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AS 8 PERGUNTAS MAIS FREQUENTES SOBRE TDAH

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Post Series: TDAH & Cérebro

Os principais sites de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade no mundo recebem milhares de perguntas todas as semanas. As mesmas dúvidas cruzam países, mobilizando famílias inteiras em diferentes momentos: antes de diagnosticar a criança, durante o tratamento e quando surge o grande temor com relação ao futuro dos filhos.

Reunimos as 08 principais dúvidas sobre o transtorno, apresentadas nos sites que mais indicamos. Trazemos para vocês as respostas de grandes especialistas norte-americanos e brasileiros, tanto para responder suas dúvidas objetivamente, quanto para gerar o conforto de saber que você não está sozinho nas suas interrogações. Vamos começar?

  1. O que é TDAH? O TDAH é uma doença nova?

O TDAH é reconhecido em diferentes países desde o século XIX. O que ocorre é que os detalhes sobre o transtorno e a descrição mais completa do que ele representa só começaram a surgir na década de 1960.

Ainda, algumas pessoas podem achar que o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é uma doença nova devido ao nome, que surgiu apenas em 1994. Até então, a doença era chamada de DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção), isso porque nem todos os pacientes são hiperativos físicos (H), mesmo que a hiperatividade mental esteja sempre presente. Ainda, a palavra “transtorno” (T) foi escolhida devido à ideia equivocada que “distúrbio” (D) poderia transmitir algo passageiro, quando sabemos que o TDAH é uma condição crônica.1

De 1994 para cá, todas as desordens ligadas ao déficit de atenção passaram a ser denominadas de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, mesmo que o paciente não tenha os sintomas de hiperatividade física. Contudo, vale lembrar que são apenas nomes e muitos profissionais utilizam ambos para falar da mesma coisa.

O que importa de fato é que o TDAH é uma desordem crônica do neurodesenvolvimento que afeta 11% das crianças em idade escolar. Os sintomas continuam até a idade adulta em mais do que 3/4 dos casos. O TDAH é caracterizado por altos níveis de desatenção, impulsividade e hiperatividade.2

  1. TDAH pode ser causado por erros dos pais?

Existe pouca evidência de que o TDAH aconteça apenas por causa de fatores sociais ou por conta da criação. A tendência de fazer várias coisas ao mesmo tempo pode levar a pessoa ao estresse, o que Dr. Edward Hallowell chama de “Déficit de Atenção Induzido”.

Nesse caso, desenvolver disciplina para fazer uma tarefa de cada vez já pode ser suficiente para resolver o problema. A psicoterapia pode ajudar nessa reestruturação e não há necessidade de medicação.3

Contudo, no caso do TDAH, a pessoa já nasce com as características, independentemente de seu ambiente de estudo ou trabalho. O tratamento, aqui, é fundamental para que a pessoa possa se realizar na vida profissional, social, familiar e/ou afetiva.

Ou seja, as causas mais substanciais do TDAH aparentam recair sobre fatores genéticos ou neurobiológicos. Pesquisas mostram diferenças significativas na estrutura e no funcionamento do cérebro de pessoas com TDAH. Esses estudos estruturais e metabólicos, somados aos estudos genéticos e sobre a família, bem como as pesquisas sobre reação a medicamentos, demonstram claramente que o TDAH é um transtorno neurobiológico. Apesar da intensidade dos problemas experimentados pelos portadores variar de acordo com suas experiências de vida, está claro que a genética é o fator básico na determinação do aparecimento dos sintomas do TDAH.1

  1. Como é feito o diagnóstico do TDAH?

Não existe um exame único capaz de diagnosticar o TDAH. Determinar se uma criança é portadora do transtorno é um processo complexo. Muitos problemas podem contribuir para o desenvolvimento de sintomas similares aos de pacientes com TDAH. Nestes casos, ansiedade, depressão e outras condições podem ser o diagnóstico correto ou também podem coexistir com o TDAH.

Portanto, uma avaliação compreensiva é necessária para estabelecer o diagnóstico – para desconsiderar outros fatores e para determinar a presença ou a ausência de determinadas condições. Tais avaliações exigem tempo e esforço e precisam incluir um histórico clínico cuidadoso sobre o paciente – vida acadêmica ou escolar, social, emocional e desenvolvimental.

Um histórico preciso deve ser traçado a partir dos pais, professor e, se apropriado, a partir da própria criança. Checklists para avaliar os sintomas e outras condições coexistentes são frequentemente utilizadas por médicos; estes instrumentos avaliam comportamentos apropriados para cada idade e mostram quando os sintomas são extremos ou comuns para cada nível desenvolvimental.4

  1. Quais especialistas podem diagnosticar e tratar TDAH?

Quando os pais forem procurar uma avaliação ou tratamento para o TDAH, é fundamental que busquem um profissional de saúde qualificado e licenciado. Garanta que este profissional tenha treinamento adequado para o TDAH e experiência suficiente para lidar com o transtorno. O diagnóstico correto do TDAH exige, por parte do médico, um conhecimento sólido sobre diagnóstico diferencial (identificar e discriminar os sintomas de acordo com as especificidades do quadro clínico e histórico emocional do paciente).

Psicólogos, médicos psiquiatras, neurologistas e pediatras estão habilitados para fazer um diagnóstico.

  1. Qual é o tratamento mais comum para TDAH?

O tratamento do TDAH geralmente exige intervenção médica, educacional, comportamental e psicológica. Esta abordagem multidisciplinar é, muitas vezes, chamada de abordagem combinada (multimodal) e, dependendo da idade do paciente, pode incluir os seguintes fatores:

– Programas de treinamento para pais

– Medicação

– Treinamento de habilidades

– Aconselhamento

– Terapia cognitivo-comportamental

– Apoio educacional

– Educação com relação ao TDAH6

O tratamento de crianças e adolescentes com TDAH é baseado na intervenção multidisciplinar e envolve diferentes profissionais das áreas médicas, saúde mental e pedagógica. Também deve incluir as famílias envolvidas para que possa garantir ajuda efetiva no controle de sintomas, na administração do transtorno e na melhoria tanto do bem-estar psicológico quanto das relações sociais do paciente.1

Intervenções no âmbito escolar também são importantes e, muitas vezes, é necessário um acompanhamento psicopedagógico centrado na forma do aprendizado, como por exemplo, nos aspectos ligados à organização e ao planejamento do tempo e das atividades.

É importante lembrar que o TDAH é um transtorno que afeta os indivíduos ao longo da vida. Isso significa que os sintomas geralmente passam de uma fase para outra e se estendem através de diversas áreas, manifestando-se de diferentes formas.

O único tipo de psicoterapia que foi alvo de estudos científicos e que comprovou eficácia no tratamento do TDAH é a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental. Não há estudos que comprovem eficácia de outros tipos de psicoterapia (psicanálise, terapias corporais etc).1

Medicação

Usados de forma apropriada, medicamentos como Metilfenidato e Lisdexanfetamina ajudam a suprimir e a regular o comportamento impulsivo. Eles reduzem a hiperatividade e ajudam na concentração, podendo permitir uma performance escolar mais tranquila e adaptada.

Esta medicação também pode ajudar crianças com transtornos associados a controlarem o comportamento destrutivo. Quando utilizados com a devida supervisão, os medicamentos são considerados seguros e sem grandes efeitos colaterais (algumas crianças podem sentir insônia, dores no estômago ou na cabeça).

Medicamentos raramente farão a criança se sentir nas nuvens ou com sono. Outro problema incomum, mas que deve ser acompanhado, é a altura e o peso do paciente. Estes fatores devem ser monitorados durante o uso dos remédios. Na adolescência, devido aos casos de uso incorreto, o indicado é que os pais sigam administrando a medicação.7

  1. Comorbidades e TDAH: quais transtornos mais ocorrem simultaneamente com TDAH?

Mais de dois terços dos indivíduos com TDAH têm, ao menos, uma condição coexistente (comorbidade). Os sintomas do TDAH – movimento constante, inquietação, interrupção, dificuldade de ficar sentado, necessidade de lembretes etc – podem obscurecer as outras desordens.

Mas, assim como o TDAH sem tratamento pode apresentar desafios na vida cotidiana, outras desordens também podem causar sofrimento desnecessários aos portadores do TDAH e às suas famílias se prosseguirem sem o tratamento adequado.

Qualquer transtorno pode estar associado ao TDAH, mas certas desordens costumam ocorrer com mais frequência: as mais comuns são os transtornos de comportamento disruptivo, desordens relacionadas ao humor, ansiedade, tiques e Síndrome de Tourette, transtornos de aprendizado, de sono e abuso de substâncias químicas.2

  1. Quais são as consequências mais graves do TDAH?

Crianças e adolescentes com TDAH sofrem mais acidentes e se machucam com mais frequência do que crianças sem TDAH. Pesquisas indicam que crianças com o transtorno têm chance significativamente aumentada de se lesionarem enquanto caminham pela rua ou andam de bicicleta. Ainda, o envenenamento acidental pode acontecer com mais frequência, necessitando de intervenção hospitalar.

Por isso, crianças com TDAH têm taxas mais altas de internação em hospitais ou lesões que podem gerar incapacidades permanentes. Na adolescência, o uso de substâncias químicas e o comportamento de risco de portadores do TDAH ainda representam os maiores desafios.8

  1. Como O TDAH interfere na vida social e escolar do meu filho?

Crianças com TDAH têm chance aumentada de terem uma performance escolar reduzida, além de problemas de relacionamentos com colegas e professores. As taxas de evasão escolar também são mais altas entre adolescentes com TDAH. Muitos portadores do transtorno repetem as séries e recebem notas mais baixas devido a problemas com atenção, hiperatividade e impulsividade.

Uma questão típica são as crianças que esquecem de entregar as tarefas de casa, apesar de terem feito os exercícios ou os trabalhos. Escolas que possuem diferentes salas de aula para diferentes matérias podem ser um desafio extra para quem sofre da desordem. A troca de salas não é uma tarefa fácil para o portador do TDAH.

Crianças com TDAH serão beneficiadas por escolas capazes de modificar as instruções, provendo atendimento individualizado, acompanhamento especial em sala de aula ou recursos especiais, como tecnologias assistivas.7

Fontes:

1 PERGUNTAS MAIS FREQUENTES E SUAS RESPOSTAS. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO DÉFICIT DE ATENÇÃO. Disponível em: https://tdah.org.br/perguntas-mais-frequentes-e-suas-respostas . Acesso em: 28 de agosto de 2018.

2 FREQUENTLY ASKED QUESTIONS ABOUT ADHD. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/about-adhd/frequently-asked-questions-about-adhd.aspx . Acesso em: 28 de agosto de 2018.

3 PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE TDAH (DDA). UNIVERSO TDAH. Disponível em: http://www.universotdah.com.br/duvidas.html . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

4 DIAGNOSING ADHD. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/Understanding-ADHD/About-ADHD/Diagnosing-ADHD.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

5 QUEM FAZ ESTE DIAGNÓSTICO?. INSTITUTO PAULISTA DE DÉFICIT DE ATENÇÃO. https://dda-deficitdeatencao.com.br/artigos/que-especialista-faz-diagnostico-tdah.html . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

6 TREATMENT OF ADHD. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/Understanding-ADHD/About-ADHD/Treatment-of-ADHD.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

7 TREATMENT OF ADHD IN CHILDREN. PSYCHCENTRAL. Disponível em: https://psychcentral.com/disorders/childhood-adhd/treatment-of-adhd-in-children . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

8 FREQUENTLY ASKED QUESTIONS ABOUT ADHD. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/a-to-z-guides/frequently-asked-questions-about-attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

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