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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

TDAH E Manejo Da Raiva

TDAH e manejo da raiva

Um dos sintomas não muito conhecido do TDAH e que também pode estar presente é a dificuldade na regulação emocional e manejo da raiva. Nas crianças isso pode se manifestar na forma de birras e irritabilidade enquanto nos adultos, além da irritabilidade, pode se manifestar como explosões de raiva. 

Apesar dos estimulantes ajudarem nos sintomas típicos do TDAH como desatenção e hiperatividade, eles não parecem surtir o mesmo tamanho de efeito na  regulação emocional. Então, o que pode ser feito? 

No caso de crianças com TDAH, a terapia pode ser útil. Na terapia, a criança pode aprender habilidades que a permitam fazer uma releitura das situações além de regular suas próprias emoções de forma adequada. Além disso, os próprios pais podem receber aconselhamento profissional para que eles aprendam como lidar nas situações em que a criança manifesta descontrole da raiva.

É importante descartar, contudo, outros transtornos comórbidos que possam estar contribuindo para a irritabilidade e ataques de raiva. Um psiquiatra experiente pode, ainda, ajustar a medicação do TDAH e receitar outros medicamentos caso necessário. 

No caso de adultos, a Terapia Cognitivo-comportamental (TCC) pode ser uma boa opção. Na TCC, o paciente pode desenvolver habilidades e mecanismos para usar nas diferentes situações e assim conseguir lidar com os momentos de estresse. A meditação e o mindfulness, atualmente em moda, também são alternativas possíveis. 

Por fim, vale lembrar que um estilo de vida saudável, com alimentação e sono adequados, atividade física regular além de momentos de lazer e entretenimento são importantes para o bem estar e podem contribuir de forma positiva no estado emocional. 

Artigo adaptado e traduzido de: ttps://www.psychologytoday.com/intl/blog/helping-kids-through-adhd/202008/adhd-anger-and-emotional-regulation

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DICAS PARA MELHORAR A PRODUTIVIDADE (PARTE 2)

DICAS PARA MELHORAR A PRODUTIVIDADE (PARTE 2)

No último texto, selecionamos 3 dicas que podem ajudar você a se tornar mais produtivo. Teste algumas delas e tente aplicar no seu dia a dia aquelas que funcionarem melhor para você. Lembre-se de não se frustrar caso você não se adapte a alguma delas, pois não existe receita de bolo nem regras!

Hoje traremos mais outras estratégias que podem ser uteis:

Regra dos 5 minutos.

Sabe aquela tarefa que você vem procrastinando a um tempo? Aquela que só de pensar embrulha seu estômago? Talvez essa dica ajude você.

Programe-se para gastar apenas 5 minutos na tarefa antes de começa-la. Você pensa: “vou me dedicar apenas 5 minutos” e é isso. Se após esse tempo você se sentir motivado a continuar tudo bem, do contrário se passado esse tempo você quiser parar tudo bem também!

Separe as tarefas mais importantes

Eu sei que você tem várias coisas para fazer. Porém quando você planeja sua lista de atividades, você tem que separar aquelas que são mais importantes e deve fazer elas primeiro. É mais fácil se sentir motivado no início e se você deixar as coisas importantes para o final, vai estar sem energia para fazer aquilo que mais precisava ser feito. 

Alarmes e calendário

Uma dica para ajudar você a não esquecer compromissos é anotar em um calendário os compromissos fixos com antecedência. No momento em que você já tem estabelecida a data da reunião, anote em um calendário e programe um alarme no seu celular para o dia. Não deixe para fazer isso depois, porque você pode esquecer e acabar tornando mais difícil para se organizar. Ter um esquema do mês além das listas de tarefas diárias ajuda você a não esquecer prazos e compromissos com data marcada. O alarme no celular pode ser também um ótimo lembrete.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.healthline.com/health/mental-health/7-adhd-inspired-hacks-for-better-concentration#5.-MIT:-Most-important-tasks

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DICAS PARA MELHORAR A PRODUTIVIDADE (PARTE 1)

DICAS PARA MELHORAR A PRODUTIVIDADE (PARTE 1)

Quem TDAH certamente já sofreu com a procrastinação. Não conseguir iniciar as tarefas e deixar tudo para última hora é uma dificuldade bem conhecida. Porém existem estratégias que podem ser utilizadas para ajudar você a driblar esse problema. Separamos algumas que podem ajudar você:

1- Bullet Journal
Se você tem dificuldade para se adaptar aos planners comprados prontos, essa dica é para você.

Os planners comprados tem a limitação de muitas vezes não serem exatamente aquilo que procuramos ou precisamos. O problema é que tentar fazer o seu próprio planner pode ser uma tarefa difícil.
Sendo assim, o bullet Journal é uma forma de contornar esse problema. Ele é um método de organização que você pode aplicar em qualquer caderno. Ele ajuda você a criar notas de forma organizada de tudo aquilo que você quiser, inclusive listas de seus filmes favoritos.

2- Faça tudo de uma vez

Essa é uma dica para aquelas tarefas simples e fáceis que ficamos procrastinando como responder e-mails. Quando você pensar em abrir seu e-mail, faça tudo o que precisa de uma vez: leia os e-mails novos e responda aquilo que tem que responder, delete os spams e pronto. Você vai perceber que passaram apenas alguns minutinhos. Se você deixar para depois a chance é que vai acabar acumulando.

3- Tecnica pomodoro

Esse método pode ajudar você não só a estudar, mas a fazer qualquer tarefa mais longa que exija algum tempo de dedicação, como arrumar as roupas e limpar a bagunça. A técnica consiste em cronometrar 25 minutos em que você vai se dedicar integralmente a tarefa em questão seguido de 5 minutos de pausa e assim sucessivamente em ciclos. Após alguns ciclos você pode fazer um intervalo maior. O legal é que existem sites com cronômetros prontos na internet.

Artigo baseado e traduzido de: https://www.healthline.com/health/mental-health/7-adhd-inspired-hacks-for-better-concentration#5.-MIT:-Most-important-tasks

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CARGA DE DOENÇA E CUSTOS MÉDICOS DO DIAGNÓSTICO DE TDAH EM ADULTOS.

CARGA DE DOENÇA E CUSTOS MÉDICOS DO DIAGNÓSTICO DE TDAH EM ADULTOS.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, ainda é pouco reconhecido na população adulta, apesar de seu impacto na qualidade de vida.

Um estudo retrospectivo de coorte longitudinal publicado em 2020 buscou analisar os custos médicos e a carga de doença do TDAH diagnosticado em adultos.

Para isso, os pesquisadores coletaram informações em alemão do banco de dados InGef de seguros de vida estatutários. Ao todo, foram identificados 2,380 indivíduos adultos que receberam diagnóstico de TDAH, sendo que 60% deles eram homens e tinham uma média de idade ao diagnóstico de 35 anos. Os pacientes então tiveram seus dados analisados antes e depois de receberem o diagnóstico, no período entre 2012 e 2017.

Os pacientes foram subsequentemente classificados de acordo com a prescrição de medicamentos específicos para TDAH. Os pacientes que receberam ao menos 2 prescrições de medicamento durante o primeiro ano após o diagnóstico foram classificados como “uso inicial de medicação para TDAH”, enquanto aqueles que receberam apenas uma ou nenhuma foram classificados como não tendo medicação inicial. 

Os pesquisadores encontraram que, nos anos anteriores ao diagnóstico, as comorbidades psiquiátricas, medicamentos para transtornos específicos (principalmente antidepressivos), psicoterapia e custos em saúde aumentavam, atingindo um pico no ano do diagnóstico. Após o diagnóstico, essas variáveis tendiam a cair porém eram maiores comparado com os níveis observados antes do diagnóstico. Isso sugere um aumento progressivo da carga sintomática ao longo dos anos antes do diagnóstico. Estudos anteriores já haviam demonstrado que o atraso no reconhecimento do TDAH pode levar ao aparecimento ou piora de várias comorbidades psiquiátricas. 

Além disso, comorbidades, medicamentos correspondentes, psicoterapia, custos em saúde, auxílio doença e dias de licença médica eram mais frequentes em pacientes com uso inicial de medicação, sugerindo uma maior carga de doença. 

Um achado importante do estudo foi que menos de 1/3 dos pacientes receberam qualquer prescrição de medicamento para TDAH no início do diagnóstico. Ao mesmo tempo, cerca de 2/3 dos indivíduos receberam psicoterapia no ano do diagnóstico. Isso mostra que o uso de estimulantes é ainda relutantemente prescrito na população adulta.

O desenho longitudinal desse estudo permitiu um acompanhamento dos pacientes antes e depois do diagnóstico de TDAH. Porém, uma das limitações do estudo é que alguns indivíduos podem ter recebido o diagnóstico de TDAH na infância, o que não pôde ser analisado dentro do período de dados coletados no estudo.

Referência:
Libutzki B, May M, Gleitz M, Karus M, Neukirch B, Hartman CA, Reif A. Disease burden and direct medical costs of incident adult ADHD: A retrospective longitudinal analysis based on German statutory health insurance claims data. Eur Psychiatry. 2020 Oct 1;63(1):e86. doi: 10.1192/j.eurpsy.2020.84. PMID: 32998793; PMCID: PMC7576526.

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FATORES PSICOLÓGICOS ENVOLVIDOS NA ADESÃO A PISCOFARMACOS

FATORES PSICOLÓGICOS ENVOLVIDOS NA ADESÃO A PISCOFARMACOS

A adesão aos psicofármacos é essencial para o tratamento efetivo dos pacientes psiquiátricos. Pensando nisso, uma revisão sistemática publicada em 2020 no Patient Education and Counseling Journal  buscou analisar na literatura vigente fatores psicológicos de controle de saúde que estivessem relacionados a adesão ao tratamento medicamentoso. 

Ao todo foram incluídos 29 estudos, totalizando uma amostra de 222 adolescentes, a maioria com Transtorno de Déficit De Atenção/ Hiperatividade (TDAH), e 6139 adultos, diagnosticados especialmente com esquizofrenia, Transtorno de Humor Bipolar ou Transtorno Depressivo.

De acordo com o estudo, a adesão aos psicofármacos depende de diversos fatores sociodemográficos, clínicos e psicológicos. Ela está relacionada às crenças que os pacientes têm acerca da saúde e a variáveis psicológicas como a auto-eficácia e o locus de controle.

As principais razões encontradas para a não-adesão à farmacoterapia foram os efeitos adversos e a falta de motivação.  Além disso, a não-adesão medicamentosa foi associada com menores níveis de escolaridade e de status socioeconômico. Como escrevem os autores, isso poderia influenciar as percepções do indivíduo acerca da sua saúde mental e o seu comportamento em relação a sua saúde.

No geral, o diagnóstico e a duração do tratamento farmacológico não foram capazes de prever a adesão, apesar de que os sintomas e a gravidade da doença foram associados com a adesão medicamentosa.

Quanto a não-adesão não intencional, uma das principais barreiras encontradas foi a do esquecimento. 

Altas taxas de adesão foram relacionadas com uma maior percepção do indivíduo da necessidade do uso de tratamento medicamentoso e com o desejo de evitar readmissão no hospital. A participação no processo de decisão foi um fator também capaz de aumentar a adesão e a satisfação de alguns pacientes.

Além disso, foi encontrada uma associação positiva entre adesão e bem-estar, qualidade de vida e suporte familiar. Como escrevem os autores, isso corrobora a relevância de relações interpessoais positivas no processo de adesão aos medicamentos.

Sendo assim, como concluem os pesquisadores, são necessários programas multifacetados para promover a melhor adesão. Por exemplo, a educação dos pacientes poderia incluir o aumento da confiança nos medicamentos (aumento da percepção da necessidade) bem como informações sobre como a adesão aos medicamentos poderia aumentar a qualidade de vida. Além disso, também poderiam ser empregadas intervenções que incluam o comprometimento da família no tratamento do paciente, bem como uma participação mais ativa do paciente no processo de decisão.

Referência:
Marrero RJ, Fumero A, de Miguel A, Peñate W. Psychological factors involved in psychopharmacological medication adherence in mental health patients: A systematic review. Patient Educ Couns. 2020 Oct;103(10):2116-2131. doi: 10.1016/j.pec.2020.04.030. Epub 2020 May 7. PMID: 32402489.

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DIFERENÇAS CORTICAIS RELACIONADAS À IDADE NO TDAH, TEA E TOC.

DIFERENÇAS CORTICAIS RELACIONADAS À IDADE NO TDAH, TEA E TOC.

Diferenças sutis no volume intracraniano foram achadas entre grupos etários e indivíduos com Transtorno de Déficit De Atenção e Hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Esses achados foram encontrados em um estudo de coorte e foram publicados no American Journal of Psychiatry.

Os pesquisadores utilizaram dados de imagem do consórcio ENIGMA (Enhancing Neuroimaging Genetics Through Meta-Analysis). Foram analisadas imagens de Ressonância magnética estrutural ponderada em T1 de todo o cérebro de indivíduos controle (n= 5827) e de pacientes com TDAH (n=2271), TEA (n=1777) e TOC (n=2323). As análises foram feitas por grupo etário: crianças (<12 anos), adolescentes (12-17 anos) e adultos (>18 anos). Os pesquisadores examinaram as diferenças do volume subcortical, da espessura cortical e da área de superfície cortical.

Crianças com TDAH comparado com aquelas com TOC tinham um volume intracraniano menor e um volume hipocampal menor, possivelmente influenciado pelo QI. Crianças e adolescentes com TDAH também tinham um volume intracraniano menor que os controles e aqueles com TOC ou TEA. Adultos com TEA demonstraram uma espessura maior do córtex frontal comparado com adultos controle e outros grupos. Nenhuma diferença específica do TOC foi encontrada entre os diferentes grupos etários; também não foram encontradas diferenças na superfície cortical entre os transtornos em crianças e adultos. Por fim, não houve diferenças compartilhadas entre os grupos.

Uma das limitações do estudo foi a falta de informações sobre todos parâmetros de aquisição de imagens no banco de dados de todos os locais de coleta. Isso pode ter introduzido algum viés no estudo.

Apesar de serem desordens comuns do neurodesenvolvimento frequentemente comórbidas, o estudo encontrou diferenças robustas mas sutis dentro dos grupos etários entre indivíduos com TDAH, TEA e TOC. Como os autores colocam, o estudo “constitui a maior investigação de neuroimagem de alterações estruturais no TDAH, TEA e TOC”. 

Artigo adaptado e traduzido de:  https://www.psychiatryadvisor.com/home/topics/neurodevelopmental-disorder/enigma-study-finds-age-related-cortical-differences-in-adhd-asd-ocd/

 

Referencia:
Boedhoe P S W, van Rooij D, Hoogman M, et al. Subcortical brain volume, reginal cortical thickness, and cortical surface area across disorders: findings from the ENIGMA ADHD, ASD, and OCD working groupsAm J Psychiatry. 2020;appiajp202019030331. doi:10.1176/appi.ajp.2020.19030331.

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FATORES QUE INFLUENCIAM A INICIAÇÃO, IMPLEMENTAÇÃO E DESCONTINUAÇÃO DE MEDICAMENTOS NO TDAH

FATORES QUE INFLUENCIAM A INICIAÇÃO, IMPLEMENTAÇÃO E DESCONTINUAÇÃO DE MEDICAMENTOS NO TDAH

É consenso que os medicamentos estimulantes são altamente eficazes no tratamento dos sintomas do TDAH. Contudo, como toda medida terapêutica, a adesão é um fator determinante na eficácia. Como forma de entender o fenômeno, um artigo publicado em fevereiro de 2020 buscou analisar quais fatores influenciavam na adesão nas suas diferentes fases: iniciação, implementação e descontinuação.

Foram conduzidos 3 grupos focais com 20 adultos com TDAH em diferentes áreas metropolitanas de Sydney, Austrália. Nesses grupos, os participantes respondiam perguntas e podiam interagir e discutir com o auxílio de um moderador.

Os resultados do estudo mostraram que alguns fatores influenciavam fases específicas da adesão enquanto outros estavam presentes nas diferentes fases.

Durante a iniciação, os adultos tomam a decisão de aderir a medicação conforme a percepção que eles têm de que precisam fazer uso dela e os receios quanto aos efeitos adversos. Essa percepção é influenciada pelas experiências negativas que eles tiveram com o TDAH. Portanto, quando essa percepção da necessidade é maior que os receios, os pacientes adultos decidem por iniciar o uso de medicamentos. 

Durante a fase de implementação, os adultos passam a ser influenciados pelas experiências do uso da medicação. Essa decisão leva em conta o balanço entre os benefícios observados e as experiências com efeitos adversos e o estigma. Sendo assim, a adesão nessa fase poderia ser melhorada ao assegurar que a medicação e o regime de dose apropriados tenham sido implementados. Outro fator que influenciava a adesão nessa fase era o esquecimento, com pacientes frequentemente esquecendo de tomar a medicação ou não lembrando se já tinham ou não tomado.

Por fim, os achados do estudo mostraram que os efeitos adversos são a principal razão para a descontinuação e que os adultos tomam conscientemente a decisão de aderir ou não, predominando, portanto, uma não-adesão intencional. Outros fatores que influenciavam a descontinuação foram o medo de dependência e a capacidade de se auto-regular sem uso de remédios.

Referência:
Khan MU, Aslani P. Exploring factors influencing initiation, implementation and discontinuation of medications in adults with ADHD. Health Expect. 2020 Feb 7. doi: 10.1111/hex.13031. Epub ahead of print. PMID: 32032467.

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POR QUE VOCÊ PROCRASTINA SEUS COMPROMISSOS?

POR QUE VOCÊ PROCRASTINA SEUS COMPROMISSOS?

Se tem uma coisa que é o calcanhar de Aquiles da produtividade e que os adultos com TDAH conhecem bem é a procrastinação. Nada como deixar as coisas para o último momento quando o desespero supera qualquer falta de motivação.

Um tipo peculiar de procrastinação -e essa é uma que te deixa com menos peso na consciência, sem entender como que as horas passaram tão rápido- é aquela em que ao invés de você estudar, você resolve fazer a faxina da casa.

Em outras palavras, você deixa de fazer a tarefa mais importante e demandante e faz uma outra tarefa menos importante no momento. Assim, você se sente produtivo, mas acaba adiando o seu compromisso que uma hora ou outra você vai ter que enfrentar- algumas vezes até perdendo prazos importantes.

Todas as pessoas procrastinam. Os adultos com TDAH, no entanto, estão em maior risco de sofrer consequências negativas.

Mas afinal, o que faz com que as tarefas como faxinar a casa, lavar a louça ou cortar a grama se tornem tão atraentes na hora de procrastinar? O Dr. Russell Ramsay levanta interessantes hipóteses:

  1. Ao contrário das tarefas prioritárias, as tarefas usadas para procrastinar tendem a ser mais manuais. As tarefas prioritárias, ao contrário, são mais desafiantes mentalmente, exigindo mais carga cognitiva, como: escrever, fazer o dever de casa, controlar as finanças, etc. Até mesmo dentre as tarefas intelectuais, existe uma graduação pessoal de dificuldade, como “escrever é mais difícil que ler”, “ler é mais fácil que resolver um problema”.
  2. Essas tarefas tendem a ter um script familiar e um conjunto de passos definidos para começar: para lavar a louça ou a roupa, existe um conjunto claro e definido de passos que devem ser feitos, o que é visto como mais factível do que a tarefa prioritária. Isso faz com que seja mais fácil iniciar essas tarefas e provavelmente serve de justificativa para procrastinar como “Eu vou fazer isso primeiro e então eu vou estar mais disposto para fazer a tarefa prioritária”. (Você alguma vez já esteve “disposto” para lavar a louça ou calcular o imposto de renda?)
  3. Essas tarefas tem uma noção clara de progresso. Você consegue ver as roupas sendo lavadas com uma diminuição gradual do tempo e esforço remanescentes, uma certa contagem regressiva até que a tarefa esteja completa. Com muitas das tarefas prioritárias, mais de uma sessão de trabalho é necessária, como escrever uma tese, e possivelmente pode haver surpresas e dificuldades não antecipadas. Sendo assim, essa incerteza cria um sentimento de desconforto que faz com a pessoa resolva fazer uma tarefa menos prioritária- as vezes mesmo sabendo que está procrastinando.
  4. Existe um final claro. É fácil saber quando o trabalho está completo e pode ser riscado da lista de afazeres. Esse fato vem com um sentimento de satisfação ao ver a tarefa completada, mesmo com compromissos e outros problemas por fazer. Esse sentimento positivo é subestimado apesar do fato de que essas tarefas manuais não tendem a ser as mais existencialmente gratificantes. É bom sentir que as coisas estão sendo feitas. Devido às incertezas e variabilidades de muitas tarefas prioritárias, é difícil determinar um fim que você sinta que alcançou, ao menos comparado com as tarefas usadas para procrastinar.

Mesmo em casos em que há um prazo específico, como tema de casa e calcular impostos, existe uma incerteza de quanto de progresso será feito durante o tempo dedicado para a tarefa, o que da abertura para a fuga para uma tarefa com mais certeza. A certeza de um desfecho é mais desejável para o senso de eficiência de alguém. Sendo assim, as vezes 2h cortando a grama é preferível a passar 45 minutos trabalhando com impostos.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.psychologytoday.com/us/blog/rethinking-adult-adhd/202007/procrastivity-aka-sneaky-avoidance-and-adult-adhd-coping

 

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QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

QUAL O EFEITO NA FUNCIONALIDADE DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O TDAH?

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é um transtorno altamente prevalente afetando até cerca de 11% das crianças e 5% dos adultos. Ele está associado a altos níveis de prejuízo na capacidade funcional, incluindo a associação com outros transtornos psiquiátricos, dificuldades acadêmicas, acidentes domésticos e automobilísticos e ferimentos.

Evidências científicas têm demonstrado melhora significativa nos sintomas do TDAH com o uso de medicamentos estimulantes. Uma revisão sistemática e meta-análise com 40 estudos, publicada em 2020 no Journal of Psychiatric Research, buscou averiguar os efeitos do tratamento medicamentoso nos desfechos funcionais.

Essa revisão da literatura encontrou altos benefícios do uso de medicação, especialmente estimulantes, na diminuição do risco de comorbidade com transtornos de humor (depressão e bipolaridade), suicídio, criminalidade, acidentes e ferimentos, prejuízo na performance acadêmica, uso de substâncias e acidentes automobilísticos.

Ainda que alguns dos estudos tenham avaliado o uso de medicamentos não-estimulantes, a vasta maioria consistia de tratamento com estimulantes e nenhum estudo encontrou resultados para o uso isolado de não-estimulantes.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que o tratamento na infância com estimulantes poderia diminuir o risco de desenvolvimento de transtornos de humor na vida adulta bem como o desenvolvimento de transtornos de conduta em ambos os sexos.

Como os pesquisadores descrevem, os efeitos benéficos do uso de medicamentos eram mais proeminentes quando os pacientes eram aderentes  ao uso da medicação, ressaltando a importância de se trabalhar a adesão com os pacientes e a necessidade de se investigar ferramentas que melhorem a adesão ao tratamento.

Por fim, como os pesquisadores ressaltam, apesar dos efeitos protetivos observados com o uso de medicação, não é possível afirmar que o tratamento farmacológico seja o único fator influenciando nos desfechos funcionais. Além disso, foram encontrados resultados mistos na performance acadêmica, sugerindo que outros fatores além do TDAH (como habilidades cognitivas, transtornos de aprendizado, classe social e déficits nas funções executivas) possam exercer influência nesse desfecho.

Referência:
Boland H, DiSalvo M, Fried R, Woodworth KY, Wilens T, Faraone SV, Biederman J. A literature review and meta-analysis on the effects of ADHD medications on functional outcomes. J Psychiatr Res. 2020 Apr;123:21-30. doi: 10.1016/j.jpsychires.2020.01.006. Epub 2020 Jan 27. PMID: 32014701.

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CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TDAH SOFREM MENOS QUEIMADURAS QUANDO FAZEM USO DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO.

Qual será a relação entre TDAH e queimaduras?

De acordo com um estudo realizado em Taiwan, crianças e adolescentes com TDAH que fazem uso de medicação sofrem menos queimaduras que crianças e adolescentes com TDAH não medicados.

Essa relação a princípio parece fazer sentido: a desatenção pode ser um fator para a causa de acidentes.

Para realizar esse estudo, foram coletadas informações de um banco de dados de saúde nacional de Taiwan. Foram selecionados para a amostra indivíduos com menos de 18 anos com diagnóstico de TDAH (n=90.634) entre janeiro de 1996 e dezembro de 2013.

Os pesquisadores encontraram que:

Crianças e adolescentes com TDAH não medicados tinham um risco de 6,7% de sofrer queimaduras. Em contrapartida, aqueles que tinham recebido medicação por 3 meses ou menos tinham 4,5% de risco e aqueles que haviam recebido medicação por mais de 3 meses tinham um risco de 2,9%

Portanto, segundo os resultados, quando as crianças e os adolescentes eram tratados com medicação, havia uma queda no risco de queimaduras, sendo que aqueles que receberam ao menos 3 meses de medicação tiveram metade do risco daqueles que não receberam medicação.

Isso vai de encontro com pesquisas anteriores que sugeriram um link entre TDAH e maior tendência a sofrer acidentes, com esse link sendo especialmente maior para pacientes que não fazem uso de medicação.

Apesar de o desenho do estudo não ser capaz de mostrar relação de causa e efeito, parece plausível que o não uso de medicação aumente a incidência de queimaduras.

Esse estudo serve para ilustrar como o TDAH pode impactar a vida de uma pessoa, não só na sua saúde emocional como também na sua saúde física.

Comentário da curadoria do PRODAH:
Reforçando a ideia de que esse estudo não indica causalidade, lembrar que pais que buscam tratamento para o TDAH de suas crianças podem ser também pais que tem maior atenção aos seus filhos, incluindo aí os cuidados para evitar acidentes.

Artigo adaptado e traduzido de: https://blogs.psychcentral.com/adhd-millennial/2020/07/children-with-adhd-get-fewer-burns-when-they-receive-medication/

Referência:
Chen, V., Yang, Y., Yu Kuo, T., Lu, M., Tseng, W., Hou, T., . . . Gossop, M. (2020). Methylphenidate and the risk of burn injury among children with attention-deficit/hyperactivity disorder. Epidemiology and Psychiatric Sciences, 29, E146. doi:10.1017/S2045796020000608

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