skip to Main Content

ESTUDO DESCOBRE RELAÇÃO ENTRE SMARTPHONES E SINTOMAS DE TDAH: veja quais e saiba como evitá-los

1800 Estudo Descobre Relação Entre Smartphones 2 Logo
Post Series: TDAH & Cérebro

O uso dos smartphones é de interesse geral de todas as famílias, não apenas de pais de crianças e jovens diagnosticados com TDAH. Quem deseja um filho grudado em um celular, sem interesse algum em conversar ou em compartilhar uma refeição ou qualquer lazer em família?

Mas, quando colocamos o TDAH ao lado dos celulares, a questão se agrava. Não é mais apenas sobre tempo qualitativo em família, mas sim sobre o risco real de desenvolver ou agravar sintomas da doença conforme o grau de uso dos aparelhos.

No Brasil, a PNAD Contínua TIC 2016 mostrou que, dentre os usuários da Internet com 10 anos ou mais de idade, 94,6% se conectaram via celular. O celular estava presente em 92,6% dos 69,3 milhões de domicílios.1

Os efeitos diretos dos aparelhos sobre os jovens ainda não têm comprovação científica, porém, os crescentes estudos seguem encontrando cada vez mais correlações entre telinhas e transtornos cognitivos que vão do desenvolvimento da fala ao déficit de atenção.

Smartphones e TDAH: qual a relação entre telas e sintomas?

Um novo estudo2 publicado em julho de 2018, na Journal of the American Medical Association (JAMA), concluiu que adolescentes que usam smartphones com grande frequência podem sim ter risco elevado de desenvolverem sintomas como déficit de atenção e hiperatividade.

A pesquisa foi realizada com 2.587 estudantes de Los Angeles entre 15 e 16 anos, de variados níveis econômicos. Ao longo de 24 meses, os jovens informaram sobre seu uso de 14 diferentes plataformas digitais (mídias sociais, pesquisas em sites, envio de mensagens etc) e indicaram como se sentiam com relação a sintomas ligados à TDAH.

Os pesquisadores esclarecem que, para este estudo, foram recusados jovens que já haviam sido diagnosticados com sintomas de TDAH. O foco, aqui, era investigar o surgimento de novos quadros na adolescência.

Dados após dois anos de pesquisa:

– adolescentes que utilizaram plataformas com pouca frequência, de uma a duas vezes por dia (495 jovens): 4,6% apresentaram sintomas de TDAH (porcentagem similar ao da população em geral)

– adolescentes que usaram pelo menos 07 das plataformas digitais, várias vezes ao dia (114 jovens): de 9,5% a 10,5% desenvolveram novos sintomas de TDAH

– adolescentes que usaram todas as 14 plataformas digitais várias vezes ao dia (51 jovens): de 9,5% a 10,5% desenvolveram novos sintomas de TDAH

Dado importante da pesquisa: para cada atividade que os jovens se engajavam, a chance de desenvolverem sintomas de TDAH subia 10%.

A CONCLUSÃO DO ESTUDO: usuários intensivos de dispositivos eletrônicos têm DUAS VEZES mais chance de apresentarem sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) do que usuários pouco frequentes.

“A conexão encontrada entre o uso de smartphones e os sintomas de TDAH foi significativa”, argumenta Adam Leventhal, professor de Medicina Preventiva e Psicologia da Universidade do Sul da Califórnia (USC) e um dos responsáveis pela pesquisa, que explica por que estes dados são de importante relevância hoje: “estudos prévios sobre esta relação foram realizados anos atrás, quando as mídias sociais, smartphones, tablets e apps não existiam”, diz o pesquisador.

Leventhal, que também dirige o Laboratório de Saúde, Emoção e Vício da instituição, esclarece que “o estudo levanta grande preocupação sobre como as tecnologias digitais podem estar expondo uma nova geração de jovens ao desenvolvimento de sintomas do TDAH”.3

Celulares são causa ou consequência do TDAH?

Como a pesquisa se baseou nas percepções dos próprios adolescentes sobre mudanças em seus comportamentos, não contou com métodos precisos de diagnósticos feitos por médicos especialistas. Ainda, o objetivo do estudo não foi encontrar uma correlação direta de causa e efeito, mas sim observar a relação entre o uso de tecnologias e os sintomas relacionados à TDAH.

Ou seja, não está claro se os smartphones são causadores destes sintomas ou se os aparelhos são utilizados para aliviar sintomas já existentes em jovens diagnosticados com TDAH. Como o distúrbio está associado à busca de estímulos, é possível que o TDAH leve ao uso dos celulares para satisfazer esta necessidade.

E então, causa ou consequência?

Isso ficará para os próximos estudos, mas, de qualquer forma, já começamos a compreender que smartphones e sintomas do TDAH estão sim conectados.

A diferença entre sintomas e distúrbio

“Quanto mais tecnologia temos, mais sintomas de TDAH as pessoas podem desenvolver”, argumenta a especialista em TDAH, Dr. Angela Heithaus. Ela faz uma grande ressalva: “se você já tem TDAH, seus sintomas podem ficar ainda mais graves”.4

Sim, celulares têm a capacidade de gerar sintomas muito similares aos do TDAH. O uso excessivo de telas móveis pode causar insônia, prejudicar o foco, aumentar a sensação de tédio e outras questões geralmente relacionadas ao transtorno.

Mas, estamos falando de sintomas ou de TDAH? A tênue linha torna a questão ainda mais sensível. Por isso, é preciso muita cautela antes de sair diagnosticando seu filho com base em artigos ou testes online.

Este alerta não é para poucos. No google, “TDAH teste” já é a terceira maior busca em torno do tema. São 4.500 pessoas por mês procurando formas de obter um diagnóstico através da internet. Se levarmos em conta que o tratamento para o transtorno prosseguirá ao longo da vida, podemos ter uma ideia da gravidade de realizar estes tipos de teste em seu filho.

TDAH não é falta de foco

“Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade é um distúrbio do neurodesenvolvimento com uma etiologia biológica e ambiental complexa”, frisa Kostadin Kushlev, psicólogo responsável por outro estudo que relacionou sintomas de TDAH e smartphones em 2016.5

Esta pesquisa, realizada na Universidade de Columbia, também encontrou correlação entre os aparelhos e os sintomas do transtorno, mas nada próximo de concluir que os smartphones causam TDAH.

“Nossas descobertas não sugerem que celulares causam TDAH ou tampouco que reduzir o uso dos dispositivos móveis possa servir de tratamento para o transtorno. As conclusões simplesmente sugerem que os estímulos digitais constantes podem estar contribuindo para aumentar o déficit de atenção na sociedade contemporânea”, esclarece Kushlev.6

O psicólogo afirma que sua pesquisa trouxe um importante dado para pacientes de TDAH ou pessoas que sofrem dos sintomas relacionados ao distúrbio: “descobrimos que os efeitos prejudiciais do uso excessivo de smartphones podem ser reduzidos ao simplesmente colocarmos os aparelhos no modo silencioso e fora do nosso alcance sempre que possível.”

Vamos ver algumas maneiras de seguir as descobertas de Kushlev e ajudar nossos filhos a reduzirem o uso dos aparelhos? Assim, poderemos minimizar sintomas como inquietude, distração, incapacidade de ficar sentado ou parado, além de não conseguir realizar tarefas que precisem de silêncio e concentração.

Como usar o celular a favor do TDAH?

– A hora em que o wifi é desligado: essa dica vem da professora Jenny Radesky, responsável pelo editorial de acompanhamento7 da pesquisa publicada no JAMA. Radesky, que é professora-assistente de pediatria na Universidade de Michigan, indica que os pais estabeleçam um horário coletivo para wifi funcionar em casa (ou até mesmo um dia em que o wifi sequer é ligado, diz ela).

Os pais entram na regra, é claro. A psicóloga enfatiza que o comprometimento precisa ser coletivo: “quanto mais pais se engajarem no uso dos smartphones, mais os adolescentes também o farão”.

O primeiro passo, diz a psicóloga, é sentar com seus filhos e conversar abertamente sobre o uso dos celulares de todos na casa. Pergunte a eles como percebem seu uso e também fale com eles sobre os benefícios e danos da conexão frequente.

O objetivo da conversa, diz Radesky, não é banir, pelo contrário. O que os pais devem buscar é uma espécie de conhecimento prático sobre as mídias para que a dependência emocional das plataformas perca espaço e as mídias se tornem ótimas ferramentas para aquilo que se propõem a fazer, porque sim, celulares são maravilhosas ferramentas quando utilizadas para seus fins específicos. O que nos leva à próxima dica.

– Use a tecnologia ao seu favor: essa dica é do portal bebe.com.br8, que indica o app Focus como uma das mais eficientes maneiras de usar a tecnologia a favor do TDAH. O Focus oferece diversos recursos, como gerenciador de tarefas, dicas para os pais, lembretes para as medicações e um sistema de recompensa, que transforma o cotidiano com o distúrbio em algo prazeroso: as crianças ganham pontos ao executarem tarefas e podem trocar seus pontos por passeios, atividades ou presentes.

O app foi elaborado por especialistas e, por isso, garante eficiência no tratamento com o médico: através de perguntas, o Focus avalia como a criança está se sentindo e mede o nível de atenção durante as atividades. Informações sobre emoções e eventos negativos também são registradas, gerando um relatório, que é apresentado ao médico. O Focus foi desenvolvido pelo Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade (ProDAH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com apoio da empresa Shire.

FOCUS TDAH  – Baixe o app Focus e transforme seu celular na ferramenta mais efetiva do tratamento para TDAH.

As próximas dicas vêm do Center for Humane Technology9, que nos ensina a aproveitar as tecnologias ao máximo sem nos tornarmos dependentes delas.

Alarmes: quantas vezes você foi acionar o alarme do celular e ficou algumas horas passeando pelo feed das mídias sociais? Deixe seu celular na sala na hora de dormir. Compre alarmes tradicionais ou combine com seus filhos que você os acordará daqui para frente.

Combine com seus filhos de desligar o máximo de notificações possível. Notificações push são as grandes causadoras da constante checagem do celular. Enquanto ele está ali quietinho, tudo está sob controle. Mas, ao primeiro apito ou vibração, a tentação de correr e pegar o aparelho surge intensamente. Reúna-se com seus filhos, abram app por app e desliguem as notificações push de tudo que puderem.

Tire os apps que mais geram distração das telas iniciais. Seja no notebook, tablet ou smartphone, a máxima “o que os olhos não veem o coração não sente” é a lei desta dica. Se você não tiver o ícone do YouTube, Facebook ou WhatsApp à vista, a chance de você acessar o app cairá significativamente.

1 PNAD Contínua TIC 2016. IBGE. Disponível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/c62c9d551093e4b8e9d9810a6d3bafff.pdf>. Acesso em: 31 de agosto de 2018.

2 CHAELIN K, et al. Association of Digital Media Use With Subsequent Symptoms of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder Among Adolescents. JAMA. 2018;320(3):255-263. doi:10.1001/jama.2018.8931. Disponível em: <https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/2687861>. Acesso em: 31 de agosto de 2018.

3 SMARTPHONE USE LINKED TO BEHAVIORAL PROBLEMS IN KIDS. USC NEWS. Disponível em: <https://news.usc.edu/146032/digital-media-use-linked-to-behavioral-problems-in-kids/>. Acesso em: 31 de agosto de 2018.

4 TECHNOLOGY AND ADHD: THE NUANCES OF THE MODERN ATTENTION SPAN. THE SPECTATOR – SEATTLE UNIVERSITY. Disponível em: <http://www.seattlespectator.com/2017/11/29/technology-adhd-nuances-modern-attention-span/>. Acesso em: 31 de agosto de 2018.

5 SMARTPHONE ALERTS INCREASE INATTENTION, HYPERACTIVITY. SCIENCE DAILY. Disponível em: <https://www.sciencedaily.com/releases/2016/05/160509191843.htm>. Acesso em: 31 de agosto de 2018.

6 “SILENCE YOUR PHONES”: SMARTPHONE NOTIFICATIONS INCREASE INATTENTION AND HYPERACTIVITY SYMPTOMS. CHI ’16 Proceedings of the 2016 CHI Conference on Human Factors in Computing Systems. Pages 1011-1020. Doi: 10.1145/2858036.2858359. Disponível em: <https://dl.acm.org/citation.cfm?id=2858359>. Acesso em: 31 de agosto de 2018.

7 RADESKY J. Digital Media and Symptoms of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Adolescents. JAMA. 2018;320(3):1-2. doi:10.1001/jama.2018.8932. Disponível em: <https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/2687840>. Acesso em: 31 de agosto de 2018.

8 TDAH: APLICATIVO AJUDA O COTIDIANO DE QUEM SOFRE COM O TRANSTORNO. BEBE.COM.BR. Disponível em: <https://bebe.abril.com.br/desenvolvimento-infantil/tdah-aplicativo-ajuda-cotidiano-quem-sofre-transtorno>. Acesso em: 31 de agosto de 2018.

9 CENTER FOR HUMANE TECHNOLOGY. Disponível em: <http://humanetech.com>. Acesso em: 31 de agosto de 2018.

Compartilhe com seus amigos!
Back To Top