessas informações em um formato visível e compartilhável (como um quadro de tarefas) ajuda todos os membros da casa a se localizarem e a saberem o que deve ser feito. Para crianças pequenas, podem ser usadas figuras para a rotina da manhã, para as atividades e para as tarefas da escola.

O cronograma também ajuda as pessoas a se planejarem e a saberem o que está por vir. Isso permite que os membros da família organizem o ritmo de trabalho para conseguirem alcançar momentos de lazer e diversão.

Implementação

Além de estabelecer as tarefas do dia, é interessante criar um guia de como essas tarefas podem ser feitas, como por exemplo o que fazer primeiro (priorização) e o que fazer em determinada situação. Dessa forma as tarefas podem ser agrupadas permitindo encadeamento, como por exemplo responder e-mails e mensagens no mesmo momento.

Outra dica é dividir as tarefas e fazer pequenas pausas entre elas. Isso pode tornar o plano de ação mais claro do que simplesmente entrar de cabeça.

Organização

Uma boa ideia é gastar um tempinho após uma atividade ou bloco de tempo arrumando o espaço físico. Esse pequeno tempo para organização serve para arrumar o espaço que acaba de ser usado, de forma que ele esteja pronto para ser usado novamente.

Atitude

Essas estratégias de enfrentamento não são novidade, exceto o fato de estarem acontecendo todas ao mesmo tempo. O TDAH não é um problema de conhecimento ou de capacidade, mas sim um problema de performance, portanto a chave é a implementação dessas estratégias.

Por fim, é importante não se pressionar muito e ter compaixão consigo mesmo. Não há problema se a princípio você tiver dificuldade ou se algumas vezes falhar. Peça ajuda se for preciso e reconheça que este é um momento estressante para todos nós. Paciência e perseverança são o segredo.

Artigo adaptado e traduzido de:

https://www.psychologytoday.com/intl/blog/rethinking-adult-adhd/202007/coping-adult-adhd-during-covid-19

Compartilhe com seus amigos!
NOVA MEDICAÇÃO PARA TRATAMENTO DO TDAH EM ESTUDO

NOVA MEDICAÇÃO PARA TRATAMENTO DO TDAH EM ESTUDO

A companhia farmacêutica Otsuka Pharmaceutical Co., Ltd e a sua subsidiária Otsuka Pharmaceutical Development & Commercialization, Inc. anunciaram recentemente resultados promissores de dois estudos que avaliaram os efeitos da centanafadina, uma nova medicação produzida pela empresa para o tratamento do TDAH.

A centanafadina é um inibidor da recaptação de seretonina, norepinefrina e dopamina. Para avaliar a sua eficácia, segurança e tolerabilidade foram realizados 2 ensaios clínicos de fase 3 com duração de 6 semanas. Aproximadamente 900 pacientes adultos com idades entre 18-55 anos e com diagnóstico de TDAH participaram do estudo. Os participantes foram randomizados para receber centanafadina na dose de 100 ou 200mg duas vezes ao dia ou para receber placebo duas vezes ao dia. Ambos os estudos foram randomizados,  duplo-cegos, multicêntricos e controlados com placebo com grupos paralelos. 

Os resultados mostraram que tanto a dose diária de 200mg quanto a de 400mg da centanafadina providenciaram melhoras estatisticamente significativas em comparação ao placebo nos sintomas de TDAH, avaliados com base na escala mais utilizada em estudos em adultos – a ADHD investigator symptom rating scale (AISRS) para adultos. 

Os efeitos adversos mais frequentemente observados foram perda de apetite, dor de cabeça, náusea, boca seca, infecção do trato respiratório superior e diarreia. Um outro estudo paralelo, com duração mais longa, também está sendo feito para avaliar a segurança e tolerabilidade da dose diária de 400mg, com resultados esperados para 2021. 

A companhia pretende investigar também os efeitos da nova medicação em pacientes pediátricos bem como aguarda os próximos passos para a liberação e aprovação para uso pelo FDA (U.S. Food and Drug Administration).

Fonte: 

– https://www.otsuka-us.com/discover/otsuka-announces-positive-top-line-results-from-two-phase-3-studies-of-centanafadine

Compartilhe com seus amigos!
TDAH EM ADULTOS: COMO SABER SE VOCÊ TEM TDAH?

TDAH EM ADULTOS: COMO SABER SE VOCÊ TEM TDAH?

 

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ao contrário de que muitos pensam, não é apenas um problema de crianças e adolescentes. Algumas estimativas apontam que cerca de 2.5 a 3,4% da população adulta ao redor do globo possui TDAH. Além disso, o TDAH é um transtorno que na maioria dos casos persiste da infância até a vida adulta.

Adultos com TDAH também sofrem frequentemente de outros transtornos psiquiátricos comórbidos, como: Transtornos de Humor, Transtornos de Ansiedade e Transtorno de uso de substâncias.

Muitas pessoas podem acabar recebendo o diagnóstico de TDAH apenas na vida adulta. Em algumas situações, os sintomas se tornam mais evidentes à medida em que as demandas se tornam mais complexas, como é o caso da entrada no ensino superior ou no mercado de trabalho, ou mesmo a simples saída de casa da família para morar sozinho.

Com a popularização recente do TDAH e do uso de estimulantes na mídia, muitas pessoas passaram a se questionar sobre a possibilidade de possuírem o transtorno. Não somente pessoas que por ventura não receberam ao diagnóstico, mas também indivíduos que não possuem TDAH, dado que alguns dos sintomas associados ao transtorno são relativamente comuns.

Então, como você pode saber se é um candidato a receber uma avaliação para TDAH? 

As manifestações do TDAH tendem a ser um pouco diferentes em adultos e crianças. Adultos tendem a sofrer mais de problemas de desatenção ao passo que os sintomas de hiperatividade são menos proeminentes.

De maneira geral, adultos com TDAH sofrem de problemas como:

– Dificuldade para organizar tarefas e priorizar atividades

– Dificuldade para iniciar e completar tarefas

– Esquecimento

– Procrastinação

– Pouca habilidade para manejar do tempo

– Labilidade emocional, irritabilidade e falta de motivação

– Impulsividade

Esses problemas podem levar a consequências como:

– Dificuldade em realizar os compromissos do dia-a-dia como limpeza da casa, pagamento de contas, etc.

– Grande variabilidade na produtividade. Com momentos de trabalho excessivo e períodos de inércia

– As tarefas são realizadas apenas de última hora ou não chegam a ser feitas.

– Perda de prazos ou compromissos

– Problemas no trabalho ou na performance acadêmica, com perda ou abandono de empregos

– Problemas nos relacionamentos por esquecimento ou por não completar compromissos

– Maiores taxas de acidentes de trânsito ou multas de trânsito por desatenção ou impulsividade  e maiores taxas de abuso de substâncias

– Sentimento de inquietude, incapacidade de aguardar sua vez de falar ou ser atendido.  Comportamentos como falar demais ou interromper os outros.

O que fazer se você suspeitar que tem TDAH?

Se você suspeita de que possa ter TDAH, é importante que você receba uma avaliação por um profissional de saúde mental habilitado. O diagnóstico de TDAH engloba uma avaliação detalhada de vários aspectos da vida de um indivíduo e as vezes pode ser necessário mais de um encontro com o especialista para firmar o diagnóstico. É necessário também que sejam descartadas outras causas que possam explicar os sintomas como outros transtornos psiquiátricos e até mesmos problemas de saúde física como doenças da tireoide. Após a investigação, o profissional de saúde pode determinar qual o tratamento mais adequado, como uso de medicamentos estimulantes e terapia cognitivo-comportamental, caso seja necessário.

Referências:

Fayyad J, De Graaf R, Kessler R, Alonso J, Angermeyer M, Demyttenaere K, De Girolamo G, Haro JM, Karam EG, Lara C, Lépine JP, Ormel J, Posada-Villa J, Zaslavsky AM, Jin R. Cross-national prevalence and correlates of adult attention-deficit hyperactivity disorder. Br J Psychiatry. 2007 May;190:402-9. doi: 10.1192/bjp.bp.106.034389. PMID: 17470954.

https://www.cdc.gov/ncbddd/adhd/diagnosis.html

Compartilhe com seus amigos!
CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

CRIANÇAS COM PROBLEMAS OU ATRASOS NO DESENVOLVIMENTO PODEM TER MAIOR RISCO DE ASMA

Um estudo publicado em junho deste ano no JAMA Network Open concluiu que crianças com problemas do desenvolvimento ou que não atingem marcos do desenvolvimento podem ter um risco cerca de 2.2 vezes maior de serem diagnosticadas com asma comparado com o risco de crianças sem esses problemas ou atrasos.

Uma das autoras do estudo, Sarah Messiah, PhD, diretora do Centro para Saúde Populacional Pediátrica na UTHealth Science Center School of Public Health em Dallas, disse que “ os guidelines pediátricos atuais de asma não mencionam problemas do desenvolvimento ou atrasos como fatores de risco para asma”. Como ela afirma, devido aos resultados do estudo, pediatras e especialistas que cuidam de crianças com incapacidades poderiam considerar a triagem para asma.

Nesse estudo, os pesquisadores analisaram os dados de 71,811 crianças e adolescentes entre 0-17 anos de idade, cujas famílias haviam participado da National Survey of Children’s Health (NSCH) de 2016 e de 2017. A NSCH é uma pesquisa populacional de representatividade nacional feita nos estados Unidos através de um questionário online.

Os seguintes problemas de desenvolvimento foram avaliados nesse estudo: (1) Transtornos Mentais (Déficit de Atenção e Hiperatividade [TDAH] e Transtorno do Espectro Autista); (2)  doenças neurológicas (paralisia cerebral e transtornos convulsivos); (3) déficits auditivos, de visão e de fala; (4) incapacidades cognitivas (deficiência intelectual e transtornos de aprendizado); ou (5) atraso inespecífico do desenvolvimento.

Além disso, 3,149 crianças foram classificadas como tendo atrasos no desenvolvimento, ou seja, tinham atraso em alguns marcos do desenvolvimento sem alguma condição médica que explicasse o atraso. Esses atrasos são diagnosticados quando as crianças não atingem funções – marcos- no tempo esperado para a faixa etária, como por exemplo caminhar, falar ou segurar objetos.

O risco de asma foi significativamente maior em crianças com ao menos uma incapacidade (razão de chance – RC  = 2.77; 95% CI, 2.39-3.21) ou atraso (RC = 2.22; 95% CI, 1.78-2.77) em comparação com crianças sem desordens ou atraso no desenvolvimento. Mesmo após ajustes para outros fatores como idade, sexo, raça e etnia, nível educacional, renda familiar e peso ao nascimento, todas as associações se mantiveram significativas para todas as categorias de incapacidade. Ao todo, crianças com incapacidades tinham um risco 2x maior de ter asma em comparação a crianças sem incapacidades.

O quanto uma incapacidade ou atraso especifico foi associado com o risco de asma variou na amostra. Comparado com crianças sem incapacidades ou atrasos, por exemplo, a perda de audição foi associada a um risco 3x maior para asma; crianças com TDAH, paralisia cerebral ou transtornos de aprendizado tinham mais que o dobro de risco de asma.

Uma limitação desse estudo é que todos os dados de asma, de incapacidade e de atrasos do desenvolvimento foram auto-relatados. Os dados não foram verificados por nenhum laboratório ou registro médico, então é possível que algumas crianças com essas condições não foram identificadas ou que alguns pais categorizaram seus filhos incorretamente com condições que eles não possuíam.

O diagnóstico falso positivo de asma em crianças com incapacidades tende a ser maior quando baseado apenas no relato dos pais, explicou Matthew McGrwa, MD, Professor assistente de medicina pulmonar pediátrica na University of Rochester Medical Center em Nova York ,que não estava envolvido com o estudo. Crianças com diferentes tipos de incapacidades regularmente se engasgam com bebidas ou comidas, causando chiados e dificuldade para respirar que pode parecer muito com asma para os pais, disse ele. “ Múltiplas outras razões podem causar sintomas similares”.

Outra limitação do estudo foi que os pesquisadores não obtiveram dados de outros fatores importantes que podem influenciar no risco de asma e de desordens do desenvolvimento ou atrasos, incluindo nascimento prematuro. “Crianças que nascem prematuras estão em maior risco tanto para problemas respiratórios como para atrasos no desenvolvimento devido ao subdesenvolvimento de órgãos como o pulmão e o cérebro,” completa Dr. McGraw.

No caso de a asma ser diagnosticada, algumas crianças com incapacidades físicas ou mentais podem ter dificuldade também de reconhecer seus sintomas. “Crianças com incapacidades podem ser menos propensas a comunicarem ou estarem alerta aos fatores que desencadeiam os ataques, ou até mesmo ser menos propensas a alertar seus pais quando elas sentem que sua respiração está comprometida,” disse Luisa Borrell, DDS, PhD, Professora no departamento de epidemiologia e bioestatística na CUNY Graduate School of Public Health & Health Policy em Nova York. Portanto, os pais podem precisar estar mais atentos para monitorar as exacerbações da asma em seus filhos.

Comentário da Equipe FOCUS:
Além das limitações do estudo já apontadas, é importante lembrar que crianças com alguma incapacidade ou atraso no desenvolvimento podem ser mais propensas a realizar consultas médicas, dado que já possuem uma condição em acompanhamento, o que poderia aumentar a chance de diagnóstico de asma.  Além disso, pais com crianças com dificuldades ou limitações podem tender a prestar mais atenção em alterações sutis no comportamento ou na saúde física do seu filho, o que também aumenta a chance de algum diagnóstico, ainda que os sintomas sejam leves.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.everydayhealth.com/asthma/kids-with-disabilities-or-developmental-delays-may-have-increased-asthma-risk/

Referência:
Xie L, Gelfand A, Delclos GL, Atem FD, Kohl HW, Messiah SE. Estimated Prevalence of Asthma in US Children With Developmental Disabilities. JAMA Netw Open. 2020;3(6):e207728. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.7728

Link: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2767213

Compartilhe com seus amigos!
RELAÇÃO ENTRE INSÔNIA E CONSUMO DE ÁLCOOL COM SINTOMAS DE TDAH

RELAÇÃO ENTRE INSÔNIA E CONSUMO DE ÁLCOOL COM SINTOMAS DE TDAH

Um estudo publicado no Frontiers in Psychology encontrou uma associação significativa entre a severidade dos sintomas de TDAH e abuso de álcool e insônia.

Pesquisadores da Universidade de Bergen na Noruega selecionaram randomicamente pacientes adultos com TDAH diagnosticados entre 1997 e 2005 e pacientes controle saudáveis do Registro Médico de Nascimentos da Noruega. Os participantes com diagnóstico de TDAH(n=235) e os controles(n-184) completaram um questionário que avaliava insônia, consumo de álcool e sintomas presentes de TDAH.

Os pesquisadores usaram a Escala de Insônia de Bergen, o Teste de Identificação de Transtorno de Uso de Álcool (AUDIT) e a Escala Adult  ADHD Self-Report Scale (ASRS) (a mesma usada pelo FOCUS) para avaliar os sintomas. Pacientes com TDAH tinham a opção de fornecer informações sobre o TDAH na infância e sintomas internalizantes ao longo da vida.

Comparado com o grupo controle, uma proporção significativamente menor de pacientes com TDAH havia completado a universidade (34.3% vs 77.8%; P <.001) ou estava empregada (40.2% vs 88.4%; P <.001). A média da soma de pontos do teste AUDIT foi significativamente maior no grupo TDAH vs controle (13.59 vs 12.32; P <.005), sugerindo maior severidade no consumo de álcool em pacientes com TDAH. O que vai de encontro com outros estudos que avaliaram a relação entre TDAH e abuso de substâncias. Além disso, a Insônia também foi mais frequente no grupo com TDAH (67.2% vs 28.8%; P <.001).

Entre os pacientes com insônia, 46,9% no grupo TDAH e 24,6% no grupo controle relataram beber ao menos 5-6 unidades de álcool quando bebiam. A Insônia foi associada a maior gravidade da pontuação na ASRS, tanto nos pacientes com TDAH quanto nos controles. A variação nos sintomas de TDAH em pacientes com esse diagnóstico foi explicada pela insônia e pelos sintomas internalizantes mas não pelo consumo de álcool. No grupo controle, contudo, os sintomas de TDAH foram significativamente associados com o uso de álcool.

Uma das limitações dos estudos é a de que os dados foram fornecidos através de uma auto avaliação, e os pacientes podem ter relatado um menor consumo de álcool.

O uso de álcool pode estar associado com sintomas de TDAH, mesmo em adultos sem diagnóstico clínico de TDAH. Adicionalmente, a insônia foi associada com aumento no consumo de álcool e maior gravidade dos sintomas de TDAH em ambos os grupos.

Artigo adaptado e traduzido de:  https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/sleep-wake-disorders/insomnia-disorder/insomnia-and-alcohol-consumption-linked-to-adhd-symptoms/

Referencia:

-Lundervold AJ, Jensen DA, Haavik J. Insomnia, alcohol consumption and ADHD symptoms in adults [published online May 27, 2020]. Front Psychol. doi: 10.3389/fpsyg.2020.01150

Compartilhe com seus amigos!
RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

RELAÇÃO ENTRE TDAH E DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) está relacionado com o desenvolvimento de depressão na vida adulta. A razão para isso poderia se dever tanto ao estresse psicológico advindo do transtorno quanto a alguma relação de base neurobioquímica.

Um artigo publicado na Psychological Medicine buscou avaliar se o TDAH e a predisposição genética ao TDAH teriam alguma relação causal com o desenvolvimento de depressão ao longo da vida. Uma relação desse tipo poderia indicar que o tratamento do TDAH é capaz de diminuir o risco de depressão.

Alguns estudos anteriores com gêmeos haviam postulado que a ocorrência simultânea de depressão e TDAH poderia se dever a riscos genéticos compartilhados. Nesse sentido, fatores de risco em comum poderiam fazer com que algumas pessoas desenvolvessem TDAH e outras depressão. Em contrapartida, o presente estudo buscou distinguir se o próprio TDAH seria fator de risco.

Os dados foram coletados da coorte prospectiva longitudinal “Avon Longitudinal Study of Parents and Children” (ALSPAC). Foram incluídos para análise 8310 indivíduos que foram avaliados para TDAH aos 7 anos de idade usando a subescala de avaliação parental de TDAH do Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ). Os dados sobre depressão foram coletados usando o Short Moods and Feeling Questionnaire (sMFQ) aos 18, 21, 22, 23 e 25 anos de idade. 57% (n=4771) dos participantes tiveram dados de depressão coletados ao menos uma vez nesses 5 períodos.

Para avaliar o efeito do risco genético de TDAH na depressão, dados de genética foram coletados do estudo de genética ampla de indivíduos com ascendência europeia para TDAH e Depressão maior.

Ao todo, 6,4% (n= 530) dos participantes foram diagnosticados com TDAH aos 7 anos e 26,7% tiveram depressão recorrente na idade adulta. Aproximadamente 32,7% daqueles com TDAH na infância tiveram depressão recorrente na idade adulta comparado com 26,5% daqueles sem TDAH. Alternativamente, entre aqueles que tinham depressão recorrente na vida adulta, aproximadamente 7,8% deles tiveram TDAH na infância comparado com 5,9% sem depressão.

O TDAH na infância foi associado com um aumento de risco de depressão recorrente na idade adulta (: OR 1.35, 95% CI 1.05–1.73, p = 0.02). Esses achados se mantiveram ao se controlar para sexo, adversidades na vida, educação materna e depressão materna (OR 1.38, 95% CI 1.07–1.79, p = 0.01).

Análises de randomização mendelianas sugeriram um efeito causal da susceptibilidade genética do TDAH na depressão maior (OR 1.21, 95% CI 1.12–1.31). Porém, análises feitas com definições mais amplas de depressão diferiram, mostrando uma influência fraca no desenvolvimento de depressão (OR 1.07, 95% CI 1.02–1.13).

Como os pesquisadores concluem, as análises longitudinais mostraram que o TDAH é um fator de risco para a depressão na vida adulta e as análises de randomização mendeliana reforçam um efeito causal do TDAH na depressão maior, apesar de que esses resultados variaram conforme a definição de depressão utilizada. Além disso, é importante notar que o TDAH em si não é um fator de risco forte para a depressão na vida adulta e muitos indivíduos desenvolverão depressão por outras razões.

Referencia:

-Riglin, L., Leppert, B., Dardani, C., Thapar, A. K., Rice, F., O’Donovan, M. C., … Thapar, A. (2020). ADHD and depression: investigating a causal explanation. Psychological Medicine, 1–8. doi:10.1017/s0033291720000665

 

Compartilhe com seus amigos!
Back To Top