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APLICATIVO AUMENTA A ADESÃO AO TRATAMENTO E PERMITE MELHOR CONTROLE DOS SINTOMAS DO TDAH, indica estudo

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Post Series: Adultos

A adesão ao tratamento é um dos principais problemas enfrentados por pacientes com doenças crônicas. Cerca de 25% das prescrições recebidas por esses pacientes são simplesmente ignoradas e não são convertidas em busca da medicação ou implementação do tratamento proposto, seja por preconceito, falta de informação ou acesso. A maioria dos pacientes não relata essa informação ao seu médico. (20 –23) Outro aspecto que impacta negativamente a adesão ao tratamento é a inexistência de sintomas claros e perceptíveis para o paciente. (24, 25) Este é o caso do TDAH, apesar de seu significativo impacto negativo e alta eficácia e segurança do tratamento, o abandono do paciente após um ano pode chegar a 87%. (26) Os prejuízos associados a esta baixa adesão são graves, tanto para pacientes com TDAH como para sociedade como um todo.

Especialistas indicam que seis pilares compõem o modelo de adesão ao tratamento: suporte à decisão, design do sistema de entrega, sistemas de informações clínicas, apoio familiar e de autogestão, recursos e políticas comunitárias e organizações de cuidados de saúde. (27, 28) Se o tratamento geral dos sintomas do TDAH tiver sido bem-sucedido, os planos de tratamento podem precisar ser adaptados para atingir os problemas residuais existentes. Ou ainda, se o tratamento tiver sido ineficaz, então os planos de tratamento podem precisar ser adaptados para se concentrar em outras deficiências. (29) Ou seja, os pacientes diagnosticados com TDAH que recebem tratamento de longo prazo devem ser periodicamente reavaliados pelos profissionais de saúde. Os objetivos do tratamento podem mudar ao longo do tempo, ou um tratamento pode não ser bem tolerado, o que implica em uma tomada de ação rápida. Portanto, para garantir que os objetivos do tratamento estão adequados às necessidades do indivíduo e estágio de desenvolvimento, esses pacientes devem receber suporte e avaliação contínuos (30).

Recentemente, pesquisadores israelenses (31) avaliaram, em um estudo randomizado,  a utilização de um aplicativo de celular que permitia uma comunicação mais frequente entre médicos e familiares de pacientes com TDAH e um monitoramento mais contínuo do tratamento. No total, 39 crianças foram randomizadas em dois grupos: no primeiro, as crianças e seus pais foram convidados a utilizar o aplicativo proposto. O segundo foi o grupo controle, sem uso do app. As variáveis observadas foram: adesão, através da contagem de pílulas, e avaliação clínica, no início do estudo, depois de 4 semanas e finalmente após 8 semanas. Ao final do estudo, os pacientes que utilizaram o aplicativo mostraram-se mais aderentes ao tratamento, assim como com melhores resultados clínicos alcançados quando avaliados pela CRS (Clinical Rating Scale).

O estudo apresentou algumas limitações, como o curto período de acompanhamento e baixo número de pacientes. Isso pode explicar o fato de que a redução dos sintomas não teve diferença estatística entre os grupos quando analisados através da CGI (Clinical Global Impression Scale) e da ADHD-RS (ADHD Rating Scale). Segundo os autores, outra limitação do estudo foi o fato de que apenas 61,5% das crianças e pais, inicialmente incluídos no estudo, completaram as três visitas programadas. A taxa de abandono relativamente elevada vai em consonância com a prática clínica de que muitos pais de crianças com TDAH tendem a não aderir a consultas regulares de acompanhamento. Esse fato reforça a necessidade de desenvolver outros meios para o monitoramento remoto e gestão de crianças com TDAH, como um aplicativo móvel de saúde (mHealth) especificamente desenhado a esse perfil de paciente.

A conclusão deste estudo é que o uso de aplicativos mobile para TDAH pode sim ter um impacto significativo de promover melhor adesão ao tratamento, assim como controle dos sintomas.

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Para nós do FOCUS TDAH esta publicação reforça nossa dedicação e crença de que estamos no caminho certo. Podemos, sim, desenvolver colaborativamente uma aplicação efetiva na promoção à saúde mental, através da adesão, educação, engajamento e empoderamento de pacientes e seus familiares, permitindo que médicos e outros profissionais de saúde tenham a sua disposição produtos e serviços que auxiliem a tomada de decisão e aumente a adesão ao tratamento e às consultas. Faça parte do Movimento FOCUS TDAH.

Mais informações sobre o TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico e estrutural do cérebro, caracterizado pela presença dos sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. (1,2,3). Apesar de desconhecida, tem como causa alta correlação genética, bem como algumas questões ambientais, como baixo peso ao nascer, tabagismo na gestação, entre outros. (4,5,6) O transtorno acomete aproximadamente 5% da população mundial (7, 12 8). O diagnóstico é exclusivamente clínico e geralmente ocorre na infância, mantendo-se presente ao longo da vida. (9) Algo que poucos sabem é que o TDAH em Adultos não é necessariamente uma continuação da infância, mas pode surgir depois da idade adulta sem histórico prévio. (10). Ou seja, TDAH não é só coisa de criança. A presença do TDAH está associada a uma série de prejuízos funcionais que causam impactos significativos ao longo da vida: dificuldades de aprendizagem e disfunção executiva (tomada de decisão, planejamento, organização, etc.); desregulação emocional e prejuízos na construção e manutenção de relacionamentos sociais e afetivos; maiores chances de divórcio; menor autoestima; ideação suicida, e mesmo o suicídio; maior risco de delinquência; criminalidade; encarceramento; tabagismo e uso de drogas; pior desempenho escolar/acadêmico e na vida profissional, incluindo maiores chances de desemprego; maior rotatividade profissional e menor status sócio econômico; gravidez indesejada; maior risco de acidentes de trânsito e de morte prematura (11 – 13); menor auto estima; pior qualidade de vida; morbidade persistente (14 –17) e risco elevado de mortalidade. (18, 19)

 

Fontes:

  1. Volkow ND, et al. Depressed Dopamine Activity In Caudate And Preliminary Evidence Of Limbic Involvement In Adults With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. Arch Gen Psychiatry 2007; 64: 932-940.
  2. Volkow N, et al. Evaluating Dopamine Reward Pathway In ADHD. JAMA 2009; 302(10): 1084-1091.
  3. Hart H, et al. Meta-Analysis Of Functional Magnetic Resonance Imaging Studies Of Inhibition And Attention In Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: Exploring Task-Specific, Stimulant Medication, And Age Effects. JAMA Psychiatry. 2013; 70: 185-98.
  4. Burt SA. Rethinking environmental contributions to child and adolescent psychopathology: A meta-analysis of shared environmental influences. Psychol Bull 2009135: 608-637.
  5. Todd RD & Huang H, et al.Collaborative analysis of DRD4 and DAT genotypes in population-defined ADHD subtypes. J Child Psychol Pschiatry 2005 46: 1067-1073.
  6. Biederman, Joseph & V Faraone, Stephen. (2005). Biederman J, Faraone SV. Attention-deficit hyperactivity disorder. Lancet 366: 237-248. Lancet. 366. 237-48. 10.1016/S0140-6736(05)66915-2.
  7. ROHDE, Luis Augusto et al . Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 22, supl. 2, p. 07-11, Dec. 2000 .  Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600003&lng=en&nrm=iso. access on 20 Oct. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462000000600003.
  8. Kooij SJ, Bejerot S, Blackwell A, Caci H, Casas‐Brugue M, Carpentier PJ et al. European consensus statement on diagnosis and treatment of adult ADHD: the European Network Adult ADHD. BMC Psychiatry 2010;10:67.
  9. Polanczyk G, de Lima MS, Horta BL, et al: The worldwide prevalence of ADHD: a systematic review and metaregression.
  10. Caye A, et al. JAMA Psych doi:10.1001/jamapsychiatry.2016.0383 Published online May 18 2016
  11. Sergeant JA. Modeling attention-deficit/hyperactivity disorder: a critical appraisal of the cognitive-energetic model. Biol Psychiatry. 2005 Jun 1;57(11):1248-55. Epub 2004 Nov 23. Review. PubMed PMID: 15949995.
  12. Pennington BF, Ozonoff S. Executive functions and developmental psychopathology. J Child Psychol Psychiatry. 1996 Jan;37(1):51-87. Review. PubMed PMID: 8655658.
  13. Faraone, S. V. et al. (2015) Attention-deficit/hyperactivity disorder Nat. Rev. Dis. Primers doi:10.1038/nrdp.2015.20
  14. Fredriksen M, Dahl AA, Martinsen EW, et al. Childhood and persistent ADHD symptoms associated with educational failure and long-term occupational disability in adult ADHD. Atten Defic Hyperact Disord 2014; 6: 87–99.
  15. Capusan AJ, Bendtsen P, Marteinsdottir I, et al. Comorbidity of adult ADHD and its subtypes with substance use disorder in a large population-based epidemiological study. J Atten Disord. Epub ahead of print 2 February 2016. DOI: 10.1177/1087054715626511.
  16. Uchida M, Spencer TJ, Faraone SV, et al. Adult outcome of ADHD: an overview of results from the MGH longitudinal family studies of pediatrically and psychiatrically referred youth with and without ADHD of both sexes. J Atten Disord. Epub ahead of print 22 September 2015: DOI: 10.1177/1087054715604360.
  17. Rucklidge JJ, Downs-Woolley M, Taylor M, et al. Psychiatric comorbidities in a New Zealand sample of adults with ADHD. J Atten Disord 2014; 20: 1030–1038.
  18. Dalsgaard S, Østergaard SD, Leckman JF, et al. Mortality in children, adolescents, and adults with attention deficit hyperactivity disorder: a nationwide cohort study. Lancet 2015; 385: 2190–2196.
  19. Furczyk K, Thome J. Adult ADHD and suicide. Atten Defic Hyperact Disord 2014; 6: 153–158.
  20. Sabaté E, ed. Adherence to Long-Term Therapies: Evidence for Action . Geneva, Switzerland: World Health Organization; 2003.
  21. Lee JK, Grace KA, Taylor AJ. Effect of a pharmacy care program on medication adherence and persistence, blood pressure, and lowdensity lipoprotein cholesterol: a randomized controlled trial. JAMA . 2006;296(21):2563-2571.
  22. Fischer MA, Choudhry NK, Brill G, et al. Trouble getting started: predictors of primary medication nonadherence. Am J Med . 2011;124(11):1081.e9-e22.
  23. Fischer MA, Stedman MR, Lii J, et al. Primary medication nonadherence: analysis of 195,930 electronic prescriptions. J Gen Intern Med . 2010;25(4):284-290.
  24. Cantrell CR, Eaddy MT, Shah MB, Regan TS, Sokol MC. Methods for evaluating patient adherence to antidepressant therapy: A realworld comparison of adherence and economic outcomes. Med Care. 2006;44(4):300–303.
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  26. Safren S, Duran P, Yovel I, Perlman C, Sprich S (2007) Medication adherence in psychopharmacologically treated adults with ADHD. J Atten Disord 10:257–260
  27. Canadian ADHD Resource Alliance (CADDRA). Canadian ADHD Practice Guidelines. Toronto: CADDRA, 2011
  28. Surman CB, et al. Association Between Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder And Sleep Impairment In Adulthood: Evidence From A Large Controlled Study. J Clin Psychiatry 2009; 70: 1523-1529.
  29. National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE). Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management of ADHD in children, young people and adults, 2008 [updated 27 March 2013]. Clinical guidelines CG72. http://www.nice.org.uk/nicemedia/live/12061/42059/42059.pdf.(last accessed on 15 May 2013).
  30. Canadian ADHD Resource Alliance (CADDRA). Canadian ADHD Practice Guidelines. Toronto: CADDRA, 2011
  31. Weisman O, et al. Testing the Efficacy of a Smartphone Application in Improving Medication Adherence, Among Children with ADHD. Isr J Psychiatry – Vol. 55 – No 2 (2018) Acessado em 20 de fevereiro de 2019, disponível em: https://cdn.doctorsonly.co.il/2018/10/12_Testing-the-Efficacy-of.pdf
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