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ESTUDO DO NEW ENGLAND MEDICAL JOURNAL COMPARA RISCO DE SINTOMAS DE PSICOSE ENTRE MEDICAÇÕES ESTIMULANTES

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Post Series: TDAH & Cérebro

Quão grande é o risco de aparecimento de sintomas de psicose com o uso de medicamentos estimulantes em adolescentes e adultos jovens? Um estudo divulgado recentemente preocupou muitos pais, mas especialistas dizem que os riscos examinados no estudo são baixos e já bem conhecidos.

L. Eugene Arnold, MD, especialista vinculado ao CHADD, diz que o estudo compara, com maior precisão, a probabilidade de efeitos colaterais entre os dois principais tipos de medicamentos estimulantes e mede o risco de sintomas psicóticos relacionados aos medicamentos.

“A única coisa nova é a comparação entre os dois estimulantes”, diz o Dr. Arnold. “Do contrário, não está nos dizendo nada de novo.”

Efeitos colaterais de medicamentos bem conhecidos

Quando um jovem recebe pela primeira vez uma medicação estimulante, o médico discute a possibilidade de efeitos colaterais com os pais e paciente, ou apenas com o paciente, se ele for um adulto jovem. Os efeitos colaterais mais comuns são náusea, diminuição do apetite, problemas para dormir ou sensação de nervosismo. Depois de um pouco de tempo, esses efeitos colaterais geralmente desaparecem ou uma mudança na dosagem é necessária. Em um pequeno número de adolescentes e adultos jovens, há a possibilidade de surgimento de sintomas psicóticos, como ouvir vozes ou ver coisas que não existem, acreditar em coisas que não são verdadeiras ou suspeitar dos outros sem causa.
“Há um pequeno risco de isso acontecer”, diz ele. “Mas há um risco em tudo o que você faz ou não faz. Não fazer nada traz riscos também.

O fato de não tratar os sintomas do TDAH, seja por meio do manejo comportamental, ou pelo manejo combinado com medicamentos e terapia comportamental, pode ter sérias consequências, diz ele. Além do insucesso escolar e problemas comportamentais, os jovens também correm o risco de problemas com amigos e familiares, abuso de substâncias e atividades sexuais precoces, danos às relações familiares, baixa autoestima, insucesso no local de trabalho e maus resultados de saúde a longo prazo.
O Dr. Arnold afirma que sempre discutiu o risco de efeitos colaterais com pacientes e pais e pediu que ligassem para ele imediatamente se eles sentissem – ou até pensassem que estivessem experimentando – um efeito colateral devido à medicação. Esses sintomas, diz ele, desaparecerão dentro de um ou dois dias depois de parar a medicação. Outros médicos também pedem aos seus pacientes e pais para contatá-los imediatamente havendo algum problema.
“Se você começar com a dose baixa e, gradualmente, trabalhar até a dose ideal, você pode evitar a maioria dos efeitos colaterais”, diz o Dr. Arnold.

Estudo mede diferença entre medicamentos

Este estudo, Psychosis with Methylphenidate or Amphetamine in Patients with ADHD, comparou a taxa de sintomas psicóticos entre metilfenidato e anfetaminas. Não mediu a probabilidade de um paciente desenvolver sintomas ao tomar uma medicação estimulante como abordagem de tratamento.
Os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos de 110.923 pacientes; um grupo recebeu prescrição de metilfenidato e o outro de derivados anfetamínicos. Entre todos os jovens de ambos os grupos, os pesquisadores notaram sintomas de psicose de início recente em apenas um em cada 660 pacientes.

Entre os indivíduos estudados, a possibilidade de desenvolver sintomas psicóticos foi extremamente baixa. Para os que receberam metilfenidato foi de 0,10% e 0,21% para aqueles que receberam prescrição de medicamentos à base de anfetaminas.

“Este estudo apenas nos diz um pouco mais sobre os riscos relativos entre os dois tipos de estimulantes”, diz o Dr. Arnold. “Isso quantifica um pouco.”
“Nós sabemos, há muito tempo, sobre a inter-relação entre os sintomas de TDAH e psicose”, diz Max Wiznitzer, MD. Ele é neurologista pediátrico no Rainbow Babies & Children’s Hospital em Cleveland, Ohio. O Dr. Wiznitzer é professor associado de pediatria, neurologia e saúde internacional na Case Western Reserve University e é o co-presidente do conselho consultivo profissional do CHADD. Ele diz que cerca de 30-50 por cento dos adultos que têm esquizofrenia foram diagnosticados em seus anos mais jovens com TDAH. No entanto, um diagnóstico de TDAH não significa que uma pessoa desenvolverá posteriormente esquizofrenia.

“Estimulantes podem ser usados com segurança quando a psicose é controlada”, diz Wiznitzer, acrescentando a necessidade de médicos e pacientes trabalharem juntos.

O Dr. Wiznitzer observou que os participantes do estudo eram adolescentes e jovens adultos. Essa é a idade em que os sintomas de psicose relacionados a outras condições de saúde mental emergem primeiro, o que poderia ter afetado o estudo. “Eu acredito que os jovens que desenvolveram sintomas de psicose na associação temporal já tinham a predisposição para isso”, diz ele, observando que a psicose é relatada em até 3% da população adulta.

O que os pais devem saber sobre esses resultados

O Dr. Arnold incentiva os pais e jovens a discutirem quaisquer preocupações que tenham com seus médicos. Ele também observa que o estudo não trouxe nenhuma novidade que os médicos não estivessem cientes ao trabalhar com seus pacientes.
Especialistas em TDAH, especialmente os médicos que prescrevem medicamentos, podem interessar-se nestes resultados, diz o Dr. Arnold. As informações, combinadas com o histórico médico completo do paciente, podem ajudá-los a tomar decisões melhores em relação às opções de tratamento.
Se um adolescente ou jovem adulto já estiver tomando um medicamento estimulante como parte do tratamento e, especialmente, se ele estiver tomando esse remédio por algum tempo sem nenhum efeito colateral, então o risco de desenvolver novos sintomas de psicose neste momento é extremamente baixo.

“Se eles estão tomando uma medicação e têm uma dose estabelecida e se beneficiam disso, não há razão para se preocupar”, diz Arnold. “Se eles tivessem esse efeito colateral, eles o teriam notado antes em qualquer dose que estivessem tomando.”

Ele também enfatizou que qualquer que seja a possibilidade de um efeito colateral, essa possibilidade já existia antes que este estudo fosse divulgado. Para o paciente individual, a comparação entre os dois medicamentos não tem significância. O estudo não alterou os riscos inerentes de empregar medicação para tratar o TDAH.
“Isso não aumenta o risco dos medicamentos”, diz ele. “O risco de efeitos colaterais não é maior depois que este artigo foi publicado do que era antes.”

Traduzido do Chadd – ADHD Weekly, March 28, 2019

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