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PESQUISADORES USARAM IMAGENS DO CÉREBRO PARA PREVER O DESENVOLVIMENTO DE TDAH E DE DEPRESSÃO EM CRIANÇAS

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Post Series: Infância & Adolescência

Dentre as áreas do cérebro mais importantes para se entender saúde mental está o córtex pré-frontal, responsável pela regulação da cognição e das emoções.
Atualmente, sabe-se que alterações no padrão de regulação e de conexão neuronal no córtex pré-frontal estão presentes em algumas doenças mentais, como depressão, ansiedade e TDAH. Portanto, identificar alterações no padrão de conexão antes do desenvolvimento dos sintomas poderia ser um marcador de risco para o aparecimento desses transtornos.

Pensando nisso, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley publicaram recentemente um estudo mostrando que, de fato, estudos de neuroimagem poderiam ser uteis para predizer crianças com potencial risco para desenvolver TDAH ou depressão.

Ao todo, 94 crianças de 7 anos de idade participaram do estudo e foram acompanhadas durante 4 anos até os 11 anos de idade, entre 2010 e 2013.

As crianças foram submetidas a um exame de ressonância magnética funcional em repouso e ao questionário “Child behavior checklist” ou CBCL, um questionário respondido pelos pais que avalia diversos aspectos do comportamento infantil.

Ao final do estudo, os pesquisadores avaliaram a evolução das imagens e do questionário e puderam encontrar uma associação entre os padrões de conexão neuronal na ressonância aos 7 anos de idade e os sintomas de atenção ou depressão aos 11 anos.

Como os pesquisadores ressaltam, esses achados estendem o uso da neuroimagem na identificação de risco de psicopatologias para uma amostra de crianças mais representativa da população, uma vez que a maioria das crianças (77) não apresentava risco conhecido para desenvolver psicopatologias.

É importante lembrar, contudo, que a conectividade funcional no estado de repouso, apesar de refletir ativações habituais da rede neural, pode ser remodelada por intervenções comportamentais e farmacológicas de longo prazo e até breves. Isso torna os achados mais promissores, visto que a identificação de crianças com risco poderia indicar estratégias de intervenção com verdadeiro potencial preventivo.

 

Referência:
Association of Intrinsic Brain Architecture With Changes in Attentional and Mood Symptoms During Development

Susan Whitfield-Gabrieli, PhD1,2,3; Carter Wendelken, PhD1,4; Alfonso Nieto-Castañón, PhD2; et alStephen Kent Bailey, PhD5; Sheeba Arnold Anteraper, PhD2,3; Yoon Ji Lee, BA2; Xiao-qian Chai, PhD6; Dina R. Hirshfeld-Becker, PhD7; Joseph Biederman, MD7,8; Laurie E. Cutting, PhD5; Silvia A. Bunge, PhD1 JAMA Psychiatry. Published online December 26, 2019. doi:10.1001/jamapsychiatry.2019.4208


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