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ESTUDO REVELA PRIMEIROS RISCOS GENÉTICOS PARA O TDAH

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Post Series: Adultos

Um time global de pesquisadores descobriu o primeiro fator genético de risco associado ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), uma desordem complexa que afeta uma média de 1 a cada 20 crianças (1).

A professora Anita Thapar, da Universidade de Cardiff, lidera um grupo de pesquisa de TDAH no Psychiatric Genomics Consortium. Ela explica que “este estudo marca um passo muito importante no começo da compreensão das causas genéticas e biológicas do TDAH”(2).
“As variáveis genéticas de risco relacionadas ao transtorno têm um papel significativo no cérebro e em outros relevantes processos biológicos. O próximo passo é determinar o papel exato destes genes no TDAH para nos ajudar a desenvolver tratamentos melhores, capazes de ajudar as pessoas afetadas pela condição”, aponta Thapar.
A equipe de pesquisadores analisou a informação genética de aproximadamente 20 mil pessoas com TDAH e de 35 mil pessoas sem o transtorno. Foi o maior estudo genético sobre o TDAH realizado até hoje. Os resultados foram recentemente publicados na Nature Genetics.
Dra. Joanna Martin, uma pesquisadora associada do MRC Centre for Neuropsychiatric Genetics and Genomics, da Universidade de Cardiff, explica que os investigadores identificaram 12 regiões genômicas em que indivíduos com TDAH diferiam dos indivíduos sem o transtorno. “Muitas destas regiões estão próximas ou em genes que possuem uma relação conhecida com processos biológicos que envolvem o desenvolvimento da saúde mental”, afirmou Martin.
Os pesquisadores compararam o risco genético para o diagnóstico do TDAH com marcadores genéticos associados aos sintomas de TDAH de quase 20 mil crianças e descobriram uma forte correlação entre os dois, de aproximadamente 97%.
“A correlação entre estas diferentes definições de TDAH sugere que o diagnóstico clínico pode ser o fim de uma distribuição contínua de sintomas na população geral”, afirmou Dra. Martin.

O professor Luis Augusto Rohde, coordenador geral do PRODAH e um dos autores do estudo, salienta que os dados revelados nos dão as pistas iniciais para quais são alguns dos responsáveis por algo que já se sabia há três décadas – a forte transmissão familiar associada a causas genéticas no TDAH.

OS MESMOS GENES AFETAM A IMPULSIVIDADE EM PESSOAS SAUDÁVEIS
No estudo, os pesquisadores descobriram que as mesmas variáveis genéticas que levaram ao diagnóstico do TDAH afetavam a desatenção e a impulsividade na população geral.
“As variáveis de risco estão espalhadas pela população. Quanto mais variáveis você tiver, maior sua tendência de ter sintomas ligados ao TDAH ou até mesmo desenvolver o próprio transtorno”, esclareceu o professor Anders Børglum, da Universidade de Aarhus. Ele foi um dos líderes do estudo.
“Também observamos a sobreposição com outras desordens e traços. Através disso, encontramos uma correlação genética entre TDAH e educação. Isso quer dizer que as variáveis genéticas que aumentam o risco do transtorno também influenciam a performance acadêmica negativamente na população geral”, explica Ditte Demontis, autora do estudo (3).
A pesquisa encontrou correlação entre TDAH e aumento de massa corporal e Diabetes tipo 2, o que significa que as variáveis que aumentam o risco para o TDAH também elevam o risco de obesidade na população.

A colaboração contou com grupos de pesquisa da Europa, da América do Norte e do Sul e da China. Estes grupos são parte do Psychiatric Genomics Consortium (PGC), bem como da Lundbeck Foundation Initiative for Integrative Psychiatric Research (iPSYCH), na Dinamarca.
A professora Anita Thapar celebra: “Este estudo é divisor de águas, porque envolve pacientes do mundo inteiro. Este grande número de amostras estava em falta nos estudos de TDAH e isso significa que nossa compreensão genética do transtorno estava atrasada com relação a desordens físicas e psiquiátricas, como esquizofrenia e depressão. Graças, em parte, à Dinamarca, isso está começando a mudar.”

Thapar ainda acrescenta que cada indivíduo com TDAH que participou desta pesquisa está fazendo diferença real no avanço da compreensão da condição. “Esperamos que este estudo estimule a participação das pessoas e aumente o interesse de outros países no apoio à pesquisa sobre o transtorno”.
Mesmo que estes 12 sinais genômicos identificados no estudo sejam importantes, eles capturam apenas uma pequena parte do risco para o TDAH. Coletivamente, os fatores genéticos comuns eram responsáveis por aproximadamente 22% dos riscos totais do TDAH. O papel de outras fontes de riscos genéticos, como por exemplo mutações genéticas raras e fatores ambientais também precisam ser analisados em estudos futuros.

1 DEMONTIS D, et al. Discovery of the first genome-wide significant risk loci for attention deficit/hyperactivity disorder. Nat Genet. 2018 Nov 26. doi: 10.1038/s41588-018-0269-7. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30478444>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
2 DISCOVERY OF THE FIRST COMMON GENETIC RISK FACTORS FOR ADHD. SCIENCE DAILY. Disponível em: <https://www.sciencedaily.com/releases/2018/11/181127111020.htm>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.
3 FIRST RISK GENES FOR ADHD DISCOVERED. NEUROSCIENCE NEWS. Disponível em: <https://neurosciencenews.com/adhd-risk-genes-10268>. Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

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