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PADRÕES CEREBRAIS PODEM PREVER SINTOMAS DO TDAH?

Padroescerebrais
Post Series: Infância & Adolescência

Quais sintomas seu filho manifestará no Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)? Quais problemas e até benefícios você encontrará pela frente? É possível prever este quadro? Um novo estudo afirma que sim.

Padrões cerebrais foram identificados por pesquisadores1 a partir de imagens por ressonância magnética (MRI), usadas em conjunto com dados comportamentais e demográficos. Estas informações foram capazes de prever sintomas específicos do TDAH em crianças.

O autor do estudo, o professor Tim Silk, da Faculdade de Psicologia da Deakin University, disse que compreender o funcionamento do transtorno no cérebro é fundamental para melhorar o tratamento da desordem2.

“Ainda não sabemos quais são os mecanismos do TDAH, mas fica claro que o transtorno não está isolado em uma ou duas áreas do cérebro”, afirmou Silk.

O trabalho foi publicado no American Journal of Psychiatry. Os pesquisadores, do The Children’s Attention Project3, examinaram os scanners de MRI de 160 crianças australianas, entre nove e doze anos de idade. Eles identificaram quatro “perfis cerebrais”, que poderiam indicar sintomas específicos do TDAH.

As descobertas sugerem que determinados sintomas do TDAH podem ter origem em áreas específicas do cérebro.

No estudo, 70 das crianças participantes tinham sido diagnosticadas com TDAH. Destas, 23 estavam tomando medicamentos para o transtorno. Para avaliar os sintomas, cada participante passou por uma avaliação de três horas e meia, que incluía um exame de cognição, um questionário para as crianças e outro para os pais.

Utilizando estas ferramentas, juntamente com os scanners, os pesquisadores chegaram a quatro “padrões cerebrais”, definidos a partir de perfis comportamentais e dados demográficos específicos. Eles utilizaram estas informações para prever sintomas em diferentes grupos de crianças:

– Desenvolvimento

Crianças menos maduras, em termos de desenvolvimento, apresentaram mais chances de se tornarem hiperativas e receberem medicamentos por parte dos médicos.

É comum uma diferença na chamada “idade do cérebro” em pacientes com TDAH, que apresentam um atraso no desenvolvimento em comparação a crianças sem o transtorno.

– Hiperatividade masculina

Crianças neste grupo apresentaram um perfil clínico que incluía maior hiperatividade, além de uma pontuação mais alta em sintomas de TDAH. Ainda, mais chances de apresentarem problemas de relacionamento e manifestarem desordens relacionadas.

Este perfil foi mais comum entre meninos na passagem da infância para a adolescência (pré-púberes).

Especificamente, o papel do fascículo longitudinal superior, uma fibra que une os lobos frontal, parietal e occipital (também chamado de fascículo arqueado), aparecia como relevante na previsão de sintomas de hiperatividade.

Este perfil também foi associado a notas mais baixas na escola, mais dificuldade dos pais em disciplinarem a criança e aumento de situações estressantes.

– Performance Cognitiva

Este padrão foi associado a dificuldades cognitivas, aumento na irritabilidade e redução de hiperatividade.

Um componente ambiental também foi associado a este perfil. Fatores como educação deficiente por parte dos pais, nicotina na gravidez, peso no nascimento e até mesmo status socioeconômico podem ter contribuído nesta queda cognitiva.

– Tamanho da cabeça

Um volume intracraniano maior foi associado com o sexo masculino. Este perfil apresentou melhoria na performance em leitura e matemática.

Este padrão apoia a hipótese da relação entre tamanho do cérebro, habilidade cognitiva e resultados escolares.

É importante dizer que este perfil não estava fortemente ligado aos sintomas de TDAH, mesmo que haja estudos apontando que pacientes de TDAH possam ter cérebros menores.

“Diferenças na estrutura cerebral podem originar mudanças no funcionamento das redes responsáveis pela função cognitiva, além de processos motores e sensoriais”, explicou o Silk4.

“Avanços recentes na análise de scanners de ressonância magnética nos permitem examinar estas variações através dos tipos de tecidos e dos diferentes indivíduos”, argumentou o professor.

Ele também disse que o objetivo final de sua pesquisa era avaliar se exames de imagem seriam capazes de prover informações objetivas tanto para ajudar no diagnóstico do TDAH quanto para colaborar nos tratamentos.

É importante acrescentar que nenhum marcador biológico pode detectar o TDAH atualmente. O diagnóstico deve ser feito por um médico ou profissional de saúde especializado. O transtorno é tratado com medicamentos, estratégias comportamentais e aconselhamento.

Fontes:

1 GARETH B. et al., 2018. Multimodal Structural Neuroimaging Markers of Brain Development and ADHD Symptoms. The American Journal of Psychiatry. 2018 Sep 17. doi: https://doi.org/10.1176/appi.ajp.2018.18010034. Disponível em: https://ajp.psychiatryonline.org/doi/10.1176/appi.ajp.2018.18010034 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

2 STUDY: NEUROIMAGING PATTERNS PREDICT PINPOINTED ADHD SYMPTOMS. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/neuroimaging-adhd-brain-development . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

3 THE CHILDREN’S ATTENTION PROJECT. MURDOCH CHILDREN’S RESEARCH INSTITUTE. Disponível em: https://www.mcri.edu.au/research/projects/children’s-attention-project . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

4 BRAIN SCANS REVEAL COMMON PATTERNS CAN PREDICT VARIATIONS IN ADHD. MEDICALXPRESS. Disponível em: https://medicalxpress.com/news/2018-09-brain-scans-reveal-common-patterns.html . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

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