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MENINAS, MULHERES E TDAH: POR QUE O TRANSTORNO É TÃO DIFERENTE NAS GAROTAS?

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Post Series: TDAH & Cérebro

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade não se manifesta da mesma forma em meninos e em meninas. As mulheres com TDAH tendem a ser menos hiperativas e impulsivas, mas mais desorganizadas, dispersas, esquecidas e introvertidas.1

Ainda, meninas têm mais chance de desenvolverem desordens associadas, incluindo ansiedade, depressão, bipolaridade ou transtorno de conduta – e, mesmo assim, têm menos chance de serem encaminhadas para avaliação e tratamento.2

Mas, por que isso acontece?

Mulheres e meninas têm menos chance de serem diagnosticadas porque, tradicionalmente, as linhas gerais utilizadas para avaliação focavam em meninos e homens. Na obra Understanding Girls with AD/HD, a coautora Ellen Littman, Ph.D, explica como as pesquisas iniciais eram voltadas a meninos hiperativos e brancos, sendo que apenas 1% dos estudos se voltavam às meninas.3 Como garotas manifestam sintomas de formas diferentes dos garotos, o que aconteceu?

Os meninos passaram a ter uma chance 3x maior de serem diagnosticados com TDAH.

A pesquisadora e educadora Jane Adelizzi, Ph.D, diz que meninas com TDAH tendem a ser altamente negligenciadas pelos estudos, porque a hiperatividade geralmente não está presente nelas.

Garotas estão mais propensas a serem portadoras do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade com predomínio de desatenção. Por isso, meninas têm grandes chances de não serem corretamente diagnosticadas, levando os problemas da desordem pelo resto da vida sem tratamento.

“Meninas sem tratamento para TDAH correm risco de baixa autoestima crônica, desempenho insuficiente, ansiedade, depressão, gravidez na adolescência e vícios”, diz a psicóloga Kathleen Nadeau, Ph.D.

“Quando adultas, aumentam os riscos de divórcio, crises financeiras, desistência dos estudos, desemprego, abuso de substâncias, transtornos alimentares e estresse constante devido à dificuldade de administrar as demandas da vida cotidiana”, explica Nadeau.4

O fator hormonal

Mulheres e garotas que já passaram pela puberdade têm flutuações mensais nos níveis de estrogênio, progesterona e testosterona. Estes hormônios sexuais têm um papel fundamental na reprodução, na sexualidade, nas emoções e na saúde em geral. Mas, de acordo com os pesquisadores Ronit Haimov-Kochman e Itai Berger, a maioria dos estudos considerou tais flutuações como algo a ser controlado – ou até ignorado – ao focar exclusivamente em homens.

Agora, cientistas estão começando a aprender sobre a possível conexão entre TDAH e hormônios – especialmente os hormônios sexuais. Muitos especialistas já suspeitavam da relação. Afinal de contas, há muitas pesquisas sobre como diferentes níveis de estrogênio afetam o humor e o comportamento das mulheres ao longo da vida. Porém, não há evidências suficientes de que hormônios estejam ligados ao TDAH – não porque não haja ligação, mas porque ainda não há estudos suficientes sobre o tema.5

Contudo, um número crescente de estudos mostra que os hormônios sexuais têm um papel de regulação da comunicação entre células cerebrais e podem afetar a função executiva negativamente. Em vez de controlar estas flutuações, os doutores Haimov-Kochman e Berger sugerem que novas pesquisas sejam realizadas, focando nas alterações e nas combinações dos hormônios e das suas influências nas emoções e função executiva, para compreender o papel dos hormônios no TDAH.

O sistema endócrino é compreendido por múltiplas glândulas que produzem diferentes tipos de hormônios. É um sistema interconectado que age de forma lenta com impactos duradouros.

“A investigação do papel do estrogênio, da progesterona e outros esteroides sexuais tem o potencial de gerar diagnósticos inovadores e melhores, além de tratamentos capazes de mudar o curso de desordens cognitivo-comportamentais, como o TDAH”, afirmam Haimov-Kochman e Berger.2

O que posso fazer desde já?

A Dra. Patricia Quinn, autora de AD/HD in Women: Do We Have the Complete Picture?6, sugere que meninas e mulheres com TDAH reconheçam que as mudanças hormonais periódicas podem ter um impacto significativo nos sintomas do TDAH. Para que você identifique as influências hormonais no transtorno, mantenha um diário dos ciclos menstruais e dos sintomas do TDAH. Compartilhe estas informações com seu médico e terapeuta para otimizar seu tratamento.

Muitas meninas e mulheres passam por grandes desafios relacionados ao TDAH, seja pela dificuldade do diagnóstico ou pela administração dos sintomas. Reconheça que o TDAH é uma desordem no cérebro com evidência crescente sobre o impacto dos hormônios. Dedique um tempo para educar sua filha ou a si mesma. Encontre bons profissionais de saúde que estejam aptos a prover os melhores tratamentos para os seus sintomas individuais.

1 IT’S DIFFERENT FOR GIRLS WITH ADHD. THE ATLANTIC. Disponível em: https://www.theatlantic.com/national/archive/2013/04/its-different-girls-adhd/316674 . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

2 HORMONAL FLUCTUATIONS AFFECT WOMEN’S ADHD SYMPTOMS. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/Understanding-ADHD/About-ADHD/ADHD-Weekly/Article.aspx?issue=d2017-08-03&id=367 . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

3 YOUNG WOMEN WITH ADHD. ATTENTION CHADD. Disponível em:   http://drellenlittman.com/secret_life_of_girls_with_adhd.pdf . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

4 ADHD: A WOMEN’S ISSUE. AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Disponível em: http://www.apa.org/monitor/feb03/adhd.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

5 THE LINK BETWEEN HORMONES AND ADHD. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/hormones-adhd-connection#1 . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

6 AD/HD in Women: Do We Have the Complete Picture?. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/LinkClick.aspx?fileticket=-tHjnQjXheY%3D . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

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