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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

O QUE FAZER EM MEIO A TANTOS “PALPITES” TDAH? Ph.D Dá Uma Lição De Força, Acolhimento E Sabedoria Para Pais E Mães

O QUE FAZER EM MEIO A TANTOS “PALPITES” TDAH? Ph.D dá uma lição de força, acolhimento e sabedoria para pais e mães

“TDAH é culpa dos pais”. “Corte o açúcar e os videogames e o TDAH desaparecerá”. “Você precisa ser mais firme e impor limites”.

Se você tem um filho com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, provavelmente já ouviu algum destes “conselhos”, vindos de pessoas com pouco ou nenhum conhecimento sobre a desordem.

A frustração de ouvir algo assim é grande. Estas falas, mesmo sem fundamento, podem acabar afetando os pais (e os filhos indiretamente).

Sabemos como o tratamento para TDAH não envolve apenas os pacientes. A família deve estar engajada nos mais diversos aspectos e, feliz ou infelizmente, saber como agir para mudar estas ideias preconcebidas, tão desestabilizadoras, é uma forma de reafirmar seu poder e sua segurança sobre si mesma, como mãe, e sobre seu filho.

Para fortalecer as mamães e os papais que estão cansados do falatório, hoje vamos aprender o que Ruth Hughes, Ph.D, nos ensina sobre estes momentos cansativos e destrutivos1. Veremos o que pode ser feito para combater os estigmas sobre o TDAH e esclarecer os principais mitos sobre o transtorno.

Ruth Hughes foi uma peça importante na organização CHADD (Children & Adults with ADHD), uma das mais respeitadas do mundo. Psicóloga, Ruth foi a responsável pela criação dos treinamentos para famílias e escolas da instituição. Não apenas uma especialista na área com ampla experiência profissional, Ruth passou por tudo isso pessoalmente: ela é mãe de um paciente com TDAH, hoje já adulto.2

Vamos aprender as preciosas lições da doutora Ruth não apenas para educarmos as pessoas ao nosso redor, mas como também para nos sentirmos mais confiantes e otimistas sobre tudo que temos feito por nossas famílias.

Os dados aqui apresentados foram extraídos da palestra de Ruth Hughes para a CHADD. Se você fala inglês, sugerimos que assista à apresentação da psicóloga. Se não fala, sem problemas, fique conosco e prossiga sua leitura! https://www.youtube.com/watch?v=NE30kNOsl44

Qualquer pessoa que tenha um familiar com TDAH já ouviu alguma coisa próxima destes exemplos:

– Você não quer ficar medicando seu filho, não é mesmo?

– Se você fosse uma mãe melhor, seu filho se comportaria melhor.

– TDAH é desculpa para desorganização.

– Na minha época, isso não existia. Isso é culpa dos pais atuais.

O primeiro a ser dito é que não foi você que ouviu isso. Todos ouviram. Pais, avós, até mesmo os pacientes foram vítimas dos estigmas sobre o transtorno em algum momento de suas vidas.

Não é possível medir se dói mais ouvirmos estas questões como pais ou quando ficamos sabendo que os filhos escutaram, de professores ou colegas, que não conseguem fazer nada direito ou que só atrapalham.

Falas sem conhecimento podem vir de pessoas bem-intencionadas ou de pessoas nem tão bem-intencionadas assim. Independentemente da intenção, o impacto em nós é sempre negativo.

É isso que os estigmas fazem.

O que são estigmas?

São conjuntos de crenças negativas (e geralmente injustas), que a sociedade tem sobre um grupo ou sobre alguma coisa. Estigmas têm base em preconceito, falta de informação e discriminação.

Ou seja, não é apenas o TDAH que sofre com os estigmas.

Há não muitos anos, pacientes de câncer e AIDS sofriam de forma indescritível com os estigmas sobre suas doenças. Perceba como tudo isso tem mudado em pouco tempo: as campanhas de conscientização, o apoio que recebem e a informação que a sociedade tem.

Esta união entre informação e engajamento muda os estigmas, a cultura, os sistemas de crença e o julgamento. Isso exige tempo e esforço, mas as mudanças são necessárias e possíveis sim.

Principais mitos sobre o TDAH

Os três principais mitos sobre o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade são bem conhecidos por nós.

1 – “TDAH não é uma condição médica real. É falta de limites dos pais.”

O que responder a isso?

Bem, o TDAH é uma desordem neurobiológica. Podemos observar claramente as diferenças na atividade cerebral de pacientes diagnosticados com TDAH. Podemos ver respostas em diferentes partes do cérebro ou até falta de atividades em determinadas regiões. Vemos diferenças celulares – a própria comunicação entre um neurônio e outro. A dopamina e a norepinefrina são de fato diferentes em pessoas com TDAH.

TDAH é, sem sombra de dúvidas, uma condição médica.

2 – “Apenas crianças têm TDAH. Pare de se preocupar tanto. Elas vão crescer e superar tudo isso com o tempo.”

O que responder a isso?

A própria comunidade médica comprou este mito até uns 15 anos atrás. Hoje, sabemos que isso não é verdade. O TDAH é uma desordem que permanece a vida toda. O que percebemos é que os pacientes se tornam mais eficientes em administrar os sintomas ao longo dos anos.

3 – TDAH é hiperdiagnosticado. Estão medicando as crianças excessivamente.

O que responder a isso?

Na realidade, o TDAH é subdiagnosticado, explica a doutora Ruth. As avaliações podem ser mal conduzidas, os sintomas apresentados podem não ser apropriadamente verificados ou até mesmo confundidos com outras desordens. Por isso, é crucial enfatizarmos a importância de os pais serem incansáveis na fase do diagnóstico.

Mecanismos para lidar com a desordem

Ruth Hughes nos explica que há dois caminhos principais para enxergar o TDAH na sua vida e na vida do seu filho. Não existem respostas definitivas, certas ou erradas, mas a diferença na percepção sobre a condição tem um grande impacto na vida da criança e da família.

1 – O TDAH é algo positivo.

Você pode ir pelo caminho positivo e identificar as forças individuais que o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade gera no paciente.

Aqui, você observará a capacidade criativa que pacientes com TDAH podem ter. Você compreenderá a grande capacidade de enfrentar desafios e de assumir riscos dos pacientes e entenderá como estas características foram a base de grandes empresários e de profissionais mundialmente reconhecidos por sua inovação.

Identificar as forças individuais é uma das mais efetivas formas de lidar com os estigmas, defende a Dra. Ruth. Mas, você pode escolher outra via.

2 – O TDAH é uma condição médica séria.

Aqui, você optará pela seriedade da condição. Você compreenderá que o cérebro de um paciente com TDAH funciona de forma diferente e que um tratamento médico é necessário. Isso pode colaborar muito na forma com que os pais percebem os diferentes sintomas dos filhos, argumenta a doutora.

Os sintomas deixarão de ser tão cansativos e você poderá lidar com as situações sob outro viés, um viés médico, que pode ajudar na compreensão e na tranquilidade para cruzar os dias.

Como mudar a percepção das pessoas (e até mesmo a minha)?

Esta é a grande questão. Nossa percepção sobre o mundo não é exatamente uma decisão que tomamos a qualquer hora do dia. Estratégias e ferramentas são necessárias. É preciso esforço, reforço e comprometimento.

A Dra. Ruth Hughes enfatiza a importância de você compreender que sim, os estigmas externos, culturais, midiáticos, sociais etc podem ser prejudiciais, mas é o estigma interno – no seio familiar – que é o mais destrutivo.

Claro, pense em como você pode transformar sua comunidade, mas não esqueça de revolucionar sua própria percepção sobre seu filho e sua família.

Ainda, é importante que você entenda que é muito comum que pessoas com TDAH comecem a internalizar estas mensagens negativas vindas da sociedade ou da própria percepção familiar.

Surgem ideias como “eu sempre erro”, “eu sou um fracasso”, “eu nunca vou conseguir”. A Dra. Ruth categoriza estes pensamentos com o mais devastador sintoma do TDAH.

Felizmente, diz ela, este sintoma é o mais fácil de ser corrigido, porque ele não é causado pela desordem em si. Esta internalização dos estigmas são reações ao mundo externo. Esforce-se para elevar a autoestima do seu filho ao longo do tempo.

Agora, falando dos estigmas sociais, vamos finalizar vendo as três diferentes classes de intervenções que podemos assumir para transformar percepções públicas. Veremos as três maneiras possíveis de transformar crenças, segundo a doutora, e como elas podem ser aplicadas ao universo do TDAH.

Três maneiras para mudar percepções:

– Advocacy (engajamento)

Como falamos, estigmas envolvem discriminação. É aqui que entra o chamado advocacy, uma maneira de enfrentar problemas de forma politicamente ativa. Para engajar-se nesta causa, você localizará os locais onde o preconceito ocorre e analisará como ele se manifesta.

Exemplos de preconceito comuns no universo do TDAH: a escola se recusa a levar em conta a condição do seu filho (se a criança fosse cega, ela não passaria por isso), práticas disciplinares que não estão ajustadas ao TDAH, tratamento para a desordem não ser coberto por planos de saúde ou, ainda, mensalidades mais caras por causa da condição.

Estes são apenas alguns exemplos que os pais e as crianças sofrem cotidianamente. O que você pode fazer sobre isso? Inúmeros caminhos podem ser seguidos:

Você pode criar comunidades online para compartilhar esforços coletivamente, você pode levar estes grupos para o mundo real, promovendo passeatas, instituições, ONGs ou outras formas de mobilização social, você pode ir à mídia e pedir apoio para sua causa ou até mesmo encontrar o deputado da sua região e conversar para ver como esforços conjuntos podem ajudar na situação.

– Educação

Educação é sim uma importante ferramenta de transformação social. Contudo, surpreendentemente, a Dr. Ruth nos explica que esta estratégia, sozinha, é a que tem menos impacto. Não estamos dizendo que informação não importa, mas sim que, sem engajamento, participação e contato pessoal, ela pouco influenciará o público.

Podemos ver como a sociedade começou a mudar sua percepção sobre determinadas doenças com o engajamento de campanhas mensais sobre câncer de mama, de próstata, suicídio e outras graves questões de saúde. Informação aliada ao engajamento e ao contato pessoal é extremamente eficaz na mudança social.

E quais informações queremos levar ao público?

TDAH é uma condição real. TDAH tem tratamento. Com o tratamento e o apoio necessários, os pacientes podem sim administrar suas vidas. Aborde a importância da avaliação séria e aponte como fazê-la, onde obtê-la.

Compartilhe histórias pessoais. Inicie um blog, um grupo, um canal no YouTube. Fale com a mídia, com instituições na sua cidade, com o Prefeito. Promova eventos com médicos e especialistas na escola do seu filho. Ajude na conscientização sobre estas questões.

– Contato pessoal

Esta é a mais eficaz ferramenta para transformar estigmas. Não importa de qual estigma você esteja falando, explica a Dra. Ruth, o contato pessoal direto tem o poder de ultrapassar o preconceito.

Você vai além da sua percepção inicial, você passa a enxergar o outro não como uma ideia ou como uma desordem, mas sim como um ser humano. Este é o poder do contato.

Neste caso, você pode apresentar pessoas capazes de conviver com o TDAH, que administram suas vidas de forma bem-sucedida. Isso é crucial tanto para quem tem preconceito como para quem sofre com os sintomas.

Ainda, a Dra. Ruth nos fala como seu próprio filho, a partir dos sete anos, optou por contar aos seus colegas e professores sobre sua desordem. Ela educou o pequeno Chris a ensinar as outras crianças sobre as estratégias mais eficazes para conviverem com ele.

Desde então, quando Chris ficava excessivamente hiperativo e os colegas se afastavam, ele os avisava: eu tenho TDAH e vocês devem me lembrar de que eu devo me tranquilizar agora. Eu sei como fazer isso. Eu aprendi no tratamento para TDAH.

Dra. Ruth ensina que esta é a mais efetiva ferramenta para dissolver preconceitos. Quando o próprio paciente mostra, através de contato direto, que é possível conviver com o TDAH, que é possível dominar a desordem e que as estratégias do tratamento são sim eficientes.

Quando a sociedade enxerga e convive com a questão, as ideias preconcebidas simplesmente se desfazem. Vamos tentar?

Lembramos que os dados aqui apresentados foram extraídos da palestra da psicóloga Ruth Hughes para a CHADD. Assista à palestra na íntegra e conheça as histórias e conselhos desta Ph.D, responsável pelos treinamentos para pais e professores da CHADD. https://www.youtube.com/watch?v=NE30kNOsl44

Fontes:

1 COMBATING STIGMA AND ADDRESSING MYTHS ABOUT ADHD. HELP FOR ADHD. Disponível em: https://youtu.be/NE30kNOsl44 . Acesso em: 24 de outubro de 2018.

2 THE IMPORTANCE OF ADHD AWARENESS. VERYWELL MIND. Disponível em: https://www.verywellmind.com/the-importance-of-adhd-awareness-20474 . Acesso em: 24 de outubro de 2018.

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DEPRESSÃO E VÍCIO EM CIGARRO NOS PAIS PODEM ESTAR LIGADOS AO TDAH NOS FILHOS

DEPRESSÃO E VÍCIO EM CIGARRO NOS PAIS PODEM ESTAR LIGADOS AO TDAH NOS FILHOS

Depressão e cigarros podem estar associados à probabilidade de uma criança ser diagnosticada com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), segundo um estudo coreano publicado no Asia Pacific Psychiatry1.

Para realizar a pesquisa, os investigadores da Kyungpook National University, localizada na Coreia do Sul, analisaram dados da Korea National Health and Nutrition Examination Survey (KNHANES), instituição que documenta informações sobre a população desde 1998.

A revisão incluiu questões sobre qualidade de vida, dieta, status socioeconômico, hábitos de saúde, perfis clínicos entre outras informações.

Os dados de 23.561 crianças e adolescentes, entre os anos de 2005 e 2014, foram analisados no estudo.

Em vez de fatores genéticos, os pesquisadores focaram em possíveis fatores de risco ambientais, como obesidade, salário dos pais, idade dos pais, depressão nos adultos da casa e exposição à nicotina no lar. A partir disso, a equipe revisou os diagnósticos de TDAH destas crianças.

Os resultados das análises revelaram que a depressão (seja do pai ou da mãe) e a quantidade de adultos que fumam na casa estavam relacionadas ao aumento no risco de TDAH nas crianças.

Os pesquisadores alertam que esta exposição à fumaça do cigarro pode “causar a ativação dos receptores nicotínicos nas crianças que, possivelmente, sejam capazes de modular a plasticidade sináptica e alterar células, fisiologia e processos comportamentais durante um período crítico do desenvolvimento cerebral.” Os investigadores acrescentam que o impacto da fumaça também pode estar ligado à epigenética2.

Há limitações no estudo, que incluem o fato de que os dados foram providos pelos próprios participantes – incluindo o diagnóstico de TDAH.

Os pesquisadores enfatizam que eles não conseguiram extrair conclusões sobre a probabilidade de riscos de TDAH.

Campanhas de saúde pública voltadas aos pais podem ser ferramentas importantes para o TDAH, dizem os investigadores. “O impacto da qualidade de vida, a dificuldade de detectar a desordem na infância e problemas financeiros gerados pela desordem podem ser aliviados através de ajuda pública e programas de treinamento para os pais”, dizem os autores.

Eles recomendam ações como campanhas para parar de fumar e programas de saúde que ensinem as pessoas a perceberem quadros depressivos em si mesmas.

“Nossas descobertas adicionam evidência para a promoção de estratégias de prevenção do TDAH, que poderiam colaborar na criação de políticas públicas efetivas, capazes de gerar ambientes familiares mais saudáveis”, disse o autor do estudo Dr. Jin-won Kwon, da Kyungpook National University3.

Com relação ao vício em nicotina, outro estudo publicado em 20184 encontrou resultados similares. Esta pesquisa foi realizada pelo West China Second University Hospital.

Os investigadores revisaram 20 estudos, de 1998 a 2017, para encontrar os possíveis riscos de TDAH nas crianças em mães que fumaram durante a gestação. Foram quase três milhões de pessoas analisadas, vindas dos mais diversos países, como Austrália, Japão, Estados Unidos e Brasil.

A equipe encontrou risco reduzido nas mães norte-americanas e europeias. Isso porque as mães destes locais tinham mais altas taxas de interrupção do vício ao descobrirem que estavam grávidas5.

Esta análise também não comprova relação direta entre cigarros e TDAH. As limitações deste estudo foram que os critérios para diagnóstico do TDAH não eram os mesmos. Ainda, foram as próprias mães que reportaram sobre seu uso de nicotina na gravidez.

Dados de sete estudos revisados mostraram que, mesmo que os riscos de TDAH fossem mais altos quando as mães eram fumantes, ainda havia 20% de elevação no risco quando o pai fumava.

Fontes:

1 MPHARM Y. et al., 2018. Parental smoking and depression, and attention‐deficit hyperactivity disorder in children and adolescents: Korean national health and nutrition examination survey 2005‐2014. Asia Pacific Psychiatry. 07 de Agosto de 2018. Doi: https://doi.org/10.1111/appy.12327. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/appy.12327 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

2 SMOKING, DEPRESSION IN PARENTS LINKED WITH ADHD IN CHILDREN. MD MAGAZINE. Disponível em: https://www.mdmag.com/medical-news/smoking-depression-in-parents-linked-with-adhd-in-children . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

3 PARENTS’ SMOKING AND DEPRESSION LINKED TO INCREASED ADHD RISK IN CHILDREN. EUREKALERT. Disponível em: https://www.eurekalert.org/pub_releases/2018-08/w-psa080718.php . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

4 HUANG L. et al., 2018. Maternal Smoking and Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Offspring: A Meta-analysis. Pediatrics. Janeiro 2018, volume 141 / 1. Doi: 10.1542/peds.2017-2465.. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29288161 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

5 CIGARETTE SMOKING DURING PREGNANCY LINKED TO ADHD RISK IN OFFSPRING. REUTERS. Disponível em: https://www.reuters.com/article/us-health-pregnancy-smoking-adhd/cigarette-smoking-during-pregnancy-linked-to-adhd-risk-in-offspring-idUSKBN1EN1M9 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

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CASAMENTO E FILHOS COM TDAH – Um Desafio A Ser Superado

CASAMENTO E FILHOS COM TDAH – Um desafio a ser superado

Por muitos anos, cientistas exploraram como os conflitos parentais e outros problemas conjugais impactam a qualidade de vida dos filhos. Porém, pouca atenção foi dada a como os filhos impactam a qualidade de vida dos pais.

Casais com filhos diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm o dobro de chances de se divorciarem, em comparação a casais com filhos sem TDAH1.

A razão é simples: uma criança com dificuldade de atenção ou com hiperatividade pode ser altamente estressante. Assim, a situação pode potencializar conflitos e tensões entre todos, especialmente entre os pais.

“É muito difícil manter um casamento nos eixos quando você passa dia e noite administrando os sintomas da criança”, diz Brian T. Wymbs, Ph.D, autor do estudo que encontrou esta relação entre divórcio e TDAH. “TDAH é uma condição crônica e não irá embora. Então, não há fuga do estresse marital causado por um filho com o transtorno”, explica o pesquisador.2

Mas, não se desespere. Os pesquisadores apontam dois dados de grande importância para manter a calma e traçar um plano:

1 – A pesquisa de Wymbs concluiu que, após os oito anos de idade da criança, as taxas de divórcio entre casais com filhos com TDAH e com filhos sem TDAH se equiparam. Existe algo de mágico no número oito que traz esperança para os casais que chegam nesta etapa.

Claro que não é mágica: é tempo e dedicação para encontrar as estratégias necessárias tanto para minimizar os sintomas do filho quanto para afinar as diferenças naturais entre os pais – isso nos leva à próxima questão.

2 – O mais grave fator de conflitos entre o casal é a dissonância na forma de enxergar as dificuldades do filho com TDAH. Por exemplo, a mãe considera determinado comportamento na escola um problema, mas o pai releva, considerando a situação algo natural da criança.

Este tipo de desarmonia na percepção da educação do filho é o maior fator de brigas no casal, explica William E. Pelham Jr., Ph.D, professor de Psicologia e Pediatria na Universidade de Buffalo, que participou do estudo.

Agora que você sabe onde deve agir e quando as coisas ficarão mais tranquilas, é hora de traçar o plano de ação.

Como trabalhar em equipe?

Terry Dickson, diretor do Behavioral Medicine Clinic of NW Michigan, tem TDAH. Seus dois filhos também. Mas, sua esposa não. Ele explica que filhos com o transtorno “afetarão o casamento e ambos precisam estar igualmente comprometidos com fazer as coisas funcionarem”.3

Como podemos fazer isso?

Crie estrutura e rotina: previsibilidade é bom para as crianças e para o casal, porque ajuda a controlar o relógio e a criar tempo para o casamento.

Planeje regras para a vida em casa: todas as regras devem ser criadas de comum acordo e esclarecidas para todos. Quando o casal está em sintonia sobre o que deve ser feito com relação aos filhos, o espaço para conflitos é drasticamente reduzido.

Dialogue: pais com filhos diagnosticados com TDAH tendem a colocar as necessidades das crianças em primeiro lugar, o que é compreensível. Mas, vocês precisam dedicar tempo às necessidades de vocês dois e estas questões serão conhecidas apenas através do diálogo.

Escutem um ao outro: aprender a escutar é uma rara virtude. Em casais com TDAH, a qualidade do diálogo é essencial. As respostas e as reações às necessidades do outro devem ser equilibradas também. É isso que lhes ajudará a cruzar os conflitos, sejam eles sobre o filho ou sobre outra questão qualquer.

Compartilhem a carga: aprendam a dividir tarefas e problemas. Esta prática gera empatia e cumplicidade, componentes básicos para relações saudáveis. Não presuma que o outro fará algo. Planeje e deixe as regras claras, escritas pela casa.

Priorize o tempo do casal: momentos juntos são muito importantes para você e para seu cônjuge. Consequentemente, para seu filho. Os pais dificilmente entendem a importância da qualidade da relação para os filhos. Quando se trata de crianças com TDAH, cujas deficiências sociais são ainda mais notáveis, este fundamento relacional é crucial para o tratamento.

Criar uma criança com TDAH não é fácil, mas muitos casais conseguem fazer deste desafio uma ferramenta para uma aproximação ainda maior. Esta é sua meta: construir novos modelos de percepção e atitude capazes de transformar problemas em oportunidades de crescimento e fortalecimento individual e coletivo.

FONTES

1 WYMBS et al., 2008. Rate and predictors of divorce among parents of youth with ADHD. J Consult Clin Psychol., 76(5), 735–744. doi:10.1037/a0012719 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2631569/ . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

2 THE WEIGHT OF ADHD ON YOUR MARRIAGE. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/marriage-stress-parenting-child-adhd/ . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

3 WHEN YOUR CHILD’S ADHD AFFECTS YOU AS A COUPLE. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/features/child-adhd-parental-relationship#1 . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

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POSSÍVEIS VANTAGENS DO TDAH

POSSÍVEIS VANTAGENS DO TDAH

Quando você recebe o diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), nada mais comum do que ficar preocupado. Muito falamos sobre estratégias para minimizar sintomas, manter o tratamento em dia e sobre como tudo isso é capaz de controlar o transtorno a um ponto em que sua vida será sim produtiva e estável. Mas, hoje, nós vamos além: veremos questões positivas, que não raramente são vistas em alguns pacientes diagnosticados com o transtorno.

As características mais apontadas pelos profissionais de saúde, nos pacientes com TDAH, são criatividade, empatia, espontaneidade e tenacidade1.

Claro, isso não significa que você terá as vantagens apenas por ter o transtorno. Isso significa que, com o devido tratamento, treinamento e estratégias específicas, você poderá construir algo positivo a partir da sua condição.
Por isso, conheceremos estas qualidades2 e veremos alguns métodos para conquistá-las.

Energia: alguns indivíduos com TDAH parecem ter grandes cargas de energia, que eles podem canalizar em direção ao sucesso independentemente de área. Com treinamento, tratamento e estratégias corretas, eles têm potencial para serem excelentes jogadores, estudantes e funcionários.

Espontaneidade: pacientes que recebem tratamento e treinamento específicos, podem conseguir converter a típica impulsividade em espontaneidade. Nestes casos, os indivíduos podem se trazer ainda mais alegria e novas ideias para a vida dos amigos e familiares.

Criatividade e inventividade: viver com o TDAH pode dar aos pacientes uma perspectiva de mundo completamente diferente. Isso encoraja os indivíduos a observarem situações com um olhar mais reflexivo. Como resultado, é possível que eles se transformem em inventores excepcionais, utilizando suas capacidades artísticas, originais e criativas.

A importância do treinamento

É importante que portadores do transtorno recebam assistência especial para criarem estas condições – transformar aquilo que percebemos como negativo nestes benefícios. Estes especialistas ajudarão o paciente a explorar a criatividade e a canalizar a energia de forma produtiva.

Mudar a perspectiva para começar a agir

“Falhas do TDAH também podem ser vistas como virtude”, diz Mayra Mendez, Ph.D, do Providence Saint John’s Child and Family Development Center3. Mayra reforça que é importante investigar o que pode ser feito para trabalhar cada sintoma até que ele se torne uma qualidade. Mas, também, que uma mudança na perspectiva pode ser um fator vital para começar a agir em direção à construção.

Ela menciona como a hiperatividade não precisa significar apenas que é difícil parar quieto. Também significa que, quando o paciente encontra algo que o interesse, ele irá atrás com perseverança e motivação. O mesmo para falta de atenção, que pode se tornar uma capacidade de flexibilidade no pensamento. Até mesmo a impulsividade, um sintoma tão comum no TDAH. “Respostas rápidas sempre levam a ações”, relembra Mendez. “Pessoas que são impulsivas não ficam sentadas se sentindo vitimizadas”, conclui a pesquisadora.

A importância do tratamento

Reconhecer possibilidades positivas não quer dizer que você deva pensar em sair do tratamento. Pelo contrário. A medicação, a terapia e o coaching são ferramentas cruciais neste processo não apenas de controle dos sintomas, mas como também da transformação do negativo em positivo.

Aqui, é importante que você reconheça que o tratamento para o TDAH não é só frear o sintoma negativo, mas também construir a atitude positiva – nutrir talentos e habilidades que apenas indivíduos com TDAH têm. Mas, como fazer isso?

Atenção a algumas estratégias simples e efetivas.4

1. Estabeleça metas. Use calendários, planejadores e apps, como o Focus TDAH, que facilitarão o acompanhamento detalhado do que você precisa fazer todos os dias. Deixe claro o que é prioritário e o que é secundário.

2. Crie estruturas. Mantenha a mesma rotina sempre que possível. Isso ajudará a lembrar onde você precisa estar e a saber o que acontecerá depois.

3. Construa uma equipe de apoio. Tenha amigos para conversar sobre o TDAH. Quanto mais aberto você for sobre o transtorno, mais força terá para cruzá-lo. Grupos de apoio, psicólogos e terapeutas são peças fundamentais neste time.

4. Encontre um coach. Assim como atletas precisam de um técnico para atingirem o seu potencial, pacientes com TDAH precisam de suporte para alcançarem seu melhor. Coaches também podem ajudar a enfrentar possíveis obstáculos pelo caminho.

5. Dê um passo por vez. Você pode sim ter um grande projeto como meta, mas deve manter em mente que cada passo em direção a este objetivo também é uma pequena meta. Foque nas conquistas diárias que estão lhe levando para o grande plano.

6. Conecte suas capacidades ao seu trabalho. Nunca é tarde demais para pensar em uma carreira ou em um trabalho que esteja alinhado às características positivas que você vem desenvolvendo. Observe-se e encontre funções adequadas aos seus limites e vantagens.

7. Sempre tenha um hobby. Hobbies são prazeres capazes de lhe religar às suas fontes mais vitais de energia. Eles mexem com grandes cargas de paixão, que mantém o foco naquilo que você está fazendo. Desta forma, um lazer tem o poder de despertar as forças que podem estar faltando – em todos os sentidos.

Fontes:
1 17 THINGS TO LOVE ABOUT ADHD!. ADDITUDE. Disponível em: <https://www.additudemag.com/slideshows/benefits-of-adhd-to-love/>. Acesso em: 27 de setembro de 2018.
2 THE BENEFITS OF ADHD. HEALTHLINE. Disponível em: <https://www.healthline.com/health/adhd/benefits-of-adhd>. Acesso em: 27 de setembro de 2018.
3 REACH YOUR POTENTIAL WITH ADULT ADHD. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/positives#1>. Acesso em: 27 de setembro de 2018.

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Vídeo Case FOCUS: Dr Rohde

Doutor Luis Augusto Rohde é professor titular de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) onde coordena o Programa de Défcit de Atenção e Hiperatividade (PRODAH). É também professor de pós-graduação em Psiquiatria na Universidade de São Paulo (USP). É um dos idealizadores do Projeto FOCUS, e neste vídeo apresenta como o aplicativo pode auxiliar pacientes, médicos, terapeutas, familiares e outros colaboradores no monitoramento do TDAH.

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