skip to Main Content

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO PARA TDAH: estudo aponta fatores capazes de prever a aderência das crianças

700 Tratamento Medicamentoso Para TDAH Estudo Aponta Fatores Capazes De Prever A Aderência Das Crianáas
Post Series: TDAH & Cérebro

Existem fatores capazes de prever a aderência ao tratamento medicamentoso para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)? Um estudo de coorte prospectivo e longitudinal1 tentou responder esta questão ao examinar diversas características demográficas e clínicas de pais, pacientes e pediatras.

Os pesquisadores, do Cincinnati Children’s Hospital, sugerem que há três fatores2 que podem influenciar na aderência ao tratamento durante os primeiros 90 dias:

– a crença dos pais sobre TDAH;

– a satisfação dos pais com a informação recebida pelo médico sobre a medicação;

– a capacidade da medicação de reduzir os sintomas.

Estes três fatores variam significativamente daqueles que preveem a aderência em longo prazo, apontou o estudo. Foram dois os principais elementos encontrados, capazes de prever aderência ao tratamento medicamentoso para além de 90 dias:

– a aceitação da criança à medicação;

– a diferença na percepção dos pais entre necessidade de tratamento e preocupação com a medicação.

Ainda, os pesquisadores notaram uma correlação negativa entre a criança não se sentir bem com a medicação e sua aderência em longo prazo.

Este estudo sugere que pediatras podem garantir a aderência em curto prazo para uma nova medicação para o TDAH. Isso é feito com uma boa capacidade de informar os pais e com o ajuste das doses rapidamente para minimizar os efeitos colaterais, ao mesmo tempo em que os sintomas do transtorno são reduzidos.

Em longo prazo, a pesquisa sugere que os pediatras têm um impacto menor na garantia da aderência ao tratamento medicamentoso. Mesmo assim, eles podem ajudar ao acompanharem seus pacientes com frequência.

As 89 crianças que participaram do estudo moravam na área da cidade de Cincinnati e foram analisadas entre 2010 e 2013. Todas falavam inglês e tinham entre 6 e 10 anos quando receberam seus primeiros diagnósticos e não tinham recebido tratamento medicamentoso previamente. Os pacientes e os pais completaram uma avaliação de base que incluía pesquisas e testes, que foram repetidos em três meses.

Antes do estudo, os pais completaram pesquisas sobre suas crenças com relação ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade e comentaram sua percepção sobre o pediatra e a informação dada pelo profissional de saúde na visita inicial.

Os pais também avaliaram o grau de alfabetização e conhecimento de aritmética de seus filhos, sofrimento psicológico, qualidade de vida, comportamento e sintomas ligados ao transtorno. A relação dos pais com o pediatra também foi avaliada.

Ao final do estudo, uma tabela de revisão avaliou o número de visitas ao pediatra e as prescrições para cada paciente, bem como qualquer mudança na dose da medicação durante os três primeiros meses de tratamento. Ainda, a qualidade e a frequência do monitoramento.

A aderência durante o resto do estudo não foi prevista por fatores de base, levando os pesquisadores a determinar que a aderência estava sujeita a percepções variáveis sobre a medicação e sobre as experiências com o tratamento – tanto dos pais quanto das crianças.

Aderência na adolescência: sigilo e respeito necessários

Em 2016, uma revisão por Frank et al3 identificou 41 estudos que apontavam razões para a aderência à medicação para o TDAH. Todos os estudos foram publicados entre 1994 e 2014 e examinaram a aderência em longo prazo (acima de um ano) em crianças, adolescentes ou adultos.

As razões mais comuns apontadas para a má aderência ao tratamento seriam:

– desejo próprio/remissão/não precisavam de medicação (19,9%);

– retirada de consentimento (16,2%)

– efeitos colaterais (15,1%)

– baixa redução de sintomas (14,6%).

A percepção dos adolescentes sobre o estigma associado ao TDAH teve impacto na aderência ao tratamento. Também, doses múltiplas da medicação, envolvendo doses durante o período escolar, foram apontadas como causa de vergonha nos estudantes com o transtorno.

Os médicos, então, devem considerar a duração da ação do medicamento ao prescrevê-lo. Por exemplo, fórmulas de liberação prolongada podem ter a vantagem de prover cobertura durante todo o dia, eliminando a necessidade de tomar o remédio enquanto o paciente estiver na escola. Isso torna o tratamento mais privado e evita o estigma associado ao ato de tomar remédios, portanto, ajudando na aderência ao tratamento4.

Fonte:

1 BRINKMAN WB et al., 2018. Predictors of Medication Continuity in Children With ADHD. Pediatrics. 2018 Jun;141(6). pii: e20172580. doi: 10.1542/peds.2017-2580. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29794230>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

2 TAKING MEDS FOR ADHD: WE FINALLY KNOW WHAT PREDICTS ADHERENCE IN KIDS. MEDSCAPE. Disponível em: <https://www.medscape.com/viewarticle/902603>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

3 FRANK E et al. Examining why patients with attention-deficit/hyperactivity disorder lack adherence to medication over the long term: a review and analysis. J Clin Psychiatry 2015; 76: e1459-e1468. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26646041>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

4 ADHERENCE TO TREATMENT. ADHD INSTITUTE. Disponível em: <https://adhd-institute.com/disease-management/pharmacological-therapy/adherence-to-treatment/>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

Compartilhe com seus amigos!
Back To Top