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PROBLEMAS PARA FICAR PARADO? Estudos concluem que movimentar-se pode ajudar na concentração

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Post Series: TDAH & Cérebro

Sente-se. Fique quieto um pouquinho. Pare de correr. Pais e professores conhecem estas ordens muito bem. Principalmente, pais de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).

Contudo, novos estudos têm desafiado a noção de que estas ordens são necessárias – ou até mesmo corretas. Se você acha que seu filho/aluno precisa ficar imóvel para prestar atenção ou aprender, estas pesquisas podem lhe interessar.

Em 2015, investigadores do University of Mississippi Medical Center1 levantaram a hipótese de que a hiperatividade, nas crianças com TDAH, não é causadora de problemas de aprendizado, pelo contrário.

O estudo buscava compreender a hiperatividade como um “comportamento compensatório” e mostrou como a irriquietação pode ser uma solução encontrada pelo cérebro para colaborar na concentração.

No mesmo ano, pesquisadores da Florida State University (FSU)2 tentaram compreender esta questão. A equipe investigou se as crianças com o transtorno recorriam ao movimento com o intuito de otimizar determinadas funções cerebrais.

O estudo foi pequeno, com 25 crianças entre 8 e 12 anos. Elas precisavam lembrar breves listas de números e letras e organizá-las em ordem alfabética e numérica.

Em alguns testes, os pesquisadores avisavam às crianças quantos itens precisariam lembrar e organizar. Em outros, não avisavam. As crianças se mexiam 25% a mais quando não sabiam o que encontrariam pela frente.

Michael Kofler, líder do estudo da FSU, é diretor do Children’s Learning Clinic, no Departamento de Psicologia da Florida State University. Ele explica3 que a hiperatividade pode ter um propósito: “é o movimento que ajuda no funcionamento do cérebro”, conclui ele.

O movimento ao qual Kofler se refere é bater pés, mãos, levantar-se no meio das tarefas e muitos outros comportamentos característicos do TDAH, que os adultos frequentemente veem como um problema para o aprendizado dos pequenos. Por isso, estes adultos se dedicam a encontrar maneiras de parar as crianças.

O problema, diz Kofler, é que, para estas crianças, “a concentração só é possível se elas não ficarem paradas”.

“Nosso estudo descobriu que crianças com TDAH lembram mais e processam mais informações quando estão se movendo”, explica o professor, que demonstra que este recurso não é limitado a crianças com TDAH.

“Na próxima vez em que você estiver em uma longa reunião, observe como as pessoas se comportam após 1h, movendo-se em suas cadeiras ou se levantando. É isso que fazemos ou acabamos apelando para uma xícara de café, com o objetivo de obtermos essa compensação mental. Acreditamos que o mesmo ocorre com crianças com TDAH. Por isso, estamos tentando mensurar este comportamento.”

O pesquisador explica que esta maneira de compreender a hiperatividade pode colaborar na forma com que professores e pais lidam com a questão. “Não estamos falando de mudanças radicais no ensino. O que pode ser feito é apenas aliviar um pouco as ordens para ficar quieto no lugar ou até mesmo ressignificar quais abordagens funcionam nestes casos.”

Kofler finaliza lembrando que a velha máxima, “cada um tem uma forma de aprender”, ganha um novo sentido quando falamos de crianças com TDAH.

Não é nada incomum vermos a capacidade de executar várias tarefas simultaneamente como algo digno de elogios. Porém, para crianças e adultos diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, o oposto é verdade.

Quando discutimos a irriquietação, não estamos falando sobre realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, mas sim sobre se mover enquanto realiza uma tarefa. A irriquietação efetiva não distrai o indivíduo de sua tarefa principal, porque não divide o foco ou exige pensamento sobre a atividade.

Veja abaixo alguns movimentos considerados irriquietação efetiva:

1 – Caminhar enquanto fala

2 – Desenhar enquanto escuta

3 – Utilizar diferentes canetas coloridas ao escrever

4 – Manter as mãos ocupadas

5 – Ouvir música

6 – Mastigar chicletes

7 – Levantar-se e alongar-se durante tarefas

Administrar os sintomas do TDAH envolve reconhecer escolhas e atitudes, mas também compreender o que está ocorrendo no cérebro dos pacientes.

A partir disso, estratégias eficientes poderão ser aceitas com mais liberdade – é isso que está por trás da abordagem da irriquietação, diz Michael Koefler.

Fontes

1 SARVER D, et al. Hyperactivity in Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder (ADHD): Impairing Deficit or Compensatory Behavior?. Journal of Abnormal Child Psychology 3(7). Abril, 2015. DOI: 10.1007/s10802-015-0011-1. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/274902466_Hyperactivity_in_Attention-DeficitHyperactivity_Disorder_ADHD_Impairing_Deficit_or_Compensatory_Behavior>. Acesso em: 03 de janeiro de 2019.

2 KOFLER M, et al. Working Memory and Increased Activity Level (Hyperactivity) in ADHD: Experimental Evidence for a Functional Relation. Journal of Attention Disorders 1-15. 2015. DOI: 10.1177/1087054715608439. Disponível em: <https://psy.fsu.edu/clc/Publications/CLC_Kofler%20et%20al.%20(2016).pdf>. Acesso em: 03 de janeiro de 2019.

3 FIDGETING AND ADHD: HOW MOVEMENT AIDS LEARNING. C8 SCIENCES. Disponível em: <https://www.c8sciences.com/fidgeting-and-adhd-how-movement-aids-learning/>. Acesso em: 03 de janeiro de 2019.

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