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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

APLICATIVO AUMENTA A ADESÃO AO TRATAMENTO E PERMITE MELHOR CONTROLE DOS SINTOMAS DO TDAH, Indica Estudo

APLICATIVO AUMENTA A ADESÃO AO TRATAMENTO E PERMITE MELHOR CONTROLE DOS SINTOMAS DO TDAH, indica estudo

A adesão ao tratamento é um dos principais problemas enfrentados por pacientes com doenças crônicas. Cerca de 25% das prescrições recebidas por esses pacientes são simplesmente ignoradas e não são convertidas em busca da medicação ou implementação do tratamento proposto, seja por preconceito, falta de informação ou acesso. A maioria dos pacientes não relata essa informação ao seu médico. (20 –23) Outro aspecto que impacta negativamente a adesão ao tratamento é a inexistência de sintomas claros e perceptíveis para o paciente. (24, 25) Este é o caso do TDAH, apesar de seu significativo impacto negativo e alta eficácia e segurança do tratamento, o abandono do paciente após um ano pode chegar a 87%. (26) Os prejuízos associados a esta baixa adesão são graves, tanto para pacientes com TDAH como para sociedade como um todo.

Especialistas indicam que seis pilares compõem o modelo de adesão ao tratamento: suporte à decisão, design do sistema de entrega, sistemas de informações clínicas, apoio familiar e de autogestão, recursos e políticas comunitárias e organizações de cuidados de saúde. (27, 28) Se o tratamento geral dos sintomas do TDAH tiver sido bem-sucedido, os planos de tratamento podem precisar ser adaptados para atingir os problemas residuais existentes. Ou ainda, se o tratamento tiver sido ineficaz, então os planos de tratamento podem precisar ser adaptados para se concentrar em outras deficiências. (29) Ou seja, os pacientes diagnosticados com TDAH que recebem tratamento de longo prazo devem ser periodicamente reavaliados pelos profissionais de saúde. Os objetivos do tratamento podem mudar ao longo do tempo, ou um tratamento pode não ser bem tolerado, o que implica em uma tomada de ação rápida. Portanto, para garantir que os objetivos do tratamento estão adequados às necessidades do indivíduo e estágio de desenvolvimento, esses pacientes devem receber suporte e avaliação contínuos (30).

Recentemente, pesquisadores israelenses (31) avaliaram, em um estudo randomizado,  a utilização de um aplicativo de celular que permitia uma comunicação mais frequente entre médicos e familiares de pacientes com TDAH e um monitoramento mais contínuo do tratamento. No total, 39 crianças foram randomizadas em dois grupos: no primeiro, as crianças e seus pais foram convidados a utilizar o aplicativo proposto. O segundo foi o grupo controle, sem uso do app. As variáveis observadas foram: adesão, através da contagem de pílulas, e avaliação clínica, no início do estudo, depois de 4 semanas e finalmente após 8 semanas. Ao final do estudo, os pacientes que utilizaram o aplicativo mostraram-se mais aderentes ao tratamento, assim como com melhores resultados clínicos alcançados quando avaliados pela CRS (Clinical Rating Scale).

O estudo apresentou algumas limitações, como o curto período de acompanhamento e baixo número de pacientes. Isso pode explicar o fato de que a redução dos sintomas não teve diferença estatística entre os grupos quando analisados através da CGI (Clinical Global Impression Scale) e da ADHD-RS (ADHD Rating Scale). Segundo os autores, outra limitação do estudo foi o fato de que apenas 61,5% das crianças e pais, inicialmente incluídos no estudo, completaram as três visitas programadas. A taxa de abandono relativamente elevada vai em consonância com a prática clínica de que muitos pais de crianças com TDAH tendem a não aderir a consultas regulares de acompanhamento. Esse fato reforça a necessidade de desenvolver outros meios para o monitoramento remoto e gestão de crianças com TDAH, como um aplicativo móvel de saúde (mHealth) especificamente desenhado a esse perfil de paciente.

A conclusão deste estudo é que o uso de aplicativos mobile para TDAH pode sim ter um impacto significativo de promover melhor adesão ao tratamento, assim como controle dos sintomas.

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Para nós do FOCUS TDAH esta publicação reforça nossa dedicação e crença de que estamos no caminho certo. Podemos, sim, desenvolver colaborativamente uma aplicação efetiva na promoção à saúde mental, através da adesão, educação, engajamento e empoderamento de pacientes e seus familiares, permitindo que médicos e outros profissionais de saúde tenham a sua disposição produtos e serviços que auxiliem a tomada de decisão e aumente a adesão ao tratamento e às consultas. Faça parte do Movimento FOCUS TDAH.

Mais informações sobre o TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico e estrutural do cérebro, caracterizado pela presença dos sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. (1,2,3). Apesar de desconhecida, tem como causa alta correlação genética, bem como algumas questões ambientais, como baixo peso ao nascer, tabagismo na gestação, entre outros. (4,5,6) O transtorno acomete aproximadamente 5% da população mundial (7, 12 8). O diagnóstico é exclusivamente clínico e geralmente ocorre na infância, mantendo-se presente ao longo da vida. (9) Algo que poucos sabem é que o TDAH em Adultos não é necessariamente uma continuação da infância, mas pode surgir depois da idade adulta sem histórico prévio. (10). Ou seja, TDAH não é só coisa de criança. A presença do TDAH está associada a uma série de prejuízos funcionais que causam impactos significativos ao longo da vida: dificuldades de aprendizagem e disfunção executiva (tomada de decisão, planejamento, organização, etc.); desregulação emocional e prejuízos na construção e manutenção de relacionamentos sociais e afetivos; maiores chances de divórcio; menor autoestima; ideação suicida, e mesmo o suicídio; maior risco de delinquência; criminalidade; encarceramento; tabagismo e uso de drogas; pior desempenho escolar/acadêmico e na vida profissional, incluindo maiores chances de desemprego; maior rotatividade profissional e menor status sócio econômico; gravidez indesejada; maior risco de acidentes de trânsito e de morte prematura (11 – 13); menor auto estima; pior qualidade de vida; morbidade persistente (14 –17) e risco elevado de mortalidade. (18, 19)

 

Fontes:

  1. Volkow ND, et al. Depressed Dopamine Activity In Caudate And Preliminary Evidence Of Limbic Involvement In Adults With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. Arch Gen Psychiatry 2007; 64: 932-940.
  2. Volkow N, et al. Evaluating Dopamine Reward Pathway In ADHD. JAMA 2009; 302(10): 1084-1091.
  3. Hart H, et al. Meta-Analysis Of Functional Magnetic Resonance Imaging Studies Of Inhibition And Attention In Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: Exploring Task-Specific, Stimulant Medication, And Age Effects. JAMA Psychiatry. 2013; 70: 185-98.
  4. Burt SA. Rethinking environmental contributions to child and adolescent psychopathology: A meta-analysis of shared environmental influences. Psychol Bull 2009135: 608-637.
  5. Todd RD & Huang H, et al.Collaborative analysis of DRD4 and DAT genotypes in population-defined ADHD subtypes. J Child Psychol Pschiatry 2005 46: 1067-1073.
  6. Biederman, Joseph & V Faraone, Stephen. (2005). Biederman J, Faraone SV. Attention-deficit hyperactivity disorder. Lancet 366: 237-248. Lancet. 366. 237-48. 10.1016/S0140-6736(05)66915-2.
  7. ROHDE, Luis Augusto et al . Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 22, supl. 2, p. 07-11, Dec. 2000 .  Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600003&lng=en&nrm=iso. access on 20 Oct. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462000000600003.
  8. Kooij SJ, Bejerot S, Blackwell A, Caci H, Casas‐Brugue M, Carpentier PJ et al. European consensus statement on diagnosis and treatment of adult ADHD: the European Network Adult ADHD. BMC Psychiatry 2010;10:67.
  9. Polanczyk G, de Lima MS, Horta BL, et al: The worldwide prevalence of ADHD: a systematic review and metaregression.
  10. Caye A, et al. JAMA Psych doi:10.1001/jamapsychiatry.2016.0383 Published online May 18 2016
  11. Sergeant JA. Modeling attention-deficit/hyperactivity disorder: a critical appraisal of the cognitive-energetic model. Biol Psychiatry. 2005 Jun 1;57(11):1248-55. Epub 2004 Nov 23. Review. PubMed PMID: 15949995.
  12. Pennington BF, Ozonoff S. Executive functions and developmental psychopathology. J Child Psychol Psychiatry. 1996 Jan;37(1):51-87. Review. PubMed PMID: 8655658.
  13. Faraone, S. V. et al. (2015) Attention-deficit/hyperactivity disorder Nat. Rev. Dis. Primers doi:10.1038/nrdp.2015.20
  14. Fredriksen M, Dahl AA, Martinsen EW, et al. Childhood and persistent ADHD symptoms associated with educational failure and long-term occupational disability in adult ADHD. Atten Defic Hyperact Disord 2014; 6: 87–99.
  15. Capusan AJ, Bendtsen P, Marteinsdottir I, et al. Comorbidity of adult ADHD and its subtypes with substance use disorder in a large population-based epidemiological study. J Atten Disord. Epub ahead of print 2 February 2016. DOI: 10.1177/1087054715626511.
  16. Uchida M, Spencer TJ, Faraone SV, et al. Adult outcome of ADHD: an overview of results from the MGH longitudinal family studies of pediatrically and psychiatrically referred youth with and without ADHD of both sexes. J Atten Disord. Epub ahead of print 22 September 2015: DOI: 10.1177/1087054715604360.
  17. Rucklidge JJ, Downs-Woolley M, Taylor M, et al. Psychiatric comorbidities in a New Zealand sample of adults with ADHD. J Atten Disord 2014; 20: 1030–1038.
  18. Dalsgaard S, Østergaard SD, Leckman JF, et al. Mortality in children, adolescents, and adults with attention deficit hyperactivity disorder: a nationwide cohort study. Lancet 2015; 385: 2190–2196.
  19. Furczyk K, Thome J. Adult ADHD and suicide. Atten Defic Hyperact Disord 2014; 6: 153–158.
  20. Sabaté E, ed. Adherence to Long-Term Therapies: Evidence for Action . Geneva, Switzerland: World Health Organization; 2003.
  21. Lee JK, Grace KA, Taylor AJ. Effect of a pharmacy care program on medication adherence and persistence, blood pressure, and lowdensity lipoprotein cholesterol: a randomized controlled trial. JAMA . 2006;296(21):2563-2571.
  22. Fischer MA, Choudhry NK, Brill G, et al. Trouble getting started: predictors of primary medication nonadherence. Am J Med . 2011;124(11):1081.e9-e22.
  23. Fischer MA, Stedman MR, Lii J, et al. Primary medication nonadherence: analysis of 195,930 electronic prescriptions. J Gen Intern Med . 2010;25(4):284-290.
  24. Cantrell CR, Eaddy MT, Shah MB, Regan TS, Sokol MC. Methods for evaluating patient adherence to antidepressant therapy: A realworld comparison of adherence and economic outcomes. Med Care. 2006;44(4):300–303.
  25. Eaddy MT, Druss BG, Sarnes MW, Regan TS, Frankum LE. Relationship of total health care charges to selective serotonin reuptake inhibitor utilization patterns including the length of antidepressant therapy – results from a managed care administrative claims database. J Manag Care Pharm. 2005;11(2):145–150.
  26. Safren S, Duran P, Yovel I, Perlman C, Sprich S (2007) Medication adherence in psychopharmacologically treated adults with ADHD. J Atten Disord 10:257–260
  27. Canadian ADHD Resource Alliance (CADDRA). Canadian ADHD Practice Guidelines. Toronto: CADDRA, 2011
  28. Surman CB, et al. Association Between Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder And Sleep Impairment In Adulthood: Evidence From A Large Controlled Study. J Clin Psychiatry 2009; 70: 1523-1529.
  29. National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE). Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management of ADHD in children, young people and adults, 2008 [updated 27 March 2013]. Clinical guidelines CG72. http://www.nice.org.uk/nicemedia/live/12061/42059/42059.pdf.(last accessed on 15 May 2013).
  30. Canadian ADHD Resource Alliance (CADDRA). Canadian ADHD Practice Guidelines. Toronto: CADDRA, 2011
  31. Weisman O, et al. Testing the Efficacy of a Smartphone Application in Improving Medication Adherence, Among Children with ADHD. Isr J Psychiatry – Vol. 55 – No 2 (2018) Acessado em 20 de fevereiro de 2019, disponível em: https://cdn.doctorsonly.co.il/2018/10/12_Testing-the-Efficacy-of.pdf
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MEU FILHO FOI DIAGNOSTCADO COM TDAH: é Culpa Minha?

MEU FILHO FOI DIAGNOSTCADO COM TDAH: é culpa minha?

Se seu filho tem TDAH, você pode pensar, mesmo que ocasionalmente, que suas capacidades como mãe ou pai têm algo a ver com o diagnóstico. Duas boas notícias com relação a isso:

1 – Você não está sozinho nesta interrogação
Uma recente votação realizada pelo Hospital da Universidade de Michigan apontou que quase dois terços das mães, com filhos entre 0 e 5 anos, se sentem culpadas por suas supostas incapacidades maternas. As questões que mais afligiam estas mães eram disciplina, dieta e sono.1 Então, não é difícil imaginar que pais e mães possam se sentir vulneráveis à culpa quando o filho é diagnosticado com TDAH.

2 – Sua culpa não tem evidência científica alguma.
TDAH é uma desordem médica, não causada pelos pais ou pela crescente velocidade do mundo contemporâneo. A influência genética do TDAH tem sido comprovada em graus similares ao de características físicas, como a altura: se duas pessoas altas com TDAH colocam seu filho recém-nascido para adoção, é muito provável que a criança se desenvolva alta e com TDAH. Ou seja, a causa não é a sua capacidade educacional.

Mesmo que não haja uma causa comprovada até o momento, os cientistas já sabem que diversos fatores podem influenciar o diagnóstico, incluindo muitos que estão fora do alcance dos pais, como genes e baixo peso no nascimento.2

O TDAH não afeta apenas a atenção, mas como também a parte do cérebro responsável pela autorregulação e senso de administração como um todo. Indivíduos com TDAH podem passar por desafios na escola, no trabalho e nos relacionamentos sociais. Estudos relacionam TDAH com acidentes de carro, obesidade, problemas para dormir e muitas outras questões cotidianas – não apenas em casa.

Família e TDAH

Mas, um lar caótico pode ou não pode agravar os sintomas?

Claro, assim como um ambiente tranquilo e agradável pode fazer bem aos portadores de TDAH ou para qualquer pessoa. Contudo, no que toca o uso de televisão, videogames, disciplina demais (ou de menos), fique tranquilo: não foi você que “criou” o TDAH em seu filho.

Bem, seu lar não desenvolveu o TDAH na criança, mas pode sim ser um fator decisivo no tratamento do seu filho. Aliás, um dos melhores presentes que você pode dar à criança é um casamento feliz. Isso é especialmente verdade se você tiver mais de um filho com TDAH ou se eles estiverem tendo problemas na hora de fazer amizades.

O desafio do casamento

Casais com filhos portadores do transtorno têm quase o dobro de chances de se divorciarem, em comparação a casais com filhos sem TDAH. Um estudo publicado em 2008 apontou uma razão simples, mas com um elevado grau de dificuldade na solução: ter uma criança com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade na família pode ser altamente estressante e elevar o número e a intensidade dos conflitos, tensões e discussões entre os pais.3

O divórcio não é inevitável de forma alguma (apesar das estatísticas), mas os pais precisam manter em mente que os desafios do casal serão maiores e que, para ajudar seu filho com TDAH, será necessário não apenas acompanhar a criança, mas como também o próprio casamento.

Converse com os médicos e terapeutas de seu filho sobre profissionais, grupos de apoio e associações capazes de lhe ajudar com o treinamento para pais. Estes projetos podem colaborar no aprendizado de fatores importantes, como estabelecer metas objetivas, expectativas consistentes e limites possíveis, encontrar as melhores maneiras para ensinar disciplina e ajudar a criança a aprender com os próprios erros.4

A criação de estrutura é outra questão crucial para qualquer família, mas, no caso do TDAH, a importância é ainda maior.
– Siga rituais simples para o horário das refeições, para ir para a escola, para fazer as tarefas escolares, para chegar em casa.
– Crie um espaço tranquilo e agradável para o relaxamento (fora do quarto de dormir).
– Mantenha sua casa sempre organizada.

Lembre-se sempre que os pais são os modelos das crianças. Faça o máximo que puder para se manter calmo, focado e positivo. Isso ajudará toda a família a responder apropriadamente aos desafios de viver com o TDAH.

1 MOTT POLL: NEARLY TWO-THIRDS OF MOTHERS “SHAMED” BY OTHERS ABOUT THEIR PARENTING SKILLS. C.S. MOTT CHILDREN’S HOSPITAL – MICHIGAN MEDICINE. Disponível em: https://www.mottchildren.org/news/archive/201706/mott-poll-nearly-two-thirds-mothers-“shamed”-others-about . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

2 DOES PARENTING PLAY A ROLE IN ADHD?. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/parenting-role-in-adhd#1 . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

3 WYMBS et al., 2008. Rate and predictors of divorce among parents of youth with ADHD. J Consult Clin Psychol., 76(5), 735–744. doi:10.1037/a0012719 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2631569/ . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

4 FOR PARENTS & CAREGIVERS. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/for-parents-caregivers.aspx . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

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TIQUES, CACOETES, TOURETTE E TDAH: Com Que Frequência Acontecem E Como Fica O Tratamento?

TIQUES, CACOETES, TOURETTE E TDAH: com que frequência acontecem e como fica o tratamento?

Especialistas estimam que 7% das crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade também desenvolvem tiques nervosos. Para muitas crianças e adolescentes, os tiques vocais (limpar a garganta, tossir com frequência ou bocejar) acontecem por um período de tempo limitado, indo embora sozinhos.

Medicamentos estimulantes podem tornar estes sintomas mais visíveis do que seriam sem a medicação. Contudo, os benefícios dos estimulantes podem ser maiores do que os danos dos tiques. Os tiques eventualmente passam, mesmo para quem prossegue o tratamento com estimulantes.1

O que são os tiques?

Tiques são movimentos ou sons rápidos, inesperados e não ritmados que as pessoas geram repetidamente. Os tiques podem incluir comportamentos como piscar os olhos, abrir a boca ou limpar a garganta com frequência. Os tiques são comuns na infância, mas eles não prosseguem na fase adulta em grande parte dos casos. Homens são mais afetados do que mulheres em uma relação de 4,4 para 1. A ocorrência pode ser temporária (menos de um ano) ou crônica.

Tiques podem ser simples ou complexos.

– Tiques simples são rápidos e envolvem apenas um grupo muscular.
– Tiques complexos têm duração mais longa e incluem uma série de tiques simples.
– Tiques motores podem variar entre movimentos simples (piscar os olhos, lamber os lábios ou abrir a boca) e movimentos complexos (mexer a cabeça, encolher os ombros ou fazer caretas).
– Tiques vocais incluem tosse, latido, limpeza de garganta, arroto ou vocalizações mais complexas, como repetir pedaços de palavras ou frases e, em casos raros, dizer palavrões repetidamente.

A relação entre Síndrome de Tourette e TDAH

A Síndrome de Tourette (ST) é uma doença crônica que envolve tiques motores e vocais e está comumente associada ao TDAH. Menos de 10% das crianças com TDAH desenvolvem Tourette. Porém, de 60% a 80% das crianças com ST têm TDAH.

Neste segundo caso, os sintomas do TDAH geralmente aparecem antes dos tiques da Tourette. Ainda, o TDAH é um fator de risco para a ST. Pesquisas sugerem que o desenvolvimento da Síndrome de Tourette em crianças com TDAH não está relacionada ao uso de medicações estimulantes. Porém, uma abordagem cautelosa é recomendada quando existem Tourette ou tiques no histórico familiar.1

Algumas crianças com TDAH podem desenvolver tiques motores quando iniciam o tratamento do transtorno. Mesmo que estas duas condições aparentem estar ligadas, a maioria dos especialistas acredita que a co-ocorrência é puramente coincidência e não causada pelo TDAH ou por seu tratamento.2

Diagnóstico

Como parte do diagnóstico do TDAH, o profissional de saúde deve determinar se há desordens associadas afetando o indivíduo. Geralmente, os sintomas do TDAH podem se sobrepor aos outros transtornos. O desafio do profissional é descobrir se um sintoma pertence ao TDAH ou a diferentes desordens.

No caso dos tiques, a natureza intermitente da condição pode dificultar a identificação em estágios iniciais. Porém, ao longo do tempo, um padrão de tiques nervosos e de outros comportamentos emergirá.

Durante o processo de avaliação, é importante determinar a frequência e a gravidade destes sintomas, o quanto eles de fato prejudicam o paciente. Padrões associados com os tiques (por exemplo, se eles pioram com o estresse ou com o cansaço) também podem ser chave para recomendar mudanças no tratamento ou aliar estratégias específicas capazes de lidar com estes sintomas.2

Tratamento

Quando a criança tem TDAH e tiques simultaneamente, o profissional de saúde pode preferir tratar o TDAH antes, já que os tratamentos de TDAH tendem à redução do estresse, à melhoria na atenção e, às vezes, à melhoria da habilidade individual de controlar os tiques.

Mesmo assim, os tiques podem ser tratados separadamente se estiverem gerando problemas significativos. Em casos menos graves de tiques ou de Síndrome de Tourette, educação e acompanhamento do paciente e da família podem ser suficientes. Intervenção psicológica, incluindo aconselhamento e treinamento de habilidades, devem guiar o tratamento do paciente, o que inclui necessidades escolares e familiares.

O uso de medicamentos, porém, pode ser levado em conta se os sintomas interferirem nas relações sociais, escolares ou profissionais. As terapias devem sempre ser voltadas às necessidades do paciente e os sintomas mais problemáticos devem ser tratados como prioridade.

Se a criança está sendo tratada com estimulantes e desenvolveu tiques significativos, o médico pode optar pela troca de medicação ou pela redução das doses até que os tiques estejam sob controle. Em alguns casos, os benefícios dos estimulantes são mais relevantes do que os sintomas dos tiques.3

1 FREQUENTLY ASKED QUESTIONS ABOUT ADHD. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/about-adhd/frequently-asked-questions-about-adhd.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

2 TICS AND TOURETTE SYNDROME. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/about-adhd/coexisting-conditions/tics-and-tourette-syndrome.aspx . Acesso em: 29 de agosto de 2018.

3 HOUNIE, A.; MIGUEL, E. Tiques, Cacoetes, Síndrome de Tourette: 2. ed. Porto Alegre: Editora Artmed, 2012. P.43-47.

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TDAH OU PROBLEMAS DO SONO? Entenda A Complexa Relação Entre Os Dois

TDAH OU PROBLEMAS DO SONO? Entenda a complexa relação entre os dois

Problemas para prestar atenção. Esquecimento. Descontrole da impulsividade. Estes comportamentos estão geralmente associados ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, mas eles também podem ser consequência de distúrbios de sono. Como muitos portadores de TDAH têm dificuldade para dormir, é difícil separar as duas questões.

Há relatos de pais sobre como os sintomas do TDAH reduziram após a criança começar a dormir bem. Será que era um distúrbio de sono, e não TDAH? Será que estas crianças tinham sido mal diagnosticadas?

David Anderson, Diretor do ADHD and Behavior Disorders Center, no Child Mind Institute, esclarece: distúrbios do sono são raros em crianças. Então, é improvável que tenham sido mal diagnosticadas. O que ocorre é que a privação de sono (ou a falta de qualidade) pode piorar muito os sintomas do TDAH. Portanto, garantir qualidade no sono pode melhorar a desordem como um todo.

A relação entre sono e TDAH

Não existem estudos conclusivos sobre isso e as conclusões encontradas até agora são complexas. Andrew Adesman, chefe da Pediatria do Desenvolvimento e do Comportamento no Cohen Children’s Medical Center, em Nova York, alerta que as relações entre o transtorno e o sono são complicadas de avaliar, porque alterar os rituais de sono de uma família pode afetar todo estilo parental.

Ainda, diz ele, pais que cedem com frequência aos problemas de sono do filho podem ter uma tendência maior a cederem ao comportamento manipulador e/ou agressivo desta criança. Então, segundo Adesman, ainda não há uma resposta única para a questão.

O sono do seu filho

Seu filho com TDAH dorme bem ou se vira a noite inteira? Nem toda criança com o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade sofre de problemas para dormir, mas pode acontecer. Em um estudo, quase metade dos pais confirmou que o filho com TDAH tinha problemas de sono. Eles disseram que as crianças se sentiam cansadas quando acordavam, tinham pesadelos, apneia ou síndrome da perna inquieta.1

Outro estudo confirmou que crianças com TDAH têm taxas mais altas de sono durante o dia do que crianças sem o transtorno.2

Por que meu filho dorme mal?

Vejamos algumas causas para problemas que podem estar impedindo seu filho ou qualquer adulto com TDAH de dormir bem.

Resistência ao horário de dormir: crianças com TDAH têm grande dificuldade de descansar quando a noite chega. A rotina de ir para a cama acaba sendo prejudicada pelas interrupções.

Estimulantes: a cafeína do chá, do chocolate ou do refrigerante são inimigas conhecidas do sono. As medicações estimulantes também podem ter algum impacto no sono das crianças.

Condições coexistentes: problemas de sono são frequentes em outros transtornos, que podem coexistir com o TDAH – ansiedade e depressão são duas doenças que se enquadram nesta categoria. Drogas e álcool também impactam diretamente a capacidade de dormir bem.3

Como ajudar meu filho a dormir bem?

Parte de um tratamento multimodal para pacientes com TDAH é dar atenção à melhoria do sono e do comportamento na hora de dormir. A National Sleep Foundation (NSF) fornece algumas sugestões gerais para colaborar na criação de boas rotinas e qualidade de sono.4

Crie bons hábitos. Mantenha um horário de dormir regular – mesmo nos fins de semana; evite cafeína, nicotina e álcool em horários próximos à noite; use a cama apenas para dormir; desligue a televisão e os celulares antes de ir para a cama.

Seja realista. Escolha um horário de dormir para a criança que não prejudique a rotina familiar e não saia do estipulado. Técnicas comportamentais podem ajudar a criança com TDAH a se manter na cama. Portadores do transtorno têm resultados melhores quando dentro de sistemas estruturados e conseguem prever o que vai acontecer com clareza.

Preste atenção ao ambiente do quarto. Mantenha o cômodo quieto, fresco, organizado, confortável e escuro – a luz de dispositivos eletrônicos pode reduzir o hormônio do sono, a melatonina. Use um ventilador, refrigerador de ar ou umidificador para criar o chamado ruído branco. Minimize outros sons e interrupções de pessoas ou notificações eletrônicas.

Exercite-se durante o dia. O exercício físico ajuda a dissipar a hiperatividade e a inquietação para portadores de TDAH. Contudo, exercícios praticados perto da hora de dormir podem tornar o sono ainda mais difícil – pratique atividades físicas no máximo 3h antes de ir para cama.

Monitore seus hábitos alimentares. Comer demais à noite pode prejudicar a qualidade do sono. Porém, já que algumas crianças com TDAH não consomem nutrientes suficientes durante o dia, um pequeno lanche apropriado pode colaborar na redução da fome e da manutenção da saúde em geral.

Crie rituais. Rituais de sono são muito importantes para todas as pessoas, mas ainda mais para portadores do transtorno. Desenvolva uma rotina com uma série de pequenas atividades tranquilizantes, que faça uma transição previsível e sutil das atividades para o relaxamento.

Consulte o médico. Mantenha seu médico ciente das ferramentas mais eficientes e dos métodos que não obtiveram resultado – e atenção: jamais utilize medicações para dormir sem conversar com o especialista antes.

FONTES

1 GOLAN N, et al. Sleep disorders and daytime sleepiness in children with attention-deficit/hyperactive disorder. Sleep. 2004 Mar 15;27(2):261-6. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15124720>. Acesso em: 30 de agosto de 2018.

2 CORTESE S, et al. Sleep and alertness in children with attention-deficit/hyperactivity disorder: a systematic review of the literature. Sleep. 2006 Apr;29(4):504-11. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16676784?dopt=AbstractPlus>. Acesso em: 30 de agosto de 2018.

3 ADHD, SLEEP AND SLEEP DISORDERS. THE NATIONAL RESOURCE ON ADHD. Disponível em: <http://www.chadd.org/Understanding-ADHD/About-ADHD/Coexisting-Conditions/ADHD-Sleep-and-Sleep-Disorders.aspx>. Acesso em: 30 de agosto de 2018.

4 ADHD AND SLEEP. NATIONAL SLEEP FOUNDATION (NSF). Disponível em: <https://sleepfoundation.org/sleep-disorders-problems/adhd-and-sleep>. Acesso em: 30 de agosto de 2018.

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CRESCIMENTO DO TDAH NOS EUA: Mais Diagnósticos Ou Mais Casos?

CRESCIMENTO DO TDAH NOS EUA: mais diagnósticos ou mais casos?

O número de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) parece ter crescido dramaticamente nos Estados Unidos, apontou um novo estudo.

Entre 1997 e 2016, a proporção de crianças diagnosticadas com o transtorno cresceu de 6,1 para 10,2%, mostraram os pesquisadores no JAMA.1

Contudo, ainda é uma questão aberta se estes diagnósticos representam um aumento real de casos de TDAH entre crianças, disse um dos co-autores do estudo, Dr. Wei Bao. Ele é professor assistente de epidemiologia na Universidade de Iowa.2

“É mais provável que estejamos melhorando nossa capacidade de fazer diagnósticos eficientes, dado o aumento de conhecimento entre os médicos sobre o TDAH, devido a contínuos esforços de educação médica”, disse Bao. “Isso pode contribuir parcialmente para o crescimento.”

Stephen Hinshaw, um professor de psicologia na Universidade da Califórnia, em Berkeley, avisa que também é possível que médicos estejam entregando diagnósticos de TDAH sem justificativa.

“Práticas incorretas de diagnósticos, frente às crescentes pressões por performance, podem estar motivando as taxas de elevação nos diagnósticos, que ultrapassam a verdadeira prevalência da condição”, disse Hinshaw, que não estava envolvido no estudo. “Isso é uma pena, porque o TDAH pode gerar deficiências significativas nas vidas das crianças”, lamentou o professor.3

Para pesquisar as tendências de TDAH, Bao e seus colegas revisaram 20 anos de dados da National Health Interview Survey, que é conduzida anualmente pelo U.S. Centers for Disease Control and Prevention. Os pesquisadores analisaram estatísticas de 1997 a 2016.

A pesquisa, conduzida entre 2015 e 2016, analisou dados de 18,107 crianças e adolescentes entre 04 e 17 anos. No geral, 1,880 receberam diagnóstico de TDAH.

Os pesquisadores encontraram diferenças significativas com relação a etnias e gêneros.

Gêneros: 14% dos meninos foram diagnosticados com o transtorno. Já as meninas, 6,3%.

Etnias: 12% de crianças brancas, não hispânicas foram diagnosticadas com TDAH. Já crianças hispânicas, 6,1%. A taxa de crianças negras não hispânicas diagnosticadas com o transtorno foi de 12,8.

Bao diz suspeitar que a disparidade entre meninas e meninos acontece pela diferença com que o transtorno se manifesta em ambos. Os meninos são mais ativos e, portanto, mais relacionados à hiperatividade, argumenta o pesquisador. “As meninas podem manifestar déficit de atenção, o que é mais difícil de reconhecer do que a hiperatividade”, responde Bao.

Ainda, novas pesquisas sobre TDAH levaram a critérios de diagnósticos mais amplos, o que naturalmente aumentou as taxas de casos, avisa o psicólogo Ronald Brown, reitor da Universidade de Nevada. Hoje, por exemplo, sabemos que o TDAH pode ser identificado em idade pré-escolar e pode prosseguir através da adolescência e da vida adulta, explica Brown.3

Especialistas também sugerem que diagnósticos equivocados estejam aumentando a taxa de casos.

Amie Bettencout, professora assistente do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais do Johns Hopkins University School of Medicine, pede cautela ao analisar este suposto crescimento de TDAH nos EUA.2

“Os autores do estudo reconhecem que utilizaram relatórios dos pais, confirmando que um médico ou um profissional de saúde havia diagnosticado seu filho com TDAH”, argumenta Bettencourt.

“Isso pode abrir uma caixa de Pandora, pois há diversas condições que incluem problemas de atenção e hiperatividade como sintomas. É possível que o TDAH esteja crescendo, mas também é possível que sejam apenas sintomas de outras desordens”, defende a professora.

Bettencourt diz já ter visto muitos diagnósticos equivocados. “Sou especialista em crianças pequenas”, ela diz. “O rigor crescente na educação do jardim de infância está levando a muitos erros na identificação de TDAH. É uma época na vida da criança em que ela ainda está desenvolvendo a capacidade de ficar parada. Anos atrás, não havia muito isso de ficar sentado. A aprendizagem era baseada na brincadeira e na experiência”, explica.

O que esta pesquisa está nos dizendo, conclui Bittencourt, é que muitas crianças estão sofrendo com dificuldades sociais, emocionais e comportamentais.

FONTES:

1 GUIFENG et al., 2018. Twenty-Year Trends in Diagnosed Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder Among US Children and Adolescents, 1997-2016. JAMA Network Open. 2018;1(4):e181471. doi:10.1001/jamanetworkopen.2018.1471. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2698633 . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

2 ADHD DIAGNOSES MAY BE RISING IN U.S. REUTERS. Disponível em: https://www.reuters.com/article/us-health-adhd/adhd-diagnoses-may-be-rising-in-us-idUSKCN1LG21M . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

3 ADHD RATES RISING SHARPLY IN U.S. KIDS. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/news/20180831/adhd-rates-rising-sharply-in-us-kids . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

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BULLYING E TDAH: Agressores E Agredidos

BULLYING E TDAH: agressores e agredidos

Preocupado que seu filho pode estar sendo alvo de bullying na escola? Crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade nem sempre sabem como lidar com o confronto tão típico entre os jovens. É possível que ele pense que a culpa é dele.1

O que é bullying?

É um comportamento individual ou coletivo, geralmente repetido, que intencionalmente tenta machucar uma pessoa ou um grupo – seja física ou emocionalmente, seja pessoalmente ou através da internet (cyberbullying).2

O bullying pode ter efeitos sérios e destrutivos. Vítimas de agressão podem se tornar agressores também.

– Agressores tendem a largar a escola, a ter dificuldades sociais e a desenvolver comportamentos ilegais – do uso de drogas a atividades criminosas.
– Vítimas de bullying podem ter baixa autoestima e um constante sentimento desesperançado, ansioso e triste. A vítima pode se sentir insegura, amedrontada e culpada.

Bullying e TDAH

Nada pode destruir mais o coração de uma mãe ou de um pai do que saber que seu filho está sofrendo violência na escola.

Infelizmente, crianças com TDAH têm ainda mais chances de passar por esta situação. Eles dão alguma resposta inapropriada ou impulsiva e a turma toda responde com piadas ou insultos. Pelos corredores, nos intervalos, a agressão pode sair do âmbito verbal e chegar ao físico.

Precisamos lembrar, também, que portadores do transtorno podem se tornar os agressores. Crianças com TDAH têm três vezes mais chances de se tornarem agressores e dez vezes mais chances de serem agredidas. Ainda, meninas são vítimas mais frequentes do bullying e menos propensas a agredir.3

Como saber se meu filho está sendo agredido?2

Crianças com TDAH podem acreditar que seu comportamento diferente é a causa para serem agredidos ou que não há nada que possa ser feito. Então, mesmo que ela confie nos pais e na escola, seu filho pode optar por não dizer nada a ninguém.

Observe os seguintes sintomas para identificar possíveis casos de bullying:

– Seu filho, de repente, passa a ser recusar a ir para a escola
– A concentração começa a regredir
– As notas começam a cair inesperadamente
– Surgem dores de cabeça, de barriga
– Xixi na cama e dificuldade para dormir
– Ansiedade e autolesão ou automutilação

O que posso fazer se meu filho estiver sendo agredido?4

Crianças com TDAH têm ainda mais problemas para responder a confrontos diretos. Os pais devem encorajar o filho a se impor e a responder sem exageros para não gerar uma escalada destrutiva de agressões.

1 – Avise a diretoria da escola imediatamente. Peça que sejam criadas regras e ferramentas pedagógicas para conscientizar os alunos.

2 – Encoraje seu filho a ficar calmo frente à ameaça. Se forem agressões verbais, ensine-o exercícios de respiração antes de responder. Ajude-o a ensaiar as respostas apropriadas. A chave é se manter emocionalmente distanciado da agressão.

3 – Motive-o a gritar no momento da agressão: “pare!” “Me respeite”. Este tom de voz alertará os adultos.

4 – Estimule seu filho a ficar ereto, fazer contato visual e a falar com voz firme e impositiva.

5 – Diariamente, converse com ele para acompanhar o desenrolar da situação. Separe um momento tranquilo e amoroso para fazê-lo.

O que faço se meu filho for o agressor?5

1 – Não acuse seu filho. Evite gritar. Mantenha-se calmo até mesmo se descobrir que o jovem não sente remorso pelo que fez. Neste caso, relembre seu filho das vezes em que ele se sentiu da mesma forma que a criança que ele agrediu.

2 – Construa. Agressores têm potencial para se tornarem grandes líderes. Converse com o professor e peça que lhe dê uma tarefa especial e motivadora, que engaje a turma.

3 – Previna antes que seja tarde. Pergunte ao professor sobre o que está acontecendo. Reorganize os lugares na sala de aula e, se for o caso, peça que haja supervisão nos corredores e momentos de intervalo.

4 – Ajude seu filho a controlar emoções. Utilize técnicas de dramatização para regular as emoções. Ensaiem cenários juntos em que você é o agressor e ele é a vítima. Explique o que está fazendo e peça que ele responda de forma controlada, sem agressão. Elogie-o pelas respostas.

5 – Lembre-se que o erro não é seu. Se o professor lhe abordar para contar que seu filho está agredindo colegas, seja objetivo: recolha informações para descobrir o porquê de isso estar ocorrendo. Saiba em quem ele bate, por que ele faz isso, quais são os momentos e locais escolhidos. Desta forma, você conseguirá ir utilizando as ferramentas acima para construir uma solução eficiente.

FONTES
1 IS YOUR CHILD A TARGET FOR BULLIES? ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/stop-bullying-at-school-adhd-children/ . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

2 ADHD AND BULLYING.ADHD FOUNDATION. Disponível em: https://www.additudemag.com/stop-bullying-at-school-adhd-children/ . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

3 HOLMBERG K et al., 2008. Bullying and attention-deficit–hyperactivity disorder in 10-year-olds in a Swedish community. Developmental Medicine & Child Neurology 2008, 50: 134–138. doi: 10.1111/j.1469-8749.2007.02019.x. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/pdf/10.1111/j.1469-8749.2007.02019.x . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

4 THINGS TO DO WHEN YOUR CHILD IS THE BULLY. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/teach-adhd-child-about-bullying/ . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

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ESTRESSE, ESGOTAMENTO E FADIGA: CUIDADO O TDAH DO SEU FILHO PODE TER PROFUNDAS CONSEQUÊNCIAS EM VOCÊ

ESTRESSE, ESGOTAMENTO e FADIGA: CUIDADO O TDAH DO SEU FILHO PODE TER PROFUNDAS CONSEQUÊNCIAS EM VOCÊ

Cuidar de uma criança com TDAH é um dos mais desafiadores trabalhos. Famílias com filhos diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade precisam aprender a superar grandes cargas de estresse.

Neste caso, é importante que você domine diversas capacidades de gerenciamento para manter ou restaurar a calma e a resolução de problemas.

Sim, ter filhos pequenos, com TDAH ou não, exige tais capacidades. Mas, mães e pais de crianças com distúrbios de desenvolvimento e saúde mental geralmente têm que lidar com estas questões em outra magnitude.

Cuidar de um filho com TDAH pode se tornar um trabalho em turno integral:
– você monitorará seu filho constantemente;
– você repetirá regras e direções o tempo todo;
– você, fatalmente, passará grande parte do tempo conversando com professores e coordenadores da escola;
– você estará cansado grande parte do tempo.

São reais as consequências do estresse crônico relacionado à tarefa de educar crianças com necessidades especiais. Estudos1 mostraram que pais de crianças com distúrbios de desenvolvimento e de aprendizagem têm muito mais chances de passar pelas seguintes situações:
– Ansiedade
– Depressão
– Insônia
– Fadiga
– Problemas mentais1

De acordo com um estudo britânico2, o estresse crônico coloca estes pais em riscos médicos graves. Esta pesquisa descobriu que pais de crianças com autismo ou TDAH tem muito mais chance de terem altos níveis de cortisol (o hormônio do estresse), e PCR (Proteína c-reativa), um biomarcador ligado a incontáveis questões, que vão do câncer colorretal até diabetes, passando por problemas cardíacos.

É importante que abordemos estes riscos, tanto pelo bem-estar das crianças quanto pela saúde dos pais.

Vamos dar uma olhada em fatores geradores de estresse. Veremos, também, algumas sugestões para colaborar na construção de famílias mais equilibradas e emocionalmente capazes de se comprometer com o bem-estar de todos.

Aceite seus limites

Especialistas concordam que a grande causa do estresse é um pensamento típico: você passa a acreditar que é a única pessoa que pode ajudar seu filho e que sua capacidade é ilimitada.1

Dr. Wendy Blumenthal, uma psicóloga de Atlanta, diz que vê mães chegarem a um ponto de colapso, porque carregam todas responsabilidades de seus filhos com necessidades extras. “Estas supermães não dormem, estão sempre ansiosas e ligam para todos os médicos que conseguem imaginar”, explica Blumenthal.

Elaine Taylor Klaus, cofundadora do Impact ADHD3, oferece treinamento para pais de crianças com TDAH e outras desordens. Ela conta que “estes pais sentem que deveriam ser capazes de fazer tudo, sendo que a primeira coisa que precisam aprender é a cuidarem de si mesmos”. Klaus alerta para os perigos que situações de estresse constante geram em longo prazo.

Precisamos salientar que existem diversos tipos e intensidade de esgotamento. Este amplo espectro inclui exaustão física e mental, monotonia, frustração ou até o conhecido sentimento de derrotismo.

Claro, é muito provável que você sinta um pouco de cada um deles. Porém, é importante que você entenda o que está sentindo para buscar a abordagem mais eficiente, que restaure sua energia e habilidade de seguir enfrentando os desafios.

Independentemente do que você estiver sentindo – ou da intensidade da questão, algumas práticas são fundamentais para a saúde física e mental de pais de crianças com TDAH:
– Durma sempre que possível. Dormir é o maior aliado do combate ao estresse e você, provavelmente, já sabe disso. Entendemos que o sono parece um luxo nestes casos, mas falamos sobre priorizar seu sono acima do celular, da televisão ou de quaisquer distrações que não sejam cruciais para o seu relaxamento.
– Mantenha-se hidratado e bem alimentado.
– Mexa seu corpo. Exercite-se com regularidade.
– Tenha um lazer prazeroso, um momento para ficar longe das crianças.

Agora que já abordamos as inevitáveis questões fundamentais para o seu bem-estar, podemos passar a outras situações e soluções que melhorarão sua qualidade de vida em geral.

Isolamento e exaustão

Quando você tem uma criança com um comportamento difícil ou cujas necessidades são desafiadoras, o sentimento de isolamento se acentua e, com ele, o estresse. Colegas, vizinhos, amigos, família e até mesmo o cônjuge parecem estar em outro planeta.

Mas, a verdade é que as pessoas querem ajudar – elas só não sabem como.

Os pais precisam aprender a dar direções objetivas aos ajudantes e cuidadores:
– você pode ficar com as crianças na quarta-feira para que eu consiga cortar o cabelo?
– você pode comprar esta lista de itens no supermercado para mim?

Estes pedidos concretos serão atendidos pelas pessoas e você mudará sua percepção sobre o abandono e o isolamento.

Caso não seja possível contratar uma babá, você pode propor períodos de troca com outros pais (até mesmo formar uma rede de pais) de crianças com desordens de aprendizado na sua cidade. Vocês podem alternar momentos de cuidados dos pequenos e, assim, criar folgas saudáveis para todos.

Vida social

Muitos pais de crianças com distúrbios de comportamento e desenvolvimento acabam perdendo o contato com amigos ou param de fazer atividades fora de casa.

Cuidar da sua saúde emocional e social é tão importante quanto qualquer outra prática física, como se exercitar ou dormir bem, diz Dr. Matthew Rouse, psicólogo do Child Mind Instute.3

Ele levanta a importância da vida social adulta e questiona os pais que atende em seu consultório:
– O que vocês estão fazendo por si mesmos?
– O que vocês estão fazendo como casal?
– Quando foi a última vez que você se divertiu com amigos?

Para minimizar estes sentimentos de afastamento da vida social, Dr. Rouse recomenda:

Crie uma rede de amigos fora do âmbito familiar. Grupos de apoio são ótimos, diz ele, mas ainda estão ligados ao universo do seu filho.

O que você deve buscar aqui são atividades que coloquem você em foco. São momentos de prazer, como ler em um parque, correr ou pintar.

O psicólogo explica que, se você apenas doar suas energias mentais sem repô-las, cedo ou tarde, elas se esgotarão – e seu filho sofrerá as consequências junto com você.

Cuidar do casamento

Ao longo dos anos, os pais terão que dar atenção extra para a relação mais vulnerável das suas vidas: o casamento.

Uma pesquisa concluiu que pais com crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm duas vezes mais chance de se divorciarem até o filho atingir a idade de oito anos.

Surpreendentemente, após os oito anos da criança, as diferenças nas taxas de divórcio entre pais de crianças diagnosticadas com TDAH ou não se tornam irrelevantes.4

Outros fatores colaboram no desfecho da separação, dizem os pesquisadores. Desordens coexistentes, como Transtorno Desafiador Opositivo ou Transtorno de Conduta podem agravar o quadro dos conflitos em casa.

Comportamentos antissociais do pai também impactam na probabilidade da separação, bem como diferenças no grau de educação entre os cônjuges.

William E. Pelham Jr., Ph.D, professor de Psicologia e Pediatria na Universidade de Buffalo, participou do estudo.

Ele explica que o mais grave fator de conflitos é a dissonância na forma de enxergar as dificuldades do filho. Por exemplo, a mãe considera determinado comportamento na escola um problema, mas o pai releva, considerando a situação algo natural da criança.

Este tipo de desarmonia na percepção da educação do filho é o maior fator de brigas no casal, explica o pesquisador.

Mas, nada disso é uma fatalidade inescapável. São alertas para que você compreenda que você e seu casamento também são uma prioridade no tratamento do seu filho.

Pelham já traz o caminho para as conclusões do próprio estudo: os pais precisam trabalhar em conjunto, argumenta. Eles precisam aprender, juntos, habilidades necessárias para o desafio de ter um filho.5

Utilizem os momentos que a criança está na escola ou na terapia para fazerem algo breve em casal. Em casa, tirem instantes para namorar, cozinhar ou ouvir música juntos.

Sobre a dissonância de percepção na educação e no comportamento do filho, Dr. Rouse propõe uma prática benéfica: tire um momento antes de dormir para conversar com seu parceiro sobre a situação mais difícil e a mais recompensadora do dia. Estes balanços, tão positivos para afinar a vida em casal, também são estratégias eficientes para afinar a percepção sobre o filho.3

Mãe e filhos com TDAH: ainda mais interligados

Todos sabemos do poder das relações entre mães e filhos. A mãe é capaz de adoecer com seu filho, de vibrar junto com a felicidade do filho e de sentir tristeza paralisante frente ao fracasso do filho.

Porém, as mães de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade têm laços ainda mais sensíveis.

Foi o que descobriu um estudo da Universidade da Califórnia, em Irvine.6 Os pesquisadores avaliaram o humor das crianças com TDAH e de 51 mães a cada 30min. A descoberta não foi nada surpreendente: o humor das mães e dos filhos coincidiram. Os comportamentos que mais geraram estresse nas mães estavam relacionados à hiperatividade, falta de concentração e desobediência.7

Você e seu filho se influenciam mutuamente. Sua saúde mental e física é uma peça-chave na qualidade de vida da criança.

Agora, você já pode compreender a importância de pensar no tratamento do TDAH como uma dinâmica familiar, que inclui você e seu casamento. Abordagens integradas e a participação de toda a família transformam o peso da dificuldade em desafios (e celebrações) de crescimento conjunto.

1 WHY SELF-CARE IS ESSENTIAL TO PARENTING. THE CHILD MIND INSTITUTE. Disponível em: https://childmind.org/article/fighting-caregiver-burnout-special-needs-kids/ . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

2 LOVELL B et al., 2011. The psychosocial, endocrine and immune consequences of caring for a child with autism or ADHD. Psychoneuroendocrinology. 2012 Apr;37(4):534-42. doi: 10.1016/j.psyneuen.2011.08.003. Epub 2011 Sep 1. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21889267 . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

3 IMPACT ADHD. Disponível em: https://impactadhd.com/author/elainetaylorklaus/ . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

4 WYMBS et al., 2008. Rate and predictors of divorce among parents of youth with ADHD. J Consult Clin Psychol., 76(5), 735–744. doi:10.1037/a0012719 Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2631569/ . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

5 DIVORCE MORE LIKELY IN ADHD FAMILIES?. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/news/20081024/divorce-more-likely-in-adhd-families#1 . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

6 WHALEN CK et al., 2008. Dissecting daily distress in mothers of children with ADHD: an electronic diary study. J Fam Psychol. 2011 Jun;25(3):402-11. doi: 10.1037/a0023473. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21517172 . Acesso em: 30 de agosto de 2018.

7 THE ADHD ROLLERCOASTER: STRESSED PARENTS NEED HELP, TOO. LIVE SCIENCE. Disponível em: https://www.livescience.com/15198-adhd-stressed-parents.html . Acesso em: 24 de setembro de 2018.

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DEPENDÊNCIA DE NICOTINA E TDAH: QUAL A RELAÇÃO?

DEPENDÊNCIA DE NICOTINA E TDAH: QUAL A RELAÇÃO?

Adolescentes diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) têm mais probabilidade de se tornarem dependentes de nicotina do que jovens sem o diagnóstico do transtorno. Por quê?

Um estudo1 conduzido no Massachusetts General Hospital, em Boston, envolveu 166 jovens de 15 a 25 anos para medir a dependência da substância. O nível médio dos participantes com TDAH era o dobro dos participantes sem a desordem – o que sugere que portadores de TDAH têm o dobro de chances de se tornarem viciados ao experimentarem a droga.

Claro, o TDAH não foi o único fator encontrado para a elevação da dependência de nicotina. Jovens com pais fumantes, amigos fumantes ou que conviviam com fumantes tinham mais tendência à adição.

O líder do estudo, Dr. Timothy E. Wilens, alerta2 que estes fatores ambientais tinham ainda mais impacto nos participantes com TDAH. Isso pode significar que há uma mistura de elementos biológicos e ambientais trabalhando juntos no vício, diz o doutor.

Mesmo que não esteja claro o motivo desta correlação entre TDAH e nicotina, existe evidência de que a substância, em certo grau, age no cérebro humano da mesma forma que medicamentos estimulantes, comumente indicados no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.

É possível que os jovens estejam utilizando a nicotina como uma forma de automedicação, explica Dr. Wilens. Por isso, avisa o médico, pais de adolescentes diagnosticados com o transtorno precisam compreender a importância de não fumarem e de minimizarem os sintomas do TDAH nos jovens o máximo que puderem.

Nicotina e automedicação

A nicotina é um conhecido estimulante do sistema nervoso central e parece agir no cérebro da mesma forma que outros psicoestimulantes, como dissemos.

Um número considerável de estudos aponta que a nicotina é capaz de melhorar a atenção, diz o Dr. Scott Collins3, professor de psiquiatria e de psicologia médica da Universidade de Duke. Collins, que é diretor do programa de TDAH da instituição, alerta que “a nicotina tem muitos efeitos em diversos processos que podem estar prejudicados em indivíduos com TDAH, incluindo atenção, autocontrole e memória de trabalho”.

Por isso, explica o médico, “frequentemente, foi proposto que portadores de TDAH têm risco aumentado de se tornarem viciados, por causa dos efeitos da nicotina através de diversos processos cognitivos.”

É possível que a nicotina esteja sendo utilizada como um apoio para portadores de TDAH, como uma forma de compensar deficiências na atenção, estímulo e concentração. Pesquisas são necessárias nesta questão para compreender plenamente o efeito da nicotina nos sintomas de TDAH e como isso pode aumentar o risco da adição em jovens e adultos com a desordem.

Nicotina no cérebro

Uma pesquisa conduzida na Universidade de Duke4 chegou a um resultado surpreendente: o uso de adesivos de nicotina podia melhorar a atenção, a memória e a função cognitiva (esta última até mesmo em pacientes de Alzheimer).

A nicotina foi capaz de minimizar a confusão mental de indivíduos diagnosticados com esquizofrenia e outras desordens tratadas com medicamentos antipsicóticos (uma possível explicação para que uma grande parcela destes pacientes sejam dependentes de cigarros).

O líder deste estudo, o professor de psiquiatria da Duke, Amir Rezvani, administrou pequenas doses de nicotina em ratos com problemas de atenção – a droga foi capaz de levar o funcionamento cerebral de volta ao estado normal.

Então, os pesquisadores repetiram o teste em pacientes com Alzheimer e a capacidade de aprendizagem dos indivíduos melhorou.

A conclusão do estudo, obviamente, não é que devamos aplicar nicotina nas pessoas, não antes dos pesquisadores conseguirem remover o caráter viciante da substância, algo que estão desenvolvendo em laboratório3. A conclusão foi de que a nicotina é a substância mais aditiva que existe, diz Rezvani. Mais do que cocaína ou heroína.

Isso porque ela se combina com receptores para a acetilcolina, um dos mais importantes neurotransmissores do cérebro. Também, porque a nicotina é geralmente inalada e atinge o cérebro imediatamente. “No mesmo instante que você fuma, você sente a recompensa”, explica o pesquisador.

Fontes

1 TIMOTHY W et al. Cigarette Smoking Associated with Attention-Deficit Hyperactivity Disorder. J Pediatr. 2008 Sep; 153(3): 414–419. Doi: [10.1016/j.jpeds.2008.04.030]. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2559464/>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

2 ADHD TIED TO MORE SEVERE NICOTINE DEPENDENCE. REUTERS. Disponível em: <https://www.reuters.com/article/us-nicotine-dependence/adhd-tied-to-more-severe-nicotine-dependence-idUSTRE49T71920081030>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

3 THE CASE FOR NICOTINE. THE WASHINGTON POST. Disponível em: <https://www.washingtonpost.com/news/to-your-health/wp/2014/04/25/the-case-for-nicotine/?noredirect=on&utm_term=.7037d649343d>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

REZVANI AH et al. Cognitive effects of nicotine. Biological Psychiatry 49(3):258-67 · March 2001. DOI: 10.1016/S0006-3223(00)01094-5. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/12100639_Rezvani_AH_Levin_ED_Cognitive_effects_of_nicotine_Biol_Psychiat_49_258-267>. Acesso em: 23 de novembro de 2018.

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VIDA SEXUAL COM TDAH: O Que Pode Acontecer

VIDA SEXUAL COM TDAH: o que pode acontecer

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é caracterizado por uma gama de sintomas que podem incluir hiperatividade, desatenção e questões comportamentais. Contudo, o TDAH também pode afetar os relacionamentos, a autoestima e até mesmo a performance sexual.

“Qualquer casal pode ter uma discrepância de desejo quando um dos parceiros sente mais apetite sexual do que o outro”, explica Ari Tuckman, psicólogo clínico norte-americano, especializado no diagnóstico e no tratamento de crianças, jovens e adultos com o transtorno.

Gina Pera, autora da obra “Is It You, Me, Or Adult A.D.D.?” afirma que a maioria dos casais, em que um dos parceiros foi diagnosticado com TDAH, reporta uma boa vida sexual. Mas, há vezes em que o transtorno pode “criar problemas significativos”, sendo um deles a falta de capacidade de iniciar uma relação sexual.
Pessoas com TDAH que não começam as relações sexuais podem fazê-lo por incontáveis razões, esclarece Pera. Em alguns casos, o comportamento procrastinador frequentemente presente no transtorno pode ser a causa da situação. Em outros, a dificuldade de planejamento e a falta de noção de tempo se tornam um desafio para determinar quando e como se aproximar do parceiro.

Tuckman diz que um bom preditor de satisfação sexual inclui o tratamento adequado tanto para quem tem TDAH quanto para quem não tem o transtorno. O psicólogo explica que casais mais felizes são aqueles que sentem que seu parceiro está se esforçando para ajudar a controlar os sintomas e suas consequências. Um destes esforços é ligado à vida sexual. Tuckman explica que, ao trabalhar junto, o casal pode transformar o que era um problema em um “afrodisíaco”, porque o sentimento de apreciação potencializa a relação.

Já Gina Pera, alerta sobre outro problema sexual que pode ocorrer: o parceiro que quer fazer sexo constantemente. Ela nota que a maior parte das pesquisas conclui que a chamada hipersexualidade está ligada mais ao tipo desatento do transtorno, mesmo que isso pareça surpreendente. Gina sugere que isso pode ocorrer por fatores subjetivos, como crescer sem o estigma do TDAH e não desenvolver os graves problemas que a baixa autoestima pode acarretar.
Vimos como o TDAH pode levar tanto à falta de sexo quanto ao sexo em excesso. Vamos observar alguns fatores que podem acontecer na vida sexual de pessoas diagnosticadas com o transtorno.

Como o TDAH pode afetar sua vida sexual

– Você pode ter problemas para prestar atenção durante o sexo. A mente divaga no momento das preliminares, do carinho ou até mesmo durante a relação em si.
– Seu humor ou desejo muda subitamente. Em um dia, você sente vontade de carinho e sexo. No outro, as mesmas questões simplesmente lhe incomodam.
– Sentimentos de braveza e solidão podem reduzir o desejo. Eles também podem gerar desafios comunicacionais entre você e seu parceiro.
– Você pode ser levado a comportamentos de risco, como sexo sem proteção. O TDAH pode reduzir o nível de alguns neurotransmissores no cérebro – isso pode impulsionar comportamentos de risco ou de impulsividade.
– Você pode desejar ter diferentes e variados parceiros. Isso dificulta a ideia de um relacionamento em longo prazo e aumenta as chances de risco.

O que você pode fazer?

– Seja aberto com seu parceiro sobre seus sintomas de TDAH, como falta de foco e irritabilidade. Saiba, lembre, reforce que isso não é culpa sua e não tem relação com seu parceiro.
– Explique o que lhe dá prazer. Se você não gosta de ser tocado o tempo todo, diga isso ao outro. Mostre como lhe tocar, quando lhe tocar. Isso previne conflitos e incompreensão.
– Livre-se de distrações. Se você perde o foco durante o sexo, apague a luz, tire a televisão, desligue telefones.
– Tome suas medicações como foram prescritas. Alguns remédios para o transtorno podem potencializar a capacidade de foco e de prazer sexual, enquanto outros podem reduzir o desejo e até mesmo a performance. Se este for o caso, converse com seu médico e com seu parceiro sobre isso.
– Foque na intimidade. Problemas com foco podem dificultar o prazer, a excitação e o orgasmo. Dedique algum tempo ao carinho e ao relaxamento ao lado do outro. Isso reduz a pressão e ajuda o casal a se divertir junto.
– Mantenha-se ativo. Exercícios regulares podem lhe ajudar a focar e a aumentar neurotransmissores como a dopamina, que colabora com a melhoria da intimidade e reduz o risco de comportamentos inseguros.
– Considere terapias. Um terapeuta pode ser de grande valor no aprendizado da comunicação com o seu parceiro, seja na cama ou fora dela.

Fontes:

1 HOW HAVING ADHD CAN IMPACT YOUR SEX LIFE. HEALTH U.S NEWS. Disponível em: <https://health.usnews.com/health-care/patient-advice/articles/2017-12-13/how-having-adhd-can-impact-your-sex-life>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
2 ADHD AND YOUR SEX LIFE. WEBMD. Disponível em: <https://www.webmd.com/add-adhd/adhd-adhdsex>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

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O RITUAL DA LIÇÃO DE CASA: DICAS PARA AJUDAR OS FILHOS COM TDAH

O RITUAL DA LIÇÃO DE CASA: DICAS PARA AJUDAR OS FILHOS COM TDAH

A hora da tarefa de casa pode ser um problema para adultos e estudantes. Muitos jovens têm dificuldades para executar os exercícios em casa e, quando conseguem e entregam para o professor, este sequer tem noção do desafio que foi para completar a lição.

Muitos pais bem-intencionados assumem grande parte da tarefa por medo de que o filho sofra punições ou perca notas. Mas, você precisa lembrar que faz parte do trabalho deles se engajarem com os exercícios e completar as lições. É uma relação importante para o jovem.1

Para alcançar este grau de autonomia, os pais devem buscar um equilíbrio entre regras e flexibilidade, alcançando comportamentos produtivos e responsáveis por parte do filho.

Estudantes são empoderados pelos adultos, que devem ajudar os jovens a descobrirem seus próprios métodos e sucessos em pequenos e contínuos passos.

Se o seu filho está tendo problemas na hora de fazer as tarefas, reveja o básico do que chamamos de ritual do tema de casa.2 Deixe as regras bem claras para todos, inclusive para si mesmo. Se possível, ilustre-as no ambiente de estudo.

A melhor abordagem é testar diferentes modelos até encontrar um sistema que funcione para todos – a partir daí, tornar isso um hábito.

Mas, esta descoberta é complicada. Você precisará experimentar muito, usando criatividade e paciência. A sua conquista e a de seu filho, portanto, exigirá um pouco de tempo.

Como funciona na sua casa

A hora da lição deve começar todos os dias, no mesmo horário.

Você precisa criar um local específico, com o mínimo de distrações e o máximo de organização.

Não caia na ideia de que seu filho será capaz de prestar mais atenção se a televisão estiver ligada. Desligue os aparelhos eletrônicos à exceção de músicas de fundo, que podem ajudar alguns jovens, principalmente com tarefas rotineiras.

Este local de estudo será quase que sagrado, separado exclusivamente para a tarefa de casa. Os materiais da escola devem ficar lá, arrumados e sempre no mesmo lugar.2

Como funciona na escola

Seu papel principal é alinhar, com o professor, tarefas que se ajustem às capacidades do seu filho. Sua função é garantir que o estudante seja capaz de ser bem-sucedido nos exercícios, encontrando um equilíbrio entre o que a escola exige e o que seu filho pode fazer. Você será um mediador.3

A hora da lição de casa pode afetar tanto a motivação do seu filho em aprender quanto sua relação com ele. Muitos pais precisam de treinamento para desenvolver a rotina de estudo diária. Não hesite em buscar os pedagogos e psicólogos da escola para que vocês possam, juntos, criar um sistema de excelência, que funcione para todos.

Como funciona entre você e seu filho

Todas os dias, sente com seu filho e veja as lições e os trabalhos pendentes para o dia e para a semana. Discuta os materiais que precisam ser comprados e os conteúdos abordados. Tracem, juntos, um plano de ataque. Execute-o assim que chegarem a um planejamento ideal.

Lembre-se que “ideal” é apenas uma palavra. Redefina seu conceito de “perfeição”. Ajude seu filho a traçar objetivos razoáveis para que ambos fiquem felizes. Ao final de cada conquista, recompense o progresso e examine novos níveis de exercícios. Seu filho estará evoluindo e você precisa celebrar e aumentar o grau de desafio.

Ria muito e seja positivo. O reforço positivo é uma das formas mais eficientes de motivar estudantes com TDAH. Evite linguagem negativa e sempre faça questões abertas, subjetivas, que engajem o jovem em respostas complexas.4

Seja realista: a maioria esmagadora dos estudantes não gosta de fazer as tarefas de casa. Não os julgue por isso.

Concluindo:

O debate sobre a necessidade de lições de casa prossegue e não há um consenso sobre a importância deste exercício diário, principalmente em fases iniciais. De toda forma, há três argumentos favoráveis à prática que você precisa levar em conta:

Primeiramente, o envolvimento da família na educação tem efeitos muito positivos sobre a performance da criança na escola. O momento da tarefa de casa é a oportunidade das famílias se envolverem neste processo e ajudarem seus filhos a aprenderem não apenas os conteúdos, mas também a perceberem dificuldades e conquistas pessoais.

Em segundo lugar, a qualidade da relação entre família e escola é fundamental para o sucesso do jovem. A lição de casa é uma oportunidade para que pais e professores se conectem uns com os outros.

Por último, quando os alunos passam do ensino médio para a faculdade, eles precisarão ter bons hábitos de estudos estabelecidos, para que possam trabalhar de forma autônoma. A lição de casa é o melhor momento para desenvolver capacidades de estudo independentes.

Fontes

1 HANDLE HOMEWORK HASSLES, PART I. CHADD BLOG. Disponível em: http://creativeadhdparenting.blogspot.com/2015/09/handle-homework-hassles-part-i.html . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

2 ESTABLISH THE HOMEWORK RITUAL: HANDLE HOMEWORK HASSLES, PART II. CHADD BLOG. Disponível em: http://creativeadhdparenting.blogspot.com/2015/09/the-homework-ritual-handle-homework.html . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

3 GET SUPPORT & COMMUNICATE: HANDLE HOMEWORK HASSLES III. CHADD BLOG. Disponível em: http://creativeadhdparenting.blogspot.com/2015/09/get-support-communicate-handle-homework.html . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

4 REDEFINE PERFECT: HANDLE HOMEWORK HASSLES IV. CHADD BLOG. Disponível em: http://creativeadhdparenting.blogspot.com/2015/09/redefine-perfect-handle-homework.html . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

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