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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

NOVA PESQUISA INDICA QUE O TDAH NÃO TRATADO REDUZ A EXPECTATIVA DE VIDA NA IDADE ADULTA JOVEM – O Tratamento Pode Ajudar A Resolver O Problema

NOVA PESQUISA INDICA QUE O TDAH NÃO TRATADO REDUZ A EXPECTATIVA DE VIDA NA IDADE ADULTA JOVEM – o tratamento pode ajudar a resolver o problema

A mensagem é clara. O tratamento para o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), juntamente com os riscos relacionados à saúde que ele representa, tem a possibilidade de adicionar uma média de 9 a 13 anos à expectativa de vida de crianças e adultos diagnosticados com TDAH. Esta é a implicação de um estudo de pesquisa de ponta realizado por Russell A. Barkley, Ph.D., que avaliou a conexão entre o TDAH e 14 fatores críticos de saúde, incluindo nutrição, exercícios e uso de tabaco e álcool. LANHAM, Md. (Business Wire), 8 de janeiro de 2019.

O Dr. Barkley resumiu suas descobertas em seu Discurso Principal na Conferência Internacional Anual de 2018 sobre TDAH em St. Louis, Missouri, onde recebeu o premio CHADD Lifetime Achievement. O estudo completo, Síndrome da Criança Hiperativa e Expectativa de Vida Estimada no Acompanhamento de Jovens Adultos: O Papel da Persistência do TDAH e Outros Potenciais Preditores, foi recentemente publicado no Journal of Attention Disorders.

“Nossa pesquisa mostra que o TDAH é muito mais do que um transtorno do neurodesenvolvimento, é um problema significativo de saúde pública”, diz o Dr. Barkley. “Ao avaliar as consequências para a saúde do TDAH ao longo do tempo, descobrimos que o TDAH afeta negativamente todos os aspectos da qualidade de vida e longevidade. Isso se deve às deficiências inerentes à autorregulação associadas ao TDAH, que levam a um autocuidado ruim e a um comportamento impulsivo e de alto risco. As descobertas são preocupantes, mas também encorajadoras, já que o TDAH é o transtorno mental mais tratável da psiquiatria.”

O Dr. Barkley e sua equipe utilizaram dados de um estudo longitudinal em Milwaukee, Wisconsin, que acompanhou um grupo de pacientes principalmente do sexo masculino com TDAH desde a infância até a idade adulta, e analisaram os dados usando uma calculadora de expectativa de vida baseada em atuarial desenvolvida na Universidade de Connecticut, pelo Centro Goldenson de Pesquisa Atuarial.

“A pesquisa do Dr. Barkley confirma o que já suspeitamos há algum tempo ”, diz o especialista residente do CHADD, L. Eugene Arnold, MD, M.Ed., professor emérito de Psiquiatria e Ciências Comportamentais, Nisonger Center Clinical Trials Program, Universidade Estadual de Ohio. O CHADD (Crianças e Adultos com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade) é o principal recurso Americano em TDAH, fornecendo apoio, treinamento, educação e defesa para as 17 milhões de crianças e adultos nos Estados Unidos que vivem com TDAH, suas famílias, educadores, e profissionais de saúde. O Dr. Barkley trabalha com o CHADD em várias funções há mais de 30 anos e tem uma parceria com a organização para identificar e executar várias iniciativas resultantes de suas descobertas de pesquisa.

“Se você olhar para os quatro maiores riscos à saúde nos EUA – má alimentação, exercícios insuficientes, obesidade e tabagismo -, o TDAH apresenta um risco maior do que todas essas quatro preocupações combinadas”, explica o Dr. Barkley.

“O TDAH é um grande problema de saúde que não foi avaliado sob esse aspecto pelos formuladores de políticas”, acrescenta o Dr. Arnold. “É preciso levar isto muito mais a sério”.

Em graus variados, o TDAH é um fator em muitos comportamentos de estilo de vida de primeira ordem que resultam em expectativa de vida reduzida, e o Dr. Barkley afirma que esses comportamentos não tendem a melhorar até que o problema subjacente – TDAH – seja abordado. Ele diz que os influenciadores profissionais que são mais propensos a ter um impacto nas escolhas de estilo de vida saudável – médicos de cuidados primários, pediatras, cardiologistas e outros profissionais de saúde – muitas vezes não veem o TDAH como uma razão potencial para o descumprimento de seus pacientes com as mudanças recomendadas.

“Profissionais de saúde precisam olhar mais cuidadosamente para TDAH”, diz o Dr. Barkley. “Pacientes que lutam para seguir a recomendação de seus médicos para controlar o peso, parar de fumar ou reduzir a ingestão de açúcar, entre outras preocupações, devem ser examinados cuidadosamente para TDAH e tratados adequadamente. Precisamos educar nossos colegas sobre os sintomas do TDAH, o impacto substancial que esse transtorno pode ter e como examiná-lo. A boa notícia é que, com um diagnóstico preciso e o uso continuado de tratamentos baseados em evidências, incluindo terapia cognitiva, apoio educacional, treinamento de habilidades e medicamentos, as pessoas com TDAH podem acrescentar anos de volta as suas vidas. E, coletivamente, podemos causar um impacto significativo em algumas das maiores preocupações com a saúde que enfrentamos como nação ”.

Sobre Russell A. Barkley, PhD

Russell A. Barkley, Ph.D., é uma autoridade internacionalmente reconhecida em transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em crianças e adultos que dedicou sua carreira a disseminar amplamente informações baseadas em ciência sobre TDAH. O Dr. Barkley é professor clínico de psiquiatria no Centro de Tratamento Viral para Crianças e no Centro Médico da Virginia Commonwealth University em Richmond, Virgínia. Saiba mais em www.russellbarkley.org.

Fonte: CHADD

Publicado em 08/01/2019, 16:21 PM/DISC: https://www.businesswire.com/news/home/20190108006061/en/

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PEDINDO ACOMODAÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO

PEDINDO ACOMODAÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO

Você ama seu trabalho, seus colegas de trabalho são agradáveis ​​e seu chefe não faz exigências impossíveis. No entanto, seus sintomas de TDAH dificultam a organização de trabalhos enquanto você está lidando com os detalhes do projeto. Os barulhos do local de trabalho e a atmosfera ocupada o distraem e você não pode concluir seu trabalho em um período de tempo razoável.

Você está preocupado com o seu futuro. Você não precisa sair. Você pode consertar o que não está funcionando para você no seu local de trabalho.

Americans with Disabilities Act

Em 1990, o Congresso aprovou o Americans with Disabilities Act de 1990 para melhorar o acesso e criar acomodação para pessoas com várias deficiências. O ADA inclui o TDAH como uma deficiência reconhecida. Para um funcionário que tem TDAH, o ato pode exigir que o empregador forneça acomodações razoáveis, desde que isso não crie dificuldades indevidas para a empresa.

Nem todo mundo que tem TDAH é um “indivíduo qualificado” de acordo com a ADA, diz Nancy O’Mara Ezold, advogada e sócia da Ezold Law Firm, com sede na Filadélfia.

“Se uma pessoa tem TDAH, mas não limita substancialmente nenhuma atividade vital, ela não será qualificada pela ADA para qualquer ajuda”, diz ela.

Se você se qualificar, isso pode significar que, se você não conseguir trabalhar por causa do barulho, talvez seja possível solicitar um escritório particular com uma porta. Se isso não for possível, colocar sua mesa em um local não central, onde menos pessoas passarão, é uma acomodação razoável.

Quando divulgar um diagnóstico

Você não precisa revelar que tem TDAH quando está entrevistando para um trabalho. Por outro lado, se seus sintomas de TDAH atrapalharem seu trabalho, não espere muito.

“Muitas vezes as pessoas revelam que tem TDAH um pouco tarde demais – depois de terem sido provocadas. Nesse momento, provavelmente não ajudará”, diz Elias Sarkis, MD, fundador da Sarkis Family Psychiatry and Clinical Trials e ex-presidente da Sociedade Psiquiátrica da Flórida.

Quando você compartilha seu diagnóstico, mencione os pontos positivos que se aplicam a você: você é criativo, um pensador inovador com muita energia? Você pode se concentrar em uma tarefa que agarra o seu interesse por um longo tempo? Compartilhe com seu empregador os pontos fortes que você pode trazer para melhorar a empresa ou ajudá-la a atingir suas metas.

Pedindo acomodação

Ezold diz que a maioria das pessoas experimenta um dos três cenários:

  • Não apresenta problemas em fazer o trabalho, apesar de ter TDAH
  • Querer solicitar acomodação, mas não divulgar um diagnóstico de TDAH
  • Necessidade de divulgar um diagnóstico de TDAH e solicitar acomodação.

Na primeira situação, não há necessidade de compartilhar o diagnóstico de TDAH, pois isso não afeta a capacidade de concluir o trabalho com êxito. Muitas vezes alguém neste cenário pode encontrar truques e dicas para gerenciar os sintomas de TDAH no local de trabalho sem envolver um empregador.

Alguém na segunda situação pode se aproximar de seu gerente e dizer algo como: “O barulho na sala realmente me distrai – está tudo bem eu usar fones de ouvido enquanto estou trabalhando?” Ou “É uma distração para mim estar tão perto do elevador, com todos indo e vindo. Seria possível eu me mudar para aquela mesa vazia no canto de trás? ”Esse tipo de pedido é geral e não há necessidade de dizer nada sobre o TDAH. No entanto, você pode decidir que precisa revelar seu diagnóstico ao solicitar acomodações mais específicas. Convém compartilhar o modo como essas pequenas alterações melhorarão sua produtividade.

Quando um empregado não pode atender aos requisitos da posição devido a sintomas de TDAH, no entanto, a divulgação é muitas vezes necessária. Ele precisa primeiro avaliar se o trabalho é um bom ajuste, confirmando que ele seria bem sucedido com algumas mudanças. Se ele decidir que são as condições e não o trabalho, ele deve considerar cuidadosamente quais acomodações ele precisa para ter sucesso.

“Existem acomodações que podem ser úteis?”, Pergunta o Dr. Sarkis. “Não faz sentido divulgar seu diagnóstico se você não conseguirá uma acomodação, ou se ela não for útil”.

Dr. Sarkis diz que conhece muitos vendedores com TDAH que interagem bem com outros profissionais de saúde, mas se esforçam para completar sua papelada. Uma sugestão nesse caso pode ser pedir um assistente administrativo para ajudar.

A Sra. Ezold recomenda discutir suas necessidades com o departamento de recursos humanos, se você tiver um. Deixe o diretor de RH saber que você tem TDAH e como isso está afetando você e, em seguida, discuta maneiras de resolver esses problemas para que você possa fazer bem o seu trabalho. Vá para a reunião com duas ou três sugestões realistas para alterações. Você também pode ter que fornecer um laudo do seu médico de que você tem uma deficiência e quais seriam as acomodações recomendadas. Seus empregadores precisam saber exatamente a que estão respondendo e quais são as limitações de sua deficiência. Isso beneficia ambos.

Quando obter ajuda conversando com seu empregador

A ADA afirma que, desde que você seja capaz de atender às “funções essenciais” do trabalho, você tem o direito de ajudar. Se você ainda não falou com seu supervisor e acha que ele é razoável e entende o que precisa ser resolvido e como isso pode ser feito, esse é um bom ponto de partida.

Se você já tentou todas as opções, ou o seu empregador está reagindo negativamente, talvez seja necessário entrar em contato com um advogado. Ezold diz que esse é definitivamente o caminho a percorrer se seu empregador disser que seu pedido é “irracional”.

“Eu chamo de nivelamento do campo de jogo”, diz ela. “Qualquer funcionário no local de trabalho que esteja sozinho contra todo o departamento de RH e que não esteja obtendo o reconhecimento ou o respeito que merece, precisa de ajuda”.

Traduzido do artigo publicado no CHADD em 18 de Abril, 2019.

https://chadd.org/adhd-weekly/asking-for-workplace-accommodations/

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FILHO ADOLESCENTE COM TDAH? ENCORAJE A COMUNICAÇÃO E EVITE O DRAMA

FILHO ADOLESCENTE COM TDAH? ENCORAJE A COMUNICAÇÃO E EVITE O DRAMA

Grande parte das crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade chega à adolescência com o transtorno. Nos Estados Unidos, o número estimado de adolescentes com TDAH é de 3% a 5%1.

Os sintomas na adolescência são muito similares aos da infância: distração, desorganização, falta de concentração e impulsividade. Contudo, somam-se a isso as mudanças hormonais, a vida social intensa e a falta de controle dos pais sobre os jovens. Os sintomas podem ser parecidos, mas a forma de lidar com eles muda bastante.

Richard Curwin tem muito a nos ensinar sobre esta mudança. Educador especialista em disciplina escolar, Curwin é pai de duas crianças com TDAH, além de ter sido ele mesmo diagnosticado com o transtorno.

Dos seus longos anos de experiência com gerenciamento de sala de aula, ele criou o método chamado “Disciplina com Dignidade”, que deu origem a um livro homônimo. Hoje, o educador nos traz algumas reflexões interessantes para lidar com adolescentes diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/ Hiperatividade. Confira abaixo o texto de Richard Curwin2.

Os pais frequentemente me perguntam como podem atravessar a adolescência de seus filhos com TDAH. O transtorno adiciona uma carga de estresse à tarefa de se comunicar com um filho ou com uma filha que já está passando por uma grande pressão dos colegas e dos hormônios.

A maioria dos problemas se origina da dificuldade dos adolescentes de controlarem o que dizem ou fazem. O estresse e o conflito exacerbam a impulsividade. Reduzir estas tensões e os insultos verbais minimizará situações negativas na vida do seu filho e abrirá caminho para uma comunicação mais tranquila e para momentos de disciplina.

Como pai de duas crianças com TDAH, e tendo sido eu mesmo diagnosticado com o transtorno, posso sugerir algumas alternativas para vocês.

Comunicando-se com um adolescente

Grande parte dos adolescentes precisa ter a palavra final na conversa. Você pede que seu filho faça algo e ele lhe explicará por que não pode fazer. Você soluciona as preocupações de seu filho e ele surgirá com novos problemas. Nunca acaba. Os amigos são menos compreensivos com alguém cuja atitude aparenta o “sabichão” e, com o passar do tempo, acabarão riscando seu filho da lista de amizades.

Explique para seu adolescente que não é culpa dele que ele se comporte desta forma. O TDAH exerce grande influência sobre o cérebro. Diga a ele que não importa que ele precise dar a última palavra ocasionalmente, mas, quando isso acontece com frequência, a percepção é de que ele está sempre correto.

Perceber como seu filho expressa esta última palavra é fundamental para minimizar a atitude. Ensaie cenários diferentes, em que ele deixará você dar a última palavra. Observe como esta dramatização impactará no cotidiano após três dias de ensaio.

Não o recompense ou o reprima com base nos resultados. Apenas ajude-o a melhorar. Esta atividade pode ser repetida tantas vezes quanto seu filho se sentir disposto.

Ajuda na organização

Adolescentes com TDAH – e adultos também – frequentemente perdem itens como carteiras, chaves, livros, óculos e papeis. Isso pode levar ao desespero ou à culpa, o que potencializa a atitude defensiva.

Quanto mais os pais culparem o adolescente por não se preocupar com suas coisas, menos eles ouvirão seus conselhos. Perder coisas se torna uma questão que interfere bastante na comunicação entre pais e adolescentes.

Para evitar esta cadeia de eventos, espere até que as coisas estejam mais calmas. Amigavelmente, ofereça sugestões de uma forma não julgadora. “Eu sei que você tem dificuldade de encontrar as coisas. Isso deve ser frustrante. Tenho algumas ideias que podem lhe ajudar se você quiser reverter essa situação”.

Sugira formas de organização e estabeleça locais para os itens que seu filho perde com mais frequência. Pregue ganchos nas paredes ou compre um porta-chaves e pendure-o ao lado da porta para que ele coloque as chaves ali sempre que entrar em casa. Compre uma pasta ou um arquivo vermelho para que ele guarde suas tarefas da escola. Encontre um lugar visível para guardar estes papeis. Ajude-o a colocar as contas na carteira em vez de deixá-las soltas em qualquer lugar.

Escolhas e tomadas de decisão para adolescentes com TDAH

Escolhas são oportunidades para seu filho aprender a solucionar problemas. Ameaças criam reações de “luta ou fuga”, que geram silêncio ou conflitos. Você já ouviu seu filho dizer “e daí? Eu não me importo!” quando você o ameaça?

Como saber a diferença entre uma ameaça e uma escolha? Uma ameaça inclui punição como uma das escolhas: “limpe o quarto ou não usará o carro. A escolha é sua”. Uma forma mais interessante de propor isso é “você precisa limpar seu quarto. Você pode fazê-lo antes ou depois do jantar”.

Outro exemplo de ameaça é “você pode escolher entre parar de incomodar sua irmã ou sair da mesa de jantar”. Se uma das opções for uma punição, seu filho interpretará isso como ameaça. Uma abordagem melhor é dizer “por favor, encontre uma forma de não incomodar sua irmã para que todos nós possamos saborear nosso jantar”. Ao substituir ameaças por escolhas positivas, você melhorará a comunicação com seu filho adolescente.

Fonte:

1 ADHD, BY THE NUMBERS. ADDITUDE. Disponível em: <https://www.additudemag.com/the-statistics-of-adhd/>. Acesso em: 03 de janeiro de 2019.

2 HAVE A TEEN WITH ADHD? ENCOURAGE COMMUNICATION & AVOID THE DRAMA. ADDITUDE. Disponível em: <https://www.additudemag.com/parenting-teen-adhd-discipline-communication/>. Acesso em: 03 de janeiro de 2019.

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PROBLEMAS PARA FICAR PARADO? Estudos Concluem Que Movimentar-se Pode Ajudar Na Concentração

PROBLEMAS PARA FICAR PARADO? Estudos concluem que movimentar-se pode ajudar na concentração

Sente-se. Fique quieto um pouquinho. Pare de correr. Pais e professores conhecem estas ordens muito bem. Principalmente, pais de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).

Contudo, novos estudos têm desafiado a noção de que estas ordens são necessárias – ou até mesmo corretas. Se você acha que seu filho/aluno precisa ficar imóvel para prestar atenção ou aprender, estas pesquisas podem lhe interessar.

Em 2015, investigadores do University of Mississippi Medical Center1 levantaram a hipótese de que a hiperatividade, nas crianças com TDAH, não é causadora de problemas de aprendizado, pelo contrário.

O estudo buscava compreender a hiperatividade como um “comportamento compensatório” e mostrou como a irriquietação pode ser uma solução encontrada pelo cérebro para colaborar na concentração.

No mesmo ano, pesquisadores da Florida State University (FSU)2 tentaram compreender esta questão. A equipe investigou se as crianças com o transtorno recorriam ao movimento com o intuito de otimizar determinadas funções cerebrais.

O estudo foi pequeno, com 25 crianças entre 8 e 12 anos. Elas precisavam lembrar breves listas de números e letras e organizá-las em ordem alfabética e numérica.

Em alguns testes, os pesquisadores avisavam às crianças quantos itens precisariam lembrar e organizar. Em outros, não avisavam. As crianças se mexiam 25% a mais quando não sabiam o que encontrariam pela frente.

Michael Kofler, líder do estudo da FSU, é diretor do Children’s Learning Clinic, no Departamento de Psicologia da Florida State University. Ele explica3 que a hiperatividade pode ter um propósito: “é o movimento que ajuda no funcionamento do cérebro”, conclui ele.

O movimento ao qual Kofler se refere é bater pés, mãos, levantar-se no meio das tarefas e muitos outros comportamentos característicos do TDAH, que os adultos frequentemente veem como um problema para o aprendizado dos pequenos. Por isso, estes adultos se dedicam a encontrar maneiras de parar as crianças.

O problema, diz Kofler, é que, para estas crianças, “a concentração só é possível se elas não ficarem paradas”.

“Nosso estudo descobriu que crianças com TDAH lembram mais e processam mais informações quando estão se movendo”, explica o professor, que demonstra que este recurso não é limitado a crianças com TDAH.

“Na próxima vez em que você estiver em uma longa reunião, observe como as pessoas se comportam após 1h, movendo-se em suas cadeiras ou se levantando. É isso que fazemos ou acabamos apelando para uma xícara de café, com o objetivo de obtermos essa compensação mental. Acreditamos que o mesmo ocorre com crianças com TDAH. Por isso, estamos tentando mensurar este comportamento.”

O pesquisador explica que esta maneira de compreender a hiperatividade pode colaborar na forma com que professores e pais lidam com a questão. “Não estamos falando de mudanças radicais no ensino. O que pode ser feito é apenas aliviar um pouco as ordens para ficar quieto no lugar ou até mesmo ressignificar quais abordagens funcionam nestes casos.”

Kofler finaliza lembrando que a velha máxima, “cada um tem uma forma de aprender”, ganha um novo sentido quando falamos de crianças com TDAH.

Não é nada incomum vermos a capacidade de executar várias tarefas simultaneamente como algo digno de elogios. Porém, para crianças e adultos diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, o oposto é verdade.

Quando discutimos a irriquietação, não estamos falando sobre realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, mas sim sobre se mover enquanto realiza uma tarefa. A irriquietação efetiva não distrai o indivíduo de sua tarefa principal, porque não divide o foco ou exige pensamento sobre a atividade.

Veja abaixo alguns movimentos considerados irriquietação efetiva:

1 – Caminhar enquanto fala

2 – Desenhar enquanto escuta

3 – Utilizar diferentes canetas coloridas ao escrever

4 – Manter as mãos ocupadas

5 – Ouvir música

6 – Mastigar chicletes

7 – Levantar-se e alongar-se durante tarefas

Administrar os sintomas do TDAH envolve reconhecer escolhas e atitudes, mas também compreender o que está ocorrendo no cérebro dos pacientes.

A partir disso, estratégias eficientes poderão ser aceitas com mais liberdade – é isso que está por trás da abordagem da irriquietação, diz Michael Koefler.

Fontes

1 SARVER D, et al. Hyperactivity in Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder (ADHD): Impairing Deficit or Compensatory Behavior?. Journal of Abnormal Child Psychology 3(7). Abril, 2015. DOI: 10.1007/s10802-015-0011-1. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/274902466_Hyperactivity_in_Attention-DeficitHyperactivity_Disorder_ADHD_Impairing_Deficit_or_Compensatory_Behavior>. Acesso em: 03 de janeiro de 2019.

2 KOFLER M, et al. Working Memory and Increased Activity Level (Hyperactivity) in ADHD: Experimental Evidence for a Functional Relation. Journal of Attention Disorders 1-15. 2015. DOI: 10.1177/1087054715608439. Disponível em: <https://psy.fsu.edu/clc/Publications/CLC_Kofler%20et%20al.%20(2016).pdf>. Acesso em: 03 de janeiro de 2019.

3 FIDGETING AND ADHD: HOW MOVEMENT AIDS LEARNING. C8 SCIENCES. Disponível em: <https://www.c8sciences.com/fidgeting-and-adhd-how-movement-aids-learning/>. Acesso em: 03 de janeiro de 2019.

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TRATAMENTO MEDICAMENTOSO PARA TDAH: Estudo Aponta Fatores Capazes De Prever A Aderência Das Crianças

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO PARA TDAH: estudo aponta fatores capazes de prever a aderência das crianças

Existem fatores capazes de prever a aderência ao tratamento medicamentoso para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)? Um estudo de coorte prospectivo e longitudinal1 tentou responder esta questão ao examinar diversas características demográficas e clínicas de pais, pacientes e pediatras.

Os pesquisadores, do Cincinnati Children’s Hospital, sugerem que há três fatores2 que podem influenciar na aderência ao tratamento durante os primeiros 90 dias:

– a crença dos pais sobre TDAH;

– a satisfação dos pais com a informação recebida pelo médico sobre a medicação;

– a capacidade da medicação de reduzir os sintomas.

Estes três fatores variam significativamente daqueles que preveem a aderência em longo prazo, apontou o estudo. Foram dois os principais elementos encontrados, capazes de prever aderência ao tratamento medicamentoso para além de 90 dias:

– a aceitação da criança à medicação;

– a diferença na percepção dos pais entre necessidade de tratamento e preocupação com a medicação.

Ainda, os pesquisadores notaram uma correlação negativa entre a criança não se sentir bem com a medicação e sua aderência em longo prazo.

Este estudo sugere que pediatras podem garantir a aderência em curto prazo para uma nova medicação para o TDAH. Isso é feito com uma boa capacidade de informar os pais e com o ajuste das doses rapidamente para minimizar os efeitos colaterais, ao mesmo tempo em que os sintomas do transtorno são reduzidos.

Em longo prazo, a pesquisa sugere que os pediatras têm um impacto menor na garantia da aderência ao tratamento medicamentoso. Mesmo assim, eles podem ajudar ao acompanharem seus pacientes com frequência.

As 89 crianças que participaram do estudo moravam na área da cidade de Cincinnati e foram analisadas entre 2010 e 2013. Todas falavam inglês e tinham entre 6 e 10 anos quando receberam seus primeiros diagnósticos e não tinham recebido tratamento medicamentoso previamente. Os pacientes e os pais completaram uma avaliação de base que incluía pesquisas e testes, que foram repetidos em três meses.

Antes do estudo, os pais completaram pesquisas sobre suas crenças com relação ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade e comentaram sua percepção sobre o pediatra e a informação dada pelo profissional de saúde na visita inicial.

Os pais também avaliaram o grau de alfabetização e conhecimento de aritmética de seus filhos, sofrimento psicológico, qualidade de vida, comportamento e sintomas ligados ao transtorno. A relação dos pais com o pediatra também foi avaliada.

Ao final do estudo, uma tabela de revisão avaliou o número de visitas ao pediatra e as prescrições para cada paciente, bem como qualquer mudança na dose da medicação durante os três primeiros meses de tratamento. Ainda, a qualidade e a frequência do monitoramento.

A aderência durante o resto do estudo não foi prevista por fatores de base, levando os pesquisadores a determinar que a aderência estava sujeita a percepções variáveis sobre a medicação e sobre as experiências com o tratamento – tanto dos pais quanto das crianças.

Aderência na adolescência: sigilo e respeito necessários

Em 2016, uma revisão por Frank et al3 identificou 41 estudos que apontavam razões para a aderência à medicação para o TDAH. Todos os estudos foram publicados entre 1994 e 2014 e examinaram a aderência em longo prazo (acima de um ano) em crianças, adolescentes ou adultos.

As razões mais comuns apontadas para a má aderência ao tratamento seriam:

– desejo próprio/remissão/não precisavam de medicação (19,9%);

– retirada de consentimento (16,2%)

– efeitos colaterais (15,1%)

– baixa redução de sintomas (14,6%).

A percepção dos adolescentes sobre o estigma associado ao TDAH teve impacto na aderência ao tratamento. Também, doses múltiplas da medicação, envolvendo doses durante o período escolar, foram apontadas como causa de vergonha nos estudantes com o transtorno.

Os médicos, então, devem considerar a duração da ação do medicamento ao prescrevê-lo. Por exemplo, fórmulas de liberação prolongada podem ter a vantagem de prover cobertura durante todo o dia, eliminando a necessidade de tomar o remédio enquanto o paciente estiver na escola. Isso torna o tratamento mais privado e evita o estigma associado ao ato de tomar remédios, portanto, ajudando na aderência ao tratamento4.

Fonte:

1 BRINKMAN WB et al., 2018. Predictors of Medication Continuity in Children With ADHD. Pediatrics. 2018 Jun;141(6). pii: e20172580. doi: 10.1542/peds.2017-2580. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29794230>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

2 TAKING MEDS FOR ADHD: WE FINALLY KNOW WHAT PREDICTS ADHERENCE IN KIDS. MEDSCAPE. Disponível em: <https://www.medscape.com/viewarticle/902603>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

3 FRANK E et al. Examining why patients with attention-deficit/hyperactivity disorder lack adherence to medication over the long term: a review and analysis. J Clin Psychiatry 2015; 76: e1459-e1468. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26646041>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

4 ADHERENCE TO TREATMENT. ADHD INSTITUTE. Disponível em: <https://adhd-institute.com/disease-management/pharmacological-therapy/adherence-to-treatment/>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

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TDAH E GANHO DE PESO: UMA REALIDADE COMUM, MAS COM SOLUÇÕES AO SEU ALCANCE

TDAH E GANHO DE PESO: UMA REALIDADE COMUM, MAS COM SOLUÇÕES AO SEU ALCANCE

Se você ou seu filho foram diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), você pode estar tomando alguma medicação para ajudar em questões como foco, atenção e hiperatividade. Porém, o tratamento também tem efeitos positivos sobre o seu peso1.

O simples fato de você ter TDAH já pode ser considerado um fator para ganho de peso. Isso ocorre por diversos fatores que veremos hoje, como incapacidade de controlar impulsos, sono ruim, usar comida como estímulo, dentre outros elementos.

John Fleming e o sobrepeso no TDAH

É difícil falar de TDAH e peso sem tocar no nome do psicólogo John Fleming, Ph.D. Ele foi um dos primeiros pesquisadores a ligar o transtorno ao ganho de massa.

Em 1990, Fleming conduziu um estudo com pessoas que não conseguiam emagrecer e descobriu que os indivíduos com TDAH apresentam “hábitos alimentares desordenados, sem refeições planejadas e uma inabilidade de seguir planos ou dietas.”2

Em artigo, o próprio doutor explica seus achados ao longo de anos de pesquisa. Ele diz que este sobrepeso não tem uma idade certa para ocorrer e que os porquês deste aumento também são variáveis de acordo com a época da vida3.

“Alguns dos pacientes começam a ter problemas de peso já na infância (geralmente, aqueles com sintomas de TDAH mais severos), alguns na adolescência, já que esta fase exige avaliações escolares elevadas ou autorregulação para lidar com suas habilidades. Ainda, enquanto adultos, porque os desafios da maturidade entram em choque com a capacidade de administrar compromissos, sono e outras coisas. Comer se torna uma forma de gerenciar a ansiedade, a fadiga, a inquietude interna frente ao sentimento de monotonia etc.”

Dr. Fleming explica como o TDAH impacta no peso e a importância do tratamento medicamentoso, algo que veremos logo abaixo.

“Por exemplo, quando o IMC é 40 ou mais (o que significa que a pessoa pesa o dobro do que as tabelas dizem que ela deve pesar), a chance de que o TDAH seja a causa deste excesso, ou até da impossibilidade de perder peso, é algo como 32%. No campo pediátrico, é hoje claro que as crianças com TDAH, de todas as idades, são mais pesadas do que seus colegas. Crianças obesas se tornam adolescentes obesos, que se tornam adultos obesos com sérios riscos de problemas de coração, hipertensão, artrite, diabetes e apneia. Já provamos que medicamentos para o TDAH, em crianças acima do peso e adultos de todas as idades que foram diagnosticados com o transtorno, resultam em perda de peso significativa, que prossegue para além de um ano.”

Medicamentos para TDAH e peso

Elaine Taylor-Klaus, coach especializada no tratamento de TDAH, reforça4 que as medicações para o transtorno são criadas para redirecionar este “grande apetite” que os portadores do transtorno têm não apenas por comida, mas também por várias questões da vida em geral.

Mas, Taylor-Klaus diz observar dois padrões de comportamento que surgem a partir disso:

1 – Ingestão demasiada de alimentos após efeito da medicação

Muitos pacientes tomam a medicação pela manhã e passam o dia sem sentir fome. O corpo, por falta de nutrientes e de combustível, acaba entrando no chamado modo de inanição. À noite, quando o efeito do remédio passa, a fome surge avassaladora. É o cérebro avisando que é melhor comer tudo agora, porque pode não haver mais chance de fazê-lo depois. É aqui que pacientes, mesmo com medicação, ganham peso.

2 – Fome inexistente

Outros pacientes simplesmente nunca sentem fome. Não há vontade de comer e, principalmente no caso das crianças, os pais podem ficar preocupados com a perda de peso.

Outro elemento importante a ser mencionado é que algumas pessoas com TDAH também tomam antidepressivos. Alguns antidepressivos já foram ligados ao ganho de peso. Converse com seu médico a respeito de doses, horários de medicação e remédios para desordens coocorrentes, aquelas que acontecem juntamente com o TDAH.

Outras razões para você estar acima do peso

Pessoas diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade tem até cinco vezes mais chance de estarem acima do peso em comparação a pessoas sem o transtorno1. Vamos ver algumas causas para que isso ocorra?

– Dificuldade de controlar impulsos: indivíduos diagnosticados com TDAH têm ainda mais dificuldade de resistir a um pedaço de pizza ou bolo. Indivíduos com o transtorno podem ter até cinco vezes mais chance de desenvolverem o transtorno alimentar chamado Bulimia, que leva à ingestão desenfreada de alimentos em um curto período de tempo.

– A conexão da dopamina: este químico cerebral pode estar em parte ligado ao consumo exagerado de alimentos no TDAH. A dopamina é parte do seu sistema de recompensas no cérebro. É o químico que gera um bem-estar e uma sensação de estar satisfeito após comer algo gostoso. Pessoas com TDAH têm níveis baixos de dopamina. Na realidade, as drogas estimulantes usadas no tratamento aumentam estes níveis. Talvez, seja por isso que você sinta mais vontade de comer biscoitos, pães e bolos – porque os carboidratos refinados nestes alimentos geram grande liberação de dopamina no cérebro.

– Hábitos alimentares: muitos sintomas do TDAH podem estar prejudicando seus hábitos. Se você não consegue planejar suas refeições, pode ser muito mais difícil preparar alimentos corretos quando a fome chega. Neste caso, você pode acabar optando por rápidos pratos cheios de junk food.

A falta de foco pode ser um problema na hora de escolher alimentos nutritivos no restaurante ou no supermercado – ou até mesmo na hora de preparar uma refeição saudável em casa. Já a falta de atenção, pode impedi-lo de perceber quando você está satisfeito.

O estresse, é claro, pode lhe levar a comer movido por emoções. Por último, a monotonia pode ser a causa de um dos mais preocupantes padrões para quem precisa perder peso: comer para passar o tempo.

– Hiperatividade e gasto energético: nada mais comum do que ligarmos o TDAH ao movimento constante. Afinal, pessoas hiperativas nunca param e devem ser muito magras, certo? Nem sempre. Primeiramente, porque nem todos os pacientes do transtorno são hiperativos. Em segundo lugar, este excesso de energia pode levar ao consumo excessivo de alimentos.

O que fazer para controlar o peso?

Hiperatividade: se a hiperatividade é o seu problema, use esta energia extra para se exercitar. Comprometa-se a comer apenas após alguma atividade física. Caminhadas, yoga, dança, tudo vale, desde que gaste o excesso de energia e lhe dê algum tipo de prazer. Se exercícios longos lhe geram monotonia, não faça. Escolha sessões mais curtas, de 10min ou 15min para que você consiga concluir com satisfação.

Monotonia: se você tem comido para passar o tempo na frente da televisão, desligar esta relação tela x alimento é a melhor solução para começar. Foque em fazer suas refeições típicas na mesa por algumas semanas, até que você se sinta confortável com isso. Escolha uma boa música para lhe acompanhar se for o caso. A partir daí, foque na qualidade dos alimentos.

Falta de sono: um cérebro sempre ativo encontrará dificuldade para se acalmar no final do dia e dormir, então, não é surpreendente que o paciente com TDAH tenha problemas com o sono. A falta de sono é conhecida por ser um fator sério na elevação do peso2.

Quando nossos corpos estão privados de sono, o cérebro libera hormônios que nos levam a comer demais – principalmente alimentos com muito açúcar. Ao mesmo tempo, o metabolismo se torna mais lento, porque o organismo tenta conservar a gordura. Dormir 8h por noite (e tentar maximizar a qualidade deste sono) é um fator crucial para o emagrecimento.

Motivação: para lhe ajudar a seguir motivado, utilize um diário de alimentação. Há diversos apps que podem colaborar no acompanhamento da sua dieta e dos seus exercícios. Você poderá ver e medir seu crescimento e seu comprometimento consigo mesmo. Alguns apps usam jogabilidade, tornando a tarefa um desafio motivador, em que você pode competir com amigos e familiares para se divertir ainda mais.

Medicação: se você não está tomando sua medicação, agora é a hora certa para pensar nisso com seriedade. Como já mencionamos ao longo do texto, os efeitos da medicação tocam justamente nas questões que podem estar em desequilíbrio, levando você ou seu filho a comerem demais.

Neurotransmissores, como a dopamina, são otimizados pelo tratamento medicamentoso, que ajudará na supressão da vontade de comer, da ansiedade e de incontáveis outros sintomas.

As medicações estimulantes colaboram na Função Executiva do cérebro e isso é vital para regular o comportamento, evitar a alimentação excessiva, manter-se comprometido com atividades físicas e com planos alimentares.

Um estudo de 2009 investigou a dificuldade de emagrecer em adultos com TDAH5. A hipótese inicial era de que a falta de tratamento medicamentoso estava dificultando a perda de peso. Então, os pesquisadores introduziram medicamentos estimulantes na rotina nos participantes do estudo. 466 dias depois, eles haviam perdido 13% do peso original.

Converse com seu médico e avalie as medicações, as dosagens e os efeitos. A partir de tudo que você leu aqui, agora, você já sabe sobre a importância de manter o efeito do medicamento no período em que você se sente mais angustiado e tomado pela vontade de comer. Reavalie sua geladeira, comprometa-se com as listas de compras e com o freezer repleto de refeições prontas e saudáveis. Você estará um passo mais próximo de uma vida mais saudável.

1 IS ADHD MEDICATION AFFECTING MY WEIGHT?. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/medication-weight#1>. Acesso em: 26 de novembro de 2018.

2 HOW ADHD CONTRIBUTES TO OBESITY IN CHILDREN. ADDITUDE. Disponível em: <https://www.additudemag.com/adhd-medication-side-effects-obesity-weight-gain>. Acesso em: 26 de novembro de 2018.

3 ADHD AND OBESITY. TREATMENT REALLY MAKES A DIFFERENCE. TOTALLY ADD. Disponível em: <https://totallyadd.com/blog/adhd-and-obesity/>. Acesso em: 26 de novembro de 2018.

4 ADHD KID WON’T EAT? IT’S ALL ABOUT HANDLING APPETITES. IMPACT ADHD. Disponível em: <https://impactadhd.com/organize-your-life-and-family/adhd-kid-wont-eat-its-all-about-handling-appetites/>. Acesso em: 26 de novembro de 2018.

5 LEVY LD et al., 2009. Treatment of refractory obesity in severely obese adults following management of newly diagnosed attention deficit hyperactivity disorder. Int J Obes (Lond). 2009 Mar;33(3):326-34. doi: 10.1038/ijo.2009.5. Epub 2009 Feb 17. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19223848>. Acesso em: 25 de outubro de 2018.

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DIETILESTILBESTROL  PODE ELEVAR O RISCO DE TDAH NOS SEUS NETOS

DIETILESTILBESTROL PODE ELEVAR O RISCO DE TDAH NOS SEUS NETOS

Os netos de mulheres que tomaram o estrogênio sintético Dietilestilbestrol (DES) durante a gravidez podem ter risco aumentado de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), de acordo com um estudo publicado na JAMA Pediatrics1, ano passado.

Dietilestilbestrol (DES) é um disruptor endócrino que, entre a década de 1940 e 1970, foi indicado a mulheres grávidas, na crença de que reduziria o risco de complicações na gravidez. No entanto, seu uso começou a ser reduzido a partir de 1953, quando um estudo descobriu que não havia benefício algum na utilização2.

Análises posteriores também demonstraram que o DES poderia, potencialmente, causar uma série de efeitos adversos graves ao longo da vida daqueles que foram expostos ao disruptor.
Dentre estes problemas, descobriu-se que o DES poderia causar adenosis e adenocarcinoma vaginal, um tumor raro, em mulheres que tinham sido expostas a esta droga in utero. Ainda, que as netas de mulheres que utilizaram o DES poderiam sofrer de ciclos menstruais irregulares e ter o risco de morte de seus bebês elevado. Já os netos, poderiam sofrer de hipospádia peniana, uma condição muito incomum, em que a abertura do pênis fica na parte de baixo, não na ponta.

Nos Estados Unidos, entre 5 e 10 milhões de mulheres utilizaram o DES, até que ele foi banido do país, em 1971.

O estudo do JAMA Pediatrics trouxe mais um possível efeito: a utilização do DES no primeiro trimestre de gravidez poderia aumentar o risco do diagnóstico de TDAH nos netos em até 36%.

“Uma exposição durante a gravidez tem o potencial de impactar múltiplas gerações se o nenê for menina. Isso ocorre porque os oócitos (células sexuais produzidas nos ovários) que se desenvolverão nas netas destas mulheres se formam enquanto suas mães ainda estão no útero de suas avós”, explica a líder da pesquisa, Marianthi-Anna Kioumourtzoglou, da Columbia University, em Nova York3.
Este estudo analisou dados de mais de 47 mil mulheres. Destas, 861 haviam utilizado o DES na gravidez. Os investigadores constataram uma variação significativa entre o diagnóstico dos netos de mulheres que utilizaram o DES (7,7% dos netos diagnosticados com TDAH) e daquelas que não utilizaram (5,3% diagnosticados com o transtorno). O sexo dos nenês não foi relevante na variação do diagnóstico.
É importante lembrar as limitações deste estudo que residem no fato de que a análise dos dados foi feita com base no depoimento das mulheres sobre as medicações usadas por suas mães. Isso associa-se a um tremendo recall bias, ou seja, quem vive um problema tem mais chance de lembrar de potenciais situações ruins do passado que pense que possa estar associadas ao problema atual. Também, por possíveis diagnósticos de TDAH equivocados – os diagnósticos de TDAH não foram avaliados por médicos mas relatados pelas mães ao entrevistadores.

Os pesquisadores alertam que deficiências neurodesenvolvimentais multigeracionais associadas com a exposição do DES in utero podem estar ligadas a outros disruptores endócrinos ambientais, como a poluição. “Já que os químicos disruptores são ubíquos, a alta prevalência da exposição e a possibilidade de consequências cumulativas precisam ser levadas em conta”, esclarecem2.

Os efeitos da exposição ao Dietilestilbestrol podem surgir de duas formas: alterações diretas na sequência de DNA ou mudanças epigenéticas, que afetam os cromossomos e a expressão dos genes, mas não a estrutura básica do DNA.

Em um editorial de acompanhamento do estudo4, Joel T. Nigg, Ph.D, do Departamento de Psiquiatria da Oregon Health & Science University (EUA), foca na possibilidade de que o risco elevado de TDAH seja resultado de mudanças epigenéticas geradas pela utilização do DES. Ele também enfatiza a relevância de compreender a complexidade dos disruptores endócrinos ambientais.
“Kioumourtzoglou e sua equipe usam uma abordagem que nem sempre é levada em conta: o exame de uma transmissão multigeracional de associações ambientais. Esta abordagem pode ser a mais relevante da perspectiva epigenética”, escreve Nigg.
“Quando se trata de uma patologia psiquiátrica, estamos uma década atrasados tanto no meio ambiente quanto na epigenética, e é por isso que a ciência verdadeiramente integrativa deve assumir o centro da questão”, diz Nigg, que conclui: “o que fica ainda mais claro é que os fatores ambientais e os mediadores de psicopatologias e desordens neurodesenvolvimentais devem ser prioridade máxima na pesquisa”.
Apesar do DES não ser mais prescrito, outros químicos que alteram o desenvolvimento fetal podem entrar no organismo dos nenês, como pesticidas, produtos de beleza e poluição do ar.

Fontes
1 KIOUMOURTZOGLOU M, et al. Association of Exposure to Diethylstilbestrol During Pregnancy With Multigenerational Neurodevelopmental Deficits. JAMA Pediatrics. 2018;172(7):670-677. doi:10.1001/jamapediatrics.2018.0727. Disponível em: <https://jamanetwork.com/journals/jamapediatrics/article-abstract/2680954>. Acesso em: 08 de janeiro de 2019.
2 DES RAISES ADHD RISK IN GRANDCHILDREN. MEDSCAPE MEDICAL NEWS. Disponível em: <https://www.medscape.com/viewarticle/896947>. Acesso em: 038 de janeiro de 2019.
3 DES TIED TO ADHD GENERATIONS LATER. PSYCH CONGRESS NETWORK. Disponível em: <https://www.psychcongress.com/news/des-tied-adhd-generations-later>. Acesso em: 08 de janeiro de 2019.
4 Toward an Emerging Paradigm for Understanding Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder and Other Neurodevelopmental, Mental, and Behavioral Disorders Environmental Risks and Epigenetic Associations. JAMA PEDIATRICS – EDITORIAL. Disponível em: <https://relaped.com/wp-content/uploads/2018/05/4-1.pdf>. Acesso em: 038 de janeiro de 2019.

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ESTUDO DO NEW ENGLAND MEDICAL JOURNAL COMPARA RISCO DE SINTOMAS DE PSICOSE ENTRE MEDICAÇÕES ESTIMULANTES

ESTUDO DO NEW ENGLAND MEDICAL JOURNAL COMPARA RISCO DE SINTOMAS DE PSICOSE ENTRE MEDICAÇÕES ESTIMULANTES

Quão grande é o risco de aparecimento de sintomas de psicose com o uso de medicamentos estimulantes em adolescentes e adultos jovens? Um estudo divulgado recentemente preocupou muitos pais, mas especialistas dizem que os riscos examinados no estudo são baixos e já bem conhecidos.

L. Eugene Arnold, MD, especialista vinculado ao CHADD, diz que o estudo compara, com maior precisão, a probabilidade de efeitos colaterais entre os dois principais tipos de medicamentos estimulantes e mede o risco de sintomas psicóticos relacionados aos medicamentos.

“A única coisa nova é a comparação entre os dois estimulantes”, diz o Dr. Arnold. “Do contrário, não está nos dizendo nada de novo.”

Efeitos colaterais de medicamentos bem conhecidos

Quando um jovem recebe pela primeira vez uma medicação estimulante, o médico discute a possibilidade de efeitos colaterais com os pais e paciente, ou apenas com o paciente, se ele for um adulto jovem. Os efeitos colaterais mais comuns são náusea, diminuição do apetite, problemas para dormir ou sensação de nervosismo. Depois de um pouco de tempo, esses efeitos colaterais geralmente desaparecem ou uma mudança na dosagem é necessária. Em um pequeno número de adolescentes e adultos jovens, há a possibilidade de surgimento de sintomas psicóticos, como ouvir vozes ou ver coisas que não existem, acreditar em coisas que não são verdadeiras ou suspeitar dos outros sem causa.
“Há um pequeno risco de isso acontecer”, diz ele. “Mas há um risco em tudo o que você faz ou não faz. Não fazer nada traz riscos também.

O fato de não tratar os sintomas do TDAH, seja por meio do manejo comportamental, ou pelo manejo combinado com medicamentos e terapia comportamental, pode ter sérias consequências, diz ele. Além do insucesso escolar e problemas comportamentais, os jovens também correm o risco de problemas com amigos e familiares, abuso de substâncias e atividades sexuais precoces, danos às relações familiares, baixa autoestima, insucesso no local de trabalho e maus resultados de saúde a longo prazo.
O Dr. Arnold afirma que sempre discutiu o risco de efeitos colaterais com pacientes e pais e pediu que ligassem para ele imediatamente se eles sentissem – ou até pensassem que estivessem experimentando – um efeito colateral devido à medicação. Esses sintomas, diz ele, desaparecerão dentro de um ou dois dias depois de parar a medicação. Outros médicos também pedem aos seus pacientes e pais para contatá-los imediatamente havendo algum problema.
“Se você começar com a dose baixa e, gradualmente, trabalhar até a dose ideal, você pode evitar a maioria dos efeitos colaterais”, diz o Dr. Arnold.

Estudo mede diferença entre medicamentos

Este estudo, Psychosis with Methylphenidate or Amphetamine in Patients with ADHD, comparou a taxa de sintomas psicóticos entre metilfenidato e anfetaminas. Não mediu a probabilidade de um paciente desenvolver sintomas ao tomar uma medicação estimulante como abordagem de tratamento.
Os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos de 110.923 pacientes; um grupo recebeu prescrição de metilfenidato e o outro de derivados anfetamínicos. Entre todos os jovens de ambos os grupos, os pesquisadores notaram sintomas de psicose de início recente em apenas um em cada 660 pacientes.

Entre os indivíduos estudados, a possibilidade de desenvolver sintomas psicóticos foi extremamente baixa. Para os que receberam metilfenidato foi de 0,10% e 0,21% para aqueles que receberam prescrição de medicamentos à base de anfetaminas.

“Este estudo apenas nos diz um pouco mais sobre os riscos relativos entre os dois tipos de estimulantes”, diz o Dr. Arnold. “Isso quantifica um pouco.”
“Nós sabemos, há muito tempo, sobre a inter-relação entre os sintomas de TDAH e psicose”, diz Max Wiznitzer, MD. Ele é neurologista pediátrico no Rainbow Babies & Children’s Hospital em Cleveland, Ohio. O Dr. Wiznitzer é professor associado de pediatria, neurologia e saúde internacional na Case Western Reserve University e é o co-presidente do conselho consultivo profissional do CHADD. Ele diz que cerca de 30-50 por cento dos adultos que têm esquizofrenia foram diagnosticados em seus anos mais jovens com TDAH. No entanto, um diagnóstico de TDAH não significa que uma pessoa desenvolverá posteriormente esquizofrenia.

“Estimulantes podem ser usados com segurança quando a psicose é controlada”, diz Wiznitzer, acrescentando a necessidade de médicos e pacientes trabalharem juntos.

O Dr. Wiznitzer observou que os participantes do estudo eram adolescentes e jovens adultos. Essa é a idade em que os sintomas de psicose relacionados a outras condições de saúde mental emergem primeiro, o que poderia ter afetado o estudo. “Eu acredito que os jovens que desenvolveram sintomas de psicose na associação temporal já tinham a predisposição para isso”, diz ele, observando que a psicose é relatada em até 3% da população adulta.

O que os pais devem saber sobre esses resultados

O Dr. Arnold incentiva os pais e jovens a discutirem quaisquer preocupações que tenham com seus médicos. Ele também observa que o estudo não trouxe nenhuma novidade que os médicos não estivessem cientes ao trabalhar com seus pacientes.
Especialistas em TDAH, especialmente os médicos que prescrevem medicamentos, podem interessar-se nestes resultados, diz o Dr. Arnold. As informações, combinadas com o histórico médico completo do paciente, podem ajudá-los a tomar decisões melhores em relação às opções de tratamento.
Se um adolescente ou jovem adulto já estiver tomando um medicamento estimulante como parte do tratamento e, especialmente, se ele estiver tomando esse remédio por algum tempo sem nenhum efeito colateral, então o risco de desenvolver novos sintomas de psicose neste momento é extremamente baixo.

“Se eles estão tomando uma medicação e têm uma dose estabelecida e se beneficiam disso, não há razão para se preocupar”, diz Arnold. “Se eles tivessem esse efeito colateral, eles o teriam notado antes em qualquer dose que estivessem tomando.”

Ele também enfatizou que qualquer que seja a possibilidade de um efeito colateral, essa possibilidade já existia antes que este estudo fosse divulgado. Para o paciente individual, a comparação entre os dois medicamentos não tem significância. O estudo não alterou os riscos inerentes de empregar medicação para tratar o TDAH.
“Isso não aumenta o risco dos medicamentos”, diz ele. “O risco de efeitos colaterais não é maior depois que este artigo foi publicado do que era antes.”

Traduzido do Chadd – ADHD Weekly, March 28, 2019

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TERAPIA COMPORTAMENTAL PARA O TDAH: CONSIDERE ESTA ABORDAGEM

TERAPIA COMPORTAMENTAL PARA O TDAH: CONSIDERE ESTA ABORDAGEM

O tratamento psicossocial é uma parte fundamental na melhoria dos sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), tanto para crianças quanto para adolescentes.
Tratamentos psicossociais, tais como, terapia comportamental ou modificação de comportamento, além do uso de medicações, têm sólida base em evidências que demonstram sua efetividade1. É importante que você saiba que a terapia comportamental é o único tratamento não medicamentoso para o TDAH que possui amplo fundamento científico.
Mesmo assim, o número de pais que investe nesta abordagem não é tão alto quando os especialistas indicam2. O Centers for Disease Control & Prevention alerta que 62% das crianças recebem medicação, mas que apenas 47% fazem algum tratamento comportamental3.
Tratar uma criança frequentemente envolve intervenções médicas, educacionais e comportamentais. Esta abordagem abrangente é chamada de multimodal e reúne fatores como educação dos pais e da criança sobre o diagnóstico e o tratamento, técnicas para administrar o comportamento, medicação e planejamento escolar.
A severidade e o tipo de TDAH podem ser elementos importantes na hora de decidir quais intervenções utilizar. O tratamento deve ser ajustado às necessidades particulares de cada criança e família.

Por que aderir a tratamentos psicossociais?

A terapia comportamental para o TDAH é importante por diversas razões. Primeiramente, porque crianças com o transtorno enfrentam desafios cotidianos que vão muito além de seus clássicos sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Estas situações incluem performance e comportamento na escola, relacionamento com os colegas, com os pais e os irmãos e dificuldade de seguir ordens de adultos e professores.
Estes problemas são de extrema relevância, pois predizem como as crianças diagnosticadas com TDAH se desenvolverão em longo prazo.
Segundo a Children and Adults with Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder (CHADD)1, há três fatores principais na previsão do desenvolvimento da criança:

1 – se os pais utilizam ferramentas educacionais efetivas;
2 – como o jovem paciente se relaciona com outras crianças;
3 – performance escolar (notas e comportamento).

Os tratamentos psicossociais são eficazes na melhoria destes elementos fundamentais. Ainda, ensinam capacidades aos pais e professores para que os adultos envolvidos na formação do jovem possam ajudá-lo a superar suas deficiências.

O que é a modificação comportamental?

Através da chamada modificação comportamental, pais, professores e crianças aprendem técnicas e habilidades específicas com um terapeuta ou com um educador experiente na abordagem. Estes profissionais ajudarão a melhorar o comportamento do jovem paciente.
Pais e professores, então, utilizarão estas capacidades em suas interações rotineiras com a criança diagnosticada com TDAH. Isso colaborará com o funcionamento do jovem em áreas fundamentais de sua vida. Ainda, a criança com TDAH utilizará as habilidades aprendidas em suas interações com colegas e com amigos de sua idade.

A modificação comportamental trabalha com três eixos:

– antecedentes (gatilhos que disparam ou que antecedem determinados comportamentos);
– comportamentos (coisas que a criança faz e que os pais e os professores desejam mudar);
– consequências (questões que acontecem após comportamentos específicos).

Em programas comportamentais, os adultos aprendem a mudar os antecedentes. Por exemplo, transformando a maneira com que dão ordens aos filhos.
Também, aprendem a mudar as consequências. Por exemplo, controlando a forma com que reagem quando a criança obedece ou desobedece aos pais.
Assim, ao consistentemente controlar situações e mudar suas respostas, os adultos se tornam aptos para criar novos comportamentos na criança. Intervenções nos pais, nos professores e nos pacientes devem ser trabalhadas simultaneamente para gerar os melhores resultados.

O CHADD indica cinco pontos principais que devem ser incorporados nos três eixos da modificação de comportamento1.

1 – Comece com metas possíveis, que a criança seja capaz de conquistar em pequenos passos.
2 – Seja consistente. Mantenha as capacidades aprendidas durante diferentes períodos do dia, em diversos ambientes.
3 – Expresse as consequências imediatamente após o comportamento indesejado.
4 – Implemente as intervenções comportamentais por um longo tempo – não apenas por alguns meses.
5 – Saiba que aprender e ensinar capacidades é um processo lento e que a melhoria da criança será gradual.

Pais que almejam tentar uma abordagem psicossocial com seus filhos devem aprender o que diferencia a modificação do comportamento de outras técnicas. Assim, eles poderão reconhecer o que é de fato eficaz no tratamento e se sentir confiantes de que aquilo que o terapeuta oferece ajudará no desenvolvimento do filho.

Como encontrar um profissional habilitado?4

O primeiro passo para aderir ao tratamento psicossocial é encontrar um profissional de saúde especializado em terapia comportamental. Isso não é exatamente simples, especialmente se há dificuldades financeiras envolvidas ou se a família mora em lugares muito afastados dos grandes centros.
Neste caso, converse com o médico da família e peça alguma indicação. Ainda, fale com o plano de saúde e busque uma lista de profissionais. O plano pode não cobrir todo o tratamento, mas muitos oferecem algum tipo de benefício. Você também pode recorrer a fóruns, conversar com outros pais ou procurar instituições ligadas ao TDAH no Brasil.
Busque profissionais que foquem no ensino de ferramentas para os pais. Pais são os grandes modelos das crianças. Portanto, são eles que exercem maior influência sobre o comportamento dos filhos.
No caso de crianças pequenas, focar no treinamento dos pais é ainda mais recomendado, já que pacientes muito jovens ainda não são maduros o suficiente para mudarem seus próprios comportamentos sem a ajuda de seus pais.

Antes de escolher o terapeuta, questione-se sobre as seguintes perguntas4:

– O terapeuta ensina estratégias que usam reforço positivo, estrutura e disciplina consistente para administrar o comportamento do seu filho?
– Ele ensina maneiras positivas de interação e comunicação com a criança?
– Ele recomenda atividades práticas para que você exercite com seu filho em casa?
– Vocês se encontram regularmente para monitorar o progresso da criança e ajustar intervenções?
– Ele se mantém flexível no ajuste do método e das ferramentas?

Tipicamente, os pais comparecem a oito ou mais sessões com o terapeuta, que encontra a família com frequência para revisar a progressão do tratamento, prover apoio, tirar dúvidas e afinar estratégias. No intervalo entre as consultas, os pais praticarão os exercícios sugeridos.

Medicação ou Tratamento Psicossocial: devo escolher ou fazer ambos?

Algumas famílias podem escolher tentar a medicação primeiro e outras podem se sentir mais confortáveis começando pela terapia comportamental. Outra opção é incorporar ambas as abordagens ao plano de tratamento inicial. A combinação das duas modalidades pode reduzir a dose da medicação1. Para crianças muito pequenas, o tratamento psicossocial é recomendado antes dos medicamentos.
Ainda, é válido notar que um número cada vez maior de médicos defende que medicamentos não devem ser utilizados sozinhos, ou seja, que devem ser combinados com o treinamento dos pais e com intervenções escolares.
No fim, cada família precisará tomar decisões com base em seu orçamento mensal, na gravidade do transtorno do seu filho e nas possibilidades particulares de cada um. Mantenha sempre em mente que não há um tratamento perfeito para todas as pessoas.

Fontes
1 PSYCHOSOCIAL TREATMENTS. CHILDREN AND ADULTS WITH ATTENTION-DEFICIT/HYPERACTIVITY DISORDER (CHADD). Disponível em: <https://chadd.org/for-parents/psychosocial-treatments/>. Acesso em: 04 de janeiro de 2019.
2 EMPHASIZING PSYCHOSOCIAL TREATMENTS FOR ADHD. NEW ENGLAND PSYCHOLOGIST. Disponível em: <https://www.nepsy.com/articles/columnists/emphasizing-psychosocial-treatments-for-adhd/>. Acesso em: 04 de janeiro de 2019.
3 ADHD Data & Statistics. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Disponível em: <https://www.cdc.gov/ncbddd/adhd/data.html/>. Acesso em: 04 de janeiro de 2019.
4 Behavior therapy for young children with ADHD. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Acesso em: 04 de janeiro de 2019.

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IMPULSIVIDADE E TDAH: UMA QUESTÃO CEREBRAL

IMPULSIVIDADE E TDAH: UMA QUESTÃO CEREBRAL

Todos já passamos por situações em que dissemos ou fizemos coisas das quais nos arrependemos. Porém, quando falamos de indivíduos diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), estes momentos podem ir longe demais.
Por mais que a desatenção e a inquietude sejam as características mais mencionadas quando falamos sobre TDAH, um sintoma precisa ser trazido à tona: a impulsividade.

A impulsividade não é algo de todo mal, explica Catharine A. Winstanley, Ph.D1. “É uma característica do comportamento humano, que pode ser tanto benéfica quanto prejudicial em nosso cotidiano”, pondera ela. “Por exemplo, a habilidade de agir impulsivamente pode nos fazer aproveitar uma oportunidade, mas também pode nos levar a decisões desastrosas, capazes de gerar arrependimento pelo resto da vida”, explica a pesquisadora.

Impulsividade e TDAH no cérebro

A tomada de decisões é parte do córtex pré-frontal, que é a região do cérebro responsável pelo pensamento. É a última parte do cérebro a amadurecer, o que só ocorre por volta dos 20 anos de idade. Isso explica as decisões impulsivas dos adolescentes.
Pessoas diagnosticadas com TDAH têm um atraso ainda maior na maturidade desta região, o que pode indicar o porquê desta impulsividade relacionada ao transtorno2.

Como o TDAH e o controle de impulsos se relacionam?3

O tálamo, uma estrutura localizada no diencéfalo, entre o córtex cerebral e o mesencéfalo, é responsável por controlar a inibição de respostas. O tálamo funciona como um portão que envia sinais para permitir ou para barrar determinados comportamentos.
Quando o cérebro detecta uma bandeira vermelha, envia um aviso do tálamo para o córtex frontal. Este é o centro de controle do cérebro, que lida com a expressão de emoções e com a resolução de problemas.
No cérebro de um indivíduo diagnosticado com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, este portão tem problemas. Isso significa que a pessoa pode ter dificuldades de segurar um comentário que machuca os sentimentos de alguém ou de controlar desejos, como comer um doce ou gastar dinheiro.
Pessoas sem TDAH têm a habilidade de parar no meio do caminho quando percebem que alguém não está feliz com um comentário, afirma Joel Nigg, Ph.D2. “A criança com TDAH precisa de 20 a 30 milissegundos a mais para enviar estes alertas, o que é uma eternidade quando falamos sobre controle de comportamento”, explica Nigg.
Em outras palavras, não se trata apenas de mera grosseria ou falta de disciplina. Trata-se de uma disfunção no sistema de sinalização do cérebro.

Tipos de impulsividade

Três tipos de impulsividade podem de fato impactar a vida de uma pessoa, incluindo a experimentação de drogas e álcool.

– A direção impulsiva pode levar a pessoa a taxas elevadas de acidentes.
– A impulsividade na vida sexual está diretamente relacionada à maior incidência de doenças sexualmente transmissíveis.
– A impulsividade verbal é prejudicial para as relações sociais e frustrante para amigos e parentes.

Controle da impulsividade

Então, quais são os pontos-chave no controle da impulsividade? Um bom lugar para começar é conhecer seus riscos individuais.
Seus comportamentos impulsivos se manifestam mais verbalmente? Você tem a tendência de gastar mais dinheiro do que possui? Você não consegue controlar sua alimentação? Estes momentos são considerados críticos para a impulsividade. Então, mantê-los no radar é muito importante.
Um segundo ponto é quando estes momentos ocorrem. A impulsividade surge em situações muito emotivas ou reativas? Álcool e drogas potencializam este problema?
Uma vez que você mantém estas questões em mente, é hora de ativar o freio. Isso quer dizer que, em vez de você tomar decisões imediatamente, você acionará o freio e postergará a escolha para depois, quando você conseguir lidar com as alternativas de forma mais efetiva. Para tanto, permita-se tempo para dialogar com amigos sobre o assunto, um coach, psicólogo ou alguém em quem confia.

Como prevenir ações impulsivas?1

– Reconheça as situações em que você tende a ser impulsivo. Planeje-as com antecedência. Por exemplo, leve ferramentas capazes de relaxá-lo para uma reunião de negócios.
– Pratique o mindfulness. No Brasil, o método é chamado de Consciência Plena e ensina técnicas que auxiliam na percepção de si mesmo e daquilo que lhe rodeia. Ao manter essa vigilância constante, você se torna mais apto a julgar seus próximos passos.
– Crie obstáculos para ações impulsivas. Deixe o cartão de crédito em casa. Não tenha doces e guloseimas em casa. Utilize uma frase padrão antes de dizer algo, como “eu estava pensando a respeito de uma coisa…”. Esta fração de tempo ajudará seu cérebro a escolher o que deve ser dito.

Fonte
1. OOPS! THAT WAS IMPULSIVE. CHADD. Disponível na versão cache: <https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:0qruxK5cTuEJ:https://chadd.org/adhd-weekly/oops-that-was-impulsive-2/+&cd=16&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br>. Acesso em: 04 de janeiro de 2019.
2. IMPULSIVITY: A SYMPTOM OF ADHD. PSYCHOLOGY TODAY. Disponível na versão cache: <https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:rJuc-zKFpakJ:https://www.psychologytoday.com/us/blog/fast-minds/201303/impulsivity-symptom-adhd+&cd=9&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br>. Acesso em: 04 de janeiro de 2019.
3. Impulsivity, Explained. ADDITUDE. Disponível em <https://www.additudemag.com/adhd-brain-impulsivity-explained/>. Acesso em: 04 de janeiro de 2019.

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