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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

VÍDEOGAMES NÃO CAUSAM OU INTENSIFICAM SINTOMAS DE TDAH EM CRIANÇAS.

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Os jogos eletrônicos são frequentemente motivo de debate entre pais e educadores sobre seus potenciais malefícios para a saúde dos jovens. Em um mundo cada vez mais tecnológico, muitas dúvidas surgem sobre seus efeitos. Nesse contexto, um novo estudo da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega trouxe algum alívio: videogames não parecem aumentar os sintomas de TDAH, ansiedade ou depressão em crianças. “Nós não encontramos consequências negativas para crianças que passam mais tempo jogando”, disse o Professor Frode Stenseng.

Nesse estudo prospectivo, 791 crianças norueguesas foram avaliadas quanto ao tempo gasto com jogos eletrônicos e quanto a presença de sintomas de desordens psiquiátricas (de acordo com o DSM) aos 6, 8 e 10 anos de idade. Os pesquisadores não encontraram aumento de risco para sintomas psiquiátricos conforme o tempo gasto com jogos.

Contudo, crianças que apresentavam mais sintomas de TDAH aos 8 anos tendiam a gastar mais tempo com jogos aos 10 anos de idade. Os resultados mostraram que a grande quantidade de jogos não é prejudicial à saúde mental das crianças, porém crianças com baixa capacidade de autoregulação tendem a ser mais atraídas pelos jogos durante a infância.

Como os pesquisadores ressaltam, “as crianças com limitada capacidade de auto-regulação podem se sentir atraídas pelos jogos devido ao sentimento de controle que surge ao jogar, bem como aos sistemas de recompensa implementados nesses jogos”. Os jogos digitais podem fornecer um estado prazeroso ou um estado de escape, que se relaciona com estreitamento cognitivo, auto-consciência reduzida e afeto negativo diminuído. Esse estado de imersão pode ser valorizado por crianças com altos níveis de auto-crítica negativa, o que é frequentemente encontrado em crianças com TDAH.

“Crianças com TDAH recebem frequentemente avaliações negativas por parte de professores, pais e colegas. Eles escutam que devem prestar atenção, ouvir e cooperar com os outros. Mas nos jogos eles podem experimentar maestria de acordo com os próprios termos”, afirma Beate W. Hygen, pesquisador sênior na NTNU. “ Muitos jogos são desenhados de forma que você avance rapidamente e se torne melhor no jogo enquanto está sendo desafiado. Isso pode levar a altos níveis de maestria”.

Em muitos jogos, várias coisas acontecem simultaneamente em um curto espaço de tempo. Você passa de uma situação a outra rapidamente. Nesses jogos, pode não ser necessariamente uma desvantagem ter dificuldade em se concentrar em uma única coisa por longos períodos.

O fato de as crianças com TDAH jogarem mais pode também ter uma causa social. “ Jogos eletrônicos são uma atividade social entre muitas crianças, e gamers frequentemente operam em códigos sociais ligeiramente diferentes do comum” diz Hygen.  Muitos gamers tem um senso de comunidade e crianças com dificuldades de fazer amigos podem encontrar amigos no mundo virtual. “ Se você tem alguma dificuldade social, pode ser mais fácil conhecer pessoas online do que no mundo real, uma vez que você é julgado de forma diferente. Nos jogos você encontra pessoas com interesses similares e todo mundo tem o mesmo objetivo – o jogo”, diz Hygen.

Muitos jogos também fornecem a oportunidade para praticar habilidades sociais. Fortnite e Counter-Strike são bons exemplos- as pessoas trabalham em times e dependem de planejamento, tomada rápida de decisões e boa comunicação durante situações de estresse.

Videogames podem ser uma forma de escape da realidade, e não há necessariamente um problema com isso, desde que os outros aspectos da vida não estejam sendo negligenciados. Apesar de não ter sido encontrado uma relação entre o tempo de jogo com o risco de desenvolver sintomas de TDAH, como os proprios pesqusiadores ressaltam “ é importante encontrar fatores de risco que tornem algumas crianças mais vulneráveis a desenvolver padrões patológicos de uso de jogos eletrônicos, incluindo tempo excessivo, para que essas crianças sejam protegidas da adição a jogos e outros problemas resultantes dela”.
 

Artigo adaptado de:https://www.news-medical.net/news/20200327/Video-games-do-not-cause-or-intensify-ADHD-symptoms-in-children.aspx

Referência:
The Norwegian University of Science and Technology (NTNU)
Journal reference:
Stenseng, F., et al. (2020) Time spent gaming and psychiatric symptoms in childhood: cross-sectional associations and longitudinal effects. European Child & Adolescent Psychiatry. doi.org/10.1007/s00787-019-01398-2.
https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs00787-019-01398-2

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