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CASAMENTO E FILHOS COM TDAH – Um desafio a ser superado

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Post Series: Infância & Adolescência

Por muitos anos, cientistas exploraram como os conflitos parentais e outros problemas conjugais impactam a qualidade de vida dos filhos. Porém, pouca atenção foi dada a como os filhos impactam a qualidade de vida dos pais.

Casais com filhos diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm o dobro de chances de se divorciarem, em comparação a casais com filhos sem TDAH1.

A razão é simples: uma criança com dificuldade de atenção ou com hiperatividade pode ser altamente estressante. Assim, a situação pode potencializar conflitos e tensões entre todos, especialmente entre os pais.

“É muito difícil manter um casamento nos eixos quando você passa dia e noite administrando os sintomas da criança”, diz Brian T. Wymbs, Ph.D, autor do estudo que encontrou esta relação entre divórcio e TDAH. “TDAH é uma condição crônica e não irá embora. Então, não há fuga do estresse marital causado por um filho com o transtorno”, explica o pesquisador.2

Mas, não se desespere. Os pesquisadores apontam dois dados de grande importância para manter a calma e traçar um plano:

1 – A pesquisa de Wymbs concluiu que, após os oito anos de idade da criança, as taxas de divórcio entre casais com filhos com TDAH e com filhos sem TDAH se equiparam. Existe algo de mágico no número oito que traz esperança para os casais que chegam nesta etapa.

Claro que não é mágica: é tempo e dedicação para encontrar as estratégias necessárias tanto para minimizar os sintomas do filho quanto para afinar as diferenças naturais entre os pais – isso nos leva à próxima questão.

2 – O mais grave fator de conflitos entre o casal é a dissonância na forma de enxergar as dificuldades do filho com TDAH. Por exemplo, a mãe considera determinado comportamento na escola um problema, mas o pai releva, considerando a situação algo natural da criança.

Este tipo de desarmonia na percepção da educação do filho é o maior fator de brigas no casal, explica William E. Pelham Jr., Ph.D, professor de Psicologia e Pediatria na Universidade de Buffalo, que participou do estudo.

Agora que você sabe onde deve agir e quando as coisas ficarão mais tranquilas, é hora de traçar o plano de ação.

Como trabalhar em equipe?

Terry Dickson, diretor do Behavioral Medicine Clinic of NW Michigan, tem TDAH. Seus dois filhos também. Mas, sua esposa não. Ele explica que filhos com o transtorno “afetarão o casamento e ambos precisam estar igualmente comprometidos com fazer as coisas funcionarem”.3

Como podemos fazer isso?

Crie estrutura e rotina: previsibilidade é bom para as crianças e para o casal, porque ajuda a controlar o relógio e a criar tempo para o casamento.

Planeje regras para a vida em casa: todas as regras devem ser criadas de comum acordo e esclarecidas para todos. Quando o casal está em sintonia sobre o que deve ser feito com relação aos filhos, o espaço para conflitos é drasticamente reduzido.

Dialogue: pais com filhos diagnosticados com TDAH tendem a colocar as necessidades das crianças em primeiro lugar, o que é compreensível. Mas, vocês precisam dedicar tempo às necessidades de vocês dois e estas questões serão conhecidas apenas através do diálogo.

Escutem um ao outro: aprender a escutar é uma rara virtude. Em casais com TDAH, a qualidade do diálogo é essencial. As respostas e as reações às necessidades do outro devem ser equilibradas também. É isso que lhes ajudará a cruzar os conflitos, sejam eles sobre o filho ou sobre outra questão qualquer.

Compartilhem a carga: aprendam a dividir tarefas e problemas. Esta prática gera empatia e cumplicidade, componentes básicos para relações saudáveis. Não presuma que o outro fará algo. Planeje e deixe as regras claras, escritas pela casa.

Priorize o tempo do casal: momentos juntos são muito importantes para você e para seu cônjuge. Consequentemente, para seu filho. Os pais dificilmente entendem a importância da qualidade da relação para os filhos. Quando se trata de crianças com TDAH, cujas deficiências sociais são ainda mais notáveis, este fundamento relacional é crucial para o tratamento.

Criar uma criança com TDAH não é fácil, mas muitos casais conseguem fazer deste desafio uma ferramenta para uma aproximação ainda maior. Esta é sua meta: construir novos modelos de percepção e atitude capazes de transformar problemas em oportunidades de crescimento e fortalecimento individual e coletivo.

FONTES

1 WYMBS et al., 2008. Rate and predictors of divorce among parents of youth with ADHD. J Consult Clin Psychol., 76(5), 735–744. doi:10.1037/a0012719 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2631569/ . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

2 THE WEIGHT OF ADHD ON YOUR MARRIAGE. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/marriage-stress-parenting-child-adhd/ . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

3 WHEN YOUR CHILD’S ADHD AFFECTS YOU AS A COUPLE. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/features/child-adhd-parental-relationship#1 . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

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