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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

O TDAH É PARCIALMENTE GENÉTICO, PORÉM FATORES AMBIENTAIS EXERCEM INFLUÊNCIA

O TDAH É PARCIALMENTE GENÉTICO, PORÉM FATORES AMBIENTAIS EXERCEM INFLUÊNCIA

Assim como muitos transtornos psiquiátricos, o TDAH apresenta componentes genéticos e ambientais na sua gênese.

Ainda que não se saiba exatamente o quanto de influência esses fatores genéticos exercem, estudos têm demonstrado que o TDAH tem um alto componente genético e pode ser passado de uma geração para outra. Ter um pai ou irmão com TDAH aumenta significativamente o risco do indivíduo também apresentar TDAH.

Um estudo publicado na revista científica Neuropsychiatric Disease and Treatment encontrou numa amostra de 79 crianças com TDAH que 41,3% tinham mães com TDAH e 51% tinham pais com TDAH.

Outro estudo realizado em 2014 que avaliou 59,514 gêmeos encontrou que a heritabilidade do TDAH era de 88%.  “Uma vez que irmãos também compartilham um ambiente social, físico e de criação, isso por si só não prova causa genética mas potenciais causas ambientais compartilhadas”, diz Robert King, MD, psiquiatra de medicina de comportamento e desenvolvimento infantil.

O TDAH é provavelmente uma condição associada a múltiplos genes, diz King. Além disso o TDAH muitas vezes é comorbido com outros transtornos psiquiátricos que também apresentam influencia genética.

King diz que, além da genética, outros fatores podem predispor alguém a desenvolver TDAH e alguns desses fatores podem ser prevenidos. Alguns exemplos:

  • Fumar durante a gestação*: Uma meta-análise de 2018 com quase 3.000.000 participantes publicada na Pediatrics encontrou que crianças cujas mães fumaram durante a gestação tinham maior predisposição a desenvolver TDAH e o risco aumentava quanto maior a carga do fumo.
  • Prematuridade e baixo peso ao nascer: Pesquisas têm demonstrado que ambos os fatores contribuem para o desenvolvimento de TDAH. Uma meta-análise de 2017 publicada na Pediatrics encontrou uma correlação entre o parto pré-termo e o baixo peso extremo ao nascer com o desenvolvimento de TDAH. Vale ressaltar que esse trabalho mencionado pelo autor foi realizado por pesquisadores do PRODAH– responsável pelo FOCUS!
  • Trauma ou adversidade na infância: King diz que baixo status socioeconômico e violência domestica podem aumentar o risco de TDAH infantil.

O TDAH tem certamente algum componente genético, o que foi demonstrado ao longo de pesquisas, ainda que não haja um único gene específico associado a condição. Ainda assim, diversos fatores ambientais contribuem para o desenvolvimento do TDAH, sendo que alguns deles podem ser evitados.

Artigo adaptado e traduzido de: https://www.insider.com/is-adhd-genetic

*Curadoria científica do PRODAH: Vale lembrar que existe uma grande discussão entre pesquisadores em relação do papel do fumo na gestação no TDAH. Existe um fenômeno que chamamos de correlação gene-ambiente, ou seja, é possível que alguns dos fatores ambientais possam também ser determinados geneticamente. Por exemplo, sabe-se que indivíduos com TDAH fumam mais do que aqueles sem TDAH. Assim seria de se esperar que mães com TDAH fumem mais do que mães sem TDAH na gravidez. Assim, o efeito determinante do TDAH na criança poderia não ser do fumo mas sim dos genes de vulnerabilidade para o TDAH da mãe.

 

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TDAH NA ESCOLA | PSICOPEDAGOGIA E TDAH #1

Hoje começamos uma nova série no FOCUS: Psicopedagogia e TDAH, que vai abordar o TDAH na sala de aula, as dificuldades de aprendizagem associadas ao TDAH e como os professores podem auxiliar pessoas com essas dificuldades. Afinal, uma das áreas com maior impacto na vida dos pacientes é a escolar. Para falar disso convidamos as psicopedagogas Évelin e Camila, especialistas no tema.

A série será composta por 8 vídeos publicados semanalmente no nosso canal do Youtube com os seguintes temas:

1.  Apresentação – TDAH na Escola

2. Papel dos professores no TDAH

3. Leitura

4. Escrita

5. Matemática

6. Organização em sala de aula

7. Autoestima e feedback

8. Dicas de estudo para alunos com TDAH

Assista ao primeiro vídeo da série através do link: https://youtu.be/ZlKLoR3vTII

 

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PRODUTOS QUÍMICOS DESREGULADORES ENDÓCRINOS E A RELAÇÃO COM SINTOMAS DE TDAH NA ADOLESCÊNCIA

PRODUTOS QUÍMICOS DESREGULADORES ENDÓCRINOS E A RELAÇÃO COM SINTOMAS DE TDAH NA ADOLESCÊNCIA

Estudos científicos têm demonstrado que a exposição a agentes químicos desreguladores endócrinos pode estar associada ao TDAH. Esses produtos, como ftalatos e fenóis são amplamente utilizados em produtos de consumo, incluindo no processamento de alimentos, em embalagens e em produtos de higiene pessoal. Um estudo publicado no JAMA network examinou a exposição a esses químicos na adolescência e sua relação com sintomas de TDAH.

Foram coletados dados de 205 adolescentes participantes da New Bedford Cohort, uma coorte de nascimento prospectiva, entre junho de 2011 e junho de 2014. A idade média dos participantes era de 15,3 anos e a amostra era composta de 112 meninas e 93 meninos.

Foram coletadas amostras de urina e foram medidas as concentrações de químicos desreguladores endócrinos, como ftalatos, parabenos, fenóis e triclocarban. Os sintomas de TDAH foram avaliados através de instrumentos de avaliação validados na forma de checklist preenchidos por pais, professores e pelos próprios participantes.

Os pesquisadores encontraram que a cada aumento de 2x na concentração de ftalato na urina havia um aumento de 1,34 no risco de sintomas de TDAH, enquanto a cada aumento de 2x na concentração de diclorofenois havia um aumento de 1,15 no risco.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que a exposição a ftalatos e bisfenol A no período prenatal e logo após o nascimento estava relacionada ao aumento nos sintomas do TDAH. Porém esse foi o primeiro estudo que avaliou essa relação com a exposição durante a adolescência, um período crítico também para o neurodesenvolvimento.

Como os pesquisadores apontam, uma das limitações do estudo pode ser o potencial para causalidade reversa, uma vez que os sintomas de TDAH poderiam alterar os hábitos dietéticos e do uso de substancias dos participantes, sendo assim os responsáveis pela maior exposição dos participantes a esses químicos.  Porém, quando os pesquisadores controlaram a análise para esses fatores comportamentais, não houve alteração na associação.

Referência:

  • Shoaff JR, Coull B, Weuve J, et al. Association of Exposure to Endocrine-Disrupting Chemicals During Adolescence With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder–Related Behaviors. JAMA Netw Open.2020;3(8):e2015041. doi:10.1001/jamanetworkopen.2020.15041
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