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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

EXERCÍCIOS FÍSICOS E TDAH: MANTENHA SEU FILHO ATIVO!

EXERCÍCIOS FÍSICOS E TDAH: MANTENHA SEU FILHO ATIVO!

A noção de que atividades físicas têm impacto positivo no TDAH não é nova, mas um estudo ampliou a discussão.1 A pesquisa mostrou que atividades físicas regulares reduziam a seriedade dos sintomas e melhoravam o funcionamento cognitivo das crianças.

Betsy Hoza, professora de Psicologia na Universidade de Vermont, liderou este estudo. Ela diz que os resultados foram promissores, já que eles demonstram que crianças (do jardim de infância à segunda série) tiveram um impacto significativo no foco e no humor com apenas 30min de exercícios físicos por dia. Os resultados foram similares para crianças tanto com o tipo hiperativo-impulsivo do transtorno quanto do tipo desatento.

De fato, uma das características mais notáveis do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é o comportamento agitado. É por isso que tantas crianças portadoras do transtorno se mexem e se contorcem sempre que pedimos a elas que se sentem por algum período de tempo. Para liberar esta energia, crianças com TDAH precisam de muito exercício.2

Manter-se ativo não é bom apenas para o excesso de energia física, mas como também para outras questões do TDAH:

– falta de foco
– impulsividade
– relacionamentos sociais

Se utilizados conjuntamente com o tratamento tradicional (terapias e medicações estimulantes), os exercícios regulares têm um impacto geral positivo nos sintomas de TDAH.3

Exercícios físicos e o cérebro

Quando as crianças se exercitam, muda a quantidade de neurotransmissores liberados pelo cérebro. Neurotransmissores incluem a dopamina, envolvida na capacidade de atenção. As medicações utilizadas no tratamento do TDAH trabalham aumentando este mesmo neurotransmissor no cérebro. Então, faz sentido que um pouco de exercício tenha efeitos similares nos pacientes.

Em estudos publicados no Archives of Clinical Neuropsychology4 e no Attention Deficit Hyperactivity Disorder5, crianças com TDAH que se exercitavam tinham avaliações melhores em testes de atenção e apresentavam menos impulsividade – mesmo que não estivessem tomando medicações estimulantes. Os pesquisadores sugerem alguns motivos para esta transformação:

– Fluxo de sangue: exercícios aumentam o fluxo de sangue no cérebro. Crianças com TDAH podem ter menos fluxo sanguíneo nas partes do cérebro responsáveis por pensamento, planejamento, emoções e comportamento.

– Vasos sanguíneos: exercícios melhoram os vasos sanguíneos e a estrutura cerebral. Isso colabora na habilidade de pensar.

– Atividade cerebral: exercícios aumentam a atividade em determinadas partes do cérebro relacionadas ao comportamento e à atenção.3

O TDAH começa no cérebro

O transtorno se origina de uma falha no sistema de atenção do cérebro, que é feito de uma rede de neurônios interconectada, que se espalha através de várias áreas do órgão – áreas que vão da motivação e da recompensa até aquelas que envolvem movimento e função executiva.

Estes circuitos de atenção são regulados por neurotransmissores como a noradrenalina e a dopamina, que ajudam a conduzir mensagens de uma parte do sistema para outra.

Sempre que você caminha, corre, anda de bicicleta ou nada, seu cérebro libera esses neurotransmissores em grande quantidade. Isso aumenta a habilidade do sistema de atenção de ser regular e consistente, ao estimular o crescimento de novos receptores em determinadas áreas do cérebro.6

Como o exercício ajuda no pensamento e no comportamento

Uma das áreas que as crianças mais apresentam problemas é na função executiva, as habilidades que utilizamos para planejar e organizar.

Uma falta destas habilidades torna difícil para as crianças com TDAH se lembrarem de terminar a tarefa da escola. Exercícios podem melhorar a função executiva nos portadores de TDAH.

Muitas crianças com o transtorno também lutam por suas capacidades sociais e comportamentais. Praticar um esporte pode trazer os benefícios capazes de melhorar este quadro.

Exercícios também podem ajudar a minimizar o comportamento disruptivo, como interromper, falar palavrões, bater e se recusar a participar de atividades.3

Por causa de todos estes benefícios, os exercícios são uma ótima ferramenta para otimizar a eficiência da medicação no tratamento do TDAH quando usamos concomitantemente. O plano de exercícios deve ser parte de um tratamento multidisciplinar. Avalie com seu pediatra, psicólogo ou psiquiatra e desenvolva o melhor tratamento para seu filho.

Fontes

1 Hoza B, Smith AL, Shoulberg EK, et al. A Randomized Trial Examining the Effects of Aerobic Physical Activity on Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder Symptoms in Young Children. J Abnorm Child Psychol. 2015 May;43(4):655-67. doi: 10.1007/s10802-014-9929-y. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25201345>. Acesso em: 30 de agosto de 2018.

2 ADHD AND EXERCISE. CHILD MIND INSTUTE. Disponível em: <https://childmind.org/article/adhd-and-exercise>. Acesso em: 30 de agosto de 2018.

3 Exercise for Children With ADHD. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/exercise-for-children-with-adhd_#1>. Acesso em: 30 de agosto de 2018.

4 CHANG YK, et al. Effect of acute exercise on executive function in children with attention deficit hyperactivity disorder. Arch Clin Neuropsychol. 2012 Mar;27(2):225-37. doi: 10.1093/arclin/acr094. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22306962>. Acesso em: 30 de agosto de 2018.

5 MEDINA JA, et al. Exercise impact on sustained attention of ADHD children, methylphenidate effects. Atten Defic Hyperact Disord. 2010 Mar;2(1):49-58. doi: 10.1007/s12402-009-0018-y. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22306962>. Acesso em: 30 de agosto de 2018.

6 THE EXERCISE PRESCRIPTION FOR ADHD. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: <http://www.chadd.org/AttentionPDFs/ATTN_06_12_Exercise.pdf>. Acesso em: 30 de agosto de 2018.

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MEU FILHO CULPA TODO MUNDO POR SEUS ERROS – Exceto A Si Mesmo. O Que Fazer?

MEU FILHO CULPA TODO MUNDO POR SEUS ERROS – exceto a si mesmo. O que fazer?

“Não fui eu”.

Uma frase típica nas crianças e nos adolescentes, mas, ainda mais típica naqueles diagnosticados com TDAH. A lista de justificativas apresentadas vai crescendo e os supostos culpados vão sendo indicados. Foi o gato, o cachorro, o professor, o irmão. Com o passar dos anos, as justificativas vão se complexificando: “foi minha infância com TDAH”, “é o meu cérebro que não consegue fazer” etc.

Outro comportamento muito comum é a fuga do enfrentamento: isso pode acontecer quando o jovem inventa incontáveis novos conflitos para não falar a respeito do que fez ou quando simplesmente se fecha e nada mais consegue ser discutido.1

Entre justificativas, culpados e fugas, fica a pergunta: afinal de contas, por que crianças e adolescentes com TDAH não conseguem admitir os próprios erros?

Não, não é apenas manha ou negação. Muitos pacientes não conseguiram atingir um bom desenvolvimento da chamada metacognição, a capacidade de refletir sobre seus próprios atos, pensamentos ou sentimentos. Estas pessoas terão dificuldade de perceber quando são tomadas por devaneios e de compreender o comportamento adequado para determinado contexto.2

Quando uma pessoa sofre de alguma desordem e não percebe seus sintomas (ou até a própria doença), ela tem a chamada anosognosia.

Anosognosia

Derivada do grego “doença” (nossos) e conhecimento (gnosis), a anosognosia é um fenômeno clínico em que o paciente com uma disfunção cerebral parece desconhecer a deterioração da função neurológica ou neuropsicológica, que é evidente para os médicos e para as outras pessoas. Ela afeta anatomicamente as regiões do cérebro envolvidas na consciência, resultando em uma diminuição da capacidade de reconhecer a gravidade das deficiências.

A consciência que temos de nós mesmos fica relegada a um segundo plano e não consegue integrar as informações como parte de nós; é como se o transtorno ou seus sintomas não existissem.

O universo do seu filho

É fundamental que você perceba que aquilo que parece ser tão óbvio para você e para outros observadores pode permanecer invisível ou distorcido para pessoas com TDAH. Até que você, mãe ou pai, aceite esta realidade, o risco que você corre é de elevar sua impaciência ou irritação e, assim, acabar minando sua relação com seu filho.

Ao lidar com essas situações, mantenha uma máxima em mente: o órgão que está causando tantos problemas para o seu filho é o mesmo órgão que seu filho está utilizando para avaliar os problemas.3

Como desenvolver o sentido de responsabilidade no jovem com TDAH

Tipicamente, as crianças com TDAH vivem no presente e consideram muito difícil olhar para o futuro ou desenvolver uma relação direta com o passado. Uma vez que o momento passou, ele literalmente se torna uma história: esta é uma das principais razões pelas quais elas não conseguem assumir responsabilidade por estas narrativas.

Porém, juntamente com uma estrutura familiar e escolar coesa, a terapia comportamental fornece ferramentas muito úteis para o desenvolvimento do sentido de consequência. Estas estratégias funcionam, porque são capazes de expressar claramente as performances positivas e negativas do seu filho. Utilize cartões, adesivos, estrelinhas e outros motivadores que marquem visivelmente o que são boas ou más atitudes. Aposte em ferramentas que reforcem, de forma clara e rápida, as consequências dos atos.

Lembre-se: jovens com TDAH precisam perceber os reflexos de suas ações assim que elas acontecem. Eles dificilmente serão motivados por objetivos de longo prazo, como uma viagem ao final do ano ou qualquer presente em um futuro distante por seu bom comportamento. Recompensas objetivas, consistentes e imediatas são, portanto, vitais para que as ferramentas comportamentais funcionem.

Encontrar recompensas positivas para seu filho pode ser um desafio, mas a grande maioria se sentirá motivado por alguma coisa. Envolver seu filho no processo de escolha das recompensas é uma maneira de garantir o sucesso da estratégia. As recompensas baseadas em atividades podem variar muito de acordo com a idade do seu filho e podem ir de um tempo extra no computador ou mais idas ao parque para as crianças menores.

O reforço das consequências negativas exige bastante cuidado e deve ser usado como parte de um processo gradativo e tático. O primeiro passo é a resposta não-verbal à má atitude. Um olhar severo, a retirada da criança do ambiente para se acalmar, uma conversa. Tudo deve seguir uma escalada na gradação das ferramentas e os próximos passos só devem ser tomados se o primeiro não funcionou. Não há necessidade de longas discussões se o seu filho compreendeu o que fez com um olhar seu, certo?

Regras são outro fator essencial em qualquer terapia comportamental Novamente, as ferramentas fornecem estrutura e previsibilidade, tudo que uma criança com TDAH precisa. As regras na escola ou em casa precisam ser simples e diretas – não mais do que quatro ou cinco regras fundamentais do lar – e que podem ser ilustradas em cartões, quadros ou pôsteres em diferentes ambientes.4

1 HOLDING ADD & ADHD INDIVIDUALS RESPONSIBLE. JONATHAN CARROL M.A. Disponível em: <http://adhdefcoach.com/2012/01/11/holding-add-adhd-children-responsible>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

2 ADHD CHILD, WHY IS IT NEVER THEIR FAULT?. INTENSIVE CARE FOR YOU. Disponível em: <https://intensivecareforyou.com/adhd-child-why-is-it-never-their-fault>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

3 PERA, G. Is it You, Me, Or Adult A.D.D.?: 1. ed. Chicago: Alarm Press, 2008. P.185-193.

4 ATTENTION DEFICIT HYPERACTIVITY DISORDER (ADHD) TEACHERS’ PACK. DAVID JENKINS CHARTERED EDUCATIONAL PSYCHOLOGIST. Disponível em: <https://www.dronfield.derbyshire.sch.uk/site_content/unsecure/sen/SEND-teachers_booklet_for_ADHD.pdf>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

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FUNÇÕES EXECUTIVAS E TDAH

FUNÇÕES EXECUTIVAS E TDAH

A função executiva é uma função do cérebro incrivelmente complexa e multifacetada envolvendo:

– organizar e definir prioridades
– focar e mudar o foco
– regular o estado de alerta
– manter o esforço
– administrar os resultados
– regular a velocidade de processamento de informações na mente
– utilizar a memória
– monitorar e controlar de atitudes1

Modelos de Função Executiva

As funções executivas do cérebro estão relacionadas a situações em que “comando” e “controle” são necessários. Nesse sentido, estas funções podem ser vistas como as grandes condutoras das habilidades cognitivas. 2 Como diz, o psicólogo Thomas Brown, elas representam o maestro de uma orquestra. Sem ele, todos os instrumentistas podem ser ótimos, mas o resultado final não será bom! Ele vai definir as prioridades a cada momento, mudar o foco de um instrumento para outro!

Dois reconhecidos pesquisadores do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade avaliam a função executiva com modelos diferentes. Falamos de Russel Barkley, Ph.D, e do já mencionado Thomas Brown, Ph.D.

O modelo de Barkley é baseado na ideia de que a incapacidade de autorregulação é a raiz de muitos desafios enfrentados por indivíduos com TDAH. Ele explica que os portadores do transtorno podem ser incapazes de reter respostas, portanto, agindo impulsivamente, sem consideração adequada às consequências futuras – sejam elas benefícios ou malefícios.3

Há incontáveis vídeos com Russell Barkley no YouTube. Muitos estão legendados em português.

Outro reconhecido pesquisador é Thomas Brown, Ph.D. Brown divide as funções executivas em seis conjuntos diferentes, que veremos logo a seguir. Segundo Brown, estes conjuntos operam de maneira integrada. Para ele, pessoas com TDAH tendem a sofrer falhas em cada um dos grupos, mesmo que em variados graus. Como estas falhas geralmente aparecem juntas, Brown defende que elas estão clinicamente relacionadas.4

Assista aos vídeos com Tom Brown e outros especialistas em TDAH no canal do Understood
https://www.youtube.com/playlist?list=PL0Kjy0JtEbaQK16g3JLMnjUTZAznDooBJ

Vamos observar cada um dos conjuntos descritos por Brown e conhecer o que o especialista concluiu sobre o comportamento dos portadores de TDAH ao longo dos anos em seus estudos e práticas:1

1 – Organização, priorização e ativação de tarefas

– Impulsivo ou procrastinador?
Mesmo que muitas pessoas associem o TDAH ao comportamento impulsivo (falar ou agir rápido demais, sem pensar), é inegável que muitos portadores da doença sentem dificuldade em iniciar determinadas tarefas. Apenas quando confrontados com consequências graves em um futuro imediato, os portadores do transtorno conseguem se motivar suficientemente para começar estas tarefas.

– Como priorizar?
Indivíduos com TDAH reclamam com frequência que é muito difícil elencar o que é mais importante. Grande parte da nossa rotina cotidiana exige esta capacidade de sequenciamento, definindo o que é urgente e o que pode ser feito.

– Expectativas irreais
Uma tendência similar aparece quando os pacientes ignoram as limitações reais em suas listas de afazeres. Eles parecem não ter noção de quantas tarefas conseguem realizar em um determinado período de tempo. Muitos criam listas com 30 itens para um único dia – algo que uma pessoa sem o transtorno dividiria em semanas ou até meses.

2 – Focalização, manutenção e mudança de atenção

– A mais comum das queixas
Uma das queixas mais comuns dos pacientes é que eles não conseguem focar ou manter o foco. Pode ser muito difícil, para eles, dar atenção à voz no telefone ou às palavras em uma página.

– Impossibilidade de ignorar distrações
Outra faceta do problema é a distração. Mesmo que estejam focados em algo, os portadores do transtorno são rapidamente retirados deste estado por qualquer distração. Bem, todos passam por isso. Porém, o cérebro com TDAH parece não ser capaz de bloquear as distrações – é uma dificuldade crônica de afastar ou ignorar estímulos externos.

3 – Regulação do estado de alerta, sustentação de esforço e processamento de velocidade

– Sono fora de hora
Muitos portadores do TDAH reportam uma sensação de sonolência intensa – ao ponto de não conseguirem manter os olhos abertos – quando precisam ficar quietos e parados. Isso não ocorre quando estão ativos, movimentando-se ou conversando. Mas, se torna um desafio real quando precisam ler, assistir a uma palestra ou dirigir em estradas sem engarrafamentos. É como se os pacientes só fossem capazes de se manter alertas quando estão verdadeiramente engajados em comportamentos que deem constante feedback motor, social ou cognitivo.

– Lentidão para executar tarefas
Não é incomum ouvir que pessoas com TDAH levam muito tempo para ler ou escrever. Há um problema crônico de processamento de tempo. É uma lástima que muitas pessoas acreditem que eles sejam lentos ou preguiçosos – quando, na realidade, eles estão impossibilitados de coordenar e integrar as capacidades múltiplas que a escrita e a leitura exigem.

– Rápidos e lentos demais: ao mesmo tempo
Uma questão comum é observar lentidão para determinadas questões, mas rapidez excessiva para outras – ao ponto de não conseguirem enxergar ou prever erros. É como se eles não pudessem regular a velocidade de processamento para algumas tarefas.

4 – Administração da frustração e modulação das emoções

O critério para diagnóstico do TDAH, com base no DSM-5 não prevê qualquer item relacionado às emoções. Porém, Dr. Brown afirma que muitos pacientes relatam imenso esforço para lidar com elas.

– Avalanche de emoções
Reações desproporcionais são frequentes e os pacientes comparam as emoções com uma onda que invade a mente, tomando conta de tudo. A intensidade dos sentimentos pode sufocar a capacidade de raciocínio. Assim, a influência destas emoções pode ser muito maior sobre os sequentes pensamentos e atitudes, o que leva ao conhecido falar ou agir sem pensar.

– Hipersensibilidade
Muitos pacientes se descrevem como sensíveis e reativos demais aos mais insignificantes comentários ou críticas. É difícil, para eles, modular emoções e sentimentos.

5 – Utilização da memória de trabalho e acesso a lembranças

– Reter informação
Dificuldades crônicas com a memória são um dos problemas fundamentais do TDAH. Porém, as falhas envolvem o que chamamos de memória de trabalho. A memória de trabalho tem muitas funções – uma função importante é a capacidade de segurar uma informação ativa enquanto trabalha com outra informação, como janelas no navegador do seu computador.

Manter uma comunicação recíproca é muito difícil quando a memória de trabalho está prejudicada – algo comum nos pacientes de TDAH.

– A dificuldade da leitura e da escrita
O exercício da leitura também depende da memória de trabalho, já que a pessoa precisa reter na mente os sons simbolizados pela primeira parte da palavra enquanto decodifica o som das últimas letras para reconhecer, assim, a palavra final. Ainda, será preciso puxar da memória os significados associados àquela palavra e segurar este significado na mente para conectá-lo com as palavras que virão, formando frases, parágrafos e textos inteiros.

– Números
A memória de trabalho também é essencial para a matemática, por mais simples que pareça o exercício. Se a pessoa não conseguir reter na mente os números necessários para executar os cálculos, as respostas dificilmente estarão corretas. Quanto mais complexa a operação, maior a dificuldade. Imagine quando se trata de uma sequência de operações: álgebra e geometria se tornam praticamente incompreensíveis.

6 – Monitoramento e autorregulação de atitudes

Pesquisas identificaram a incapacidade de inibir como o núcleo da hiperatividade e da impulsividade no TDAH. Russell Barkley (1997)5 argumenta que falhas na capacidade de inibição são o problema primordial do TDAH. Ele diz que a capacidade de inibição é a base para a eficácia de todas as funções executivas afetadas pelo transtorno.
Contudo, diz Dr. Brown, supervalorizar esta capacidade ao ponto de colocá-la como eixo central do TDAH é ignorar a conexão essencial entre ações de contenção e engajamento.

– Relacionamentos sociais
Situações sociais estão entre as questões mais desafiadores para quem sofre de deficiências no monitoramento e na regulação de ações. Como pessoas com TDAH têm dificuldade de monitorar o contexto das situações, é grande a chance de que prestem atenção a detalhes desimportantes e percam o que há de mais relevante no momento.

É comum que não consigam notar as reações dos outros ou como eles próprios estão sendo percebidos pelos outros. Este monitoramento fica ainda mais difícil quando há uma interação intensa entre várias pessoas.1

Desordem na Função Executiva ou TDAH?

Em muitos casos, TDAH e desordens na função executiva andam juntas. Isso ocorre porque muitos sintomas do TDAH também são os sintomas de quem sofre de problemas na função executiva. Mas, há uma importante diferença entre as desordens, sugere Brown:

TDAH é um diagnóstico oficial. Desordens na função executiva não. É apenas um termo utilizado para falar de deficiências no sistema de autorregulação do cérebro. Ainda, problemas com a função executiva não são encontrados apenas em crianças com TDAH. Muitas crianças sem o transtorno lutam com uma ou mais das capacidades ligação à função.6

Brown criou uma tabela com diferentes sintomas e sinais que podem ajudar os pais a perceberem as diferenças. Clique aqui para acessar a tabela.

Já Barkley, defende que o TDAH é uma desordem de autorregulação e que, para ter a capacidade de autorregulação funcionando, é preciso ter as funções executivas intactas.

Para lidar com os sintomas do TDAH, enfatiza o pesquisador, é preciso compreender que o déficit na função executiva pode ser compensado por modificações no ambiente, por estruturas que facilitem para o portador do transtorno usar sua própria capacidade de autocontrole.3

Enquanto um número crescente de artigos e livros se referem ao TDAH como uma “desordem na função executiva da mente”, há sim ideias conflitantes sobre como o TDAH e a função executiva se relacionam.

Uma teoria sugere que algumas pessoas que se enquadram em determinados critérios de TDAH também sofrem de deficiências na função executiva.

Outro ponto de vista alternativo diz que todos os indivíduos com TDAH sofrem de significativa deficiência na função executiva e que, assim, o TDAH é, essencialmente, uma desordem da função executiva.

O importante é que estas noções se tornam conflitantes porque têm compreensões diferentes da natureza da função executiva – cada uma destas teorias levará a diferentes conclusões sobre a natureza do TDAH e sobre a relação do transtorno com outras desordens do aprendizado.7

Como ficam as funções Executivas na vida adulta?

Dr. Ross Greene, Ph.D, autor de livros sobre TDAH e criador da ONG Lives in the Balance, normalmente se refere aos pais de crianças com o transtorno como sendo os lobos frontais dos filhos.8 Ou seja, os pais assumiriam as tarefas que o cérebro do filho não é capaz de executar: organização, planejamento, memória e toda administração da vida do pequeno, sem que ele perceba o esforço dos pais.

Porém, quando os portadores do TDAH crescem, os pais não conseguem mais assumir este papel. As habilidades executivas, portanto, tornam-se cruciais. A vida adulta é marcada pela necessidade de assumir diversas tarefas ao mesmo tempo.

Uma vez que seu filho chegar à maturidade, ele possivelmente não poderá se dar ao luxo de ter outro adulto cuidando destas questões. Por isso, é frequente que o cônjuge de alguém com desordens na função executiva reclame que precisa “cuidar de mais uma criança”, o que adiciona uma grande dose de estresse na vida marital.

A boa notícia é que o tratamento do TDAH reduz os sintomas a um grau que permite a condução de vidas e carreiras produtivas, estimulantes e recompensadoras. Contudo, para finalizar, é muito importante notar que “pílulas não ensinam habilidades”, especialmente no caso de deficiências executivas – portanto, apenas a medicação não significa abandono completo de psicólogos e profissionais de saúde capazes de ensinar ferramentas e métodos eficientes para lidar com os problemas reais que a desordem pode causar.7

1 EXECUTIVE FUNCTIONS – DESCRIBING SIX ASPECTS OF A COMPLEX SYNDROME. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: https://chadd.org/wp-content/uploads/2018/06/ATTN_02_08_Executive_Functions_by_Thomas_Brown.pdf . Acesso em: 31 de agosto de 2018.

2 EXECUTIVE FUNCTION DEFICITS TIED TO ADHD. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/7-executive-function-deficits-linked-to-adhd/ . Acesso em: 31 de agosto de 2018.

3 EXECUTIVE FUNCTION SKILLS. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/about-adhd/executive-function.aspx . Acesso em: 31 de agosto de 2018.

4 PETERSEN C; WAINER R. Terapias cognitivo-comportamentais para crianças e adolescentes: 1. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011. P.138-141.

5 THE IMPORTANT ROLE OF EXECUTIVE FUNCTIONING AND SELF-REGULATION IN ADHD. RUSSELL BARKLEY. Disponível em: http://www.russellbarkley.org/factsheets/ADHD_EF_and_SR.pdf . Acesso em: 31 de agosto de 2018.

6 THE DIFFERENCE BETWEEN ADHD AND EXECUTIVE FUNCTIONING ISSUES. UNDERSTOOD. Disponível em: https://www.understood.org/en/learning-attention-issues/child-learning-disabilities/executive-functioning-issues/difference-between-executive-functioning-issues-and-adhd . Acesso em: 31 de agosto de 2018.

7 THE DIFFERENCE BETWEEN ADHD AND EXECUTIVE FUNCTION DISORDER. C8SCIENCES. Disponível em: https://www.c8sciences.com/difference-between-adhd-and-executive-function-disorder/ . Acesso em: 31 de agosto de 2018.

8 Executive Functioning and ADHD. CENTRE FOR ADHD AWARENESS CANADA. Disponível em: http://caddac.ca/adhd/understanding-adhd/in-general/executive-functioning/ . Acesso em: 31 de agosto de 2018.

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PADRÕES CEREBRAIS PODEM PREVER SINTOMAS DO TDAH?

PADRÕES CEREBRAIS PODEM PREVER SINTOMAS DO TDAH?

Quais sintomas seu filho manifestará no Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)? Quais problemas e até benefícios você encontrará pela frente? É possível prever este quadro? Um novo estudo afirma que sim.

Padrões cerebrais foram identificados por pesquisadores1 a partir de imagens por ressonância magnética (MRI), usadas em conjunto com dados comportamentais e demográficos. Estas informações foram capazes de prever sintomas específicos do TDAH em crianças.

O autor do estudo, o professor Tim Silk, da Faculdade de Psicologia da Deakin University, disse que compreender o funcionamento do transtorno no cérebro é fundamental para melhorar o tratamento da desordem2.

“Ainda não sabemos quais são os mecanismos do TDAH, mas fica claro que o transtorno não está isolado em uma ou duas áreas do cérebro”, afirmou Silk.

O trabalho foi publicado no American Journal of Psychiatry. Os pesquisadores, do The Children’s Attention Project3, examinaram os scanners de MRI de 160 crianças australianas, entre nove e doze anos de idade. Eles identificaram quatro “perfis cerebrais”, que poderiam indicar sintomas específicos do TDAH.

As descobertas sugerem que determinados sintomas do TDAH podem ter origem em áreas específicas do cérebro.

No estudo, 70 das crianças participantes tinham sido diagnosticadas com TDAH. Destas, 23 estavam tomando medicamentos para o transtorno. Para avaliar os sintomas, cada participante passou por uma avaliação de três horas e meia, que incluía um exame de cognição, um questionário para as crianças e outro para os pais.

Utilizando estas ferramentas, juntamente com os scanners, os pesquisadores chegaram a quatro “padrões cerebrais”, definidos a partir de perfis comportamentais e dados demográficos específicos. Eles utilizaram estas informações para prever sintomas em diferentes grupos de crianças:

– Desenvolvimento

Crianças menos maduras, em termos de desenvolvimento, apresentaram mais chances de se tornarem hiperativas e receberem medicamentos por parte dos médicos.

É comum uma diferença na chamada “idade do cérebro” em pacientes com TDAH, que apresentam um atraso no desenvolvimento em comparação a crianças sem o transtorno.

– Hiperatividade masculina

Crianças neste grupo apresentaram um perfil clínico que incluía maior hiperatividade, além de uma pontuação mais alta em sintomas de TDAH. Ainda, mais chances de apresentarem problemas de relacionamento e manifestarem desordens relacionadas.

Este perfil foi mais comum entre meninos na passagem da infância para a adolescência (pré-púberes).

Especificamente, o papel do fascículo longitudinal superior, uma fibra que une os lobos frontal, parietal e occipital (também chamado de fascículo arqueado), aparecia como relevante na previsão de sintomas de hiperatividade.

Este perfil também foi associado a notas mais baixas na escola, mais dificuldade dos pais em disciplinarem a criança e aumento de situações estressantes.

– Performance Cognitiva

Este padrão foi associado a dificuldades cognitivas, aumento na irritabilidade e redução de hiperatividade.

Um componente ambiental também foi associado a este perfil. Fatores como educação deficiente por parte dos pais, nicotina na gravidez, peso no nascimento e até mesmo status socioeconômico podem ter contribuído nesta queda cognitiva.

– Tamanho da cabeça

Um volume intracraniano maior foi associado com o sexo masculino. Este perfil apresentou melhoria na performance em leitura e matemática.

Este padrão apoia a hipótese da relação entre tamanho do cérebro, habilidade cognitiva e resultados escolares.

É importante dizer que este perfil não estava fortemente ligado aos sintomas de TDAH, mesmo que haja estudos apontando que pacientes de TDAH possam ter cérebros menores.

“Diferenças na estrutura cerebral podem originar mudanças no funcionamento das redes responsáveis pela função cognitiva, além de processos motores e sensoriais”, explicou o Silk4.

“Avanços recentes na análise de scanners de ressonância magnética nos permitem examinar estas variações através dos tipos de tecidos e dos diferentes indivíduos”, argumentou o professor.

Ele também disse que o objetivo final de sua pesquisa era avaliar se exames de imagem seriam capazes de prover informações objetivas tanto para ajudar no diagnóstico do TDAH quanto para colaborar nos tratamentos.

É importante acrescentar que nenhum marcador biológico pode detectar o TDAH atualmente. O diagnóstico deve ser feito por um médico ou profissional de saúde especializado. O transtorno é tratado com medicamentos, estratégias comportamentais e aconselhamento.

Fontes:

1 GARETH B. et al., 2018. Multimodal Structural Neuroimaging Markers of Brain Development and ADHD Symptoms. The American Journal of Psychiatry. 2018 Sep 17. doi: https://doi.org/10.1176/appi.ajp.2018.18010034. Disponível em: https://ajp.psychiatryonline.org/doi/10.1176/appi.ajp.2018.18010034 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

2 STUDY: NEUROIMAGING PATTERNS PREDICT PINPOINTED ADHD SYMPTOMS. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/neuroimaging-adhd-brain-development . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

3 THE CHILDREN’S ATTENTION PROJECT. MURDOCH CHILDREN’S RESEARCH INSTITUTE. Disponível em: https://www.mcri.edu.au/research/projects/children’s-attention-project . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

4 BRAIN SCANS REVEAL COMMON PATTERNS CAN PREDICT VARIATIONS IN ADHD. MEDICALXPRESS. Disponível em: https://medicalxpress.com/news/2018-09-brain-scans-reveal-common-patterns.html . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

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MENINAS, MULHERES E TDAH: POR QUE O TRANSTORNO É TÃO DIFERENTE NAS GAROTAS?

MENINAS, MULHERES E TDAH: POR QUE O TRANSTORNO É TÃO DIFERENTE NAS GAROTAS?

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade não se manifesta da mesma forma em meninos e em meninas. As mulheres com TDAH tendem a ser menos hiperativas e impulsivas, mas mais desorganizadas, dispersas, esquecidas e introvertidas.1

Ainda, meninas têm mais chance de desenvolverem desordens associadas, incluindo ansiedade, depressão, bipolaridade ou transtorno de conduta – e, mesmo assim, têm menos chance de serem encaminhadas para avaliação e tratamento.2

Mas, por que isso acontece?

Mulheres e meninas têm menos chance de serem diagnosticadas porque, tradicionalmente, as linhas gerais utilizadas para avaliação focavam em meninos e homens. Na obra Understanding Girls with AD/HD, a coautora Ellen Littman, Ph.D, explica como as pesquisas iniciais eram voltadas a meninos hiperativos e brancos, sendo que apenas 1% dos estudos se voltavam às meninas.3 Como garotas manifestam sintomas de formas diferentes dos garotos, o que aconteceu?

Os meninos passaram a ter uma chance 3x maior de serem diagnosticados com TDAH.

A pesquisadora e educadora Jane Adelizzi, Ph.D, diz que meninas com TDAH tendem a ser altamente negligenciadas pelos estudos, porque a hiperatividade geralmente não está presente nelas.

Garotas estão mais propensas a serem portadoras do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade com predomínio de desatenção. Por isso, meninas têm grandes chances de não serem corretamente diagnosticadas, levando os problemas da desordem pelo resto da vida sem tratamento.

“Meninas sem tratamento para TDAH correm risco de baixa autoestima crônica, desempenho insuficiente, ansiedade, depressão, gravidez na adolescência e vícios”, diz a psicóloga Kathleen Nadeau, Ph.D.

“Quando adultas, aumentam os riscos de divórcio, crises financeiras, desistência dos estudos, desemprego, abuso de substâncias, transtornos alimentares e estresse constante devido à dificuldade de administrar as demandas da vida cotidiana”, explica Nadeau.4

O TDAH em meninas jovens é muitas vezes ignorado, as razões para as quais permanecem incertas, e muitas mulheres não são diagnosticadas até que sejam adultas. Frequentemente, uma mulher chega a reconhecer seu próprio TDAH depois que um de seus filhos recebeu um diagnóstico. Ao aprender mais sobre o TDAH, ela começa a ver muitos padrões semelhantes em si mesma.

Algumas mulheres procuram tratamento para o TDAH porque suas vidas estão fora de controle – suas finanças podem estar no caos; sua papelada e manutenção de registros geralmente são mal administradas; eles podem lutar sem sucesso para acompanhar as demandas de seus empregos; e eles podem se sentir ainda menos capazes de acompanhar as tarefas diárias de refeições, lavanderia e gerenciamento de vida. Outras mulheres são mais bem-sucedidas em esconder seu TDAH, lutando bravamente para atender demandas cada vez mais difíceis trabalhando à noite e gastando seu tempo livre tentando “se organizar”. Mas se a vida de uma mulher está claramente no caos ou se ela é capaz, para esconder suas dificuldades, ela muitas vezes se descreve como se sentindo sobrecarregada e exausta.

Enquanto a pesquisa de TDAH em mulheres continua a ficar para trás em adultos do sexo masculino, muitos médicos estão encontrando preocupações significativas e condições coexistentes em mulheres com TDAH. Compulsão alimentar, abuso de álcool e privação de sono crônica podem estar presentes em mulheres com TDAH.

As mulheres com TDAH muitas vezes experimentam disforia (humor desagradável), depressão maior e transtornos de ansiedade, com taxas de transtornos depressivos e de ansiedade semelhantes aos dos homens com TDAH. No entanto, as mulheres com TDAH parecem sentir mais sofrimento psicológico e ter mais baixa estima que os homens com TDAH.

Em comparação com mulheres sem TDAH, mulheres diagnosticadas com TDAH na idade adulta têm maior probabilidade de apresentar sintomas depressivos, maior estresse e ansiedade, tendência a atribuir sucesso e dificuldades a fatores externos ou o acaso, e menor autoestima estão envolvidos mais em estratégias de enfrentamento que são orientadas para a emoção (uso de medidas de autoproteção para reduzir o estresse) do que orientadas a tarefas e pró ativas (tomar medidas para resolver problemas).

Estudos mostram que o TDAH em um membro da família causa estresse para toda a família. No entanto, os níveis de estresse podem ser mais altos para as mulheres do que para os homens, porque elas têm mais responsabilidade em casa e por conta dos filhos. Além disso, pesquisas recentes sugerem que maridos de mulheres com TDAH são menos tolerantes com os padrões de TDAH do cônjuge do que esposas de homens com TDAH. O estresse crônico afeta as mulheres com TDAH, afetando-as física e psicologicamente. As mulheres que sofrem de estresse crônico como aquelas associadas ao TDAH correm mais riscos de doenças crônicas, como a fibromialgia.

Assim, está se tornando cada vez mais claro que a falta de identificação e tratamento adequados do TDAH em mulheres é uma preocupação significativa de saúde pública. 7

O tratamento do TDAH em mulheres

TDAH é uma condição que afeta vários aspectos do humor, habilidades cognitivas, comportamentos e vida diária. O tratamento eficaz para o TDAH em mulheres adultas pode envolver uma abordagem multimodal que inclui medicação, psicoterapia, controle do estresse, bem como treinamento em TDAH e / ou organização profissional.

Mesmo aquelas mulheres com sorte suficiente para receber um diagnóstico preciso de TDAH muitas vezes enfrentam o desafio subsequente de encontrar um profissional que possa fornecer o tratamento adequado. Existem poucos médicos experientes no tratamento do TDAH em adultos e menos ainda que estão familiarizados com os problemas específicos enfrentados por mulheres com TDAH. Como resultado, a maioria dos clínicos usa abordagens psicoterapêuticas padrão. Embora essas abordagens possam ser úteis para fornecer informações sobre questões emocionais e interpessoais, elas não ajudam uma mulher com TDAH a aprender a administrar melhor seu TDAH diariamente ou a aprender estratégias para levar uma vida mais produtiva e satisfatória.

Terapias focadas no TDAH estão sendo desenvolvidas para abordar uma ampla gama de questões, incluindo autoestima, questões interpessoais e familiares, hábitos diários de saúde, nível de estresse diário e habilidades de gerenciamento da vida. Tais intervenções são muitas vezes referidas como “psicoterapia neurocognitiva”, que combina terapia cognitivo-comportamental com técnicas de reabilitação cognitiva. A terapia comportamental cognitiva concentra-se nas questões psicológicas do TDAH (por exemplo, autoestima, auto aceitação, autocensura) enquanto a abordagem de reabilitação cognitiva se concentra nas habilidades de gerenciamento da vida para melhorar as funções cognitivas (lembrança, raciocínio, compreensão, resolução de problemas, avaliar e usar o julgamento), aprender estratégias compensatórias e reestruturar o ambiente.

Problemas de medicação são frequentemente mais complicados para mulheres com TDAH do que para homens. Qualquer abordagem de medicação precisa levar em consideração todos os aspectos da vida da mulher, incluindo o tratamento de condições coexistentes. Mulheres com TDAH são mais propensas a sofrer de ansiedade e / ou depressão coexistentes, bem como uma série de outras condições, incluindo dificuldades de aprendizagem. Os transtornos relacionados ao uso de álcool e drogas são comuns em mulheres com TDAH e podem estar presentes desde cedo, um histórico cuidadoso do uso de substâncias é importante.7

O fator hormonal

Mulheres e garotas que já passaram pela puberdade têm flutuações mensais nos níveis de estrogênio, progesterona e testosterona. Estes hormônios sexuais têm um papel fundamental na reprodução, na sexualidade, nas emoções e na saúde em geral. Mas, de acordo com os pesquisadores Ronit Haimov-Kochman e Itai Berger, a maioria dos estudos considerou tais flutuações como algo a ser controlado – ou até ignorado – ao focar exclusivamente em homens.

Agora, cientistas estão começando a aprender sobre a possível conexão entre TDAH e hormônios – especialmente os hormônios sexuais. Muitos especialistas já suspeitavam da relação. Afinal de contas, há muitas pesquisas sobre como diferentes níveis de estrogênio afetam o humor e o comportamento das mulheres ao longo da vida. Porém, não há evidências suficientes de que hormônios estejam ligados ao TDAH – não porque não haja ligação, mas porque ainda não há estudos suficientes sobre o tema.5

Contudo, um número crescente de estudos mostra que os hormônios sexuais têm um papel de regulação da comunicação entre células cerebrais e podem afetar a função executiva negativamente. Em vez de controlar estas flutuações, os doutores Haimov-Kochman e Berger sugerem que novas pesquisas sejam realizadas, focando nas alterações e nas combinações dos hormônios e das suas influências nas emoções e função executiva, para compreender o papel dos hormônios no TDAH.

O sistema endócrino é compreendido por múltiplas glândulas que produzem diferentes tipos de hormônios. É um sistema interconectado que age de forma lenta com impactos duradouros.

“A investigação do papel do estrogênio, da progesterona e outros esteroides sexuais tem o potencial de gerar diagnósticos inovadores e melhores, além de tratamentos capazes de mudar o curso de desordens cognitivo-comportamentais, como o TDAH”, afirmam Haimov-Kochman e Berger.2

O que posso fazer desde já?

A Dra. Patricia Quinn, autora de AD/HD in Women: Do We Have the Complete Picture?6, sugere que meninas e mulheres com TDAH reconheçam que as mudanças hormonais periódicas podem ter um impacto significativo nos sintomas do TDAH. Para que você identifique as influências hormonais no transtorno, mantenha um diário dos ciclos menstruais e dos sintomas do TDAH. Compartilhe estas informações com seu médico e terapeuta para otimizar seu tratamento.

Muitas meninas e mulheres passam por grandes desafios relacionados ao TDAH, seja pela dificuldade do diagnóstico ou pela administração dos sintomas. Reconheça que o TDAH é uma desordem no cérebro com evidência crescente sobre o impacto dos hormônios. Dedique um tempo para educar sua filha ou a si mesma. Encontre bons profissionais de saúde que estejam aptos a prover os melhores tratamentos para os seus sintomas individuais.2

Além disso há formas de mulheres com TDAH poderem se ajudar. É importante para uma mulher com TDAH trabalhar inicialmente com um profissional para desenvolver melhores estratégias de gerenciamento de vida e estresse. No entanto, as seguintes estratégias podem ser usadas em casa, sem a orientação de um terapeuta, treinador ou organizador para reduzir o impacto do TDAH:

  • Entenda e aceite seus desafios de TDAH em vez de julgar e culpar a si mesma.
  • Identifique as fontes de estresse em sua vida diária e sistematicamente faça mudanças na vida para diminuir seu nível de estresse.
  • Simplifique sua vida.
  • Procure estrutura e apoio da família e amigos.
  • Obtenha aconselhamento especializado para pais.
  • Crie uma família amigável com o TDAH e que coopere e apóie um ao outro.
  • Agende saídas diárias para você mesma.
  • Desenvolver hábitos saudáveis ​​de autocuidado, como dormir e exercitar se adequadamente e ter uma boa alimentação.
  • Concentre-se nas coisas que você ama.

Indivíduos com TDAH têm diferentes necessidades e desafios, dependendo do sexo, idade e ambiente. Não reconhecido e não tratado, o TDAH pode ter implicações substanciais na saúde mental e na educação. É importante que as mulheres com TDAH recebam um diagnóstico preciso que aborda os sintomas e outras questões importantes relacionadas ao funcionamento e ao comprometimento, o que ajudará a determinar o tratamento e as estratégias apropriadas para cada mulher com TDAH.7

1 IT’S DIFFERENT FOR GIRLS WITH ADHD. THE ATLANTIC. Disponível em: <https://www.theatlantic.com/national/archive/2013/04/its-different-girls-adhd/316674>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

2 HORMONAL FLUCTUATIONS AFFECT WOMEN’S ADHD SYMPTOMS. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: <http://www.chadd.org/Understanding-ADHD/About-ADHD/ADHD-Weekly/Article.aspx?issue=d2017-08-03&id=367>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

3 YOUNG WOMEN WITH ADHD. ATTENTION CHADD. Disponível em: <http://drellenlittman.com/secret_life_of_girls_with_adhd.pdf>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

4 ADHD: A WOMEN’S ISSUE. AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Disponível em: <http://www.apa.org/monitor/feb03/adhd.aspx>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

5 THE LINK BETWEEN HORMONES AND ADHD. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/hormones-adhd-connection#1>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

6 AD/HD in Women: Do We Have the Complete Picture?. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: <http://www.chadd.org/LinkClick.aspx?fileticket=-tHjnQjXheY%3D>. Acesso em: 29 de agosto de 2018.

7 Women and Girls. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: <http://chadd.org/for-adults/women-and-girls/>. Acesso em: 8 de março de 2019.

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EXCESSO DE MEDICAÇÃO PARA TDAH? Novas Estatísticas Apontam O Contrário Na Inglaterra… E No Brasil?

EXCESSO DE MEDICAÇÃO PARA TDAH? Novas estatísticas apontam o contrário na Inglaterra… E No Brasil?

Poucas crianças estão recebendo tratamento adequado para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) na Inglaterra, especialmente meninas.

O jornal The Guardian divulgou1 dados que contrariam o senso comum da população, de que medicações para o TDAH estariam sendo prescritas em demasia pelos médicos.

Os números, pedidos especificamente pelo jornal através do Freedom of Information Act, apontam que, entre 2017 e 2018, 61 mil meninos entre 6 e 17 anos tomaram medicamentos para o transtorno naquele país – algo como 1,5% dos meninos nesta idade. Contudo, o número médio de crianças diagnosticadas com TDAH no mundo é de 5,3%.2

Os números obtidos pelo The Guardian afirmam que a quantidade de meninas que receberam a prescrição é menor: 0,35% das garotas entre 6 e 17 anos tomaram medicações. Ainda, das quase 75 mil crianças que receberam prescrição de remédios para TDAH na Inglaterra, naquele período, apenas 18% eram meninas.

Apesar de estudos em crianças tipicamente mostrarem uma preponderância masculina no TDAH, acredita-se que este predomínio seja resultado de subdiagnóstico nas garotas, devido aos diferentes sintomas sofridos pelas meninas, argumenta o National Institute for Health and Care Excellence (NICE) em seu guia Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management3.

Tony Lloyd, chefe-executivo da ADHD Foundation afirma que eles reconhecem que o transtorno é subdiagnosticado e submedicado na Inglaterra. Lloyd acrescenta que, no passado, garotos eram mais comumente enviados aos médicos, porque eram eles que geravam problemas em sala de aula.

“Isso ocorria por causa da hiperatividade”, disse Lloyd. Uma década atrás, a relação de casos de TDAH era de quatro meninos para cada menina. Atualmente, com uma compreensão mais precisa de como o transtorno age nas meninas, a relação caiu para 2,8 meninos para cada menina, explica ele ao The Guardian.

Mas, os números de crianças recebendo medicamentos ainda é baixo, concluiu Lloyd. “Eu só consigo explicar isso através da combinação de estigmas e poucos recursos sobre a saúde mental das crianças. As listas de espera para os tratamentos também colaboram e podem levar de um a dois anos para que a criança receba alguma ajuda.”

No Brasil, a situação não é muito diferente.

Luis Augusto Rohde, Coordenador-Geral do Programa de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) do Hospital de Clinicas de Porto Alegre, afirma que, também no Brasil, não erramos pelo excesso, mas sim pela falta de diagnósticos4.

“Em termos de saúde pública, não existe no Brasil problema de superdiagnóstico e supertratamento”, diz o médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência. O Brasil tem 47 milhões de crianças e adolescentes de 6 a 18 anos; uma média de 5% deles teria o transtorno, explica Rohde. Isso seria 2,35 milhões de crianças. “Não temos mais do que 100 mil crianças usando a medicação”, estima o especialista.

O psiquiatra Guilherme Polanczyk, professor de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, diz que as questões de saúde mental são subdiagnosticadas em qualquer país do mundo.

Mas, a situação é ainda mais frequente em crianças. “O reconhecimento de problemas mentais em crianças é recente, vem da década de 50 do século passado. Em todo o mundo, o número de profissionais treinados e especializados em psiquiatria infantil ainda é reduzido. Consequentemente, ainda há poucos serviços públicos e privados capazes de acolhê-las. Aliado aos preconceitos e estigmas, o resultado é que muitas vezes, quem não tem TDAH é diagnosticado com o problema; e quem tem pode ficar anos sem tratamento correto”, esclarece o psiquiatra.

1 TOO FEW CHILDREN RECEIVING TREATMENT FOR ADHD, FIGURES SUGGEST. THE GUARDIAN. Disponível em: https://www.theguardian.com/society/2018/oct/05/too-few-children-receiving-treatment-for-adhd-figures-suggest . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

2 MATTOS P et al., 2012. ADHD is undertreated in Brazil. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.34 no.4 São Paulo Dec. 2012. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbp.2012.04.002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000400023 . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

3 ATTENTION DEFICIT HYPERACTIVITY DISORDER: DIAGNOSIS AND MANAGEMENT. NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng87/resources/attention-deficit-hyperactivity-disorder-diagnosis-and-management-pdf-1837699732933 . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

4 A ERA DA DESATENÇÃO. FOLHA DE SÃO PAULO. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il3005201004.htm . Acesso em: 11 de outubro de 2018.

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CAFEÍNA E TDAH: Devo Evitar Ou Tormar?

CAFEÍNA E TDAH: Devo evitar ou tormar?

Pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm diferenças químicas e físicas no cérebro1, que podem levar a uma variedade de sintomas, como falta de atenção hiperatividade e impulsividade. Para controlar estes sintomas, o tratamento mais comum é a prescrição de medicações estimulantes. Estes medicamentos são comprovadamente capazes de melhorar o foco, a atenção e o comportamento impulsivo.

A partir disso, o raciocínio lógico seria: se estimulantes ajudam em tudo isso, tomarei mais café, o mais consumido estimulante no mundo, certo?

Não necessariamente.

Alguns estudos analisaram o efeito da cafeína nos sintomas de TDAH, mas os resultados foram conflitantes. Mesmo que a cafeína seja um estimulante, não é geralmente recomendada como um tratamento para o TDAH, porque não há provas científicas de sua eficiência.

– Os efeitos da cafeína são muito mais intensos e rápidos do que os efeitos da medicação.
– O poder da cafeína vai diminuindo ao longo do tempo e quantidades mais altas de café seriam necessárias para obter o mesmo resultado.
– É preciso manter em mente que muitos alimentos e bebidas têm variadas quantidades de cafeína. Entre o consumo de café, chá ou chocolate, como você conseguiria estipular a quantidade de estimulantes que consumiu durante o dia? Missão quase impossível, o que é um tanto quanto arriscado quando falamos em termos de tratamento.2

Como funcionam os estimulantes?

Estimulantes, incluindo a cafeína, aumentam a quantidade de químicos utilizados pelo seu cérebro para enviar sinais. Um destes é a dopamina, que está relacionada ao prazer, à atenção e ao movimento – e cujos níveis no cérebro do paciente com TDAH são mais baixos.

Por isso, quando você é diagnosticado com TDAH, os médicos frequentemente prescrevem estimulantes para que você fique mais tranquilo e focado. Alguns pesquisadores acreditam que o café teria o mesmo poder, já que a cafeína do chá é capaz de melhorar o estado de alerta e a concentração.3

Cafeína com medicação

Quando você combina cafeína com medicação estimulante, você tem o chamado efeito sinérgico. A sinergia acontece quando duas drogas têm mecanismos de ação aditivos, tornando seu efeito mais poderoso – o que não é necessariamente bom. A cafeína pode tornar a medicação mais eficiente sim, mas os efeitos colaterais podem ser maiores.

Para algumas pessoas, a cafeína pode colaborar no ajuste dos níveis de dopamina. Para outras, adicionar mais estimulantes à dieta pode elevar demais os níveis de dopamina, gerando agitação, ansiedade, dores de cabeça, irritabilidade, insônia etc.4
O que nos leva à grande cautela que você, pai ou mãe, precisa ter:

Cafeína para crianças?

Especialistas não recomendam a ingestão de cafeína por crianças, especialmente se estão tomando medicação para o TDAH. Crianças são mais vulneráveis aos efeitos colaterais da cafeína, que também pode afetar o desenvolvimento cerebral na fase de crescimento.

Crianças com TDAH, geralmente, têm mais problemas para dormir e para se manterem alertas durante o dia. A cafeína será uma inimiga nesta questão, potencializando ambos os problemas.

Usar a cafeína durante o tratamento do TDAH é algo que apenas o seu médico pode avaliar. De acordo com a The Academy of Nutrition and Dietetics, a maioria das crianças já consome cafeína em excesso, através dos refrigerantes. Uma lata de Coca-Cola, de 350ml, tem aproximadamente 35mg de cafeína.2

O Governo Brasileiro não estipulou um limite diário para o consumo da substância, tampouco o norte-americano. Os dados que utilizamos no Brasil vieram do Governo do Canadá, que determina os seguintes valores: 45mg diárias para crianças entre 4 e 6 anos, 62mg para crianças entre 7 e 9 anos, 85mg para crianças entre 10 e 12 anos.5

Não vamos esquecer, é claro, das altas doses de açúcar nos refrigerantes – uma única lata, com seus 40g de açúcar, já excede o limite diário até dos adultos.

1 NEUROBIOLOGY. SHIRE ADHD INSTITUTE. Disponível em: https://adhd-institute.com/burden-of-adhd/aetiology/neurobiology/ . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

2 WHAT EFFECT DOES CAFFEINE HAVE ON PEOPLE WITH ADHD?. MEDICAL NEWS TODAY. Disponível em: https://www.medicalnewstoday.com/articles/315169.php . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

3 CAFFEINE AND ADHD. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/adhd-caffeine . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

4 HOW DOES CAFFEINE AFFECT ADHD?. HEALTHLINE. Disponível em: https://www.healthline.com/health/adhd/caffeine . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

5 CAFÉ: OS LIMITES E OS RISCOS DE CONSUMIR EM EXCESSO. ÉPOCA. Disponível em: https://epoca.globo.com/saude/check-up/noticia/2017/06/cafe-os-limites-e-os-riscos-de-consumir-em-excesso.html . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

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