skip to Main Content
focus_logo_azul

Desenvolvido por

PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

O QUE A ESCOLA PODE FAZER POR CRIANÇAS COM TDAH? Estudo Aponta Práticas Importantes Para Instituições De Ensino

O QUE A ESCOLA PODE FAZER POR CRIANÇAS COM TDAH? Estudo aponta práticas importantes para instituições de ensino

Uma nova pesquisa pode ajudar a esclarecer caminhos para escolas que desejam apoiar crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) a melhorarem sintomas e a maximizarem sua performance escolar.

O estudo, liderado pela Universidade de Exeter, na Inglaterra, envolveu pesquisadores do EPPI-Centre (Universidade College London), que realizaram uma revisão sistemática de todas as pesquisas disponíveis sobre medidas não medicamentosas capazes de apoiar crianças com TDAH em instituições de ensino1.

Publicada na Review of Education, a pesquisa encontrou que intervenções que incluíam apoio individual e foco na autorregulação melhoravam os resultados escolares. O estudo foi custeado pelo National Institute for Health Research Collaboration for Leadership in Applied Health Research and Care (CLAHRC) South West Peninsula – ou PenCLAHRC.

O release oficial do estudo2 explica que o número médio de crianças com TDAH é de 5% e isso significa que a maioria das salas de aula no mundo terão ao menos um aluno com o transtorno. Estes alunos têm dificuldade de ficar parados, focar a atenção e controlar impulsos muito mais do que outras crianças de suas idades.

Escolas podem ser um ambiente particularmente desafiador para crianças portadoras de TDAH e a dificuldade de esperar a vez de falar ou fazer alguma coisa e até mesmo de ficar sentado pode afetar os professores ou os colegas de aula.

A equipe de investigadores encontrou 28 estudos clínicos randomizados sobre intervenções não medicamentosas capazes de ajudar crianças com TDAH nas instituições de ensino.

Em uma metanálise, eles observaram os diferentes componentes de cada medida sendo implementada para descobrir as evidências de quais seriam mais efetivas.

Os estudos variavam em qualidade, o que limita a confiança da equipe nos resultados, avisa o release oficial da pesquisa. Contudo, eles encontraram importantes aspectos de intervenções bem-sucedidas na melhoria da performance escolar das crianças, quando elas focavam no desenvolvimento da autorregulação e foram ensinadas em sessões individuais.

A autorregulação é uma capacidade difícil para crianças que tendem a ser impulsivas e que apresentam problemas de atenção. Crianças precisam saber como se sentem por dentro, achar gatilhos e evitá-los, se possível. Então, precisam parar e pensar antes de responderem aos outros. É um mecanismo complexo, que exige ainda mais de crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade do que de crianças sem a desordem, mas estas capacidades podem ser ensinadas e aprendidas.

A equipe do estudo também encontrou evidência promissora no uso de boletins diários. Nesta intervenção, as crianças estabelecem metas diárias que são revisadas e escritas em boletins que elas levam consigo da escola para a casa. Recompensas foram dadas para os alunos que atingiram suas metas.

O número de estudos observando esta ferramenta era menor e o resultado foi contraditório. Mas, a utilização de um relatório diário é uma medida relativamente barata e fácil de implementar. O boletim encoraja a colaboração entre escola e casa e oferece a flexibilidade para responder às necessidades individuais de cada criança.

Tamsin Ford, professora de Psiquiatria Infantil na Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter, diz que crianças com TDAH são obviamente únicas. “É um assunto complexo e não existe uma solução que se enquadre para todos os alunos. Contudo, nossa pesquisa dá a evidência mais forte até aqui de que intervenções não medicamentosas por parte das escolas podem sim ajudar crianças a desenvolverem seus potenciais em termos escolares, acadêmicos e em outras áreas de suas vidas”, argumenta a professora.

Ela reforça que mais pesquisas são necessárias. Mas, diz que, enquanto isso, “as escolas deveriam tentar os boletins diários e proporcionar ferramentas capazes de desenvolver a autorregulação das emoções. Estas abordagens funcionam melhor para crianças com TDAH em sessões individuais”, lembra Tamsin Ford.

Fontes:

1 MOORE D, et al. School‐based interventions for attention-deficit/hyperactivity disorder: a systematic review with multiple synthesis methods. Review of Education. 2018. Doi: https://doi.org/10.1002/rev3.3149. Disponível em: <https://ore.exeter.ac.uk/repository/handle/10871/33886>. Acesso em: 05 de dezembro de 2018.

2 HOW SCHOOLS CAN OPTIMIZE SUPPORT FOR CHILDREN WITH ADHD. SCIENCE DAILY. Disponível em: <https://www.sciencedaily.com/releases/2018/10/181019100644.htm>. Acesso em: 05 de dezembro de 2018.

Compartilhe com seus amigos!
MOVA-SE: EXERCÍCIOS PODEM AJUDAR NOS SINTOMAS DE TDAH?

MOVA-SE: EXERCÍCIOS PODEM AJUDAR NOS SINTOMAS DE TDAH?

Você já deve ter ouvido que exercícios físicos regulares podem melhorar o seu humor, certo? Se você foi diagnosticado com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), mover-se pode gerar benefícios, além de simplesmente fazer você se sentir alegre e disposto. No caso do TDAH, exercícios podem ajudar a minimizar alguns sintomas.

Foram poucos os estudos randomizados que buscaram compreender a relação de causa e efeito entre exercício e TDAH, para termos uma conclusão consolidada sobre a questão, dizem os pesquisadores responsáveis por uma metanálise publicada em 20161. Os investigadores analisaram 22 estudos realizados com 579 participantes, entre 3 e 25 anos.

“Mesmo que os resultados encontrados sejam encorajadores, esta revisão deve ser observada como uma conclusão cautelosa, capaz de guiar pesquisas futuras”, explicam os pesquisadores.

O que eles encontraram?

A metanálise apoia a eficácia na melhoria de alguns aspectos cognitivos de jovens com TDAH. O efeito geral do exercício físico foi de pequeno a moderado, e um efeito similar foi reportado em crianças e jovens sem o transtorno.

Os pesquisadores salientam que as descobertas podem ter sido afetadas pelo pequeno número de estudos analisados ou até mesmo por causa das desordens associadas ao TDAH.

Contudo, eles enfatizam que intervenções com atividades físicas podem gerar benefícios aos pacientes. Ainda, alertam que o tipo de exercício, tempo, idade e outros fatores não propiciaram significativamente a melhoria dos participantes.

O possível potencial das artes marciais

Contradizendo a metanálise que mencionamos acima, um pequeno estudo da Hofstra University2 observou meninos com TDAH, comparando-os em duas atividades diferentes: a aeróbica tradicional e as artes marciais.

Os pesquisadores descobriram que aulas de artes marciais duas vezes por semana ofereciam melhorias no comportamento e na performance superioras às da atividade aeróbica.

As crianças inscritas nas artes marciais finalizavam mais as suas tarefas de casa, sentiam-se mais bem preparadas na escola, recebiam notas maiores, desobedeciam menos e ficavam mais tranquilas enquanto sentadas.

É importante dizer que a atividade aeróbica também gerou melhorias quando comparadas com crianças inativas.

Mas, por que as artes marciais parecem oferecer mais benefícios?

Os pesquisadores não puderam explicar, mas, de acordo com John J. Ratey, autor da obra Spark: The Revolutionary New Science of Exercise and the Brain, “movimentos técnicos, inerentes a este tipo de atividade, ativam diversas áreas do cérebro que controlam equilíbrio, tempo, sequenciamento, avaliação das consequências, troca de tarefas, correção de erro, ajustes da motricidade fina e, claro, foco e concentração”3.

E, claro, essas atividades geralmente também são aeróbicas, e isso pode colaborar nas habilidades cognitivas e na atenção da mesma forma que uma corrida, por exemplo.

O psiquiatra Michael Lara, especializado no atendimento de pacientes com TDAH, alerta4 que “a coisa mais importante que você deve considerar ao iniciar um programa de exercícios é que você deve encontrar algo que lhe dê prazer – ou que dê prazer ao seu filho. É desta forma que você ou seu filho seguirão praticando. Atividades em grupos ou com um componente social podem ser especialmente benéficas”.

No caso de adultos, o Dr. Lara argumenta que as linhas gerais para exercícios no tratamento do TDAH são a utilização de atividades cardiovasculares moderadas ou intensas (65-75% acima do consumo máximo de oxigênio – VO2 max) por 30 ou 40 minutos diários, de quatro a cinco vezes por semana.

Ele compartilha conosco o que geralmente recomenda aos seus pacientes. Lara diz que treinamentos de resistência podem não constar nas recomendações gerais, mas estes treinamentos também podem apresentar benefícios.

Então, o psiquiatra cria programas que incluem tanto exercícios cardiovasculares quanto de resistência. O que mais importa, enfatiza o médico, é que haja uma ampla variedade de movimentos funcionais que exijam coordenação, equilíbrio e flexibilidade, para melhorar a performance.

Os programas que ele recomenda são baseados no chamado Crossfit e incluem circuitos, exercícios de força e resistência. Mas, ele frisa a importância de preparar o corpo para isso.

“Uma das causas mais comuns para que os pacientes parem as atividades físicas é que eles se machucam, porque tentam demais em tempo de menos. Portanto, eu recomendo que os pacientes caminhem por 30min diariamente, quatro vezes por semana, por no mínimo um mês, antes de começarem a pensar em outras modalidades.”

Fontes

1 Tan Bw et al. A Meta-Analytic Review of the Efficacy of Physical Exercise Interventions on Cognition in Individuals with Autism Spectrum Disorder and ADHD. J Autism Dev Disord. 2016 Sep;46(9):3126-43. doi: 10.1007/s10803-016-2854-x. Disponível em: <https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs10803-016-2854-x>. Acesso em: 30 de novembro de 2018.

2 Morand, M. (2004). The effects of mixed martial arts and exercise on behavior of boys with attention deficit hyperactivity disorder. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/35462255_The_effects_of_mixed_martial_arts_and_exercise_on_behavior_of_boys_with_attention_deficit_hyperactivity_disorder>. Acesso em: 24 de novembro de 2018.

3 WHAT’S THE BEST EXERCISE TO MANAGE ADHD SYMPTOMS?. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/exercise-manage-adhd-symptoms#1>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

4 THE EXERCISE PRESCRIPTION FOR ADHD. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: <http://www.chadd.org/AttentionPDFs/ATTN_06_12_Exercise.pdf>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

 

Compartilhe com seus amigos!
AS 8 PERGUNTAS MAIS FREQUENTES SOBRE TDAH

AS 8 PERGUNTAS MAIS FREQUENTES SOBRE TDAH

Os principais sites de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade no mundo recebem milhares de perguntas todas as semanas. As mesmas dúvidas cruzam países, mobilizando famílias inteiras em diferentes momentos: antes de diagnosticar a criança, durante o tratamento e quando surge o grande temor com relação ao futuro dos filhos.

Reunimos as 08 principais dúvidas sobre o transtorno, apresentadas nos sites que mais indicamos. Trazemos para vocês as respostas de grandes especialistas norte-americanos e brasileiros, tanto para responder suas dúvidas objetivamente, quanto para gerar o conforto de saber que você não está sozinho nas suas interrogações. Vamos começar?

  1. O que é TDAH? O TDAH é uma doença nova?

O TDAH é reconhecido em diferentes países desde o século XIX. O que ocorre é que os detalhes sobre o transtorno e a descrição mais completa do que ele representa só começaram a surgir na década de 1960.

Ainda, algumas pessoas podem achar que o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é uma doença nova devido ao nome, que surgiu apenas em 1994. Até então, a doença era chamada de DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção), isso porque nem todos os pacientes são hiperativos físicos (H), mesmo que a hiperatividade mental esteja sempre presente. Ainda, a palavra “transtorno” (T) foi escolhida devido à ideia equivocada que “distúrbio” (D) poderia transmitir algo passageiro, quando sabemos que o TDAH é uma condição crônica.1

De 1994 para cá, todas as desordens ligadas ao déficit de atenção passaram a ser denominadas de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, mesmo que o paciente não tenha os sintomas de hiperatividade física. Contudo, vale lembrar que são apenas nomes e muitos profissionais utilizam ambos para falar da mesma coisa.

O que importa de fato é que o TDAH é uma desordem crônica do neurodesenvolvimento que afeta 11% das crianças em idade escolar. Os sintomas continuam até a idade adulta em mais do que 3/4 dos casos. O TDAH é caracterizado por altos níveis de desatenção, impulsividade e hiperatividade.2

  1. TDAH pode ser causado por erros dos pais?

Existe pouca evidência de que o TDAH aconteça apenas por causa de fatores sociais ou por conta da criação. A tendência de fazer várias coisas ao mesmo tempo pode levar a pessoa ao estresse, o que Dr. Edward Hallowell chama de “Déficit de Atenção Induzido”.

Nesse caso, desenvolver disciplina para fazer uma tarefa de cada vez já pode ser suficiente para resolver o problema. A psicoterapia pode ajudar nessa reestruturação e não há necessidade de medicação.3

Contudo, no caso do TDAH, a pessoa já nasce com as características, independentemente de seu ambiente de estudo ou trabalho. O tratamento, aqui, é fundamental para que a pessoa possa se realizar na vida profissional, social, familiar e/ou afetiva.

Ou seja, as causas mais substanciais do TDAH aparentam recair sobre fatores genéticos ou neurobiológicos. Pesquisas mostram diferenças significativas na estrutura e no funcionamento do cérebro de pessoas com TDAH. Esses estudos estruturais e metabólicos, somados aos estudos genéticos e sobre a família, bem como as pesquisas sobre reação a medicamentos, demonstram claramente que o TDAH é um transtorno neurobiológico. Apesar da intensidade dos problemas experimentados pelos portadores variar de acordo com suas experiências de vida, está claro que a genética é o fator básico na determinação do aparecimento dos sintomas do TDAH.1

  1. Como é feito o diagnóstico do TDAH?

Não existe um exame único capaz de diagnosticar o TDAH. Determinar se uma criança é portadora do transtorno é um processo complexo. Muitos problemas podem contribuir para o desenvolvimento de sintomas similares aos de pacientes com TDAH. Nestes casos, ansiedade, depressão e outras condições podem ser o diagnóstico correto ou também podem coexistir com o TDAH.

Portanto, uma avaliação compreensiva é necessária para estabelecer o diagnóstico – para desconsiderar outros fatores e para determinar a presença ou a ausência de determinadas condições. Tais avaliações exigem tempo e esforço e precisam incluir um histórico clínico cuidadoso sobre o paciente – vida acadêmica ou escolar, social, emocional e desenvolvimental.

Um histórico preciso deve ser traçado a partir dos pais, professor e, se apropriado, a partir da própria criança. Checklists para avaliar os sintomas e outras condições coexistentes são frequentemente utilizadas por médicos; estes instrumentos avaliam comportamentos apropriados para cada idade e mostram quando os sintomas são extremos ou comuns para cada nível desenvolvimental.4

  1. Quais especialistas podem diagnosticar e tratar TDAH?

Quando os pais forem procurar uma avaliação ou tratamento para o TDAH, é fundamental que busquem um profissional de saúde qualificado e licenciado. Garanta que este profissional tenha treinamento adequado para o TDAH e experiência suficiente para lidar com o transtorno. O diagnóstico correto do TDAH exige, por parte do médico, um conhecimento sólido sobre diagnóstico diferencial (identificar e discriminar os sintomas de acordo com as especificidades do quadro clínico e histórico emocional do paciente).

Psicólogos, médicos psiquiatras, neurologistas e pediatras estão habilitados para fazer um diagnóstico.

  1. Qual é o tratamento mais comum para TDAH?

O tratamento do TDAH geralmente exige intervenção médica, educacional, comportamental e psicológica. Esta abordagem multidisciplinar é, muitas vezes, chamada de abordagem combinada (multimodal) e, dependendo da idade do paciente, pode incluir os seguintes fatores:

– Programas de treinamento para pais

– Medicação

– Treinamento de habilidades

– Aconselhamento

– Terapia cognitivo-comportamental

– Apoio educacional

– Educação com relação ao TDAH6

O tratamento de crianças e adolescentes com TDAH é baseado na intervenção multidisciplinar e envolve diferentes profissionais das áreas médicas, saúde mental e pedagógica. Também deve incluir as famílias envolvidas para que possa garantir ajuda efetiva no controle de sintomas, na administração do transtorno e na melhoria tanto do bem-estar psicológico quanto das relações sociais do paciente.1

Intervenções no âmbito escolar também são importantes e, muitas vezes, é necessário um acompanhamento psicopedagógico centrado na forma do aprendizado, como por exemplo, nos aspectos ligados à organização e ao planejamento do tempo e das atividades.

É importante lembrar que o TDAH é um transtorno que afeta os indivíduos ao longo da vida. Isso significa que os sintomas geralmente passam de uma fase para outra e se estendem através de diversas áreas, manifestando-se de diferentes formas.

O único tipo de psicoterapia que foi alvo de estudos científicos e que comprovou eficácia no tratamento do TDAH é a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental. Não há estudos que comprovem eficácia de outros tipos de psicoterapia (psicanálise, terapias corporais etc).1

Medicação

Usados de forma apropriada, medicamentos como Metilfenidato e Lisdexanfetamina ajudam a suprimir e a regular o comportamento impulsivo. Eles reduzem a hiperatividade e ajudam na concentração, podendo permitir uma performance escolar mais tranquila e adaptada.

Esta medicação também pode ajudar crianças com transtornos associados a controlarem o comportamento destrutivo. Quando utilizados com a devida supervisão, os medicamentos são considerados seguros e sem grandes efeitos colaterais (algumas crianças podem sentir insônia, dores no estômago ou na cabeça).

Medicamentos raramente farão a criança se sentir nas nuvens ou com sono. Outro problema incomum, mas que deve ser acompanhado, é a altura e o peso do paciente. Estes fatores devem ser monitorados durante o uso dos remédios. Na adolescência, devido aos casos de uso incorreto, o indicado é que os pais sigam administrando a medicação.7

  1. Comorbidades e TDAH: quais transtornos mais ocorrem simultaneamente com TDAH?

Mais de dois terços dos indivíduos com TDAH têm, ao menos, uma condição coexistente (comorbidade). Os sintomas do TDAH – movimento constante, inquietação, interrupção, dificuldade de ficar sentado, necessidade de lembretes etc – podem obscurecer as outras desordens.

Mas, assim como o TDAH sem tratamento pode apresentar desafios na vida cotidiana, outras desordens também podem causar sofrimento desnecessários aos portadores do TDAH e às suas famílias se prosseguirem sem o tratamento adequado.

Qualquer transtorno pode estar associado ao TDAH, mas certas desordens costumam ocorrer com mais frequência: as mais comuns são os transtornos de comportamento disruptivo, desordens relacionadas ao humor, ansiedade, tiques e Síndrome de Tourette, transtornos de aprendizado, de sono e abuso de substâncias químicas.2

  1. Quais são as consequências mais graves do TDAH?

Crianças e adolescentes com TDAH sofrem mais acidentes e se machucam com mais frequência do que crianças sem TDAH. Pesquisas indicam que crianças com o transtorno têm chance significativamente aumentada de se lesionarem enquanto caminham pela rua ou andam de bicicleta. Ainda, o envenenamento acidental pode acontecer com mais frequência, necessitando de intervenção hospitalar.

Por isso, crianças com TDAH têm taxas mais altas de internação em hospitais ou lesões que podem gerar incapacidades permanentes. Na adolescência, o uso de substâncias químicas e o comportamento de risco de portadores do TDAH ainda representam os maiores desafios.8

  1. Como O TDAH interfere na vida social e escolar do meu filho?

Crianças com TDAH têm chance aumentada de terem uma performance escolar reduzida, além de problemas de relacionamentos com colegas e professores. As taxas de evasão escolar também são mais altas entre adolescentes com TDAH. Muitos portadores do transtorno repetem as séries e recebem notas mais baixas devido a problemas com atenção, hiperatividade e impulsividade.

Uma questão típica são as crianças que esquecem de entregar as tarefas de casa, apesar de terem feito os exercícios ou os trabalhos. Escolas que possuem diferentes salas de aula para diferentes matérias podem ser um desafio extra para quem sofre da desordem. A troca de salas não é uma tarefa fácil para o portador do TDAH.

Crianças com TDAH serão beneficiadas por escolas capazes de modificar as instruções, provendo atendimento individualizado, acompanhamento especial em sala de aula ou recursos especiais, como tecnologias assistivas.7

Fontes:

1 PERGUNTAS MAIS FREQUENTES E SUAS RESPOSTAS. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO DÉFICIT DE ATENÇÃO. Disponível em: https://tdah.org.br/perguntas-mais-frequentes-e-suas-respostas . Acesso em: 28 de agosto de 2018.

2 FREQUENTLY ASKED QUESTIONS ABOUT ADHD. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/about-adhd/frequently-asked-questions-about-adhd.aspx . Acesso em: 28 de agosto de 2018.

3 PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE TDAH (DDA). UNIVERSO TDAH. Disponível em: http://www.universotdah.com.br/duvidas.html . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

4 DIAGNOSING ADHD. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/Understanding-ADHD/About-ADHD/Diagnosing-ADHD.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

5 QUEM FAZ ESTE DIAGNÓSTICO?. INSTITUTO PAULISTA DE DÉFICIT DE ATENÇÃO. https://dda-deficitdeatencao.com.br/artigos/que-especialista-faz-diagnostico-tdah.html . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

6 TREATMENT OF ADHD. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/Understanding-ADHD/About-ADHD/Treatment-of-ADHD.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

7 TREATMENT OF ADHD IN CHILDREN. PSYCHCENTRAL. Disponível em: https://psychcentral.com/disorders/childhood-adhd/treatment-of-adhd-in-children . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

8 FREQUENTLY ASKED QUESTIONS ABOUT ADHD. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/a-to-z-guides/frequently-asked-questions-about-attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

Compartilhe com seus amigos!
MATEMÁTICA PARA CRIANÇAS COM TDAH: UM DESAFIO A SER TRABALHADO

MATEMÁTICA PARA CRIANÇAS COM TDAH: UM DESAFIO A SER TRABALHADO

Matemática é algo que você usa todos os dias e que, muitas vezes, você nem percebe que está usando. Quando você avalia sobre o tempo que levará para fazer algo, quando você calcula o orçamento ou mede os ingredientes de uma receita, você está usando suas capacidades matemáticas.

Porém, resolver estes problemas pode ser um pouco mais complicado para muitas crianças e adultos com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).

Estudantes com TDAH tendem a ter taxas mais elevadas de problemas de aprendizado em matemática do que a população geral.

O site WebMD1 prevê que até 60% dos indivíduos diagnosticados com o transtorno também desenvolvem uma desordem de aprendizado. Dentre elas, está a chamada discalculia, caracterizada por uma inabilidade ou incapacidade de pensar, refletir, avaliar ou raciocinar sobre processos ou tarefas que envolvam números ou conceitos matemáticos.

Até 7% dos estudantes do ensino básico têm discalculia, diz o WebMD. Pesquisas sugerem que é tão comum quanto a dislexia – uma desordem de leitura – mas, a discalculia não é tão bem compreendida. Na realidade, a desordem é às vezes chamada de “dislexia matemática”, mas isso pode ser confuso, já que a discalculia é uma condição completamente diferente. A escola do seu filho ou o seu médico podem chamar o transtorno de um “transtorno de aprendizagem de matemática” ou uma “desordem matemática”.

Mesmo alunos com TDAH que não se qualificam para uma desordem como a discalculia podem experienciar desafios complexos com a matemática. Estas questões podem ser vistas nos primeiros anos de escola, mas eles possivelmente prosseguirão e impactarão a vida do indivíduo durante a faculdade e a vida adulta.

Alunos com TDAH geralmente têm problemas com tarefas ligadas à matemática porque estes exercícios incorporam habilidades de leitura, escrita e, adicionalmente, conceitos de matemática construídos antes do conhecimento.

Os alunos precisam lembrar e acessar informações que eles aprenderam previamente2. Neste caso, muitos alunos têm dificuldade de lembrar dados matemáticos básicos – adição, subtração, multiplicação e divisão.

Chris Dendy, um especialista em TDAH com mais de 35 anos de atuação como professor de alunos com o transtorno, explica um pouco mais sobre o porquê da matemática causar tantos problemas para estas crianças e jovens:

“Como aprender é algo relativamente simples para grande parte de nós, simplesmente esquecemos o quão complexas estas tarefas são. Por exemplo, memorizar tabelas de multiplicação ou trabalhar em um problema matemático. Quando um aluno se debruça sobre um problema matemático, ele deve fluidamente cruzar capacidades analíticas e diversos níveis de memória (memória de trabalho, de curto prazo e de longo prazo). Com problemas cujas instruções utilizam palavras, ele precisa manter vários números e perguntas na cabeça enquanto decide os caminhos para solucionar o desafio. Depois, ele precisa mergulhar na memória de longo prazo para descobrir se ele encontra a regra matemática correta para usar no desafio. Então, ele precisa memorizar fatos importantes enquanto aplica as regras e usa informações entre diferentes memórias até encontrar a resposta.”

Ou seja, quando falamos sobre a complexidade da matemática, isso pode ser estendido para diversos âmbitos – principalmente, cerebrais.

De fato, um dos maiores especialistas do mundo em TDAH, o psicólogo Thomas Brown, Ph.D, dedicou à matemática uma parte de seu conhecido livro, “ADHD Comorbidities: Handbook for ADHD Complications in Children and Adults”.

Na obra3, Brown explica que são poucas as evidências científicas sobre a dificuldade matemática em crianças e jovens diagnosticados com TDAH. Contudo, Brown aponta que os estudos disponíveis sugerem que grande parte do problema está ligado à função executiva e ao déficit na memória de trabalho, e não a disfunções com habilidades matemáticas.

“Por exemplo, crianças sem o transtorno que estão desenvolvendo suas capacidades matemáticas, geralmente trocam a contagem nos dedos para a contagem mental por volta da quarta série”, explica o psicólogo. “Porém, crianças com TDAH continuam utilizando contagem nos dedos até a sexta série”, afirma o especialista.

A conclusão poderia ser que a contagem nos dedos significa um déficit em capacidades numéricas. Contudo, esclarece Brown, este argumento é facilmente rebatido com a descoberta de que uma única dose de metilfenidato reduz a contagem nos dedos e aumenta as respostas certas4. Isso sugere que a capacidade de contagem estava intacta, mas sendo mantida ineficiente por outros processos.

A vulnerabilidade matemática dos indivíduos portadores do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade também pode ser atribuída a uma falha na automação, que resultaria em um déficit na memória e na velocidade de processamento, sugere Thomas Brown. Por exemplo, crianças com TDAH (com ou sem transtorno de aprendizado) possuem uma capacidade de lembranças de fatos mais lenta em comparação com crianças sem a desordem. Esta diferença na velocidade prejudica a aquisição e a manutenção de fatos numéricos e este déficit resulta em uma computação equivocada, o que impede a execução de problemas matemáticos mais avançados5.

Isso sugere, diz o psicólogo, que problemas de memória podem estar por trás tanto das desordens de leitura quanto das desordens ligadas à matemática em crianças com TDAH. “Esta seria uma explicação para as altas taxas de coocorrência entre TDAH e transtornos de aprendizagem”, conclui Brown.

Metilfenidato e performance acadêmica

Um estudo6 de 2009 já previa a relação apontada por Thomas Brown entre o transtorno de aprendizagem e o metilfenidato. Os pesquisadores da Universidade de Berkeley encontraram evidência de que estudantes com TDAH, aqueles que tomavam as medicações prescritas por seus médicos, podiam ter suas notas aumentadas em termos gerais – mas ainda mais na matemática – do que alunos com TDAH que não tomavam o medicamento.

A pesquisa investigou 594 crianças diagnosticadas com o transtorno do jardim de infância até a quinta série e descobriu que 60% daqueles que tomavam estimulantes com o princípio ativo metilfenidato tinham notas superioras às dos colegas que não utilizavam a medicação.

“Nosso estudo descobriu que crianças com TDAH que eram medicadas estavam meses à frente de seus colegas sem medicação em leitura e em matemática. Isso é significativo, porque o progresso inicial na escola é crítico para o sucesso ao longo do tempo”, aponta Richard Scheffler, um dos pesquisadores7.

Ele ainda explica que crianças com TDAH que não recebem o devido tratamento têm performances ruins na escola, com taxas de evasão mais alta e mais abuso de substâncias químicas, prisões e isolamento social.

“Eles são taxados de jovens ruins”, argumentou Scheffler. “As medicações são parte da resposta, mas precisamos de envolvimento dos pais e compreensão sobre o que é o transtorno. Precisamos saber como trabalhar com a criança e engajar as instituições de ensino. Também defendemos serviços especiais nestes casos, como tutorias, que devem estar disponíveis para os alunos.”

Então, é hora de vermos como podemos nos engajar na questão, enquanto pais ou professores. Vamos dar algumas dicas retiradas do conteúdo especial da Chadd sobre o tema2, intitulado “Math Assignment Accommodations”.

Como ajudar meu filho/aluno nas tarefas de matemática?

1 – Destaques: destaque palavras e conceitos-chave com cores diferentes. É fácil para os estudantes esquecerem alguma informação importante, seja com os números ou na parte da orientação do problema. Ao destacar palavras-chave, você ajudará o jovem a lembrar os dados e a voltar a eles sempre que necessário;

2 – Tarefas impressas: imprima os problemas matemáticos para os estudantes com TDAH. É comum que estes alunos, ao copiarem tarefas do quadro, cometam pequenos erros que podem interferir completamente na solução do problema. Ao entregar as lições impressas, você minimiza a situação;

3 – Brinquedos matemáticos: compre para seu filho ou aluno brinquedos capazes de estimular o raciocínio matemático: tangran, cubos de encaixe, pirâmides, blocos lógicos, poliedros etc. Ao usar objetos concretos, eles praticarão os conceitos. Objetos oferecem maior engajamento e isso ajuda o estudante a se manter conectado com a matéria ensinada;

4 – Simplifique: exija que os alunos demonstrem o raciocínio utilizado apenas em alguns problemas. Mostrar o raciocínio requer mais tempo e aumenta a monotonia. Para avaliar a compreensão do conceito, você pode pedir que os alunos mostrem o raciocínio desenvolvido em algumas tarefas ou em apenas uma parte de cada problema;

5 – Espaço extra: deixe bastante espaço nas folhas para que os estudantes resolvam as tarefas. Pode ser um desafio extra solucionar a lição e ainda ter que organizar as informações em espaços pequenos;

6 – Evite a pressa: alunos com TDAH podem ter problemas na hora de trocar a atenção entre as tarefas, mas eles são capazes de focar profundamente nas questões que lhes interessam. Eles podem precisar de tempo extra para imergirem nos exercícios e, por isso, podem ter notas piores quando lhes for exigida a velocidade na performance;

7 – Ferramentas para focar: permita que os alunos utilizem calculadoras, tabelas ou programas de computador. Estas ferramentas possibilitam ao aluno que ele avance na complexidade dos problemas sem ter que se preocupar com déficit de memória. Softwares são bons, pois levam o aluno de um problema para o outro. Assim que uma questão é resolvida, a próxima aparece na tela. Ainda, a digitação pode ser mais fácil para alunos que lutam com a complexidade exigida pela escrita.

Fontes:

1 WHAT IS DYSCALCULIA? WHAT SHOULD I DO IF MY CHILD HAS IT?. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/dyscalculia-facts#1>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

2 MATH ASSIGNMENT ACCOMMODATIONS. CHADD. Disponível em: <https://chadd.org/wp-content/uploads/2018/05/AccommodationsforMathAssignments.pdf>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

3 BROWN T. ADHD Comorbidities: Handbook for ADHD Complications in Children and Adults: 1. ed. American Psychiatric Publishing, 2008. P.203-204.

4 MOORE D, et al. Math computation, error patterns and stimulant effects in children with Attention Deficit Hyperactivity Disorder. Journal of Attention Disorders 3(3):121-134. 1999. DOI: 10.1177/108705479900300301. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/247779076_Math_computation_error_patterns_and_stimulant_effects_in_children_with_Attention_Deficit_Hyperactivity_Disorder>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

5 GEARY DC. Mathematical disabilities: cognitive, neuropsychological, and genetic components. Psychological Bulletin, 114, 345–362. 1993. DOI: 10.1037//0033-2909.114.2.345. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/14783345_Mathematical_disabilities_Cognitive_neuropsychological_and_genetic_components>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

6 SCHEFFLER R. Positive Association Between Attention-Deficit/ Hyperactivity Disorder Medication Use and Academic Achievement During Elementary School. Pediatrics 2009;123;1273. DOI: 10.1542/peds.2008-1597. Disponível em: <https://gspp.berkeley.edu/assets/uploads/research/pdf/Pediatrics-2009-Scheffler-1273-9.pdf>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

7 CHILDREN WHO GET ADHD DRUGS SCORE HIGHER ON TESTS. REUTERS. Disponível em: <https://www.reuters.com/article/us-adhd-drugs-learning/children-who-get-adhd-drugs-score-higher-on-tests-idUSTRE53Q0GB20090427>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

Compartilhe com seus amigos!
RECOMPENSAS: O QUE ELAS PODEM FAZER POR VOCÊ

RECOMPENSAS: O QUE ELAS PODEM FAZER POR VOCÊ

Um problema no sistema de recompensas do cérebro pode estar ligado a sintomas como falta de atenção, associado ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Uma pesquisa1 sugeriu que uma disfunção do sistema interfere em como as pessoas experienciam a recompensa e a motivação.

“Este déficit no sistema de recompensas do cérebro pode explicar sintomas clínicos do TDAH, incluindo desatenção e falta de motivação, bem como uma propensão para complicações como abuso de drogas e obesidade entre os pacientes”, disse a pesquisadora Nora Volkow2, diretora do National Institute on Drug Abuse.

O estudo mediu marcadores do sistema de dopamina no cérebro em 53 adultos sem medicação, diagnosticados com TDAH, e os compararam com um grupo de 44 adultos sem o transtorno.

Os resultados mostraram que os indivíduos com TDAH tinham uma redução nos receptores e transportadores de dopamina em duas regiões do cérebro que envolvem a recompensa e a motivação.

“Estes caminhos têm um papel fundamental na motivação e no aprendizado da associação de vários estímulos com recompensas”, explicou Volkow. “Os resultados que encontramos também apoiam o uso contínuo de medicações estimulantes – o tratamento farmacológico mais comum para o TDAH – que têm demonstrado aumentar a atenção em tarefas cognitivas ao elevar a dopamina no cérebro”, concluiu a pesquisadora.

O professor Chris Hollis, da Nottingham University, reforça a tese de que uma combinação de medicamentos estimulantes e uso de recompensas pode ser eficaz. Hollis foi responsável por outro estudo3, que utilizou eletroencefalogramas para analisar como recompensas imediatas atuavam no cérebro de crianças com o transtorno.

O resultado foi que ambas as abordagens, comportamental e medicamentosa, normalizavam componentes similares da função cerebral, mesmo que a eficácia da medicação seja superior, explica o professor.

A pesquisa de Hollis enfatizou que a recompensa precisa ser imediata neste caso. Por isso, diz ele, esta abordagem pode ser um pouco complicada, já que seria necessário estar ao lado da criança 24h por dia e desenvolver um trabalho conjunto com a escola4.

Os tipos de recompensas

Srini Pillay, Professor de Psiquiatria na Universidade de Medicina de Harvard, explica que há dois tipos de recompensas, Hedonia e Eudaimonia5.

Hedonia (recompensa-H) inclui prazeres superficiais, como perda de peso, boa aparência e aceitação dos outros. Estas recompensas são mais concretas e, geralmente, efêmeras.

As recompensas Eudaimonia (recompensas-E), por outro lado, se referem a um significado e um propósito que contribuem para a construção de um bem-estar geral. Conectar os objetivos do estilo de vida às recompensas-E seria, assim, uma maneira mais interessante de colaborar com a motivação.

As recompensas-E, explica o professor, ativam uma região do cérebro chamada de corpo estriado ventral. Quando esta região é ativada, o indivíduo se sente menos deprimido. Ao contrário, quando apenas as recompensas-H são ativadas, diz Pillay, isso pode gerar ainda mais depressão e falta de motivação em longo prazo.

Para manter a motivação, afirma o professor, é importante perguntar a si mesmo sobre os sentidos de significado e de propósito individuais.

O conceito de recompensas-E nos remete ao pensamento de Aristóteles, que acreditava que o mais alto nível de bondade humana não vinha da satisfação de apetites, mas sim da luta para expressar o que há de melhor em nós. Isso, dizia o filósofo, só poderia ser atingido através da autorrealização, um processo contínuo e individual, pois depende dos talentos e das disposições de cada um.

Como apontava Aristóteles, o objetivo final de todos os seres humanos é o bem-estar, que deve ser o foco primordial para atingir metas ligadas à saúde. Ao contrário de outros teóricos do tema, o filósofo explicava que recompensas-H – amigos, riqueza e poder – também têm seu valor. Mas, há mais na vida do que isso. Para realmente experienciar uma recompensa-E, é preciso sentir o florescimento da vida. Neste estado de inspiração, o indivíduo tem mais chances de se sentir motivado na conquista de seus objetivos.

Para começar este processo, sugere o professor de Harvard, reflita sobre quanto tempo do dia você dedica à alimentação deste sentido de ser.

Pillay explica que há seis áreas da vida capazes de nutrir as recompensas-E: autoaceitação, melhor qualidade nas relações humanas, controle sobre a própria vida, domínio sobre as opiniões mesmo quando os outros discordam, crescimento pessoal e desenvolvimento de um sentido de propósito intrínseco.

Se você trabalhar nestes fatores, explica o professor, é possível aumentar a motivação para conquistar mudanças duradouras, no estilo de vida. Ele argumenta que a tendência geral é focar nas recompensas-H para a conquista de metas. Mas, as recompensas-E são motores de foco adicional para manter a motivação ao longo da vida.

Fontes:

1 VOLKOW N, et al. Evaluating Dopamine Reward Pathway in ADHD. JAMA. 2009, Setembro; 302(10): 1084–1091. Doi: [10.1001/jama.2009.1308]. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2958516>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

2 ADHD TIED TO BRAIN’S REWARD PATHWAY. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/news/20090908/adhd-tied-to-brains-reward-pathway>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

3 GROOM MJ, N, et al. Effects of motivation and medication on electrophysiological markers of response inhibition in children with attention-deficit/hyperactivity disorder. Biol Psychiatry. 2010 Apr 1;67(7):624-31. doi: 10.1016/j.biopsych.2009.09.029. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19914599>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

4 BEHAVIORAL INCENTIVES MIMIC EFFECTS OF MEDICATION ON BRAIN SYSTEMS IN ADHD. EUREKA ALERT. Disponível em: <https://www.eurekalert.org/pub_releases/2010-04/uon-bim041510.php>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

5 THE MISSING REWARDS THAT MOTIVATE HEALTHY LIFESTYLE CHANGES. HARVARD MEDICAL SCHOOL. Disponível em: <https://www.health.harvard.edu/blog/the-missing-rewards-that-motivate-healthy-lifestyle-changes-201603179301>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

Compartilhe com seus amigos!
EPILEPSIA E TDAH: COOCORRÊNCIA QUE DEVE SER INVESTIGADA PELOS PAIS

EPILEPSIA E TDAH: COOCORRÊNCIA QUE DEVE SER INVESTIGADA PELOS PAIS

Crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) têm risco aumentado de terem convulsões. A relação entre as duas desordens é bastante estudada. Vamos observar o que os dados nos mostram.

O TDAH é a desordem mais coocorrente entre crianças com epilepsia. Estudos1 sugerem que de 30 a 40% das crianças com epilepsia têm TDAH, ao passo que, no caso de crianças sem o transtorno, este número fica entre 7 e 9%2.

Pesquisadores também encontraram3 que aproximadamente 20% dos adultos com epilepsia podem ter TDAH, enquanto, na população geral, este número fica entre 2,5 e 4%.

Em 2016, um estudo4 chamou a atenção do mundo para esta relação. A pesquisa tinha investigado um milhão de pessoas por 22 anos. Os resultados, contudo, não foram tão diferentes do que já vinha sendo concluído.

O estudo observou crianças nascidas na Dinamarca entre 1990 e 2007, acompanhando os participantes até 2012. Os investigadores descobriram que crianças com epilepsia tinham até três vezes mais chance de desenvolverem TDAH em comparação com crianças sem epilepsia. Crianças com convulsões febris pareciam ter uma média de 30% no aumento do risco para o TDAH.

Por ser um estudo observacional, os pesquisadores encontraram associação entre as desordens, mas não comprovam causa e efeito. Mesmo assim, as relações se mantiveram mesmo quando os pesquisadores levaram em conta outros fatores capazes de afetar o risco, como peso no nascimento e histórico familiar de doenças neurológicas.

Comentários de especialistas

“A relação entre as condições não é surpreendente”, explica5 a neurologista pediátrica Josiane LaJoie, que trabalha no NYU Langone Comprehensive Medical Center, em Nova York. “Ambas as desordens têm origem no sistema nervoso central.

Sayed Naqvi, neurologista pediátrico e epileptologista no Nicklaus Children’s Hospital in Miami, concorda com LaJoie. “De forma geral, este estudo fortalece as descobertas que pesquisas prévias vinham encontrando.”

Naqvi diz que já viu esta ligação em seus próprios pacientes, mas desconhecia a relação entre convulsões febris e TDAH.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é uma condição neurodesenvolvimental comum, marcada pela falta de atenção, incapacidade de foco e impulsividade. Convulsões febris envolvem febres a partir de 38,88°C ou mais. Epilepsia é uma desordem cerebral que gera crises convulsivas.

De toda forma, não é sabido como as condições estão relacionadas. Pesquisadores especulam que os fatores de risco genéticos podem explicar esta conexão, mas há outras possibilidades. As três desordens compartilham outros fatores de risco, como peso no nascimento e histórico familiar.

Este estudo dinamarquês tem suas limitações, afirma Naqvi, e os pesquisadores as explicam em seu relatório. Por exemplo, não há informação sobre os medicamentos dados no tratamento da epilepsia, então, os remédios podem ter afetado o risco de desenvolver TDAH, notam os responsáveis pelo estudo.

A mensagem da pesquisa, dizem os investigadores, é que médicos devem testar seus pacientes para o TDAH assim que possível, para que o tratamento possa ser iniciado antes de os sintomas se agravarem.

Pais de crianças com epilepsia ou convulsões febris devem ficar atentos para possíveis sintomas de TDAH, diz Naqvi. Um dos primeiros sinais, se a criança já está em fase escolar, é a baixa performance.

LaJoie adiciona que “é vital que, ao cuidar de uma criança com epilepsia, os médicos observem a vida acadêmica e o funcionamento psicossocial”.

Fonte:

1 DUNN DW, et al. Childhood epilepsy, attention problems, and ADHD: review and practical considerations. Semin Pediatr Neurol. 2005 Dec;12(4):222-8. DOI: 10.1016/j.spen.2005.12.004. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16780293>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

2 WILLIAMS A, et al. Epilepsy and attention-deficit hyperactivity disorder: links, risks, and challenges. Neuropsychiatr Dis Treat. 2016; 12: 287–296. Doi: 10.2147/NDT.S81549. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4755462>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

3 ETTINGER AB, et al. Attention-deficit/hyperactivity disorder symptoms in adults with self-reported epilepsy: Results from a national epidemiologic survey of epilepsy. Epilepsia. 2015 Feb;56(2):218-24. doi: 10.1111/epi.12897. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25594106>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

4 BERTELSEN E, et al. Childhood Epilepsy, Febrile Seizures, and Subsequent Risk of ADHD. Epilepsia. 2016. Pediatrics. Print, 0031-4005; Online, 1098-4275. Doi: 10.1542/peds.2015-4654. Disponível em: <http://pediatrics.aappublications.org/content/pediatrics/138/2/e20154654.full.pdf>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

5 EPILEPSY MAY TRIPLE ADHD RISK, STUDY FINDS. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/epilepsy/news/20160713/epilepsy-may-triple-adhd-risk-danish-study-finds#1>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

 

Compartilhe com seus amigos!
UM RUÍDO DE FUNDO PODE AJUDAR PACIENTES COM TDAH A PERMANECER FOCADOS NA TAREFA?

UM RUÍDO DE FUNDO PODE AJUDAR PACIENTES COM TDAH A PERMANECER FOCADOS NA TAREFA?

Você já sentiu que pode pensar melhor e permanecer na tarefa por mais tempo se existe algum ruído de fundo em seu entorno, como uma música tocando suavemente, um ventilador no canto, ou um ar condicionado barulhento? Pode haver algo de verdade na ideia de que o ruído de fundo é útil para algumas pessoas afetadas pela forma desatenta do TDAH.

O ruído de fundo (ou ruído branco) parece ser de ajuda para algumas pessoas quando se trata de adormecer ou manter o sono, e é frequentemente recomendada para pessoas que têm zumbido nos ouvidos. Até agora, as pesquisas tem sugerido benefícios para desatenção, mas não para impulsividade e não demonstram benefícios quando o ruído branco não está mais presente. E, claro, na prática, as pessoas não podem controlar os sons que as rodeiam todo o dia. Embora os pesquisadores estejam explorando se o ruído branco pode proporcionar apoio complementar para algumas pessoas com TDAH desatento, as evidências até agora são inconclusivas.

O ruído branco para uma mente ocupada?

O ruído branco refere-se a sons de fundo muitas vezes produzidos por dispositivos em torno de nós, como sistemas de aquecimento e refrigeração, refrigeradores, ventiladores, ou computadores. Ele também pode ser intencionalmente produzido utilizando máquinas de som. É um som constante, baixo, consistente, que tende a desaparecer no fundo para a maioria das pessoas. Semelhante ao ruído branco é o ruído rosa, que é aquele com redução das frequências altas. Normalmente, proveniente de chuvas, ventos, ou sons da natureza semelhantes, parece ter um efeito calmante para algumas pessoas.

Pesquisadores têm estudado recentemente a informação existente sobre o ruído branco e o conceito de “ressonância estocástica”, que se refere ao ruído aleatório ou ao som causando um aumento na transmissão do sinal, e tem aplicado o conceito de sinalização entre os neurônios no cérebro. Sintomas de TDAH podem estar relacionados com uma taxa mais baixa de sinalização entre neurônios, quando em comparação com cérebros não afetados por TDAH. Poderiam certos sons ajudar a aumentar esses sinais e melhorar os sintomas?

A pesquisa sobre o ruído branco para as crianças com TDAH desatento

Para entender melhor a hipótese se o ruído branco poderia ser útil para as crianças afetadas pelo TDAH, pesquisadores da Université Libre de Bruxelles, em Bruxelas, Bélgica, desenharam um pequeno estudo com 30 crianças, entre 7-12 anos de idade, das quais 13 tinham um diagnóstico de TDAH e 17 não tinham diagnóstico. As crianças receberam uma série de tarefas de memória e verbais. Algumas dessas tarefas foram realizadas na presença de ruído branco e algumas foram feitas sem ruído branco ou outros sons reproduzidos.

O resultado: Para as crianças que tinham diagnóstico de TDAH, quando o ruído branco foi introduzido, o desempenho nas tarefas foi melhor, ao contrário de quando não havia nenhum barulho. As crianças que não tinham TDAH não realizaram tão bem suas tarefas quando o ruído foi utilizado. Os pesquisadores concluíram que o ruído branco beneficiou as crianças que tinham TDAH e os ajudou a melhorar o seu desempenho de memória e tarefas verbais. Além disso, os pesquisadores viram melhora com o ruído branco tanto para as crianças que tomaram medicação quanto para aquelas que não tomaram a medicação como parte do tratamento.

Os pesquisadores também observaram que, entre as crianças diagnosticadas com TDAH, o ruído branco adicional melhorou os sintomas associados com a falta de atenção, mas não teve efeito ou benefício sobre os sintomas relacionados à hiperatividade.

“Nosso estudo mostra que cérebros diferentes precisam de diferentes níveis de ruído externo para funcionar corretamente”, diz o pesquisador Göran BW Söderlund, PhD. Ele acrescenta que as descobertas podem eventualmente ter aplicações práticas para os alunos na escola, para ajudá-los a manter a atenção e permanecer na tarefa.

Pesquisa de follow-up mostra promessa, mas não resultados consistentes

Outros pesquisadores ficaram intrigados com esses resultados e realizaram estudos semelhantes, olhando para os efeitos de ruído branco e ruído rosa.

Efeitos do ruído branco no comportamento “off task” e reposta acadêmica em crianças com TDAH: um estudo muito pequeno analisou o efeito do ruído branco para ajudar os alunos a permanecerem focados na tarefa. Os estudantes escutaram o ruído branco através de auscultadores. Os pesquisadores viram uma diminuição no comportamento “off task” quando os alunos ouviram o ruído branco, em comparação com uso apenas de fones de ouvido para bloquear outros sons. Os investigadores não encontraram uma melhoria nas respostas acadêmicas, seja com o ruído branco ou os fones de ouvido.

A estimulação ambiental não reduz a escolha impulsiva no TDAH: este estudo analisou especificamente o ruído rosa e controle de impulso em TDAH. Ele comparou 25 alunos com TDAH com 28 alunos que não tinham TDAH, utilizando tarefas de postergar recompensas (um exemplo familiar desse tipo de tarefa é oferecer a uma criança um marshmallow para comer agora ou dois marshmallows para comer depois se conseguir esperar cinco minutos). As crianças foram desafiadas com estas tarefas enquanto ouviam o som rosa. Os resultados: As crianças afetadas pelo TDAH fizeram mais escolhas impulsivas do que as crianças não afetadas. O ruído rosa no fundo não reduziu as escolhas impulsivas das crianças afetadas pelo TDAH.

Os efeitos de diferentes tipos de ruído ambiental no desempenho acadêmico e na dificuldade percebida da tarefa em adolescentes com TDAH: neste estudo, os pesquisadores trabalharam com 52 adolescentes diagnosticados com TDAH em tarefas de desempenho de leitura e escrita. Eles completaram estas tarefas ouvindo ruído branco ou qualquer voz balbuciando. Os adolescentes que ouviram o ruído branco levaram menos tempo nas tarefas de leitura e escreveram mais palavras, mas o ruído branco não melhorou a precisão acadêmica das tarefas. Os adolescentes que ouviram as vozes balbuciando ao fazer essas tarefas relataram que o som tornou mais difícil para eles realizar as tarefas. Os investigadores concluíram que o ruído branco melhorou tempo de leitura e fluência de escrita mas não melhorou o desempenho acadêmico em geral.

Comparando Tratamento com Ruído Auditivo e com medicação estimulante no desempenho de tarefas cognitivas em crianças com TDAH – resultados de um estudo piloto: Este estudo incluiu 20 crianças com TDAH combinado ou desatento e 20 crianças com desenvolvimento típico pareados por idade e sexo, realizando três tarefas cognitivas diferentes durante a exposição ao ruído branco e em silêncio. As crianças com TDAH foram testados com e sem medicação estimulante. Em duas das três tarefas, a exposição ao ruído branco levou a melhorias significativas para ambas as crianças com TDAH não-medicadas e medicadas. Os pesquisadores do estudo-piloto sugerem que a exposição ao ruído branco pode resultar em melhoria na tarefa cognitiva igual ou maior do que com medicação estimulante.

Conclusão

Usar ruído branco produzido por um gerador de som tem a possibilidade de ser útil para algumas pessoas em certas situações (na vida real, nem sempre podemos controlar os sons que nos rodeiam). As pesquisas realizadas até agora avaliaram apenas crianças e adolescentes, e não adultos que têm TDAH.

Existem vários tipos de geradores de ruído branco disponível, juntamente com arquivos de som e música para download. No entanto, ter um ventilador ou outra máquina que produz ruído constante e baixo pode ser tão útil como a compra de um dispositivo ou um arquivo de música ou som. Ter um som relaxante em seu ambiente poderia ser útil para ficar focado na tarefa ou manter a atenção. No entanto, se ao tentar o uso do ruído branco, enquanto trabalha ou executa uma tarefa, você percebê-lo como uma distração ou como algo lhe criando estresse, não continue com ele. Como acontece com qualquer técnica de gestão comportamental, você quer usar o que funciona melhor para você ou seu filho e deve interromper qualquer coisa que não é útil.

Neste momento, não há evidências suficientes para usar o ruído branco como uma abordagem única de tratamento da desatenção. Para algumas pessoas pode ser uma abordagem complementar quando se trata de lidar com tarefas que exijam atenção, além de continuar um tratamento já existente e um plano de manejo comportamental.

Matéria extraída e traduzida do site do CHADD , publicado em 14/12/17.

https://chadd.org/adhd-weekly/could-white-noise-help-you-stay-on-task/

Compartilhe com seus amigos!
QUANDO O TDAH FAZ PARTE DA FAMÍLIA

QUANDO O TDAH FAZ PARTE DA FAMÍLIA

Quando meu filho foi diagnosticado pela primeira vez com TDAH, aos nove anos, assistimos a nove meses de oficinas semanais para pais e filhos na Universidade da Califórnia, em São Francisco. As crianças foram para uma sala, onde aprenderam a organizar suas mochilas e os pais foram para outra, onde aprendemos a gerenciar os gráficos de recompensas.

Foi aqui, aos 48 anos, que perecebi meu primeiro indício de que eu compartilhava o distúrbio do meu filho. Enquanto todos os outros pais traziam gráficos gerados por computador, bem marcados e coloridos, e se gabavam de todos os êxitos que estavam tendo, meus gráficos escritos a mão estavam amassados ​​e o comportamento de meu filho permaneceu inalterado, ou pior.

Tal filha, tal mãe

Criar uma criança com TDAH não é para os fracos – e torna-se mais intimidante quando você também está lutando para permanecer nos trilhos todos os dias. Ainda assim, milhões de mães com TDAH agora enfrentam esse desafio, dadas as taxas de herdabilidade extremamente altas para esse transtorno perturbador. A pesquisa mostrou que o TDAH é mais hereditário do que a maioria das outras condições mentais, apenas um pouco menos do que a altura.

A tarefa de cuidar de uma criança com TDAH é difícil para as mães que têm a mesma condição, diz Andrea Chronis-Tuscano, Ph.D., professora associada de psicologia na Universidade de Maryland. A pesquisa de Chronis-Tuscano enfoca esse duplo golpe – de mulheres com TDAH criando filhos com TDAH – tornando-a plenamente consciente do que foi subestimado. “Descobrimos que as mães que têm sintomas elevados de TDAH têm dificuldades em ser positivas e em manter suas emoções sob controle, embora sejam inconsistentes em termos de disciplina – muitas vezes dizem algo e depois fazem outra coisa. Mães distraídas também têm dificuldade em supervisionar de perto seus filhos, o que pode ser arriscado, já que as crianças com TDAH são tão propensas a acidentes. ”

De muitas maneiras, pais e filhos que compartilham um diagnóstico de TDAH podem ser uma perfeita incompatibilidade. O trabalho dos pais baseia-se fortemente nas chamadas funções executivas do cérebro: exercitar o bom senso, pensar no futuro, ser paciente e manter a calma. Quando as mães que lutam com esses desafios têm filhos no mesmo barco, você provavelmente terá mais prazos perdidos, percalços gerais, explosões emocionais e, com a mesma frequência, momentos que, pelo menos em retrospecto, são incrivelmente engraçados.

Chronis-Tuscano diz que ela tinha mães em seu estudo para entrevistas, que verificavam seus relógios e saiam correndo para pegar as crianças que estavam esperando por elas, em outro lugar.

Tipos de TDAH mãe-filha

Frequentemente, mães e filhas compartilham a mesma apresentação de TDAH. Se você tiver uma apresentação desatenta e retraída, sua filha provavelmente também o fará. Se você tem uma apresentação hiperativa e impulsiva, provavelmente verá essas características em sua filha, diz a psicóloga clínica Ellen Littman.

Jeremy Didier, fundadora e diretora da ADHDKC, afiliada do Kansas City CHADD, que tem uma filha com diagnóstico de TDAH, além dela mesa, diz que as experiências compartilhadas de TDAH podem facilitar o reconhecimento e seu apoio para sua filha. Ambas foram co-apresentadoras na Conferência Internacional Anual de 2018 sobre TDAH, juntamente com outros dois pares mãe-filha. Pelo menos uma dessas mães, Kathleen Duryea, DO, admitiu que inicialmente não reconhecia o TDAH em uma de suas duas filhas, porque era diferente de sua própria apresentação. Se você acha que sua filha tem TDAH, diz Duryea, continue conversando com profissionais que ajudarão a descobrir se esse é o caso.

“Eu posso ver quando ela está se preparando para fazer uma má escolha, talvez fazer algo um pouco impulsivo, porque meu cérebro provavelmente foi lá também”, diz Didier. “Ao mesmo tempo, eu entendo quando ela chega em casa no final do dia e está exausta e precisa de um cochilo, e seu quarto está uma bagunça, ou seu carro está uma bagunça, porque ela tem tudo lá para que ela possa ver.”

A Dra. Littman diz que isso faz parte do conjunto único de problemas que as mulheres com TDAH enfrentam com dúvidas, vergonha e auto-estima.

Mães com TDAH estão sempre questionando sua própria adequação. Como resultado, elas se sentem culpadas o tempo todo que não estão fazendo um bom trabalho com o filho.

Mais desafiador do que uma carreira

Liz Fuller, uma dona de casa do Arizona, certamente sabe como é. Fuller tem dois filhos, um dos quais foi diagnosticado com TDAH e autismo de alto funcionamento. A própria Fuller nunca foi diagnosticada com TDAH, mas ela diz que suspeita que o seria, se pudesse encontrar tempo para consultar um médico.

Ocasionalmente, ela diz, ela acaba sendo a única mãe tentando levar seu filho para a escola em um dia em que a escola não está em funcionamento. Ela também esquece periodicamente que enviou seu filho para um intervalo disciplinar e, ainda mais frequentemente, esquece por que ele foi enviado para lá.

Como muitas mães altamente distraídas, Fuller, que costumava trabalhar em recursos humanos corporativos, descobriu que a maternidade em tempo integral é muito mais desafiadora do que a faculdade ou o mundo do trabalho. A maternidade, ela observa, em contraste com outras atividades, não fornece “nenhuma fórmula ou estrutura”, levando a situações em que “você está olhando para um milhão de distrações e coisas para fazer, e nenhuma pode ser arquivada em uma pasta de papel pardo para mais tarde. ”

Quando Fuller tentou manter gráficos de recompensa para seu filho de sete anos, para motivá-lo a desligar seu videogame à noite, quando ele cumpriu a tarefa, ela estava sempre muito ocupada arrumando as outras duas crianças para ir para cama, para recompensá-lo. Em outros momentos, ela admite que esqueceu que estava mantendo os gráficos junto com ele.

Embora esses momentos possam ser cômicos, os resultados do diagnóstico duplo são menores. Os pesquisadores observam uma taxa mais alta de problemas de divórcio e abuso de substâncias em pais de crianças com TDAH, enquanto mães de crianças com TDAH relatam níveis mais altos de tristeza e sentimentos de isolamento social do que mães que criam filhos sem a condição.

Pedindo ajuda

A gestão da casa e familiar pode ser complexa e, para as mulheres com TDAH, pode tornar-se uma sobrecarga, muito rapidamente. Antes que isso aconteça, informe a outros membros da sua família que não é apenas o seu trabalho fazer todo o trabalho da casa ou manter a agenda da família. E lembre-se de que até os adolescentes respondem aos sistemas de recompensa, como descobriu Didier. É importante cuidar de você mesmo.

“As mães tendem a preencher a tela do seu radar com as coisas mais importantes no momento, e estas parecem urgentes. Porém, geralmente, são coisas como fazer cupcakes”, diz Littman. “Então as próprias necessidades da mãe caem no esquecimento, e isso também é um problema. As mães nem sempre cuidam bem de si mesmas, o que não é ótimo em termos de modelo. É um equilíbrio muito difícil de conseguir.

O lado brilhante de um duplo diagnóstico

Lamprini Psychogiou, Ph.D., professor e pesquisador da Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha, oferece uma visão esperançosa dos possíveis resultados de um diagnóstico compartilhado, em um estudo publicado em Desenvolvimento e Psicopatologia. Em uma análise de quase 300 mães, Psychogiou descobriu que, enquanto os sintomas de TDAH em crianças estavam ligados a mais emoções negativas expressas por suas mães, as mães que compartilhavam os sintomas de seus filhos eram muito mais afetivas e compassivas.

Liz Fuller exemplifica essa atitude. Sua história favorita é centrada em um dia antes de seu filho ser diagnosticado. Ela estava angustiada com o fato de que ele era o único bebê em seu grupo de música que não conseguia ficar parado no círculo. Então, ela se lembrou de seu próprio caminho conturbado durante a infância, pensando quantas vezes ela ficara de castigo no colegial, por comportamento perturbador, como conversar com outras crianças e não poder ficar parada. E diz: “Eu senti essa incrível compreensão para com o meu filho pela primeira vez. Ele ainda não conseguia falar muitas palavras, mas estava me dizendo muito sobre seu comportamento. Ele não queria (ou precisa) sentar em círculo e cantar. Ele não estava tentando ser ruim ou me frustrar. Ele estava entediado! Que droga, eu estava entediada também! Quem quer sentar em círculo e ver outras crianças cantando músicas quando há corridas a serem feitas? E quem quer forçar uma criança a sentar em círculo?”

A revelação levou Fuller a desistir da aula de música, em favor de ter um encontro regular com seu filho no parque, onde, como ela diz, “nós vagamos livremente e exploramos a beleza ao ar livre, onde ambos somos mais felizes”.

Texto adaptado, traduzido do artigo de Katherine Ellison.

10 de Maio, 2018.

https://www.additudemag.com/mothers-with-adhd-raising-kids-with-adhd/

Texto adaptado, traduzido do artigo da ADHD Weekly.

20 de Dezembro, 2018.

https://chadd.org/adhd-weekly/in-this-together-mothers-and-daughters-who-have-adhd/

 

Compartilhe com seus amigos!
EFEITOS DA DISCIPLINA PARENTAL SEVERA EM CRIANÇAS COM TDAH

EFEITOS DA DISCIPLINA PARENTAL SEVERA EM CRIANÇAS COM TDAH

A maneira como os pais interagem com seus filhos afeta o quão bem essas crianças se desenvolvem na escola, especialmente para crianças com TDAH, de acordo com estudos realizados por um grupo de pesquisadores do Penn State College of Medicine.

Os pesquisadores também estudaram o vínculo entre as práticas parentais do pai e da mãe com seu filho com problemas comportamentais, e como essas práticas afetaram o desempenho da criança na escola. Eles encontraram uma associação entre mães que tendem a gritar ou espancar como punição e uma série de problemas que as crianças enfrentam na escola.

De acordo com os pesquisadores, existe uma ligação entre as mães que utilizam comportamentos de controle negativo para disciplinar as crianças e as crianças que têm baixo desempenho acadêmico e maiores problemas comportamentais na aula. Essas crianças também demonstraram ter dificuldades em manter boas relações com seus colegas e seus professores.

Os resultados da pesquisa podem ajudar a melhorar os esforços de intervenção para as famílias que têm filhos com problemas comportamentais, onde, além do TDAH, também podem existir transtornos de conduta ou de oposição desafiador.

Os pesquisadores acrescentaram que as crianças com transtornos comportamentais são mais propensas a problemas tanto em sala de aula como em casa. Essas crianças estão em alto risco para problemas e, muitas vezes, têm dificuldades em manter boas notas. Eles também têm uma grande chance de sair da escola. Em casa, os pais dessas crianças tendem a se engajar em uma disciplina inconsistente e áspera.

Décadas de pesquisa ligaram práticas parentes negativas para criar crianças com problemas comportamentais. Geralmente, as dificuldades da criança também aumentam a possibilidade de parentalidade negativa. O comportamento disruptivo e agressivo da criança pode tornar-se estressante para os pais e, eventualmente, provoca uma pressão sobre suas capacidades parentais. Os pesquisadores estão conscientes das dificuldades dos pais em educar as crianças e eles estão conscientes das dificuldades dos filhos na escola, mas eles não sabem como esses problemas estão relacionados.

A pesquisa envolveu 110 pais, 147 mães e 148 crianças. A maioria dessas crianças tinha TDAH e outros distúrbios comportamentais. Depois que os sintomas foram identificados nas crianças, os pais foram convidados a submeter-se a uma avaliação projetada para medir suas práticas parentais, incluindo o envolvimento positivo com a criança e se eles alguma vez usaram punição negativa ou praticaram monitoramento ineficiente.

A maneira como os pais interagem com seus filhos tem um enorme associação com o desempenho da criança na escola. As mães com práticas parentais negativas foram associadas com crianças com dificuldades em matemática, nas habilidades de leitura e relacionamentos ruins com seus professores. As mães que relataram um monitoramento mais baixo ou aquelas que minimizaram as emoções de seus filhos associavam-se a crianças com relacionamentos ruins com seus pares.

Além disso, os pais que desencorajaram ou minimizaram as emoções de seus filhos foram associados com crianças que tiveram maus resultados de soletração e leitura.

Comentário do Professor Luis Augusto Rohde (UFRGS) sobre a matéria: Temos que ter cuidado ao ler esse tipo da matéria para não entender associação como causalidade. Crianças com TDAH, principalmente quando associado a Transtorno Opositor Desafiante, podem levar os pais, pelo excesso de pressão, a comportamentos parentais negativos. Crianças com essas características também podem ter menos desempenho escolar e problemas com os pares. Logo, cuidado para não cairmos numa pratica comum na área de saúde mental e culparmos mais uma vez os pais por algo que está associado ao TDAH!

Matéria de Lovisa Alvin

Publicado em 26 de Janeiro 2018.

https://community.today.com/parentingteam/post/harsh-parenting-effects-on-kids-with-adhd

Compartilhe com seus amigos!
DORMIR NEM SEMPRE É FÁCIL PARA QUEM TEM TDAH

DORMIR NEM SEMPRE É FÁCIL PARA QUEM TEM TDAH

Você está dormindo o suficiente? Se você é como um em cada três americanos, você provavelmente não está, e se você é um portador de TDAH, você pode ter ainda mais dificuldade para dormir o suficiente. De acordo com um estudo no Morbidity and Mortality Weekly Report, cerca de 35% dos americanos dormem menos de sete horas de sono por noite.

Crianças com TDAH têm duas ou três vezes mais probabilidades de ter problemas de sono quando comparados com crianças sem o transtorno. Muitas vezes, as crianças com TDAH resistem para ir à cama, mesmo quando estão muito cansadas. Quando deitam na cama, muitas vezes elas têm dificuldade em adormecer.

Tanto em crianças como em adultos, a medicação estimulante para TDAH pode interferir com o pegar no sono, assim como a cafeína. Os distúrbios do sono co-ocorrentes, incluindo a síndrome das pernas inquietas, a respiração desordenada do sono (que pode incluir ronco ou apneia do sono) e um ciclo interno retardado de sono também podem causar problemas para ir dormir ou ficar dormindo durante a noite.

A falta de sono pode afetar a maneira como você pensa, funciona e se comporta durante o dia. Também pode agravar os sintomas de TDAH, incluindo hiperatividade em crianças. O que você pode fazer para melhorar seu sono ou ajudar seu filho a dormir melhor?

Crie uma rotina noturna que o ajude a fechar o seu dia e marque a transição para o sono. Se você ou seu filho tiverem TDAH, as rotinas são importantes. Ter uma rotina noturna, como um banho, um livro e um tempo de silêncio, ajuda algumas crianças a relaxar. Os adultos também podem ler ou realizar um passatempo, diminuir as luzes na hora de dormir e desfrutar de atividades silenciosas antes de dormir. Ao ter uma rotina definida, o cérebro reconhece os padrões que indicam a hora de dormir.

Desligue os aparelhos eletrônicos. Enquanto muitas pessoas afetadas pelo TDAH sentem que a TV ou o uso de dispositivos eletrônicos os ajudam a se prepararem para dormir à noite, a luz de televisores e dispositivos eletrônicos pode interferir com os desencadeadores do sono do cérebro. Desligar os aparelhos uma hora antes da hora de dormir ajuda o cérebro a iniciar o processo de sono.

Faça do quarto um lugar agradável. Não precisa ser impecável, mas um lugar acolhedor para dormir ajuda a fazer a hora de dormir convidativa. Mantenha o quarto um pouco frio e use cortinas de janela que bloqueiam a luz. Cubra relógios ou eletrônicos do quarto que tenham luzes LED que possam interferir com o sono. Desligue dispositivos que possam tocar ou emitir um sinal sonoro. Escolha lençóis e edredons que façam você se sentir feliz. Mantenha o trabalho, incluindo a lição de casa, fora do quarto.

Planeje tempo suficiente para dormir. A gestão do tempo é um desafio para muitas pessoas afetadas pelo TDAH. Você pode precisar agendar sua rotina noturna e hora de dormir no seu gerenciador de tarefas do dia. Se você usa um calendário on-line, envie e-mails ou lembretes de texto para iniciar a rotina noturna. Algumas pessoas podem precisar retrabalhar suas rotinas diárias para definir horas de dormir que lhes permitirão pelo menos sete a oito horas de sono. Isso geralmente incluirá a escolha de não fazer algo extra para que você possa terminar o dia anterior ou passar um pouco mais de tempo na cama pela manhã.

Se você tentou essas e outras sugestões e ainda não consegue dormir o suficiente, ou o seu filho continua muito cansado, fale com seu médico. O médico pode ter opções adicionais ou pode fazer exames físicos para outras condições de saúde que interfiram com o sono.

Tradução do site do CHADD – Associação Americana de portadores de TDAH e familiares – ADHD Weekly 15.02.18.

https://chadd.org/adhd-weekly/sleep-is-not-always-easy-when-you-have-adhd/

Compartilhe com seus amigos!
Back To Top