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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

A CRIATIVIDADE DO TDAH

A CRIATIVIDADE DO TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade (TDAH) é tipicamente descrito pelos problemas que apresenta. É conhecido como um distúrbio do neurodesenvolvimento, marcado por distração, impulsividade e hiperatividade marcadas, que geralmente começa na infância e pode persistir nos adultos. E, de fato, o TDAH pode ter consequências negativas para o desempenho acadêmico, o desempenho no emprego e as relações sociais.

Mas o TDAH também pode trazer uma vantagem: a capacidade de pensar de forma mais criativa. Três aspectos da cognição criativa são: o pensamento divergente, a expansão conceitual e a superação das restrições do conhecimento. O pensamento divergente, ou a capacidade de pensar em muitas ideias a partir de um único ponto de partida, é uma parte crítica do pensamento criativo. Pesquisas anteriores estabeleceram que indivíduos com TDAH são excepcionalmente bons em tarefas de pensamento divergente, como inventar novos usos criativos para objetos do cotidiano e criar novos recursos para um dispositivo inovador de telefone celular. Em uma nova pesquisa, estudantes universitários com TDAH pontuaram mais do que os não-TDAH em duas tarefas que exploraram a expansão conceitual e a capacidade de superar restrições de conhecimento. Juntamente com pesquisas anteriores, essas novas descobertas ligam o TDAH a todos os três elementos do trio de cognição criativa.

O conhecimento prévio pode ser um obstáculo para a criatividade. Quando olhamos para um modelo ou exemplo anterior de inspiração, podemos ficar presos: os designers se referem a isso como “fixação”. Na pesquisa de geração criativa, quando os participantes recebem exemplos antes de uma tarefa que exige que inventem algo novo, como um novo brinquedo, suas invenções tendem a incorporar aspectos dos exemplos – e, portanto, são menos inovadores. A capacidade de superar as informações apresentadas recentemente é essencial para o pensamento criativo.

Evidências sugerem que o TDAH pode oferecer alguma proteção contra os efeitos restritivos do conhecimento. Em um estudo com adolescentes, um grupo com TDAH foi comparado a um grupo de pares sem TDAH em uma tarefa de invenção de brinquedos. Foi mostrado primeiro aos participantes um conjunto de brinquedos que compartilhavam características específicas (por exemplo, uma bola), então pediu-se para inventar brinquedos novos que eram muito diferentes de quaisquer brinquedos existentes. Os brinquedos inventados pelo grupo de TDAH incluíam menos elementos dos exemplos de tarefas em comparação aos brinquedos criados pelo grupo sem TDAH.

À primeira vista, a não-conformidade e a expansão conceitual podem não parecer muito impressionantes. Mas, no contexto da inovação criativa, uma pequena mudança pode desbloquear um avanço. Pegue a agulha de costura, por exemplo. O design básico (olho no final cego para segmentação) remonta aos nossos ancestrais Denosoyan, pelo menos 50.000 anos atrás. Então, no início dos anos 1800, o inventor Balthasar Krems virou esse projeto de cabeça para baixo ao criar a primeira agulha de olhos do mundo – que pavimentou o caminho para a máquina de costura.

O TDAH pode criar dificuldades para os indivíduos em muitos contextos que exigem atenção focalizada e sustentada – como a escola, na qual se espera que os alunos fiquem parados e prestem atenção. Por outro lado, a mesma distração e mente caótica podem dar às pessoas com TDAH uma vantagem quando se trata de pensamento criativo e original.

Fonte:
Scientific American, em 05 de Março, de 2019, por Holly White, pesquisador do Departamento de Psicologia da Universidade Ann Arbor, de Michigan

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6 DICAS PARA MAXIMIZAR A PRODUTIVIDADE QUANDO VOCÊ TEM TDAH

6 DICAS PARA MAXIMIZAR A PRODUTIVIDADE QUANDO VOCÊ TEM TDAH

Para quem tem TDAH é difícil manter a concentração e organização. Mesmo assim, é possível ter alto desempenho preparando-se adequadamente. Isso é uma boa notícia, considerando que as taxas de diagnóstico de TDAH estão aumentando em todo o mundo. O Washington Post relatou, no final de 2018, que a taxa de TDAH na infância cresceu 10% nas duas décadas anteriores. Autores do estudo não puderam determinar uma causa específica para o aumento, mas apontaram para possíveis fatores como melhorias na tecnologia médica para o diagnóstico da doença e redução do estigma em torno do reconhecimento do distúrbio.

Se você se preocupa que seu TDAH afeta sua produtividade, considere as seguintes dicas para limitar as distrações em sua própria vida e aumentar seu foco.

  1. Reconheça que seu cérebro é único

O que funciona para você pode não funcionar para outra pessoa e vice-versa. Se uma dica específica não funcionar para você, não se preocupe. Use o que o ajuda – não tente forçar. A Axiom Learning, uma empresa de educação fundada por ex-alunos da Universidade de Harvard, sugere que programas individualizados são a tática mais eficaz para a assistência ao TDAH.

  1. Mova-se agora para se concentrar mais tarde

Tem uma reunião ou uma aula? Mova-se agora para liberar parte da energia que pode causar inquietação. O exercício cardiovascular, por si só, por 20 a 45 minutos pode aumentar a atenção, segundo Aisha Simon, a responsável chefe acadêmica da empresa Learning Efficiency.

  1. Externalize seu esforços com aplicativos – use Apps para ajudá-lo na sua organização

De aplicativos de auxílio-sono a ferramentas de calendário, os produtos de automação acabaram sendo de grande ajuda para as pessoas que têm problemas em realizar tarefas. Alguma sugestões como, Sleep Cycle, que detecta em qual fase do sono se está, Google calendário ou Calendars 5, organizador de datas, Asana, para lista de afazeres e projetos, Slack, para comunicação com a equipe, são alguns Apps sugeridos pela Revista Additude Magazine.

  1. Termine com a procrastinação pela “regra dos dois minutos”

James Clear, autor de Atomic Habits, escreveu no Lifehack sobre a regra de dois minutos: se uma tarefa levar menos de dois minutos, faça isso agora mesmo! Isso evita que pequenas tarefas se acumulem e criem uma lista de tarefas intermináveis.

  1. Tome notas à mão, não eletronicamente

Quando se trata de foco e memória, papel e caneta são mais eficientes. Os pesquisadores Pam Mueller e Daniel Oppenheimer sugerem que os alunos que escrevem notas no papel aprendem melhor do que os alunos que escrevem anotações em um computador.

  1. Procure conseguir um sono de qualidade

A revista Psychology Today relatou que pessoas com TDAH têm taxas mais altas de insônia, privação de sono e outros problemas semelhantes.

Defina uma rotina de sono: não coma por algumas horas antes de dormir, não assista televisão ou jogue jogos na cama. Deixe seu cérebro associar sua cama ao descanso.

Fonte:

Traduzido e adaptado de texto de Peter Daisyme, publicado no Entrepreneur.

Disponível em: https://www.entrepreneur.com/article/329259 . Acesso em 04 de março de 2019.

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MENINAS, MULHERES E TDAH: POR QUE O TRANSTORNO É TÃO DIFERENTE NAS GAROTAS?

MENINAS, MULHERES E TDAH: POR QUE O TRANSTORNO É TÃO DIFERENTE NAS GAROTAS?

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade não se manifesta da mesma forma em meninos e em meninas. As mulheres com TDAH tendem a ser menos hiperativas e impulsivas, mas mais desorganizadas, dispersas, esquecidas e introvertidas.1

Ainda, meninas têm mais chance de desenvolverem desordens associadas, incluindo ansiedade, depressão, bipolaridade ou transtorno de conduta – e, mesmo assim, têm menos chance de serem encaminhadas para avaliação e tratamento.2

Mas, por que isso acontece?

Mulheres e meninas têm menos chance de serem diagnosticadas porque, tradicionalmente, as linhas gerais utilizadas para avaliação focavam em meninos e homens. Na obra Understanding Girls with AD/HD, a coautora Ellen Littman, Ph.D, explica como as pesquisas iniciais eram voltadas a meninos hiperativos e brancos, sendo que apenas 1% dos estudos se voltavam às meninas.3 Como garotas manifestam sintomas de formas diferentes dos garotos, o que aconteceu?

Os meninos passaram a ter uma chance 3x maior de serem diagnosticados com TDAH.

A pesquisadora e educadora Jane Adelizzi, Ph.D, diz que meninas com TDAH tendem a ser altamente negligenciadas pelos estudos, porque a hiperatividade geralmente não está presente nelas.

Garotas estão mais propensas a serem portadoras do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade com predomínio de desatenção. Por isso, meninas têm grandes chances de não serem corretamente diagnosticadas, levando os problemas da desordem pelo resto da vida sem tratamento.

“Meninas sem tratamento para TDAH correm risco de baixa autoestima crônica, desempenho insuficiente, ansiedade, depressão, gravidez na adolescência e vícios”, diz a psicóloga Kathleen Nadeau, Ph.D.

“Quando adultas, aumentam os riscos de divórcio, crises financeiras, desistência dos estudos, desemprego, abuso de substâncias, transtornos alimentares e estresse constante devido à dificuldade de administrar as demandas da vida cotidiana”, explica Nadeau.4

O fator hormonal

Mulheres e garotas que já passaram pela puberdade têm flutuações mensais nos níveis de estrogênio, progesterona e testosterona. Estes hormônios sexuais têm um papel fundamental na reprodução, na sexualidade, nas emoções e na saúde em geral. Mas, de acordo com os pesquisadores Ronit Haimov-Kochman e Itai Berger, a maioria dos estudos considerou tais flutuações como algo a ser controlado – ou até ignorado – ao focar exclusivamente em homens.

Agora, cientistas estão começando a aprender sobre a possível conexão entre TDAH e hormônios – especialmente os hormônios sexuais. Muitos especialistas já suspeitavam da relação. Afinal de contas, há muitas pesquisas sobre como diferentes níveis de estrogênio afetam o humor e o comportamento das mulheres ao longo da vida. Porém, não há evidências suficientes de que hormônios estejam ligados ao TDAH – não porque não haja ligação, mas porque ainda não há estudos suficientes sobre o tema.5

Contudo, um número crescente de estudos mostra que os hormônios sexuais têm um papel de regulação da comunicação entre células cerebrais e podem afetar a função executiva negativamente. Em vez de controlar estas flutuações, os doutores Haimov-Kochman e Berger sugerem que novas pesquisas sejam realizadas, focando nas alterações e nas combinações dos hormônios e das suas influências nas emoções e função executiva, para compreender o papel dos hormônios no TDAH.

O sistema endócrino é compreendido por múltiplas glândulas que produzem diferentes tipos de hormônios. É um sistema interconectado que age de forma lenta com impactos duradouros.

“A investigação do papel do estrogênio, da progesterona e outros esteroides sexuais tem o potencial de gerar diagnósticos inovadores e melhores, além de tratamentos capazes de mudar o curso de desordens cognitivo-comportamentais, como o TDAH”, afirmam Haimov-Kochman e Berger.2

O que posso fazer desde já?

A Dra. Patricia Quinn, autora de AD/HD in Women: Do We Have the Complete Picture?6, sugere que meninas e mulheres com TDAH reconheçam que as mudanças hormonais periódicas podem ter um impacto significativo nos sintomas do TDAH. Para que você identifique as influências hormonais no transtorno, mantenha um diário dos ciclos menstruais e dos sintomas do TDAH. Compartilhe estas informações com seu médico e terapeuta para otimizar seu tratamento.

Muitas meninas e mulheres passam por grandes desafios relacionados ao TDAH, seja pela dificuldade do diagnóstico ou pela administração dos sintomas. Reconheça que o TDAH é uma desordem no cérebro com evidência crescente sobre o impacto dos hormônios. Dedique um tempo para educar sua filha ou a si mesma. Encontre bons profissionais de saúde que estejam aptos a prover os melhores tratamentos para os seus sintomas individuais.

1 IT’S DIFFERENT FOR GIRLS WITH ADHD. THE ATLANTIC. Disponível em: https://www.theatlantic.com/national/archive/2013/04/its-different-girls-adhd/316674 . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

2 HORMONAL FLUCTUATIONS AFFECT WOMEN’S ADHD SYMPTOMS. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/Understanding-ADHD/About-ADHD/ADHD-Weekly/Article.aspx?issue=d2017-08-03&id=367 . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

3 YOUNG WOMEN WITH ADHD. ATTENTION CHADD. Disponível em:   http://drellenlittman.com/secret_life_of_girls_with_adhd.pdf . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

4 ADHD: A WOMEN’S ISSUE. AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Disponível em: http://www.apa.org/monitor/feb03/adhd.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

5 THE LINK BETWEEN HORMONES AND ADHD. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/hormones-adhd-connection#1 . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

6 AD/HD in Women: Do We Have the Complete Picture?. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/LinkClick.aspx?fileticket=-tHjnQjXheY%3D . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

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