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TDAH E GANHO DE PESO: UMA REALIDADE COMUM, MAS COM SOLUÇÕES AO SEU ALCANCE

1800 TDAH E Ganho De Peso Uma Realidade Comum, Mas Com Soluções Ao Seu Alcance
Post Series: TDAH & Cérebro

Se você ou seu filho foram diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), você pode estar tomando alguma medicação para ajudar em questões como foco, atenção e hiperatividade. Porém, o tratamento também tem efeitos positivos sobre o seu peso1.

O simples fato de você ter TDAH já pode ser considerado um fator para ganho de peso. Isso ocorre por diversos fatores que veremos hoje, como incapacidade de controlar impulsos, sono ruim, usar comida como estímulo, dentre outros elementos.

John Fleming e o sobrepeso no TDAH

É difícil falar de TDAH e peso sem tocar no nome do psicólogo John Fleming, Ph.D. Ele foi um dos primeiros pesquisadores a ligar o transtorno ao ganho de massa.

Em 1990, Fleming conduziu um estudo com pessoas que não conseguiam emagrecer e descobriu que os indivíduos com TDAH apresentam “hábitos alimentares desordenados, sem refeições planejadas e uma inabilidade de seguir planos ou dietas.”2

Em artigo, o próprio doutor explica seus achados ao longo de anos de pesquisa. Ele diz que este sobrepeso não tem uma idade certa para ocorrer e que os porquês deste aumento também são variáveis de acordo com a época da vida3.

“Alguns dos pacientes começam a ter problemas de peso já na infância (geralmente, aqueles com sintomas de TDAH mais severos), alguns na adolescência, já que esta fase exige avaliações escolares elevadas ou autorregulação para lidar com suas habilidades. Ainda, enquanto adultos, porque os desafios da maturidade entram em choque com a capacidade de administrar compromissos, sono e outras coisas. Comer se torna uma forma de gerenciar a ansiedade, a fadiga, a inquietude interna frente ao sentimento de monotonia etc.”

Dr. Fleming explica como o TDAH impacta no peso e a importância do tratamento medicamentoso, algo que veremos logo abaixo.

“Por exemplo, quando o IMC é 40 ou mais (o que significa que a pessoa pesa o dobro do que as tabelas dizem que ela deve pesar), a chance de que o TDAH seja a causa deste excesso, ou até da impossibilidade de perder peso, é algo como 32%. No campo pediátrico, é hoje claro que as crianças com TDAH, de todas as idades, são mais pesadas do que seus colegas. Crianças obesas se tornam adolescentes obesos, que se tornam adultos obesos com sérios riscos de problemas de coração, hipertensão, artrite, diabetes e apneia. Já provamos que medicamentos para o TDAH, em crianças acima do peso e adultos de todas as idades que foram diagnosticados com o transtorno, resultam em perda de peso significativa, que prossegue para além de um ano.”

Medicamentos para TDAH e peso

Elaine Taylor-Klaus, coach especializada no tratamento de TDAH, reforça4 que as medicações para o transtorno são criadas para redirecionar este “grande apetite” que os portadores do transtorno têm não apenas por comida, mas também por várias questões da vida em geral.

Mas, Taylor-Klaus diz observar dois padrões de comportamento que surgem a partir disso:

1 – Ingestão demasiada de alimentos após efeito da medicação

Muitos pacientes tomam a medicação pela manhã e passam o dia sem sentir fome. O corpo, por falta de nutrientes e de combustível, acaba entrando no chamado modo de inanição. À noite, quando o efeito do remédio passa, a fome surge avassaladora. É o cérebro avisando que é melhor comer tudo agora, porque pode não haver mais chance de fazê-lo depois. É aqui que pacientes, mesmo com medicação, ganham peso.

2 – Fome inexistente

Outros pacientes simplesmente nunca sentem fome. Não há vontade de comer e, principalmente no caso das crianças, os pais podem ficar preocupados com a perda de peso.

Outro elemento importante a ser mencionado é que algumas pessoas com TDAH também tomam antidepressivos. Alguns antidepressivos já foram ligados ao ganho de peso. Converse com seu médico a respeito de doses, horários de medicação e remédios para desordens coocorrentes, aquelas que acontecem juntamente com o TDAH.

Outras razões para você estar acima do peso

Pessoas diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade tem até cinco vezes mais chance de estarem acima do peso em comparação a pessoas sem o transtorno1. Vamos ver algumas causas para que isso ocorra?

– Dificuldade de controlar impulsos: indivíduos diagnosticados com TDAH têm ainda mais dificuldade de resistir a um pedaço de pizza ou bolo. Indivíduos com o transtorno podem ter até cinco vezes mais chance de desenvolverem o transtorno alimentar chamado Bulimia, que leva à ingestão desenfreada de alimentos em um curto período de tempo.

– A conexão da dopamina: este químico cerebral pode estar em parte ligado ao consumo exagerado de alimentos no TDAH. A dopamina é parte do seu sistema de recompensas no cérebro. É o químico que gera um bem-estar e uma sensação de estar satisfeito após comer algo gostoso. Pessoas com TDAH têm níveis baixos de dopamina. Na realidade, as drogas estimulantes usadas no tratamento aumentam estes níveis. Talvez, seja por isso que você sinta mais vontade de comer biscoitos, pães e bolos – porque os carboidratos refinados nestes alimentos geram grande liberação de dopamina no cérebro.

– Hábitos alimentares: muitos sintomas do TDAH podem estar prejudicando seus hábitos. Se você não consegue planejar suas refeições, pode ser muito mais difícil preparar alimentos corretos quando a fome chega. Neste caso, você pode acabar optando por rápidos pratos cheios de junk food.

A falta de foco pode ser um problema na hora de escolher alimentos nutritivos no restaurante ou no supermercado – ou até mesmo na hora de preparar uma refeição saudável em casa. Já a falta de atenção, pode impedi-lo de perceber quando você está satisfeito.

O estresse, é claro, pode lhe levar a comer movido por emoções. Por último, a monotonia pode ser a causa de um dos mais preocupantes padrões para quem precisa perder peso: comer para passar o tempo.

– Hiperatividade e gasto energético: nada mais comum do que ligarmos o TDAH ao movimento constante. Afinal, pessoas hiperativas nunca param e devem ser muito magras, certo? Nem sempre. Primeiramente, porque nem todos os pacientes do transtorno são hiperativos. Em segundo lugar, este excesso de energia pode levar ao consumo excessivo de alimentos.

O que fazer para controlar o peso?

Hiperatividade: se a hiperatividade é o seu problema, use esta energia extra para se exercitar. Comprometa-se a comer apenas após alguma atividade física. Caminhadas, yoga, dança, tudo vale, desde que gaste o excesso de energia e lhe dê algum tipo de prazer. Se exercícios longos lhe geram monotonia, não faça. Escolha sessões mais curtas, de 10min ou 15min para que você consiga concluir com satisfação.

Monotonia: se você tem comido para passar o tempo na frente da televisão, desligar esta relação tela x alimento é a melhor solução para começar. Foque em fazer suas refeições típicas na mesa por algumas semanas, até que você se sinta confortável com isso. Escolha uma boa música para lhe acompanhar se for o caso. A partir daí, foque na qualidade dos alimentos.

Falta de sono: um cérebro sempre ativo encontrará dificuldade para se acalmar no final do dia e dormir, então, não é surpreendente que o paciente com TDAH tenha problemas com o sono. A falta de sono é conhecida por ser um fator sério na elevação do peso2.

Quando nossos corpos estão privados de sono, o cérebro libera hormônios que nos levam a comer demais – principalmente alimentos com muito açúcar. Ao mesmo tempo, o metabolismo se torna mais lento, porque o organismo tenta conservar a gordura. Dormir 8h por noite (e tentar maximizar a qualidade deste sono) é um fator crucial para o emagrecimento.

Motivação: para lhe ajudar a seguir motivado, utilize um diário de alimentação. Há diversos apps que podem colaborar no acompanhamento da sua dieta e dos seus exercícios. Você poderá ver e medir seu crescimento e seu comprometimento consigo mesmo. Alguns apps usam jogabilidade, tornando a tarefa um desafio motivador, em que você pode competir com amigos e familiares para se divertir ainda mais.

Medicação: se você não está tomando sua medicação, agora é a hora certa para pensar nisso com seriedade. Como já mencionamos ao longo do texto, os efeitos da medicação tocam justamente nas questões que podem estar em desequilíbrio, levando você ou seu filho a comerem demais.

Neurotransmissores, como a dopamina, são otimizados pelo tratamento medicamentoso, que ajudará na supressão da vontade de comer, da ansiedade e de incontáveis outros sintomas.

As medicações estimulantes colaboram na Função Executiva do cérebro e isso é vital para regular o comportamento, evitar a alimentação excessiva, manter-se comprometido com atividades físicas e com planos alimentares.

Um estudo de 2009 investigou a dificuldade de emagrecer em adultos com TDAH5. A hipótese inicial era de que a falta de tratamento medicamentoso estava dificultando a perda de peso. Então, os pesquisadores introduziram medicamentos estimulantes na rotina nos participantes do estudo. 466 dias depois, eles haviam perdido 13% do peso original.

Converse com seu médico e avalie as medicações, as dosagens e os efeitos. A partir de tudo que você leu aqui, agora, você já sabe sobre a importância de manter o efeito do medicamento no período em que você se sente mais angustiado e tomado pela vontade de comer. Reavalie sua geladeira, comprometa-se com as listas de compras e com o freezer repleto de refeições prontas e saudáveis. Você estará um passo mais próximo de uma vida mais saudável.

1 IS ADHD MEDICATION AFFECTING MY WEIGHT?. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/medication-weight#1>. Acesso em: 26 de novembro de 2018.

2 HOW ADHD CONTRIBUTES TO OBESITY IN CHILDREN. ADDITUDE. Disponível em: <https://www.additudemag.com/adhd-medication-side-effects-obesity-weight-gain>. Acesso em: 26 de novembro de 2018.

3 ADHD AND OBESITY. TREATMENT REALLY MAKES A DIFFERENCE. TOTALLY ADD. Disponível em: <https://totallyadd.com/blog/adhd-and-obesity/>. Acesso em: 26 de novembro de 2018.

4 ADHD KID WON’T EAT? IT’S ALL ABOUT HANDLING APPETITES. IMPACT ADHD. Disponível em: <https://impactadhd.com/organize-your-life-and-family/adhd-kid-wont-eat-its-all-about-handling-appetites/>. Acesso em: 26 de novembro de 2018.

5 LEVY LD et al., 2009. Treatment of refractory obesity in severely obese adults following management of newly diagnosed attention deficit hyperactivity disorder. Int J Obes (Lond). 2009 Mar;33(3):326-34. doi: 10.1038/ijo.2009.5. Epub 2009 Feb 17. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19223848>. Acesso em: 25 de outubro de 2018.

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